Sentimentos De Paz

1 Sentimentos de paz


Notas iniciais
Eu ja estava doida para fazer uma one-shoot da Mavis com o Zeref
Espero que gostem
Bjuks =*

Era tão calmo, tão sereno e silencioso.

Aquilo era bom, mas era diferente do que fizeram ele se acostumar, ou melhor, do que ele fizera a si próprio se acostumar. Esse pensamento de culpa fez seu simples sorriso desaparecer e aqueles pensamentos que ele odiava lhe invadirem a mente novamente.

Por que ele sentia que era quase impossível ter uma razão certa para sorrir?

Mas mesmo assim tudo permanecia como no principio, calmo e quieto.

Isso não lhe parecia normal.

O mago negro sentiu uma leve brisa brincar com seus cabelos pretos e tocar-lhe a face, era sereno, alegre, era algo verdadeiro. O silêncio era tão profundo que ele pode ouvir aquela brisa gentil. Havia algo a mais, o silêncio não era apenas do local em que estava, mas de seus pensamentos também, aqueles sentimentos de culpa, de tristeza ou desespero sumiram e agora sua mente estava vazia e serena.

Os pensamentos que ele tanto detestava foram embora e apenas lhe restou agradecer por aquilo com outro sorriso tímido.

Algo ainda estava estranho e seus sentidos começaram a perceber as pequenas, mas delicadas, presenças ao redor.

Sobre sua face ele sentiu algo quente, traços de raios solares e provavelmente do sol da manhã; ele também ouviu cantos de aves próximos além de galhos e folhas envolvidos em uma brincadeira com aquela brisa aconchegante criando uma bela melodia e depois o barulho de animais correndo ao longe, todos aqueles sons pareciam em sintonia para apenas mante-lo em paz.

Tudo havia chamado sua atenção a ponto de faze-lo começar a abrir vagamente os olhos, no inicio sua visão estava toda embaçada por causa de uma leve sonolência, ele piscou algumas vezes para finalmente abri-los totalmente, mas eles ainda tinham a mesma expressão triste e cansada de sempre. A visão na sua frente era a de como sempre acordava, algo como a natureza e o verde, árvores, gramas plantas. Desta vez ele tinha mais sombra, pois estava sentado em um local mais fechado por árvores apenas alguns poucos traços de luz atravessavam entre as folhas que balançavam sobre sua cabeça e algumas até se deixavam cair sobre seu corpo e chão ao seu redor.

Aquilo era pacifico, era bom.

Novamente o canto de pássaros. Um barulho entre os arbustos o tirou daquele transe o fazendo parar de apreciar o momento chamando a atenção dele para o local de onde viera o barulho, de trás das plantas saiu um alce que parecia tão surpreso quanto o mago de vê-lo ali

A primeira reação do rapaz foi levantar os braços pedindo para que o animal se afastasse, ele estava apavorado não por ele, mas pelo alce

— Se afaste... é perigoso — ele implorou

O animal ficou meio surpreso com o rapaz, mas não se importou e se afastou não ligando para sua presença sumindo novamente entre os arbustos. Agora a surpresa era do rapaz.

Ele fitou suas mãos pálidas em meio que ao medo.

Não havia acontecido nada, nenhuma onda negra que causaria a morte, nada. Era como se fosse um...

Ele não pode terminar seus pensamentos alguém os interrompeu.

Ela era uma garotinha de cabelos loiros claros e pele delicada branca, como suas roupas leves e de cores serenas que apenas aumentavam a paz que a menininha emanava.

