Notas iniciais
Guerreiros do meu coração ♥ Estou aqui por ninguém mais, ninguém menos do que eu mesma. Ah! E o lucian, que comentou capítulo passado :) Eu precisava desesperadamente postar esse capítulo, mesmo que a parte cruel do meu cérebro quisesse esperar completar um mês desde o último capítulo. Eu postaria antes, mas sofri de bloqueio. É horrível antes que me perguntem. Quanto ao meu tornozelo, não, eu não quebrei ele. Foi só uma torção, mas o ******* que me atendeu não sabe a diferença de fratura para um osso completamente saudável. Eu forcei o músculo da coxa direita, porque não podia colocar o pé esquerdo no chão. Maldito :@ Enfim, eu queria muito postar, então a minha ansiedade + vontade de fazer um capítulo F*** deixou ele meio que um pé no chato e um pé no legal, desculpa. Boa leitura!

P.O.V. Lucca

Quer saber? Está tudo de cabeça pra baixo agora. Sabe o que eu estou fazendo? Eu estou observando de longe a casa da minha Sam. Não a casa que eu visitava durante as aulas.

Eu estou observando o Acampamento Romano. Eu, um grego. É, sim, isso é loucura, mas eu não estou sozinho, estou com o Possati, e nós estamos esperando Marte.

Já se passaram três semanas desde que vi a Sam pela última vez. Na semana da ligação de Íris, eu e o Possati dominamos os arcos e espadas. O Possati se apaixonou pelos Yumis enquanto eu prefiro as boas e velhas espadas. Na segunda semana, nós treinamos as lanças, e pelos deuses, não achei que houvesse tantas! Enquanto eu não conseguia mal segurar uma delas, o Possati tinha total controle sobre todas elas. E nos começamos a treinar com adagas, que exigia mais proximidade. Até três dias atrás pelo menos, o que nos deixou com quatro dias de adagas. Segurá-las? Já estamos muito familiarizados. Usá-las em combate? Bom, aí a questão é outra.

Quando soubemos que teríamos que nos afastar do acampamento, nós iríamos começar a testá-las.

O céu estava ensolarado, como sempre e eu e o Possati seguíamos conversando facilmente. Chegamos lá e encontramos Marte parado no centro da clareira. Sua expressão era uma mistura de indignação, raiva e preocupação.

–Marte. – nós o saudamos com um tom indagador na voz.

–Crianças... – ele deixou um suspiro pairar no ar por um tempo e continuou. – Vocês terão que sair daqui para poderem serem treinadas, não posso mais vir aqui.

E foi ali que eu e o Possati decidimos que o Acampamento Meio-Sangue já não era mais nosso lugar. Foram dias longos, tivemos que contar com Marte e uma loba para nos guiar. Uma loba que, segundo Marte, era Sasha, o que eu desconfiei pelo fato de ela querer me atacar assim que chegou e eu não a reconheci.

Agora, aqui estamos, eu e o Possati, observando o nosso novo lar. Ou nosso possível leito de morte.

P.O.V. Sam

Café da manhã é a refeição mais importante do dia, dizem os mortais. Eu digo que não, se a noite for igual a que eu tive. Porém, antes de contar o meu sonho, vou contar como foram às últimas três semanas.

No dia que Delfos me revelou o segundo verso da profecia, Martin fechou a cara pelo resto do dia. No dia seguinte ele pediu desculpas.

–Olha Sam, me desculpa por ontem. – ele disse segurando o meu braço, quando nós íamos ao refeitório. – É que eu ainda não me acostumei a esse negócio da profecia...

–Martin, por favor, se decida. – eu falei e ele me olhou confuso. – Não aguento mais, ou você aceita o fato de uma profecia fazer parte da minha vida, ou pare de tentar se aproximar de mim.

–Sam... – ele falou passando um dedo pela minha bochecha tão leve que eu achei que fosse feita de cristal. – Eu tenho medo você sabe... – eu fiz menção de protestar, mas ele me interrompeu. – Principalmente agora que eu sei que essa profecia te liga a aquele grego... – ele disse a voz tentando esconder o nojo, que era quase palpável.

–Primeiro que "aquele grego" – falei imitando o seu nojo. – tem nome, é Lucca! Segundo, Martin, eu cansei dessas suas mudanças de humor, elas me machucam. – falei com determinação que não era minha. – Acredite quando eu digo que não vai ser uma profecia que vai determinar minha vida pessoal, mas que esse seu comportamento ignorante é que vai.

