Notas iniciais
Capítulo dois já postado! *-*

Acompanhada do coelho branco de olhos cor-de-rosa, adentramos em uma espécie de universo paralelo. Não havia visto coisa como aqueles desde meu nascimento. Oh, havia sim. No entanto tudo carecido aos meus sonhos excêntricos. O recinto parecia ser um vasto jardim exótico, onde as coisas inanimadas ganhavam vida e animais falavam. O local também era totalmente verde e deleitável, em relação a cidade grande que habitava. Londres sempre era cinza e sem vida. O País das Maravilhas era cheio de cor e vida. Mas até agora não entendia o propósito de está ali presente.

— Senhor coelho, desculpe-me. Mas por que estou aqui? — devassei coçando de leve a cabeça. Ele apenas puxou de seu colete o relógio de bolso novamente.

—Não temos tempo para suas perguntas estúpidas, Alice. — ponderou normalmente inda rumando para algum lugar que desconhecia.

— Isso não passa de um sonho! — exclamei exasperada. O coelho branco que, anteriormente estava de costas, virou para mim com sua face carregada de assombro.

— Alice, não seja ingênua. Isso não é um sonho! — persistiu o coelho. — Agora vamos! Estamos atrasados! Se a Rainha de Copas te vires, irá cortar nossas cabeças! — ele findou empurrando-me de leve.

Cortar nossas cabeças? Um calafrio atingiu-me de maneira drástica. Se aquilo não era um sonho, então perder a cabeça seria fatal! Tratei de não conversar muito e segui os passos do coelho branco através dos desconhecidos arredores. A caminhada até o incógnito destino não demorara muito, mas atiçara minha curiosidade e mergulhou-me em um conflito interno maior que imaginava. Lembrava-me cada vez mais de meus sonhos. As flores olhavam para mim de maneira desdenhosa e alguns animais levantavam suas orelhas com meu passar.

E com facilidade consegui avistar um moinho em destroços, logo ao seu lado uma mesa estava posta — acreditava eu, que ela estava servindo alguma espécie de banquete... ou chá. Uma grande pontada em meu estômago, deu-me a impressão que minha cabeça rodava. O coelho branco não deu-se o trabalho de olhar para trás, olhar para mim.

Meu campo auditivo conseguira captar todo o barulho que estava sendo feito perto da determinada mesa.

Ali estava a lebre sem juízo!

Estreitei os olhos observando meticulosamente como movimento que fazia, sem querer deixei um riso rouco sair de minha boca. A lebre insistia com a arganaz de servir chá em uma xícara furada. Divertia-me analisando a cena um tanto cômica e pitoresca, até bruscamente o coelho branco gritar uma pergunta para a lebre de Março:

— Onde está o Chapeleiro Maluco, lebre? —inquiriu o coelho branco aproximando da mesa mexendo com suas pontudas e longas orelhas brancas.

— Chapeleiro? Chapeleiro? Maluco? Maluco? — a lebre surtou e começou a dar gargalhadas. — Alice! Alice! — a lebre articulou apontando para mim diferentemente. Fora o bastante para eu sair da sombra do coelho branco, infelizmente voltei para sua sombra, quando a lebre atirou-me uma xícara.

— Por que fizera isto? — indaguei um pouco valente, encurtando a distância que tinha entre a mesa. Tomando a frente do coelho branco.

— É ela! É ela! Ela irá nos salvar! — disse a lebre de Março erguendo a arganaz.

— É ela! Alice! Alice! — disse a lebre e a arganaz em coro. E principiaram a mover-se em uma suposta de dança. Felicitando minha presença.

— Irei lhes salvar? De quê? — perguntei diretamente para a lebre, ela encontrava-se ocupada comemorando com a arganaz. — Hein? — indaguei virando-me para o coelho branco.

— Não temos tempo, Alice! Devemos achar o Chapeleiro Maluco, ele deve está correndo perigo! — o coelho branco tratou de ignorar minha pergunta por completo e apressou-se com passos céleres e compassados.

— Por favor! Responda-me! — pedi encarecidamente.

— Alice, minha jovem! Prometo-te que irei explicar detalhe por detalhe! Mas devemos achar o Chapeleiro Maluco! — orou manejando seu relógio de bolso.

Como uma pessoa paciente, não proferi nenhuma palavra. Permaneci calada até deparar com um corpo listrado se balançando no vácuo. Cutuquei o coelho branco na tentativa de chamar sua atenção, mas não consegui capturá-la. E esse corpo listrado foi cada vez se distanciando, algo em mim, provavelmente minha intuição, dizia-me para segui-lo. De desencontro com o coelho branco, fui seguindo com atenção o corpo listrado em cada pequeno lugar daquele jardim ou floresta.

Não demorou muito e uma risada ecoou pelos meus ouvidos. Assustei-me de leve e vi que o corpo listrado não estava mais ali, em seu lugar um gato sorridente descansava em uma árvore.

— Olá Alice! — saudou o gato com um sorriso de ponta à ponta. ‘Como ele sabia meu nome? Aliás, como todos ali sabiam meu nome?’, perguntei a mim mesma.

— Olá...

— Gato de Cheshire. — ele disse.

— Como sabe meu nome? — indaguei com os olhos chamejando de curiosidade. Ele, pelo menos, aparentou admirado com minha dúvida.

