Separados Pelo Passado
3 Capitulo 3 parte I
Notas iniciais
Lidar com a comida, com a simplicidade e a rotina, era a parte mais fácil. Embora Felicity não gostasse de comodismo.
A vida na mansão Queen poderia ser considerada muito boa e pacata, se não fosse pelo patriarca mal humorado e caçador de confusões.
Thea não estava muito diferente, na verdade Felicity julgava que a Queen mais nova estava mais nervosa que o próprio pai.
Oliver aparecia duas vezes ao dia, sempre tentando colaborar, mas não era fácil logo pai ou filho estavam alterados, o que às vezes era até engraçado. ...Pois Robert fazia de tudo para ver Oliver possesso, como se achasse divertido ver o filho explodindo.
Raisa era o braço direito de Felicity, estavam sempre juntas, fosse à cozinha preparando uns quitutes ou então ajudando nos cuidados destinados ao ex-escritor.
Entre se dividir para ajudar a cuidar de Robert,tirar um tempinho para fazer os seus exercícios físicos, e concluir as edições do trabalho,Felicity estava cansada,porém feliz. Era muito boa a sensação de estar em casa.
Todos estavam se empenhando para que ela se sentisse a vontade. Inclusive Oliver.
Depois do ocorrido no apartamento do loiro, Felicity observou que Oliver havia mudado a postura, ele não a pressionou a dizer mais nada. Aquilo, percebeu ela, era o talento e a arma de Oliver. Ele sabia esperar. Sabia mudar de tom, dar espaço, ajudá-la a relaxar para que seus pensamentos não ficassem amarrados em nós de tensão. Ele sempre fora assim, estrategista.
Felicity só não sabia até quando iria durar essa espera, em algum momento ele voltaria com novos questionamentos, à loira supôs.
Fazia cinco dias que Felicity estava em San Francisco.
Robert Queen no seu primeiro dia na mansão parecia um garotinho em local desconhecido, receoso e obediente tentando ganhar a confiança dos adultos.
No segundo dia,o garotinho está soltando duas ou três frases mal criadas.
No terceiro dia o garotinho está colocando as asinhas pra fora, se rebelando como malcriado, encrenqueiro e chantagista.
No dia quarto dia o garotinho só queria ficar no quarto e não ver ninguém, sempre soltando frases desaforadas e ameaçando fazer greve de fome.
No quinto dia o garotinho tá começando a ficar bem, mas os acompanhantes que moram na mesma casa estão quase o enchendo de palmadas.
Esse poderia ser o diário de Robert Queen,talvez com desaforos alternados não na sequência escrita. Felicity pensou.
A jornalista olhou no relógio de pulso e resmungou, eram seis e meia da manhã. Se fosse olhar as vontades do seu corpo,ela ficaria mais na cama. Porém, hoje queria colocar um novo plano em prática.
Para isso convocou Thea.
—Fê,se você não me der um bom motivo para estar acordada agora,juro que vou pintar o seu cabelo de azul quando estiver dormindo.
Thea Queen e Robert Queen eram farinha do mesmo saco,a loira concluiu.
Se ela conseguia convencer Speed certamente conseguiria convencer o ex-escritor.
—Thea,ontem à tarde quando fui checar o seu pai, tive a impressão que ele estava desconfiado, mas deixei passar. Fui despedir para voltar ao meu trabalho, quando abaixei para beijar sua bochecha senti o cheiro de bebida…
Thea deu um tapa na mesa.
—Velhinho ordinário, como é possível? Retiramos todas as bebidas da adega.
—Tenho fortes motivos para acreditar que o seu pai tem bebida escondida no quarto, vou arrastá-lo para uma caminhada, você aproveita que ele estará abandonando o aposento e faz uma inspeção no local.
— Papai não sai daquele quarto pra nada, como vai levá-lo para caminhar?. Aliás, ele odeia atividade física.
—Daremos um jeito...A mente do seu pai funciona de um jeito diferente, vou tentar descobrir como.
—Se você diz,vou observar. Assim que conseguir tirá-lo lá de dentro eu vou...Apesar que faz sentido,por isso ele quer ficar só no quarto.Alem do vinho,você acha que ele tem fumado?
—Não sei,o seu pai é muito astuto. ..Apesar que mesmo uma pessoa criativa encontraria dificuldades em camuflar o cheiro de charutos...São apenas suspeitas Thea,posso ter me enganado.
Felicity,estava preparada para a situação, tênis anatômicos, calça legging e top,colocou uma viseira para proteger o rosto do sol e saiu na direção do quarto.
Diferente do esperado Robert estava acordado, o corpo colado na janela de vidro observando a movimentação no jardim.
—Bom dia- Felicity chegou empregando energia e foi até Robert para cumprimentá-lo com um beijo. -Como estamos hoje?
Ele resmungou alguns palavrões, mas sorriu para a sua garotinha.
—Inútil igual todos os dias,mas levando.
