Sempre te amei.
49 Um ótimo ator.
Notas iniciais
Por João Lucas
Estou parado, encarando o homem que pode salvar a vida da minha mulher, e a única coisa que consigo sentir por ele é ódio!
Para ajudar meus filhos eu doaria até meu coração. No entanto, ele está impondo condições e desejando o sofrimento da própria filha.
JL: Por que tu ta fazendo isso? Ela tem seu sangue. É uma parte de você!
F: Ela só veio pra me dar trabalho. Eu não queria mais um filho. Minha mulher devia ter abortado! Mas não... Ficou com medo! — Diz, olhando para janela de onde a mãe da Eduarda escutava a conversa. — A Du sempre foi muito rebelde, não gostava de trabalhar, não obedecia...
JL: Ela era assim porque não se sentia amada por vocês... Eu também já fui rebelde e...
F: Tá, chega! — Diz, cortando minha frase ao meio. — Eu não quero saber a sua triste história: "O pobre menino rico..."– Fala, zombando de mim. — Me diz,você aceita sim ou não?
JL: Eu amo a Eduarda como nunca amei ninguém. Não me imagino vivendo sem ela. Sem ver seu sorriso de manhã... — Digo, e sinto uma lágrima escorrendo por meu rosto. — Mas eu não vou deixar que meu egoísmo a leve a morte.... Meus sentimentos não interessam! Ela precisa do seu sangue, e se essa é sua condição...
F: Isso é um sim? — Pergunta, com um sorriso nos lábios.
JL: Vai vestir uma roupa, vamos pro hospital... Eu topo!
F: Garoto inteligente...
Fábio entra em sua casa, e eu vou em direção ao meu carro. Tomara que ele não demore. Eduarda não pode esperar muito!
Alguns minutos se passam e eu o vejo saindo de casa e vindo em minha direção. Ele veste uma calça jeans e uma camisa pólo. Em seu rosto, vejo um grande sorriso...
"Idiota! Vamos ver quem é que manda..." Penso comigo.
O pai de minha esposa entra em meu carro, e sorri dizendo.
F: Que carrão em? Devia ter pedido ele também...
JL: Você quer? Eu posso te dar! — Digo ligando o automóvel, e saindo em direção ao hospital.
F: Ficou generoso agora, é? O que o desespero não faz... — Diz, rindo.
Dirijo meu carro em alta velocidade! No caminho não converso com Fábio. Só trocamos algumas palavras a respeito da transfusão e, felizmente ele está totalmente hapto a doar.
Quando chegamos, estaciono meu automóvel e vou correndo com meu sogro até a recepção. Contamos a situação á recepcionista e ela logo encaminha meu sogro para começar os procedimentos da doação.
Minha família, ao me ver chegar, corre a meu encontro.
MC: Lucas, quem é esse? O que você foi fazer?
JL: É o pai da Du. Ele tem o mesmo sangue que o dela...
MM: Tem uma cara de quem não presta... — Diz minha mãe.
JL: Infelizmente não é só a cara... Pai, eu preciso falar com você! E contigo também Josué. — Digo o encarando. — Mas lá fora...
MM: Ta bom, se quer excluir a gente...
JL: Depois eu te conto tudo! — Digo, indo em direção a saída. Quando estou passando na porta, me viro, e faço uma pergunta. — E meus filhos, acordaram?
MC: Sim, sim... Eles estão bem!
Graças a Deus. Menos um problema pra atormentar minha cabeça e esmigalhar meu coração.
Saiu pra fora acompanhado de Josué e do Comendador, e lhes conto tudo que aconteceu. As condições exigidas pelo pai de Eduarda, para doar sangue.
JA: Que mother fucker! E o que você vai fazer meu filho? Tu não pode se separar da Eduarda! Vocês se amam! Seria injusto com os dois...
JL: Eu tenho um plano. Mas preciso da ajuda de vocês!
Conto o que havia pensado e eles parecem gostar da minha ideia. Pra mim, particularmente, será muito prazeroso.
Volto pro hospital, e me avisam que já posso entrar para ver meu filhos.
Deixo meu pai com meus irmãos, e ao dar uma última olhada neles, antes de entrar corredor adentro, percebo que eles ainda parecem confusos com a presença do Comendador ali.
