Separados Pelo Passado
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Vinte dias poderia ser interminável, conforme Oliver descobriu. Principalmente quando a gente tinha um monte de coisas entaladas que não conseguia colocar para fora. Ajudou um pouco o fato de ele ter conseguido arrumar algumas discussões, tanto com Thommy, quanto com Thea. Mas não era o mesmo que ter um confronto com Felicity.
Ajudou também o fato de o Topázio estar iniciando os trâmites de pesquisas, cotações e a elaboração da nova linha completa, não seriam os doze passos que as orientais ostentavam, mas a linha era composta por cleasing Oil, cleasing foam, lotion, essence, hidratante e eye cream,por hora era somente um projeto em análise e provavelmente levaria meses até conseguir coloca-lo em prática, mas toda a burocracia tinha o poder de tomar tanto do seu tempo e da sua concentração. Oliver não podia se dar ao luxo de pensar nela, era o que dizia a si mesmo. Mas daí recordava de onde veio à sugestão de seguir os passos dos asiáticos.
Oliver suspirou alto,Felicity parecia estar em cada pedacinho da sua vida, no seu trabalho e na sua família.
E o pior é que não tinha mais forcas para lutar contra, sentia uma falta absurda dela..
Novamente suspirou, o dia parecia muito longo e pouco proveitoso.
Olhou no relógio e descobriu que o horário do almoço já havia passado.
Pegou o celular e as chaves do carro, hoje iria à mansão ver a sua família, especialmente ver o seu pai. Antes que uma vozinha lá no fundo falasse que ele estava indo na mansão para ver certa loira ,o empresário a bloqueou.
Oliver mal desceu do carro e já estava fiscalizando cada canto do enorme loteamento. Aquele lugar poderia ser um condomínio de luxo, com certeza seria possível construir umas dez mansões naquele tanto de espaço.
Logo avistou o seu pai no orquidário, estava sentado numa namoradeira com um livro e caneta nas mãos. Do outro lado da mesa estava uma jarra com limonada e aperitivos saudáveis.
Robert acabou cedendo aos gritos de Thea,o patriarca deu a sua palavra a filha mais nova. Faria o possível para tentar viver melhor e mais saudável, queria estar saudável e vivo para ver os desdobramentos que a vida estava lhe dando.
Oliver se aproximou e percebeu que não se tratava de um livro, e sim uma revista com caça palavras.
—Oi,Pai!.....Tarefa difícil hein?
Oliver fazia uma força pra parecer natural, o pescoço quase ficando torto de tanto olhar para os lados. Mas nada de avistá-la, tinha sido assim nos últimos quinze dias.
—Difícil é essa sua tarefa de tentar fingir ser indiferente quando na verdade esta louco pra vê-la. ..Isso aqui-Robert agitou a revista- É viciante e mantém o cérebro em atividade. Claro que seria um passatempo inteligente e criativo, você sabe de quem partiu a ideia. .Ela é cheia de opiniões bacanas.
Robert abaixou os óculos e encarou o filho.
Oliver estava uns dois quilos mais magro, tinha olheiras e a aparência estava abatida. Pelo visto o seu filho tinha voltado aos velhos hábitos de trabalho.
—Não vai responder malcriado ou me mandar cuidar da minha vida?-Robert provocou, nos últimos dias o ex escritor estava escutando essa frase com muita frequência.
—O senhor já sabe que precisa cuidar da própria vida, não precisa que eu vire um papagaio repetitivo.
Oliver puxou uma cadeira e sentou. De longe viu a agitação de dentro do estacionamento privativo e um carro saindo,sua pulsação aumentou pensando se tratar dela, aquela que não devia ser pronunciada.
—Se continuar se alimentado tão mal, não vai demorar e vai estar parecendo esse papagaio que você falou, sua coloração está um pouco esverdeada-Oliver ignorava na mesma medida que encarava o carro passando pelo portão — Pode piscar meu filho,se ficar vidrado por muito tempo a coisa vai começar a ficar assustadora. E aquela não é ela.. Sua irmã foi convidada a participar de uma avaliação vocal..Aquele vídeo que a ....Minha garotinha loira postou, pareceu repercutir muito. Atraiu olhares para a nossa Thea..Sua irmã está muito empolgada.
Oliver sorriu amarelo e concordou.
—Que bom.-Foi tudo que conseguiu falar. -Fico feliz por ela.
Robert colocou a revista na mesa e começou a ler uma das dicas para matar a charada.
—Teimoso e cabeça dura feito uma mula, tem a letra O.
Nem assim Oliver se tocou.
—Burro..-Ele sugeriu ao pai.
Robert serviu um copo de limonada para o filho,e fingiu escrever nos quadrinhos.
—Sim,é burro e atende pelo nome de Oliver.
O empresário estava bebendo o líquido refrescante e quase sufocou. Seu pai era sem limites, assim como a sua irmã.
-Pai,talvez eu devesse passar uns dias sem visita-lo. Cada dia um novo ataque.
Robert apenas seguiu lendo as pequenas charadas.
—Sua língua vai cair se você der voz aos seus pensamentos e finalmente perguntar onde Felicity está?. ..Obviamente você percebeu que ela não está presente.