Felicity ignorou a resposta, caminhou até ele e começou a aplicar um produto que retirou de sua bolsa.
—Agora feche os olhos, isso...Só falta aplicar nos braços e calçar um tênis adequado.
—Por que vou calçar tênis para ficar no quarto? E o que é isso que você estava passado?
Felicity voltou com um par de tênis nas mãos, se colocou de joelhos e mesmo com pouca vontade Robert cedeu e colocou os calçados.
—Isso se chama protetor solar, estamos protegidos para fazer uma caminhada...- a loirinha não perguntou se ele queria, usou uma voz firme e postura implacável- Venha,vamos experimentar o quanto o senhor aguenta — esperava-o na porta.
—Eu não caminho.. Também não vou sair estou doente, se não posso comer bem,então não vou engordar, por tanto não preciso caminhar.
Felicity suspirou e voltou até a janela onde ele permanecia.
—Caminhadas são recomendadas para se levar uma vida saudável,perder peso é só um bônus. ..O senhor não está doente, está recuperando. — tão esperta quanto o ex-escritor, Felicity agora usava a sua voz mais doce e meiga- Até o momento conversamos muito pouco, tem sido uma rotina de adaptação e entendo que o senhor precisava de espaço... Dado esse tempo, vamos começar a agir …Começando por respirar ao ar livre, alongar, e vamos caminhar pela mansão. Não é um convite,o senhor está convocado. .. E quando voltarmos pode ser que ganhe uma recompensa.
Não foi a chantagem que chamou a atenção do ex-escritor.Apesar de ser um homem muito rico,Robert era um homem simples e pouco importava com recompensas. Mas percebeu que Felicity estava certa, conversaram muito pouco desde que ela voltou. Não perderia essa oportunidade de passar um tempo com a sua garotinha, mesmo que pra isso acontecer, ele tivesse que fazer caminhadas. Ainda sim, ele teria a companhia dela e para Robert isso bastava.
Felicity até o momento só tinha guiado o percurso que seguiam, deixou que Robert conduzisse o diálogo, ela respondia as perguntas que ele fazia, depois contava algum episódio ocorrido em Boston. Felicity vibrou mentalmente, o que era pra ser uma emboscada para fiscalizar o quarto, pareceu cair como uma luva, ambos estavam desfrutando da companhia um do outro.
—Eu pensava que você seria uma âncora, tão inteligente e bonita seria ótima como apresentadora, como eles conseguem manter um rosto tão bonito nos bastidores?- o assunto preferido de Robert era a carreira que ela seguiu,pensou Felicity.
—Ser âncora nunca foi minha pretensão, sempre fui tímida e odiava câmeras — ela retirou um galho de sua frente, e seguiu a trilha cascalhada-Hoje posso dizer que superei um pouco da timidez, mas ainda odeio ser filmada..Trabalhar na parte de produção, editar e construir textos sempre me cativou,talvez porque é o mais próximo de ser uma escritora.
Robert piscou para ela, ainda havia esperanças afinal de contas. Onde existe uma faísca de vontade, em algum momento essa labaredas ira aumentar e se transformar numa fogueira.
—Isso que você esta fazendo enquanto está aqui, até quando será o bastante? Digo para os seus superiores no trabalho- ele quis saber.
Felicity demorou a entender que Robert questionava quanto tempo ela ficaria em San Francisco.
—Mesmo em Boston, teve momentos que trabalhei em casa, chama-se Home Office ..Não temos que nos preocupar com isso. Enquanto o senhor precisar, eu estarei por aqui.
Felicity era tão linda, inteligente e doce, o patriarca pensou. Obviamente, os seus superiores no trabalho já haviam percebido o mesmo..
—A maioria das mulheres gostariam do glamour, gostariam de se exibir, conviver com celebridades. ..Mas você querida, você nunca foi superficial .
E não era mesmo, a loirinha pensou. Mas não podia negar que certos privilégios que vinham de sua profissão, deixava-a envaidecida.
—Quem disse que não tenho convivência com celebridades?. Antes de ser promovida para esse novo cargo,eu costumava ter que frequentar festas, conversar com celebridades, tentar entrevistas. No meio desse percurso, conheci algumas pessoas esnobes e que se achavam superiores. .Em contrapartida, a maioria era legal, pessoas divertidas e amistosas. Alguns se tornaram meus amigos.
Felicity corou ao finalizar a frase, Robert não deixaria isso passar. È claro que tinha mais.
—Entre esse amigos legais e amistosos, aposto que arrumou alguém para as noites frias.
—Talvez.
Ela não contaria mais que isso, assim como Robert não queria ouvir os detalhes. Era doloroso ver Thea e Felicity levando a vida como mulheres adultas, para o patriarca era seriam para sempre aquelas criancinhas. Ser pai de menina às vezes era um saco, finalizou.
—Você e aquele Ray Palmer não são um casal- afirmou.
