Serial Crime

5 Cp 3 - Cada vez mais perto...


Gabriel carregou Kamilla até a enfermaria que, na verdade, era um hospital. Aquele internato era diferente dos outros, tinha recursos impressionantes, uma pessoa poderia passar o resto da vida por lá e ter tudo o que precisava. Chegando ao “hospital”, um dos médicos se prontificou a atender Kamilla. A bela moça teve que dar seu jeito para fechar o trauma, pois Kamilla deu chilique quanto ao cabelo e então os fios ruivos se confundiam com o sangue.

- Você é uma garota realmente impressionante. – disse a médica.

- Obrigada.

- Com um trauma desses na cabeça e ainda consegue se manter acordada e pensativa. – disse a médica observando a ruiva “fritar os neurônios”.

- É... Pensando coisas sem necessidade... – reclamou Gabriel ao imaginar que ela investigava o acontecido.

- Ninguém pediu o palpite! – ela retrucou.

- Ridícula.

- Imbecil.

- Amor... – concluiu a médica e os dois lançaram um olhar de reprovação a ela. – Bom, Kamilla... Eu acabei. Fique de repouso enquanto eu peço os remédios que você irá precisar.

- Remédios... Que ótimo...

A doutora apenas saiu e fechou a porta, e Kamilla já estava em pé.

- Onde pensa que vai?! – perguntou Gabriel.

- Me livrar dos remédios.

- Há, não mesmo... – Gabriel agarrou Kamilla pelos braços e a deitou na cama do hospital.

- Ei! Eu vou te processar!

- Por..?

- Assédio, cárcere privado, tortura, ignorar meu livre arbítrio...

- Pode me processar por tentar te manter quieta. Francamente! Tem um buraco na sua cabeça!

- Não tem mais! Ela “costurou” essa coisa que tanto te aflige.

- Kamilla, fique deitada e calada!

Mesmo revoltada, Kamilla o obedeceu. Um minuto depois, Clara entra no quarto do hospital.

- E ai? Como você está, Kah?

- Ótima!

- Em repouso!

- Que saco...

- Huum... Bem... – Clara tentava engatar o assunto – Kamilla, você consegue lembrar o que aconteceu antes de você desmaiar?

Kamilla cruzou os braços e pegou o queixo com uma das mãos.

- Bom... Eu acordei com o grito de Bianca, que logo foi abafado. Eu... vi um homem com ela, ele segurava um pano contra o rosto dela... Depois, só senti a pancada e cai no chão. Não lembro muita coisa, desculpe.

- Não, não. Isso é o suficiente.

- Clara... – disse a ruiva.

- O quê?

- Preciso de um favor. Quero a lista com o nome de todos os alunos da nossa turma e a matéria favorita deles.

- E por que eu faria isso?

- Porque você me deve favores... Além disso, você é a presidente da classe.

- Ah, tá! Que seja! – a morena baixinha saiu enfezada e fechou a porta.

Gabriel observou atentamente o físico de Clara, chamando a atenção de Kamilla.

- Gabriel, o que você está olhando?

- Sabe... A Clara...

- O que tem ela? – ela mudara sua expressão, agora estava intrigada.

- Ela é... fisicamente... muito parecida com a Bianca.

- E estava escuro. – Kamilla começava a entender o que Gabriel queria dizer.

- E as duas dormiam no mesmo quarto.

- E a Clara é a presidente da classe.

- Talvez o alvo não fosse a Bianca... – os dois se olharam assustados.

- Clara não pode ficar sozinha! – Kamilla gritou desesperada e se levantando rapidamente.

- Você deve ficar deitada, eu vou atrás dela!

- Nada disso! Vou com você.

Os dois saíram em disparada pelos corredores, procurando por Clara. Os corredores não tinham iluminação, mas não eram completamente escurecidos. Clara caminhava calmamente, indo em direção ao quarto de um dos professores. Gabriel avistou, antes de Kamilla, Clara andando pelo corredor e uma sombra atrás dela, pronta para atacar.

- Clara!

Ao ouvir seu nome, a morena virou-se na direção do som e deu de cara com o ser sombrio que parecia ter o dobro de seu tamanho. Clara gritou de pavor. Gabriel corria para pegar o “mascarado” e Kamilla corria para proteger Clara. A criatura sinistra saiu correndo pelo corredor, fugindo de Gabriel. A criatura era extremamente rápida, Gabriel não iria conseguir alcança-la. Gabriel se sentiu distante demais das duas garotas e sabia que não iria conseguir alcançar sua presa, então ele deu meia-volta e correu na direção delas.

- Você o deixou fugir?! – perguntou Kamilla.

- Não podia deixar vocês sozinhas.

- Eu mereço!!

- Vou te ignorar... Clara, ele fez algo com você? – ele perguntou.

- Não. – respondeu a baixinha. – Mas eu levei um susto grande demais, meu pequeno coração não aguenta tudo isso. – ela dizia meio que choramingando.

- Vamos pedir para a doutora te receitar um calmante. Não se preocupe, já passou. – Kamilla a abraçou.

Os dois a levaram até o hospital do internato, onde outro médico receitou um calmante natural para Clara. Como ela era fraca com qualquer tipo de medicamento, ela dormiu rapidamente. Enquanto averiguavam seu sono, Gabriel e Kamilla conversavam, aproveitando que logo iria amanhecer.

- Homem, bom em química, alto, forte... – começou Kamilla.

- Corre muito rápido e não gosta da presidente de classe. – e concluiu Gabriel.

- Acho que, com essas informações, dá para restringir bastante o número de suspeitos.

- Agora, a prioridade é ficar de olho na Clara.