Separados Pelo Passado
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Ela tinha tanto trabalho a fazer. Muito trabalho.
E estava mais do que decidida a não sair do escritório enquanto não terminasse tudo que deveria ser finalizado.
E determinada do jeito que estava a brilhante jornalista e agora escritora, nem parecia se importar com o tempo e uma prova disso era justamente o fato dela ainda estar trabalhando como uma louca em plena madrugada, numa área da casa totalmente afastada e silenciosa.
Felicity empurrou a cadeira de volta para perto da escrivaninha e se levantou.
O corpo estava dolorido, e o estômago um pouco enjoado.
Mas aquilo não era novidade, fazia parte do seu atual estado.
A loira se alongou, caminhou para ficar próxima a janela de vidro que ficava de frente para o jardim, parcialmente iluminado pelas luzes estrategicamente espalhadas pelo gramado.
Ela apreciou ver através da vidraça, o céu estrelado e a lua cheia..A escolha do local isolado da mansão não lhe agradava, mas como ela precisava de um escritório improvisado e silencioso. Esse comodo bastava, por enquanto.
Felicity retirou o celular do bolso para conferir o horário e dar por encerrado o seu trabalho do dia, quando de remetente todas as luzes do jardim se apagaram. Em seguida as luzes da mansão tiveram o mesmo destino.
E ela se encontrou imersa na mais profunda escuridão.
"Mas o que está acontecendo?" Pensou assustada.
Instantaneamente levou as duas mãos a barriga ainda plana, era até engraçado o reflexo de proteção, antes mesmo de pensar em qualquer método de defesa, Felicity só conseguia imaginar meios de deixar seu bebê protegido.
..A loira ficou tateando a mesa que estava ao lado da janela ,tentando encontrar algo que pudesse funcionar como arma ou defesa pessoal.
Pegou o primeiro objeto que sentiu, pelo tato constatou que era comprido e roliço.
Ploft Ploft Ploft Ploft.
O som de passos se aproximando a fez prender a respiração, congelou quase que instantaneamente.
Os passos ameaçadores pareciam ficar cada vez mais próximos. Segurou firme o objeto que tinha em mãos.
Quem estava ali no corredor?
Iria atacá-la?
Seria um assalto?
Suando frio, Felicity estava tão concentrada naquelas perguntas e inúmeras possibilidades do que poderia acontecer com ela ,que nem se quer reparou quando o barulho de passos cessou.
E foi aí que ela sentiu a respiração dele.
Bem na sua nuca.
—O-O que vo-você que quer?- gaguejou seus joelhos fracos devido ao susto.
—O que você acha?- a voz respondeu uma voz rouca, implacável e quase insensível, foi sussurrada bem ao pé do seu ouvido, tão próximo que era possível sentir o hálito quente e o perfume característico.
As mãos possessivas pousaram sobre o quadril de Felicity, primeiro acariciou a barriga e em seguida deslizou até as suas coxas e apertando-as de leve, enquanto que as costas dela se chocaram com o peitoral forte e musculoso.
O toque repentino a fez gemer e ele sorriu contra a pele dela, notando como estava arrepiada.
—Estou aqui para fazer um sequestro.
Felicity mordeu o lábio.
—Sequestro? -seu coração batia acelerado, mas não mais de medo.
—Isso mesmo, chegou aos meus ouvidos que nesse escritório trabalha uma tal de Felicity Queen- Disse enquanto seus lábios roçavam o pescoço da esposa.
—Felicity Megan Smoak Queen ,hein?- ela zombou, por vontade do marido a loira seria reconhecida somente como a senhora Queen — Jornalista brilhante,escritora sexy,futura mamãe. .Mas devo avisar,o marido dela vai ficar aborrecido quando descobrir esse sequestro.
A risada abafada que escapou dos lábios dele a fez tremer.
—O marido é? Acho que já ouvi falar dele,um empresário bom de aparência, corpo varonil e sarado, segundo comentários ele fode com força.
Dessa vez quem riu alto foi Felicity.
—Esse mesmo, e você esqueceu-se de mencionar, que o marido não é modesto, ele costuma ser controlador, ciumento, exagerado ...Tá ficando neurótico ao extremo.
Felicity ouviu um grunhido irritado ao mesmo tempo em que Oliver afastou e parou de beijar o seu pescoço.
—Não seria "neurótico " se você colaborasse. .Felicity são quase três da manhã, pelo amor de Deus. Você não está sozinha mais, tem que pensar no nosso filho.
Felicity mesmo no escuro podia jurar que o marido estava com o cenho franzido e fazendo uma careta, conhecia aquela expressão de aborrecimento. A jornalista sacou o celular e ativou a lanterna. Então fez questão de procurá-lo e lá estava a sua confirmação, Oliver estava aborrecido.
—Você deveria ter avisado que iria colocar essa luz bem na minha cara-reclamou azedo, enquanto esfregava os olhos.
Felicity aproximou dele e beijou-o nos lábios, em seguida repousou a cabeça no ombro de Oliver, os corpos grudadinhos.
A loira gargalhou alto.
—Amorzinho,você veio preparado para fazer o sequestro. Está muito bem armado- deslizou a mão em cima da ereção pronunciada, ficou indo e vindo com carinhos por cima da calça.
Oliver apenas arfou. Era tão fraco perto de Felicity, ela sempre conseguia amansá-lo, e o pior sem qualquer esforço por parte dela.
—Claro que estou armado,você estava esfregando o bumbum em cima do meu pau..E você está tentando mudar o foco da conversa..Venha vamos para o nosso quarto.
Felicity não criou resistência, entregou o celular para o marido clarear o caminho de volta para a mansão e estendeu a sua mão a ele, em seguida jogou o objeto que segurava em cima da mesa.
Só então Felicity percebeu a força que estava fazendo, segurando o objeto que logo descobriu ser uma péssima ideia de arma para proteção.
—Amor,por que você segurava uma chapinha de cabelo como se a sua vida dependesse disso?- Ele perguntou entre risos.
—..Sua irmã vive deixando as coisas dela por aqui….Na hora que as luzes apagaram eu fiquei assustada, peguei o primeiro objeto que encontrei.
—O gerador de energia desarmou, por isso o apagão ….Para alguém que estava assustada e com medo ,você estava muito à vontade, ouvi os seus gemidos quando rebolou encostada na minha pélvis ..- Oliver falava a sério. Se fosse um agressor teria se aproveitado de você, toda disponível e fácil.
Dessa vez foi Felicity que ficou emburrada, soltou as mãos do marido e seguiu o caminho com certa distância.
—Até parece que você não vai iria se aproveitar, amorzinho.. Eu conheço o seu cheiro de longe, estava disponível e a vontade porque sabia que era você. .Não gosto desse local para trabalhar. Quando vamos arrumar a nossa casa?..Espero que aconteça antes de o bebê nascer.
No mesmo instante que Oliver iria responder à claridade voltou. Ambos piscaram com força, as luzes do jardim e das varandas da casa refletiram forte.
—Semana que vem vamos marcar com o corretor e sair pra olhar, esses dias tem sido apertado na empresa. Mas você sabe, meu pai vai ficar chateado com a nossa decisão.
Felicity suspirou enquanto passava pela porta do quarto que o casal estava usando temporariamente.
—Seu pai tem que entender quem casa quer casa... Adoro a mansão assim como adoro a companhia dele,Raisa e Thea..Mas aqui não é o nosso lar,não posso nem mesmo considerar mudar a decoração da casa..E quando o bebê nascer,como será? Crianças crescem e fazem bagunça,muito barulho e seu pai não terá idade e nem ânimo para suportar esse cenário.
Felicity segurou os cabelos para cima e os prendeu no alto da cabeça com uma presilha grande em formato de borboleta.