O Ex-escritor enxergava longe, fazia parte da profissão que dedicou durante anos. Primeiro dia que chegou a casa após receber alta,Robert teve a oportunidade de conhecer Ray. Tinha de admitir ele parecia um cara legal, educado e o principal, tratava Felicity muito bem..Mas não existia química, faíscas ou olhares cúmplices... Era óbvio que aquela canoa era furada. Não existia a mínima chance de um romance estar rolando entre eles….Ficou ainda mais óbvio no dia seguinte,Ray Palmer estaria voltando para Boston deixando Felicity para trás por tempo indeterminado. .Não teve despedida melosa, beijo ou abraços. .Apenas um até breve e só.
—Claro que não- Felicity parecia ultrajada com a ideia- Uma vez nós tentamos. Mas logo percebemos que não daria certo, descobrimos que como amigos tinha tudo pra dar certo.E assim tem sido desde então. ..Acho que o senhor foi além do esperado,olha -Felicity mostrou o cronômetro — Quarenta minutos de caminhada, para um primeiro dia? Foi excelente.
Robert,levantou a mão pedindo uma pausa . Estava sem ar e as pernas começavam a cansar. Felicity o ajudou a chegar até uma árvore próxima, saíram da trilha que percorriam e escolheram fazer a parada debaixo de um salgueiro chorão com sombra frondosa.
—Esta tudo bem?-Felicity perguntou, mas já sabendo a resposta, Robert era sedentário e era esperado que o corpo tivesse esse tipo de reação-Tudo nesse lugar é lindo, não sei como o senhor viveu todo esse tempo sem desfrutar.
Robert sentou escorando o corpo no tronco da enorme árvore convidou a jornalista para sentar ao seu lado.
—Desfrutei simm, e muito.Foram tantas festas,churrascos..-Ele gargalhou quando Felicity fez aquela cara de "o senhor é terrível"- Cada um explora aquilo que lhe apetece. .Caminhadas, comida sem sabor, não são o meu ponto forte...Mas como uma pessoa que passou boa parte da vida descrevendo narrativas sobre a natureza,eu concordo.Esse lugar é muito inspirador...Você por exemplo, se eu fosse escrever um novo livro, com certeza teria Felicity Smoak como inspiração ,e esse lugar poderia ser um cenário com ótima descrição — girou os dedos mostrando todo a área arborizada,gramados,canteiros e lago- Tenho certeza que seria uma personagem e tanto. .Todos os leitores ficariam ávidos.
—Sei não. .Thea não gostaria tà pra nascer mais ciumenta. Provavelmente ficaria possessa ao saber que fui fonte de inspiração.
—Thea foi uma fonte de inspiração, não teria porque criar caso.. .Mesmo porque sabemos que Thea odeia ler.
Os dois gargalharam juntos.
—Deixa-me adivinhar. .Se Thea foi base para uma personagem...Teria sido — Felicity sabia que tinha lido algo com as características de Thea,só precisava fazer uma forcinha e lembrar- Natalie Blossom, do livro, amanhã sem volta.
O Ex-escritor gargalhou alto,sua garotinha era peça rara e muito perspicaz.
— Não estou surpreso, você tem visão de toda essa coisa..Está perdendo tempo com essa história de jornalismo.
Felicity Suspirou em resignação.
—O senhor não esquece, hein?..Posso ter perdido a prática,talvez o deixaria envergonhado com a minha escrita.
— Não acho, é como andar de bicicleta. .Você pode andar até perder a prática, mas nunca esquece.
Uma curiosidade rondava a mente da loirinha, Felicity queria uma confirmação.
—Imagino que Oliver também tenha ganhado um personagem?-é claro que teria, Felicity pensou. Lembrava-se de ter lido um livro cujo personagem Matthew Hopkins era Oliver todinho, foi tão fácil vê-lo naquele personagem. ....um Cantor, detalhista e perfeccionista,contido,coração puro e um tanto reservado, várias falas que o personagem utilizou no decorrer do livro,era o mesmo que ver Oliver falando — Eu imagino que seja o cantor do Pub Irlandês. ..Pelo menos na sua imaginação o Oliver seguiu carreira artística.
Novamente,Robert não estava surpreso ..Essa menina tinha talento, e também conseguia ver muito aquém das palavras.
—Engraçado, tanto Oliver quanto Thea não são leitores ávidos, Thea leu um livro ou dois, mas logo deixou os outros juntarem poeira. Oliver não leu nenhum, a não ser livros da faculdade. Durante um tempo isso me incomodou. . Não nego,sempre fui incentivador da arte, fosse na atuação, música, escrita ou nas telas e tinta a óleo. .Esperava que um de vocês seguisse essa veia. ..Mas as coisas são o que são.
O Ex-escritor parou por um momento, encarou o céu. Não estava triste ou decepcionado, apenas refletindo a respeito.