Oliver observou bem a face de seu pai, estava corado, olhos brilhantes. Robert parecia mais novo e felizmente, muito saudável.
—Não sei se ainda quero vê-la- Oliver falou.
Robert apenas gargalhou.
—Que bom pra você então, por que a nossa Fê voltou para Boston faz uns quinze dias. Depois que vocês tiveram aquela conversa ridícula. ..Não tem que quebrar cabeça se precisa ou não vê-la. .Ela se foi..A decisão já foi tomada e sinto lhe dizer meu filho mas a decisão foi tomada por ela, não por você.
Oliver levantou de uma vez.
Como assim voltou para Boston?
Não pensava que Felicity fosse tão covarde e tola.
—Felicity não é covarde e tola. Ela o procurou e vocês conversaram porcamente, você fez questão de ignorar todas as ligações e mensagens que ela te enviou. Então não, ela não é covarde Felicity tem amor próprio e voltou para o lugar onde se sente bem e segura.
Só então Oliver se deu conta de que estava pensando em voz alta.
Lembranças da conversa que tiveram, voltou com tudo.
Segunda-feira nunca foi o seu dia favorito.
Especialmente está segunda-feira, Oliver pensou amargo. O fim de semana na fazenda tinha sido melhor que o esperado, um verdadeiro Oasis cheio de realizações, nunca poderia imaginar que o seu domingo acabaria daquela forma.
Sem querer acabou ouvindo o que era pra ser uma conversa secreta entre Felicity e Raisa.
Oliver não sabia dizer o que doeu mais, saber o tamanho do segredo que Felicity estava escondendo. .Todo esse tempo, ele nunca foi avisado sobre o assunto. Oliver era pai, teria adorado saber disso. Pouco importava se era jovem, ou se ele ainda cursava metade do curso na faculdade.
Não bastasse a omissão de Felicity, tinha a bizarra participação de sua mãe.
Era muito pra digerir.
Oliver mal dormiu a noite, a cabeça doía em nível astronômico. O estômago estava enjoado.
Decidiu que não iria pra empresa, pediu que John tomasse conta de suas funções.
Olhou no celular e duas ligações nao atendidas de Felicity.. E Uma mensagem de texto,,"Oliver, vamos conversar. Por favor"..
Visualizou e apenas ignorou, deixou que o celular continuasse no silencioso, não queria nada de barulho na sua cabeça. Principalmente notificações do grupo que Thommy havia o adicionado, todo momento chegando fotos da turma na fazenda..
Oliver não queria ver, não queria pensar. Só queria desaparecer por algumas horas.
Estava tomando banho quando a campainha anunciou um visitante. Oliver esperava que Jonh viesse buscar uns documentos, colocou a toalha no pescoço e saiu apenas de calça moletom, camiseta e chinelos de dedo.
Abriu a porta num rompante.
Não era possível. .Àquela hora da manhã e Felicity na sua porta, tão abatida quanto ele.
O empresário não queria encara-la naquele momento, na verdade não queria encara-la tão cedo..
—Oliver, vamos conversar. Agora.
O empresário ficou calado, permitiu que ela entrasse e apenas acenou o sofá. Poderia estar chateado e decepcionado, mas não era mal educado. Não iria despejar a sua frustração em cima dela, não era tão boçal assim.
—Uma mensagem visualizada sem resposta de volta, é considerado uma resposta. — Foi tudo que ele falou.
Continuou de pé, enquanto Felicity se sentava.
—Sabe Felicity, minha cabeça está doendo e não estou num bom momento. Se quiser ficar aí, fique a vontade....Eu vou para o meu quarto.
Ia saindo na direção do corredor quando sentiu as mãos de Felicity segurando o seu braço.
—Oliver..Eu não vou demorar, só queria dizer que desde o começo guardei tudo isso pra aqui dentro- bateu a mão no peito- ..porque não queria ver você assim, tão ferido e decepcionado.
Ele sorriu amargo, escorou na parede e cruzou os braços.
—Um pouco tarde pra isso, não acha?
A jornalista tentou se aproximar e viu quando ele deu um passo pra trás. Estava claro, que não seria uma conversa fácil.
—Sinto muito, não queria que fosse assim..Eu queria prepará-lo para contar.
Oliver descruzou os braços e retirou a toalha do pescoço.
—Por me preparar você quer dizer, preparar terreno pra contar que você e minha mãe agiram pelas minhas costas?-Oliver sentia sua pulsação começando a aumentar-..E como chegaram à conclusão que abortar o meu filho era a melhor solução? Minha opinião deveria ter sido levado em conta, claro, isso se você tivesse me contado. Era um direito meu saber, nunca vou lhe perdoar por isso..Nunca.
Ele sabia que estava soando amargo e insensível, o que não era mentira. .Estava ferido e decepcionado, muito decepcionado.
Felicity abriu a boca em choque.
—Você está louco? Oliver eu não sou uma assassina jamais apoiaria essa prática.
Oliver observou bem a feição vermelha de Felicity, ela também parecia prestes a explodir.
—Não estou vendo nenhuma criança desde que você voltou de Boston- foi irônico.