Sigo uma enfermeira, até que ela para em frente a uma porta.
E: Seus filhos estão aqui... Já estão bem, hoje cedo recebem alta! Mas mesmo assim, devo falar pro senhor tomar cuidado. Eles ingeriam calmantes.. Não é recomendado pra crianças, os bebes podiam estar mor...
JL: Não fala isso! Não gosto nem de ouvir essa possibilidade. O pior é que não foi culpa nossa... Nunca daria um remédio desses pros meus filhos!
A enfermeira sai, e eu vou ao encontro de meus bebes. Eles estão acordados e parecem felizes. Se soubesse e entendessem tudo o que está acontecendo, não estariam assim... Ainda bem que não entendem. É preferível.
Olho no relógio, e são 5:30 da manha. Se a enfermeira estiver certa, em poucas horas eles já poderão ir pra casa.
Pego Alfredinho no colo, e lhe dou um beijo na testa. Ele sorri pra mim, e deixa a mostra seus dentinhos que estão nascendo. Deito Dinho novamente, e pego Martinha. Minha filha também está ótima, e distribui risadas.
Como o tempo passa depressa. Eles já tem 8 meses... Parece que foi ontem que eu estava aflito em um hospital, esperando notícias do parto deles.
Dou um último beijo em meus bebes e chamo Clara pra ficar com eles.
Agora, quem preciso ver, é Eduarda.
Minha mulher está na UTI. Cheia de aparelhos espalhados pelo corpo. Isso me lembra o seu parto difícil. Ela também foi parar ali... A história está se repetindo, e mais uma vez ela ficará bem! Tenho certeza.
Fico encostado no vidro que me separa de Du, e enquanto a observo, penso no quanto estamos sem sorte. "Deveríamos tomar um banho de sal grosso..." Penso.
Vejo algumas enfermeiras entrando na UTI, e olho o que elas carregam. Bolsa de sangue!
Parece que Fábio já doou!
Volto pra recepção do hospital, e encontro meu pai e Cristina conversando. Olho para minha mãe e meu irmão, e os dois cochilam. É bom ver essa cena. Todos esperando notícias de Du! Apesar de brigarmos e nos enfrentarmos o tempo todo, não podemos negar que nos amamos muito.
JL: Pai.. — Digo, interrompendo sua conversa com minha irmã mais velha. — Ta tudo certo?
JA: O Josué ta resolvendo os últimos detalhes...
JL: Ótimo!
Me sento no banco, ao lado de meus irmãos, e fico esperando Fábio voltar. Tenho uma surpresa pra ele.
C: Lucas, a polícia vai estar aqui amanha!
JL: Por quê, pra quê? — Pergunto.
C: Sempre que uma pessoa baleada dá entrada no hospital, a polícia é acionada. Seu pai mexeu uns pauzinhos, e conseguiu que seu depoimento seja só amanha a tarde.
JL: E eu falo o que? — Pergunto.
JA: A verdade meu filho!
JL: Falando em verdade, tu não me disse se descobriu quem está por trás do sequestro dos bebes...
JA: Descobri sim. Você não vai nem acreditar... Mas amanha te conto, hoje só se preocupe com Eduarda!
Continuo sentado, a espera de meu sogro, até que ele finalmente aparece. Eu me levanto correndo, e vou em sua direção sorrindo.
JL: E então? Como foi? Você demorou...
F: Dei uma passadinha pra ver meu netos. Não puxaram a minha beleza não... — Diz, rindo. Mal posso esperar pra acabar com esse sorriso. — Mas eu doei o sangue como havia prometido!
JL: Ótimo! Agora ta na hora de receber o que tu merece...
F: Já vai pagar hoje?
JL: Agora! Vamos comigo até o carro, pra tu me passar o numero da sua conta. Deposito assim que o banco abrir...
Fábio me acompanha e quando chegamos no carro, eu paro e fico o olhando.
F: Ta me achando bonito?
JL: Não! To aqui pensando, como é possível existir uma pessoa tão ruim como você. É quase inacreditável, você é um ser humano detestável...
F: Não to nem aí pro que você pensa. Pega papel e caneta e marca aí o número da minha conta!
JL: Não!
F: Como assim não?
JL: Eu não vou te pagar nada. — Digo, com um sorriso no rosto. — Nem dar minha casa, nem meu carro, muito menos me separar da Eduarda!