— Thea tem uma voz linda, canta como um passarinho, porém não quis estudar e nem trabalhar, segue a vida como uma socialite, mas eu sinto que em algum momento ela vai se encontrar, olhar pra dentro de si e começar a explorar mais da vida...Oliver assim como Thea,tem uma bela voz e afinação...Mas nasceu para ser empresario,esta nas veias dele….assumiu a empresa que era de Moira.. E apesar de pensar que sou desapontado com as escolhas profissionais que tomou, ele não poderia estar mais enganado. Tenho muito orgulho da pessoa que Oliver se tornou. Não mudaria nada no que diz respeito a ele, exceto por faltar certas atitudes-Robert demorou um olhar na loirinha, Felicity baixou o olhar e começou a brincar com as folhas secas caídas no gramado.
Não tinha o que falar, Felicity sabia que era uma indireta. Robert estava testando sua capacidade de falar.
Vendo que permaneceria calada o patriarca terminou a avaliação que destinava a cada filho.
— Você. ..desde criança eu enxergava o seu potencial, memória fotográfica, detalhista, redações muito acima do nível para crianças da sua idade..Você sempre foi um prodígio, QI avançado, logo pensei "essa menina vai ser uma escritora fenomenal"...E então você foi para Boston,tudo mudou... Querida, por que você não aproveita esse pequeno recesso da sua vida em Boston,e começa a colocar as palavras em uso?
Robert havia parado com as brincadeiras, seu tom agora era sério.
—Querido,por que o senhor não aproveita esse recesso na sua vida e começa a colocar as palavras em uso? Milhões de leitores aguardam o seu retorno . Felicity Desconversou.
O patriarca ainda a observava, dividido entre abraçá-la ou dar lhe uma sacudida do tipo,"acorda pra vida".
—Você sabe que não estamos mais falando de livros..Palavras não precisam só serem escritas...Elas estão aí para serem usadas, dialogadas. ..Para esclarecer dúvidas, acertar os erros cometidos.
Felicity começava a lamentar ter proposto uma caminhada. Parece que todos queriam pegá-la desprevenida e começar o bombardeio de perguntas e conselhos.
—Mas palavras também podem ser escritas, sempre irei apoiar a causa….Se o senhor pode dizer nas entrelinhas,também posso...Volte a usá-las, digo as palavras e a imaginação. O que o tem impedido?
Robert respeitou o tempo dela, não seria hoje que a convenceria... O Ex escritor agora parecia cauteloso, conversar com Felicity sobre Moira era um campo minado.
— Escrever está relacionado a emoções, sentimentos... Boa parte deles se foram, -juntos com Moira,queria dizer.Mas logo calou- Não sinto mais essa necessidade,vondade de escrever. ..Meus capítulos estão se encerrando. .Mas você minha querida, tem todo um livro pela frente, deveria começar a escrever e ser a protagonista da sua própria história. E acima de tudo se permitir ser feliz.
Lá estava ele de novo,Sútil como uma porta, Felicity não sabia se ria ou chorava.
—Já escrevi um livro, "Memórias de uma Fugitiva" garanto que a protagonista é mais emocionante que eu.-Por falar na sua protagonista, automaticamente lembrou de alguém — Mas voltando ao uso das palavras e diálogo , acho que seria legal o senhor falar tudo aquilo para o Oliver, tenho a impressão que ele está sempre tentando provar o seu valor.
Felicity era assim, falava algo sem pensar e em seguida mudava o foco do assunto. Robert estava consciente da manobra, se ela queria jogar, ele também jogaria.
—Vou dizer,em breve...E sua mãe, vocês ainda mantém algum contato? Ela agora está o quê, no quarto casamento?
—Na verdade é o quinto ...Parei de ser convidada a partir do terceiro quando disse algumas verdades...Desde então o contato que era pouco, passou a ser mínimo. ..Mas não tenho nenhum sentimento de revolta, sou grata por ela entregando-me para vocês. Donna não tem um coração ruim, assim como não tem um coração materno...Só Deus sabe o que teria acontecido se eu tivesse crescido perto dela..
—Quando conhecemos a sua mãe, estávamos no período das vacas magras,éramos vizinhos no subúrbio. Teve dias que nos faltou o que comer, sua mãe nunca deixou que faltasse comida na nossa mesa, ela tinha pouco mas dividia o pouco que tinha...Depois que a venda dos livros começaram a aumentar, pude proporcionar mais conforto a Moira e Oliver, foi quase na mesma época que sua mãe engravidou, e então era Moira que queria ser útil, ajudá-la no que fosse possível..Donna te amava Felicity, nunca duvide disso, mas como você disse ela não queria ser mãe, não demorou muito e ela nos procurou para avisar que faria uma viagem e não levaria você com ela……Nós acolhemos você já sabendo que dali por diante não iríamos abrir mão da sua guarda, mesmo que um dia Donna arrependesse….Felicity quando você completou dez anos, sua mãe voltou querendo vê-la, mas sempre deixava claro que você ficaria conosco, ela ia e voltava ,fazia as visitas mensais e voltava para a vidinha que estava levando. Numa dessas visitas, sua mãe conversou com você a respeito do seu pai? Digo o biológico. .Porque eu não abro mão desse título.
