Será que Deus vai me dar uma chance de ser feliz?
3 Essa deveria ser a última coisa que vejo?
Notas iniciais
Acordei amarrada em uma cadeira numa espécie de porão. Minha cabeça doía muito por causa da pancada. Quem eram aqueles caras? E o que eles querem comigo? Escuto a porta se abrir e um cara que aparentava ter uns 40 anos desceram as escadas, sorriu mostrando seus dentes podres e amarelos assim que me viu acordada.
– Bom dia docinho. — falou.
– O que você quer?
– Eu? Nada, mas minha chefa sim.
– Quem é sua chefa? — ele sorriu ainda mais e disse.
– Ashley, conhece? — fiquei muito, muito surpresa mesmo quando ele disse o nome dela. Além de case causar a morte de minha irmã ainda me sequestra? Que tipo de animal ela é? Respirei fundo e controlei minha raiva eu não poderia explodir porque obviamente estava amarrada em uma cadeira.
– E o que ela quer comigo?
– Bom, isso ela não me disse, mas não se preocupe que você não vai se sair bem dessa. — semicerrei os olhos ele sorriu e subiu as escadas. Minutos depois Ashley desceu as escadas com um sorriso idiota postado na cara.
– Vejo que acordou, teve uma boa noite de sono?
– O que você quer?
– Já quer ir direto ao assunto? Muito bem, o que eu quero é simples. Quero que você pegue uma pessoa pra mim.
– E por que você mesma não faz isso?
– Ora, porque tenho dinheiro, e posso mandar pessoas fazerem o trabalho sujo pra mim. — falou sorrindo.
– E se eu me recusar?
– Eu transplantei um mecanismo no seu cérebro, que apagará sua memória assim que apertar esse botão, você não lembrará nem do próprio nome. — respirei fundo, balancei a cabeça e disse.
– Quem?
– Zakary Wright, reconhece o sobre nome? — arregalei os olhos, Jared nunca me disse que tinha um irmão. — Surpresa? Eu imaginaria que sim, ha muitas coisas que ele esconde sobre aquele cabelinho ruivo. Você vai usar esse ponto, e essas lentes com micro câmeras, já que se você usasse um óculos todos iriam suspeitar. Te monitorarei o tempo todo, e caso você o tire ou tente alertá-los eu saberei e adeus Carrie.
– Por que está fazendo isso?
– Nós temos um passado, e eu só estou querendo respostas. — ri e disse.
– Espera um pouco, deixa eu ver se entendi. Além de quase matar minha irmã você ainda tem a audácia de me sequestra e me obrigar a fazer isso? — parei de rir e disse. — Você não sabe com que está se metendo.
– Não. Você é que não sabe com quem está se metendo.
– Qual é? Nós temos quase 20 anos, e o pior que você pode fazer é apagar minha memória? — ela riu e disse.
– Você não me conhece mesmo não é? Isso é só o começo. — ela se aproximou de mim e disse bem perto do meu rosto. — Ou você faz o que eu mandei, ou eu sequestro seu amado Jensen e meto uma bala na cabeça dele. — arregalei os olhos, ela sorriu, me deu o ponto e as lentes, e subiu as escadas. Dois caras desceram, me desamarraram e injetaram algo no meu braço assim que coloquei o ponto e as lentes, e adormeci na mesma hora.
***
Acordei deitada na frente da minha casa. Minha mãe me sacudia feito louca com o celular no ouvido.
– Ah, graças á Deus ela acordou... Não está tudo bem agora... Obrigada... O.K. Tchau. Carrie onde você estava? — pensei em falar, mas lembrei do que a Ashley disse e falei. — Eu, não lembro. Acho que acabei dormindo em algum lugar. — me levantei e entrei em casa.
– Jensen me disse que dormiu ao seu lado, mas quando acordou de manhã você não estava mais lá. — falou enquanto eu sentava no sofá, ela se sentou ao meu lado e me olhou preocupada.
– Desculpa mãe, eu não lembro mesmo do que aconteceu ontem, posso dormir um pouco? Minha cabeça está doendo. — ela franziu um pouco a testa, mas assentiu.
– Sugiro que ligue para Jensen, ela está bem preocupado. — falou quando eu estava no meio o corredor. Sentei-me na minha cama, peguei meu celular e disquei o numero do Jensen.
"GRAÇAS Á DEUS VOCÊ ESTÁ BEM! ONDE FOI VOCÊ SE METEU?"
"Não me lembro de nada da noite passada."
"Espera um pouco, vou ir aí." — e desligou, de repente Jared aparece diante da porta também preocupado. Ele se aproximou de mim e me deu um abraço bem apertado.
– Meu Deus, achei que nunca mais ia te ver.
– É só eu sumir que todo mundo vira religioso? — perguntei rindo ele riu me deu um empurrãozinho e disse.
– Besta.
– Ei, sabe o que eu estava pensando? Já que somos amigos agora, eu queria conhecer sua família. — ele sorriu e disse.
