Separados Pelo Passado
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Conforme trocava os passos pelo corredor largo e movimentado, sentia os olhares curiosos, especuladores e outros amistosos.
Uma leve brisa jogava as mechas loiras em seu rosto amedrontado. Ela devia ter tentado, não devia ter ficado longe por tanto tempo. Não devia ter permitido que tantos meses se passassem, mas jamais havia pensado que seria assim. Embora não se encontrassem pessoalmente tanto quanto ela gostaria, Felicity tentava ser presente mesmo que a sua maneira. Ligava, fazia chamadas de vídeo.
Chegando ao final do corredor, virou à esquerda.
Mesmo de longe ela conheceu a figura masculina, o rosto estava escondido entre os braços, mas era ele. Felicity simplesmente sabia.
O coração disparou e então sentiu um frio na barriga, a loira ainda ficava surpresa com as reações que sentia, era surpreendente como seu corpo reagia a Oliver, mesmo que depois de muito tempo.
Quando recebeu a ligação de Thea não pensou duas vezes, simplesmente sabia que tinha que voltar para San Francisco. A viagem foi rápida e durante o percurso tudo o que Felicity fez foi rezar e pedir a Deus que permitisse Thea e Oliver ter o pai por mais tempo...Não conseguia parar de reviver memórias antigas, lembranças de uma infância feliz, e Robert Queen estava presente em todas elas.. Durante a viagem um filme passou por sua cabeça. Nem por um segundo considerou que um retorno a sua cidade natal acarretaria num reencontro. E agora, estariam cara a cara.
Oliver estava agachado, as pernas curvadas segurando o peso do corpo forte e as costas escoradas na parede, se não fosse pela posição desconfortável, Felicity julgaria que ele estava dormindo.
Aquele cheiro atalcado com notas levemente adocicadas, o perfume de Jasmim e Íris, foi o bastante para alertar os sentidos do homem que até então parecia alheio ao seu redor.
Oliver ergueu os olhos para cima conhecia aquele cheiro, “impressionante como o tempo passa e certas coisas permanecem" o loiro pensou. Felicity estava parada à sua frente, muito mais bonita do que ele se lembrava, os olhos azuis pareciam ainda mais azuis, imaginou que fosse pelo fato de ela estar sem óculos. O cabelo estava mais loiro e o comprimento longo, com um olhar mais clínico Oliver observou que ela havia engordado, mas logo se corrigiu ela estava mais encorpada. Constatou que Felicity era frequentadora assídua da academia, aquelas pernas malhadas era a confirmação de sua suspeita.
—Oliver- a forma doce que Felicity o chamou foi tão...natural. Surpreendendo aos dois, foi ainda mais espontâneo a pressa que ela caminhou até ele, para em seguida se jogar em seus braços.
Passado o choque inicial, Oliver apertou os braços ao redor do corpo feminino. Inspirou aquele cheiro que emanava da pele dela. Se possível, apertou-a ainda mais entre os seus braços. Impressionante como ela encaixava naquele abraço, ainda mais impressionante o quanto a presença de Felicity significava segurança para ele. Só então se deu conta o quanto sentiu falta de ter alguém em quem se apoiar, não tinha percebido o quanto precisava de um abraço, um conforto. Até aquele momento Oliver estava ali tentando ser forte por Thea, enquanto ele próprio sentia-se destruído por dentro.
—Você veio — foi quase inaudível, mas o suficiente para que ela escutasse, não deixando de notar a surpresa na voz dele.
Felicity usou as mãos para afastá-lo, mesmo que minimamente. Seu pensamento inicial era apenas um cordial aperto de mãos, mas todo o seu controle se esvaiu quando Oliver levantou a cabeça para encara-la. Não esperava encontrá-lo tão vulnerável, Oliver continuava lindo isso era inegável. Mas os olhos azuis estavam tristes e vermelhos, assim como o nariz e a bochecha indicando que ele havia chorado. Pouquíssimas vezes Felicity o viu chorar. Ainda tocada pela fragilidade de seu amigo de infância, ela estendeu a mão esquerda e acariciou o rosto sofrido, observou a barba maior e as roupas amassadas. Estendeu a ele a outra mão que estava livre Oliver não fugiu da oferta. Segurou a no ar, emaranhado seus dedos aos dedos dela.
—Oliver, por que eu não viria? Pela sua cara,aí meu Deus- Felicity engoliu um soluço e aumentou o aperto na mão que segurava… -Como ele está? — tinha medo da resposta que viria a seguir.
O loiro tentou se recompor, secou as lágrimas e inspirou em busca de ar.
—-O quadro dele é delicado, passou por uma enorme dor no peito, denominada como angina. No momento ele segue estável... Consequentemente, esse tipo de dor torácica aumenta a probabilidade de um ataque cardíaco no futuro. — preferiu se limitar somente a última pergunta. Não era momento para entrar em conflito por ela ter afastado e nem lhe explicar a razão por ele ficar surpreso com a presença dela — Felicity, hoje senti o peso de algumas decisões. .. Não sabíamos que o papai estava com problemas cardíacos. ..Durante todo esse tempo, ele sabia e não contou ou fez questão de receber cuidados. ..Se eu ainda morasse na mansão poderia estar ajudando, estaria mais atento...O susto que levamos foi apenas uma alerta,Dr Gilbert vai mantê-lo em observação. Mas se cuidados não forem tomados, ele é um forte candidato a sofrer um infarto fulminante.
Felicity permitiu-se suspirar um pouco aliviada, manter Robert Queen em observação significava esperança, significava que ele estava vivo.
—Seu pai é forte, ele vai recuperar...E você não tem que se culpar, Robert é lúcido e estava consciente quando decidiu omitir ,não tinha como você ou Thea adivinhar que ele estava doente- Disse no mesmo momento que soltava a mão de Oliver, começando a sentir certo desconforto por estar somente os dois, Felicity observou que ele estava sozinho.
—Cadê a Speed.?- queria perguntar que espécie de namorada Susan era,num momento tão crítico e não estava ao lado de Oliver. Mas limitou -se a questionar sobre Thea.
Foi pequeno, mas lá estava a inclinação de um sorriso ao ouvir o apelido. Lembranças de um tempo onde eles eram inseparáveis, e viviam pegando no pé de sua irmã. Oliver concluiu que não estava tão imune quanto pensava, bastou Felicity chegar e com ela veio todo o passado de volta.
—Raisa acompanhou Thea para comer alguma coisa. Devem estar quase voltando. ..Não faz tanto tempo que Thea ligou para avisá-la, você deslocou muito rápido de um estado para o outro.
—Tenho alguns contatos, foram fundamentais para agilizar a viagem.
Baseado naquela resposta, Oliver deduziu que ser jornalista na CNN lhe conferia alguns privilégios. Certamente Felicity era rodeada por pessoas influentes.
—E vocês o viram? Está acordado? -Felicity tentava manter o diálogo num assunto imparcial.