Felicity beijou aquele rosto envelhecido, colocando nesse gesto toda a gratidão que tinha.Robert era o melhor exemplo paterno, nunca haveria brecha para outro homem ser o seu pai.
—Uma vez lembro que ela tentou contar, mas nunca quis saber. Continuo não querendo porque independente de ter o mesmo sangue ou não, a vida escolheu o melhor. Sou muito, muito grata por ser o senhor.
Felicity deitou a cabeça no colo do patriarca Queen. Era bom aquele aconchego.. Porque ela iria se preocupar em descobrir a identidade de alguém que nunca esteve lá por ela?..Quando na verdade tudo que precisava estava ali,bem a sua frente.
—Speed,o que eles estão fazendo? -Oliver observava pela janela uma cena que parecia antiga, porém numa versão mais atualizada.
Felicity estava trabalhando manualmente num canteiro de plantas, enquanto Robert seguia sentado ao lado dela entregando ferramentas. Os dois estavam próximos do lago, em afastados da mansão, mas era possível decifrar a imagem de longe.
Thea saiu emburrada de dentro do Closet do pai e seguiu até a enorme vidraça.
—Ahh isso...Parece que Felicity está arrancando o mato e o papai tá assistindo.
Bufou.
—Speed, sabemos que o papai odeia fazer trabalho no jardim.Papai odeia fazer caminhadas...Que cara é essa, ainda está chateada comigo?
—Essa cara é de frustração, revirei o quarto todinho e nada de achar as bebidas, lembra que comentei com você né? Sobre a suspeita da Fê. ….-Thea observou pela janela e se não fosse pelo ataque de nervos,teria achado fofo o momento entre os dois aprendizes de jardinagem- Naquela época ele fazia para agradar a mamãe,ela adorava cuidar das plantas..Felicity pegou gosto com ela,mamãe sempre arrastava a Fê pra ajudar…E agora parece que ele saiu para caminhar e também está sujando as mãos de terra para agradar a Fê. .
—Você sempre teve ciúmes-Oliver disse entre risos.
Thea o observou como se fosse a maior aberração.
—Claro que não, nunca tive ciúmes dos nossos pais com a Fê...É ridículo admitir isso, mas eu sentia como se a adotada fosse eu. .Felicity não compartilhava o mesmo DNA que eles e mesmo assim parecia a melhor mistura dos dois..Papai e Felicity passavam horas na biblioteca lendo livros, tentei algumas vezes ler e acompanha-los, mas eu dormia, cheguei a babar em cima dos livros do papai-Tanto Oliver quanto Speed riam com a lembrança — Mamãe levava Felicity para a empresa, conversavam sobre a confecção de perfumes, contratipos e categorias. .Nunca tive real interesse a não ser de usar os perfumes- Dessa vez o sorriso de Speed foi mais largo, quase maldoso-Teve uma vez que a mamãe me levou para o jardim, ela estava deslumbrada com as roseiras, elas estavam bonitas e cheias de brotos,peguei o alicate e cortei todos.
Oliver também se lembrava da cena. Moira surtou, Thea quase apanhou pela primeira vez na vida.
—Em minha defesa, pensei que estava ajudando, pois já tinha visto Felicity usar o mesmo alicate para cortar as pontas...Só então mamãe me explicou que Felicity cortava as flores secas para que novos brotos chegassem. Saudade dela, foram bons tempos. Tivemos os melhores como pais. .
—Sim, ótimas lembranças. -Oliver assentiu enquanto continuava a observar a interação entre seu pai e Felicity lá fora. Sentiu vontade de ir lá e ficar na companhia deles, era crescente a sua vontade de estar junto de Felicity.
—Eu não era ciumenta. Mas você era, naquela época pensava que era coisa de irmão mais velho..Hoje eu entendo que você nem ligava pra mim,seu ciúme era direcionado a Fê..Sempre foi...desde crianças você queria ela só pra você.
Algo naquela frase doeu no coração de Oliver, era verdade que ele era muito ciumento. Mas dizer que não ligava para Thea, isso era absurdo.
—Thea, não adianta negar os ciúmes, eu era ciumento mesmo. Mas nunca, escute bem,nunca pense que eu não importava com você,Speed você quase me causou um infarto quando caiu daquele cavalo e quebrou o braço. .Ou então as vezes que caia da bicicleta e ficava com os joelhos ralados, doía em cada pedaço meu ver a sua dor. Agora, tenho que falar você é escandalosa não é de hoje...Cada tombo e o escândalo era maior..- de repente os dois irmãos estavam grudados, falar no passado trazia um gosto melancólico — -E peço desculpas por estar sobrecarregando o seu namorado, vou tentar resolver isso.
Thea Queen mudou a postura, encarou o irmão e manteve o olhar sobre ele.
