-Sara, tem certeza que você quer ir? Eu deixo você faltar o primeiro dia de aula!

-É claro que eu não vou faltar pai. É meu primeiro dia e estou super empolgada! Vamos antes que eu me atrase.

-Ok, dessa e pegue seus livros. Se precisar de qualquer coisa pode ligar, eu posso te buscar a qualquer hora! Lembre-se – Olhou para mim com aquele olhar implorando que eu não fosse para escola de magos – Muito cuidado por lá, muito.

-Pode deixar, tomarei muito cuidado. Mais temos que ir antes que eu chegue atrasada!

O dia esta frio, mais eu nem ligo muito pra isso, minha felicidade é tanta que tudo está perfeito hoje. Mal posso acreditar que vou fazer magia em “Adlocum”! A segunda, maior e melhor (na opinião da maioria dos magos) escola de magia, apenas para magos. Finalmente convenci meu pai de que eu poderia ser uma maga de verdade!

Hoje, eu me torno uma (oficialmente) aprendiz de mago!

— Obrigada por me deixar entrar na escola !

— Eu tinha certeza que um dia você iria seguir o caminho dos magos. Assim como sua mãe, você será grande, e aprenderá coisas muito difíceis de compreender. Mais sei que conseguirá guardá-las com sabedoria minha filha.

— Obrigada – disse-lhe lacrimejando e dando-lhe um abraço – Você é o melhor pai do mundo! Não farei as mesmas escolhas que minha mãe, serei uma maga que ela jamais foi!

— Não fale assim — Pegou minha mão e entregou-me uma foto de nos dois sentados perto da lareira de casa — Sua mãe lhe ama mais que tudo! Só não pode estar presente em sua vida, mais sei que você será uma maga muito melhor que ela! – Olhou para a foto e lagrimas escorreram por seu rosto

Papai parou na frente de um prédio grande, parecia um prédio de mordia comum

– Quando sentir saudade olhe para essa foto, eu sempre estarei com você. – Era uma foto dele ao lado de minha mãe, só tinha visto uma foto dela até hoje, a que meu pai mantinha guardada em uma das inúmeras caixas no porão, nessa eles estavam juntos, distraídos em uma sala escolar comum.

– Sim pai!

-Agora vá antes que perca o horário das portas! Seu tio Kevin estará há lhe esperar na frente do corredor para te ajudar no embarque. Cuide-se!

Abri a porta do carro, me despedi novamente. Entrei no prédio segui as pessoas que aparentavam ter minha idade, parei no segundo andar, os corredores eram enormes e largos, todos esses corredores de locomoção tinham portas e cada porta te deixava em um lugar. Demorei um pouco até achar o começo do corredor de portas para as escolas de magia (eu precisava achar a porta verde com dourado numero 850). Meu tio Kevin estava lá, bem na frente do corredor, seus trajes de professor de ilusão estavam bem sujos e sua barba não estava feita (como sempre), seu cabelo ruivo estava bem bagunçado, como de costume. Minhas malas estavam com ele, olhando de longe elas pareciam tão vazias! O que eu sabia que não era verdade, pois fiz questão de levar tudo que achava importante. Fui correndo falar com ele, tinha uns dois anos que eu não o via pessoalmente!

— Nossa como você cresceu! Garota, como está parecida com sua mãe!

— É, obrigada, Vou interpretar como um elogio! – dei-lhe um abraço

— Tenho uma coisinha para lhe entregar antes de te deixar ir.

Revirou os seis bolsos de sua calça e achou um chiclete, dois lápis, cinco mini porções, um talismã redondo de prata e por ultimo, acho que encontrou o que procurava! Uma tornozeilera de ouro e prata, com desenhos de gotas d’água

– Tome um presentinho meu, tomara que goste, muda de cor de baixo da água.

- Tio, qual foi á ultima vez que falou com minha mãe?

-Vamos deixar este assunto pra depois, apenas pegue o presentinho e coloque-o para eu ver como fica.

Coloquei a tornozeilera, ficou ótima, parecia ter sido feita sob medida. Tentei me distrair um pouco mais eu queria saber pelo menos onde Pietra estava. Mais eu sei que não vai adiantar discutis com meu tio, e também, porque eu queria saber sobre ela? Pietra nunca ligou pra mim mesmo, nunca apareceu em meus aniversários e apesar de ser minha mãe, não estou a fim de ficar com ela, suas escolhas foram claras. Já não tem volta. Depois que um ser vai para o lado obscuro da magia, nunca mais volta!

-Ei, está pensando em que garotinha?

-Nada não, há, quer dizer eu estava pensando que se a gente não sair daqui agora vou perder o horário das portas!