F: Escuta aqui garoto. — Diz vindo pegar na gola de minha camisa. — Eu não sou otário não. Nem pense em não cumprir nosso trato. Eu acabo com você!
JL: Você não vai fazer merda nenhuma! — Grito e o empurro.
Fábio cai no chão, mas logo se levanta. Ele vem em minha direção, tentando me dar um soco, mas eu desviu.
JL: Você acha mesmo que é mais forte que eu? — Falo sorrindo. — Eu vou fazer uma coisa, que certamente muita gente tem vontade de fazer.
Dou um soco em Fábio, e ele cai novamente. Começo a chutar suas costelas com toda minha força, e ele geme de dor. O pego pelo pescoço, e o coloco de pé de novo. Dou mais alguns socos em sua cara, até que ele começa a implorar para que eu pare.
F: Chega, por favor... Você vai me matar! Para... — Diz, se contorcendo de dor.
Deixo ele caído no chão e fico o olhando por alguns segundos. Vejo minhas mãos, e elas estão machucadas. Bati tão forte que algumas feridas de formaram em meus dedos. Elas doem agora. Mas nunca fiquei tão satisfeito em sentir dor.
Pego Fábio do chão, e o coloco em meu porta malas. Está na hora de colocar a outra parte do plano em prática.
Depois de hoje, ele nunca mais vai voltar a nos procurar.
Dirijo por algum tempo, até que encontro Josué, na frente de um terreno baldio.
JL: Trouxe os capangas do meu pai?
J: Não todos. Só deu tempo de reunir 8...
JL: Tá ótimo! — Digo sorrindo.
Abro o porta malas, e tiro meu sogro de dentro. Ele está com o rosto ensanguentado, e seu corpo treme como vara verde.
F: O que tu vai fazer? Você não vai me matar né? — Fala, chorando. — Por favor, não me mate! As pessoas vão saber, você vai ser preso!
JL: Será mesmo? — Digo, enquanto o arrasto até o terreno. — Já viu gente rica sendo presa?
F: Você é um homem bom, não é assassino. Por favor!
O dia já amanheceu. Está claro. As pessoas estão indo para seus trabalhos, mas felizmente aqui ninguém nos escuta. Pedi para Josué achar um lugar bem afastado.
Quando Fábio vê os capangas de meu pai, fortemente armados, começa a gritar e a implorar ainda mais.
É claro que eu não irei mata-lo. Não sou esse tipo de pessoa. Mas confesso que estou adorando ver o desespero em seu rosto. O mesmo desespero que estava no meu, hoje mais cedo.
JL: Se eu der uma ordem, todos esses homens atiram em você! Acho difícil sobreviver a isso...
F: Não, eu imploro não faz isso! Socorro. — Ele grita.
JL: Você disse que podia fazer a minha vida virar um inferno. Já eu, posso te mandar pra lá...
F: Não, eu não vou fazer nada. Eu juro. Pela minha vida, pela vida da minha mãe. Por favor!
Estou sendo um bom ator. Se isso fosse uma novela, e alguém ligasse a TV agora, iria acreditar que eu sou o vilão.
Observo Fábio e vejo que suas calças estão molhadas. Ele se urinou. Não consigo evitar um sorriso ao ver isso.
JL: Você tem algum último pedido?
F: Não me mata! — Grita.- Pela Eduarda! Bem ou mal, eu salvei a vida dela!
JL: Se eu te soltar, você vai tentar alguma coisa contra nós?
F: Não, eu juro que não!
JL: Mas você disse que desde que virou traficante, conheceu muitos "amigos". Garante que não vai chamar nenhum deles?
F: É mentira cara. Eu sou peixe pequeno, ninguém da bola pra mim. Me deixa ir, eu nunca mais procuro vocês. Tu nem vai saber que eu existo!
Me aproximo de Fábio, e o encaro com um ódio no olhar que não é meu. Fico em silêncio por alguns segundos, até que digo.
JL: Eu não sou assassino, mas eu juro, por tudo que é mais sagrado, que se um dia você tentar alguma coisa contra minha família, eu acabo com você! Entendeu? — Grito.
F: Eu entendi... — Diz, abaixando seu olhos pro chão e começando a chorar.
