Sentimento Inesperado
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Patrick entra no avião para Palmas pensando em Clara, um misto de preocupação e um outro sentimento que não conseguia identificar. Ele tinha falado com ela no telefone no dia anterior para confirmar que chegaria a tempo de passar o Natal com ela e ela mencionou Renato. O mesmo Renato que ela havia contado que queria vê-la morta, que foi o responsável por jogarem ela ao mar em um caixão. Clara pediu para ele não se preocupar, disse que confiava em Renato, que ele tinha dado provas que estava ao lado dela, mas ele não conseguia ignorar aquela pontada de preocupação. Aquele medo de tentarem machucá-la novamente. Apesar de terem se conhecido a tão pouco tempo, ele gostava dela, queria cuidar dela, tinha um carinho enorme por ela.
Ele se lembra com um sorriso do dia que ela pediu para ele passar o Natal com ela.
FLASHBACK ON
— Tenho que voltar para o Rio. Estou muito tempo fora, preciso supervisionar o escritório.
Clara o olha assustada.
— Claro. Mas você vai embora definitivamente? – ela pergunta preocupada.
— Não, eu ainda volto. Eu... Imagino que você ainda precisa da... Minha ajuda. – diz esperançoso.
Clara sorri.
— Eu não tenho a menor dúvida disso. – Ela faz uma pausa e então continua – Patrick... Você nunca me falou da sua vida, da sua família. Tem alguém te esperando lá no Rio? – ela pergunta meio sem jeito
— Não. De família você conhece, a Fabiana. – Patrick ri, se lembrando da prima com quem não fazia a menor questão de ter contato por tudo que ela havia feito com sua tia.
— Mas assim, alguém especial, não tem? – Clara insiste.
— Eu não tenho ninguém. – Patrick responde chateado.
— Nunca amou? – Ela pergunta um pouco incrédula pela hipótese de um homem tão bom como ele, nunca ter amado.
— Tive uma noiva... Morreu.
— Eu sinto muito.
— Faz muito tempo, eu fiquei apaixonado muitos anos – ele sorri, se lembrando da mulher que tanto amou – Até hoje quando eu... Quando eu olho para o céu e... E vejo uma estrela, às vezes eu acho que é ela olhando para mim. – Patrick dá um sorriso sem graça.
— Que lindo isso. – Clara diz e Patrick fixa o olhar no dela, ela fica sem graça e continua – Eu te perguntei porquê... O natal e o Réveillon estão chegando né... Eu ia ficar feliz se você quisesse passar aqui comigo.
Ele dá um sorriso genuíno.
— Eu passei tantos Natais sozinho.
— Vamos fazer companhia um para o outro então. – Clara diz tímida, enquanto os dois trocam olhares.
FLASHBACK OFF
O avião decolou e Patrick tentou tirar Clara de sua cabeça, sem sucesso. Acabou pegando no sono pensando na moça, com um sorriso no rosto.
Em Palmas, Clara estava em sua casa, pensativa enquanto saia do banho, lembrando-se da história que Patrick lhe contou sobre sua falecida noiva. Acreditava que ele devia ter amado muito aquela mulher, para não ter nunca mais se relacionado com nenhuma outra. Não conseguia entender, um homem honesto, gentil, carinhoso e tinha que admitir, lindo como ele, como nenhuma outra mulher foi capaz de conquista-lo. Ela sentia um carinho especial por ele, um sentimento que nunca tinha tido por outro homem. Não entendia bem esse sentimento, essa ligação, achava que era por ele ser sobrinho da mulher que foi como uma mãe para ela nos seus dias mais difíceis. Então se lembrou da preocupação dele com relação a Renato, mas achou bobeira, ela confiava nele.
Assim que terminou de se arrumar, saiu de seu quarto para ir à cozinha, tomar café da tarde. Quando estava descendo as escadas, para sua surpresa, Patrick entrava pela porta com um sorriso enorme no rosto. No momento em que a viu, Patrick sentiu seu coração palpitar enquanto colocava as malas no chão e olhava bestificado para aquela mulher linda. Os dois tiveram uma vontade imensa de correr de encontro ao outro, mas suprimiram esse desejo e continuaram a caminhar.
