Notas iniciais
O NYAH TEM ALGUMA COISA CONTRA MIM. EU DEVERIA TER POSTADO ONTEM, MAS NÃO FOI. º`´º
Capítulo antecipado, sim. =D
Dedicado aos meus 10 leitores lindos, principalmente à Anaa, Teg, Noona, Sunkyu, Venus e Cristiana. A-M-O vocês, meninas.
Esse capítulo foi MUITO difícil de fazer, eu espero mesmo que tenha correspondido às expectativas. Vou deixar pra falar mais, MUITO MAIS nas notas finais. Boa leitura!

KyuHyun sentia como se o carnaval do Rio de Janeiro estivesse desfilando pelas veias do seu cérebro. E os raios mortíferos do sol reluzente só pioravam a cefaleia. Virou-se, com a intenção de se enfiar debaixo das cobertas e ficar de costas para a janela, mas deu de encontro com um obstáculo no meio da cama. Afastou-se por reflexo, quase caindo da cama. Aquilo era uma pessoa, era óbvio, mas como e por que estava ali, ainda era um mistério.

Sentou-se no colchão, e só então se deu conta de sua situação. Estava só com uma boxer vinho na cama com outra pessoa. Mas não só isso; estava no quarto de outra pessoa. Era um quarto grande e desconhecido, essa fora a primeira aterrorizante e óbvia conclusão. De paredes cor de pêssego e decoração ousada, com uns quadros futuristas meticulosamente arrumados na parede em que se encontravam três portas. Uma escrivaninha com alguns papeis jogados em cima, um abajur sofisticado na mesinha de cabeceira, nada de mais. Tinha certeza de que nunca estivera ali antes, mas precisava descobrir como sair e fazê-lo antes que... Tarde demais. Quem quer que estivesse ao lado dele se mexeu, deixando à mostra uma parte de um cabelo castanho e curto.

Curto? Não podia ser... KyuHyun detestava mulheres de cabelo curto. A não ser que... Não, não, NÃO! Sua companhia misteriosa se mexeu novamente, e aparentemente desperto, começou a tatear a cama ao seu lado. KyuHyun tentou se esquivar do contato, mas não conseguiu evitar que os dedos longos tocassem sua cintura rapidamente antes de se recolherem novamente. Sentiu-se arrepiar dos pés à cabeça.

— Hmm... — resmungou uma voz indubitavelmente masculina, consolidando os temores de KyuHyun, que passou as mãos pelos cabelos e apertou-os com força, baixando a cabeça e fechando os olhos, tanto por causa da dor de cabeça quanto pela tentativa desesperada de se lembrar o que houvera na noite passada.

— Ah, você já acordou... Bom dia. — Não... Aquela voz, não. Levantou a cabeça só pra confirmar que quem estava ao seu lado era justamente a última pessoa que queria e esperava que estivesse ali naquela cama junto com ele. Não conseguiu não arfar, inspirando todo o ar que seus pulmões poderiam suportar, seu coração estava num ritmo de quem queria atravessar paredes, se pudesse. Não é possível, eu não acredito que...

Zhou Mi.

Apenas um pouco mais vestido, com os cabelos totalmente bagunçados e a voz rouca de sono. Ergueu-se de lado na cama, apoiando-se em um doa braços, para fitar o homem confuso à sua frente. KyuHyun viu-o soltar uma pequena risada ao ver sua expressão.

— Você parece meio surpreso... Ah! Não se lembra de nada da noite passada? Mesmo? — perguntou, não obtendo resposta alguma. — Tsc, tsc... É uma pena que não se lembre, Kyu... — disse, com um sorriso sugestivo, olhando o outro de cima a baixo. KyuHyun pigarreou, desviando o olhar e puxando o edredom um pouco mais pra cima de seu corpo.

— Bem... — continuou, com um sorriso lânguido. — Você pode ficar aí enquanto eu faço o café, tudo bem? — engatinhou até o outro, que se afastou até encostar-se à mesinha de cabeceira. Aproximou seu rosto do dele e murmurou — Vou fazer uma comidinha bem gostosa pra você, tá? Porque eu sou uma ótima dona de casa. — sibilou, e se levantou, saindo do quarto pela primeira das três portas.

KyuHyun se jogou no colchão, pressionando o rosto contra o travesseiro.