—Ainda não o vimos, ele acordou apresentando falta de ar, segundo o médico papai ficará no oxigênio e assim que possível será feito novos exames...Mas,já recebemos inúmeras recomendações de cuidados referente a alimentação, bebidas,atividade física. .Serão dias tensos quando ele receber alta para voltar pra casa.
— Desde que me entendo por gente, lembro-me do seu pai se vangloriando que escritores vivem dezenas de anos, que ele não abria mão do vinho e muito menos das carnes gordas- Oliver acenou em concordância, pois era exatamente assim que o ex-escritor Robert Queen vivia, sedentário, alimentação pesada e várias garrafas de vinho. Ambos sorriram juntos.
Só então Felicity percebeu que ainda estavam com as mãos grudadas. Discretamente ela se soltou, tomou alguma distância e escorou na parede, assim como Oliver que também parecia deslocado.
Em fração de segundos toda a leveza que estavam cercados começou a pesar . Felicity parecia muito interessada em encarar os próprios pés e Oliver não tirava os olhos do corredor, como se tivesse poder de trazer Thea e Raisa o mais rápido possível.
Em outros tempos não faltaria assunto, mas agora pareciam dois desconhecidos pisando em campo minado.
—Thea vai ficar muito feliz com sua chegada. O papai também.
Felicity observou que Oliver não se incluiu na mesma sentença.
—Também estou muito feliz de poder revê-los, os dois — fez questão de ser bem específica, Oliver arqueou a sobrancelha, como quem diz recado recebido com sucesso.
Felicity começava a considerar sair à procura de Thea quando Thommy apareceu no fim do corredor. A princípio o moreno estava sério e caminhando em passos contidos, mas bastou ver a loira ao lado de Oliver que sua expressão mudou, o sorriso cresceu e então apertou os passos. Parecia um menino correndo para alcançar o seu brinquedo favorito.
Com Felicity aconteceu da mesma forma, correu para alcançá-lo. Amava demais aquele ser extravagante.
—Thommy, saudade desse abraço apertado- ela dizia entre risinhos contidos, enquanto o amigo girava com ela abraçada ao seu corpo.
—Thea me contou que você estava a caminho, mas não pensei que chegaria tão rápido. ..Está ainda mais linda -piscou atrevido e então voltou sua atenção para o amigo, Oliver parecia imparcial e desinteressado da cena a sua frente, mas não tirava os olhos de Felicity- Oliver, desculpa vir só agora... Thea me ligou a pouco contando do ocorrido… Mano por que você não me avisou? Estaria aqui com vocês desde a madrugada. Você precisa de algo? Sair pra comer, ou tomar um banho, trocar de roupas? ..Posso ficar aqui pra você ajeitar suas coisas.
Em agradecimento Oliver deu tapinha nas costas do amigo.
—Tudo bem Thommy, o importante é que você está aqui agora e na verdade não tem muito a ser feito, só resta esperar.....Obrigada pela oferta, mas vou aguardar o médico voltar para esclarecer algumas dúvidas, pode ir cuidar de sua esposa, qualquer coisa aviso.
Thomas Merlim conhecia o amigo como a palma de sua mão, e por isso sabia que ele não ligaria de volta. Oliver era assim, se doava pelos outros, mas nunca pedia ajuda quando era pra ele.
—Você que sabe, a oferta continua de pé. Laurel queria muito estar aqui, mas dado às circunstâncias e todo o estresse, consegui convencê-la a ficar em casa, quando Robert receber alta, vamos fazer uma visitinha.
—Por falar nisso, como Laurel está? -Felicity perguntou- Ontem a tarde ela estava um tanto… emotiva.
Thommy fez uma careta para em seguida soltar uma gargalhada.
—Laurel tá parecendo uma leoa enjaulada, mas até que saia do quadro de risco e o bebê esteja seguro, vai ficar quietinha em casa de repouso... Ela vai me odiar quando souber que você chegou e eu a encontrei primeiro. Desde aquela viagem que fomos para a sua casa, ela tá chateada que eu fiz o convite antes dela.
Novamente Thommy gargalhou. Era um crianção mesmo. Oliver pensou,mesmo não entendendo nada do que eles conversavam.
— Thommy, Thommy. .Se você não controlar esses excessos, Laurel vai surtar. Ela precisa de repouso? Sim..Mas isso não quer dizer ficar 24 horas presa numa cama...Ontem quando conversamos por chamada de vídeo ela estava chorando, disse que você não deixa ela sair nem para o jardim de casa.
Thommy fez um aceno com a mão.
—Você como madrinha desse bebê, deveria me apoiar e não ficar incentivando Laurel a sair do repouso.
Antes que Felicity pudesse puxar a orelha de seu amigo, ela ouviu o grito de Thea. Instantaneamente seu coração transbordou de amor. Amava demais aquela pessoinha exagerada e desbocada, mas ainda sim a companhia mais doce.
—MINHA,FÊ..
—Speed sabe que é proibido gritar dentro de um hospital?-Thommy perguntou a Oliver.
O loiro não parava de observar a interação entre as garotas. Thea e Raisa pareciam sufocar Felicity,beijos,abraços, mais beijos.O que Felicity tinha que causava essa comoção? Todos pareciam querer arrancar pedacinhos dela.
—Thea desconhece limites- pelo menos parecia mais feliz,Oliver observou. A irmã encontrava segurança na companhia de Felicity- Thommy,que viagem vocês estavam falando?
Thomas também observava de longe a interação entre as três mulheres. Voltou seu olhar confuso para Oliver.
—Que viagem?-Oliver não queria ter que repetir, mas estava curioso. Felicity parecia por dentro das coisas que aconteciam com os amigos de San Francisco. -Você e Felicity, falando sobre Laurel está irritada com você.
—Você não viu os stories que a Laurel postou?..Ahhhhh esquece! Você não tem redes sociais, cara em que mundo você vive?. Até mesmo os idosos usam redes sociais. Você é jovem, solteiro, boa pinta, deveria usar a ferramenta para atrair mulheres... Nossa! Quando eu era solteiro tinha uma rede social que eu não largava, era cada mulherão da porra,voc…
Oliver rolou os olhos, o amigo mudava os pensamentos rápido demais.
—Já entendi Tommy..Pula essas conquistas da sua época de playboyzinho. .O que seriam esses vídeos que eu perdi?
—Ahh sim,verdade.. Início do ano fomos visitar a Fê,lá em Boston -Oliver arregalou os olhos, não sabia disso. Não imaginava que a amizade entre eles continuava firme- Laurel e a Fê, estavam cheias de cochichos e conspirações, saíram para comprar alguma coisa na rua. Quando voltaram eram só sorrisos, preparam um jantar caprichado, você sabia que a Felicity está uma ninja na cozinha? Muito melhor se é que isso seja possível, a mulher já fazia um manjar dos deuses…
Oliver Suspirou impaciente, talvez até amanhã ele soubesse da história completa.
—Por que o jantar dos deuses? — o loiro tinha pressa, não queria perguntar na frente de Felicity e mostrar interesse. Olhou para as três mulheres e viu que elas estavam voltando para o local onde eles estavam.
Thommy encarava o amigo incrédulo.
