Service À La Française
4 Plat de Résistance
Notas iniciais
Ficou maior que eu imaginava, fiquei até com preguiça de betar. Dedicado à Anaa, Teg, Noona e Sunkyu. Eu sei que tenho mais 2 leitores(as), mas não vão ter seus nomes aqui se não deixarem review, lalala. #AprendiComATeg Talvez eu mude o final porque não gostei nada nada dele.
A língua presa entre os dentes dava a KyuHyun a concentração necessária para depositar a gema crua e inteira no topo do steak tartare. Ao constatar que ela se mantivera intacta, deixou o recipiente de vidro dentro da pia e limpou os dedos no avental. Mandou que levassem o prato e pegou outra comanda.
Fritou algumas uvas verdes com manteiga e açúcar e aqueceu um pouco de conhaque. Ateou fogo à bebida e despejou sobre as frutas. Remexia a frigideira flamejante com uma mão só distraidamente enquanto espionava o que se passava do outro lado da cozinha.
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Finalizado o molho de alho, gengibre, chilli, cebolinha e ervas para o pato assado, Zhou Mi decidiu dar uma volta pelo seu lado da cozinha. Foi até SeoHyun, que preparava mini rolinhos primavera. Chegou por trás dela e enlaçou sua cintura com um braço, olhando por cima de seu ombro. Tinha uma relação muito próxima com todas as garotas do seu staff, que estavam com ele desde o início. Se Zhou Mi ia, as meninas tinham que ir junto. Conhecia cada uma como se fossem amigos de infância.
SeoHyun arfou de susto e sorriu ao ver que era Zhou Mi.
— Ah! Chef Mimi, me assustou.
— Desculpe, Hyunnie, mas é que dá pra sentir o cheiro desses seus rolinhos primavera do outro lado da cozinha. — aproximou o rosto e murmurou no ouvido dela — Aposto que aquele Chef KyuHyun deve estar sentindo e morrendo de vontade de provar um. Mas ele não pode, não é? Só eu posso. — disse, convencido. SeoHyun riu e revirou os olhos, pegando um rolinho com os chopsticks e levando até a boca aberta do chef, que saboreou de olhos fechados, com uma expressão de deleite.
— Aqueles engomadinhos de hoje à noite vão morrer de amores pela nossa comida, SeoHyunnie. — previu, animado, e continuou com a ronda, elogiando cada prato feito com sucesso e corrigindo delicadamente cada pequeno erro, e claro, provando um pouco do que estava em cada panela.
Voltou para onde estava originalmente e começou a fazer quadradinhos de massa de wonton, e casualmente deu uma olhada no outro lado da cozinha. Na bancada central, KyuHyun lhe olhava fixamente enquanto flambava algo como se manejar uma frigideira com fogo sem olhar fosse a coisa mais simples do mundo. Acenou com a faca e recebeu apenas um olhar semicerrado suspicaz, que logo foi desviado para a chama que se extinguia na frigideira.
Zhou Mi suspirou. Iria fazer KyuHyun criar simpatia por si, não importava o que.
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Botou as uvas no prato e levou ao balcão onde os garçons recebiam os pratos para fazerem as entregas. Voltou com outra comanda em mãos, pensando na cena que vira. Zhou Mi paparicando cada uma das belas mulheres de sua equipe. KyuHyun não achava aquilo certo, mas podia ver que eles tinham uma ótima relação...
— Parado aí. — ...ao contrário de si próprio e seus cuisiniers. Olhou para RyeoWook, que mantinha o mesmo olhar psicopata de sempre.
— Eu não fiz nada. — KyuHyun disse, levantando as mãos e deixando-as longe da bandeja de operetas.
— Tsc, tsc, tsc... Se você não fez nada, então por que a menina Summer está de cara fechada e anda por aí resmungando que você é um idiota? — perguntou, desafiador. KyuHyun olhou para Summer, no corredor seguinte. A garota socava uma bola de massa com força, e não parecia a garota feliz que costumava ser.
— Toma, leva isso para ela e peça desculpas por o que quer que você tenha feito. — RyeoWook disse, colocando um cupcake de chantilly rosa decorado com estrelas nas mãos dele.
