Servo da Família Sazawori

9 Um Desastrado na Cozinha


Notas iniciais
Caaaara leitores, eu amo muito vocês! Muito muito muito ^^ Eu sei, sou exagerada... ;x Mas ainda amo vocêêês.

Ando bem desatento, não posso esquecer o que aconteceu naquela noite... Minha mente sempre esteve nas nuvens, mas esses dias só vendo se acredita o quão distraído eu estou.

Só hoje pela manhã já tropecei no tapete, pisei na cauda de um gato, deixei cair três copos de vidro e bati a cabeça pelo menos duas vezes. Estava no estábulo escovando o pelo de Black Star, quando ouvi Merie me chamar.

Quase pisei na bosta de um cavalo enquanto me dirigia ao portão de madeira, ao encontro da empregada que estava tão bem arrumada já pela manhã.

-O que houve Merie?

-Preciso que me ajude na cozinha para o jantar de hoje... Tudo bem?

-Claro. –eu disse praticamente sem pensar.

Só quando chegamos à cozinha me toquei que tinha concordado em ajudar a cozinhar. Ah, pequeno detalhe: eu não sei nem fazer suco! Sou um verdadeiro desastre na cozinha, não sei nem diferenciar uma colher de sobremesa, uma colher de sopa e uma colher de chá, pra mim desde que seja de prata e arredondado já dá pro gasto.

Antes de qualquer comentário meu Merie já me ajudava a pôr o avental e prender os cabelos, mostrando um enorme livro de culinária em cima da mesa.

-Vamos começar pela sobremesa, já que ele tem que ficar esfriando por um tempo. –Merie apontou uma linda figura de um bolo no livro.

Ele? É um bolo, caralho.

-Bolo de Chocolate refinado com creme. –li no livro- Tem um nome grande, mas não parece difícil.

Virei a página, na procura do ‘modo de fazer’. Aquela porra era enorme, cobria duas folhas daquele livro.

-Vamos, vamos, temos muita coisa para fazer. –Merie bateu subiu as mangas e bateu palmas para me animar.

Primeiro precisávamos dos ingredientes, claro. Levamos o livro para a dispensa e retiramos todas as coisas que iríamos precisar. Demoramos por causa das frescuras que o livro tinha com cada item.

Com tudo já na mesa, começamos misturando a farinha, os ovos, leite, chocolate, açúcar e outras coisas. Fiquei de mexer a massa escura enquanto Merie preparava a forma. Acho que realmente preciso de exercícios, meus braços ficaram doídos depois de tanto esmagar aquela coisa com a colher.

-É assim mesmo. –Merie riu me consolando. Rir não é um consolo muito bom.

Eu só olhei enquanto Merie despejava a massa crua sobre a forma, enquanto ela usava a colher para dar forma ao futuro bolo, mexendo a mistura pela forma. Ela colocou no forno e limpou as mãos, já olhando novamente para o livro.

-Um dos pratos será ensopado de galinha. Vá lá fora pegá-la para mim, por favor, Dawari.

Concordei e saí. Por que Merie deixaria um cadáver de galinha do lado de fora? Bem, quando saí percebi que não era bem isso. Viva e dando faniquitos, estava uma galinha branca dentro de uma gaiola pequena.

-Mas o quê...?

Quando entrei de novo com a gaiola e vi Merie me dando um facão, me toquei o que havia ali. Ela estava indo pegar o resto dos ingredientes, quando me ouviu protestar.

-E-eu não posso matar essa galinha!

-Por quê? É fácil, é só cortar a cabeça fora.

A galinha continuou a ter um treco dentro da gaiola.

-Coitada...! Não podia ter comprado uma já morta?

-Não, assim o prato fica mais fresco. –Merie disse, abrindo a gaiola e segurando a galinha pelo pescoço- Se não quiser, deixa que eu corto.

-Mas também não quero deixar você matar ela. –reclamei.

Podem me chamar de ambientalista ou seja lá o que for, eu amo animais.

Demoramos, mas Merie acabou me convencendo. A galinha continuava inquieta nas mãos de Merie.

-Agora vamos me dê esse facão, temos pouco tempo até o jantar ser servido. –ela pegou o utensílio e fez aquilo como se não fosse nada.

Obrigado Merie, agora estou com peso na consciência, porra.

Não vou nem contar como Merie me fez depenar a coitada da galinha, mas depois ela teve que ir terminar o bolo e deixou o prato de galinha comigo. Droga. Abri a panela com o molho que já borbulhava e coloquei as partes do frango dentro. Perdoe-me, galinácea.

Misturei o molho e o frango, olhando desleixadamente para o livro. Vi que ali estava escrito “misture o frango, os legumes e o molho em” aí depois vinha umas instruções bem chatas de temperatura.

-Hm... –Merie olhou o molho da minha panela- Aumente um pouco o fogo Dawari. Mas só um pouco.

-Ok.

Eu não sabia exatamente o que fazia, então só mexi nos trequinhos do fogão. De repente o fogo aumentou monstruosamente, dando-me um susto.

-Dawari! –Merie me puxou para longe do fogo, reclamando.

-Ops...!

Quando Merie conseguiu conter o fogo, o frango já havia queimado. Ela suspirou e olhou dentro da panela meio queimada por fora.

-Ué, cadê os legumes...? –ela disse, mexendo no molho com uma colher.

-Uhn? Legumes? –eu olhei para uma panela perto daquela- Merie sai daí! –e puxei-a.

A outra panela fez um barulho de borbulho e bolhas saíam pelas laterais da tampa. Tentei tirar a panela com as luvas, mas acabei só pro queimar as mãos e um pouco das luvas.

Demoramos, mas controlamos por fim aquela dura situação. O frango foi descartado assim como os legumes, mas como o molho não havia queimado, Merie criou uma espécie de salada com molho, que ficou com uma aparência ótima – aparência não é gosto, mas dá pro gasto. O bolo e o resto dos pratos saíram até muito bem.

-Uhn Merie... –eu chamei, enquanto limpava o fogão- Por que hoje o jantar teve que ser tão especial?

-Houve uma confusão toda do mestre com um conhecido de Averbam. –ela explicou- Ele foi acusado de algum crime e levou pena de morte, mas somente mais tarde fora encontrado o verdadeiro culpado. Então o mestre convidou Salim para um jantar de desculpas pelo mal entendido.

-Hum... O que houve para o cara ganhar pena de morte? –perguntei curioso.

-Disseram que o rapaz havia cometido um genocídio. –Merie disse baixo- Numa festa à fantasia numa mansão longe daqui. Juan conseguiu que essa notícia não saísse nos jornais. O mestre tentou não se envolver, mas foi inevitável quando os policiais apontaram um homem como certamente o culpado. –ela suspirou.

Nossa, um genocídio, que coisa rara de se ouvir. Mesmo eu não gostando de Salim, acho que no momento senti uma ponta de pena do garoto. Perder um parente em vão... Oh merda, agora me lembrei da galinha. Pobre galinácea!

Servimos o jantar e este fluiu bem. Juan e Salim praticamente não conversaram. Mesmo na hora do garoto ficar a paquerar Larian ele quase não falava. Salim me olhou feio muitas vezes durante o jantar, mas Juan me olhava com um sorriso toda vez que nossos olhares se encontravam – e foram várias vezes.

O clima durante o jantar estava pesado, muito pesado.

Notas finais
Já sei qual vai ser o próx capítulo heheh