Serendipidade

4 Com licença, posso entrar?


Notas iniciais
Boa noite e boa leitura! haha :) xx

Anna's POV

Uma, duas, três, quatro batidas na porta. Fernanda não atendia.

— Será que ela já foi? — Emma trancava seu quarto.

— Não, ela não iria sozinha. Tímida demais para isso.

— Tímida? Mas ela me pareceu bem á vontade ontem.

Franzi o cenho e bati na porta mais uma vez. Nada da Fernanda. Resolvi ir andando com Emma e o pessoal. Talvez a Fer estivesse na escola realmente. Nunca se sabe.

Chegamos ao hall. Todos já estavam nos esperando, exceto Louis.

— Bom dia, achei que tivessem se perdido — Zayn riu.

— Er, bom dia. Fernanda se atrasou, na verdade, não sei o que houve.

— Como assim?

— Batemos na porta, ela não atendeu.

— Talvez ela já tenha ido.

— É, e o Louis?

— Se atrasou. Ele foi dormir tarde, acabou perdendo a hora.

— Ah sim.

— Vamos? Eu preciso comer! — Emma cruzou os braços, nós rimos.

Sete e vinte. Residencial Foreigners estava ficando vazio aos poucos.

Fomos de encontro ao colégio...Meu coração doía, minha mente viajava. Não sei o que me espera.

Fernanda's POV

Nada melhor do que acordar, perceber que está atrasada para o seu primeiro dia de aula numa escola totalmente desconhecida, ver que o seu uniforme ainda está na mala, e sua amiga não atende o telefone!

Ouço na tv a jornalista falando: Ficamos por aqui, tenha um bom dia. Quanta ironia em uma frase só. Bom dia? Quem está tendo um bom dia aqui?

Entrei em desespero, comecei a chorar. Claro, porque ir com os olhos vermelhos para a aula com certeza vai me tornar ainda mais linda.

Por que sempre me atraso? Ou melhor, por que as coisas nunca dão certo pra mim?

Bateram na porta...Abri e nem olhei pra ver quem era, só a Anna vem no meu quarto.

— Com licença, posso entrar?

— Ah, oi! Pensei que fosse a Anna — quis morrer por ter parecido seca com o Louis.

— Bom, se quiser eu posso ir lá chamar ela, sem problemas.

Ah meu Deus, ele está me vendo desse jeito. Não acredito! Mas também não me importo, e daí que eu estou usando um pijama do batman?!

— Fecha a porta, por favor — limpei o rosto e tentei ajeitar o cabelo.

— Está tudo bem? Você está chorando?

— Sim, está tudo bem. Eu só me atrasei, e acabei entrando em desespero — eu ri, vendo que isso era estranhamente engraçado.

— Entendi. E, ah, belo pijama — ele gargalhava.

— Rá, rá! Será que você pode parar de rir e me ajudar?

— Tudo bem, dona Fernanda. Para de chorar e faz uma coisa de cada vez.

Fui tomar meu banho, enquanto Louis revirava minha mala para achar meu uniforme. Entenda por uniforme: blusa, saia, meia, blazer. Era tão mais fácil quando uniforme se resumia a uma blusa, calça jeans e tênis.

— Achei! — eu ri e desliguei o chuveiro.

— Trás aqui.

Fiquei atrás da porta, ele abriu e me entregou o uniforme.

Puxa daqui, puxa dalí. Esse uniforme encolheu! Pronto! Entrou.

— Que tal? — Louis me olhou de cima a baixo, sério.

Eu finalmente consegui encará-lo. Ele é...bonito. Pele corada, cabelo castanho claro desarrumado. Olhos perfeitos, boca perfeita. Nenhum defeito. E, por Deus, quem resiste ao sotaque inglês? Chega Fernanda, chega! Louis é apenas um amigo. Amigo.

— Você está, ótima — sorriu sem graça.

— Ótima? — fiz careta.

— Vamos, ou você não vai conseguir comer.

— Vamos, claro!

Peguei a bolsa e fui tentar fechar a porta. Me enrolei, deixei a chave cair. Abaixei para pegar a chave e quando levantei, me senti tonta, dei uns passos para trás.

— Ou! — Louis me segurou.

— Acho que ainda não acordei direito — sorri e me ajeitei.

— Olá, atrasados — um homem forte e atraente apareceu no corredor.

— Olá, Josh — Louis parecia irritado.

— E a senhorita, quem é?

— Oh, Fernanda. Muito prazer.

— O prazer é todo meu — sorriu e beijou minha mão, fiquei sem graça.

— Desculpe a pergunta, mas você é francês? — ele arqueou uma sobrancelha, sorriu de lado e me encarou novamente.

— Sim, mademoiselle. Como descobriu?

— Seu jeito, seu sotaque... — Louis olhou o relógio. Claro, temos que ir.

— Até mais, Fernanda. E, tchau, Louis.

Saímos em silêncio, o que não é normal. Louis nunca fica quieto. Resolvi não interferir...

Chegamos a escola. Antes que eu pudesse entrar, fui "parada".

— O que? — olhei para os lados, procurando explicação.

— É a sua primeira vez aqui, não seria melhor entrar com o pé direito? — gargalhei.

— Sim, Lou. Mas só porque não tem ninguém olhando.

— Então eu não conto? — fez beicinho.

— Conta, lógico. Mas você não vai falar disso com ninguém, certo?

— Hum, veremos — fiquei de boca aberta e acertei um tapa em seu ombro.

Estiquei a perna direita e, sim, fiz essa idiotice. Quem sabe isso não me trás sorte.

Louis sorriu e puxou minha mão, beijando-a.

— Bem vinda, Fernanda.

Notas finais
Espero que tenham gostado, porque eu simplesmente amo esse final, bjs auhsaushauhs