Serial Crime

8 Cp 6 - Inimigo Identificado?


No dia seguinte, Kamilla estava radiante. Ela se admirava e penteava o cabelo em frente ao espelho, se sentia tão bem, parecia que teve a melhor noite de sua vida. Clara chegou de mansinho por trás e a abraçou.

- Clara!

- Hehe! Kah, você está tão linda!

- Haha. Obrigada.

- Seu rosto está tão feliz e... – a baixinha pegou nos volumosos seios da ruiva e os apertou. Kamilla grunhiu e se encolheu – Esta parte aqui está ótima também.

- Clara!! Solta o meu corpo, sua anã depravada!!

- Ora, ora. Você teve uma noite selvagem e eu que sou depravada?

- Sua louca! Eu não fiz nada ontem a noite.

- Sei, sei. Vamos logo, a aula vai começar.

Kamilla e Clara encontraram Melinda na porta do quarto e seguiram para as aulas, junto com os outros alunos. O diretor estava, por algum motivo, aglomerando e parando todos os alunos na porta do refeitório. O grupo de amigos, sem entender, parou e procurou pela figura do homem de cabelos grisalhos

- Caros alunos. – começou o diretor – Ontem, mais um de nossos alunos foi assassinado. – os murmúrios tomaram conta do refeitório – Nós encontramos este frasco de calmante sobre a bancada de nossa cozinha. O dono deste remédio poderia se manifestar, por favor?

Kamilla se encolheu, engoliu seco e levantou o braço devagar.

- Por favor, minha jovem, venha até aqui. – Kamilla o obedeceu – Minha jovem?

- Senhor?

- Isto lhe pertence?

- Ahn... Sim.

- Bom... Um aluno morreu esta madruga, por overdose. E de acordo com as análises, eram pílulas desse remédio. – os olhos de Kamilla se arregalaram.

Gabriel foi se infiltrando entre os alunos até alcançar o diretor.

- Senhor diretor. Espere. – ele se colocou ao lado da ruiva – Kamilla esteve comigo ontem à noite. – todos fizeram uma vaia maliciosa, os dois se encolheram e desviaram o olhar.

- Que ótimo, Gabriel. Os dois irão me acompanhar.

- Como?! – os dois disseram juntos e foram levados por dois professores.

Os alunos se tumultuavam vendo os dois colegas sendo carregados para “sabe-se sei lá onde”. Os dois professores levaram os colegas para os fundos do internato, onde havia um quarto maior e eles foram jogados lá.

- O que significa isso?! – perguntou Kamilla.

- Vocês irão ficar aqui por enquanto. Até termos certeza de que os crimes não acontecerão mais.

- Espere! Vocês acham que NÓS matamos esse garoto? – perguntou Gabriel.

- E todos os outros também.

- Isso é ridículo!! – reclamou Kamilla.

- Divirtam-se com sua estadia aqui. – os professores saíram e trancaram a porta.

- Meu Deus! E agora?! O que vamos fazer presos aqui? – Kamilla perguntou para Gabriel. Ele levantou uma sobrancelha e assoviou – Ok... Não me responda.

Kamilla sentou-se na cama, apoiou as mãos sobre os joelhos e abaixou a cabeça dando um suspiro pesado. Gabriel foi até ela e se ajoelhou diante da ruiva.

- Não fique nervosa, Kamilla.

- Não estou nervosa. Estou acostumada a ficar presa...

- Ok. Então me ajuda, porque eu não estou tão acostumado assim. – ela riu – Mas, por que você...

- Minha mãe... – ela começou. Gabriel sabia que ouviria uma história e se sentou no chão, pronto para ouvir cada detalhe – Ela era aquele tipo de mulher. Senhora “Golpe da Barriga”. Teve uma noite com o homem que é meu pai, engravidou e “bingo”. Meu pai é homem bom, rico, etc., mas ela... Ela não estava preparada para ser mãe.

- O que aconteceu?

- Graças à gorda pensou que ela conseguiu na justiça, nós vivíamos até muito bem. Mas... – ela deu um suspiro pesado com a lembrança. Apoiou as mãos sobre a cama, jogando o corpo para trás e cruzou a perna direita sobre a esquerda.

- Não é obrigada a continuar.

- Não. Eu quero. Nunca falei disso com ninguém, eu preciso me livrar dessas lembranças.

- Então – Gabriel, que já estava interessado, fez uma pose de concentrado e ela deu um risinho – Continue, madame.

- Mamãe dizia que meninas mal-criadas merecem ser trancadas no sótão. Com isso você pode imaginar o resto.