Depois eu me soltei dele e fui o mais rápido para o refeitório. Quando ele entrou eu fingi que não o vi, não levantando do meu lugar. A Valência ainda não tinha voltado a se socializar com os legionários, mas havia voltado a frequentar as suas atividades.

Uma semana depois, eu visitei meu pai e quando entrei em seu templo, ele estava lá me esperando.

–Pai. – o saldei, me ajoelhando em sua frente.

–Filha. – ele me cumprimentou, me abraçando quando eu levantei do chão.

–Pai, me desculpe. – eu comecei. – Me desculpe pelo o que eu falei, eu estava nervosa por não saber de nada. – minha voz estava embargada e meus olhos marejados. Eu nunca desejei brigar com meu pai, sabia que ele tinha me protegido desde o dia que eu nasci.

Quando os seus irmãos, Júpiter e Netuno, fizeram uma brincadeira idiota e me deixaram com fobia do mar, Plutão jurou que nada de mal iria me acontecer de novo, pelo menos foi o que minha mãe me falou. Mas acho que era verdade, porque a Sasha apareceu para mim naquela mesma época.

–Filha, claro que eu te desculpo. – ele disse. – Mas eu também tenho que te pedir desculpas. A vida sua, eu não tenho que te obrigar a seguir nada.

E assim terminou aquela mesma semana e começou essa sem nada de mais para acontecer. E todas as noites eu ia até o Coliseu e treinava com o Cysne. Eu o cansava de mais. Toda vez que eu via que ele estava exausto eu pedia uma pausa, fingindo estar cansada.

Porém, a minha noite, de ontem para hoje, foi atormentada. Por sonhos, de novo. Só não sabia se eram bons ou ruins.

Meu sonho começou comigo andando numa praia debaixo de um céu tempestuoso, onde trovões iluminavam o meu caminho. Eu andava mais afastada possível da água salgada. Atrás de mim, cada fragmento da praia que ficava muito longe do meu alcance parecia virar dados de um computador e sumir no ar.

Primeiro eu estava sozinha, mas, um pouco a minha frente, depois de algum tempo, eu percebi que meu pai, em sua forma de cão negro, estava me esperando. Quando o alcancei, ele começou a andar ao meu lado, indicando que eu continuasse a andar. Em meus pensamentos ele falou.

"Seu avô tomou uma decisão que não agradou a muitos, pequenina."

–O que ele fez pai? – minha voz parecia diferente aos meus ouvidos, mais madura.

"Você mesma vai descobrir isso durante a sua manhã, menina." Sua voz em minha cabeça transmitia cuidado e carinho, ao mesmo tempo em que era carregada de preocupação. "Eu só quero lhe dizer para ter cuidado, o que vai acontecer pode te desestabilizar ou te confundir e, consequentemente, a sua Legião."

E quando eu ia perguntar o que isso queria dizer, ele saiu correndo em direção ao desmanche de informações, me deixando sozinha com a sensação que deveria seguir em frente. Assim que meu pai se desmanchou naquele buraco negro, eu voltei a caminhar.

Mais a frente, estava parada a minha mãe. Corri até ela e a abracei.

–Mãe! – falei com a cabeça enterrada em seus cabelos, a voz embargada e abafada, apertando-a como se ela fosse se desmanchar ali mesmo.

–Ah, minha pequena... – ela falou em um suspiro.

–Por que me chamam assim? Eu nem sou tão baixa assim. – falei fazendo bico e me soltando dela, voltando a andar.

–Ah, minha querida, você é sim pequenina, assim como eu. – ela me respondeu com um sorriso e eu sorri de volta. – Estou sentindo tanto a sua falta...

–Por que não vem para Nova Roma? Você pode ficar comigo e ainda estará em casa. – afirmei.

–Talvez, filha, mais tarde. Agora eu não posso. – apertando minha mão ela terminou sua frase. – Quero te avisa que a decisão do seu avô, não agradou a todos e pode deixar as coisas... – ela fez uma pauso o que me deixou um pouco aflita. – complicadas para mim.

–Como assim complicadas? – falei com a voz espelhando os meus pensamentos, com medo.

–Não posso explicar filha, só tome cuidado. – ela falou e me abraçou. – meu tempo acabou, tenho que ir...

–Espera mãe. – disse segurando o seu pulso quando ela fez menção de ir para o buraco negro. – Me ajude, eu estou com problemas com... Garotos. – senti minhas bochechas corarem violentamente quando um sorriso surgiu em seus lábios.

