Serial Crime
9 Cp 7 - Fuga
- Eu! Tenho uma pergunta para vocês. – disse Clara para Melinda e Edgar.
- Fala, pentelha. – disse Edgar.
- Paspalho! Vocês, por acaso, sabem por que a polícia não está se envolvendo com os crimes? – Melinda e Edgar se entreolharam, incomodados com a pergunta direta.
- Não... – Melinda respondeu com a voz baixa.
- Pois eu sei! – ela disse vitoriosa.
- Então, para que perguntou, nanica? – reclamou Edgar.
- Vou te ignorar e responder à minha própria pergunta. Bom... O diretor está abafando o caso. Ninguém além das testemunhas “absolutamente necessárias” sabem o que está acontecendo.
- Quem são essas pessoas “absolutamente necessárias”? – perguntou Melinda.
- Nossa turma. Apenas.
- Mas... Alguns de nossa turma têm amigos e namorados em outras turmas.
- O diretor descobriu tais “laços afetivos” e deu um jeito de evitar comunicação. Não pergunte como. Isso, nem eu sei.
- Que estranho, não é, Mel? – perguntou Edgar abraçando a loira.
- É sim.
- E o Gabriel e a Kah, hein? – perguntou Clara – Já faz uma semana que eles estão de quarentena.
- Se tem apenas uma semana, não é quarentena, pestinha.
- AINDA não é quarentena, babaca.
- Ai, gente, parem com isso. Eu estou indo visitar meu irmão e a Kah, consegui convencer um dos professores.
- Qualquer um se rende aos seus encantos, meu amor. – Edgar lhe deu um beijo.
- Também, com as notas dela... Até eu! Hahaha!
- Ai ai... Enfim, querem ir comigo?
- Foi mal, linda. Tenho treino de futebol agora.
- E eu tenho alguns vários relatórios me esperando na sala do Conselho.
- Ok. Até mais então. – ela se despediu e seguiu para o quarto nos fundos do internato.
Melinda encontrou com o professor que esperava por ela no meio do caminho e foi guiada até os aposentos da “dupla interditada”. Ao chegar à frente da porta de madeira velha, o professor abriu e deixou Melinda entrar, logo em seguida, fechando a porta. A primeira coisa que Melinda viu foi um grande quarto, praticamente vazio. Tinha apenas duas camas de solteiro, um banheiro a sua esquerda e duas grandes malas encostadas à parede. Escondidos em cantos diferentes do quarto, estavam Gabriel e Kamilla, encolhidos, abraçando as próprias pernas. Kamilla tremia e balbuciava palavras sem sentido. Enquanto Gabriel fitava o chão, sem sequer piscar. A loira tentou se aproximar aos poucos de Kamilla, mesmo estando assustada com seu estado.
- Kah... Oi Kah...
- Shhh!!! – a ruiva dirigiu o olhar desesperado para ela – Fique quieta. Ele pode te ouvir.
- Ele... Ele quem?
- Ele. – completou Gabriel – Se ele ouvir e não gostar, seremos punidos.
- Do que vocês...
- Vá embora! – declarou Kamilla – Ele está vindo! Ele sabe que você está aqui! – Gabriel saltou e correu até Kamilla como um animal que protege a cria e a envolveu com seus braços. Kamilla gritava como se tivesse visto um monstro.
- Calma, Kamilla. Vamos enfrentá-lo juntos. Está ouvindo! – ele parecia falar com o tal ser imaginário – Se quiser fazer mal a ela, terá que passar por cima de mim primeiro!!
Melinda estava atônita, ou melhor, aterrorizada. Ela foi andando de ré até a porta e a abriu, saiu e fechou rapidamente.
- O que houve com eles? – perguntou ao professor.
- Estão assim há alguns dias. Devem ter enlouquecido.
Ela partiu atordoada. Dentro do quarto, Kamilla e Gabriel davam gargalhadas.
- Kah, seguinte: teatro não é o seu forte.
- Vem não! Você também é péssimo ator. “Terá que passar por cima de mim”. Haha!
- A única coisa que pode ficar por cima de você – ele deitou a ruiva no chão e se posicionou sobre ela – Sou eu. – logo ele passou a beijá-la no pescoço.