Então é isso. Ele se aproveitou de mim pra se vingar pelo que eu disse. Mas o que aconteceu ontem, afinal? A última coisa que eu me lembro é de pegar uma garrafa de whisky no bar do restaurante e... Aish... Eu juro que nunca mais vou beber. Ora vamos, KyuHyun, você tem mais de 300 receitas decoradas e não consegue se lembrar de uma noite?! E... o que ele quis dizer com “É uma pena que não se lembre”? Será que...? Não, não é possível. Pelo que eu posso ver, não tenho nenhuma marca e... não estou dolorido. Se tivesse acontecido, acho que teria que estar, não? A não ser que... eu tenha ficado “por cima”, o que é bem melh... NÃO, NÃO É! No que eu tô pensando?! Aish, acho que é melhor nem lembrar.

KyuHyun sacudiu a cabeça, afastando aqueles pensamentos. Levantou-se da cama num rompante, pisando em cima de algo macio. Encontrou um futon todo desarrumado com boa parte de suas roupas ao lado, e tremeu ao constatar que elas pareciam ter sido jogadas ali sem nenhum cuidado. Vestiu suas calças, calçou os sapatos, e viu na camisa uma mancha do que parecia ser chocolate, o que fez sua mente lampejar algo sobre morangos. Suspirou e vestiu-a, apressado. Estava prestes a se encaminhar para a porta quando Zhou Mi atravessa a mesma, com uma espátula na mão.

— Vamos, eu já... — olhou para KyuHyun, que maquinava um plano de fuga. — Não, não, não! Aish... — Sem mais nem menos, entrou na segunda porta, que revelou um corredor largo e comprido, um closet. Remexeu nos cabides de camisas e tirou de lá uma cor-de-ameixa. Colocou sobre o ombro e andou até KyuHyun, que permanecia estático ao lado da cama. Sem esperar reação alguma do coreano, começou a desabotoar a camisa recém-vestida.

— Ei, ei, ei! — KyuHyun disse, impedindo-o. Olhou, incrédulo, como se pedisse explicações.

— Eu não vou deixar você sair por aí com essa camisa suja de chocolate! — argumentou, terminando de desabotoar a camisa que o outro usava. Deslizou-a pelos ombros dele, arranhando seus braços levemente. Sentiu-o tremular e sorriu. Ajudou-o a vestir a outra e fez questão de abotoá-la. — Pronto. Você fica mais bonito que eu, nessa camisa. — observou, vendo o outro corar. — Agora vamos, vem tomar café. — convidou.

KyuHyun não aguentava nem mais um minuto na companhia daquele ser que o fazia se sentir tão vulnerável e desprotegido. Ele estava em vantagem, afinal, por saber o que acontecera na noite passada.

— Não, eu tenho que ir, tenho que...

— Nem vem. Eu fiz um petit déjeuner pra você e você não sai daqui até ter comido tudinho. — disse, puxando KyuHyun, que por algum motivo só conseguiu se concentrar no bico que a boca do chinês formou ao pronunciar a expressão francesa. Logo se viu sentado perante uma mesa farta. Antes que pudesse reclamar, um prato com um crepe e um copo com suco de laranja foram postos à sua frente. Zhou Mi sentou-se ao lado dele e ainda puxou sua cadeira para mais perto. Pegou um garfo e, tendo cortado um pedaço do crepe, levou-o à boca de KyuHyun, que reclamou:

— Yah! Eu não sou uma criança, o que você tá pensando?

— Aaaah, Kui Xian, ontem você não parecia tão relutante... — comentou casualmente, vendo o outro arregalar os olhos.

— Que raios de nome é esse?! — exclamou.

— É o seu nome em chinês, oras. Bonito, não é? Agora vamos, coma o que eu fiz pra você... — pediu, todo meigo. Abriu um sorriso enorme quando o outro suspirou, derrotado e tomou o garfo das mãos dele. Zhou Mi serviu a si mesmo e ao sentar-se, sua feição se contraiu em dor e ele automaticamente levou a mão à cintura.

— O que você tem? — KyuHyun perguntou, antes que pudesse se conter. Zhou Mi abriu um sorriso debochado.

— É que você não é tão leve quanto parece, KuiXian. — lançou um olhar sugestivo, que fez o coreano desviar o olhar. Começaram a comer em silêncio, até que KyuHyun decidiu iniciar uma conversa:

— A festa. Como foi? — Vou agir naturalmente, não posso deixar ele me intimidar mais, quem ele acha que eu sou?