-caramba, é mesmo! Então vamos menina!

Andamos até as porta verdes com dourados, precisávamos achar a de número 850. Juro que fiquei assustada com o tamanho da porta da escola Adlocum, era muito grande tipo dava uns três do meu tio, um em cima do outro.

Ele pegou a chave dourada de dentro de um bolso e há colocou na fechadura. Havia umas 20 pessoas tentando passar pela porta, mais a porta só deixa entrar o dono da chave e como eu era a dona, quer dizer, eu que vou estudar na escola, tinha que atravessar sozinha, o medo não saia de perto de mim. E estranho, eu nunca passei por uma dessas portas, não dá pra ver o que tem depois dela, o liquido dourado que fica caindo não deixa, dei um passo para traz e senti uma mão me segurando.

– Pode deixar tio, eu já vou, só fiquei meio...

Virei e vi um garoto de pele morena e cabelo preto sorrindo.

– Hmm..., eu não sou o seu tio, mais posso te ajudar a passar pela porta, deve ser sua primeira vez!

O garoto colocou sua chave na fechadura de baixo, (haviam fileiras e mais fileiras de fechaduras na porta)

– Posso te acompanhar se quiser, a primeira travessia é sempre a mais assustadora. – bonito e gentil, como recusar.

Kevin estava diminuindo o tamanho das minhas malas (com um pó que pareciam cinzas)

– Claro, porque não. Vou pegar minhas malas.

Peguei minhas malas, que agora estavam do tamanho de bolsas.

– Para fazer as malas voltarem ao tamanho normal você tem que jogar duas gotas de solvere em cada uma!

Entregou-me um frasquinho com tampa de rolha — Tome guarde bem!

Peguei o frasco e coloquei no bolsinho do casaco.

– Beijos tio — dei-lhe um abraço e um beijo de despedida – Te adoro, vou me cuidar muito bem, qualquer coisa eu aviso, tchau.

– Tchau minha pequena – deu-me um beijo e um abraço também – Devista-se.

Corri para a porta de novo e o garoto ainda estava há me esperar.

- Desculpa a demora.

Pegou minha mão e virou para a porta

–Vamos! Antes que cheguemos atrasados e não nos deixem entrar na corrente.

‘corrente’?

Fomos andando até atravessarmos o liquido que não nos molhou nem um pouco, nem deu pra sentir, praticamente, tirando o frio que dá ao passar pela porta e a sensação de vento batendo.

EPA, eu abri os olhos e dei de cara com uma arvore coberta de neve, tudo estava coberto de neve.

– Onde estamos? Não era pra estarmos em Adlocum?

Deu me um empurrão amigável e riu

– Estamos na corrente de dragões, — apontou para o céu vários dragões enormes estavam voando desordenadamente — viu?

Não respondi, eu não fiz nada, todos os movimentos que eu tentava fazer eram inúteis, fiquei paralisada de medo. Eu não vou subir em um desse, quem sabe o que ele vai fazer quando eu estiver lá? Estão ficando doidos? Aquilo é um dragão, não um bichinho, não dá para bater no focinho e falar “não pode, fique quieto!”

– EI, EI, o que foi? Você está pálida! Quer que eu chame alguém?

Respirei devagar e me acalmei um pouco

– Pronto, estou melhor. Tem outro jeito de chegarmos há Adlocum? Eu nunca subi em um dragão, e honestamente não quero!

Seus olhos focaram em mim, deve ter reparado meu estado de pré desespero

– Estarei do seu lado, não se preocupe, já andei de dragão muitas vezes, não é nada de mais! Ok? – Colocou a mão no meu ombro e sacudiu um pouco – De qualquer forma, mais cedo ou mais tarde você terá que se acostumar com eles, tem um monte em Adlocum.

Ele está certo, estou aqui para me envolver com a magia, tenho que me adaptar. Me guiou até um grupo de alunos coordenados por uma mulher de trajes bonitos da escola, sua aparência era bela, cabelo vermelho fogo, pele branca como neve e uma tatuagem de dragão no braço que ela mantinha estendido para segurar um bastão médio acima da cabeça.

– Eu ainda não sei seu nome! O meu é Erick Lombardo Marmiit Dranka!

Ele tinha razão, nós não havíamos conversado direito até agora, eu já deveria ter me apresentado.

– O meu é Sara Simon Grins Kerber, prazer!

Sua expressão ficou diferente, geralmente quando eu me apresento para alguém do mundo magico eu não cito o Grins por causa de minha mãe, já que podem não gostar do fato dela ter escolhido a magia negra, mais nem pensei nisso agora, poxa, eu não tenho culpa de ter Grins no meu nome!