–Eu vou te encontrar vou te ajudar pessoalmente, prometo. – ela falou apertando forte minha mão novamente. – Tchau, filha, logo vamos nos encontrar novamente. – ela sorriu e se soltou de mim, andando em direção ao buraco negro.

Quando ela começou a desmanchar o sonho começou a ir junto, mas um pensamento surgiu e ficou se repetindo em minha mente até agora. "Prepare-se."

Aliás, eu estava encarando o meu café da manhã. Cereal com fruta e leite. Uma delícia, mas eu não tinha fome. O Martin tinha acabado de sentar ao meu lado junto com Bella. E eu nem havia percebido a entrada de ambos. "O que meu avô tinha feito?" eu me perguntava.

–Sam... – o Martin começou, mas se parou ao ver meu rosto que eu havia levantado para encarar ele. Era a primeira naquela semana que ele ia falar comigo fora aquilo que ele era obrigado. – Está tudo bem?

Sim, eu estava péssima. Eu havia acordado do sonho no meio da noite e não consegui mais dormir. Meus olhos não tinham olheiras mais, eram as olheiras que tinham olhos. Minha cara de "abatida" tinha deixado meu rosto e agora a expressão "atropelada por vinte minotauros" era mais adequada.

–Ótima... – tentei soar irônica, mas até a minha voz estava exausta. Respirei fundo e tentei de novo. – Só tive sonhos muito perturbadores.

–Sam... – a Bela falou ao meu lado. – Eu queria dizer algo em particular, seria possível? – no seu tom havia preocupação extremamente camuflada.

–Depois do café pode ser? – perguntei e ela assentiu.

Agora que estavam todos no refeitório eu me levantei e encarei a Legião. A Segunda conseguiu retirar a tinta cor de rosa das paredes. A Quarta estava muito melhor da conversa particular que eu e o Martin tivemos separadamente. A Quinta me fazia querer arrancar os cabelos.

–Bom dia, legionários! – falei bem alto e esperei todos responderem. – Hoje seria o dia dos nossos jogos, já que a fortaleza foi reconstruída, mas não acontecerá. – eu já havia discutido isso com Martin. Esperei os murmúrios revoltados cessarem para continuar. – Os jogos retornaram assim que todas as Coortes estiverem novamente unidas, enquanto isso não ocorrer não haverá jogos. – começaram os protestos, mas eu os silenciei somente levantando a mão. – É a decisão final. Assim que as Coortes se unirem novamente, os jogos retornaram.

Quando eu ia sentar as portas se abriram numa explosão. Enquanto meus legionários levantavam num salto eu murmurei.

–Já disse que cansei dessas portas explodindo? – a Bella riu.

Porém ela se calou rapidamente ao ver quem entrava. Segui seu olhar e vi meu avô. "Seu avô tomou uma decisão que não agradou a muitos, pequenina" lembrei-me do que meu pai me disse.

–O que você fez? – perguntei espantada em tom baixo.

–O que devia ser feito. – Marte me respondeu com o olhar repleto de angustia. – Legião! – todos se ajoelharam menos eu que estava extremamente perplexa para reagir. – Samantha, venha até aqui. – voltei a mim e andei até a sua frente.

P.O.V. Lucca

Entrar no território romano seria impossível. Eu e o Possati teríamos sido mortos nos primeiros passos. Marte literalmente limpou a passagem para nós, apenas pedindo para esperarmos ele do lado de fora de um prédio que segundo ele era o refeitório.

–Então garotão, pronto pra encontrar a sua Afrodi... Vênus? – o Possati perguntou, ainda confuso em relação aos nomes.

–Cara, eu estou nervoso. – respondi sincero. – Não por ver ela de volta, finalmente, mas pela quantidade de romanos ali que eu duvido muito que vão gostar da minha presença.

Possati riu nervosamente, concordando. Lá dentro nós escutávamos o Marte gritar algo parecido como ter que nos aceitar ou passar o resto da vida sem saber segurar uma espada. Nossa.

–Possati! Lucca! Entrem! – escutei ele chamar.

Entreolhamos-nos e entramos. Nossos passos ecoavam no completo silêncio junto com o pingente de diamante que estava pendurado no meu pescoço. Muitos olhares se voltaram para nos. Olhares de corpos grandes com armaduras. Olhares que me assustaram. Parei de olhar pare e eles e virei meu rosto para frente.

