Serial Crime
10 Cp 8 - O Baile
- Meu amor, vamos nos atrasar. – disse Edgar.
- Mel, anda logo. Não agüento mais ficar ouvindo os gritos do seu namorado. – reclamou Clara.
- Incomodada, pentelha? Pode ir embora!
- Estou esperando minha amiga, projeto “metrosex”.
- Sua amiga, minha namorada. Então, fique bem quietinha.
- Pronto, agora podemos ir. – Melinda saiu do banheiro.
A loira usava um vestido de alcinha amarelo coberto com renda preta na parte do busto, logo abaixo do busto, havia um laço de cetim preto que amarrava nas costas, seus sapatos eram negros também e usava pulseiras douradas. Seu cabelo estava solto e sua maquiagem era de um tom dourado, bem delicado. Clara vestia um vestido verde escuro, de um ombro, com detalhes em vidrilho que cobria toda a alça e descia pelo vestido, dando a volta por toda a cintura e terminando no inicio dos quadris, formando um padrão floral. Seu cabelo estava preso em um rabo-de-cavalo negro, da mesma cor de sua sandália de salto, na tentativa de não parecer tão baixinha. Edgar estava vestindo uma calça e sapatos negros, uma camisa social azul marinho aberta até o terceiro botão, expondo o peitoral dele. Seu cabelo estava preso em um rabo-de-cavalo meio lateral, caindo sobre o pescoço e o ombro direito. Ambos usavam mascaras simples, brancas que cobriam a parte superior do rosto.
- Finalmente, Mel.
- Vamos então, linda. – os três amigos saíram em direção ao salão de eventos.
Chegando lá, o salão estava cheio de pessoas bonitas e bem vestidas, algumas mais enfeitadas que outras. O DJ sobre o palco, que se situava à direita do salão, tocava música eletrônica e todos dançavam.
- Adivinhem só.
- O quê, Clara? – perguntou Melinda.
- Eu vou cantar uma música para a turma.
- Tchau, estou vazando. – disse Edgar. Melinda o puxou pela orelha.
- Você fica para ver a apresentação da Clara.
- Amor, eu não acho que eu vá ter alguma utilidade morto.
- Você é patético. – disse Clara.
- Ah, não. Por favor. Hoje não. – fechou Melinda.
Clara foi para o palco se preparar e os dois ficaram dançando.
- Vocês dois me estressam.
- Humpf. – reclamou Edgar. Melinda brincava com o cabelo de Edgar.
- Hoje, a noite é nossa, meu amor. – Edgar sorriu e aproximou Melinda de seu corpo, pegando-a pela cintura.
- Finalmente. – foi só o que ele disse.
Depois de algum tempo, começou a música lenta. Quando os dois foram se “ajuntar” mais, Melinda percebeu um casal, próximo à porta do salão, dançando. A garota ela não conseguia reconhecer, mas o menino... Ela apertou um pouco o olhar. Aquele loiro lhe era muito familiar, mas a máscara dificultava um pouco, pois ela não conseguia ver o lado livre de seu rosto.
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Gabriel e Kamilla dançavam juntos ao som da música lenta.
- Você está especialmente linda hoje. – Gabriel sussurrou ao ouvido dela. Ela riu.
- Obrigada, mas não podemos ficar aqui, dançando a noite toda.
- Mas podemos ficar mais um pouco.
- É... Acho que sim. – Gabriel apertou mais o braço ao redor da cintura dela.
- Pensando bem... Eu não faço nem ideia de quando eu comecei a ter esse sentimento por você.
- Eu acho que posso dizer o mesmo.
- Só sei que... Não consigo mais me imaginar, sem estar ao seu lado. Sem te beijar. Sem te tocar.
Kamilla sorriu e afastou seu rosto, posicionando-o a frente do rosto de Gabriel. Seus lábios se tocaram suavemente, depois o beijo foi se tornando mais envolvente e complexo. As mãos de Kamilla se misturavam com os cabelos de Gabriel. Ele pegou o rosto dela entre as mãos e o afastou um pouco, cerca de cinco centímetros.