—Não é possível que você não saiba Laurel já contou essa história tantas vezes, onde você tá vivendo??...Tudo bem,vou terminar -mudou a postura quando viu Oliver com aquele olhar zangado- Basicamente, o jantar era pra Laurel anunciar que ela estava grávida, elas saíram pra comprar teste de farmácia e tiveram a ideia de preparar um jantar….Cara, aquele foi o dia mais feliz da minha vida. Só passando por isso pra você saber, um filho. Queríamos tanto ser pais, tanto tempo tentando e quando descobrimos foi ao lado de Felicity.. .Foi um momento incrível, na euforia do momento convidei a Fê pra ser madrinha do bebê...Mas você sabe como as mulheres são, Laurel quase arrancou minha cabeça fora, queria preparar jantar, fazer suspense, entregar um presente com o convite e segundo ela eu arruinei o convite que ELA queria fazer a Felicity. .
Uma dor assolou o peito de Oliver, ouvir tudo aquilo o fez se sentir solitário. Não sabia da viagem a Boston, não sabia do envolvimento de Felicity em um jantar surpresa. Quando Thommy lhe deu a grande notícia, foi numa breve ligação de dois minutos, simplesmente ligou e disse,"Ei vou ser pai".
—Depois me mostra esse vídeo, você chorou?-Oliver tentou ser indiferente e zoar o amigo.
—O que você acha??....Não vou contar, vou deixar você assistir e descobrir- Thommy abraçou Raisa que chegava junto de Thea e Felicity.
—Ei garotos da minha vida- Thea chegou beijando a bochecha de Thommy e abraçando o irmão — E o papai? Alguma novidade? — perguntou ao irmão.
—Aguardando à avaliação do Dr Gilbert para ver se ainda hoje ele será transferido para o quarto-Suspirou resignado, em seguida beijou o alto da cabeça de sua irmã que permanecia colada a sua lateral.
Felicity parecia bem acolhida, muito à vontade com todos ,exceto por Oliver. A loira estava sempre abraçada com alguém, no momento, Raisa não parava de apertar sua protegida, era do conhecimento de todos que a governanta puxava saco para a loirinha.
— Vejam só essa coisinha mais preciosa, agora sim voltou ao visual de origem-Raisa falava emocionada, segurando as bochechas de uma Felicity envergonhada- Agora sim, parece aquela bebê loirinha que eu pegava no colo.
Felicity gargalhou, e até mesmo aquele som tinha o poder de despertar coisas estranhas em Oliver. Era quase revigorante.
—Bá,você sabe que agora é loiro de farmácia, né?Continua uma cor tão artificial quanto as anteriores- em seguida beijou a bochecha rechonchuda de Raisa, carinhosamente a sua eterna Bá.
—Não importa de onde esse loiro veio o que interessa é que agora sim, você parece a minha garotinha platinada... Esquece aqueles visuais estranhos, nada de castanho ou ruivo,o loiro é a sua cor. -falou brava.
Oliver concordou mentalmente, Felicity era linda em ambos os casos. Mas ela loira, era de parar o trânsito.
Thommy logo sacou o celular do bolso.
—Só porque a Raisa falou, vou abrir aquele vídeo para revermos-piscou para a governanta em provocação — Aqui a nossa Fê estava no auge dos seus cabelos castanhos.
Thea rolou os olhos, já sabia qual vídeo o amigo falava. Thomas Merlim havia se tornando um pai repetitivo e babão.
—Ahhhhh Merlim para. Não precisa procurar pretextos para exibir o seu vídeo de macho provedor.
—Não diga o que não sabe Speed. .Vamos ver como a Fê era antes de mudar o cabelo e trocar os óculos por lentes de contato.
—Aposto a minha bolsa da Gucci que é aquele vídeo da revelação..Todos nós já vimos Thomas Merlim, inclusive já decoramos as falas.. Ah meu Deus, até essa criança nascer para que você tenha vídeos inéditos.
Queen mais nova bufou, estava falando sério quando dizia ter decorado as falas.
—Thea,Shiiiii! Caladinha, um homem pode se vangloriar de sua prole. .E tem mais, Ollie não o viu, então será inédito pra ele.
Speed rolou os olhos e cutucou os lados do seu irmão.
—Está vendo? Você acha que é só trabalhar, trabalhar e trabalhar. Vive falando que redes sociais é um atraso,..Ollie é você que está atrasado.
—Speed,quietinha deixa o Ollie ver-Thommy entregou o aparelho com o vídeo em reprodução.
Mesmo que a maioria tenha visto,todos colaram em Oliver para rever a cena. Thea adorava implicar com o amigo, mas de fato até mesmo ela achava muito fofo, só estava ficando repetitivo, mas ainda sim, fofo.
Oliver observava atento.
O amigo no meio de uma refeição farta, elogiando a comida de Felicity, dizendo que ela já podia casar e blá-blá-blá. Entre uma fala e outra, Thommy levantou a tampa de uma travessa e lá dentro estava um par de sapatinhos vermelhos e um papel, que Oliver imaginou ser o resultado do exame... Primeiro o moreno ficou abobalhado, depois se pôs a chorar e por fim levantou da mesa, pegando Laurel nos braços, a mesma também chorava e ambos ficaram sussurrando coisas que não era possível ouvir... Felicity estava no cantinho, todavia dava pra ver os cabelos escuros, mesmo usando óculos era perceptível o olhar triste e choroso, mas mesmo assim ela vibrava pela felicidade dos amigos.
Oliver também sentiu a emoção, o carinho, o abraço que Thommy devolveu a Laurel. Pela leitura labial, dava para entender o moreno dizendo "Obrigado" a esposa.
-Thomas Merlim, você deve ter desidratado, chorou feito um bebê -Oliver brincou e em seguida abraçou Thomas. -Ótimo vídeo, essa criança vai adorar assistir esse papai bobão... Você será o melhor,Thommy .
Raisa observava as suas crianças faltavam algumas delas ali. Mas era tão bom vê-los reunidos debaixo de suas asas. Alguns deles já desfrutando da felicidade quase completa, pensou em Thommy e Laurel....Cait e Barry. .,olhou para Thea e pensou que ela estava caminhando para isso, e por fim parou o olhar em Felicity e Oliver, esses dois ainda tinham muito o que aprender. Mereciam ser felizes por completo. Mas pra isso precisavam tomar atitudes e começar a resolver as pendências antigas.
—Realmente, nossa menina fica muito mais linda loira, concorda Ollie? — Oliver apenas balançou a cabeça concordando. Raisa continuava a olhar o vídeo cheia de percepção. -Menino Thomyy se eram vocês três no vídeo, quem estava filmando? Tem um momento que aparece uma voz no fundo.
Thomyy olhou para Felicity como quem pede autorização. A loira apenas balançou os ombros.
—No início do jantar o contatinho da Fê apareceu, e então ele fez o vídeo. ..Eu estava tão envolvido com aquela comida,aliás..Fê você vai cozinhar para a gente.. .Laurel disse que tem desejos ao lembrar-se da torta que você fez, não queremos que essa criança tenha cara de limão. ..Voltando,eu estava tão absorto na comida deliciosa que nem percebi que Ray Palmer estava filmando...Tenho que agradecer devidamente aquele cara, esse vídeo tem valor inestimável.