— Ah, Kui Xian, você deveria ter ido. Todo mundo perguntou por você, eu sentia até como se aquela festa não fosse pra mim. Tsc. — fingiu uma expressão triste. — Mas aí chegou a hora do jantar e... uau, eu tinha que me dividir em dois pra poder visitar todas as mesas. Nunca recebi tantos elogios, foi tão mágico! — empolgou-se, e soltou uma risada no final. — E tinha um garoto lá, um ruivinho, nossa! Mal largou as fraldas, mas é provocante como o diabo! Fazia uma colher ser digna de ser vendida em sex shops. Ficava me mandando indiretas bem debaixo do nariz do pai, você tinha que ver. Essas crianças de hoje...

TaeMin. KyuHyun concluiu, de cara. TaeMin dando em cima de Zhou Mi? Isso é um absurdo! Aish, aquele menino, como se atreve...? Interrompeu seus pensamentos, surpreso com a própria reação. TaeMin fazia o que quisesse da vida, ele não tinha o menor direito de opinar. Então por que o fazia? Podia ser que... não, não podia, nunca.

Zhou Mi percebeu que, ao terminar de contar sobre a festa, KyuHyun pareceu ligeiramente atordoado, e começou a esquartejar o crepe que estava no prato, visivelmente mal-humorado, mais que o de costume.

— Kui Xian, você está bem? — perguntou, com um tom preocupado que quase sensibilizou o outro.

KyuHyun olhou-o e forçou um sorriso.

— Não é nada. Eu estou bem. E o café está ótimo, obrigado. — disse, levando um pedaço do crepe à boca.

— Não. Você não está bem. Não reclamou de eu ter começado a te chamar de Kui Xian e elogiou a minha tentativa de comida ocidental. Vamos, diz... O que custa me contar? Além disso, você está na minha casa e eu tenho o dever de te deixar confortável. — argumentou, com voz suave.

— É só essa dor de cabeça. E pra começo de conversa, eu nem deveria estar aqui. — estalou a língua nos dentes, irritado e começou a se levantar. Zhou Mi o imitou, mas para contê-lo.

— Para. Olha, tudo bem, você não precisa comer, mas... pelo menos espera eu me arrumar? Aí eu te levo pro restaurante, ou pra sua casa... pra onde você quiser ir, tá bom? Por favor... — inclinou a cabeça para o lado, com olhos suplicantes, do mesmo jeito que fizera na noite da festa. KyuHyun não pôde evitar a lembrança.

— Aish...! — exclamou, mais para afastar os pensamentos que em resposta. Suspirou. — Tudo bem, eu espero.

— Ótimo! — Zhou Mi bateu palminhas, o que resultou em um olhar estranho vindo do outro. Ele contornou a mesa e pôs as mãos nos ombros do coreano, poucos centímetros mais baixo que ele.

— Vem, vamos nos arrumar pra ir trabalhar. — guiou-o pelo corredor além do quarto dele e abriu uma porta. Empurrou KyuHyun pra dentro do banheiro e se abaixou para pegar algo no armarinho debaixo da pia.

— Toma. Se você ficar pronto antes de mim, o que é provável, me espera lá na sala, ok? — disse, entregando uma escova de dentes descartável e saiu, deixando o menor sozinho.

KyuHyun se olhou no espelho. Arrumou os cabelos com os dedos mesmo, ajeitando-os e bagunçando-os intencionalmente como era de costume. Escovou os dentes e ajeitou a camisa. Por uma curiosidade repentina, levou a gola até o nariz e aspirou, o mesmo cheiro amadeirado e cítrico que não o deixara dormir naquela noite. Era tão agradável... inspirou ainda mais fundo, o que fez sua cabeça latejar, e só então ele percebeu que sua dor de cabeça piorara ainda mais. Jogou água gelada no rosto, mas em nada adiantou. Não conseguiria trabalhar de jeito nenhum com aquela dor o incomodando. Foi até o quarto do anfitrião, bateu levemente na porta e chamou:

— Zhou Mi?

— Pode entrar, Kui Xian. — disse, mas era melhor não ter dito. KyuHyun empurrou a porta, e se deparou com Zhou Mi só com uma toalha na cintura e outra na mão, enxugando os cabelos, em frente a um grande espelho, que ocupava toda a parte interna da porta do closet. Olhou para o ser ligeiramente atordoado na porta que lhe olhava fixamente e sorriu.

— Algum problema?

KyuHyun não respondeu de imediato, estava paralisado com a imagem do corpo bem esculpido e definido na superfície espelhada. Só depois de alguns segundos voltou a si e finalmente respondeu:

— Ahm... Essa dor de cabeça tá me matando, você não teria algum remédio?

