Sendo Filha De Um Mafioso
2 Capitulo Dois
Notas iniciais
–é porque depois de tanto tempo veio me buscar?
O ressentimento estava presente. Comecei a andar de um lado pra outro na sala.
–Claro deve ser fácil, primeiro, você abandona sem nem pensar se é sua filha ou não, como se fosse um objeto descartável. Mas depois todo arrependido vem buscar, porque depois de 16, SIM 16 ANOS, vem dizendo que é meu pai.
–LAUREN! se comporta.
O cara levantou a mão.
–pode deixar já esperava isso.
Ele fechou os olhos.
–Olha Lauren, eu sei como deve ter sido difícil pra você. Mas você não sabe o que me fez te deixar aqui, você não pode me julgar, assim como está fazendo, sem ao menos saber qual foram os meus motivos.
estreitei os olhos, ele me parecia estar arrependido, mas aprendi a não confiar em todos.
–Fui acostumada a não ter pai.
–então deixe eu reparar meu erro, e ser o pai que eu não fui.
A diretora olhava essa cena com espanto. Sabia que não era comum pai e filha ter uma conversa como essa, numa diretoria de um orfanato.
–Eu não sei...
–Lauren.
–Ariana vai ficar sozinha, obrigada, mas seria egoista.
Me virei em direção a porta e abri, puxei o ar e corri, corri para fora parando na porta do orfanato, com falta de ar. estava com a sensação de ser vigiada, mas olhando pros lados não vi ninguém. Não podia chorar ali, ali com toda a certeza não.
Sabia aonde ir, mas não sabia se estava sendo observada. Ok, e se estava? Ia ser um estranho e nem ia fazer tanta diferença assim. Decidi ir, para um lugar que só eu conhecia.
Pulei o portão do orfanato. Caminhei até ver uma portinha que só eu sabia que estava lá, estava oculta pelas folhas, e pela grama que a encobria. Olhei para os lados, meu cabelo voando por causa do vento. Não havia ninguém, mas ainda estava com aquela maldita sensação de alguém me observando.
Abri a portinha, me arremessei lá dentro. Cai no coxão colocado propositalmente pra evitar quedas e machucados.
Permaneci no coxão por um tempo, fechei a portinha pela cordinha, estava protegida. Me levantei e acendi a luz. Respirei fundo, caminhei até o sofá vermelho colocado uns metros longe da parede. Havia montado aquilo tudo porque precisava pensar, e naquele orfanato era impossível.
Porque só agora ele parecia se importar comigo? Esperou 16 anos para perceber que eu era sua filha? É se fosse tarde demais para me acostumar? Mas não podia, Ariana ficaria sozinha e isso não era bom. Mas, na minha cabeça, eu tinha que dar uma chance a ele, parecia tão sincero quando falou da segunda chance que pela primeira vez me senti importante, me senti amada.
A porta que dava acesso ao meu espaço secreto foi aberta. Levantei pronta para atacar, qualquer um que tentasse me atingir.
Um garoto caiu com toda a força no coxão, parece que ele não sabia que não tinha escada, e precisava se jogar. Não me segurei e comecei a rir, mesmo sabendo que ele poderia ser perigoso.
–Affs. Você podia ir arrumar um lugar mais fácil né Lauren?
Retrocedi um passo.
–Como você sabe meu nome?
Ele levantou se limpando.
–Bem sei muita coisa sobre você. Lauren Ben Caster , sendo Caster da sua mãe e Ben do seu pai. Tem 16, mora no porão desse orfanato des dos 2. Sua melhor amiga se chama Ariana, porém não sei o nome inteiro, ela é praticamente sua irmã, por isso...
Ele deu uma pausa.
–Não quer ir embora com o John.
Ele olhou pra mim.
–Seu pai.
Observei o garoto. Tinha os cabelos cor de mel, era mais alto que eu e os olhos eram castanhos. Era bonito, mas não era nisso que eu devia me focar.
–Como,você,sabe,tudo,isso?
Ele caminhou a minha volta. Parecia admirar a presa antes de devorá-la, não estava gostando nada disso. o celular dele tocou, parecia uma mensagem, porque só abriu olhou a tela e apagou a tela do celular. Não consegui nem raciocinar que ele já estava com a mão segurando meu braço me puxando para fora.
–Precisamos ir.
Ia abrir a boca para recrutar.
–E não pergunte nada.
Ele abriu a porta que dava acesso ao quartinho de limpeza do orfanato. Ok, ele sabia de tudo, e me sentia como uma criminosa que havia sido descoberta.
–Você sabe de tudo mesmo?
Ele se virou pra mim enquanto estávamos caminhando na direção da diretoria.
–Você está falando da parte que você chora toda noite? Sim, eu sei.
Fiquei quieta, ok, ele não sabia de tudo, isso é bom. Ele abriu a porta da diretoria segurando minha mão, não queria entrar ali, mas o garoto me puxou e praticamente me obrigou a entrar.
–Aqui está ela John.
John (ou meu pai, não faz diferença) sorriu.
–Obrigada Nicolas.
Josh, esse era o nome do garoto.
A diretoria tinha uma mobília simples. O sofá era de couro, mas não um couro muito bom. A mesa era de uma madeira razoável, e as cadeiras são normais, confortáveis claro, mas normais.
Me joguei no sofá e tirei meu celular do bolso.
–Que? Ela é órfã, é tem um celular melhor que o meu?
Olhei pra ele com cara de deboche.
–Não é porque sou órfã, significa que sou inferior a você.
–É outra ela não e órfã, ela tem pai.
Um pai que me abandou quando eu tinha 2 anos, legal muito legal...
–Já arrumou suas coisas? — Josh soltou — Vamos embora hoje.
Saltei do sofá.
–é o que?
–Nicolas você estragou a surpresa!
respirei e fechei os olhos tentando controlar minha ira.
–Qual e a parte do NÃO VOU SAIR DAQUI, que vocês não entenderam?
todos na sala trocaram olhares.
–Se a Ariana for junto você iria?
John estava esperançoso. Parecia querer fazer de tudo para me manter perto dele.
–Eu poderia pensar no caso.
Ele olhou para a diretora (nem havia percebido que ela estava ali).
Havia lembrado da escola, e como havia deixado Ariana sozinha. Ela devia estar morrendo de raiva ou mais, ok. Estava cansada e queria deitar e dormir, mesmo sendo 11 da manhã.
–Vou pro meu quarto já que nem pra escola eu fui.
Havia dado nem um passo direito, e Nicolas já estava atrás de mim.
–Aonde você vai Nicolas?
Seu olhar dizia que era uma coisa obvia.
–Eu vou com você.
Arregalei meus olhos com ironia.
–Você vai vim comigo pra me ver dormir?
Ele acenou com a cabeça, enquanto eu sacudia os ombros.
–Faça como você quiser...
–Quero proteger você.
Abri a porta e sai da diretoria sempre com ele atrás de mim.Mesmo sem saber, havia assinado o acordo de que ele me protegeria para sempre.
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