Servo da Família Sazawori
8 Noite Que Jamais Esquecerei
Esses dias têm conseguido ser mais chatos do que normalmente. Lowei me manda fazer milhões de tarefas inúteis só pra me manter ocupado. Agora ele inventou uma de passar de noite no quarto de todos do castelo pra conferir se estava todo mundo aí, e dormindo.
Que idiotice. O que apareceria de anormal?
Cá estou eu, onze horas da noite, andando pelos profundos e monótonos corredores do castelo somente com uma vela para iluminar, abrindo porta por porta. Ainda bem que não tem muita gente por aqui, mas o problema é a distância de um quarto ao outro, eu já subi e desci as escadas várias vezes.
Finalmente acabei de subir na mais alta escadaria até o quarto de Juan, era o último. Abri lentamente a porta – que fez um rangido irritante – e entrei. Suspirei, cansado de subir tanta escada. Olhei para frente e vi dois olhos vermelhos vibrantes na escuridão olhando para mim.
-O que foi não consegue dormir? –perguntei, me aproximando.
-Não. –seus olhos me davam certa insegurança, eram tão brilhantes e, de certa forma, assustadores- Que bom que você veio.
Suspirei novamente. O que ele quer de mim? Não posso fazê-lo dormir magicamente. Ele foi um pouquinho para o lado ainda deitado, dando-me espaço para sentar ao seu lado, e assim fiz.
Sei muito bem que não era o momento certo para pensamentos idiotas, mas a primeira coisa que me veio à cabeça foi única. Puta que pariu aquela era a cama mais confortável onde eu já sentei!
Me contive, pois Juan percebeu minha reação ao colchão confortável e deu um sorrisinho, destapando-se até os ombros da coberta.
-Quer se deitar? –ele perguntou.
-Não... Obrigado. –respondi incomodado. Pergunta besta.
-Vamos, eu sei que você quer. –ele sorriu mais.
-Cala a boca, já disse que não... –senti algo tocar meu pescoço.
-Não tem problema, vem. –Juan insistiu.
Ok. Estou cansado, já são onze e tantas da noite e eu estou com uma cama incrivelmente macia do meu lado. Hesitei, mas acabei por me deitar. Tentei não olhar para Juan, mas ele não tirava os olhos de mim, com seu olhar pinicante. Fechei os olhos levemente.
-Mas por que diabos você me pediu para deit... –fui interrompido.
Senti algo pesar em cima de mim. Abri os olhos e me deparei com Juan em cima de mim, seu corpo grudado no meu. No susto tentei empurrá-lo, mas esqueci que ele era mais forte que eu, então não foi difícil para o ruivo segurar meus punhos e prendê-los acima de minha cabeça. Vi seu rosto de aproximar do meu, virei um pouco minha cabeça.
-O que foi Dawari...? –ele sussurrou no meu ouvido- Não está gostando?
Não respondi, estava ocupado tentando soltar meus punhos, mas foi inútil. Com uma mão Juan segurava meus punhos e com a outra ele desceu pelo meu corpo até o tronco. Senti um arrepio quando a mão fria dele passou por baixo da minha camisa.
Senti sua profunda respiração descer da minha orelha ao meu pescoço, sua língua quente lamber meu pescoço nu. Pelo mais que eu tentasse, não consegui conter baixos gemidos.
Ele finalmente soltou a outra mão dos meus pulsos, direcionando esta à minha cintura. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele me beijou. Um beijo tão doce e sincero, tão amável e cuidadoso.
Toquei seu peito com minhas palmas tentando empurrá-lo, mas não tive forças para fazer nada, estava totalmente tomado por aquele beijo quente.
Meus olhos estavam fechados, mas percebi as mãos de Juan se aproximando de minha gola. Desabotoou minha camisa ainda me prendendo naquele beijo.
XxXxXxX
Acordei silencioso. Abri os olhos e percebi que ainda era bem cedo pelo raio de luz que entrava pela janela quase fechada. Lentamente meus olhos seguiram para cima, deparando-me com Juan.
Ele estava deitado com a cabeça apoiada em uma das mãos, me olhando com um sorriso. Seus cabelos estavam bagunçados, mas caíam delicadamente em seu rosto. Seus olhos me encaravam com um olhar sedutor e ele não pareceu surpreso em me ver acordar depois dele.
Então me toquei: Juan sempre acordou depois de mim. Será que enquanto dormíamos alguém entrou e viu nós dois? Oh, merda. E agora...?
Juan pareceu perceber minha preocupação. Debaixo da pouca coberta que ainda restava acima de nós, senti sua mão segurar a minha, respondi com um olhar calmo para ele.
-Juan...
-Uhn, eu nunca te contei, mas eu sempre acordei mais cedo que você. Finjo estar dormindo quando você vem de manhã só para te ver aqui. –ele disse rindo sem graça, cara que riso fofo.
Mesmo distraído com aquele sorriso fofo, não pude ficar muito feliz. Quer dizer que eu acordo todo santo dia hiper cedo para vir acordar esse puto cara-de-pau que já estava acordado? Puta que pariu.
Virei-me de costas para ele com uma cara emburrada, me senti uma criança enfezada por alguma besteira.
Minha paz não durou, senti aquele caloroso corpo me puxar para si, abraçando-me por trás. Os braços de Juan entrelaçavam em mim, deixando-me o mais perto possível dele. Minhas costas estavam encostadas ao peito do rei e seus longos cabelos ruivos encostavam em meu rosto.
-Desculpe não te contar antes. –ele sussurrou ao pé do meu ouvido.
-T-tudo bem... –gaguejei.
Por que eu gaguejei? Por que merdas voadoras eu gaguejei!? Saiu sem querer. Juan riu e ficou abraçado a mim por mais um tempo. Eu poderia ficar ali pelo resto da minha vida, e queria, mas nós dois lembramos que logo alguém acordaria e não seria bom se nos vissem assim. Nada, nada bom.
Juan me soltou e eu me vesti, saindo do quarto em silêncio. Encostei minhas costas na parede ao lado da porta e toquei meus lábios com a ponta dos dedos. Esta foi... Uma noite que jamais esquecerei.
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