Ele não conseguia ver seu rosto, seus olhos mesmo que, por algum motivo, desejasse

Os pequenos pés dela estavam descalço e pareciam aproveitar o aconchego da grama molhada e meio fria. Ela se aproximava e ele se desesperou novamente após a surpresa da presença da menina na sua frente

— Não...- ele disse baixo já querendo implorar para que ela se afastasse dele

- Tudo bem — a voz dela era tão doce e fina parecia poder rachar quando ela falasse — Não se preocupe, nada vai acontecer — ela continuava a se aproximar devagar

Ele podia ver um sorriso gentil, igual ao que gostaria de poder dar

- Qual é o seu nome? — ele perguntou se acalmando após perceber que nada acontecia

- Tudo bem, também não precisa saber — ela sorria mais e se agachou na frente dele — sei que vai se lembrar

Ele estava surpreso com as palavras dela, mas quis ampliar seus conhecimentos sobre a garota

- Você deveria ir para longe, vai se ferir... — foi a palavra com menos impacto que ele achou para não assusta-la, era melhor que morte

O garoto olhava triste para baixo, outro sentimento que ele desprezava, mas a garota sorria e por alguma razão ele estava gostando daquele sorriso tão sincero

— Mas não vai — ela disse confiante e ele ainda não podia ver seus olhos — você ainda não percebeu? — ela perguntava como se fosse o obvio, mas a expressão do garoto negava em resposta — Nada aconteceu até agora — Ela abriu os braços mostrando a paisagem atrás de si.

Era verdade nada aconteceu, as plantas não secaram e os animais que passaram proximos, como o alce, não perderam a vida

- Mas ainda assim... — ele olhou novamente uma das mãos — não quero arriscar, eles não merecem isso...

Ao terminar de ouvir aquelas palavras ela deu um sorriso ainda maior e em um ato de impulso ela pulou no garoto e o abraçou colocando os braços pequenos em seus ombros largos não deixando que ele escapasse daquele afeto carinhoso.

— Não... não chegue perto... você pode .... — ele falava tentando se soltar, mas ela não deixava e deu uma risadinha pequena e adorável

- Morrer? — a garota disse como se não fosse nada e ainda rindo

O desespero do mago sumiu em meio a surpresa da única palavra e do fato dela saber

— Você é tão fofo Zeref — ela disse animada e surpreendendo o garoto por ela saber seu nome e se sabia seu nome sabia sua história -Mesmo tendo que enfrentar a até sofrer sobre o fardo dessa magia você ainda se preocupa com os outros e sua segurança, sua vida...

Era tudo verdade e ela entendia o resumo do que ele passava, apenas não sentia o que ele passava.

— Você realmente é uma boa pessoa Zeref — dessa vez ela falava mais calma, mas ainda com o mesmo sorriso sereno — Deve ser por isso que eu gosto de você

As ultimas palavras trouxeram-lhe ainda mais surpresa, mas tinha sido algo tão intenso que o fez abrir os olhos bruscamente em meio ao susto o acordando e sendo assim a garota sumiu parando aquele confortavel abraço.

Um sonho

Tudo não havia passado de um sonho.

Não, lembranças...

O fato bom de ficar sem preocupações por tirar as vidas dos seres, das plantas; o fato do lugar ser calmo e tranquilo; o fato daqueles terriveis sentimentos terem sumidos nem que fosse por instantes.

Tudo, inclusive ela.

Ela havia sido a maior presença pacifica naquele lugar, ela em si, sua sinceridade, sua voz, as palavras que dissera, seu sorriso...

Zeref acabou se lembrando. Ele vivia com ela e gostava de permanecer perto de seu tumulo, mesmo que estivesse morta sua presença de espirito permanecia e assim podia sentir sua energia magica e vital todos os dias, mesmo que a dele fosse o total contrario da dela

Ele se lembrou melhor de seu sorriso combinando com os lindos pares de orbes azuis formando a mesma expressão doce que lhe acalmava e o mantia em paz mesmo que este estivesse sempre com aqueles sentimentos despreziveis tomando sua mente.

Zaref não sabia o que ela fazia, mas sempre dava certo e lhe trazia aquele sorriso timido e, que mesmo que aparecesse poucas vezes, fosse verdadeiro.

Agora fazia sete anos que ele não voltava a visita-la desde que teve de deixar a ilha Tenrou e isso parecia feri-lo cada vez mais, sete anos sem aquela sensação de paz

— Mavis..... — agora ele só tinha seu nome e suas lembranças para acalma-lo.

Era por causa dessas sensações que ela trazia nele, que o mago negro também gostava dela.

Talvez não fosse assim tão impossível achar um motivo para sorrir, como ele fazia levemente agora.