—Você tem toda a liberdade pra mudar a decoração, tanto o papai quanto Thea falaram pra você assumir o posto e redecorar a mansão..Tem muito espaço por aqui e você teria ajuda pra cuidar da casa e da criança.
Felicity Caminhou até o banheiro ligou a torneira que dava queda de água na banheira. Oliver seguiu todo o seu percurso, analisando as ações da esposa que despejou os sais de banho com aromas florais na água corrente.A loira pegou um frasco com esfoliante corporal com o mesmo aroma e colocou ao lado da banheira.
—Eu sei que tenho liberdade até mesmo pra pintar as paredes de verde bosta -fez uma careta ao imaginar a cena-..Eu amo esse lugar,amorzinho..Cresci aqui,tivemos os nossos melhores momentos em diversos cantos desse lugar..Mas não me sinto a vontade,você não entende....Tem dias que vou querer fazer loucuras na cozinha, ou andar pelada pela casa-Oliver logo sorriu imaginando o quanto seria excitante chegar em casa e encontrar Felicity nua, esperando-o- E outra coisa, sou perfeitamente capaz de cuidar da casa,do nosso filho e dedicar um pouco de tempo para desenvolver a escrita do meu livro..Você fala como se eu fosse uma dondoquinha mimada.
Felicity estava começando a ficar com o rosto vermelho e os olhos lacrimejando, Oliver notou.
A esposa estava muito mais vulnerável e emotiva, bastavam poucas palavras mal ditas pra deixá-la chateada.
—É claro que você é capaz,amor..Desconheço uma mulher mais forte e multitarefa como você..E estou gostando da ideia de imaginar você toda nua, andando pela nossa casa.
Sorriram cheios de malícia, as pessoas não estavam erradas quando diziam que o início de um casamento era regado a faíscas e labaredas, o homem não conseguia tirar a mente da sarjeta. Seu corpo era totalmente dependente do corpo dela. E vice-verso.
—Mas, obviamente você não concorda com uma mudança de ambiente ..Eu entendo o seu lado, estamos falando do seu pai . É claro que é uma decisão difícil.
O empresário apenas suspirou. Ele queria a nova casa e tudo que tinha direito, queria começar com algo deles, que tivesse a personalidade do casal. Mas sempre que começava o assunto,Robert arrumava um meio para burlar os planos.
—Com o meu pai, eu me entendo depois. Em algum momento ele vai entender...Semana que vem vamos comprar o nosso cantinho.
Felicity sorriu vitoriosa, claro que eles poderiam mudar para o apartamento do marido, mas aquele local gritava a solidão e tristeza, ambos concordaram que aquele não era o local ideal para começar um lar.
—Está ficando tarde.. -Oliver olhou as horas no celular e ficou se perguntando se Felicity estava ciente do horário ou se esse era mais um dos rompantes de humor que a gravidez estava lhe apresentando -..Felicity,o que exatamente você está fazendo?
A loira abriu lentamente os botões da camisa preta, revelando um lingerie branco de renda, retirou-a do corpo, em seguida fez o mesmo com o sutiã, à saia e a calcinha.
—Muitos chamam de banho- explicou ao mesmo passo que ficava de costas para o marido, atirando peça por peça no cesto de roupas sujas.
—Muitos poderiam chamar de sedução-Oliver resmungou, mas nem sequer piscava. Sua esposa parecia ainda mais tentadora, a gravidez estava enaltecendo cada uma de suas curvas.
Felicity entrou na banheira, afundando na água quente e perfumada, soltando risinhos diante a afirmação do marido.
—Banho e sedução na mesma frase, soam como uma boa combinação. .Mas na verdade estou com o corpo dolorido, preciso relaxar...Amanhã é sábado, podemos acordar mais tarde.
Suspirou de prazer quando deslizou por baixo da espuma, molhando o cabelo no processo .Fechou os olhos em deleite e soltou gemidos de satisfação.
—Você pode!Eu não.. Amanhã preciso ir à empresa- no mesmo instante Felicity abriu os olhos, encarou-o decepcionada mas mesmo assim colocou um sorriso fraco nos lábios.E voltou a ronronar coisas desconexas, parecia testar o autocontrole do marido.
Involuntariamente, Oliver levou a mão ao seu membro que começava a reagir. Cada gemido que Felicity soltava, parecia atingir direto no seu pênis.
—Claro,Oliver...Estamos voltando aos velhos hábitos, durante toda a semana você saiu muito cedo,chegou tarde,não jantou conosco. Continue fazendo isso mesmo, volte a ser o seu antigo eu....- não era uma resposta irônica, mas Felicity fez questão de devolver uma retaliação implícita- Vá você, deitar e descansar..Assim que acabar por acabar por aqui, vou deitar também.
Felicity afundou um pouco mais na água e tentou achar um pouco de paz interior, seu corpo sucumbiu as bolhas e a água quente.Fechou os olhos novamente e suspirou. Não deixaria que as recaídas do marido viciado em trabalho tivesse o poder de estressa-la.
O empresário reprimiu um gemido quando notou as mãos delicadas de sua esposa deslizando sobre o abdômen, ou quando Felicity usava os dedos empurrando a espuma densa fazendo as curvas do contorno dos seios.
-Prometo que não vou fazer disso um hábito, estamos preparando o novo catálogo e minha presença constante é necessária, não pense que eu gostei de ficar toda a semana ausente, e amanhã será rápido -respondeu, parando de frente a esposa, totalmente nu e carente. Felicty abriu os olhos e sorriu com aquela visão, sabia que ele não resistiria -Provavelmente estarei em casa quando você acordar. Deixa-me sentar aí e você me usa como apoio.
Sugeriu e logo sua esposa o acatou, cedendo o lugar onde estava.
Quando Felicity se acomodou entre as pernas dele, Oliver pegou o esfoliante corporal,colocou uma boa quantidade nas mãos e começou a deslizar pelas costas da loira.
—Humhum. .Suas mãos são talentosas em todas as partes do meu corpo- ronronou como uma gatinha manhosa.
Oliver aumentou a pressão nas mãos e se pôs a massagear os ombros e a extensão do pescoço eliminando os nós de tensão.
—Isso porque você não sabe o tratamento que está guardado para usar entre as suas pernas-sussurrou no ouvido de Felicity,tendo o prazer de vê-la toda arrepiada- Claro..Isso se você não estiver com dor de cabeça de novo.
Falou para provocá-la. ..Mas então sua ficha caiu,Felicity não estava doente, aquilo se tratava de punição. Ela estava punindo o marido por causa da dedicação exagerada na empresa ao longo da semana.
—Você sabe Oliver,tenho crises de enxaqueca- falou debochada.
Em seguida o loiro utilizou mais uma quantidade do denso esfolante e seguiu para os braços e mãos, apreciando a maciez da pele alva e bem cuidada.
—Sei....Quando é conveniente você tem essas crises.-contrapôs e logo beijou o ombro da jornalista.
—Amorzinho você não vai esquecer esse episódio hein?.-respondeu bem humorada- Esposas recém-casadas também sentem dor de cabeça, principalmente quando o marido não está merecendo muita atenção.
Ela gemeu baixinho, sentindo as mãos de Oliver massageando os seus ombros.
—Como se estivesse em posição de reclamar, Raisa me contou que você não se alimentou direito durante o dia, ainda tive que ir buscá-la. Caso contrário estaria até agora lá nos fundos, editando aquele livro...Ou isso também faz parte da minha punição?
Felicity soprou as bolhas de sabão, parecendo uma garotinha.