—Perai...Por contatinho da Fê,você quer dizer o Ray Palmer?O mesmo que a trouxe essa madrugada no jatinho particular? Um dos maiores acionistas da CNN? . -Thea parecia maravilhada com a informação-Felicity Smoak, temos muito que conversar mocinha.. Como assim?Ray Palmer lindo maravilhoso e milionário. E você não me contou nada..
Por que aquela informação conseguiu acabar com o encanto do vídeo?Oliver sentia um nó se formar na garganta.Olhou para Felicity e a mesma estava vermelha e sem reação. Thea não parecia mais aquela versão dramática que só chorava, Oliver pensou.A irmã parecia eufórica.
—Menos,Thea, por favor..Ele não é o meu contatinho,Thommy fala demais.. Somos amigos e ele é o meu chefe..Ray não veio me trazer até aqui, foi um negócio de oportunidade. Ele tinha uma conferência em San Francisco e eu vim com ele. Simples assim.
—Claro,são só amigos e ele estava quase te devorando com os olhos, eu estava naquela mesa e tenho olhos querida…-Felicity fingiu não ouvir, mas não foi o suficiente para fazer Thomyy parar- Qual è,Fê? Que patrão faz isso?Nem era o jatinho da CNN,era o transporte de uso pessoal..Você é loira,mas não é burra.
Antes que a situação ficasse mais constrangedora, Raisa assumiu as rédeas.
—Crianças, sem tumulto no hospital ..Vamos nos organizar..Dr Gilbert disse, até que Robert venha para o quarto nada de visitas, por tanto....Thomas Merlim, você poderia acompanhar a menina Thea e eu até a mansão ?- a jovem de cabelos curtos abriu a boca para reclamar que não sairia do hospital,mas Raisa foi muito mais rápida- Thea querida,precisamos preparar o quarto para receber o seu pai,e também um quarto de hóspedes para Felicity e o Sr Palmer.
Felicity arregalou os olhos com a implicação daquela frase. Mas Raisa foi mais além.
—Ollie vá para o seu apartamento tomar um banho,trocar de roupas. Assim que chegar à mansão vou fazer um levantamento do que precisa ser comprado. Com a nova dieta, precisamos de alimentos saudáveis para receber o seu pai..Felicity,assim que possível envio a lista para o seu celular. Você e Oliver cuidam das compras...Ahh aproveita e traga o que for necessário para você fazer essa torta de limão, não queremos a menina Laurel chateada. Por sinal o que se aplica a você Thommy..seja um marido zeloso, mas não a sufoque demais, gravidez não é doença rapaz. Fui clara?
Quando foi que Raísa se tornou tão mandona, Oliver quis perguntar.
Mas faltou oportunidade, pelo visto a governanta tinha tudo sobre controle e já estava saindo, levando Thea e Thommy com ela, logo atrás estava Felicity chamando pela governanta.
—Bá,espere...Vem aqui um minutinho por favor-Agora afastadas dos demais, Felicity quase implorou para que Raísa mudasse os planos-Bá não precisa arrumar quarto para o Ray,provavelmente ele fez reserva no hotel, e outra coisa...Eu vou com vocês, posso ajudar naquilo que for necessário.
Raisa, olhou logo atrás das costas de Felicity e viu que Oliver caminhava na direção delas. O rapaz sempre foi um menino obediente, a governanta pensou. Ele até poderia não estar gostando da situação, mas jamais discordaria de suas decisões. Oliver tinha muito respeito por ela, podia sentir que era muito mais que empregada aos olhos do rapaz.
— Querida, somos conhecidos pela boa hospitalidade, se Ray Palmer lhe trouxe em segurança até aqui, não importa os pretextos que ele tenha inventado. Ele é bem vindo para se juntar a nós, ligue pra ele e o convide para dormir na mansão...Agora,seja uma boa garota e acompanhe o Oliver,ele está começando a ficar impaciente com os nossos sussurros.
A governanta sorriu com aquele ar maroto, em seguida deu dois tapinha de leve na face de Felicity.
—Certo,Bá! Vou ligar para o Ray.. .-Felicity chegou ainda mais perto e sussurrou- Pode preparar os quarto, desde que sejam separados. Espero que fique claro, não somos um casal.
Raisa deu uma risada maldosa.
Felicity não esperou pela resposta da governanta, caminhou até o local onde Oliver estava e um tanto atrapalhada o chamou para sair.
O caminho até o apartamento foi silencioso. Mas um silêncio suportável.
Quando o casal entrou no elevador que os deixariam no andar de Oliver o clima pesou. Não existia dados comprovados, mas era fato que elevadores tinham o poder de causar estranheza nas pessoas.
Felicity fechou os olhos e escorou o corpo na parede metálica, suspirou alto. Pela sua visão periférica Oliver observou uma vez disfarçadamente, ao comprovar que Felicity permanecia com os olhos fechados ele se perdeu naquela face,fez todo um memorando. Notou o quanto a pele dela estava mais clarinha, não somente o rosto desceu um pouco mais o olhar e observou o pescoço, colo, o vestido azul não era longo e com isso tinha muita pele à mostra, as pernas pareciam ainda mais claras. Definitivamente, Felicity não pegava sol, o que era estranho pois Felicity adorava qualquer atividade ao ar livre .
Por outro lado, ela não perdeu a tendência de usar a cor vermelha, os lábios e as unhas tinham o mesmo tom vermelho escarlate, assim como os sapatos de salto alto. Oliver subiu o olhar para o rosto da mulher a sua frente, encontrando-a com os olhos bem abertos e atentos, o loiro não se fez de rogado ou permitiu-se ficar constrangido, não tinha como negar que a atração ainda existia. E a julgar pelo brilho nos olhos dela, a loira também pensava o mesmo.
Felicity se sentia quente, inquieta. Um olhar predador poderia ser considerado um gatilho para se jogar naqueles braços fortes...Não um olhar qualquer, corrigiu-se. Apenas o olhar de Oliver. Ela não se lembrava de agir assim quando recebia olhares avaliativos de outros homens. Felicity ajeitou a postura e segurou o olhar que dirigia a ele, não piscou uma só vez.
Ele engoliu em seco, a loira viu quando o pomo de Adão dele subiu..Oliver umedeceu os lábios, e sempre com o olhar preso nos lábios de Felicity .Quando ela se deu conta o loiro já estava colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha,Oliver voltou a mão para o rosto feminino e acariciou a bochecha, deu um passo a frente ficando muito próximo dela. Felicity podia sentir o hálito mentolado que vinha dele.
—Raisa tem toda a razão, você fica linda na sua cor natural- Oliver sussurrou baixinho.
Encostou sua testa com a dela, desceu as mãos até a cintura fininha e a puxou colando-a ao corpo dele. Automaticamente Felicity levou os braços ao seu pescoço e correspondeu à investida. Fechou os olhos e esperou.