Felicity não se assustou com a declaração, sabia que seria difícil. Oliver prezava por muitos valores, e na cabeça dele, Felicity era uma assassina sim. A dor e o choque da descoberta o estava cegando.
—Claro que não está vendo, ele nasceu prematuro e não resistiu.
Oliver continuava a encarando descrente.
—Você disse que a minha mãe pediu que você abortasse, não tem outro jeito se não imaginar que vocês duas o fizeram.
Felicity secou os olhos marejados e sentou. Não parecia ter energia para brigarem. Pelo menos ela tentaria se manter firme e não se exaltar tanto. Estava tentando ignorar o julgamento nos olhos do namorado, sabia como ele estava se sentindo excluído e traído.
— No primeiro momento sua mãe ficou assustada. Ela pensava que estávamos vivendo uma relação incestuosa. Disse que a criança teria sequelas porque os pais eram irmãos, que seria um bebê fruto do pecado e que um inocente não poderia pagar pelas atitudes erradas dos adultos... .Pela primeira vez na vida eu enfrentei Moira, sempre a respeitei e a considerava minha referência materna....Eu estava me sentido perdida, assustada e decepcionada com o posicionamento dela.Mas ali naquele momento se tratava de um pedacinho meu.. Disse que não abriria mão do meu filho, fosse ele deficiente ou não. .Eu estava morrendo de medo e mais do que nunca, sentia-me sozinha..Mas,eu já sentia muito amor por aquela criança. Justamente porque era nossa, mesmo que fosse numa situação tão escandalosa..
Oliver abriu a boca pra perguntar mais coisas, mas então decidiu que seria melhor ouvir a versão de Felicity,depois se manifestaria.
—Sua mãe sabia tudo que acontecia entre nós dois, ela apoiava e costumava dizer que achava bonitinho. Moira conversava comigo sobre cuidados, meios para se evitar uma gravidez. Não contei sobre a nossa primeira vez,mas evidentemente Raisa deve ter percebido e comentou com ela..Então, Moira marcou uma consulta com a ginecologista para que eu recebesse informações técnicas e começasse o uso prescrito de anticoncepcional. .As semanas seguintes foram tensas, foi o auge dos boatos. A princípio sua mãe duvidou ardentemente.. Ela saia com Rebeca para espairecer e sempre voltava pior. Nessas saídas provavelmente escutava os sussurros e comentários. Hoje entendo que Rebeca estava manipulando a sua mãe, ela teve grande parcela de culpa de tudo que aconteceu seguir.. . .Enfim..Até então, sua mãe estava conversando normalmente comigo, explicava o que estava acontecendo e pedia para que eu esperasse tudo se esclarecer para depois contar para você e Thea... ..Durante esse período de desavença, você deve recordar quando Robert nos levou para a Disney, e sua mãe não quis ir.
Oliver lembrava, nunca entendeu aquela viagem e principalmente o histerismo de sua mãe, ela parecia outra pessoa naquela época. .Estava mal humorada, impaciente e relaxada com os filhos...Naquela época Moira usava a desculpa que o Topázio estava em crise e exigia muito dela, foi fácil demais acreditar.
—Eu lembro. Não queríamos ir, mas o meu pai foi pra fazer gosto de Thea..Foi nessa viagem que você ficou doente.
Felicity sorriu minimamente.
—Sim, foi uma das piores infecções urinária que já sofri. Naquela época estávamos insaciáveis, esse foi um dos motivos que me levou a desenvolver infecção..Com o uso do antibiótico, o efeito do anticoncepcional foi bloqueado e então fiquei grávida. .Era ingênua, pensava em esconder, mas dai lembrava que a barriga logo estaria aparente. Tentei conversar com sua mãe duas vezes, mas as palavras não saiam, tinha medo de decepcioná-la, pois desde o início ela dizia " Primeiro os estudos Felicity.Cuide-se!Um filho seria um atraso para você e para o Oliver..Futuramente vocês estarão estabilizados e poderão me dar quantos netos desejarem". .Mas nem precisei dizer Raisa percebeu os enjoos matinais, minha indisposição. Primeiro conversou comigo e depois conversou com a sua mãe.
Oliver tinha um olhar acusador.
—Claro, todos já estavam cientes e você nunca considerou que deveria me contar...Por que Felicity?Eu não teria problemas em assumir, tanto você quanto o bebê. .Fazia parte dos meus planos futuros, só estaríamos adiantando alguns anos.
Felicity piscou tentando conter as lágrimas.
—Foi por esse motivo que não contei Oliver. Não queria ser uma obrigação ou um atraso na sua vida. A decisão de ir morar longe pareceu a mais sensata.
Oliver tinha os olhos vermelhos, mas não chorava. Sua expressão variava entre raiva e negação.
Felicity percebeu que ele se controlava tanto quanto o possível. Ser contido era a especialidade de Oliver, mas isso não queria dizer que ele não estava sentindo.
—Sua mãe explicou que estava preocupada comigo e principalmente com você. Disse que você era muito certinho e por achar que era uma obrigação, ia querer apressar as coisas e abandonar a faculdade.. Então ela propôs que eu começasse o meu curso em outro lugar... Eu aceitei, no momento era o que achava certo pra nós. .Sua mãe me levou para Boston, quando chegamos ela perguntou se eu estava de acordo em fazer um aborto, elucidou que facilmente arrumaria profissionais seguros. .Ela sugeriu, mas não me obrigou...