—Nesse relacionamento, sabemos quem tem a fama de viciado em trabalho e não sou eu. O que aconteceu hoje não vai se repetir, perdi a noção das horas. .Hummmm delícia de mãos.. Obrigada pela massagem, o dia foi tenso e os enjoos um pé no saco.- resmungou fazendo bico.
Oliver beijou o pescoço de Felicity,deslizou as mãos para o abdômen plano com certa protuberância começando a dar indícios de que tinha um pedacinho de gente crescendo ali.
—Disponha- respondeu ao agradecimento — Até parece que é um sacrifício colocar as minhas mãos em você. ..Mas falando sério, eu sei o quanto você está sobrecarregada com a publicação do livro e a gravidez tem sido uma montanha russa de emoções ..Só não esperava que entre tantos enjoos, eu estaria incluído no pacote.
Felicity gargalhou alto.Oliver era temperamental e muito exigente.
—Não enjoei de você, até parece que não fazemos sexo quase todas as noites. .Dois dias sem e olha o seu estado?..Gravidez tem disso,cada dia uma situação, um ânimo diferente.Cait e Laurel estavam certas,afinal de contas…
Oliver não sabia do que Felicity estava falando e nem fazia questão de saber..Provavelmente era assunto discutido nas reuniões mensais que o quarteto fazia...
—Eu entendo e respeito o seu tempo e o seu ânimo, mas não aceito que você fique descuidada, está se alimentando mal e dormindo pouco..Vamos discutir tudo isso no consultório com a Dra Thopsom...Se você não é capaz de me obedecer, certamente terá que seguir as restrições dela. ..
Felicity rolou os olhos, parece que Oliver não tinha escutado nada do que ela falou anteriormente.
—Pode relaxar papai,estamos bem.Nao precisa levar esses detalhes para o consultório.Cada gravidez uma sentença. -Felicity falou com sua voz infantil.
— Qual a diferença dessa gestação com a anterior?
Raramente Oliver tocava no assunto, ainda doía lembrar-se do acontecimento, mas ele estava superando. Dia após dia aceitava melhor o que havia acontecido. Talvez um dia conseguisse perdoar Moira pelo ocorrido.
—A diferença é que agora temos você. .Eu e o bebê podemos contar com esse paizão controlador e cheio de cuidados..Na outra gravidez, era tanta preocupação tanta tristeza,que até mesmo os enjoos foram raros. Não sei se afetou a minha libido porque o meu humor estava entre altos e baixos e sexo não era algo que eu parava pra pensar....Eu estava feliz por estar carregando um filho nosso, mas triste por estar longe e passando por tudo aquilo sozinha.
Felicity virou o rosto e beijou demoradamente os lábios de Oliver.
Logo voltando a esticar o corpo e acomodando suas costas contra o abdômen do marido.
—Amo vocês-Oliver sussurrou no ouvido dela, a voz rouca e ao mesmo tempo emocionada -Sou tão grato por você ter me escolhido para ser o seu marido, o pai dos seus filhos -corrigiu-se -.. Os nossos filhos..Grato por poder tocá-la e amá-la de todas as formas possíveis.
Felicity pegou as mãos do homem e colocou uma em cada seio. Remexeu as pernas uma conta a outra, sentindo aquele calorzinho bom se formar no seu centro. Precisava de atrito.
—Amamos você, infinitamente-ela sussurrou ao passo que Oliver ministrava carícias gostosas nos seios sensíveis e pesados.
—Veja, estão lindos e maiores — ele apertou-os com um pouco mais de força, estava descobrindo todo o manejo e flexibilidade, sabia que Felicity estava migrando para outro patamar, estava com os hormônios alterados, a sensibilidade a flor da pele e a cada vez que se amavam a experiência era diferente. O que tornava tudo mais excitante e único — Mais tarde quero dormir com eles na minha boca.
Felicity gemeu mais alto.
Os carinhos estavam bons, na verdade bons demais. A loira estava pulsando de tanto tesão.
—Pretendo sugá-los até os seus mamilos endurecerem em minha boca,faz parte do meu plano sabe?..Dar muita atenção a eles até você ficar ofegante e soltar aqueles gemidos.
—Amorzinho,os mamilos já estão duros,doloridos e ansiosos ..Qual a próxima etapa do seu plano?
Felicity estava inquieta,talvez acelerada fosse a melhor palavra.Punir o marido com alguns dias de abstinência sexual estava afetando não somente o empresário, a jornalista sentia falta desse momento de conexão.
—Meu plano é um pouco precário, estou recebendo diversos tipos de comandos,quero sugar,chupar,tocar..O meu corpo deseja montar em cima de você ,atingir o seu ponto mais profundo ...Ainda não me decidi se será aqui ou na nossa cama,onde você ficara mais confortavel?- perguntou enquanto roçava os lábios entre a orelha, pescoço e ombros-O meu pau está pedindo para comê-la com urgência, de quatro com o seu bumbum empinadinho no ar... No mesmo compasso que ele deseja comê-la lento e sem pressa. ...Felicity,olha o que você faz comigo- Como prova o loiro,ergueu o quadril,roçando descaradamente o pênis rígido no traseiro redondo- Quero tudo ao mesmo tempo..Pra ser honesto,eu quero devorá-la.
Sentenciou ao mesmo tempo em que beijava a pele fininha de seu pescoço, logo marcando o local com um chupão. Oliver não estava brincando quando disse que queria devorar cada pedacinho dela.
Felicity adorava esse lado descontrolado do marido,o ar selvagem e inculto, porém com uma pegada firme e carinhosa, cheio de zelo e respeito..Ouvir o marido falar essas coisas, só aumentava a sua expectativa. . Queria Oliver desde que sentiu o marido próximo a ela, quando foi buscá-la no cômodo onde estava trabalhando.
—Hoje pela manhã fui à depiladora- confidenciou baixinho e toda sexy.
Oliver parou a carícia que fazia, começando a entender onde ela queria chegar.
—E?..-perguntou afim de uma confirmação.
—Estou lisinha,toda peladinha na verdade-pegou a mão de Oliver e colou entre as suas pernas.
Felicity conseguia sentir que o marido também estava a flor da pele,arrepiado e o pênis parecia ter vida própria, chamando atenção pra ele.Estava duro e pronto para o ataque.
—Lisinha e gostosa -falou entre carícias, estava fascinado. Levou as mãos masculinas por toda a perna,subiu para a coxa e logo posicionou os dedos próximos a fenda que pedia sua atenção..
Felicity arfou quando sentiu os dedos dele fazendo carinho internamente entre suas coxas,fechou os olhos em expectativas quando sentiu Oliver sondar a área totalmente depilada.
—Hummmm -gemeu ao mesmo passo que erguia o quadril acompanhando os dedos dele.
Oliver inclinou-se sobre ela, beijou-lhe calmamente, sem pressa. Saboreando os lábios macios, sua língua embolada com a língua dela, dançando juntas e no mesmo duelo, ao mesmo tempo em que os dedos do empresário delineavam o clitóris e aprofundada as carícias, entrando e saindo.
—Abra mais as pernas- pediu gentilmente, logo sendo obedecido e então tocando as paredes internas da loira, pressionava e rodeava o seu nervo inchado, acariciando com maestria, vendo a esposa tremer e buscando por ar.Felicty era tão receptiva e acolhedora, com isso só instigava o loiro a aumentar a pressão.
—Ai meu Deus.- a voz feminina alterou atingindo uma nota mais alta,a loira não se reprimia nesses momentos.
Oliver reconheceu a expressão que Felicity assumiu, ela estava perto de gozar. A jornalista mordeu os lábios e apertou as mãos junto às mãos do marido. Continuou com os olhos fechados e se deixou levar lindamente.
—O seu plano não tem nada de precário- ela disse entre arfadas.
