Serendipidade
5 Intrusa?!
Notas iniciais
Anna POV's
Estávamos conversando até que percebemos um silêncio no refeitório. Todos os olhares se direcionavam para uma menina. Baixa, metida, loira... Foi o que consegui ver.
— O que ela está falando? — Harry bebericava seu café.
— Não sei, não dá pra ouvir — dei de ombros.
— Quero saber o que Ashley está dizendo! Alguém, por favor, pode ir lá e me contar depois?
Emma, a curiosa! Gargalhamos alto mas logo ela mesma se levantou e foi até a mesa de Ashley.
— Ei! — um grito ecoou por todo o lugar, o silêncio foi feito novamente.
Dessa vez deu pra ouvir o que ela falava. Com aquela voz fina e calma, rouca até. Uma voz sensual na opnião dos meninos.
— A festa é na sexta, todos estão convidados... Menos a brasileira intrusa!
Brasileira?! De quem ela está falando? De mim, da Fernanda ou da Rafa? A não ser que tenham outras brasileiras por aqui. Todos olhavam para nossa mesa.
— Ela não está falando de mim, está?
— Acho que não. Se fosse com você, ela já estaria aqui, te enchendo.
— Ótimo, então não é comigo — senti o alivio tomar conta do meu corpo.
Os olhares estavam todos apontados para nós. Isso já estava me encomodando.
— Ops, a brasileira não está presente. Que peninha — Ashley ria como se fosse a vitoriosa, e eu ainda queria saber de quem ela estava falando.
A porta do refeitório foi aberta, trazendo o ar gelado. E foi nesse momento em que os olhares que antes se encontravam na mesa em que eu estava, foram direcionados a porta. Para ser mais clara, direcionados para Fernanda e Louis.
— Ei, garota! — Ashley apontou para Fernanda e eu senti o meu corpo gelar, não por conta do frio, por conta da aflição.
Se eu bem conheço a Fernanda, ela deve estar procurando o buraco mais próximo para se esconder. Eu sei o quanto ela odeia ser destacada assim.
Louis POV's
Eu já sabia pelo que Fernanda contara, que Ashley já tinha um tipo de implicância com ela. Só não imaginava que as coisas poderiam chegar a esse ponto tão rápido.
— O que você quer? — Fernanda estava insegura, segurei seu braço.
— Apenas avisar que você não é bem-vinda na minha festa...
— Huh? Só isso? — Fernanda gargalhou.
— Como assim "só isso"? Vou dar a festa, e você não está sendo convidada — Ashley deu ênfase ao "a festa".
— Aham, já acabou? Será que eu posso me sentar agora?
Ashley olhou furiosa para nós. E conforme os risos e deboches contra ela foram surgindo, ela saiu de perto dando paços longos.
E, eu percebi o quanto Fernanda se esforça pra parecer forte. Sendo que ela não é, ela não é forte, ela é frágil.
— Vamos — segurei sua mão e fomos até a mesa em que Anna estava.
Senti meu coração apertar ao perceber que as mãos de Fernanda estavam geladas e suas pernas estavam bambas. Ela realmente não estava bem. E eu me sentia mal por não poder ajudar. Nos sentamos e logo Anna foi abraçar a amiga.
— Eu estou bem, calma — Fernanda ria, mais uma vez tentando não demonstrar o que sentia de verdade.
Conversamos sobre qualquer coisa. Sete e quarenta e dois, daqui a dezoito minutos o café da manhã acaba.
— Me digam uma coisa, o cardápio do café da manhã não está em inglês, por quê? — Anna quis saber.
— Ah faz parte da nossa aula de francês. O refeitório serve comida francesa e sim, o pedido deve ser feito em francês.
— Francês?! Eu não falo francês, o meu "oui" é pronunciado errado. Vocês devem estar brincando comigo! — Gargalhamos, Anna estava entrando em pânico.
— Não é brincadeira, acredite — sorri sarcásticamente.
— E você, Nanda?
— O que tem eu? — Ela estava distraída.
— O que acha de nós termos que fazer o pedido em francês?
— Acho ótimo! Jura que temos que fazer isso? — Ela sorriu.
— Juro. Por que ficou feliz?
— Oh, então você não sabe? Fernanda é uma francesa nascida no Brasil. Sério, ela ama a França — Fernanda enrubeceu.
— Então isso quer dizer que eu não tenho que passar a cola das provas de francês, nem fazer os pedidos sozinho! — Harry ria que nem uma criança.
— Harry, você fala francês?! — Fernanda o encarou surpresa.
— Oui, mademoiselle.
— Seu lindo! — gargalhamos — Oh não, Rafa, não fique com ciúmes, eu estava brincando!