— Ei! Porque você dá doces pra ela e não pra mim? — KyuHyun perguntou, indignado — Quero saber se eu não sou mais o chef disso aqui. — murmurou pra si mesmo, amaldiçoando-se logo depois por ter dito isso, olhando para a outra cozinha pelo canto o olho.
— Porque é ela que está triste, e cupcakes deixam qualquer um feliz, agora vai. — RyeoWook dispensou-lhe com leve empurrão no ombro. KyuHyun olhou surpreso pela ousadia, mas mesmo assim pôs-se a andar em direção à garota, que não percebeu sua presença até que ele botou o bolinho em frente ao rosto dela, que ao vê-lo, abriu um sorriso enorme, que sumiu no momento em que ela se virou para olhar quem o segurava.
— Precisa de alguma coisa, Chef? — perguntou secamente.
— Preciso. Preciso que aceite esse cupcake e me perdoe. Ou o RyeoWook nunca mais vai fazer a minha sobremesa do jantar. — disse, com um meio sorriso. Ela revirou os olhos, impaciente.
— Tudo sempre por você mesmo, não? Eu já devia saber. — olhou séria pra ele por vários segundos, sem dizer nada. — Sorte a sua que eu amo cupcakes. — disse, dando uma mordida no doce.
Entendendo como um “ok, eu perdoo você”, KyuHyun se retirou, satisfeito.
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Após preparar pratos e mais pratos, já não havia mais comanda para cumprir, e ao olhar no relógio, constatou que já eram mais de seis da tarde, e o salão deveria estar sendo arrumado para a cerimônia do cardápio novo. Suspirando, desamarrou o avental e tirou o chapéu por um momento. Estava curiosíssimo para saber como seria a festa, se seria igual à da reinauguração, onde ele próprio e seu cardápio refinado foram apresentados. Mas a festa daquela noite não era sua.
Fez uma última ronda só pra constatar que todos já limpavam e guardavam os equipamentos. Era o fim de mais um longo dia de trabalho. Não fora muito diferente do normal, mas esse com certeza seria o último dos usuais.
Entrou no vestiário a fim de trocar de roupa para ir para casa. Assim que adentrou o recinto, seus pulmões se encheram de um perfume amadeirado e cítrico.
Andou até seu armário procurando a origem do aroma. Descobriu ser Zhou Mi, que em frente ao espelho, arrumava as abotoaduras. Inconscientemente, KyuHyun parou. Ele estava deslumbrante. Os cabelos castanhos bem penteados, Um terno azul-marinho provavelmente feito sob medida para o corpo esbelto, assim como as calças, que moldavam perfeitamente as pernas longas. Sapatos caríssimos como sempre. Percebendo a presença do outro, ele cautelosamente se virou. KyuHyun tentou dizer algo ao vê-lo se virar para ele, mas aquele perfume entorpecia seus sentidos e embaralhava seus pensamentos. Decidindo não abrir a boca, virou-se para seu armário e depois de despir a veste branca do uniforme que usava sobre a camisa rosa-bebê, vestiu o paletó cinza que usava casualmente. Pegou sua bolsa, onde guardava as facas e outros instrumentos particulares e se preparava para sair quando a voz do outro o parou:
— Você não vai ficar?
KyuHyun se virou, levemente surpreso com a pergunta.
— Não. Não é necessário. Eu não tenho nada a ver com a cerimônia, ela é sua. — disse, dando de ombros. Zhou Mi mordeu o lábio inferior, parecia hesitante.
— Mas... Você é o chef principal, você tem que estar lá. — disse, dando alguns passos e ficando mais perto de KyuHyun.
— Eu sou o chef principal da minha cozinha, do seu lado quem cuida é você. — disse secamente. — Além disso, como eu poderia ficar? — gesticulou para a própria vestimenta. — Eu devo ir, aproveite a festa. — finalizou, se virando para ir embora.
O que ele não esperava era ser agarrado pelo pulso e ao se virar, deparar-se com os olhos suplicantes de Zhou Mi, que lhe pediu, murmurando:
— Fica. Por favor, fica. Vai ser estranho se você não estiver lá. E você está ótimo. Você é bonito de qualquer jeito. — ao ouvir a última frase, olhou surpreso para Zhou Mi, que olhava para qualquer outra direção e estava levemente corado.