Quando despertou da letargia tentou retribuir, levou as mãos ao membro de Oliver, mas foi impedida.
—Hoje é sobre você, vamos cuidar de toda a tensão e deixar essa mamãe super relaxada e pronta para desfrutar de um soninho reparador-Oliver era um anjo,Felicity pensou.Todo o zelo e cuidado,fazia com que o seu coração disparasse e ao mesmo tempo derretesse de tanto amor.
Felicity girou,dando um impulso na água e com isso derramando o líquido perfumado pra fora da banheira.
—Essa água está começando a esfriar..O que significa que temos que concluir-sorriu com aquele ar de garota safada e cheia de ideias devassas- Amorzinho,fica de pé.
Oliver obedeceu no mesmo instante.
Felicity permaneceu ajoelhada na banheira, o corpo parcialmente coberto por água e bolhas de sabão, aquela era uma visão e tanto. O loiro concluiu.
—Vamos pra cama então, terminamos por lá -Realmente a temperatura da água não estava mais tão agradável. O loiro pensou. Estendeu a mão para ajudá-la a se erguer.
Porém Felicity tinha outros planos..Oliver grunhiu quando sentiu a boca de sua esposa o tomando por completo. Em seguida ela franziu o nariz e fez uma careta.
—Seu pau tem gosto de sabão ..Argh! Horrível.
Oliver reprimiu a vontade de investir na boca dela, agora que tinha experimentado a sensação de calor e havia sido retirado rapidamente sentia-se pulsante.
Estava tentando se recuperar do choque,quando sentiu um jato de água fria, se não fosse irônico, Oliver estaria rindo. Felicity estava lavando cada pedacinho do seu membro, desde o talo até os testículos.
—Baby, se o meu pau ainda funcionar depois dessa água fria, nada mais me faz brochar — falou entre risos.
Felicity parecia discordar, tinha nada de mole naquele membro firme e pulsante que ela segurava entre as mãos.
—A gravidez alterou os meus sentidos. Maldito paladar aguçado, amo chupar o seu pau,mas com sabor de sabão,não.. No entanto não tem problema, esta limpinho e duro.
Primeiro, ela iniciou uma série de carícias, alternando com um movimento firme e rápido, depois lambeu cada centímetro dele, desde a cabecinha rosada até as bolas,e então finalizou com ele dentro de sua boca,chupou-o totalmente sem pudor,como se fosse uma fruta gostosa e suculenta.
—Caralho..-Oliver soltava alguns gemidos ao mesmo tempo que segurava os cabelos loiros,auxiliando Felicity no movimento.
Prevendo que iria gozar,Oliver retirou a mão que segurava a cabeça de Felicity e afastou para se aliviar.
Felicity resmungou quando sentiu algo tocá-la.
—Oliver..- começou censurando-o –Você errou a mira, parece que tem porra no meu cabelo.
Tocou o local e confirmou sua suspeita.Voltou com os dedos lambuzados e lambeu.Dessa vez sem caretas.
— Pelo menos não tem aquele gosto floral....Tem gosto de Oliver, meu macho.-piscou afetada na direção dele.
Oliver não tinha respostas pra aquele ato, estava um pouco alucinado e tentando se recompor.
—Vem,vamos terminar esse banho e lavar o seu cabelo gozado. ..Felicity o que. .que -perdeu as palavras quando sua esposa ficou de quatro, um pedido claro e explícito.
—Vem amorzinho,quero ser comida de quatro..Vamos dar consistência para o seu super plano...Não era essa a ideia inicial? Seu corpo montando no meu??..Vem,a sua fêmea está no cio.
Oliver estremeceu, sentindo uma pontada aguda e impactante. Levou a mão até o seu membro, rodeou-o com maestria e se preparou para invadi-la. Aproximou e colocou-o em posição.
—Você está no cio,Baby?Isso quer dizer que vamos brincar igual animais?Bem treladinhos um no outro?..Você falando essas coisas me tira do sério, muita ousadia da sua parte.
Felicity arfou quando sentiu o primeiro contato.Estava tão sensível e desejosa.
—Eu sou a parte ousada desse relacionamento, amorzinho....Você já foi, não é mais.
Oliver interrompeu o movimento que fazia.Estava louco pra deslizar inteiramente, mas ao mesmo tempo chocado com o que ouviu.
—Eu também sou ousado..Não lembro de ter deixado a desejar, você estava gemendo o meu nome poucos minutos atrás.
Felicity rolou os olhos, é claro que o loiro interpretaria errado.
—Você não deixa a desejar, nunca...Mas depois que fiquei grávida, você parou de ser ousado.
As mãos de Oliver acariciaram as coxas bem torneadas, em seguida apertaram o bumbum,impulsionando o seu membro para frente, entrando um pouquinho. Interessado no que ela dizia.
—Aonde você quer chegar com isso,Felicity? — ele observou a ponta rosada sumir e aparecer, entrando nela com provocação e sem pressa.
Ela queria aquilo imediatamente, não podia ignorar ou adiar. A loira apertou os dentes, respirando ofegante e um pouco trêmula, começou a remexer, tentando forçar um movimento mais rápido.
—Quero exigir aquilo que você falou quando foi me buscar..Quero o meu marido que fode com força. .Não seja contido, Oliver.
Era difícil manter a mente concentrada, quando todo o seu corpo recebia incentivos e pedia para ser arrombada com ímpeto. Felicity estava quase entrando em combustão.
—É o que você quer baby?-ela acenou concordando, incapaz de falar alguma coisa.
Oliver entrou a metade, sentindo-a mover embaixo dele, intimando-o a se afundar mais.
— O que mais você quer?..-ele estremeceu e fechou os olhos, deslizando mais um pouco na cavidade molhada e convidativa.
—Quero com força. .E que não seja cuidadoso. -respondeu enquanto mordia os lábios.
Oliver não pensou. Apenas arqueou o corpo e se projetou com tudo, entrando inteiro e forte.
—Assim?- enquanto falava, dava estocadas longas e rápidas.
Felicity segurava firme na borda da banheira, o seu corpo sacudindo conforme recebia as investidas, testando o seu equilibro.
—Mais..- Ela pediu entre arfadas..-Mais forte.
Oliver respirou fundo,tinha um animal dentro dele,primitivo e selvagem. .Queria mais que tudo fodê-la com força e sem pressa de acabar.E ouvir ela pedindo com tanto afinco, só alimentou a vontade.
—Não me tente,baby...Vou passar o resto da madrugada — parou e esperou as palavras vir,o raciocínio lento e o fôlego curto — .. Em cima de você. Não me tente.. Na verdade eu poderia montar em você o dia todo..
Sem cautela ou excessos de cuidado, Oliver obedeceu. Tomou a com força, movimentos alternados, começando rápido e em seguida assumindo um ritmo lento para logo ganhar mais velocidade.
—Assim..Faz de novo,nesse ponto- Felicity rebolava enquanto recebia aquela invasão no seu corpo.-Hummm..vou gozar .
Não demorou muito e Oliver a acompanhou. De todas as posições, esta era a que sempre trazia o prazer do casal no mesmo compasso, um seguido do outro.
Oliver sorriu largamente, saiu de dentro dela, ouvindo Felicity suspirar em protesto pela falta.
Ajudou a se erguer, testando a força de suas pernas. Encaminhou a esposa para uma ducha quentinha e juntos eliminaram os fluidos restantes que o ato proporcionou.
—Você ainda quer sem cuidado?-Oliver perguntou quando estavam deitados na cama,Felicity com a cabeça em cima do seu peito.
—Hum.?- perguntou sonolenta e relaxada, sem entender o que ele dizia agora.