— Ollie, não estou chateada com você, nunca estive na verdade, meus problemas com o Roy não são sua culpa...caralho quase duas semanas sem transar,estou subindo pelas paredes…-vendo que o irmão fez careta e iria cortar o assunto, Thea se adiantou- Ollie,assim como não é sua culpa os meus problemas pessoais, quero dizer que você também não é culpado pela mudança da Fê. .Peço desculpas, falar aquilo foi muita presunção da minha parte.
Oliver apenas abraçou a irmã, beijou o alto de sua cabeça e ia saindo quando Thea o chamou.
—Ollie,você não foi o culpado, mas acho que a mamãe foi.
—Tenho pensado muito sobre isso.-concordou.
Os dois saíram juntos do quarto e seguiram para a sala,Oliver já havia considerado a possibilidade, mas quando lembrava o quanto sua mãe era dedicada e fazia todo o possível para ver Felicity bem,se sentia culpado por estar julgando mal alguém que nem estava vivo para se defender.
—Thea, estarei atento, vamos descobrir a verdade.. .Agora preciso ir, avisa ao papai que volto mais tarde, estou ficando atrasado e não posso esperá-los. Parece que ainda tem muito canteiro para ser reformado.
Como era possível conhecer alguém uma vida inteira e ainda descobrir algo novo? O loiro sabia que a mãe teve sua cota de defeitos, mas ele gostava de ser positivo e se apegar nas inúmeras coisas boas que ela havia feito.
Oliver ainda não descobrirá " o que seria o algo novo" ..Tinha medo do que essa descoberta poderia acarretar, mas sentia que devia fazê-lo, era vital.
E se Felicity não estava pronta para contar, Oliver arrumaria outra maneira.
Pensar em Felicity trouxe um pequeno sorriso no rosto masculino. Quase uma semana perto dela e parece que sua vida tinha mudado,não podia dizer que eram melhores amigos, mas ficava feliz ao constatar que ambos estavam empenhados em tentar trazer a velha amizade de volta.
Satisfeito, o empresário fechou os arquivos e disse a si mesmo que devia sair mais cedo da empresa, ir pra casa, tomar um banho e depois passar na mansão, ver como o seu pai estava. Oliver ainda estava digerindo a possibilidade de seu pai estar burlando as ordens médicas. É claro que Felicity não levantaria uma suspeita em vão, certamente seu pai deu indícios para ela desconfiar que ele estivesse escondendo um arsenal de vinhos para manter o pequeno vício da bebida.
—Ei,Oliver tem um minuto?
John Diggle braço direito e melhor amigo de Oliver estava parado na porta.
—Claro,Diggle . Entre — Não seria hoje que Oliver conseguiria sair mais cedo, pensou. — O que posso fazer por você?
Diggle puxou uma cadeira, sentou pouco a frente de Oliver e colocou as mãos sobre a mesa.
—Barry está preocupado, diante a crise mundial estamos perdendo vendas, os produtos da linhas de luxo não estão alavancando ...Um dos nossos representantes comerciais acabou de passar o relatório da semana passada, os números são preocupantes.
Oliver esfregou as mãos no rosto, não era uma novidade. Oliver estava acompanhando o desenvolver da nova campanha.
O empresário não era precipitado, fazia o possível para tomar decisões baseadas no equilíbrio. Mas nesse momento começava a arrepender de ter lançado uma linha Premium, muito alto custo e até o momento baixo faturamento. Para realizar o sonho que era da sua mãe,Oliver estava expandindo a variedade de perfumaria para cuidados faciais .A empresa Topázio, agora não se limitava somente a fabricação de perfumes e cremes corporais...Oliver resolveu tirar do papel, aquele que seria o empreendimento de Moira Queen.
—Jonh não é uma preocupação só do Barry, estou acompanhando tanto a entrada quanto saída do capital de giro,queria esperar o findar dessa semana para decidir quais diretrizes seguir nesse caso...Aconteceu tudo de uma vez,meu pai doente,toda essa mudança de rotina...Sinto que deveria ajudar mais..Felicity e Thea estão cuidando dele praticamente sozinhas. ..Mas como posso me ausentar nesse momento?
—Você possui uma equipe muito qualificada, não seria errado trabalhar meio período, já conversamos muito a respeito disso...Você está só se afundando nesse barco..E eu pergunto,tem adiantado?
John começou na empresa Topázio, quando ainda era só um estagiário, Moira Queen enxergou potencial no rapaz, não tardou a oferecê-lo um cargo de auxiliar no setor administrativo. Diggle foi mais além, pouco antes do acidente de Moira, Jonh havia assumido um cargo alto na diretoria. Assim como a mãe,Oliver logo percebeu o valor de Jonh. Quando o herdeiro Queen assumiu a presidência, trouxe Diggle para ser o seu braço direito.
—Você perguntou, e a resposta é não, não tem adiantado….As vezes penso se fiz bem em lançar esse projeto,esse era o sonho da minha mãe,a marca dela..Se não arrumarmos uma estratégia rápida logo estaremos decretando falência. Posso estar tornando o sonho dela em pesadelo,talvez fosse melhor que tivesse ficado arquivado.