Oliver retirou a toalha que estava em volta do pescoço e a atirou longe.
—Inferno!Pare de justificar as atitudes da minha mãe, pouco importa se ela sugeriu ou obrigou... Ela não tinha esse direito.
Felicity encolheu diante a fúria do namorado, mas decidiu que seria melhor colocar tudo em pratos limpos.
—Não estou justificando.. Obviamente, eu estourei quando ela mencionou essa ideia... Jamais faria isso. Sabia que ter um filho naquelas circunstâncias seria um caminho longo e difícil, mas eu estava disposta a seguir.
Oliver abaixou a cabeça, uma tontura começou a tomar o seu equilibro. Vagarosamente se encaminhou para o outro sofá. .Sentou longe de Felicity, mas ainda de frente pra ela.
Continuou de cabeça baixa, as mãos massageando as têmporas.
—Minha mãe. .. .Isso.. o que ela fez foi monstruoso. Odiava quando ela fazia isso, tomava decisões no meu nome. Foram inúmeras vezes que brigamos por esse motivo,ela sempre falava que era proteção ..Mas nenhuma delas foi tão grave quanto essa. Não sei se vou conseguir lembrar-me da minha mãe com orgulho.
O coração do loiro estava disparado, ansiava pelo momento que ficaria sozinho e colocaria toda a sua fúria pra fora.
—Por está razão eu estava relutante em contar. Moira errou, mas depois se arrependeu... E o fato de ela não estar aqui para se defender, só piorar as coisas...Enfim, quando decidi tentar estudar e levar uma gestação sua mãe apenas pediu que não contasse para você ou para o seu pai. ..Disse que estaria mantendo as minhas despesas e que não deixaria faltar nada ..Moira voltou para San Francisco e os três meses seguintes fora bem, eu estava começando a me adaptar ao lugar e a faculdade, assim como estava começando a cair a ficha que em poucos meses eu seria mãe. .Era assustador e maravilhoso ao mesmo tempo...Então passei mal, esse foi o primeiro desmaio. Não tinha contatos ou familiares, exceto por sua mãe, a reitoria ligou avisando-a e então ela foi ao meu encontro. Estava mais serena e calma, diferente das últimas lembranças que eu tinha....Conversamos profundamente, ela pediu desculpas por ter sugerido um aborto, orientou-me a ter paciência e esperar que no momento certo você ia ficar sabendo de tudo. E assim foram os meses seguintes, estávamos nos comunicando por ligações de telefone. Nunca tocávamos no assunto sobre você e eu sermos meio irmãos. .Moira só comentava que ela e seu pai estavam dormindo em quartos separados. ...Quando completei o sétimo mês, o desmaio veio mais duradouro, fiquei apagada alguns dias. Passei mal sozinha, pois essa era a vida que eu estava levando, solitária...Minha sorte foi a senhora que fazia a faxina no apartamento, ela usou o molho de chaves que eu havia lhe dado e então me encontrou na cozinha, desacordada.
Mesmo errada pela omissão, Oliver se solidarizou com a situação de Felicity. Foi preciso muita força para enfrentar tudo aquilo sozinha. Pensou.
—Não me lembro de quase nada até o momento que acordei, sua mãe estava do meu lado na cama, segurando a minha mão. .Ela chorava e pedia perdão, sentindo culpada por ter me deixado sozinha. ..Lembro que naquele momento levei a mão na barriga e percebi que não havia uma criança ali..Comecei a ficar alterada, más logo sua mãe me explicou que a minha pressão subiu muito, ,provavelmente movido pelo estresse e contrariedade, com isso sofre uma pré-eclâmpsia. .Na pressa de salvar tanto eu, quanto a criança os médicos realizaram uma cesariana de emergência.
Felicity retirou o celular da bolsa, e começou a divagar enquanto entrava na galeria.
—A criança nasceu morta-Oliver concluiu.
Felicity ergueu o celular em sua direção, as mãos trêmulas e com lágrimas rolando por seus olhos.
—Não, ele não nasceu morto.
Oliver pegou o celular e se fosse possível, sentiu uma pontada enorme no peito..Era a foto de um bebê pequenininho, porém perfeito.Oliver observou dois bracinhos,duas perninhas, todos os dedinhos..Uma criança linda e loirinha,poucos fios de cabelo,porém todos dourados e os olhinhos estavam abertos..Tão azuis quanto os dele ou os olhos de Felicity.
Não se contendo, Oliver chorou, chegando a soluçar.
—Você disse ele?..- perguntou entre um soluço e outro.
—Sim, era um menino...William.
E então Oliver lembrou a reação que a namorada teve quando Laurel anunciou a chegada do primeiro filho e o nome escolhido. .