—Perguntei se você quer fazer mais vezes sem cuidado.-Oliver beijou o alto de sua cabeça, continuou afagando os fios loiros quase fazendo com que ela fechasse olhos definitivamente, entregando-se ao sono.
Felicity bocejou, encostando o seu corpo ainda mais em Oliver.Ambos exalando o mesmo cheiro floral e assabonetado. Muito revigorante, ela pensou.
—Quero..Mas não hoje,não tenho forças para aguentar novas investidas.-bocejou novamente.Sentindo o sono cada vez mais perto.
Oliver fechou os braços ao seu redor, começando a preocupar.Fazia parte de sua natureza ser assim,cuidar e protegê-la.
—Mas você está bem?..Sem dor ou..-Felicity mordeu a lateral de seu corpo para fazê-lo parar- Ei..Isso doeu.
—Amorzinho, não seja assim..Estamos bem..Na verdade estou ótima. .Devidamente comida e em êxtase. .Pra melhorar só falta uma coisa.
Oliver olhou para o despertador ao lado de sua cama, quase gemeu em desgosto. Quase.
Mas pensar em toda a atividade da madrugada fez o seu sorriso aumentar, quem ligava se ele não teria tempo para dormir?Certamente, não ele.
—O que falta,baby. .?
Felicity fechou os olhos e esperou pelo momento que fecharia a sua noite com chave de ouro.
—Canta pra mim..A música que você cantou no nosso casamento.
Como prometido, Oliver chegou à mansão minutos antes de Felicity acordar. Subiu a escada que levava ao quarto do casal, pulando de dois em dois degraus, ainda teve o prazer de acordá-la com beijos e sussurros apaixonados.
Desceram juntos para o almoço em família, sempre de mãos dadas, sorridentes e evidentemente cheios de olhares cúmplices e promessas reservadas para logo mais.
Estavam sentados no sofá na sala de recepção. Felicity com os pés no colo de Oliver, recebendo uma massagem sensacional. Thea estava montada no outro sofá, só observando a cena, dividida entre sorrisos e caretas.
Robert ,estava sentado na poltrona próxima a lareira, o caça palavras e uma caneta nas mãos. E no rosto um sorriso de satisfação, sentia-se quase realizado, sabendo que tudo estaria completo quando o filho de Oliver e Felicity chegasse à mansão, aquela casa precisava de novos integrantes.
—Onde está Raisa? ..-Thea perguntou, ao mesmo tempo que se esparramava no sofá. -Aquela mulher não para de cozinhar, estou com ânsia e com certeza dois quilos mais gorda. .Preciso ficar fittnes pra estrear essa turnê com um corpitio fino...Raisa precisa parar.
Felicity fez uma careta e gemeu.
—Precisa mesmo,Bá acha que gravidez é sinônimo de comida. Nesse ritmo vou ficar com um traseiro enorme.
Oliver parou a massagem que fazia e beijou os pés da esposa,com um olhar totalmente cafajeste.
—Não podemos negar que você está muito gostosa-começou falando, sendo logo interrompido por Felitiy o beijando, um selinho singelo, mas com um sorriso brilhante e cheio de significado.
Thea jogou uma almofada no casal.
—Vocês me dão nojo..Argh! Não bastasse a madrugada barulhenta, ainda tem essas preliminares em plena luz do dia .-falou entre risos.
Felicity ficou vermelha,Oliver pelo contrário,parecia nem ter ouvido. Apenas balançou os ombros.
—Não vamos pedir desculpas, assim como não temos culpa que você e o Roy não tem todo esse gás. -Oliver falou e jogou a almofada de volta, acertando o rosto da irmã.
Felicity queria um buraco pra se esconder.
—Não temos gás? Ahhhhh! Queridinho,Roy e eu conseguimos mover uma cama enquanto trepavamos. .Sabe o que isso sgnifica?Nossa energia sexual é praticamente uma força da natureza..
Robert bateu palmas e chamou a atenção dos filhos.
—Tudo bem crianças, não sou careta e já sei que vocês são sexualmente ativos..Mas não preciso ouvir o memorando..Poupe-me dos detalhes. ..
Thea e Oliver continuaram rindo,enquanto Felicity murmurou palavras apressadas.
—Ainda bem que em breve vamos pra nossa casa.
O silêncio que se seguiu foi sepulcral.
Mas logo Thea começou a narrar os locais onde faria as suas primeiras apresentações.
Robert ignorou o que ouviu e deu continuidade no caça palavras.
Oliver e Felicity trocaram olhares e ficaram na dúvida se deveriam resgatar o assunto e explicar os motivos, ou se deixavam o assunto quieto.
—E então Fê, quando saberemos o sexo do bebê? ..
Felicity pensou no plano que Oliver e ela tinham em mente.Speed odiaria a ideia. A loira estava prevendo.
—Mês que vem faço o ultrassom, mas estamos pensando em deixar o mistério rolar até o dia do nascimento.
Oliver parou a massagem que fazia nos pés da esposa e saiu pedindo licença para atender ao celular.
—Corre mesmo,medroso..-Thea começou com o discurso agitado- Aposto que foi ideia do Ollie, muito ridículo o que vocês estão fazendo. .Estamos falando do meu primeiro sobrinho...Papai o senhor está ouvindo esse absurdo?
Felicity rolou os olhos, absurdo era o drama que Thea fazia.Robert seguia cabisbaixo e indiferente.
—Eu ouvi,Thea....Oliver e Felicity são os pais, mesmo eu não gostando, quem decidi são eles. .Estou notando que eles querem distância, certamente serão aqueles pais cheios de não me toques e regrinhas.
Felicity arregalou os olhos, é claro que Robert interpretaria errado. Ela olhou pela janela a procura de Oliver que tinha saído,mas nada de ver o marido para chamá-lo e juntos prestar esclarecimentos com relação a mudança.
—Não queremos distância. .Queremos começar algo nosso-Felicity começou a balbuciar alguma explicação, mas Robert seguia ignorando.
Thea pegou a almofada no chão e a posicionou no sofá, mudando a posição que estava deitada.
—Mas voltando ao sexo do bebê, porque tanto suspense? Em algum momento você terá que descobrir pra começar a preparar o quarto e o enxoval.
Felicity apenas suspirou.
—Eu não ligo se vamos descobrir agora, ou na hora do nascimento. Mas o seu irmão acha interessante manter o mistério.
—É claro que ele acha- Speed zombou.
Thea continuava com o seu discurso indignando, quando Robert levou uma mão ao peito.Logo sendo tomado por uma falta de ar.
Felicity foi a primeira a perceber. Levou as duas mãos a boca estava em choque. Seu pai de consideração estava apresentando sinais de um infarto.
—Robert..- Felicity gritou, entrando em pânico. -Thea,vamos chamar uma ambulância.
Speed percebendo a gravidade da situação começou a chorar e gritar por Oliver e Raisa.
—Papai,por favor..Por favor..Estávamos indo tão bem,não faça isso..Fique firme.
O homem estava estirado na poltrona, segurando o braço com força e a todo momento fazendo caretas.
—Não sei se vou aguentar- falou baixinho, quase sussurrado.
Felicity ajoelhou do lado de Robert segurou as mãos idosas entre as suas.
— Precisamos do senhor..Nossa família precisa do patriarca- a loira engoliu um soluço- E o bebê?.Ele precisara de um avô para lhe contar historias e mima-lo.
Thea parecia sem reação, a cena muito semelhante ao ocorrido meses atrás. Quando pensou que o pai estava morrendo.
—Vocês não precisam mais desse velho..- ainda com os olhos fechados, respondeu a Felicity.
A loira começou a se sentir culpada, não era momento para abordar a questão de mudança, sabia o quanto o patriarca queria todos por perto. E ele estava tão empolgado com a chegada do primeiro netinho. Oliver e ela estavam privando-o de ter uma convivência juntos.