—Oliver, foram muitas conquistas, eu não preciso lembrá-lo…A perfumaria do setor masculino é campeã de vendas assim como a perfumaria feminina só cresce. ...O momento é crítico para qualquer empresário, mas pelas lembranças que eu tenho, você sonhava em assumir esse lugar e trazer um diferencial . Não vai desanimar logo agora, quando começa a ter alguma emoção. ...Esse projeto da sua mãe tem tudo para ser um estouro, temos tudo a nosso favor, a qualidade, os ativos modernos. Basta descobrir onde estamos errando.
E lá estava o porquê de John Diggle ser além de tudo, o seu amigo. Esses lembretes diários tinham o poder de uma injeção de ânimo.
De repente o assunto que era sobre a empresa mudou drasticamente nos pensamentos de Oliver.
—Jonh quando você começou o seu estagio Felicity ainda morava com os meus pais?
Diggle retirou o celular do bolso e começou a responder algumas mensagens ao mesmo tempo em que respondia Oliver.
—Sim, algumas algum vezes nos encontramos pelos corredores da empresa...Felicity era uma graça. .. Ela tinha potencial para ser o rosto propaganda da marca..Sua mãe dizia que os olhos dela eram justamente da cor de um Topázio.
A nova informação o surpreendeu, não sabia que sua mãe tinha pretensões que envolvesse Felicity e a empresa. Era fato que sua mãe trazia Felicity, mas Oliver não enxergava aquilo como meio de incluí-la no catálogo de modelo da marca.
—Não sabia a respeito, na verdade é surpreendente saber que Felicity tinha interesse nesse lugar. Meu pai costumava se vangloriar que ela o seguiria. Até hoje ele não aceita que Felicity tenha feito jornalismo.
Jonh guardou o celular e voltou à atenção para o amigo.
—O que me surpreendeu na época foi a forma com que Moira tinha carinho por ela mesmo com tantos boatos, ela dirigia o mesmo tratamento que direcionava a você e a Thea.
Oliver segurou a expressão facial e tentou ser o mais natural possível, não sabia do que se tratava aquele comentário. Mas Iria instigar Jonh a falar. Esse poderia ser o começo para desvendar todo o mistério.
—Minha mãe tinha falhas, mas no que dizia respeito à Felicity ela sempre tolerou muitas coisas.
Jonh acenava a cabeça em concordância, sem imaginar que estava oferecendo material para Oliver.
—E o fato da Felicity ter as mesmas características que o seu pai só piorou a situação. .Sua mãe tinha uma diplomacia ímpar.
Características do seu pai?
Uma falta de ar começou a querer se formar.
Oliver merecia um prêmio por tentar uma atuação tão impecável.
—Pois é,imagina só, Thea morria de ciúmes porque pensava que era ela a adotada. ..Até mesmo Thea que era criança via semelhanças de Felicity com o papai.
Jonh agora parecia sério. Reflexivo.
—Eu gostava tanto da sua mãe, ver todo aquele burburinho e o quanto estava a afetando, me fazia querer cortar a língua de cada um que espalhava a fofoca... Durante muito tempo a sociedade a julgou por acolher uma filha bastarda na própria casa.
O mundo de Oliver despencou, parecia uma montanha russa em toda a velocidade.
Oliver sentia o estômago embrulhar.
Podia sentir que tinha algo parado na garganta, dessa vez não conseguiu disfarçar naturalidade.
Estava suando frio.
Seu pai não era o que pensava..Durante toda a sua vida acreditava que seu pai era devoto ao casamento, fiel e apaixonado por sua mãe.
Felicity era sua irmã? ..Céus!Eles foram tão longe,uma relação incestuosa.
Novamente sentiu calafrios.Levou as duas mãos a cabeça e durante uma fração de segundos ficou estagnado.
—Oliver..Cara você -antes que Jonh pudesse perguntar se o amigo estava bem,a realidade lhe atingiu — Você não sabia. .Você me usou como peão. .Manipulou-me. Você estava me instigando a falar... Cara, você me colocou numa posição difícil, estou passando por fofoqueiro . Você não tinha esse direito.
Oliver nem conseguia acompanhar o sermão de Diggle, seu mundo estava ruindo….Toda a sua existência estava ruindo.
—Isso é demais pra minha sanidade. É demais -falava enquanto levava as duas mãos a cabeça.
Jonh levantou e foi até a cadeira onde o amigo estava, ajoelhou-se e tentou buscar uma comunicação visual.
—Oliver, isso foram boatos e duraram por pouco..Logo foram desconsiderados quando Donna apareceu e tratou de negar...Pensei que você soubesse, por isso estava seguindo com o assunto.
Oliver precisava pensar. ..Precisava investigar mais.