— Eu... não preciso estar lá. Você consegue fazer isso sozinho. — concluiu, ainda um pouco atordoado. — Boa noite.
Sem insistir mais, Zhou Mi apenas observou KyuHyun sair pela porta do vestiário.
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Estava confortável, a temperatura estava agradável, não sentia fome ou sede, o jantar que Heechul lhe preparara estava ótimo, e estava com sono. Mas KyuHyun não conseguia dormir. Na letargia entre a consciência e a vigília, não tinha controle algum sobre seus pensamentos, e eles, desobedientes, vagavam numa só direção.
“Você é bonito de qualquer jeito.”
Não sabia o porquê de aquela frase ter sido tão impactante. Já havia ouvido aquilo milhares de vezes, de TaeMin por exemplo, mas por que apenas Zhou Mi conseguira ter esse efeito? Talvez o olhar cativante, ou a beleza que KyuHyun nunca havia percebido acentuada pela vestimenta, ou o perfume que, mesmo após tomar banho, havia impregnado na pele de seu pulso.
Despertando completamente, socou o travesseiro com toda a força. No que ele estava pensando? Recusando-se a perder o sono por causa de uma frase banal, foi até o banheiro e engoliu dois comprimidos que lhe manteriam de olhos fechados até o dia seguinte. Voltou para a cama e se enrolou nos edredons, colocando por baixo do travesseiro o pulso que ainda tinha o cheiro de Zhou Mi.
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Acordou meio grogue pelo restante do efeito dos comprimidos e se arrastou para o banheiro. Tomou uma longa ducha como de costume, saiu de casa em direção à cafeteria como de costume, dirigiu até o restaurante comendo o croissant com cappuccino como de costume e até estacionou em sua vaga como de costume. Mas assim que cruzou as portas dos fundos do restaurante, o que viesse, seria imprevisível. E começou com um Siwon indignado pedindo explicações mais rápido do que KyuHyun podia acompanhar.
— Espera, dá pra falar mais devagar? — pediu, atordoado.
— Eu te liguei umas mil vezes! Onde você se meteu? Por que não foi pra festa? Todo mundo perguntou por você! — exclamou, exasperado.
— Não vi as ligações, meu celular está no silencioso desde ontem de manhã e eu não o chequei desde então. E eu fui pra casa, oras. O que que a festa do novo cardápio tem a ver comigo? — desdenhou, andando até o vestiário.
— Será que o fato de você ser o primeiro chef principal conta? Todo mundo perguntou por você. Agora eles acham que o Maison vai trocar definitivamente de chef e de cardápio. Ai, ai, ai... — ele parecia meio desnorteado. — Quero só ver a coluna de críticas no jornal de amanhã...
KyuHyun caseou o último botão do uniforme, colocou o chapéu branco na cabeça e pousou a mão no ombro de Siwon, reconfortante.
— Acalme-se. Eles sabem que eu sou insubstituível, não tem como cogitar uma coisa dessas. — embeveceu-se, e rumou em direção à cozinha.
E era exatamente nisso que ele pensava enquanto afiava indefinidamente a faca de cozinha enquanto batia o pé ritmicamente, nervoso. Desde que adentrara a cozinha, havia se instalado uma batalha silenciosa pela primeira comanda, qual das cozinhas prepararia o primeiro prato do dia.
— Você sabe que vai conseguir um espeto de churrasco em vez de uma faca se continuar assim, né? — disse uma voz feminina. KyuHyun olhou para Summer, que trajava um short branco curtinho e uma blusa de motivos florais.
— Menina, por que você ainda está assim? Vai colocar o uniforme, vai! — demandou, recebendo um sorriso hesitante em resposta.
— Eh, Kyu oppa... Eu não vou trabalhar. Eu... eu estou indo embora.
KyuHyun largou tudo o que tinha nas mãos, provocando um alto ruído metálico e agarrou a garota pelos ombros.
— Você tá brincando, né? Como assim “vai embora”?
— É que eu... eu fui convidada pra ser chef de um restaurante vegetariano... — parou, hesitante. — Em Paris. E você sabe, sempre foi o meu sonho estar no seu lugar!
— Você não pode me deixar, Sunny... — reclamou, manhoso, segurando as mãos dela. Ela fez um biquinho, triste. — Quem vai fazer o meu jantar agora?
