Notas iniciais
Primeiro capítulo! Estou ansiosa! Verdadeiramente! Espero que gostem! Beijos (:

A única coisa que desejava era ter sido um pouco mais astuta. O problema não é com as pessoas que confiam em você, mas sim nas pessoas que você confiou errantemente. Manicômio e cativeiro deveriam ser sinônimos. Não conseguia enxergar uma diferença tão berrante nisso. Pois aquele manicômio mais parecia ser um cativeiro, para aprisionar algum tipo de ser humano perigoso. Como vim parar aqui? Isso eu devo as minhas más escolhas e más atitudes. Preferi confiar nas pessoas erradas. Foi para elas que contei meus segredos e até sobre aqueles sonhos estranhos. Contei sobre o coelho branco, sobre o chapeleiro maluco e até uma rainha que detestava suas rosas brancas.

Chamo-me Alice.

Numa tarde de domingo foi onde tudo começou. Onde estava sentada sozinha lendo algum livro sobre as guerras napoleônicas no jardim. Chegaram invadindo minha casa, exigindo boas provas que minha saúde mental não mostrar nenhuma anomalia. Meus pais não disseram nada, apenas com um urro chamaram-me da varanda. Com um solavanco empertiguei-me e corri em direção a minha casa.

Diversas desconhecidas pessoas cercavam meus pais e minha casa. Eu senti um calafrio passar por minha espinha. Quem seriam aqueles? Distintas possibilidades passam por sua cabeça quando se tem treze anos. Naquela época havia acabado de fazer treze anos e como presente havia ganhado um vestido azul. E fazia questão de usa-lo todos os dias, inclusive aquele.

Meus pais se despediram brevemente com um certo temor nos olhos. E prometeram a mim que quando estivesse boa iriam tirar-me daquele lugar. ‘Estaria eu doente?’, perguntei-me várias vezes ao passo que era colocada em uma maca desconfortável a caminho de uma pequena ambulância.

Desde aquele dia nunca mais tive algum contato com meus pais. Eu estava trancada em uma sala, isolada do mundo, sozinha. Minha única companhia era o barulho em minha cachola. Gritei e esperneei atrás de enxotá-los de uma vez de minha cabeça. Eu os detestava. Justamente eles que colocaram-me naquele lugar.

Todo dia era mesma coisa. Eu apenas sabia que era dia ou noite olhando pelas frestas da janela de madeira da minha “cela”.

Os médicos ou enfermeiros não trocavam palavra alguma conosco — doentes mentais —, e até mesmo alguns doentes mentais não falavam. Ninguém tivera algum tipo de curiosidade em trocar uma palavra comigo. A não ser Frederich, um adolescente de mais ou menos minha idade.

Rapidamente, nos tornamos melhores amigos. Ele insistia comigo que as pessoas loucas eram as melhores e dizia que eu era uma. De inicio encarei-me isso como um insulto, porém aos poucos fui abaixando a guarda, dando meu braço à torcer. Viramos melhores amigos, e por um singelo momento pensei que as coisas não estivessem tão ruins para o meu lado.

Ele abandonou a ala de doentes mentais para a ala de fim de tratamento. Logo cedo estaria longe do manicômio e voltaria para casa. Novamente estava sozinha com meus barulhos.

Sonhei diversas vezes com Frederich e com uma lebre sem muito juízo. Senti-me mais sozinha. Determinada vez até pensei que fosse realmente louca. Talvez fosse meu destino. ‘Pobrezinha da Alice!’, já conseguia escutar as respectivas vozes de Corine e Lily, zombando de mim. Minhas primas eram cruéis comigo. Falavam que eu era louca por ter uma imaginação fértil. Meu ego desmanchou-se e se decompôs. Eu era louca. Por quê? Havia matado alguém para ser sujeita a uma maldição como aquela?

Nesta noite chorei incontáveis lágrimas. Ninguém importava-se comigo. Eu era louca e minha a única coisa que eu poderia fazer era agarra meu vestidinho azul que de tão usado já puído, e dizer que não estava louca. As lembranças voltavam à tona uma vez colocada-o perto de mim.

— Não, não tenho tempo! — tão insuportavelmente conseguia escutar aquela vozinha familiar.

Me virei para o fundo da cela e vi que a única coisa que poderia ter me chamado era a parede cinza. Era a centésima vez que chamava-me naquela tarde de novembro. Com a aproximação de meu aniversário de dezessete anos, os murmurinhos e sussurros tomaram outra proporção. Agora não era só mais vozes, e sim imagens que surgiam do nada ao meu lado. Possivelmente louca!

Tamborilei meus dedos na escrivaninha de cascalho e pensei quando estaria livre daqui? Quando aqueles murmúrios iriam parar de atormentar.

— Alice, qual é a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha? — ele indagou para mim. Eu neguei firmemente com a cabeça. Ora, que pergunta mais complexa!

Eu iria surtar algum dia, eu esperava. Por enquanto agarrar-me a alguma lembrança feliz tornava meu estado psicológico mais estável. Só não esperava que esse dia estaria se aproximando tanto, e estava seguindo o mesmo andar da carruagem do meu aniversário.

No dia oito de dezembro bateram e minha porta com extrema força. Era a maneira mais bruta e eficiente para acordar doentes. Não estavam pouco se lixando caso hoje fosse ou não meu aniversário. Abri os olhos com dificuldade e deparei-me com aquele teto branco tão desprovido de vida.

— Feliz aniversário, Alice. — falei sozinha. Sorri levemente, apenas usava meu vestidinho em datas especiais como meu aniversário e natal.

De repente a pequena entrada para a refeição se abriu e em uma pequena placa de metal, havia um bolinho cor de rosa. Em um piscar de olhos, a mesma pequena entrada fechou-se, exibindo no chão de minha cela o bonito bolinho.

Eu era uma criança esfomeada com alguns anseios na pele. Peguei-o com delicadeza analisando, havia passado um determinado tempo, fazia tempo que nãovia uma coisa tão charmosa como aquele bolinho. Em sua superfície estavam gravadas apenas duas palavras que tratei de obedecer a seu pedido.

— Coma-me. — eu li e no mesmo instante abocanhei o bolinho, não deixando migalhas alguma devido a fome.

Eu surtei. As coisas tomaram outra dimensão, minha cama que considerava muito pequena estava enorme e o pequeno buraco em minha cela para a passagem de ar estava enorme. Como aquilo era possível? Pisque os olhos diversas vezes e belisquei-me.

— Vamos Alice! Não temos tempo! — a voz familiar soou em meus ouvidos. E daquela vez quando me virei encontrei seu dono. O coelho branco que tanto sonhava.

— Como assim, senhor coelho? — perguntei.

— Vamos minha jovem, não temos muito tempo! A rainha de copas irá cortar nossas cabeças! — ele disse apressando-me para entrar naquele buraco que antes era da saída de ar. Uma porta revelou-se lá e uma grande chave estava ao seu lado.

— Não compreendo. — permaneci com minha insistência.

— Ora, Alice, vamos logo! Pegue logo essa chave e abra o portal! — requereu o coelho branco com pressa e em cada instante ele olhava de soslaio para seu relógio de bolso.

— Está bem. — rendi-me como facilidade e naquele corpinho pequenino peguei a chave com dificuldade, mas facilmente encaixei-a em sua fechadura. Um alto click encheu a cela de ecos.

— Para onde vamos? — indaguei na beirada do portal.

— Ora, não seja boba, Alice! Vamos para o País das Maravilhas! — findou o coelho branco.

Notas finais
O que acharam?