Mas o beijo não veio.
—Seu telefone-Foi tudo que Oliver falou, só então Felicity se deu conta que o mesmo estava tocando a algum tempo.
O loiro afastou e suspirou aliviado, não fazia nem cinco horas de prazo que estavam perto,e lá estava ele quase se rendendo novamente.
—Oi,Ray..Claro que não será um problema. Bá faz questão -Felicity sorriu e em seguida corou- Certo,certo. Depois vamos resolver a situação, trouxe algumas coisas comigo….Sim,eu estava tão nervosa que esqueci, se puder levar para a mansão por favor…..Claro,obrigada. .Até.
Felicity encerrou a ligação e então percebeu que Oliver a esperava do lado de fora do elevador. Ela o seguiu, enquanto lia mensagens de Raisa com a lista de compras e no final uma frase franca. Raisa era dessas, pra quê perder tempo com indiretas.
"Aproveite o momento e converse com o Oliver. Seja sincera, deixe-o saber os seus motivos".
Como Raisa poderia saber?. Mas então Felicity lembrou, essa era a sua eterna Bá, e ela sempre sabia de tudo.
No entanto Felicity tinha de concordar a governanta merecia o prêmio de alcoviteira do ano, os esforços não eram nada sutis. Pensou.
Oliver estava tenso, as mãos fechadas em punhos e os olhos semicerrados diziam exatamente isso.
Entraram no apartamento, seguidos de um clima pesado e sem palavras.
O apartamento masculino tinha o seu charme, embora parecesse impessoal. Poucos objetos decorativos, cores neutras e sem personalidade.
—Vou tomar um banho. Você fique a vontade, tem água, suco, a cozinha é logo ali.
Oliver nem esperou por uma resposta e saiu.
Ele tinha pressa, o homem parecia louco para abraçar a primeira oportunidade de se afastar.
Felicity não o culpava, ela também sentia a necessidade de respirar fundo, colocar as ideias no lugar e com Oliver por perto era uma tarefa difícil.
A loira andou ao redor da sala, ficou parada uns bons minutos analisando as poucas telas que estavam na parede, Felicity era apaixonada por coisas criativas e artísticas, todo tipo de arte despertava a sua atenção. Em seguida passou a observar as fotos predispostas nos móveis. E uma entre tantas, lhe chamou a atenção.
Felicity segurou o porta retrato nas mãos, passou os dedos em cada uma das pessoas na foto, ela se lembrava daquele dia. A foto foi tirada no seu aniversário de 15 anos. Ela estava no centro da foto, Oliver de um lado, Thea do outro e então numa beirada estava Moira, e na outra ponta,Robert. Ela sabia que existia outras fotos dos cinco reunidos, mas Felicity duvidava que fossem tão boa quanto aquela.
Uma lágrima solitária rolou por sua face.
Naquela época tudo era tão simples, fácil e descomplicado, nunca imaginaria que alguns anos à frente, sua vida iria mudar radicalmente.
—Bons tempos- falou sozinha.
Voltou à foto para o móvel e então sentiu um corpo quente quase se encostando a suas costas. Oliver não tinha perdido o velho hábito, parecia um felino, era hábil, observador e caminhava pisando em plumas, era leve e sabia chegar de mansinho sem ser percebido.
Ele esticou o braço para pegar o porta retrato que Felicity estava olhando, no processo encostou a mão na lateral do corpo feminino, não passou despercebido que ambos sentiram uma corrente elétrica percorrer o corpo.
—Realmente, bons tempos... Que não voltam mais-Oliver olhava a foto em adoração, os olhos presos naquela imagem perfeita, Felicity observou quando o loiro demorou o olhar sobre a figura materna — Mamãe faz tanta falta..Fico pensando se ela não tivesse entrado naquele carro. Tudo poderia ser diferente.. Por que ela estava na companhia de Malcolm Merlim e Rebeca?. Há algum tempo a amizade entre eles estava estremecida.
Felicity não tinha as respostas para todas essas dúvidas. Mas sabia o quanto Oliver era devotado à mãe, tentava imaginar o que se passava dentro dele,era óbvio que o loiro havia mudado após o fatídico dia. Embora naquele mesmo dia Thommy também tenha perdido os pais,Felicity sabia que o moreno lamentava a morte deles, mas diferente de Oliver,Thomas tinha aceitação. Talvez porque os pais sempre foram ausentes e ele tenha sido criado por babás, ou simplesmente porque Laurel fora uma peça fundamental para ajudá-lo.
— Sua mãe esteve comigo quatro dias antes do acidente- Felicity falou sem perceber, quando Oliver arregalou os olhos e lhe dirigiu um olhar questionador. Ela percebeu que havia falado demais.
Oliver voltou à foto para o lugar e postou-se de frente Felicity. Ela podia sentir que aquela conversa não terminaria bem.
—Eu sabia que mamãe havia viajado, conversamos na véspera, ela explicou que queria conhecer novas tecnologias e ativos super desenvolvidos para a futura linha dermocosmética que iríamos lançar, era pra ser uma viagem com interesses comerciais...Em nenhum momento ela mencionou que estava indo até você. ...Por que Felicity?
— Não sei, foi uma visita rápida, ela apenas apareceu e disse que queria me ver. Estava com saudade.
Felicity balançou os ombros tentando ser indiferente, não entraria em mais detalhes, podia ver a dor nos olhos de Oliver, não seria ela a lhe causar ainda mais dor.
—Suas decisões sempre foram baseadas no seu egoísmo... Esqueceu muito fácil daqueles que dizia amar... Por que afastou mamãe de você? — Oliver começava a ficar nervoso,Felicity conseguia sentir no peso das palavras..Oliver a culpava pelas mudanças que aconteceram- Por que você abandonou a gente? Você era parte da família, quando sua mãe foi embora a deixando abandonada, meus pais te deram um lar, cuidaram de você assim como cuidaram dos outros dois filhos... Inúmeras vezes flagrei a mamãe chorando olhando fotos nossas, fotos suas..
As mãos de Oliver tremiam, o rosto estava vermelho parecendo como se fosse explodir.
—Que Deus me ajude, mas hoje vamos esclarecer essa história. Felicity você me deve explicações. .RESPONDA AS MINHAS PERGUNTAS – Explodiu.
Algo que era raro para o contido Oliver, mas se não colocasse pra fora, sentia que iria afogar em tanto ressentimento.
Felicity se encolheu ao ouvir a voz alterada. Instantaneamente arrependeu-se de ter vindo sozinha com ele. Deveria saber que na primeira oportunidade ele iria confrontá-la.
—Você não entende..Não entenderia, eu só precisava ...ir embora..Construir minha própria vida….Longe -Felicity falou num sussurro, quase inaudível. O olhar estava baixo e evitava a todo custo encará-lo.
Oliver suspirou alto, tentou recuperar um pouco do equilíbrio. Já estava arrependido de ter gritado com ela, não era assim que se resolvia as coisas. Ele não era assim, dado a gritos e acusações verbais. Seu coração apertou ainda mais quando tentou se aproximar e Felicity fugiu.