JL: Olha pra minha cara. — Digo erguendo seu rosto. — Eu não estou blefando, né?
F: Não está... — Ele chora sem parar. Quase consigo sentir pena.
O olho novamente, e tenho certeza que vai ser a última vez. Ele é medroso, não terá coragem de fazer nada contra mim. Não depois disso!
Vou até meu carro, e vejo Josué me esperando.
J: Mas Bah, eu ouvi os gritos daqui. O que foi isso? Nem te reconheci!
JL: Pra proteger minha família faço qualquer coisa!
J: Tu devia ser ator... Aliais, você é a cara daquele que fazia o Roni em Avenida Brasil... — Diz, rindo.
Eu também sorriu, pela comparação, e depois peço para que soltem meu sogro perto de sua casa.
Quando estou ligando o carro, Josué vem me perguntar:
J: E se ele for na polícia?
JL: Até parece... — Digo rindo. — Se for, quem fica preso é ele mesmo... Esse aí é ficha sujíssima!
No caminho de volta pro hospital, fico sorrindo atoa. Mais um problema resolvido. Tudo está voltando pros trilhos. Sinto que Eduarda vai ficar bem, daí finalmente poderemos voltar a ser felizes.
Quando estaciono meu carro, vejo Maria Clara e Cristina com meus filhos nos braços. Eu as grito, e vou falar com elas.
JL: Onde vocês vão? — Pergunto.
MC: Levar os bebes pra casa, eles receberam alta... Mas meu Deus, o que é isso na sua mão?
JL: Isso? — Digo olhando os ferimentos. — É o resultado de uma das melhores coisas que já fiz na vida!
Me despeço de minhas irmãs e dou um beijo em meus filhos. Entro no hospital, e encontro apenas meu pai.
JA: E então? O cabra se borrou de medo? — Diz ele.
JL: Só se mijou todo... — Digo rindo. — Mas e os outros?
JA: Sua mãe e seus irmãos foram embora. Clara e Cristina acabaram de sair...
JL: Eu as vi! Mas e a Eduarda, tem notícias?
JA: Ela já está fora de perigo! — Um alívio me consome, ao ouvir essas palavras. — Mas ainda não acordou. Os médicos estão preocupados. Fizeram mais alguns exames nela, dessa vez na cabeça...
Droga. Tinha esperanças de encontra-la totalmente bem.
Vou até a UTI, e fico olhando fixamente Eduarda. Pelo menos agora, ela não está tão pálida.
Procuro seu médico, e depois de muita insistência ele me deixa entrar para vê-la de perto.
Eu me aproximo de Du, e fico a encarando. Observo seu peito subir e descer, e fico feliz em ver isso. Ela respira bem. Não há mais aparelhos a ajudando nisso.
Olho pros lados, e vejo que não tem ninguém nos observando. Me abaixo até Du e lhe dou um beijo em sua testa.
JL: Vai ficar tudo bem meu amor! Eu juro tá? — Passo a mão em seu rosto, e fico sentindo o calor de sua pele. — Eu nunca vou deixar ninguém nos separar, nem que eu tenha que fazer uma loucura.
Vou com minha boca em direção a sua e lhe dou um beijo nos lábios.
Fico ali alguns segundos, e quando abro meus olhos vejo Eduarda me encarando assustada.
Me afasto, e sorriu dizendo.
JL: Você acordou! — Falo calmamente. — Finalmente Eduarda...
Du: Meu nome é Du! — Diz, ríspida. Minha esposa fica em silêncio, e depois de alguns segundos pergunta. — Por que tu tava me beijando?
JL: Ué, por que eu te amo... — Digo, sorrindo.
Du: Que papo é esse Leki, ontem mesmo tu disse que a gente é só amigo... — Fala, calmamente. Ela ainda parece fraca.
JL: O que? Do que você ta falando Du? Eu não disse nada...
Du: Mas tu é muito brisado mesmo, né? É essas paradas que tu anda usando... — Diz, rindo. — Ontem na festa da Império, eu tava te esperando no carro e tu disse que a gente é só amigo... — Eduarda parece ficar confusa, e continua a falar. — Não tínhamos ido para Petrópolis? O que eu to fazendo aqui?
Fico encarando Du de boca aberta, e não acredito no que estou ouvindo. Realmente, ela bateu a cabeça muito forte!
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