—Ele sobreviveu por alguns dias, quando acordei a enfermeira me encaminhou para conhecê-lo, fui à última a ver William, penso que ele estava só me esperando para se despedir.. Pude tocá-lo, segurar os dedinhos entre os meus, tirei essa foto porque sentia que não teria ele por muito tempo.. Contudo, um dia quando encontrasse coragem eu queria poder mostrar a foto pra você. ..A partir do momento que eu vi William fechar os olhos e virar um anjinho,eu decidi que não queria mais ter a sua mãe por perto. Durante muito tempo tive mágoas e a considerava culpada pela morte dele…
—Considerava?..Eu não consigo ver outra culpada que não seja ela..Você falhou em omitir, mas você precisava de ajuda e cuidados diários. .Em nenhuma hipótese deveria estar longe da família nesse momento.
Felicity odiava recordar essa época de sua vida, mesmo assim suspirou e deu seguimento nas explicações que faltavam.
—Dias antes do acidente Moira me procurou, estava arrasada. Disse que se deixou levar por intrigas, que não tinha mais paz e sempre que olhava pra você, ela se lembrava dos olhos de William..Acho que a sua mãe viveu um calvário, os olhos dela diziam o quanto vivia na miséria. .Ela me pediu perdão, e implorou para que eu voltasse. Ela queria contar toda a verdade pra você. ..E então eu a perdoei ,não queria viver com esse peso no coração. . Estava decidido que iria voltar e contar toda a verdade era o nosso combinado. Mas então ela sofreu aquele acidente e quando cheguei você tinha Susan, falavam em se casar e formar uma família. .Não tinha mais espaço na sua vida, não existia mais a possibilidade de Felicity e Oliver existir. Então fui embora. Decidida a não voltar mais.
Oliver a encarava sem julgamentos, mas ressentido por ter sido excluído e magoado por saber que tinha dedo da sua mãe nessa situação, aliás, o dedo e o corpo inteiro.
Esperou que Felicity falasse alguma coisa. Mas ela estava visivelmente abalada por reviver cada momento daquela situação. .Ela continuava com o celular nas mãos, observando a foto e deslizando o dedo pelo rostinho infantil..
—Ele teria sido muito amado….Eu nunca tive vergonha de admitir o quanto pensava em ter filhos, ele seria a realização desse sonho..William poderia estar aí, essa história poderia ter tomado outro rumo. Não sei o que pensar..O que esperar de agora em diante?..Estou tentando entender o seu posicionamento, mas dói muito, sabe?....Você não confiou no nosso amor, não confiou no relacionamento que estávamos construindo.. .Desculpa ser tão direto Felicity, mas eu quero ficar sozinho.
É claro que ele seria educado. Porém Felicity conhecia aquele olhar,Oliver estava se retirando de cena, pior que isso, Oliver estava retirando ela de cena.
—Não estou em posição de exigir ou lhe pedir algo,Oliver...Mas,não deixe que essas revelações sejam um motivo pra você se fechar e voltar a ser aquele cara que estava apenas sobrevivendo, afundando a cara no trabalho...Eu te amo tanto, falhei com você, não nego...Mas, por favor! Não desista de você, não desista de nós.
Oliver levantou do sofá e abriu a porta.
—Quando passar, fecha a porta por favor...E Felicity.. realmente. Você não está em posição de exigir nada.
Robert não entendia qual era o problema dos jovens..
Oliver nunca entendeu o motivo de Felicity ter partido. Agora eles estavam num relacionamento sério, e o filho estava consciente de todas as intrigas, todos os segredos….Não era fácil encarar os fatos, mas se Oliver fosse um pouco mais otimista, deveria olhar pra frente, preocupar-se em seguir com os planos que tinha em mente e superar os erros passados.
—Meu filho, durante esses últimos dias o que mais tenho feito é tentar entendê-lo e pode acreditar,eu entendo....Mas não aceito que você, logo você Oliver. Um cara cheio de táticas, você tem visões sempre a frente do seu tempo. Desde criança sempre foi assim, nunca pensou pequeno. Por que está demorando tanto para reagir?.
—Talvez essa reação nunca venha..As duas mulheres que eu mais confiava, as duas armaram pelas minhas costas. .Que Deus me perdoe, mas nesse momento espero que a mamãe esteja se revirando naquele túmulo, eu odiava essa mania dela de pular na frente e fazer coisas pelas minhas costas..Odiava, mas nada se compara ao que ela fez..E tem a Felicity,não sei se consigo confiar novamente, o que esperar de uma pessoa que vive fugindo?. Não era momento de voltar para Boston,se ela me amasse de verdade não teria desistido tão fácil.
Robert fechou a revista, guardou a caneta no bolso. Levantou para voltar pra dentro de casa.
—Não sei tudo que vocês conversaram no seu apartamento. Mas conheço Felicity o suficiente pra saber que ela tentou amortecer as informações -vendo que Oliver não entendia,Robert foi mais claro- Felicity não queria ser o motivo do seu ódio pela própria mãe, provavelmente minimizou o ocorrido....Moira estava muito estranha naquele período, viajando exageradamente. .Quando eu perguntava, ela dizia que era a negócios. Eu não sabia da gravidez, na verdade nem suspeitava....Eu sabia que vocês estavam envolvidos, mas acreditei que cada um optou por seguir caminhos diferentes. Tudo começou a ficar confuso quando você se retraiu, assim, como está fazendo agora,sem reação, apático. .Eu não conseguia entender o que levou Felicity a partir..Até que um dia sua mãe criou coragem e me contou tudo,estava visivelmente descontrolada , se culpando pela morte prematura do bebê. .Felicity contou que esteve entre a vida e a morte?