- Ow, Gabriel! Para com isso! – ela o jogou pro lado e ele deu um suspiro pesado.
- Eu não sei como posso ser tão bonzinho com você.
- Bonzinho? Você? – ela se levantava e sentava sobre a cama.
- É! Estamos, há uma semana, trancados nesse quarto e não fiz nada com você. Francamente, Kamilla, você está me obrigando a duvidar da minha masculinidade. – ele permanecia deitado no chão.
- Ah, tá. – ela ria – Desculpe então.
Gabriel se levantou e se atirou sobre a cama.
- Então, é hoje a noite que saímos daqui? – ele perguntou.
- Sim. Na hora do jantar. Deve ser o mesmo horário do baile.
- Dança comigo?
- Vou pensar no seu caso.
- Não vou aceitar isso por muito tempo. – ele fez bico, adorava fazer pirraça.
- SE nos casarmos, tentarei ser mais flexível e menos mandona. – ela riu.
- QUANDO nos casarmos, te prenderei com correntes e vamos “brincar” de Mil e Uma Noites. Hihi. – dessa vez ele sussurrou.
- Disse alguma coisa? Gabriel? – ela o olhava, séria.
- Nada não, amor.
Na hora do jantar, o professor estava se encaminhando para o quarto deles. Kamilla estava com um belo vestido cor-de-vinho, tomara-que-caia, que batia nos joelhos, mas tinha uma fenda na perna direita, toda franzida, fazendo um babado até mais ou menos a altura do quadril, onde tinha uma rosa negra de enfeite. Sua sandália preta de salto agulha com uma gargantilha preta combinavam com a rosa. Brincos também combinavam, duas pedras pretas de tamanho médio. Gabriel usava uma camisa social, também vermelha, com uma calça e um blazer na cor preta, os sapatos também eram pretos. Seus cabelos loiros estavam de forma despojada e seu olhar logo percorreu o corpo de Kamilla.
- Você. Está linda.
- Muito obrigada. Você também está muito elegante, senhor fugitivo.
- Onde estão as máscaras?
- Escondidas embaixo da cama. – Gabriel foi até a cama e as pegou, jogou uma para Kamilla.
A máscara de Kamilla era branca com detalhes em dourado e vermelho, cobria a metade superior do rosto e era enfeitada com alguns brilhantes. Enquanto a máscara de Gabriel parecia com a do Fantasma da Ópera, só que tinha alguns detalhes em preto.
- E quanto ao seu cabelo Kamilla? Se você não percebeu, ele chama um pouquinho à atenção.
Ela prendeu os cabelos em um coque, um pouco ornamentado, foi até o banheiro e molhou o cabelo. A água fez com que ele escurecesse e ficasse parecendo marrom.
- Melhorou?
- Muito.
- Agora vamos, ele já deve estar chegando. – Gabriel foi até o banheiro e retirou a lâmpada comprida que iluminava o local.
- Se não temos arma...
- Inventamos uma. – completou Kamilla.
Alguém bateu à porta. Kamilla se posicionou em frente a ela e Gabriel se escondeu logo atrás. Quando o professor abriu a porta, trazendo o jantar deles, se espantou ao ver Kamilla vestida daquele jeito.
- Mas o que... – ele foi bruscamente interrompido.
Gabriel bateu a lâmpada, com força, contra o crânio do homem. Nada demais aconteceu. Alguns cortes apenas. Quem mais sofreu foi a lâmpada que se desfez em pedaços. O homem caiu desacordado no chão do quarto. Os dois correram em direção ao salão de eventos. Ao atravessarem as portas, viram uma multidão dançando ao som de boa música com um buffet ao fundo e um palco com o DJ à direita. Mais à esquerda eram os banheiros. Os dois abriram um sorriso de “missão cumprida” e se olharam.
- Descanso? – perguntou Gabriel.
- Descanso.
- Me concede esta honra? – ele estendeu a mão. Kamilla pensou um pouco.
- É... Você está merecendo. – ela pegou em sua mão e os dois começaram a dançar ao som da música calma.
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