— Ah! Por que não me disse antes? Já vou buscar. Me espera lá na sala, eu já vou. — KyuHyun apenas assentiu e foi. Sentou-se no sofá e se jogou no encosto, fechando os olhos. Logo veio Zhou Mi com um comprimido e um copo de água. Engoliu os dois juntos e agradeceu, voltando a se recostar, fechando os olhos. Ouviu vagamente o outro dizer que não demoraria.

Não conseguia pensar em nada, então apenas tentou relaxar. Perdeu a noção de quanto tempo se passara, mas quando Zhou Mi o chamou, quase não sentia mais dor. Abriu os olhos e se deparou com um par de olhos preocupados.

— Tem certeza de que está bem? Eu posso te levar pra casa, e cuidar da cozinha...

— NÃO! — gritou, se levantando com tudo e já caminhando pra porta. — Eu estou bem. Vamos, se não chegaremos atrasados. — Zhou Mi riu e trancou a porta ao saírem.

— É uma bela casa, essa. — KyuHyun comentou, olhando pela janela do carro para a mansão que se afastava.

— Obrigado. Qualquer dia desses te convido pra passear pelo condomínio, de preferência quando você não estiver tão interessado por uma cama. E lúcido, é claro. — riu ao ver o outro se afundar no banco do passageiro. — É bem agradável, os vizinhos são simpáticos, e tem crianças, o que eu adoro.

O condomínio ficava um pouco longe do restaurante, e com a tranquilidade no carro, KyuHyun logo se sentiu sonolento ao encostar a cabeça na janela. Zhou Mi riu.

— O que foi? — perguntou, olhando-o.

— Nada. Só lembrando de ontem à noite. Você estava tão adorável, Kui Xian... — contou, com um sorriso. KyuHyun suprimiu um gemido frustrado.

— Podemos não falar de ontem à noite, por favor? — pediu, quase implorando. O outro apenas riu. Pararam no drive-thru de uma cafeteria, a mesma de todas as manhãs de KyuHyun. — O que você vai fazer? Não acabamos de tomar café?

— É, mas esse é pra me manter acordado. Você não me deixou dormir muito, sabe, Kui Xian? — confidenciou, levemente malicioso. Virou-se para a atendente e fez o pedido. Pagou os dois copos de café latte e deu um a KyuHyun, que agradeceu e sorveu o líquido quente em silêncio, torcendo para que maior não fizesse mais nenhuma insinuação. Optara por não querer saber o que acontecera, apesar de ter quase certeza, pelas frases soltas que o outro lhe direcionava.

Chegaram ao restaurante sete minutos atrasados, e KyuHyun sentiu um aperto no coração ao ver seu Audi que passara a noite ali. Zhou Mi estacionou ao lado, e antes de sair, o coreano o puxou pela manga da camisa, fazendo-o olhá-lo.

— Obrigado. — disse, sinceramente. — Por ter cuidado de mim quando eu menos merecia. — tinha que admitir que se não fosse o chinês, ele teria dormido encostado no balcão do bar do restaurante, e isso acabaria com a sua imagem.

— De nada, Kui Xian. Foi um prazer... — disse languidamente, deixando que a mente do outro assimilasse o duplo sentido.

Assim que entraram, Siwon cumprimentou Zhou Mi e puxou KyuHyun para um canto antes que entrasse na sala do staff.

— Seu carro e suas coisas passaram a noite aqui e vocês chegaram juntos. Me diz que não é o que eu tô pensando. — pediu, com as mãos juntas em frente ao peito. KyuHyun hesitou, mas conseguiu achar um jeito de contornar o assunto.

— Por que seria? O que quer que você esteja pensando...

— Kyu, não me diz que você nunca percebeu.

— Perceber o que?

— Zhou Mi. — sussurrou. Olhou pros lados e continuou. — Nunca reparou nas roupas? Na decoração da cozinha e do uniforme? No jeito como ele fala, às vezes?

Zhou Mi é gay, KyuHyun concluiu, como uma bomba jogada no chão de sua mente. Tudo fazia ainda mais sentido e deixava ainda mais possível as situações que ele supôs para a noite passada. Levou a mão à testa, atônito.

— É, você não percebeu, né? — balançou a cabeça, dando tapinhas nas costas de KyuHyun. Aproximou-se mais e murmurou — Está doendo muito aí atrás, Kyu? Tsc, se quiser eu te dispenso por hoje e...