- Você viveu com ela quanto tempo?

- Até os sete anos.

- E por que seu pai não quis ficar com você?

- Ele quis. Tentou conseguir minha guarda várias vezes na justiça. Mas a minha mãe sempre deixava ele me visitar antes da audiência, aí ela dizia que ele me batia, etc. Sendo que era ela quem fazia isso. Com sete anos, ele finalmente conseguiu e eu fui morar com ele.

- Você gosta dele?

- Se eu gosto? – ela abriu um sorriso delicioso – Ele é um herói que salvou daquela... Enfim. Ele é o melhor. – com as lembranças, sorriu – Ele me contava histórias, brincava comigo. Haha. Eu gostava de cozinhar para ele. Íamos para a cozinha e eu fazia inúmeros pratos. Ele provava cada um, por mais horrível que estivesse, ele dizia que estava bom. Mentiroso masoquista. – seu rosto se fechou de novo – Mas então, há dois meses minha mãe morreu e o resto da história você já conhece.

- Se vocês se gostam tanto assim, o que faz neste internato?

- Eu que pedi. Ele andava muito ocupado com o trabalho, mas não queria ser negligente comigo. Aí, eu sugeri isso, assim ele poderia trabalhar sem se preocupar comigo.

- Que boa filha! – ele tinha sido irônico.

- Idiota...

Gabriel se levantou do chão e caminhou por alguns segundos pelo quarto. Kamilla o observava, sem entender.

- Bom... Agora fica mais fácil cuidar da sua insônia. – Kamilla riu do comentário dele.

- Com certeza. – ela permanecia sentada com as pernas cruzadas e ele foi se aproximando.

- Mas! Como eu havia dito... Não estou acostumado com a claustrofobia.

- Então, quem vai precisar de ajuda aqui... É você.

Ele apoiou as mãos sobre a cama, ao lado do corpo de Kamilla, colocando seus rostos bem próximos.

- Está disposta a me ajudar? – ele dizia com um tom malicioso.

Kamilla não respondeu. Sorriu, igualmente maliciosa, e mordeu levemente o lábio inferior de Gabriel. Gabriel riu, aproveitou a deixa e a beijou. Kamilla o puxou pela nuca e Gabriel foi se colocando por cima dela, ambos iam se deitando aos poucos sobre a cama. Quando Gabriel começou a percorrer o corpo dela com as mãos, alguém bateu com força na porta e os dois saltaram, caindo no chão.

- Mas será possível!!!??? – reclamou o loiro.

- Calma, Gabriel. – Kamilla se levantou e viu a porta sendo aberta. Era um dos professores.

- Escutem vocês. – ele dizia – Aqui estão seus pertences. — duas malas enormes foram colocadas ao lado da cama.

- E por que isso? – Kamilla perguntou.

- Vocês vão ficar aqui por um bom tempo. Então trouxemos suas coisas. Mas antes, tiramos tudo o que pode ser usado como arma.

- Tipo? – perguntou Gabriel, já se levantando. O Professor mostrou a mão cheia de objetos.

Kamilla deu uma olhada e levantou uma sobrancelha.

- Lixa metálica de unha? – ela perguntou.

- É arma branca.

- E... Remédios para a cólica? – ela não acreditava.

- Nunca se sabe...

- Ok. Não vai me acontecer nada por agora, então leva e faça bom proveito. – Gabriel deu um risinho cínico.

- Cuidado. Eu posso, muito bem, dar um jeito de estender sua estadia aqui.

- Fique a vontade. – dessa vez, Gabriel se manifestou.

O professor saiu furioso e bateu a porta. Kamilla correu para a mala dela e começou a procurar.

- O que você está fazendo? – perguntou Gabriel.

- Lembra o baile que o diretor queria oferecer?

-Sim, sei.

- Então. Clara me informou que vai ser daqui a uma semana.

- E?

- Você é lerdo, hein? Estou procurando meu vestido e minha máscara, já que vai ser à fantasia.

- Ah, que lindo! Quer dançar é, princesa? – Gabriel cruzou os braços de forma sarcástica.

- Arg, Gabriel! A gente vai fugir daqui... E vamos aproveitar o baile para isso!

- Hum... Será que vai dar certo?

- Tenho certeza, já planejei tudo.

- Só quero ver no que isso vai dar.

- Meu amor... Prepare-se para enlouquecer. Literalmente.

Notas finais
Bom...estamos chegando ao final da história. Quem estiver gostando não esqueça de deixar review. E uma recomendaçãozinha também é sempre bom *--*