Senhores Do Universo, O Deus Desaparecido.
2 Minha escolha entre virar Pastel ou Morrer de Medo
Notas iniciais
Matt
-E aí, Matt, como vai? –Perguntou Tyler.
-Pode falar que está mal?
-Nope.
-Então está tudo ótimo, cara. E você?
-Matt, mesmo mal você não perde o senso de humor. Fala aí. O que aconteceu.
-Nada. Bem eu tive um sonh... Nada deixa para lá.
Antes que eu pudesse contar meu sonho para Tyler, eu me lembrei da reação da minha mãe quando lhe contei meu sonho, ela ficou pior que eu, simplesmente ao ouvir o meu sonho, como se soubesse o significado, e fosse algo horrível.
Tyler fez uma cara de quem ainda queria saber o que tinha acontecido, mas não insistiu.
Eu morava no centro da cidade, então a escola não era longe, e dava para ir á pé, mas eu ficava esperando Tyler no ponto de ônibus, e isso demorava um pouco, por que frequentemente o ônibus atrasava, como por exemplo naquele dia.
Tyler e eu estávamos correndo para chegar até a escola antes de o sinal bater, mas assim que a escola ficou ao alcance da nossa vista, eu decidi que quanto mais demorasse a chegar, melhor, Michaell estava em frente ao portão da escola, com um sorriso maléfico nos lábios, esperando provavelmente a mim.
Mas para minha sorte, assim que Michaell nos avistou e sorriu, falando e apontando para mim, o diretor, o Sr. Quigle, saiu de dentro do prédio e mandou-os entrar, pois já estava na hora, por sorte ele nos viu e esperou-nos entrar, assim que entramos ele bateu o portão atrás de nós.
-AI!- Exclamou Tyler.
-Foi a perna de novo?
-Sim...
Tyler tinha problemas musculares, ele andava de um jeito engraçado, mas algumas vezes disfarçava tão bem que eu chegava a esquecer da sua deficiência. Mas algumas vezes ele caia, ou tinha uma câimbra horrível. Naquele momento, Tyler tinha caído, e se estatelado no chão.
-Quer que eu ajude a te levantar?
-Não obrigado...
Neste momento, algumas garotas do Oitavo ano passaram e nos olharam me deram risadinhas. A maioria dos adolescentes pensaria que eram bonitões e que as meninas mais novas estavam a fim deles e tal. Mas no meu caso, eu sabia que aquelas garotas estavam rindo do bobão deficiente e do Nerd esquisito.
-Vamos, não compensa ficar aqui...
-É, não quero chegar atrasado para a aula de Inglês.
-Então vamos logo. Você consegue andar?
-Consigo.
-Quer ajuda?
-Não.
Tyler é extremamente orgulhoso, ele pode estar morrendo, mas não vai pedir sua ajuda, a não ser que outra pessoa esteja morrendo com ele.
-Vocês estão atrasados. — Essa foi a calorosa recepção que recebemos do professor de Inglês, o Sr. Instanley.
-Desculpe-nos professor, tivemos um pequeno contratempo.
-Assegure-se de que não haja outro pequeno contratempo...
-Sim, senhor.
Assim que nos sentamos nos nossos lugares, Tyler começou a fazer caretas e resmungar, numa imitação perfeita da voz do profº Instanley: Assegure-se de que não haja nenhum contratempo.
Essa é a habilidade de Tyler, ele consegue ser engraçado. E nesse momento eu quase fiquei verde para não rir...
Mas mesmo assim, Instanley deve ter percebido algo, por que disse:
-Algum problema, senhor Creegan?
Eu imediatamente tentei fazer uma cara séria e lhe fazer uma pergunta sobre um tal texto argumentativo. Instanley pareceu surpreso, mas mesmo assim respondeu e eu lhe agradeci...
Dessa vez, foi a vez de Tyler segurar a risada.
Quarenta e cinco minutos depois (finalmente), estávamos indo para a aula de Educação Física.
O dia até então esteve nublado, mas me pareceu que enquanto estávamos na escola o dia clareou, de modo que o sol brilhava sobre o gramado do campo.
Assim que sai do prédio da escola, eu parei de andar, completamente surpreso, causando um congestionamento atrás de mim!
Eu estava observando o gramado e vi as milhares de milhões de gotículas de orvalho se agarrando á grama, e o sol refulgia sobre elas, e lhes dava a mesma coloração do cabelo daquele jovem em meu sonho, que eu quase havia esquecido. Quase.
O gramado estava coberto de “ouro” e isso por algum motivo me deixou reconfortado, pareceu-me que o sol nunca esteve tão convidativo e aconchegante.
-Ai!- Eu gritei alto quando alguém me empurrou.
-Olha por onde anda, Creegan! – Era Michaell
-Vá para o Inferno, Mess.
-Eu não, mas você pode ir...
Um segundo antes do ato, eu entendi o que ia acontecer... Michaell ia nos perseguir e nos transformar em panqueca.
Eu agarrei Tyler pelo braço e nós começamos a correr.
Nosso professor de educação física, não ligou, provavelmente sequer deu atenção a seis alunos abandonando o resto da turma.
Eu dei meia volta e segui direto para os corredores da escola, passamos por vários monitores, mas nenhum nos deu atenção.
Parecia que não importava aonde eu fosse, Michaell e sua trupe estava sempre atrás de nós.
- Precisamos de um lugar para nos esconder – Eu gritei para Tyler.
- Jura!! Não tinha percebido – Tyler estava enfrentando mais problemas do que eu, sua cara se contorcia de dor e ele agarrava sua perna esquerda com força, como se ela fosse cair se ele não fizesse isso.
Eu procurei e vi uma porta, que eu nunca tinha reparado antes.
Na porta estava escrito: Não Entre, mas mesmo assim nós entraríamos, pois era nosso único abrigo.
-Ali! – eu apontei.
- Mas é proibida a entrada.
- Você prefere desrespeitar um pedaço de papel ou virar pasta de Tyler.
Então nós nos jogamos em direção a porta, que graças a Deus estava aberta.
Mas assim que entrei e vi o que tinha atrás daquela porta, quase escolhi ficar com Michaell e virar pastel.
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