— Suas decisões não afetaram somente aos meus pais, Thea sofreu com sua partida abrupta..Eu não conseguia entender.. Ainda não consigo -caminhou até ela, e mesmo vendo-a tão relutante Oliver pegou sua mão e segurou firme, com a outra mão livre tocou o queixo de Felicity e fez com que ela o encarasse. -Nós dois tínhamos planos, queríamos descobrir o mundo na companhia um do outro, fazer faculdade na mesma universidade.. Felicity você se entregou pra mim, eu tomei o seu corpo como se fosse algo sagrado, fui o primeiro homem a tocá-la, assim como você foi à primeira mulher que me entreguei. Você dizia que eu era o amor da sua vida… E logo em seguida apenas ignorou e disse adeus. Nada daquilo era real pra você ..Nada foi real.
Felicity não conseguiu conter o choro, queria ir embora. Podia ser chamada de covarde, mas ela não ligava. Daria um jeito de visitar Robert no hospital e se ele estivesse realmente bem, no dia seguinte voltaria para Boston. Foi muita ilusão pensar que seria fácil voltar para San Francisco e seguir como se nada tivesse acontecido.
— Oliver,eu era nova, infantil e tola, peço perdão se em algum momento pareceu ingratidão. .Posso afirmar que sou muito grata a sua família, por tudo que fizeram por mim,nunca vou esquecer. Nunca.
Oliver era excelente em observar pessoas, ele podia notar o nervosismo e também emoção, Felicity não estava mentindo, mas ele tinha certeza que ela estava editando as respostas. E ele descobriria o porquê.
—Uma última pergunta.. Explica-me Felicity,por que no seu leito de morte a minha mãe pediu que eu te escutasse e resolvesse as diferenças? Eu fui o último a estar com ela e nos seus minutos finais ela me pediu perdão. E ao que tudo indica você tem as respostas, há dois anos estou com isso entalado. .Eu preciso de respostas..-Felicity balançou a cabeça em negação, não queria tocar naquele assunto, não agora quando estavam os dois perto de explodir.
—Eu..Eu não sei- brutalmente ela caminhou pra longe se afastando dele, caminhou parando até a porta — Vamos fazer as compras que Raisa pediu, em seguida se puder me deixar no hospital. Quero ver o seu pai.
Felicity saiu do apartamento, deixando um turbilhão de dúvidas no ar.
Oliver podia ver que ela estava fugindo, e ela poderia até o fazê-lo, mas não sem antes esclarecer todas as suas dúvidas. Se depois disso ela quisesse ir embora, não tentaria impedi-la.
Inicialmente Felicity estava apreensiva e receosa quando saíram do apartamento.
Mas agora ela estava irritada, muito irritada. Não entendia quais eram as intenções de Oliver, certamente era essa a interação, deixá-la com raiva. Ele agindo como se ela não tivesse dito nada.
Três vezes, ela pediu três vezes que Oliver a deixasse no hospital, ele a ignorou e seguiu direto.
—Oliver,eu vou voltar para o hospital. Se não for com você, aposto que existe outros meios.
O loiro apenas desceu do carro e fez sinal para alguém, como se chamasse.
—Você fica aqui, dois minutos e estamos saindo. Foi tudo que ele disse sem olhá-la.
Estavam parados no gramado da mansão, Oliver tirou as sacolas e logo Thea e uma mulher apareceram onde eles estavam. Não demorou muito e Felicity descobriu que a moça era ajudante de Raisa, e veio pegar as sacolas com legumes, cereais e frutas.Thea caminhou até o carro, parando bem de frente para Felicity.
Thea tinha um ar de garota malvada. Olhos brilhosos e sorriso sacana.
—Fê, você não vai descer?..Olha,se você demorasse mais dez minutos para chegar, a Raisa roubaria Ray Palmer pra ela.
Só então Felicity lembrou que o amigo já estaria na mansão. Estava tão agitada que não notou o cair da tarde. Dentro de poucos minutos começaria a escurecer.
—Depois falo com ele quando voltarmos. Thea estamos seguindo para o hospital, vamos ?
Thea não era boba, ela podia ver que Felicity havia chorado. Olhou na direção do irmão e percebeu que Oliver fazia uma força descomunal para aparentar naturalidade. Mas é claro que não tinha nada de natural entre aqueles dois. Speed concluiu.
—Fê,quando vai me contar por que você e o meu irmão brigaram?..
—Não brigamos, Speed...Apenas nós afastamos, vida real acontece esse tipo de coisa...Agora,você pode por favor entrar no carro?
—Eu vou, mas com uma condição você vai me contar tudinho, inclusive sobre o seu bonitão que está lá dentro- Thea piscou para Felicity.
Oliver entrou no veículo pegando o assunto pela metade.
—Não sabia que você voltaria para o hospital,Speed- Como não veio resposta de sua irmã, Oliver observou que Felicity poderia ser responsável por isso, a loira parecia empenhada em ignorá-lo — E quem é o bonitão que está lá dentro?- perguntou entre risos.
—Dois bonitões na verdade, o meu Roy e o Ray da Fê. ..Aliás, vamos logo quero ver o papai e depois voltar para colocar limites na Raisa,Fê a sua Bá vai roubar o seu homem,ela está lá toda cheio de mimos,fazendo pãezinhos, bolos e mostrando fotos suas quando era mais nova...Quase sentando no colo do Ray.
Os três ocupantes do carro fizeram caretas.
—Vou ter uma conversa com a Bá, mais tarde- Felicity não justificou, por tanto aos ouvidos alheios pareceu que ela estava realmente com ciúmes da governanta, Oliver observou que Felicity estava fazendo bico, seria muito adorável se não fosse por causa de outro homem. — Estou com saudade do Roy, como ele está?
Era claro que Felicity daria um jeito de manter a conversa limitada entre ela e Thea. Oliver observou.
—Roy está ótimo, praticamente vive e respira para estudar e trabalhar, já fiz um ultimato. Ou ele muda, ou eu entro com o pé e ele com a bunda.
Felicity adorou a expressão, não aguentou sem gargalhar alto. Oliver olhou pra ela de soslaio, aquela risada deveria ser gravada para ser ouvida várias vezes ao dia. Pensou.
—No início não gostava dele, mas hoje reconheço que ele é um bom rapaz, esforçado e honesto . Você Speed, deveria dar valor e ser aquela que o incentiva e não ficar fazendo cobranças bobas-Oliver defendeu o cunhado.
—Claro,falou a fonte de inspiração para o Roy- Oliver arregalou os olhos- Você Ollie,pare de ser um patrão carrasco e dê mais folgas semanais para o meu namorado. .Roy está avisado, não quero um namorado que seja a cópia do meu irmão.
Felicity continuava se divertindo com a briga entre irmãos. Por um momento se esquecendo do confronto no apartamento de Oliver.
—Speed,qual é o seu problema comigo?Se o Roy deseja crescer na vida lamento dizer mocinha, mas esse é o caminho correto. Ele tem que estudar.