Eu errei se achei que lá ia ser melhor de tolerar. Meu diamante estava ali, minha Sam. Ela também estava de armadura, mas havia uma camisa roxa por baixo do seu peitoral cheio de espirais. Ela me olhou com tanta intensidade que eu achei que eu achei que poderia tocar ele.

Atrás dela uma menina de cabelos dourados estava ao lado do Martin. Ele estava com os punhos cerrados e a mandíbula apertada muito forte. Porém minha atenção estava toda focada na Sam. Ela parecia uma deusa vingadora para na minha frente com aquele peitoral dourado em espirais sobre uma camisa roxa com uma saia que ia mais ou menos na metade da sua coxa. Até os joelhos iam greaves e até os cotovelos braceletes com espirais de ouro protegendo o couro forte. No final dos braceletes eu vi duas pontas e um semicírculo fazendo uma anotação mental pra perguntar para ela o que era. Em sua cabeça, a tiara de asas, em seu pescoço, o pingente de águia, em seus dedos, o anel de cachorro e caveira. Todos dourados, seu equipamento.

E mal tive tempo de raciocinar. Em questão de segundos ela se jogou nos meus braços, me dando um abraça pra lá de apertado. Eu retribuí na mesma altura.

–Que saudade de você... – ela sussurrou no meu ombro, enquanto eu inalava o seu cheiro que fazia muito tempo que eu não sentia.

–Romanos! – Marte falou e eu me soltei dela, que sorriu e foi para o lado do Martin, o que me deixou com um enorme ciúme. – Estes agora são seus convidados, os tratem mal e eu mesmo virei aqui torturá-los.

Ele saiu e o silêncio constrangedor começou a nos comprimir. Sam ainda me encarava com um sorriso no rosto, enquanto o Martin nos analisava e o Possati olhava descaradamente para a menina de cabelos dourados.

–Por favor! Vamos comer, antes que esse ar grego afete meu café da manhã! – algum garoto perto da Sam falou e ela olhou feio para ele.

–Cysne! Cale-se! – ela gritou. – Ou eu arranco sua cabeça no treino.

–Não tá mais aqui quem falou... – ele disse e eu senti a risada na voz dele, enquanto se aproximava de mim e do Possati, ambos tensos. – Então, querem tomar café? Aposto que Lilian iria adorar vocês na nossa mesa. Já o Yuri, eu não garanto...

–E ser deserdado? Não, eu gosto de ser o maior filho de Marte... – um cara grandão respondeu na mesa onde o Cysne tinha saído. – O maior e não o mais forte e nem o mais esperto, antes que o Martin e a Amada comecem a discutir comigo. – terminou numa risada.

Enquanto nós nos aproximávamos da mesa onde o Cysne sentava, vi a Sam lançar um sorriso agradecido para o Cysne e a garota acenar para o Possati, com as bochechas coradas.

Só tive tempo para dar uma cotovelada no Possati antes de sermos sugados para dentro da euforia daquela mesa.

P.O.V. Sam

O Lucca estava mais perto de mim agora. Isso era o que mais me importava naquele momento. Enquanto eu sentava sorrindo senti a Bella se desequilibrar ao meu lado, se segurando em mim para não cair.

–Martin! – exclamei e ele me ajudou a sentar ela. Minha exclamação chamou a atenção da Legião, mas os cães metálicos não deixaram ninguém se aproximar. Percebi o olhar verde voltado para mim. – Ora, ora. Delfos. Você de novo. – disse sorrindo.

–Filha do Mundo Inferior. Ele cumpriu mais uma parte, que tal mais um verso? – a voz fantasmagórica que eu já estava acostumada perguntou.

–Cada vez que me visitar, vai me chamar de um jeito diferente? – perguntei rindo.

–Talvez. – uma risada assustadora saiu dos lábios de Bella, me arrepiando. – Pronta? – eu assenti e a sua voz se tornou melodiosa e macabra. – Poderosos de mais juntos eles são, – fez uma pausa e continuou. – O supremo, o astuto, e o confiante os subestimaram. – mais uma pausa. – Uma decisão imatura atrapalha tudo. – terminou com um suspiro.

Ela fechou os olhos ao mesmo tempo que eu, e eu fui puxada para mais uma lembrança.

Notas finais
Bom, como sabem, volto quando der. Mais uma coisa, eu quero pessoas que vocês odeiam nessa história... Tenho que matar pessoas, mas eu não consigo pensar em muitos... Ah! O nome da filha de Marte é realmente Amada e não Amanda ok? Boa noite, guerreiros (sim, por me aturar, são guerreiros). 30-05-2014