— Eu sabia. — Summer disse, semicerrando os olhos. — Só me quer aqui pra fazer o seu almoço. Vai ter que se virar agora. — desdenhou. Olhou no relógio de pulso e suspirou. — Ei, eu tenho que ir, agora. Meu voo sai em duas horas e eu tenho que ir logo pra fazer o check-in. Agora vem cá que eu vou sentir saudades de você. — disse, abrindo os braços.
Bastante relutante em deixa-la ir, KyuHyun abraçou-a afetuosamente, lamentando profundamente em ter que abrir mão da companhia constante dela. Quando se separaram, Summer tinha os olhos marejados.
— Olha, não esquece de ir me visitar, hein? Vou esperar. — disse com voz trêmula, forçando um sorriso. KyuHyun puxou-a para outro abraço.
— Você nunca vai se livrar de mim, baixinha. Meus parabéns, você conseguiu. E quando eu for lá, você vai cozinhar pra mim. — disse, e deu um beijo no topo da cabeça dela.
— Mais do que eu já cozinho? — os dois riram. Ela beijou a bochecha dele demoradamente antes de sair pela porta dos fundos.
KyuHyun apoiou-se na bancada, de cabeça baixa, tentando controlar o aperto na garganta. Aquela fora um notícia que veio de repente, e não era de todo boa. Summer era mais que sua entremetier, era sua aluna, sua amiga. Fora ele quem ensinara à garota tudo o que ela sabia, lembrava-se da época em que a conheceu, ela devia ter uns 19 anos e trabalhava em um pequeno restaurante de Paris. E fazia o melhor talharim aos quatro queijos que ele já havia comido. Aquele talento não podia ser desperdiçado. Levou-a para Seoul, lhe dera um pequeno apartamento perto do restaurante, ensinara-lhe a usar facas, a manejar panelas com fogo, fora ele que estancou o sangue do primeiro corte com faca dela, cuidou de sua primeira queimadura, enxugou suas lágrimas e ensinou-a a cortar cebolas do jeito certo. Era sua única aprendiza, era sua menina.
Mas já estava na hora. Tudo o que ele ensinara estava tendo um resultado, e ela agora seguiria sozinha com seu sonho.
— Primeira comanda do dia! — gritou o garçom, pendurando-a no quadro magnético destinado a tal função.
Todos voltaram sua atenção para lá, ansiosos. Os dois chefs se entreolharam e o chinês inclinou a cabeça para o lado, indicando a comanda. KyuHyun queria e não queria ver. Se o pedido não fosse de seu cardápio, seria uma humilhação que ele não suportaria.
Uma das garotas de Zhou Mi, de olhos incisivos, feição esnobe e cabelos descoloridos quimicamente foi quem tomou a iniciativa e saiu de seu lugar em direção ao quadro. Arrancou o papel afixado ali e o leu calmamente. Todos pareceram prender a respiração enquanto ela examinava o pedido. Finalmente, ela soltou um gritinho animado e correu para entregar a comanda ao seu chef. KyuHyun expirou, desolado. Como se já não bastasse Summer ter ido embora, estava sendo derrotado em seu próprio território.
Tentou se conformar, dizendo a si mesmo que viriam outros pedidos, e nem todos seriam para Zhou Mi. Esperou que outra folhinha fosse afixada no quadro e a mesma loira de antes repetiu o processo, lendo a ordem e sorrindo ao leva-la para seu lado da cozinha. O processo se repetiu mais meia dúzia de vezes, e KyuHyun desistiu de esperar na metade delas. Sentou-se sobre uma das bancadas e enquanto os membros de sua equipe conversavam banalidades, a outra cozinha... cozinhava.
— Chef KyuHyun, você parece entediado. — Chef Zhou Mi teve a ousadia de comentar, arrancando gargalhadas tanto de sua equipe quanto da outra. KyuHyun fuzilou-o com os olhos e fez o mesmo com RyeoWook, que também ria, mas que ao receber aquele olhar, ficou instantaneamente sério, voltando a se compenetrar em seu trabalho. — Oh, outra comanda? Ah, peixe Sichuan! Seu preferido, Chef KyuHyun, quer prepara-lo? — continuou provocando, zombeteiro.