Oliver que estava de pé, pronto para sair. Voltou a se sentar. As pernas amoleceram, o coração apertou ficando pequenininho. .Não conseguia imaginar viver num mundo sem Felicity..Só de imaginá-la sem vida. Começava a sentir falta de ar.
—Não contou.
Robert pós a mão no ombro do filho e apertou.
—Imaginei. Felicity jamais se faria de vitima. Então meu filho, fique sabendo agora. .Para os médicos não havia esperança de vida, tanto para a mãe, quanto para o bebê...Felicity estava na sala de cirurgia, mas não respondia aos sinais vitais, mesmo depois que retiraram o menino.. Ela ficou desacordada por sete dias...Segundo Moira me explicou na ocasião, chegaram a falar abertamente com ela. O médico foi claro, Felicity sobreviveria somente pela misericórdia divina, pela ciência não tinha mais nada a ser feito... Moira se odiou por muito tempo, tanto pelo neto quanto por Felicity. .Ela errou de uma forma monstruosa, mas até mesmo Felicity que esteve à beira da morte a perdoou. Reflita meu filho.
Robert saiu, deixando Oliver boquiaberto.
Saber que Felicity quase morreu não mudava os fatos, mas mudava a sua perspectiva.
Ele à amava, não queria nunca mais passar por algo assim, tantos dias sem vê-la, sem ouvi-la, sem tocá-la. Isso poderia ser resolvido. Mas a morte não, pensar que poderia perdê-la definitivamente o fazia enxergar o quanto estava errado em perder tempo remoendo algo que ficou no passado.
Estava em frangalhos, mas sentia que sua recuperação viria dela. Somente dela.
—Pai,espere..Você perdoou a mamãe?
—Não perdoei no primeiro dia, e nem nos dias seguintes. Estávamos vivendo tempos difíceis, o fato de Moira acreditar que fui infiel e não ter confiado na minha palavra me magoava profundamente, mas casamento é isso, superação. Um dia após o outro.. .Fiquei ainda mais desapontado com tudo que aconteceu envolvendo Felicity e o meu neto. Contudo, nunca gostei de ficar remoendo as coisas, vivendo preso nos erros passados. Tivemos a nossa chance de acertar a situação e quando sua mãe morreu, nos estávamos em paz um com o outro…O tempo e a paciência são grandes aliados, não é fácil esquecer, mas eu garanto que você consegue. Você é forte e determinado.
Nem mesmo Oliver sabia se era tudo aquilo, no entanto precisava tentar.
—O senhor pode me passar o endereço dela?Digo em Boston.
Robert sorriu vitorioso.
Rasgou um canto da revista e rabiscou as referências. Entregou a Oliver e saiu.
—Não perca tempo rapaz, seu velho está cada dia mais perto da morte. Não quero partir sem ter pegado um filho de vocês no colo.
Oliver sorria com a ideia, enquanto desdobrada o pedaço de papel.
A princípio não entendeu, aquele era o endereço da fazenda.
Olhou para cima, viu Robert alguns passos a sua a frente, correu e o alcançou.
—Pai, o senhor escreveu errado..Ou está tirando uma com a minha cara?
—Cada um joga com as armas que tem, e eu te conheço. ..Você reage melhor com um pouco de pressão, pensar que ela foi embora definitivo fez você perceber algumas coisas..Apesar que ela esteve mesmo Boston....Mas eu não vou contar mais nada, se quiser descobrir você corre atrás. .Eu hein?….Como diriam os jovens, você que lute.
Ao avistar a casa por entre as folhagens verdes, parou o carro. Deliberadamente, abaixou o volume do som para um nível mais baixo. Reduzindo até a primeira, dirigiu os últimos metros em velocidade de lazer, fazendo o carro virar lentamente, a fim de entrar na propriedade.
Tudo tão calmo e plácido, refletiu.
Ao ouvir marteladas, hesitou. .Então, com os seus sapatos de garoto da cidade,passou através do gramado e seguiu em direção aos fundos da casa..
Em outro momento apreciaria a paisagem, a arborização..Mas ali naquele instante, Oliver estava reunindo forças para resolver aquela situação, da melhor forma possível ele esperava.
Ainda com medo e inseguro, ele levou algum tempo analisando-a. .Seu primeiro pensamento foi que Felicity parecia uma camponesa, usava uma jardineira jeans, camiseta branca por baixo, chapéu de palha para proteger o rosto do sol e luvas nas mãos. .Aparentemente, ela estava arrumando um canteiro com alguma flor que Oliver não soube identificar.
Felicity ergueu o corpo, alongou-se. Colocou o martelo na caixa de ferramentas, retirou as luvas e sai na direção de uma árvore enorme.
Surpreendentemente, Felicity retirou o chapéu e o atirou longe, em seguida fechou os olhos,ergueu os braços e abraçou o tronco gordo da árvore.
Mesmo que o momento pedisse seriedade, Oliver retirou o celular do bolso e fotografou. .Era uma cena linda de se ver..e registrar.
Caminhou a passos lentos, mas Felicity ainda parecia desligada. Se ela notou a sua aproximação, não moveu um só fio de cabelo.