— Que bom que você chegou! – Clara diz tentando disfarçar a alegria imensa que sentia naquele momento.
— Eu sai da festa do escritório direto para o aeroporto. Vim passar o Natal com você, como prometi.
Clara não consegue conter um riso rápido de alegria.
— Mereço um abraço? – Patrick pergunta sem graça.
Clara abre um sorriso enorme e pula na direção dele, abraçando-o. Patrick pega Clara no ar e tem que conter o desejo de rodopiar com ela em seus braços, tamanha a felicidade que sentia de ver que ela estava contente por ele estar de volta. Ele a coloca no chão e os dois se olham ainda abraçados. Ela olha para a boca dele e sente uma vontade estranha de beijá-lo, porém se afasta do abraço.
— Tenho uma novidade. – Ela diz, tentando entender o que estava se passando dentro dela.
— Boa?
— Uhum! Vem comigo mais tarde?
— Claro! Onde?
Ela abre um sorriso largo.
— Eu comprei um presente para o Thomaz, quero entregar para ele. Quero tanto ver um sorriso no rostinho do meu filho hoje! – ela diz sorrindo, enquanto ele passa a mão nos cabelos dela e sorri de volta.
— Só de ver esse seu sorriso lindo, já vai valer a pena te acompanhar. – Ele diz ainda com a mão acariciando os cabelos dela.
Clara fica sem graça com o elogio e a troca de olhares. Não consegue entender direito o que está sentindo e se afasta convidando-o para tomar um lanche com ela.
Patrick sente-se decepcionado, mas não consegue saber porque. Ele aceita tomar o lanche com ela e diz a si mesmo para esquecer disso.
Após a ceia, Clara e Patrick vão à casa de Sophia para ver Thomaz. Os dois não são bem recebidos e Sophia manda que Clara vá embora com o presente que levava ao menino e seu cachorro. Ao chegar em casa os dois conversam um pouco enquanto observam o cachorro, mas logo vão se deitar.
Em seu quarto Patrick pensa em Clara e na mulher forte que ela é, que mesmo com tantas pessoas tentando derrubar ela, não desistia do seu filho, da sua vida. Se lembra do dia que ela apareceu em seu escritório, após ter passado por uma transformação logo depois de ficar milionária. Aquele dia, teve certeza que ela era uma das mulheres mais lindas que já havia conhecido e cada dia ela o surpreendia com sua beleza. Ela realmente era uma mulher maravilhosa. Após revirar-se muito na cama, sem conseguir pregar o olho pensando em Clara e tentando entender tudo que estava se passando dentro dele, Patrick resolve ir até a cozinha tomar uma água.
Clara também estava revirando-se na cama, lembrando-se da vontade que teve de beijar Patrick mais cedo. Ela sempre o tratou como um irmão, sempre achou que a relação dos dois fosse de irmãos. Mas não se sente desejo por irmãos, ela não conseguia entender o que estava acontecendo. Devia mesmo estar ficando maluca e confundindo as coisas. Foi só um momento de felicidade, que eles acabaram se empolgando. E então, lembrou-se de como se sentiu feliz e segura naquele abraço que eles tinham dado. Cansada de tantos pensamentos confusos, que impediam seu sono de chegar, Clara se levanta.
Patrick terminou de tomar sua água e ia subir as escadas, quando quase tromba com Clara, que estava descendo o último degrau. Os dois se assustam e ele a segura pela cintura, para evitar que ela caia na escada. Eles se olham bem próximos, como ela estava um degrau acima dele, ficava com o rosto quase da mesma altura que o dele. Clara olha novamente para os lábios de Patrick, desejando novamente beijá-lo, ao mesmo tempo que Patrick olha para os lábios dela, tendo o mesmo desejo.
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