- Vamos falar sério agora. – ele disse.
- Você? Falando sério?
- Kamilla!
- Tudo bem.
- Aceita casar comigo? – ele sorriu de canto. Ela arregalou os olhos.
- Gabriel...
- Aceita ou não?
- Eu aceito... – seus olhos brilharam – Eu aceito namorar você. – ela riu de seu entusiasmo.
- Isso!! – ele comemorou.
- Como assim “isso”?
- Eu faço uma proposta mais alta que ai, você concorda exatamente com o que eu quero. – ele piscou para ela. Ela deu um tapa no ombro dele e fingiu indignação, mas acabou sorrindo.
- Bobo. Bom... Preciso ir ao banheiro, não posso deixar o cabelo secar.
- Certo. Tenho que dar uma olhada nessa minha máscara também.
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Melinda percebeu que o casal se dirigia ao banheiro. Ela posicionou sua boca próxima à orelha de Edgar e sussurrou:
- Ed, vontade de ir ao banheiro?
- Por que isso?
- Por nada. Só dar uma retocada no cabelo. Que tal?
- Ok, então.
Eles se digiram também ao banheiro. Na porta, quando deveriam se separar, ela sussurrou para ele:
- Divirta-se. – ele se espantou de inicio, mas depois entendeu o recado e sorriu maliciosamente.
Melinda entrou no banheiro e deu de cara com uma de suas colegas, que estava saindo naquele momento. Pela porta, ela percebeu que as únicas pessoas, naquele local, eram ela e aquela menina misteriosa. Melinda entrou. Em silêncio trancou a porta. Foi devagar até o espelho onde a menina se embelezava. A garota mascarada arregalou os olhos ao ver Melinda retirar sua máscara.
- Melinda! – ela reconheceu a voz da mascarada.
- Kamilla! – Kamilla se virou para ela, tirando a máscara.
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Edgar adentrou o banheiro. Como todos os homens estavam mais preocupados em procurar por uma “companhia”, o banheiro estava vazio. Só tinham eles dois lá, o loiro e o moreno. Ele trancou a porta. Edgar tirou a máscara e a jogou dentro de um dos boxes. Seu sorriso malicioso já tinha reconhecido o garoto. O loiro deixou a máscara sobre a bancada e deu uma atrapalhada no cabelo.
- Há quanto tempo, Gabriel.
- Edgar... – ele se espantou – Realmente. Muito tempo.
- Você não estava um tanto ocupado? Preso em um cômodo apertado?
- É... Foram tempos difíceis. Mas acabou.
- Que bom, não é?
- Mas e você... O que faz aqui?
- Bom. Fugindo da Clara, ela vai cantar.
- Quando?
- Provavelmente... – ele olhou o relógio – Agora.
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- Kamilla... Você... Não estava louca?
- Melinda... – ela fez uma cara de pesar – Eu tive que fazer isso. Foi o único jeito de fugir.
- Eu te entendo, minha amiga. – ela foi até a ruiva e a abraçou – Sabia que a Clara vai cantar hoje?
- Não acredito!
- Mas eu acho que não conseguiremos assistir.
- E... por quê? – Melinda se aproximou ainda mais.
- Porque o show... vai começar.
- O que você quer dizer com isso?
Lá fora, Clara subia ao palco, fazia seu pequeno discurso e todos esperavam pela música. Quando se esperava ouvir a voz de Clara amplificada pelo microfone, ouviu-se apenas gritos. De horror, de medo, desespero. Kamilla foi até a porta e tentou abri-la, mas estava trancada. A onda de gritos se intensificou ainda mais quando todas as luzes foram apagadas.
- Meu Deus, o que está acontecendo?
- Bom. Depois de uma semana sem crimes odiosos, precisamos fazer algo... Digamos... Grandioso. – Kamilla virou de forma macabra e com um olhar assustado para ela.
- Não... Você não...
- A série de assassinatos da escola. Toda essa obra de arte. Obra minha.
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