Thea bufou.
—Não tenho problemas com você, mas vou começar a ter se eu ficar mais uma semana sem fazer sexo….O Roy não é igual a você que está quase vivendo em celibatário. Nós dois adoramos trepar, você e aquela maldita empresa tem sido empata foda no meu relacionamento.
—Thea Queen,modere esse vocabulário e chega de informações da sua vida sexual.Chega!
Thea parecia prestes a avançar no irmão, Oliver estava dividido entre vergonha e raiva,Thea não parecia ter recebido a mesma educação que ele.E Felicity,fazia força para segurar o riso.
Chegaram ao hospital e Oliver saiu na frente das duas. Passos apressados e irritado.
—Thea desculpa,se soubesse que Roy estava na mansão não teria chamado você para vir.
—Fê, estamos falando do meu pai,eu viria de qualquer jeito.. E depois vou voltar pra casa e se o Roy ainda estiver por lá, podemos tentar uma rapidinha. O dia foi tenso, aliviar é uma necessidade vital.
—Tudo aquilo que você disse é verdade?-Felicity não estava se aguentando. Pelo que lembrava Oliver era insaciável, como poderia ter mudado? E a tal Susan? Onde estava que até o momento não havia dado às caras.
—Claro que é verdade, uma semana sem sexo, Fé eu não vou aguentar. Juro que não vou. Vou ter que usar o vibrador que tenho guardado, acho que começo a juntar teias de aranha na fofinha.
A loira podia sentir o rosto esquentar, Thea era impossível. Um enfermeiro moreno e forte passou por elas e pareceu captar o teor da conversa. Piscou descaradamente para Thea.
—Viu aquilo Fê, se o Roy não quer tem quem queira... Se não amasse tanto o meu namorado, em que seria interessante incorporar um personagem de Grey's Anatomy e ir visitar o depósito com o enfermeiro bonitão.
Céus,Thea não calava e ainda por cima não respondeu a sua dúvida.
—Speed, poupe-me dos detalhes- Felicity, tal como Oliver não queria saber da vida íntima da amiga. Perguntei se era verdade sobre o seu irmão, -antes que Thea começasse insinuações, Felicity esclareceu- Pensei que ele e Susan estivessem com planos para o futuro.
—Ahh aquela lambisgoia? .. Não acho que estavam, ambos só queriam umas trepadas sacanas — involuntariamente Felicity franziu o cenho e fez uma careta, em seguida Thea gargalhou- Fê você precisava ver a sua carinha de ciúmes. .Nem adianta negar, ficou toda sem jeito. Mas enfim, estou brincando no que diz respeito às trepadas sacanas.. A verdade é que pouco depois da morte da mamãe, Susan começou a pressioná-lo para dar o próximo passo e como sabemos,Ollie pula fora quando o assunto é casamento. O namoro acabou e meu irmão deve estar buscando prazer com as próprias mãos, porque aparentemente o tempo dele se resume a negócios, ele vive pela empresa... Roy diz que ele tem umas escapadas, mas vindo do meu irmão nada me surpreende.
Felicity não queria refletir sobre aquele tanto de informação, não nesse momento.
A loirinha puxou Thea pelas mãos e seguiram para a visita.
Thea bateu na porta anunciando a chegada, em seguida ela entrou e fez sinal para Felicity fazer o mesmo. Oliver já estava acomodado numa poltrona ao lado do pai.
—Meu velhinho- Foi tudo que Thea conseguiu dizer, logo estava apertando as bochechas rosadas do pai.
—Thea,estou velho mas ainda não comecei a ter comportamento de criança. Então pare de me tratar como se fosse uma -Robert parecia cansado, mas soava lúcido e o raciocínio rápido -Olha só quem está aí.
Os olhos do patriarca Queen assumiram uma sensação de contentamento. Um pouco trêmulo Robert levantou a mão e pediu para que Felicity aproximasse.
—É tão bom revê-lo- Felicity aproximou lágrimas caindo de seus olhos. Tive tanto medo.
—Minha garotinha loira está de volta- Robert falou, mas sua atenção estava em Oliver.
A loirinha abaixou e beijou os dois lados do rosto de Robert.Ajeitou os cabelos grisalhos que insistiam de cair em seus olhos
—Vamos precisar apará-los -Felicity começou dizendo- Não é porque é um escritor que tem que adotar aquele visual doidão.
Todos riram,inclusive Robert que não parecia ter forças para isso. Era bom estar todos juntos, o escritor agradeceu mentalmente pela oportunidade de ver suas três crianças no mesmo cômodo. Tinha muito trabalho a ser feito,assim que fosse possível começaria a concertar os erros do passado.
—Minha querida, você pode fazer o que quiser, cortar o meu cabelo, aparar a barba. O que não aceito é tirar a minha carne e o meu vinho.
Thea,Oliver e Felicity se entreolharam já adiantando como seriam os próximos dias.
Os três tentaram poupar maiores explicações, mas não foi possível seguir por essa linha quando Dr Gilbert adentrou o quarto.
—Vejam só quem acordou e está cercado pelas crias -o médico começou brincando, mas Robert não parecia muito afim, certamente esperava pelo sermão que viria mais cedo ou mais tarde- Bom encontrar a família toda reunida... Mais cedo conversei com o Oliver, e volto a reiterar o quanto o apoio da família é fundamental para que o paciente tenha êxito na recuperação…. Robert tem dificuldades em aceitar, mas quando começamos a envelhecer, não é só a nossa aparência que muda, digo externo. ..Internamente, todos os nossos órgãos, veias,articulações todos estão em processo de envelhecimento devido aos acúmulos do decorrer do tempo...Ontem foi só um susto, mas a próxima vez pode ser fatal….Então vamos começar colocando caminhadas matinais na rotina de Robert, não precisa mais que 30min,mas se o paciente estiver em condições pode seguir por uma hora, diáriamente. .Cigarro e bebidas alcoólicas estão terminantemente proibidos- Robert levantou a mão, mas o médico fingiu nem ver- Vamos aumentar o consumo de legumes, carne branca,e frutas...Uma vez por semana uma pequena porção, bem pequenininha mesmo de carne vermelha...Vamos tentar poupá-lo de muito estresse, fortes emoções e se tudo der certo, amanhã Robert pode voltar para casa.
É claro que sendo um Queen, Robert odiava ser contrariado, já havia enfrentando diversos debates com o médico em outras ocasiões. Inclusive a decisão de esconder os problemas cardíacos era justamente para fugir de restrições. Era um desaforo depois de velho ter que obedecer aos filhos e esperar pela boa vontade deles de liberá-lo para os pequenos prazeres da gula.
—Gilbert tenho que contestar... Em um dos meus livros, quando eu escrevia, lembro-me de encontrar várias pesquisas científicas sobre o efeito do vinho,resveratrol para saúde e longevidade. Nem mesmo o seu diploma médico pode ir contra essas pesquisas. Nunca me baseei no Google para escrever, minhas pesquisas eram sérias e eu acredito na veracidade daquelas informações.