—Os boatos podem ter sido o elemento principal para Felicity ir embora, provavelmente já sabia, por isso se afastou-Oliver sussurrava para si mesmo.
Agora mais calmo e mais consciente da situação, o empresário sabia por onde começar a confrontar Felicity.
—Felicity e eu atravessamos muitas barreiras que irmãos não deveriam atravessar. ..Éramos jovens, mas o que sentíamos era real. De repente tudo mudou, Felicity pediu transferência para uma faculdade em outro estado, imploramos para que ela ficasse... Mas a única que apoiou a mudança foi minha mãe. ..Diggle Você entende onde quero chegar?..
Jonh parecia perplexo. Aquilo parecia roteiro de filme.
—Por um momento sua mãe pode ter acreditado nos boatos Oliver,mas pode ser que quando descobriu a verdade, não tenha conseguido reverter...Uma vez ela mencionou que queria trazer Felicity de volta, prepara-la para futuramente assumir um cargo na diretoria de o Topázio, mas a garota não quis vir.
Sufocado, o loiro afrouxou o nó de sua gravata.
— Não adianta confrontar Felicity, ela jamais admitiria os motivos. Não foi por falta de tentar..As vezes sinto que ela ainda tem sentimentos por mim, mas quando tento uma aproximação ela recua. Agora com essa nova informação eu sei por onde começar.
Jonh não gostava do que ouvia, e principalmente, não gostava de ser o responsável pela bagunça.
—Por que você não faz como ela? Lugar do passado é no passado, isso pode estar atrasando vocês dois. Tente começar a partir desse momento, faça com que ela confie em você e se em algum momento ela se sentir confortável, ela dirá.
Oliver pegou o celular para ligar em casa e pedir para falar com Felicity, ia marcar um encontro para logo mais e tentar desvendar parte do mistério.
—Oliver,Jonh..Bom encontrá-los juntos..Podemos conversar?
Era só o que faltava,o chefe do departamento químico estava ali para aumentar a sua dor de cabeça. Não era preciso ser vidente pra saber o que Barry Allen veio falar.
—Claro,Barry..Entre...Como vai Caitlin e o pequeno Theo?
Nesse instante Barry era só sorrisos, perguntar pela família Allen era o mesmo que fazer cosquinhas, Barry não escondia a satisfação.
—Estão ótimos. Estamos só aguardando a rotina se organizar e logo faremos uma visita ao seu pai,Caitlin e Felicity conversam todos os dias por chamada de vídeo. ..Acho que o bebê já reconhece a voz da Fê….Bom, o que vocês acham de convocar uma conferência com toda a diretoria e estudar meios para remediar esse caos? Podemos rever o marketing, aumentar a publicidade.
—Vou ligar para a secretaria e solicitar uma reunião de emergência... Barry o que você acha que pode ter dado errado? Como o químico responsável, você acha que os produtos foram mal formulados?
—Não sei se tem a ver com a composição de ativos, por que na verdade, eles não estão saindo das prateleiras. Se o problema fosse os resultados do produto, teríamos muitas queixas-Jonh explica o seu ponto de vista, parando ao ser interrompido por uma batidinha leve na porta.
—Entre..-Oliver pediu, começando a imaginar onde estava a sua secretaria que não estava assumindo o entra e sai de sua sala.
Para sua surpresa, o motivo da sua dor de cabeça estava ali, parada na porta. Linda como sempre, blusinha vermelha com alcinhas e uma calça jeans,casual e jovial era isso que que a margem de Felicity passava.
—Olha só, alguns membros da diretoria reunidos... Acho que estou interrompendo-Felicity ia saindo quando Jonh foi até ela e a puxou para dentro, não sei antes dirigir um olhar de censura para Oliver,estava claro naquele olhar,Jonh dizia, vai com calma amigo, não é o momento.
—Quanto tempo garota-Diggle dizia entre abraços- Bom revê -lá.
Felicity sorriu sapeca para Jonh e seguiu observando o ambiente, acenou para Oliver que estava do outro lado da mesa e por fim, deu pulinhos quando viu Barry.
—Barry Allen,seu filho da mãe sem palavra- Barry abraçou a amiga e a levantou no ar,não foi como Thommy que saiu girando ao segurá-la nos braços, mas foi por pouco.Oliver pensou incomodado, por que todos tinham que agarrá-la daquele jeito?
—Fê, por que eu seria sem palavra? Desde que me lembro, sempre cumpri com as minhas promessas.
A loira deu um olhar recriminador na direção de Oliver.
—Claro..Isso porque alguém me falou para eu estender minha estadia por San Francisco, por que você queria me ver e apresentar o seu pequeno rebento..Deixa pra lá, oportunidades não vão faltar, estou vindo da casa de Laurel e vamos organizar um reencontro...Talvez, só talvez sobre espaço para vocês garotos..
Felicity piscou para Oliver,e sorriu.
Mas logo o seu sorriso foi perdendo a graça, Oliver estava estranho, olhava para ela como se fosse uma aberração.
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