Farto, KyuHyun desceu de onde estava sentado e atravessou os dois metros do corredor que separava as duas cozinhas. Ficou frente-a-frente com Zhou Mi, que preparava o peixe.
— É isso? Vai ficar se vangloriando por ter algumas comandas? Você sabe que eles só gostam de você porque você sabe fazer a comidinha da mamãe, não é? Eles vêm só pra ter aqui o que têm preguiça de fazer em casa. O seu prato mais complexo qualquer mulher que assiste a tediosos programas de culinária sabe fazer. Seus clientes têm um gosto muito básico, muito baixo. — foi até o quadro magnético e arrancou o papel recém-postado. Leu-o e sorriu. — Isso aqui é que é o pedido de alguém que tem um gosto refinado, que sabe reconhecer a verdadeira arte da haute cuisine, e não isso aí que qualquer um sabe fazer. Carrega uma medalha da Le Cordon Bleu no peito — tocou a referida, pendurada no uniforme do chinês, que ouvia tudo calado. —, é quase um ultraje. Você não passa de uma dona de casa.
Todos arfaram em uníssono, inclusive Zhou Mi, que levou as mãos à boca, piscando atordoado. Acabara de ser chamado do pior nome para um gourmet. Injuriado, olhou para o chão, e saiu a passos largos em direção ao vestiário. Aquilo sim era uma humilhação.
KyuHyun deu de ombros e voltou para sua cozinha para começar a, ele mesmo, preparar o pedido que chegara.
Não demorou muito e ouviu uma porta bater, por onde entrava um Zhou Mi vingativo, que voltava a preparar o Peixe Sichuan, determinado a fazer KyuHyun pagar na mesma moeda.
E pedidos não paravam de chegar. E o fato de mais da metade ser do cardápio oriental atormentava o Chef da cozinha oposta. Do que adiantava ter dito todas aquelas coisas se ele continuava recebendo quase todas as comandas? A equipe de Zhou Mi mal aguentava todos enquanto 5 de seus chefs de partie lidavam tranquilamente com todos os pedidos. KyuHyun suspirou, mal-humorado e se amaldiçoando pela decisão que tomara.
— Vocês, vocês, você e você. — apontou para uma grande parte dos seus — Vão para a outra cozinha, ajudem no que puderem e aprendam alguma coisa, pelo menos. — os escolhidos pareciam felizes em poder ajudar e se apressaram em fazê-lo, sendo bem-vindos na outra equipe.
Olhou para o chinês, que ao invés de estar com um olhar esnobe e zombeteiro, dizendo “bem feito”, apenas mexeu a boca num “obrigado”. Assentiu apenas, reconhecendo sua derrota.
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Já havia quase 20 minutos que todos haviam ido embora e só restava Zhou Mi na cozinha e Siwon no escritório. Depois de um dia relativamente cheio, o Chef da cozinha oriental se permitiu uma pequena extravagância. Cortou alguns morangos ao meio, derreteu uma barra de chocolate e juntou-os em um recipiente de vidro. Com um garfo de fondue, levava as frutas achocolatadas à boca, como gostava, mas logo teve a ideia de misturar rum ao cacau, daria um gosto especial. Saiu pela porta que dava para o salão de jantar e se dirigiu ao bar, no canto dele. Contornou o balcão e procurou nas prateleiras cheias de garrafas.
Atrás de si, ouviu o baque vitral contra o piso de madeira corrida e repentinamente se virou para ver o que era. A cena lhe surpreendeu: encostado ao balcão, do lado de dentro, estava KyuHyun, sentado desleixadamente com uma garrafa de whisky ao seu lado. Já não parecia mais sóbrio.
— Eba... Descobriu... meu esconderijo. — ouviu-o dizer com dificuldade. Ergueu um dedo quando percebeu que Zhou Mi diria alguma coisa — Não... Não vou ficar aqui... ouvindo você jogar na minha cara que você é melhor que eu... não vou. — tentou se levantar, mas acabou tropeçando nos próprios pés e foi prontamente amparado pelo outro, que o enlaçou sua cintura com o braço livre.