Thea estava no telefone com os paramédicos .Felicity conseguia ouvir a cunhada soltando frases apressadas e pedindo ajuda..
—Calma papai,vai ficar tudo bem..
—Eu não quero ir para o hospital, prometa-me Thea. Não quero ir — ele dizia entre arfadas.
Felicity percebeu que estava pretendo a respiração, então obrigou-se a tentar ficar calma.
Onde estava Oliver que não aparecia?
—Robert,o senhor não tem que se exaltar, vamos cuidar e leva-lo para o hospital... Oliver e eu, ficaremos aqui na mansão enquanto o senhor desejar... Somos família, um apoia o outro.
O senhor olhou para a sua garotinha loira,os olhos brilhando e a boca trêmula.
—Você tem um coração de ouro minha menina...será uma mãe maravilhosa.
Felicity se ergueu as pressas e saiu correndo a procura de Oliver e Raisa .Parecia que o patriarca estava se despedindo, precisava tomar alguma atitude.
Thea permaneceu na sala acompanhando o pai enfermo, segurando as mãos e secando as lágrimas.
Quando Felicity sumiu de sua visão, Speed soltou a mão que segurava e socou o ombro de seu pai.
—Thea,qual o seu problema?-Falou entre pausas, o ar saindo com dificuldades.
—Pode parar com o teatrinho papai,você não é Robert De Niro. ...Felicity já cedeu, em questão de minutos ela faz a cabeça do Ollie e todos continuam morando aqui.
Robert soltou o ar que estava pretendo e ergueu a mão para simular um "toca aqui" com a filha.
—Você também foi convincente querida, até chorou com direito a lágrimas e tudo o mais.
Thea se deixou cair no sofá de qualquer jeito.
—Sabia que em algum momento aquelas aulas de encenação seriam úteis...Sorte sua que Ollie está lá fora, ele não teria caído nesse golpe...Vou dar um jeito de evitar que a ambulância venha te buscar, mas com certeza Raisa já ligou para o Dr Gilbert..Ele deve estar a caminho, o senhor vai ter que segurar a encenação.
Robert apenas acenou com a mão no ar.
—Bobagem. Merecemos uma estatueta. .E o Oscar de Melhor ator e atriz coadjuvante vai para?..-Fez uma pausa dramática e então anunciou.-Robert e Thea Queen.
A filha mais nova olhou para o pai com ar de repreensão, mas custando segurar o riso.
—Oscar?..Eu deveria quebrar essa estatueta na cabeça de vocês,isso sim...Irresponsaveis. -Oliver começou falando, o rosto vermelho e andando a passos largos.
Obviamente ele estava a par da trama.
Thea e Robert arregalaram os olhos em espanto. Literalmente, flagrados na cena do crime.
—Ollie...Não seja exagerado, você é certinho demais...Que mal tem o papai querer a família toda reunida?
Oliver nem se deu ao trabalho para repreendê-los. Faria isso mais tarde.
—Vocês dois me aguardem. No momento vamos receber um médico pra Felicity..Quando ela se recuperar nós três teremos uma conversinha.
Não foi preciso questionar Oliver, porque logo em seguida Raisa apareceu amparando Felicity que parecia desnorteada e fadigada. Não demorou e Oliver a pegou no colo e seguiu com ela para o quarto.
Raisa ficou aos pés da escada observando o casal sumir de suas vistas. Suspirou profundamente e olhou na direção da dupla não tão dinâmica.
—Raisa,o que aconteceu?..O que Felicity tem?-Robert perguntou preocupado, o olhar culpado e o coração em pedaços.
Thea ameaçou subir as escadas, mas Raisa a impediu.
—Não agora,Thea. .O seu irmão está mais descontrolado que a própria Felicity e você indo até lá vai piorar a situação….Ela está grávida e sensível, quando foi procurar Oliver lá fora ela teve uma pequena vertigem.....Felicity é forte, já passou por coisa pior, logo ficará bem....O que vocês estavam na cabeça?..Não se brinca com coisa séria... Mas não serei eu a começar o sermão. Vocês dois terão que lidar com as consequências..Oliver vai explodir, até agora ele se segurou por causa dela.
Felicity estava bem, só um pouco assustada. Mais tarde quando a poeira abaixasse ela acharia graça da situação.
Estava deitada na sua cama, ouvindo o diálogo entre Dr Gilbert e o seu marido..O médico era um santo, ela pensou.
Oliver estava começando a ficar irritante. Não parecia ouvir nada que o médico falava.
—Veja bem Oliver, me deixa explicar mais uma vez...Felicity está bem,teve uma pequena indisposição devido ao susto..A pressão está um pouco acima do esperado, mas não vejo nada de preocupante. Recomendo que ela procure a obstetra que está monitorando-a e continue com as caminhadas matinais, alimentos ricos em proteínas e vitaminas, pouco sal e pouca gordura. Basicamente o que ela vem fazendo...Agora preciso ir.
Oliver esfregou as mãos no rosto impaciente.
—O senhor que não está entendendo, Felicity tem um histórico de pressão alta e na outra gravidez teve complicações. O que aconteceu hoje pode voltar a se repetir e colocar tanto ela, quanto o bebê em risco.
O médico olhou para a loira e sorriu.
—Como disse, procurem a obstetra..Felicity, você disse esta fazendo o pré-natal com a Dra Thompson?Não poderia ter escolhido melhor, ótima profissional....Agora,eu preciso ir..Felicity fique bem,e espero que Robert tenha aprendido uma lição. -piscou para a loira e saiu.
Por coincidência Robert e Thea quase esbarraram com o médico que saia do quarto.
Robert sentou aos pés da cama e Thea aproximou de Felicity,segurando as mãos da cunhada entre as suas.
—Perdão,Fê. .Não tenho palavras para expressar minha vergonha e arrependimento.
Oliver bufou irritado, logo recebendo um olhar reprovador da esposa.
—Não foi legal Thea,mas isso que aconteceu não foi por culpa de vocês. .Vamos esquecer esse episódio e evitar brincadeiras de mau gosto.
—Felicity,por Deus!..Como não foi culpa deles?. Sua pressão subiu muito, foi por consequência do susto-Oliver atalhou a conversa,indignado.
—Oliver, mais tarde vamos conversar a respeito....Pega leve,por favor — a loira pediu com a voz fraca.
Robert concordava com o filho.
Ele não tinha o direito de brincar com a própria saúde, quem dirá colocar em risco a saúde de Felicity e ainda por cima o seu netinho tão esperado.
—Minha garotinha você não vai amortecer a situação. .O que fizemos foi irresponsável e imaturo..Primeiro,porque não tenho o direito de interferir nas escolhas pessoais que vocês fazem ou deixam de fazer.......E segundo e mais importante ,não se brinca com saúde, extrapolei os todos os limites..Por favor,nos perdoe...Não vai mais se repetir.
Oliver riu em escárnio. Estava parado ao lado da janela, observando toda a movimentação.
—Finalmente um pouco de sensatez..Espero mesmo que tenha sido o último episódio envolvendo vocês dois e essas brincadeiras sem noção. ..Felicity poderia ter tido maiores complicações.
A loira olhou para o marido esperando que ele entendesse aquele olhar que dizia "agora não, chega!".
Oliver pareceu entender, parou com o discurso na mesma hora.Mesmo que contrariado.
Thea e Robert levantaram para sair do quarto. Mas antes que passassem pela porta. O patriarca se explicou.
—Vocês não são obrigados a ficar aqui..Eu queria muito que desse certo, mas entendo que tenham planos...Estive pensando,esse loteamento é enorme.Poderia construir um condomínio de luxo com umas vinte casas...Porém, em minha falta esse espaço é de vocês três, são os meus herdeiros..Thea diz que não abre mão da mansão.