Rafaella disse algo que não entendemos. Algo em outra língua.
Me levantei para pegar o meu café, antes que desse a hora de ir pra aula.
— Alguém vem comigo?
— Eu né — Fernanda se levantou e mais uma vez me peguei olhando para suas pernas, me senti um idiota fazendo isso.
— Anna, e você? — Resolvi perguntar, antes que começassem comentários do tipo que eu não desgrudo da Nanda agora.
— Estou sem fome — concordei e deixei a mesa.
Todos me olhavam, e eu sabia o porquê. Apenas ignorei.
— Hey Louis! — Pierre parou para me cumprimentar.O que foi bastante estranho. Pierre me odeia. Ele foi reprovado no ano passado e agradeço por isso...Por não ter que aguentá-lo na turma esse ano.
— Oi, Pierre.
— O que houve com Eleanor? — Então ele olhou para Fernanda.
Sabia que esse garoto não ia me deixar em paz.
— Ela está bem, por que o interesse?
— Por nada, só imaginei que tivesse arranjado outra — ele riu baixinho.
Me afastei dele, Fernanda já estava com sua bandeija em mãos, esperando sua vez na fila.
— Então, quem é Eleanor?
Fui pego de surpresa. De uma forma esquisita, eu não queria contar a Fernanda que eu tinha uma namorada. Mas eu tinha, tenho! Olhei para os lados, não encontrava uma resposta que pudesse esconder a verdade. E por que eu queria fazer isso? Por que não quero contar a Fernanda que tenho uma namorada? Amigos não mentem, e foi assim que criei coragem para dizer algo que mudou completamente o meu dia.
— Minha namorada...
Fernanda tropeçou e quase derrubou a bandeija no chão.
— Está tudo bem?
— Hã? Ah sim, claro, está tudo...Ótimo. É, ótimo.
Eu sabia que ela estava mentindo. Mas, por quê? Por que ela estava mentindo pra mim? Havia algo com ela, eu não sabia o que era, e eu precisava descobrir.
— Não quero abusar, mas, você pode fazer o meu pedido também?
— Deus, você estuda aqui há três anos e não aprendeu a fazer um pedido? — Ela riu.
— Claro que aprendi! Mas meu francês é vergonhoso — fiz charme.
— Ande. Faça seu pedido, e então eu vou saber se o seu francês é tão ruim assim como fala.
— Très bien...
Fernanda POV's
Cheff Armand parecia simpático, mas se aborreceu quando ficamos conversando na fila ao invés de fazer o pedido. Cutuquei Louis e logo ele retomou sua pose de bom-aluno.
Louis fez seu pedido em francês impecável. Eu fiquei surpresa, ele falava tão mal de seu francês. Me perdi em pensamentos ao vê-lo pronunciar "merci".
Como pode um menino estúpidamente lindo, ficar ainda mais lindo por conta de um simples sotaque?! Céus Fernanda! Ele tem namorada...Como posso pensar nessas coisas? Me arrependi de imediato por ter pensado em coisas entre nós.
Depois de fazer meu pedido, agarrei a bandeija. Por quê todos insistiam em olhar pra mim?
— Fefa, algum problema se eu for andando com Emma, Zayn e Rafa para o pátio?
— Nenhum problema — sorri pra Anna.
Ela queria mesmo se aproximar de Zayn, e eu apoiava isso. Os três deixaram a mesa, Louis e Harry ficaram para me fazer companhia.
— Como foi que a Anna te chamou? — Harry parecia confuso.
— Fefa — eu ri.
— Fef...Feh...Desculpe, é complicado pra mim.
— Sem problemas, sr. Styles.
— Ou, quem te disse isso?
— Hum, por acaso, seu melhor amigo.
— E, por acaso, meu melhor amigo te contou do apelido que a mãe dele deu a ele?
Olhei Louis que estava sorrindo sem graça antes mesmo de Harry falar e fiz que não com a cabeça.
— Boo Bear, não é Lou?
— Awn, Boo Bear, é a sua cara! — Eu e Harry nos divertíamos rindo.
— Vocês são perfeitos um para o outro, sabia? Olha Harry, nunca pensei que alguém fosse acompanhar seus comentários no mesmo ritmo. E a risada de vocês é totalmente parecida, e ah, um detalhe não muito importante mas que conta, ela também fala francês!
Louis parecia irritado, como na hora em que Josh nos cumprimentou. Eu não entendia essa mudança de humor.
Olhei para Harry, pedindo uma explicação para isso, ele apenas gesticulou para que eu não falasse nada agora.
Terminamos nosso café e fomos andando, em silêncio, para o pátio.
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