— Epa, calma. Não vim aqui pra isso. — o chinês disse, fazendo-o se sentar de novo. E sentou-se ao seu lado, colocando o recipiente com os morangos achocolatados no seu colo. Ao fazê-lo, KyuHyun olhou-o de canto, desconfiado. Estendeu a mão para a garrafa e estava prestes a encostá-la na boca quando sentiu-a ser arrancada de suas mãos. Abriu a boca para reclamar, mas foi interrompido pelo outro.
— Pare com isso. Você tem cara de quem não costuma beber e algumas comandas a menos não é o fim do mundo. Anime-se, amanhã é outro dia. — espetou um morango e levou-o à boca do outro — Toma, isso vai ajudar a te alegrar. — KyuHyun olhou-o, duvidoso. Apenas virou o rosto, olhando para frente.
— Ora, vamos, Kyuuu... — disse Zhou Mi, meigo e brincalhão, esfregando o morango na boca dele e sujando seus lábios de chocolate. KyuHyun suspirou, e abriu a boca, abocanhando o morango inteiro de uma vez só; o saboreou lentamente, sentindo o ácido adocicado do morango com o doce cremoso do chocolate. Zhou Mi comeu um e repetiu o processo em silêncio até o último morango, que levou à boca de KyuHyun, que dessa vez aceitou de bom grado.
— Ah, acabaram os morangos... — comentou Zhou Mi. — Mas ainda tem bastante chocolate, e não podemos desperdiçá-lo... — disse, com um olhar sapeca. — Vou buscar uma colher. — disse, e se levantou.
Não se demorou muito na cozinha, mas o tempo foi suficiente para que, assim que voltasse, se deparasse com um KyuHyun com a vasilha de vidro no colo e os dedos imersos no doce, com o rosto já todo lambuzado.
— Kyu-ssi, não! — repreendeu, no tom que se usa com uma criança. Tentou tomar o recipiente dele, que não deixou.
— Não... assim é mais... gostoso. — falou, quase incompreensível. Levou os dedos à boca e lambeu-os, desafiadoramente.
Zhou Mi suspirou ao ver a garrafa de whisky ao lado dele de novo, já vazia. Pegou a vasilha de chocolate e deixou em cima do balcão. Agarrou KyuHyun pelo braço e o levantou.
— Já chega. — disse, puxando-o até a cozinha, ignorando as reclamações dele, que incluíam um “Você não é minha mãe pra me dizer o que fazer!”
Zhou Mi virou-o para si para ver a dimensão do estrago: manchas de chocolate nas bochechas, no nariz e até nas têmporas. As mãos completamente cobertas e respingos na camisa também.
— Tsc, tsc, tsc... — ergueu-o firmemente pela cintura e o colocou sentado em cima de uma das bancadas. Tirou um lenço do bolso interno do paletó e embebeu-o em água. Cuidadosamente, começou a limpar os resquícios de chocolate do rosto de KyuHyun, que já parecia sonolento demais para reclamar. Limpou primeiramente as mãos, depois as bochechas, a têmpora e só então a ponta do nariz. Ao fazê-lo, KyuHyun ergueu os olhos pra ele, sem mexer a cabeça. Zhou Mi não pôde evitar fita-lo diretamente, e ao fazê-lo, acabou por se sentir incomodado pela intensidade daquele olhar. Tinha que admitir, ele era bonito. Pigarreou e continuou o que estava fazendo. Por fim, passou o lenço pelos lábios dele, que ficaram rubros com a fricção. Zhou Mi involuntariamente deteve seu olhar naquele ponto por um tempo, até que o corpo de KyuHyun pendeu para frente, fazendo os lábios dos dois se roçarem antes da cabeça deste ser repousada em seu ombro. O chinês arfou com o contato, sentindo seus próprios batimentos descompassados contra o peito do outro, que não esboçara reação alguma.
— Kyu-ssi... Kyu-ssi!... — Zhou Mi o sacudia, sem sucesso. Estava adormecido. — Aish... — sibilou. Aproveitando a posição em que estavam, apenas puxou as pernas dele da bancada e encaixou-as em sua cintura. Não podia deixa-lo ali naquele estado. KyuHyun se mexeu, estreitando o enlace de suas pernas e passou os braços pelo pescoço dele, aconchegando-se. O chinês suspirou, tentando ignorar o roçar do corpo dele contra o seu.