Logo Speed confirmou.
—Não mesmo. .Amo esse lugar, representa tanto pra mim..Não saio daqui nem mesmo quando me casar com o Roy. .Papai e Raisa terão que nos aturar por aqui-piscou para o pai, que em seguida fingiu fazer careta.
Oliver encarava o patriarca sem compreender suas divagações.
—Não estou entendo aonde o senhor quer chegar....Felicity e eu estamos decididos. .Vamos arrumar um lugar nosso, não será longe de vocês, mas querermos certa privacidade.
Dessa vez o patriarca não se sentiu ofendido.
—Não estou me impondo, é apenas uma idéia. .. Como vocês pretendem ficar perto de nós e desejam algo mais privado, estou dizendo para entrarmos num acordo e vocês dois escolherem o loteamento que tem interesse ,seriam duas parte na verdade.Uma sua Oliver e a outra sua Felicity -Quando a loira começou a protestar que não entraria como herdeira,Robert a silenciou- Querida, não está em discussão. .Sempre consideramos você como filha,obviamente você tem direito.
Oliver olhou para Felicity em busca de um sinal, estava bastante visível que a loira ficou tocada pela ideia. Pra ele o local onde fossem morar não faria tanta diferença, passava boa parte do seu tempo na empresa, por tanto deixaria a decisão nas mãos de sua esposa, ela que estaria por casa em tempo integral.
—Se Oliver concordar, adorei a ideia. .Poderíamos construir algo do nosso gosto e de certa forma continuarmos por perto.
—Fazer uma construção pode ser um processo demorado, mesmo assim você estaria disposta a esperar?-Oliver era prático e tinha uma visão mais longe.
Felicity balançou os ombros.
—Contando que fique pronto antes do bebê nascer, não temos pressa.
Robert viu nesse argumento a sua chance de intervir.
—Mesmo porque, Oliver fica fora o dia todo para trabalhar e você não pode ficar sozinha..Querida,seja razoável — o ex escritor interrompeu os protestos da loira- Não queremos correr riscos,aqui você teria companhia e cuidados.
Oliver pensava no quanto o seu pai era ardiloso e esperto. Porém dessa vez ele estava certo.Felicity não podia ficar sozinha, isso não entraria em discussão.
A loira suspirou resignada, porém com uma expressão facial feliz.
—Tudo bem,vocês venceram. Aceito os cuidados e se todos estiverem de acordo, semana que vem podemos conversar com um engenheiro e um arquiteto ...O que você acha,amorzinho?
Oliver foi até a cama e sentou ao lado da esposa . Beijou-a nos lábios.
—Se você estiver de acordo,eu também estou.. E a propósito, você tem visitas-acenou na direção da porta, mostrando Thommy, Laurel e o pequeno pacotinho nos braços da advogada- Vamos sair e deixar vocês a vontade….Papai,Thea..escritório..Agora.
É claro que Oliver não deixaria passar, mesmo depois de todos terem chegado numa mesma resolução. Felicity pensou.
—Ei,como está a minha irmã preferida?..-Thommy foi jogando as sacolas de bebê na poltrona -..Primeira vez que saímos com o Will e olha só, eu tenho que carregar as malditas sacolas.
Laurel pareceu nem ouvir, caminhou cheia de classe, e sentou ao lado esquerdo de Felicity ,Thommy aproveitou e sentou ao lado direito.
—Você nem parece que esteve grávida,Laurel. .Me entrega esse bebê mais fofo da titia.
A advogada entregou o menininho sem qualquer preocupação, Thommy por outro lado achava que Felicity não estava apta.
—Talvez não seja uma boa idéia, Fê. .Você está um pouco pálida.
A loira apenas ignorou, continuou balanço o sobrinho.
Adorando a sensação de tê-lo nos braços, esse bebê não tinha nada a ver fisicamente com o seu falecido filho..Mas ambos além de compartilhar o mesmo nome,compartilhavam do mesmo amor..
A loira derretia só de olhar aquela coisinha mais fofa,o rostinho redondo e com covinhas nas bochechas,Will mesmo dormindo era um bebezinho risonho.
Uma mini cópia de Thommy.
—Eu ficaria ofendida com você Thomas,mas não quero acordar o Will. .Você acha que vou deixar o seu filho cair?..Mesmo que acontecesse estou numa cama,o que reduz totalmente os riscos.
Thommy suspirou e abraçou a irmã.
—Não estou preocupado com isso,é claro que você tem condições de segurá-lo. .O que me preocupa é a sua saúde,Oliver me ligou desesperado..
É claro que ele ligou.Felicity pensou.
Paranoico.
—Oliver não deveria ter feito isso..Não faz nem quinze dias que Laurel deu a luz,deveria estar em casa,de repouso..Eu estou bem,o meu marido é que vai perder a cabeça se não se controlar .
Laurel conhecia aquela história. Sabia o que seria os meses seguintes na vida de Felicity.
—Fê, relaxa.Parto normal tem essa vantagem, estou ótima e de qualquer forma estávamos planejando trazer o Will pra ver vocês. ..Agora,falando sério. .Não perca a paciência com o Ollie, ele te ama tanto, está assustado e com razão, você tem um histórico preocupante... Deixa-o cuidar de você, pode ser um pouco irritante,mas garanto que o resultado final vai compensar. .Mesmo que a sua cria venha a cara do pai.- Debochou se referindo ao próprio filho.
A amiga estava certa em ambos os casos, Felicity pensou.
Segurou os dedinhos das mãos de William e analisou-o detalhadamente. Desde as sobrancelhas até os dedinhos dos pés.
—Thommy se existisse dúvidas de paternidade, um DNA não seria necessário. .
O moreno encarava esse tipo de comentário como um troféu. .Era valioso saber que seus genes tinham contribuindo para a formação de um ser tão incrível.
—Fê..não querendo ser a estraga prazeres, mas William pode mudar, os bebês mudam a feição frequentemente.
Thommy e Felicity riram do ciúme materno, era óbvio que até o momento aquele bebê era uma projeção do pai.
—Amor,os pezinhos dele são iguais aos seus. .Isso sim é notável.
Laurel segurou os pés do filho entre as suas mãos e reprimiu uma careta.
—Justamente os pés, tanta coisa legal pra esse garoto herdar, tinha que ser logo os meus pés. ..Acho que a culpa é sua Thomas..passou a vida inteira abusando dos meus pés de pato..E agora vai ter que conviver com os pezinhos do Wiil. -Laurel beijou cada pedacinho daqueles pés, como se pedisse desculpas ao filho.
Thommy não era assim tão sensível. Amava a sua família incondicionalmente, mas não ignorava os fatos.
—Ainda bem que os pés podem ser facilmente escondidos, coitado do meu filho..
Aquela visita era tudo que Felicity precisava. Oliver pensava em todos os detalhes.
Deveria agradecer ao marido mais tarde, ela pensou.
—Estou ouvindo sua insinuação, Thomas Merlim..Cuidado,eu posso falar que os nossos pés de patos são feios, outras pessoas não, incluindo você.
Felicity estava dividida, se tentava apaziguar os ânimos ou caia na risada.
—Eu não tenho medo,Laurel Lance Merlim, greve de sexo não é uma ameaça. Estamos de quarentena mesmo.
A jornalista olhava de um pra outro.
—Um dia a quarentena vai acabar, mas o prazo pode ser prorrogado, marido.....Vamos parar com isso, roupa suja se lava em casa .Viemos visitar a sua irmã, ela precisa de paz. Daqui a pouco o Ollie expulsa a gente.