—Se você continuar assim por tanto tempo, vou começar a ter ciúme dessa árvore.
Falou sério, decidido.
Felicity apenas abriu os olhos, não demonstrou surpresa ou desagrado. Manteve uma expressão facial neutra.
Passado um tempo ela afastou e então cruzou os braços.
—Baseado nos últimos dias, muito me admira que logo uma árvore será a responsável por arrancar alguma reação de você.
Vingativa. Oliver pensou.
—Não tenho ciúmes de árvores. .Tenho ciúmes de você, tudo que inclui você. E isso, não é uma novidade.
Felicity retirou as botas, esticou os pés e sentou no chão encostando as costas no corpo da planta.
—Novidade é você estar aqui, pensei que quisesse distância. Ou andou tantos quilômetros pra vir aqui falar isso?
Não seria fácil, Felicity parecia interessada em complicar as coisas.
—Felicity, eu faria qualquer percurso pra chegar até você, pra estar perto de você. .
Aquela frase teve o poder de amolecê-la um pouquinho.
—Tudo bem,Oliver..Somos adultos e sensatos. Vamos resolver o que precisa ser resolvido...O que você quer?
Oliver se aproximou e pegou a mão de Felicity na sua, beijou-a e manteve-a firme, presa entre os seus dedos.
Felicity quase chorou quando enxergou tanta sinceridade naquele ato, o seu Oliver estava de volta. Aquele que era caloroso, cheio de atitude e um companheiro impar. Não precisava de palavras, ela simplesmente sentia.
— Eu sinto muito- ambos falaram juntos, ao mesmo tempo.
Oliver afastou a mecha loira que caia do rabo de cavalo, prendeu-a atrás da orelha.
—Não quero e não vou permitir que erros do passado fique entre nós dois, já sofremos demais por causa disso... Uns dias longe de você não foi nada perto da dor que senti quando o meu pai falou que você tinha voltado pra morar em Boston-Felicity abriu a boca para dizer que isso nunca aconteceu, mas Oliver a silenciou com um dedo nos lábios -Eu não quero passar por isso novamente, não quero perdê-la. Toda a minha vida eu esperei por esse momento... O momento que eu ficaria de joelhos e faria o pedido..Desde aquela primeira noite no meu apartamento, não consigo parar de pensar no quanto quero fazê-la minha esposa...Estar com você, dormir e acordar com você. .Seja nos dias bons e nos dias ruins, mas sempre juntos..Eu quero plantar minha semente dentro de você, ver a sua barriga crescer e estar ao seu lado em todos os momentos. Felicity Megan Smoak,estou me oferecendo inteiramente pra você e por você. .Ofereço todo o meu amor, o meu respeito e a minha fidelidade. Você me aceita como seu? Porque aqui -Oliver tocou o coração, e em seguida a cabeça- e aqui, eu já aceitei que você é minha. Sempre foi.
Felicity segurava uma mão no peito.O olhar estava espantando e nervoso. Não esperava por nada daquilo. Na sua mente, ela vinha preparando outras formas de chegar até Oliver.
—Eu preciso contraria-lo... .Nem sempre as coisas saem como o esperado.
Foi seria e categórica, segurou a mão que Oliver tinha entre a sua e a retirou, afastou um pouco para trás deixando Oliver assustado. O loiro levantou do chão num movimento ágil. Não é possível que depois de todas as dificuldades que passaram longe, logo agora que estavam sendo honestos um com o outro,Felicity estava o dispensando.Pensou.
—Mas o q..
Felicity o interrompeu, para em seguida segurar a mão dele entre a sua.
—Eu sei o quanto você é controlador e gosta de seguir um protocolo.. Mas vou ter que contrariá-lo. .Não tem como você plantar uma semente aqui dentro -ela posicionou a mão de ambos na barriga- Porque na verdade ela já foi plantada.. Eu estou grávida.
Caramba! Foi a única palavra que o loiro conseguiu verbalizar.
Minutos atrás estava triste e solitário..E agora tinha uma noiva e um filho a caminho.
Deus é bom o tempo todo, ele pensou quando ajoelhou aos seus pés e ficou na altura do abdômen de Felicity, beijou ternamente aquele lugar que agora era sagrado.
—Eu não sei se mereço tanto. .Mas sou tão grato por tudo..obrigada, pelo s- de repente Oliver parou, olhou para Felicity cheio de expectativas — Você não respondeu o meu pedido. ..
—Oliver Queen,eu me casaria com você nesse mesmo instante...Eu não costumo ser supersticiosa, mas venha ver uma coisa.
Nem precisaram trocar três passos, Felicity apenas o direcionou para o local que ela queria que ele fosse.
—Você lembra?- perguntou cheia de alegria.
Oliver estendeu a mão e tocou o tronco, como se fosse uma reverência, um carinho..Anos atrás os dois deitaram de baixo dessa mesma árvore, fizeram planos, os mesmos planos que estavam reafirmando minutos atrás.
—Claro que me lembro….Não pensei que nossos nomes ainda estivem esculpidos aqui, isso deve dizer alguma coisa.. .Quando lapidei esse tronco, tinha as mesmas intenções que tenho hoje, talvez um pouco mais maduros. Mas os sentimentos não mudaram. Arrisco dizer que os sentimentos não param de crescer.