– Isso é ótimo, só que tem uma coisa.
– O que?
– Eu tenho um irmão chamado Zakary.
– É, e quantos anos ele tem?
– 22.
– Entendi. — ele franziu a testa de leve, mas não disse nada, ainda bem.
– Enfim, minha mãe vai fazer um jantar amanhã, pode chamar o Jensen ou sua família se quiser. — sorri e disse.
– O.K. Vou falar com minha mãe hoje de noite... — ele sorriu.
– Me chamar pra que? — perguntou Jensen, aparecendo diante da porta.
– Jantar. Amanhã. Casa do Jared...
– Ás 20h00. — completou Jared.
– O.K. — falou sorrindo.
– Só mais uma coisa. Vocês sabem linguagem de sinais?
– Não. — falei.
– Sei. — olhamos impressionados para ele. — Minha tia era surda. — completou.
– O.K. Está combinado então, tenho que ir, vou ir visitar a Clare. — e saiu apresado do quarto.
– Bom dia, já que não tive chance de dizer. — falou sentando-se em minha cama.
– Bom dia, vou fazer o café da manhã, você vem? — ele assentiu e se levantou já perguntando.
– Não se lembra mesmo de nada? — engoli em seco e disse.
– Nada. A única coisa que lembro mesmo é de ter ido dormir.
– Acho que é melhor você ir fazer alguns exames, sabe só por precaução.
– Vou fazer quando for visitar minha irmã.
– Vai pra faculdade hoje? — perguntou se sentando na mesa, coloquei água pra ferver e encarai-o.
– Será que é uma boa ideia? Não sei se vou conseguir me controlar para não voa no pescoço daquela vadia. — ele riu e disse.
– Mas vai ter, não quer ir presa quer?
– Tem razão. Não estou pagando a faculdade pra não ir. — ele sorriu. — quer café ou chá?
– Chá. — peguei duas canecas, coloquei água, o saquinho e me sentei colocando a caneca em sua frente.
– Será que ela tem alguma irmã maligna que nem ela? – perguntei, ele meio que riu e disse.
– Tomara que não, imagina ter duas delas?
– Fim do mundo.
– Ou terceira Guerra Mundial. — rimos e tomamos nosso chá.
– Me responde uma coisa, eu te liguei por volta das 5h00 da manhã, o que fazia acordado essa hora?
– Bom, eu sempre acordo um pouco antes para poder me exercitar.
– Mas por que não faz isso de noite?
– Porque eu trabalho. — ergui as sobrancelhas.
– Sério?
– Sim, trabalho na loja do meu tio.
– Em que ramo?
– Cama, mesa e banho.
– Vendedor? — ele assentiu, sorri.
– Vou falar da sua loja pra minha mãe, ela costuma comprar bastante coisas desse tipo. — ele sorriu.
– Assim ganho mais. — sorri, olhei para o relógio na parede que marcava 05h50, e disse.
– Acho que eu devo ter te atrapalho bastante. Não quer ir pra casa para poder se arrumar? — ele também olhou o relógio e disse.
– Acho que seria uma boa. Você vai de moto hoje?
– Sim, não quero ver a cara da Ashley logo cedo. — ele sorriu e disse.
– Você passar lá em casa pra... — meu celular toca, atendo sem olhar quem era.
"Alô?"
"Carrie, está melhor filha?"
"Sim mãe, obrigada."
"Acho melhor você passar no médico."
"Eu sei mãe, vou passar lá depois da aula. Espera um pouco, quando foi que você saiu?"
"O.K. Pode fazer um favor pra mim? Eu já estava saindo quando te encontrei."
"O que?"
"Pode buscar o Caleb na escola? Vou ter que ficar até mais tarde no trabalho."
"Até que horas? E eu estou de moto, vai ser perigoso pra ele."
"Não sei, até os pacientes ficarem estáveis. E eu deixei meu carro aí."
"E o que houve? E como você foi trabalhar?"
"Acidente de carro. Dez feridos e três mortos. E seu pai me deu uma carona."
"Espero que eles melhorem."
"Eu também. Tenho que desligar, tchau, eu ligo se for ficar fora a noite toda."
"O.K." — ela desligou e coloquei o celular na mesa.
– Pelo que eu entendi, sua mãe vai ficar até tarde no trabalho. — falou com um tom malicioso na voz.
– Vai, e eu vou ter que ir buscar o Caleb na escola depois da aula.
– Do que sua mãe trabalha?
– Ela é médica.
– Que legal. Então o que eu estava dizendo, é se você pode me dar uma carona até a faculdade.
– Claro. E minha mãe deixou o carro dela comigo. — ele sorriu e disse.
– Bom, vou indo antes que eu me atrase mesmo. — ele se levantou e eu o acompanhei até a porta.
– Até daqui a pouco. — falou.
– Até. — ele me beijou levemente nos lábios, mas quando se virou para ir embora puxei-o pelo braço e beijei-o com ternura. Ele me olhou e sorriu e foi embora.
