Senhores Do Universo, O Deus Desaparecido.

1 Filho...hoje...salve-se...acampamento...Sangue


Notas iniciais
Conheça Matthew Creegan, e seja iniciado neste mundo onde nada é o que parece...

Matt

Um conselho: Nunca! Jamais! Nem que sua vida dependa disso, passe por uma porta na sua escola onde está o aviso: Não Entre...

Bem, eu estou meio confuso com tudo o que tem acontecido na minha vida, e na realidade não sei por que estou registrando isso, mas eu sinto que se não fizer isso eu vou enlouquecer.

Quero deixar claro, desde o início que isso não é um diário, é mais como uma autobiografia.

Aconteceu tanta coisa na minha vida, que eu simplesmente não sei por onde começar...

Acho que vou começar pelo começo, antes de a minha vida virar de cabeça para baixo:

Meu nome é Matthew Creegan, tenho 14 anos, embora a maioria das pessoas pense que eu tenha 16, mas isso não vem ao caso. Moro em uma pequena cidade, no extremo norte da Carolina do Sul.

Minha mãe é a bibliotecária da cidade e meu pai... bem... Eu nunca conheci meu pai, portanto não sei seu nome, como ele é, ou o que ele faz, já que minha mãe não toca nesse assunto.

Minha família é uma família antiga na cidade, mas nem todas as pessoas dão valor à isso, geralmente os cidadãos preferem pensar que somos os “caras estranhos da biblioteca”.

Se somos estranhos? Pode se dizer que sim... Nós vivemos em uma casa ao lado da biblioteca, e minha mãe passa a maior parte do tempo trabalhando ou no Granny’s Coffe, o café municipal, e eu passo a maior parte do tempo ajudando minha mãe no trabalho, na escola ou simplesmente lendo, na biblioteca mesmo, em casa ou na praça da cidade.

Eu estudo em uma escola onde os professores simplesmente não se importam que os alunos se matem, e os alunos simplesmente não se importam de se matar uns ao outros. Agora um enigma: quem é o saco de pancadas favorito dos valentões? Isso mesmo, se você pensou Matthew Creegan você acertou em cheio. A questão é, a escola toda adorava pegar no meu pé, simplesmente não mediam esforços para me aborrecer, e eu sou uma pessoa pacífica então não poderia sair por aí distribuindo pancada e mandando a escola todas me deixar em paz (por que antes disso seria fatiado como presunto)... Embora todos na escola me atormentassem quem mais levava isso á sério é Michaell Mess e sua trupe de valentões, praticamente todo dia eu era obrigado a me esconder deles e perder a primeira ou a quarta aula.

Eu moro no mesmo lugar desde que me conheço por gente e eu sinto que meu único amigo de verdade e Tyler, um cara estranho que entrou na escola há dois anos, ele aparentava ser um pouco mais velho do que as pessoas do nono ano, por causa disso tinha certeza de que as pessoas pensavam que ele era um repetente, isso era até legal onde eu estudo, mas ser meu amigo fazia com que as pessoas se quer chegassem perto dele, a não ser para lhe aborrecer.

Agora você já me conhece, já sabe os meus costumes e os meus relacionamentos, sinto que já está pronto para conhecer a história que eu quero contar de verdade...

Os Cabelos loiros reluzentes quase me cegavam, aqueles olhos que pareciam constantemente mudando de cor, e aqueles dentes de um branco magnifico me deixavam inquieto... Parecia

ter no máximo dezessete ou dezoito anos, não mais que isso. O homem parecia nervoso, olhava para trás pelos ombros a todo o momento, como se estivesse sendo perseguido, ele falava, mas eu não podia distinguir sua fala, pois era como se eu estivesse em baixo d’agua, onde não passa som, mas pelo movimento do seu lábio eu entendia algo como: Filho...hoje...Eles...vem...salve-se...acampamento...Sangue. Essas palavras não faziam sentido para mim e embora eu nunca tivesse visto o homem, eu sentia que o conhecia. Algo naquele cabelo, ou nos olhos. Mas antes que eu pudesse chegar á uma conclusão completa, o meu mundo escureceu.

Eu sentei atordoado em minha cama, minha mãe batia insistentemente na porta, olhei no relógio e estava na hora de levantar:

–Já vou, mamãe, pode ficar sossegada, vou me arrumar e já desço.

Essa é a minha mãe, sempre preocupada comigo.

Nesse momento eu decidi deixar o sonho do homem loiro de lado e me concentrar no meu dia. Quem sabe eu me esquecesse de tal sonho?

Mas eu descobrir que não era assim tão simples esquecer o homem.

Eu quase tive um infarto quando cheguei ao banheiro para me lavar, como de costume fui escovar os dentes e ao ver meu reflexo no espelho que fica acima da pia, eu pulei para trás... Meus cabelos loiros estavam do mesmo jeito que o do homem do sonho, e eu estava com uma expressão tão perturbada como a dele. Meus olhos estavam verdes, mas eu tinha certeza de que na data anterior estavam azuis. Com esse pensamento perturbador na mente resolvi ignorar a notável semelhança e seguir com a minha rotina.

–Nossa, parece que você viu o diabo- disse minha mãe assim que entrei na cozinha.

–Não o diabo mãe, era mais parecido com um anjo.

–Que história é essa? Anjo?

Então eu contei-lhe o sonho, mas deixei de lado a parte das palavras pois, Eles vem e Acampamento Sangue não eram coisas amigáveis e eu não queria assustar a minha mãe.

–Você disse que esse homem parecia um anjo. Como ele era?

–Os cabelos eram loiros, parecidos com os meus, os dentes eram tão alinhados e brancos que pareciam pérolas, os olhos alternavam de cor entre azul, verde, castanho e algo parecido com lilás. Parecia uma escultura de igreja. Do jeito que eu imagino os Anjos.

No momento em que dei a descrição minha mãe ofegou e levou a mão ao pescoço e percebi que meu objetivo de não assusta-la havia de alguma maneira falhado, monstruosamente.

–Você está bem mamãe?

–Esse... Homem... No seu sonho, não disse nada mesmo?-perguntou minha mãe ignorando completamente a minha pergunta.

–Ele parecia querer dizer algo, mas eu não ouvia. Pude deduzir algumas palavras pelo movimento dos lábios, mas não estou muito seguro.

–Bem, quais são essas palavras?

–Filho...eles vem...salve-se...acampamento...Sangue

Novamente quis ter ficado quieto. Minha mãe quase caiu da cadeira.

–Você está bem?

–Sim querido eu estou bem. Apenas vá para a escola, estude e não pense mais nisso, foi só um sonho.

–Tudo bem, mamãe. Deixa comigo.

Então eu peguei minha mochila me virei e virei para a porta. Quando estava quase saindo eu me virei e antes que pudesse pensar duas vezes eu perguntei:

–Mamãe, esse homem, do sonho, tem algo a ver com meu pai?

Minha mãe que estava ficando verde adquiriu um tom azulado. Ela simplesmente acenou com a mão para que eu saísse:

–Filho, eu prometo que falaremos sobre isso de noite, após o serviço.

Mas mesmo assim, eu já tinha minha resposta!

E eu saí de casa, pensando, qual a relação entre aquele jovem loiro do meu sonho e meu pai.