Pôs-se a andar com o chef ébrio no colo. Cruzou as portas e dirigiu-se até sua Ferrari, no estacionamento. Acomodou-o no banco do passageiro e, colocou-lhe o cinto de segurança pra só então assumir seu lugar no banco do motorista. Virou-se para afivelar seu próprio cinto de segurança e deparou-se com semblante tranquilo do adormecido. A cabeça jazia encostada contra o vidro da janela, deixando à mostra parte do pescoço pálido. Zhou Mi reparou no quanto a pele dele parecia ser aveludada e cremosa, e antes que pudesse evitar, já estendia a mão para tocá-lo, mas conseguiu se conter antes que o fizesse. Desfez com um suspiro o meio sorriso que havia de formado involuntariamente e voltou a atenção, dano a partida no carro.
KyuHyun permaneceu o trajeto inteiro quieto, adormecido com a cabeça contra a janela, mesmo quando Zhou Mi o carregou para dentro da sofisticada casa no luxuoso condomínio fechado. Colocou-o sentado no sofá e só então tentou acordá-lo.
— Kyu... Kyu. — sacudiu-o. Ele levantou a cabeça, confuso.
— Me deixa dormir... — resmungou, quase ininteligível, empurrando-o. Com o impulso, caiu deitado no sofá.
— Aish... — Zhou Mi expirou. Decidiu deixa-lo ali por enquanto. Tomou um banho rápido e voltou para o quarto, vestido em seu pijama de algodão. Enxugava o cabelo com uma toalhinha enquanto decidia o que fazer. Podia ter deixado KyuHyun dormir no quarto de hóspedes, mas no estado em que ele estava, achou mais seguro mantê-lo no mesmo quarto que si. Arrumou um futon ao lado de sua cama, com um travesseiro fofo e um edredom, afinal, estava suficientemente frio.
Finalmente voltou para a sala, onde KyuHyun estava com metade do corpo no sofá. O desleixo da posição fez Zhou Mi rir baixinho e pulando a parte de tentar acordá-lo, passou um braço por seus ombros e outro por trás de seus joelhos e o carregou até o quarto, onde o deixou deitado confortavelmente e se deu apenas o trabalho de tirar seus sapatos. Ao se encontrar deitado em um lugar macio, KyuHyun se remexeu e abrindo minimamente os olhos, começou a, sem mais nem menos, tirar a roupa.
Zhou Mi assistiu-o, chocado, mas não podia evitar, estava secretamente curioso para saber até onde ele chegaria. Viu o se desfazer da jaqueta, da camisa, jogando-as para o lado. Zhou Mi tremeu em expectativa ao vê-lo desafivelar o cinto, e sentiu seus batimentos acelerarem quando as calças jeans foram jogadas para algum canto aleatório. Só então ele se acalmou, puxando o cobertor para cima de si e voltando a dormir.
O espectador levou a mão direita ao peito, com uma confusão beirando a incredulidade. Tudo bem que ter um homem se despindo em seu quarto era algo frequente, mas reagir desse jeito já era algo fora do normal. Ignorando os batimentos alterados, encaminhou-se para a própria cama. Apagou a luz e escondeu-se entre as cobertas, fechando os olhos.
Estava prestes a dormir quando sentiu o colchão afundar ao seu lado. Num rompante, levantou-se e acendeu o abajur, afastando as cobertas. Obviamente era KyuHyun, seminu deitado de bruços ao seu lado.
— KyuHyun! O que você está fazendo? — perguntou, exasperado. Ele levantou a cabeça apenas o suficiente para ver Zhou Mi.
— Quem você acha que eu sou para me fazer dormir no chão, hein? — disse, antes de deixar a cabeça cair sobre o travesseiro.
O chinês suspirou. Voltou a apagar a luz e deitou-se de costas para o outro, mas não conseguiu ignorar a presença daquele corpo ao seu lado. Pelo visto aquela noite seria longa para ele.
Notas finais
Receitas do capítulo: steak tartare, wonton, peixe Sichuan de novo, uvas flambadas. [Não sei porque eu faço isso...]
Sugestões? PELAMORDESHISUS, EU PRECISO DE SUGESTÕES. o.O ~~todascorre~~
Até o próximo. Vocês já perceberam que eu posto de nove em nove dias, né?
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