Serial Crime
4 Cp 2 - Introdução ao Mistério
As aulas haviam sido suspensas para nossa turma em sinal de luto. Todos voltaram para os dormitórios, trocaram de roupa e se juntaram no grande salão do refeitório para especular sobre o acontecido. Melinda estava sentada a uma mesa junto com Clara, Gabriel e Edgar. Ela estava cabisbaixa, com uma mão sobre a testa, fazendo sombra no rosto; Edgar estava ao seu lado, com um braço sobre seus ombros, consolando-a; com Gabriel e Clara não era muito diferente, as expressões de todos ali eram pesadas, tristes e preocupadas.
- Onde está a Kah? – perguntou Clara.
- Ela disse que iria investigar. – respondeu Gabriel.
- Que falta do que fazer...
Dois minutos depois, Kamilla adentra o salão com um rosto pensativo. Puxou uma cadeira e se sentou com eles, cruzando as pernas e apoiando um braço sobre o encosto da cadeira.
- E aí, o que conseguiu? – perguntou Edgar.
- Disseram que o acharam morto no jardim nos fundos da escola.
- Significa que o assassino é daqui? – perguntou Gabriel.
- Não necessariamente. Significa que o assassino teve muito tempo para despejar o corpo, pois o jardim não fica tão perto assim. E também, o assassino deveria ser forte. Diego pesava 82 quilos, é muito peso para carregar.
- Olha só a detetive... – comentou Clara.
- Pretendo reduzir o número de possíveis culpados.
- Mas, com essa última informação, significa que o assassino pode ser um professor? – indagou Edgar.
- É o mais provável.
Kamilla deu uma olhada para Melinda, estava preocupada com a amiga.
- Mel, como você está?
- Só um pouco abalada. Nada demais. – ela disse erguendo o rosto e olhando para a ruiva.
O dia inteiro foi completamente tenso. Nenhum dos estudantes se sentiu à vontade com nada e sentiam seus corpos mais pesados que o normal. Alguns pareciam se arrastar pelos corredores, sem vontade de fazer nada. Com o passar das horas, caiu a noite e todos foram se deitar ao som do sino que indicava o toque de recolher. Cada quarto do internato abrigava quatro pessoas. Edgar e Gabriel dividiam o quarto com Felipe e Matheus, enquanto Clara, Melinda e Kamilla dividiam o quarto com Bianca.
Todos no internato já estavam adormecidos. No quarto das meninas, quem tinha o sono mais leve era Kamilla.
Bianca havia acordado para pegar um copo de água, mas, quando se levantou, foi envolvida pelas sombras, agarrada por braços fortes que a imobilizavam completamente. Com repulsa e medo da sombra desconhecida, ela tentou gritar, porém seu grito foi rapidamente abafado com um pano que cheirava a éter. Ela foi caindo aos poucos devido ao cheiro. O pequeno e ligeiro som emitido por Bianca foi o suficiente para que Kamilla acordasse.
- Bianca... O que houve?
Ela já estava se levantando, ainda sonolenta, quando viu Bianca nos braços da criatura sombria. Antes de qualquer reação, sentiu um golpe forte na cabeça. Ela, que já estava de pé, caiu desacordada no chão, próxima de sua cama.
Passaram-se alguns minutos desde o acontecimento e, por algum motivo, Melinda acordou. Devia estar abatida ainda com a morte de Diego, que era um de seus amigos mais queridos. Quando ela se levantou, ao atravessar o quarto, tropeçou em algo não muito macio nem muito duro. Caiu de cara no chão e murmurou algo incompreensível. Tentando ver sobre o que ela havia pisado, ela se sentou ao lado do objeto estranho. Ainda estava sonolenta e com a vista embaçada, por isso levou alguns segundos para reconhecer o corpo inerte de Bianca. Sua primeira e única reação foi dar um grito que acordou, pelo menos, os 4 quartos vizinhos ao delas e acordar, principalmente, Clara.