Oliver levou as mãos ao rosto e esfregou em busca de paciência. É claro que o pai iria contestar, mas não esperava que ele fosse dar uma aula de medicina ao médico. Thea parecia achar fofo, pois estava dando risinhos em direção do pai.
O médico também parecia achar certa graça.
—É Claro que o vinho é saudável e contribui para a longevidade, o resveratrol presente no vinho é um poderoso antioxidante, combate os radicais livres.. Nem mesmo o meu diploma irá contestar... -o médico gargalhou com a tromba do paciente- No entanto, aprendemos que esse efeito positivo é recebido através de pequenas doses homeopáticas. Uma vez ao dia... Nos seus livros, os seus personagens podem se embebedar com três garrafas de vinho e continuar vivos...Mas, aqui na vida real os meus pacientes são alertados para a realidade. E só pra constar, você deveria usar esse tempo em repouso e voltar a escrever, uma lástima que tenha parado.
Nem mesmo o último elogio teve o poder de desfazer a carranca de Robert Queen.
Felicity continuava ao seu lado, segurando firme a sua mão.
—Menina, nós dois vamos voltar aos velhos tempos. O que acha? Ainda é tão boa na escrita ou o jornalismo lhe roubou isso?- Robert fez uma careta, ele não escondia o desgosto de Felicity ter seguido o jornalismo, quando na verdade ela dizia que seguiria os seus passos e seria escritora.
Felicity olhou para Oliver, depois para Thea e vendo que Robert estava bem,não tinha porque adiar os seus planos.
—Fico tão feliz em vê-lo bem e se for cauteloso, seguir todos os cuidados, futuramente poderemos visitar um ao outro, quem sabe até escrever uma redação?
Felicity tentou descontrair, mas somente ela sorriu. O médico pediu licença e saiu para visitar os outros pacientes. Thea estava aborrecida e não encarava Felicity, Já Oliver não fazia questão de esconder a risada irônica.
—Pai,esse é o jeito dela dizer que vai embora-Oliver arrematou enquanto a olhava. Os olhos queimando de irritação, não sabia por que estava tão agitado, pois desde o início sabia que ela viria, esperaria a poeira abaixar, para logo em seguida voltar para Boston.
Oliver odiava Boston, isso era fato. Admitiu mentalmente.
—Querida, você não precisava ter se dado ao trabalho de vir, mas fico muito feliz que tenha feito,você sempre será a minha garotinha loira, sempre terá espaço no meu coração. Se você tem motivos pra ir, vá. .Mas cuidado, covardia nunca foi o seu forte, mesmo nas dificuldades você foi guerreira e eu a admiro muito por isso. Mas não deixe o medo ditar as regras na sua vida.
Robert apertou a mão de Felicity, percebeu que estava fria. O olhar de Felicity também havia esfriado. Uma coisa era certa, o escritor teria que seguir aquelas malditas recomendações, tentar ficar vivo e ajudá-la a se reencontrar. Era o seu projeto de vida.
Mas por hora, precisava dormir. Podia sentir os olhos pesados, turvos e sonolentos.
Felicity foi a primeira a sair, foi para o estacionamento em busca de ar e tentando dar privacidade a Thea e Oliver que ficaram para trás, antes de qualquer coisa eles eram os filhos e mereciam espaço com o pai.
Robert estava entre um cochicho e outro, quando Thea e Oliver saíram.
Mal a porta foi fechada, e Thea usou toda a sua força para golpear o irmão quando chegaram ao corredor.
—Speed,isso doeu … Essa violência gratuita ainda é sobre as suas atividades sexuais em suspensão ? — Oliver estava chateado, Thea estava muito mais.
— Não seu idiota, minhas atividades serão cobradas em outra ocasião. .Isso- golpeou de novo- É por você ser tão imbecil e estar apressando a volta da Fê para Boston.
Claro que tinha a ver com Felicity,Oliver esperava por isso desde o início. Sabia que a loira deixaria Thea criar ilusões e depois voltaria para a sua vida em outro estado do país.
—Thea,não queria que ela fosse avisada do ocorrido justamente por isso. Sabia que ela viria, deixaria você eufórica e em questão de dias retornaria para Boston, como se nada tivesse acontecido. Felicity é assim, toma decisões baseadas no egoísmo dela.
—Você Oliver Queen,é cego e muito,muito irritante...No passado eu tinha dificuldades em entender por que ela partiu tão de repente, sem motivos. Hoje eu entendo que naquela época ela fez isso por sua causa, e depois de hoje estou chegando a conclusão que novamente você é o culpado. .Ray Palmer comentou que ela veio para ficar um prazo indeterminado, trouxe material para trabalhar a distância. ..Ela estava bem quando Raisa e eu saímos do hospital, bastou ela passar umas horas com você e olha o que aconteceu...Pelo amor de Deus,ela faltou me implorar pra vir com vocês no carro,ela não queria ficar sozinha com você. ...E vou lhe dizer uma coisa,você vai concertar essa cagada. .Você observou como o papai ficou quando a viu? O rosto dele se iluminou...Felicity tem muito a oferecer na recuperação dele, pense nisso e coloque os problemas de vocês de lado….Vou fazer uma ligação, enquanto isso você ganha tempo e vai atrás dela.
Oliver não concordava com a maioria das coisas que a irmã falou.Mas entendia que a presença de Felicity era fundamental para estimular seu pai a tentar .
Não sabia ao certo o que fazer,mas tentaria convencê-la.
Um pouco de caminhada e logo avistou a loira escorada em seu carro, contemplando as estrelas.
—Felicity,- aproximou cauteloso- Sobre o que eu falei no quarto. Quero pedir desculpas, fui injusto com você. Agradeço por ter vindo ao nosso encontro, e principalmente por estar dando apoio a Thea ..E se puder me ouvir com atenção, queria sugerir uma trégua. Talvez nunca mais sejamos como antes, digo amigos...Mas ainda sim, somos família e precisamos de você aqui. O seu lugar é aqui... Papai teria uma recuperação mais rápida caso você estivesse envolvida, não precisamos nos encontrar com frequência, por tanto não precisa preocupar se vou incomodá-la com questionamentos,. Prometo que não vou . Pense com carinho. Se não for por mim e pela Thea, pense no papai...Pense em sua Laurel, vocês ainda nem se encontraram. ..Pense no quanto Barry e Caitlin ficariam felizes em encontrá-la e apresentar o pequeno Theo..Motivos não faltam, basta você querer. Precisamos de você aqui... Fique!
Oliver estendeu a mão em sua direção, estava quase se dando por vencido quando Felicity a pegou no ar e trançou seus dedos aos dele.
—Tudo bem,vamos ver como serão os próximos dias cuidando daquele velhinho ranzinza.
Thea contemplava a cena, parada na recepção.
Não sabia o que havia acontecido entre aqueles dois, mas iria descobrir. Felicity que se preparasse, porque Thea Queen tinha planos de fazer a amiga nunca mais voltar para Boston,e ela sabia que tinha um batalhão de pessoas dispostas a ajudá-la na missão.
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