Felicity sorriu e acenou positivo, sabia que o marido teria coragem de fazê-lo.
—Oliver está cansado, aconteceu tudo de uma vez..Tanto tempo nesse ritmo louco de trabalho,em pouco tempo Robert adoeceu, nos engatamos um namoro que logo foi promovido a casamento e antes disso fizemos um bebê. ..Nosso ritmo foi um pouco acelerado..Meu marido precisa de férias, mas diz ele que vai descansar quando o nosso filho nascer.
Thommy e Laurel olharam um para o outro ambos pensando, "a gente conta ou deixa eles descobrir?"..
—Eu segui por esse raciocínio, tirei férias para ficar em casa e ajudar Laurel a cuidar do William..Vou voltar para o trabalho parecendo um trapo..Claro, cada situação uma sentença diferente.. Mas vou confessar, como uma criança tão pequena tem pulmões tão potentes?Esse menino só sabe chorar..Se for fome,ele chora. .Quando está com a fralda suja, ele chora,e se for tomar banho?Parece o cascão, Will odeia tomar banho e chora como se estivesse apanhando...E ainda nem começou a fase das cólicas.
Laurel olhou para Thomyy pedindoque parasse . .Felicity estava um pouco assustada com aquela informação. Era visível.
—Fê, você pode perceber de quem o Will herdou o drama...Thommy esta exagerando..ele é um bebê bonzinho, nós que estamos encontrando dificuldade em lidar com uma situação que não temos experiência.
Felicity olhou para o casal e percebeu que ambos pareciam abatidos, o olhar cansado e olheiras escuras. Mas a julgar pela serenidade do bebê Theo,os amigos Barry e Caitlin não tinham o que reclamar. Como Thommy disse cada criança, uma sentença.
Raisa invadiu o quarto cheia de entusiasmo. Logo foi pegando Will dos braços de Felicity.
—Eu vou assumir de agora até mais tarde, Laurel você o amamentou quando chegaram, então o nosso pequeno Will vai aguentar umas duas horas, nesse intervalo vocês podem dormir no quarto de hóspedes. ...E Felicity,preparei um chá de camomila e torradas com alecrim,Oliver esta trazendo pra você, trate de colocar alguma coisa no estômago, você precisa melhorar sua alimentação.
Laurel e Thommy nem mesmo reclamaram, seguiram para o quarto de hóspedes felizes e abatidos.
Raisa saiu com o pequeno Will,deixando Felicity sozinha com os seus pensamentos.
A loira retirou a coberta que cobria o seu corpo, levantou a blusa e começou a analisar sua barriga. Estava mais firme e ganhando um formato despontado, mesmo que sutilmente.
Oliver entrou no quarto no mesmo momento que a esposa estava sorrindo e acariciando a pequena evidência.
—Acho que está começando a aparecer — ela confidenciou.
—Não consigo ver muita diferença, porém não posso dizer o mesmo do seu traseiro e os peitos-piscou pra ela.
Oliver colocou a bandeja sobre a cama, voltou e trancou a porta do quarto. Queria um pouco de paz.Estava com com a cabeça a mil.
—Felicity,o que aconteceu hoje não pode se repetir..Temos que evitar situações de estresse e cuidar para que você não tenha oscilações..Meu pai e Thea estão avisados..Estou tão decepcionado.
A loira colocou uma mão no ombro do marido, convidou-o para deitar na cama ao seu lado.
—Amorzinho..Vamos esquecer esse episódio, mesmo porque não foi totalmente culpa deles,tá certo que eu fiquei assustada . .-fechou os olhos e preparou para o espetáculo que viria a seguir- Mas essa não foi a primeira vez que passei mal.
Oliver beijou os lábios rosados de Felicity e colocou uma mecha loira atrás da orelha.
—Eu sei..Você comentou que teve desmaios na gravidez do William.
—Não estou referindo à gestação anterior. Estou contando que essa semana tive outra oscilação.
Oliver arregalou os olhos, contou até dez e pediu por paciência, mentalmente. .
Não queria explodir com Felicity num estado tão delicado...Mas estava assustado.
—Por que você não me contou?..Felicity você. .Você não pode fazer isso comigo..
A jornalista e aspirante a escritora, abraçou a lateral do marido e pousou a cabeça no peito de Oliver.
—Eu estou bem,estou recebendo ótimo acompanhamento médico. .Falei com a obstetra, tenho uma consulta agendada para segunda feira, não comentei antes pra você não surtar. ..Amorzinho, eu estou contando contigo,você é o meu apoio,meu porto seguro..Vamos passar por isso juntos. Mas para eu ficar calma e evitar estresse, você também tem que tentar..Uma mão lava a outra.
Oliver sentiu o peso daquelas palavras. .Ele precisava ser forte e ampara-la. .Mesmo que estivesse temendo os próximos meses.
—Felicity, você quase morreu na outra gravidez...Você -respirou fundo,tentou engolir mas foi em vão. A boca estava seca,um nó se formando na garganta- Você precisa deixar que eu cuide de você, se for preciso vamos mudar para um leito de hospital..Mas me promete que você vai se cuidar..Precisamos de você,nosso filho conta com você.
Felicity secou uma lágrima que caiu pelo rosto do marido. Depositou um selinho demorado nos lábios dele.
—Vamos ficar bem, temos você. E isso é o começo..Não vamos criar alarde por algo que não sabemos, não é anormal sentir vertigens. ..Me prometa Oliver que você não vai surtar, vamos enfrentar cada etapa que vier..Firmes e fortes.
—Vamos..Firmes e fortes.-ele repetiu confiante.
De repente Oliver se lembrou do envelope que estava na escrivaninha, levantou num pulo, pegou o envelope e apenas com um olhar pediu autorização a Felicity se podia abrir.
—Pensei que você tinha planos de manter em suspense. Seu pai e Thea ficaram revoltados com a nossa decisão. ..Alias, sua irmã nem sonha que temos esse papel...Se ela descobrir a existência dele, provavelmente vai invadir esse quarto e procura-lo.
E então os olhos de Oliver brilharam em determinação. Essa era a motivação que ele precisava.
—Por isso mesmo vamos abrir e descobrir o sexo... Papai e Thea serão os últimos a saber.. Será uma recompensa pela atuação de hoje.
—Você é vingativo.. –ela falou entre risadinhas — Não sei se concordo não os quero chateados com a gente... E eu não sei se vou conseguir manter em segredo por tanto tempo.
—Vingativo?. No momento estou chateado, não vou esquecer tão cedo o que eles fizeram hoje ... .E pode parecer impossível, mas não sou tão controlado assim.. Esperar mais seis meses pra descobrir?
—Sendo assim- a loira sorriu travessa.
Oliver sacudiu o envelope no ar.
—E então, você concorda?-parou na frente da esposa.
—Mesmo se não concordasse você não teria equilíbrio para me obedecer... Senta aqui, vamos olhar juntos.
Não teve cerimônia ou delicadeza, Oliver abriu o envelope em fração de segundos.
Olhou para a esposa, os olhos quase saltando pra fora diante tanta expectativa. Felicity não estava diferente, saber que em milésimos de segundos saberia se estava esperando uma menina ou um menino...
E então juntos eles tiveram a revelação.
Analisaram detalhadamente, depois voltaram fazendo uma segunda leitura do que estava escrito.
—Existe margem de erro?-Oliver perguntou abobado e surpreso.
Felicity pegou o papel em suas mãos e procurou por informações mais concretas..
—Sexagem fetal é mais exato que um ultrassom. ..Diz aqui 98% de acertos...Não é possível que seremos os 2% das estatísticas.
Ambos sorriram largamente e partiram um para o braço do outro. Agora poderiam começar a pensar em nomes.
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