Sentimento Imortal
7 Proposta...
Engoli seco diante de tal proposta, esses caras não parecem merecedores de tanta confiança. Possibilidades ruins eram o que não faltavam. Entre apanhar ou inocentemente nos metermos em encrencas, a preocupação não para comigo, mas sim Gaara. Mesmo em meio a duvidosas possibilidades, a proposta não perdia seu valor diante de tal. Sorrateira curiosidade, sempre com sua manha tentadora de ser. Exibe-se mostrando sua força, mas não a comum força braçal, mas sim a sobre-humana. Digamos: “Seu jeito manipulador de ser...”, envolve-me em sua ilusão, sua deliciosa voz em minha mente conduzia-me para seu frio caminho. Por mais que tente, a curiosidade mora ao lado.
Gaara parou de comer sua maçã que já estava prestes a acabar. Mantinha uma expressão seria e preocupada, provavelmente colocava a cabeça para pensar. O sinal bateu, fim do intervalo.
– Pode ir indo para a sala, eu jogo as coisas no lixo – falei mais na tentativa de tirá-lo do transe. O rápido bater de suas pálpebras, subliminarmente, anunciava meu sucesso. De maneira distraída, balançou sua em afirmação. Raro ver aquele menino decidido ficar tão sem opção.
– Seja rápido, esperar-te-ei na porta do refeitório – previsível de que duraria bem pouco. Nos levantamos, eu fui em direção a lixeira enquanto Gaara segui para fora do refeitório.
Pensativo, seguia no ápice da distração em direção ao lixo e inesperadamente um menino da minha altura acho, com um casaco preto com o capuz do mesmo cobrindo teu rosto bateu-se bruscamente em mim. Provavelmente estava apressado para algo.
– Desculpe — falou brevemente. Ajudei a catar seus materiais
– Eu é que estava viajando na maionese — ele deu uma breve risada — Afinal, qual seu nome? — perguntei mais curioso que o normal, aliás ele era da mesma sala que a minha. Ele deu um suspiro, levantou-se e voltou a sua correria de antes.
– "Sasuke!" — ouvi longe. Sabia que já ouvira esse nome, só não sabia onde. Senti algo molhado em minha camiseta, era o suco de uva que eu bebia antes de perder a fome. Tentei de forma estúpida limpar aquela grande mancha roxa em minha camiseta laranja. Terá que ficar assim, não tem jeito algum de limpar.
– Narutoo! Agente já está atrasado! — gritou Gaara. Apressei-me e joguei as coisas no lixo. Corri para lá — Se cortou com o canudo do suco foi? — falou apontando para a grande mancha da minha camiseta.
– Tive um pequeno acidente lá, agora vamos logo senão agente não entra mais — comecei a correr para a sala e Gaara logo atrás. Chegando a sala sentamos ao mesmo lugar do começo. Passaram alguns professores até ouvimos o sinal.
Antes de sair olhei para o canto onde aquele tal "Sasuke" ficou sentado toda a aula. Deve já ter ido, pois não estava mais lá.
Estávamos andando normalmente para a saída, quase que rezava a favor do não. Rezava pra que aquela maldita curiosidade não tivesse os bagunçados cabelos ruivos. Mais do que certo que sim.
– Gaara não precisa ir para lá, e se for uma furada – minhas tentativas eram meios que incertas, mas realmente não queria que fosse. Seu olhar ainda era voltado à direção contraria.
– Não saberemos enquanto não tentarmos – tinha que dar uma dessas frases clichês. E por enraivecedora ação saiu correndo.
– Gaaraa! – gritei. Sem solução. — Merda! — falei para mim mesmo. Um pouco hesitante e involuntariamente corri atrás do mesmo. Chegando ao fim do corredor já dava para ter a vista de um espaço aberto, não tinha somente uma quadra de futebol, mas sim um grande espaço a sua volta. Gaara ficou estático, parecia assustado com algo, me aproximei e vi aqueles gigantes formando uma pequena rodinha e um rapaz de casaco preto jogado ao chão contorcendo-se de dor.
"Sasuke?!"
– Até que enfim vocês chegaram! Pensei que não viriam mais — falou ironicamente, virando-se para nós dois.
Gaara respirou fundo e foi na direção dele tranquilamente.
– Pra que chamou agente aqui? — me surpreendi com sua expressão, arrancou à assustada e pôs-se a mesma do outro. O rapaz arqueou uma sobrancelha, abriu um sorriso de canto e andou na direção de Sasuke caído ao chão insinuando que nós o seguíssemos. Gaara deu uma olhada rápida para mim, seu semblante estava sério. Seguiu-o até Sasuke e eu o acompanhei.
Tentava se levantar com um pouco de dificuldade, vi teu sangue cair ao chão, deve ter apanhado violentamente antes de nós chegarmos. Ainda de cabeça baixa ficou de joelhos. O líder da gangue tirou seu capuz e puxou seu cabelo fazendo-o levantar a cabeça. Tinha seus olhos transbordando de raiva naquele momento que se dirigia a quem o maltratava. Rapidamente notou que eu estava ali, um pouco atrás de todos, ficou um pouco confuso, mas logo se tornou de desprezo.
Fiquei realmente assustado quanto parei para prestar atenção em sua face. De sua boca escorria sangue, seus olhos estavam já quase fechados e inchados e em suas bochechas apresentavam vários arranhões.
– Dou a vocês a oportunidade de escolher. Quero que façam parte do nosso grupo, ou podem ficar como esse desgraçado aqui — deu um cínico sorrido para Sasuke.
– Sua mãe aquela prostituta — falou Sasuke com o mesmo sorriso que logo fora tirado de seu rosto pelo forte murro que recebera.
– Ouse-se a falar da minha mãe novamente — ameaçou, voltou o olhar para nós novamente. Gaara não seria tão insensível de aceitar tal proposta — Vão aceitar ou não? — olhei para Gaara. Temia sua resposta.
Ele continuava com o tal semblante sério, não dava para ver o que sentia naquele momento, assim possivelmente preveria sua resposta. Chamo isso de "Defesa Absoluta", a barreira que ele coloca para não transparecer seus sentimentos. Somos amigos desde infância e nunca o vi chorar, pelo menos não na frente de ninguém, também nunca brigamos, era realmente uma pessoa imprevisível. Isso é o que o que me dar medo.
Gaara olhou para Sasuke e tornou seu olhar para mim. Tinha certa diferença naqueles olhares que não consegui identificar...
Continua...
Fale com o autor