— YAH! — KyuHyun empurrou-o, boquiaberto. Como ousava dizer uma coisa daquelas? Se bem que ele próprio estava se segurando para não pensar o mesmo. — Já terminou? Eu tenho mais o que fazer. — saiu andando, irritado, mas Siwon o puxou pelo braço.

— Ei, espera — disse, rindo. — Desfaz essa cara porque eu tenho outra novidade. Lee TaeMin veio fazer um tour de dia inteiro pela cozinha pra escrever um artigo.

O chef baixou a cabeça, suspirando pesadamente, fechou os olhos, sentindo o resto de sua dor de cabeça.

— Boa sorte. — deu mais dois tapinhas e se retirou.

KyuHyun adentrou a sala do staff e começou a vestir o uniforme, a contragosto.

— Aconteceu alguma coisa, Kui Xian? — perguntou Zhou Mi, ajeitando a medalha azul no colarinho.

— Louco pra saber o motivo da minha desgraça, né? — perguntou, irônico. — Adivinha só? Seu ruivinho vai passar o dia conosco hoje, que ótimo, não? — disse com a voz carregada de desprezo. Zhou Mi riu.

— Ciúmes, Kui Xian? — andou em direção a ele, que recuava um passo a cada um que dava quando ficaram perigosamente perto um do outro, até que o coreano sentiu-se encostar ao armário. Virou o rosto para o lado quando Zhou Mi chegou ainda mais perto, ao ponto de sentir a respiração dele em sua bochecha. — Não seja egoísta, você teve muito da minha atenção ontem à noite... — sussurrou, vendo-o engolir em seco. — Mas se não for o suficiente pra você... — deslizou um dedo suavemente pela bochecha do menor. Sedosa, macia, como ele imaginara. — podemos ir pra minha casa de novo, hoje... — KyuHyun expirou, frustrado. Era quase uma confirmação de que havia acontecido. Zhou Mi o interpretou mal, e riu. — Ah, você é um menino muito impaciente... Tudo bem, podemos... improvisar na câmara refrigerada.

O coreano ficou boquiaberto, chocado com o que ouvira. Como ele ousava; uma proposta dessas...! Exclamou um “Aish!” exasperado e saiu, batendo a porta. Zhou Mi riu, divertindo-se com o efeito que causara no outro.

KyuHyun jogou as costas contra a parede ao lado da porta e se deixou escorregar até o chão. Puxou os cabelos, irritado. Já estava farto daquelas insinuações de Zhou Mi, se arrependia por ter ido até o bar na noite passada, odiava não se lembrar de nada, mas temia ter acontecido o que o chinês dava a entender que acontecera. Queria mas não queria saber. E se nada aconteceu? Ótimo. Mas e se aconteceu? Não queria pensar nessa possibilidade, mas não aguentava mais ser provocado por Zhou Mi daquele jeito.

Levantou-se, respirou fundo várias vezes de olhos fechados, contou até dez, perguntou a si mesmo “Quem ele acha que eu sou?”. Ajeitou o uniforme, botou seu sorriso mais superior no rosto e adentrou a cozinha, esbanjando austeridade.

Ali, [e sóbrio], ele se sentia inatingível.


Notas finais
EU NÃO BETEI ESSE CAPÍTULO POR PURA PREGUIÇA, FALO MERMO.
Quando eu posto o chap ele parece tão pequenininho... Enfim, antes de tudo, vocabulário:
petit déjeuner: café da manhã, mas Zhou Mi usou no sentido de ter feito comida ocidental.
Sinceramente, eu não gostei desse capítulo. Ficou grande demais pra fatos tão rápidos. Tem que rever essa mania detalhista aí. =/
Eu fiquei MUUUUUUUUUUITO feliz com o número de leitores que cresceu vertiginosamente, pelas recomendações e elogios. Vocês são uns lindos.
Vamos a alguns esclarecimentos:
1. Não, meus amores, eu não sei cozinhar.
2. Também não sei falar francês.
3. Tudo o que eu sei vem do Livro de técnicas culinárias da Le Cordon Bleu
4. SungMin provavelmente não vai dar as caras
5. EU NÃO SEI ESCREVER LEMON. Mas se acalmem, vai ter um nem que seja no último capítulo.
6. Sinto que esqueci alguma coisa. Vou lá corrigir mais umas coisinhas do capítulo anterior, peixus.