— Alice? Lembre-se...

Baralho. Rainha de Copas. Valete de Copas. Festa da hora do chá. Cortem suas cabeças! Quem é você?

— Alice? Alice! — gritou o gato de Cheshire.

Abri os olhos abruptamente. Havia desmaiado? Sim, eu havia. Uma vez que trocava algumas palavras com o gato de Chesire na floresta, e agora estava rodeada de pessoas em uma pequenina casa.

— Ela acordou? — perguntou uma mulher ruiva.

— Acho que não. — disse um garotinho meio gorducho.

— Ela acordou sim, Tweedledee! Olhe, ela está com os olhos abertos! — disse outro garotinho muito parecido com o outro. Seriam gêmeos? São sim, lembro-me deles muito bem em meus sonhos!

— Acordei sim! — disse sentando-me na cama.

— Olhe o que fizeram! Acordaram-na! — reclamou a mulher ruiva balançando a cabeça negativamente para os gêmeos.

— Desculpa, Duquesa. — disse os gêmeos.

— Tudo bem, Tweedledee e Tweedledum! Agora deixe o lugar. Quero conversar com ela. — pediu gentilmente.

— E o gato de Cheshire? — perguntou os gêmeos fazendo beicinho.

— Sou sua dona, ele pode ficar aqui. — disse a Duquesa.

Provavelmente, a Duquesa feriu o ego dos gêmeos engraçadinhos. Ambos fizeram questão de deixar o cômodo. Largando-me com a Duquesa e o gato de Cheshire. Suspirei um pouco incomodada com a autonomia que ela exercia naqueles gêmeos. Quando a porta bateu atrás de nós, ela virou-se para mim com o gato de Cheshire nos braços.

— Pobrezinha, deve está assustada. Nem deve lembrar quem somos...

— Não, eu lembro sim! — eu a interrompi rapidamente aprumando-me na cama.

— Glória! Pensei que a Rainha de Copas havia apagado toda e qualquer lembrança que você tinha de nós! — ela suspirou tranquila. — Está vendo? Ela se lembra de nós! — a Duquesa sorriu enquanto acariciava a barriga peluda do gato de Cheshire.

— Ela pode lembrar-se de nós, mas ainda está se perguntando o que faz aqui. — ele disse.

— Mesmo? — indagou a Duquesa, ela tornou a me observar e deixou o gato de Cheshire no chão, onde ele logo desapareceu.

— Isso não passa de um sonho, não é? — perguntei um pouco suspeita.

A Duquesa soltou um riso e sentou-se na beira da cama. Ela alisou meu rosto com as costas de sua mão, que era incrivelmente macia.

— Não, Alice. Não é um sonho! — ela sorriu gentilmente. E logo beliscou minha bochecha. — Está vendo? Não é um sonho. — concluiu.

— Não entendo, vocês não são frutos de minha doença, não? — perguntei arqueando uma sobrancelha.

A Duquesa negou com a cabeça.

— Não, Alice. Primeiramente, você não é doente! Você é especial por ser maluca! Todos nos somos assim! — ela alargou seu sorriso. — Você é a Marcada. Você tem uma missão, de nos salvar da Rainha de Copas! — ela respirou e puxou uma caixinha de baixo da cama. E dela tirou um pincel sujo de vermelho. Entregou-me com cuidado.

— Eu pintei as rosas de vermelho. —eu disse aleatoriamente.

— Sim, criança. Você as pintou de vermelho e nos poupou de uma morte horrível. A Rainha de Copas não cortou nossas cabeças... — a voz da Duquesa adquiriu outra sonoridade. Ela pareceu mais tristonha. — Ela tirou você de nós. Nosso maior bem. Ela sabia que você estava marcada, você iria destruir o reinado dela. Apagou sua memória e mandou você para o mundo dos Céticos. — ela deixou uma lágrima brotar de seus olhos.

— Oh, não chore. — pedi olhando bem em seus olhos, mostrando-lhe segurança.

—Alice, você é nossa maior e única esperança! Você poderá trazer paz para o País das Maravilhas! Você deve! A Rainha de Copas está atrás de cortar nossas cabeças!

— Por quê? — perguntei horrorizada.

— Nós te protegemos. Você é do bem, mas a Rainha de Copas acha que és uma impostora que quer roubar a coroa. Desde sempre, ela nutre uma antipatia por nós, mas quando você apareceu ela passou a nos odiar. Vivemos em silêncio agora, porque qualquer pista que nós dermos, ela irá atrás de nós! — a Duquesa explicou confiante e mostrando a magnitude do problema.

— O que devo fazer para trazer a paz de volta? — indaguei sem muita fé em mim mesma. Eu não era grande coisa.

— Deve trazer para nós o cetro de copas. É onde a Rainha de Copas consegue tanto poder. — ela disse com os olhos brilhando esperança.

— E como eu devo fazer isso?

— Deve achar o Chapeleiro Maluco e o Coelho Branco! — ela disse ocupando-se e pegando um porta-retratos do criado mudo ao meu lado.

— Quem é o Chapeleiro Maluco? — perguntei. Eu tinha em mente alguém, porém a lembrança ainda estava muito vazia.

— É ele. — ela entregou o porta-retratos e eu virei para olhar.

Era Frederich.

Notas finais
Comentem, please. Daqui a pouco perco a vontade de continuar a fanfic!