- Me-Melinda... O que você... – ao ver a garota em prantos ao lado do corpo de Bianca, Clara ficou branca e levou as mãos até o rosto, tampando a boca, e murmurou: — Ai, meu Deus...
Alguns dos quartos vizinhos acordaram, incluindo o dos meninos.
- Felipe... Que confusão é essa? – perguntou Gabriel sonolento.
- Parece que veio do quarto das meninas... – dizia o jovem observando pela porta do quarto.
- Melinda! – Edgar, preocupado, saltou da cama em direção ao quarto vizinho.
- Dá para escutar as vozes de Clara e Melinda, mas não consigo ouvir as outras. – ele dizia rapidamente antes que Edgar saísse do aposento.
- Kamilla... – sussurrou Gabriel, já se levantando também.
Edgar apareceu na porta do quarto e ficou pasmo com a cena. Gabriel apareceu meio segundo depois ao lado do amigo e teve a mesma reação.
- O que aconteceu aqui? – perguntou retoricamente Edgar. – Mel! – ele correu para a loira e a abraçou. Ela escondeu seu rosto contra o peito dele, ainda em lágrimas. – Mel! Você está machucada? – ela só balançou a cabeça em forma de negação.
Gabriel olhou o resto do quarto e logo viu Clara ao lado de Kamilla, ainda desacordada, no chão. Ele correu, preocupado, até elas.
- Clara! O que houve com ela?!
- Eu não sei... Eu só acordei por causa do grito da Mel, não faço ideia do que aconteceu. Não quis tocar na Kah, eu tenho medo de fazer algo errado.
Gabriel tinha um pouco de conhecimentos de primeiros socorros, mas não estava muito preocupado em utilizá-los. Virou, devagar, o corpo de Kamilla e percebeu a poça de sangue que se formara no local onde estava sua cabeça.
- Ai, meu Deus! – Clara disse com a voz chorosa.
- Clara, procure um professor. Rápido!
Clara saiu em disparada atrás de alguém que pudesse ajudar. Gabriel ergueu um pouco o corpo de Kamilla, apoiando-o em seus braços. Alguns segundos depois, Kamilla começa a acordar, abrindo lentamente os olhos.
- Kamilla!
- Hum... Gabriel... – ela dizia meio grogue.
- Sente alguma coisa?
- Ah... Só um pouco... de dor de cabeça... – ele suspirou meio que aliviado.
- Fracamente Kamilla... Será possível que você não se preocupa com nada?
- Mas eu to bem...
- Claro... Só perdeu algum sangue, está com um buraco na cabeça, nada demais...
- Engraçadinho... E a Bianca?! – sua reação mudou repentinamente.
Ele olhou para o corpo com uma expressão sofrida e Kamilla seguiu seu olhar. Ela se arrastou com um pouco de esforço até a amiga e com uma feição chocada, vislumbrou o cadáver pálido.
- Bianca...
Mesmo desnorteada, ela olhou bem o corpo para ver se havia ferimentos ou marcas. Ela percebeu que na dobra de um dos braços, havia um pequeno furo de agulha com um líquido prateado, meio denso. Era apenas uma pequena gota. Ela passou o dedo e a pegou. Após ver como o líquido escapava por entre seus dedos, ela concluiu e se expressou incrédula:
- Mercúrio?!
- Como assim? – dia Gabriel se aproximando. Melinda e Edgar já estavam do lado de fora há algum tempo.
- Veja. Injeção de mercúrio.
- Quem em sã consciência...?
- Ninguém que mata uma pessoa é são, Gabriel. Mas com certeza, é bom em química... E tem mais... Ele não está sozinho.
- Com a cabeça aberta você ainda consegue elaborar essas situações?
- O golpe só ajudou.
- Ok, ok. Vou ignora isso e te levar para a enfermaria.
- Mas... – Gabriel passou os braços nas costas e nas pernas de Kamilla e a levantou no colo.
- Depois a gente brinca de detetive.
- Não é uma brincadeira... Idiota... – a última palavra foi sussurrada, mas Gabriel conseguiu ouvir e revirou os olhos em sinal de desaprovação.
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