Felicity o olhava com devoção, os olhos brilhantes e nos lábios um sorriso perfeito.
—Eu acredito em Deus e no poder do universo, todas as energias que enviamos o universo nos devolve.. Quando você chegou e me encontrou abraçada a essa preciosidade. De alguma forma eu estava tentando resgatar toda a magia e o encanto daquele dia..Não imaginava que Deus iria responder tão rápido. .
A loira parecia entorpecida de tanta felicidade , sabia que ainda teriam que conversar e esclarecer pontos que ficaram soltos. No entanto, tudo que precisava estava bem ali junto dela, poderia enfrentar o que viesse pela frente.
—Felicity, quando exatamente você estava pensando em me contar sobre a gravidez?
Oliver a encarava com uma sobrancelha arqueada e um pouco descrente.
—Não seria como da outra vez. Não iria guardar a novidade por muito tempo. Estava respeitando o seu tempo. Procurei por você, mandei mensagens, liguei. Mas você seguia ignorando. Não achei que estava pronto para termos essa conversa..Decidi que deixaria você assimilar e me procurar...E aqui estamos- beijou a mão dele.
Estavam deitados na mesma cama onde passaram o último fim de semana juntos,
Estavam nus, suados e saciados.
Oliver deslizava a mão pela barriga plana, era difícil acreditar que tinha uma vida crescendo ali.
—Fico pensando quando ela foi feita.
Felicity levantou uma sobrancelha especuladora. Levou as mãos aos cabelos de Oliver e ficou acariciando.
—Quer dizer que temos preferências por aqui?.. Não faço ideia de quando aconteceu, foram muitas vezes e parece que o nosso histórico sempre terá uma falha por parte do anticoncepcional.
Beijou-o ternamente.
—Não se trata de preferência, apenas sinto que é uma menina..A vida nunca foi fácil comigo, se agora começasse a facilitar seria suspeito. Uma menina, é o calcanhar de Aquiles de qualquer pai que seja amoroso e ciumento.
Instantaneamente Oliver se imaginou em diversas situações, todas envolvendo uma garotinha linda e que o mantinha na palma de sua minúscula mãozinha..
—Você não deveria começar a sofrer tão cedo, vai perder muitas coisas se focar somente nessa parte..Eu gosto de pensar que você será o melhor pai do mundo..
Oliver adorou ouvir aquela frase, porque essa seria a sua meta de vida, ser o melhor pai do mundo.
Felicity levou a mão do namorado até a sua barriga, os dois ficaram apenas curtindo, sonhando e almejando o que o futuro prometia.. ..
Diferente da outra vez, a loira não se permitiu sofrer por antecedência. .Tudo havia mudado, receberia o devido apoio e teria Oliver do seu lado.
—Foi engraçada a forma que descobri... Precisei retornar a Boston para dar baixa no trabalho, resolver toda a burocracia envolvendo o contrato trabalhista. ..Passei pela coleta de sangue e fiz os exames necessários para dar baixa...Não tive nem mesmo a curiosidade de abrir para ver o resultado, na minha cabeça era um exame necessário quando se rompe contrato com uma empresa e nada mais. Apresentei documentação e exames no RH e então a mulher examinou todo o material e lamentou, "desempregada e grávida"...Não acreditei quando ouvi, pedi o exame de volta para ver com os meus próprios olhos.
Oliver sorriu grande com a explicação.
Boston não estava mais nos planos de Felicity.
—O que você tem em mente de agora em diante?..Poderia assumir um cargo na diretoria da empresa.
Perguntou,em seguida beijou-a de volta.
—Bom...Não quero trabalhar com horários restritos e também fora de casa, quando o bebê nascer quero dedicar-me tanto quanto for possível. .Eu sei a falta que uma mãe faz,não quero isso pra essa criança. .Eu também estou trabalhando nesse novo projeto do livro..Tenho algumas propostas para publicá-lo, porém, antes preciso editá-lo e seguir todos os trâmites legais .. A propósito, você está me distraindo. Quando decidi vir para a fazenda foi em busca de paz e inspiração.
Oliver apenas deitou por cima dela, pressionou os lábios contra o pescoço de Felicity sussurrou em seu ouvido.
—Então, vamos inspira-la a escrever uma cena de amor…
Ela ergueu o rosto e roçou os lábios nos de Oliver.
—Acho que deveríamos começar assim.
Felicity se derreteu nos braços dele, o beijo que se seguiu foi tudo, menos distraído. Quando Oliver pousou o queixo no alto de sua cabeça, suspirou e confidenciou.
—Eu te amo tanto...Não estava me aguentando de tanta saudade.
Ela queria o corpo dele desesperadamente, Felicity fez as mãos perambularem pelo corpo másculo, provocando e dando prazer enquanto ouvia a voz rouca de Oliver, gemendo o seu nome.
—Nós te amamos em dobro- ela falou entre sorrisos, a primeira vez que incluía o bebê na mesma sentença.
Oliver apenas fechou os olhos e agradeceu, tinha em suas mãos muito mais do que sonhara.
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