Ei, abaixe o fogo aí, esqueceu que eu estou vendo tudo?
Falou Ashley no meu ouvido. Revirei os olhos. E disse.
– Posso tirar as lentes só por enquanto que tomo banho e me troco? Acho que você não ia gostar de ver isso.
Cruzes, Deus, não, está certo, mas se passar de 10 minutos, bom você já sabe, e eu monitoro seu celular também e o da sua família e de seus amigos, então nada de tentar alertar alguém.
– Você é quem manda. — fui para o meu quarto, tirei as lentes e o ponto. Corri para a sala e escrevei tudo em um pedaço de papel para o Jensen, e deixei em cima da mesa da cozinha. Corri de volta para o meu quarto, torcendo para ela não ter ouvido nada, peguei umas roupas e fui tomar banho. Assim que terminei rapidamente coloquei tudo de volta.
Por que demorou tanto para abrir o chuveiro?
– Ah, fiquei escolhendo uma roupa boa.
Se pelo menos você tivesse uma roupa boa.
Revirei os olhos, tinha que ser educada com ela se não "adeus Carrie". Peguei minha mochila, e as chaves do carro e fui para a casa do Jensen.
Hum, agora eu sei onde esse gato mora. Uma vantagem em tanto.
Buzinei para ele sair logo.
– Oi. — falou se sentando no banco do passageiro.
– Oi. — o restante do caminho foi em silencio. Ás aulas passaram depressa, vi Ashley na escola, mas a gente nem se falou. Assim que o sinal do último período tocou dei graças á Deus, rapidamente juntei minhas coisas e saí daquele lugar. Jensen estava me esperando ao lado do meu carro.
– Nossa saiu correndo?
– Pois é, minha última aula era do Sr. William. — sorri e disse.
– Meu garoto. — ele sorriu. Assim que liguei o carro perguntei. — O que você prefere? Ir buscar meu irmão e ir direto pro hospital ou você quer ir pra casa?
– Acho que a primeira opção está boa. — sorri.
Meu Deus, quanta melação.
Não fiz nada, porque Jensen poderia perceber. Chegamos á creche do meu irmão em 15 minutos.
– Você é irmã dele? — perguntou uma moça que trabalha lá, assenti. — Assine aqui, por favor. — assinei e ela falou perto de um microfone. — Verônica traz o Caleb, por favor. — ela olhou para nós, sorriu e disse. — Aguarde só um pouquinho, por favor.
– Obrigada. — ficamos uns cinco minutos esperando sentado num banco duro até umas das moças trazerem ele. Caleb esticou os bracinhos assim que me viu.
Que criança mais linda, seria um pena ele ter que pagar pelos erros da irmã não acha?
Segurei-me para não gritar com ela, porque todos aqui iam achar que eu era louca.
– Avise pra sua mãe que amanhã não haverá aula. — assenti, pegando ele e a mochila. No carro, liguei para minha mãe, que atendeu no terceiro toque.
"Oi, Carrie, aconteceu alguma coisa?"
"Amanhã não haverá aula na creche do Caleb."
"Eles falaram o por quê?"
"Não."
"Não sei se vou poder faltar aqui, mas acho que você vai ter que cuidar dele ou deixa-lo na casa do seu pai com a Cindy."
"O.K. Vou deixar ele lá."
"O.K. Tchau."
"Tchau." — seguimos para o hospital em silêncio. Primeiro fiz os exames, graças á Deus aqueles deliguentes não fizeram nada comigo quando eu estava apagada. Assim que entrei no quarto onde a Clare estava tive que me segurar para não chorar. Eu ainda não entendo como ela pode ser influenciada tão facilmente, por uma pessoa que nem sua amiga era. Coloquei Caleb em cima de sua barriga, ele era magrinho então não ia influenciar em nada.
– Oi, Clare. Trouxe alguém pra te ver, ele estava com saudades. Enfim, muita coisa aconteceu desde que você está aqui, mas só vou contar quando você acordar. Ah, já que o seu, o nosso aniversário está chegando vou comprar todas as temporadas completas de The Big Bang Theory, já que você quer isso faz um tempo. Espero que você acorde para assistir comigo, se lembra como ficava feliz quando assistia? Bom, não posso ficar por muito tempo, por os médicos disseram que você precisa descansar. Volto mais tarde se der. — dei um beijo em sua testa e peguei Caleb que também deu um beijo nela.
– Como foi? — perguntou Jensen.
– Foi bem agradável. Não quero tocar no assunto, mas eu estou muito curiosa, mas não precisa responder se não quiser. Quando foi o enterro de sua irmã?
– Foi á dois dias, minha mãe só quis uma cerimonia pequena com parentes e amigos próximos.
– Entendi. — não fizemos muita coisa no final do dia, só ficamos vendo filmes, e ele e Jared resolveram dormir aqui hoje, caso eu seja sequestrada novamente.
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