Sempre te amei.

19 Capitulo 19: Sonhos...


Por Eduarda

Estou parada no meio de uma floresta, olho a minha volta e vejo milhares de cães rosnando para mim. Me encho de pânico e começo a correr, eles me seguem. Olho pra trás e percebo que me alcançaram a qualquer momento. Tropeço em uma pedra e caio no chão. Um cachorro do tamanho de um pônei se aproxima lentamente de mim. Quando sinto que ele vai me abocanhar, desperto com um pulo.
Acordo gritando e tentando me levantar da maca a qualquer custo. Uma enfermeira vem até mim e tenta me acalmar.
Enfermeira: Foi só um pesadelo, se acalme... — Diz me deitando na cama e recolocando alguns aparelhos em mim.
Volto a realidade e percebo que ainda estou no hospital. Enxugo as lágrimas que insistem em cair e quando recupero a calma digo.
Du: Foi mal, é que eu tive um pesadelo...
Deito minha cabeça no travesseiro e tento relaxar.
Sempre tenho pesadelos, mas geralmente quando acordo, Lucas está lá pra me dizer que tudo está bem!
Ainda não me sinto totalmente recuperada. Minha cabeça dói muito e tenho muitas tonturas.
Fecho meus olhos e penso em meus filhos. Lucas me disse que eles estão bem, queria tanto te-los aqui comigo agora, olhar pra eles, amamenta los...
A enfermeira vem até mim e começa a trocar meu soro, ao olhar seu jaleco, posso ver seu nome bordado... Marta!
Du: Você tem o mesmo nome da minha filha. — Digo sorrindo.
M: Sim, eu sei... O hospital inteiro foi visitar seus filhos, todo mundo ficou curioso pra conhecer os netos do falecido comendador... — Diz um pouco sem graça — Eles são lindos!
Quando a escuto falando, meu coração se enche de dois sentimentos. Orgulho, por saber que meus filhos mal nasceram, e já estão sendo amados por todos e, também tristeza por ainda não ter podido os conhecer.
Marta termina seu trabalho comigo e ao se despedir vai rumo a porta. Antes que ela saia, eu a questiono.
Du: Você sabe onde meu marido está?
M: Acho que no berçário junto com a família dele... Todos os Medeiros estão no hospital, lá fora a imprensa está em peso. As pessoas querem ver os novos herdeiros! — Ao perceber minha cara de tristeza, ela vem até mim e, segurando minha mão diz — Não fique triste, você está melhorando muito rápido. Daqui a pouco poderá ir pro quarto normal e ver seus bebes...Olha, se você quiser posso chamar seu marido aqui. Ele não sabe que você acordou...
Du: Sim, eu ia adorar!
Aguardo Lucas ansiosamente. Sei que não poderemos conversar por muito tempo, ainda estou fraca os médicos não vão permitir, mas mesmo assim estou feliz. Poderei saber mais notícias de meus filhos. Como eles são? Se assemelham a mim? Tenho tantas perguntas!
O tempo parece não passar enquanto estou aqui deitada nessa cama. Fico o tempo todo olhando pra porta, esperando para ver meu marido entrar. Preciso dele aqui comigo, quero seu carinho, seu abraço!
Estou quase a beira de um ataque de ansiedade quando Lucas finalmente abre a porta e entra na sala.
Du: Achei que não vinha mais! — Digo sem pensar.
JL: Demorei? Desculpa — Diz vindo até mim e me dando beijo na testa — Assim que a enfermeira me disse que você havia acordado vim correndo pra cá...
Du: Ta tudo bem, é que eu tava ansiosa... Como eles são Lucas? Eles se parecem com a gente?
João Lucas sorri pra mim e acariciando meu rosto responde.
JL: A menina é parecida com você... Tem o mesmo nariz, o mesmo formato do rosto. Já o menino se parece comigo. A boca, a sobrancelha... — Diz se emocionando — Sabe Du, todo mundo se encantou com eles, meus irmão estão babando nos sobrinhos, o hospital inteiro veio mimar os dois e até a imprensa está louca por uma foto deles. Nossos filhos são lindos iguais ao pais!
Du: Mas você não deixa de ser convencido né? — Digo sorrindo enquanto uma lágrima de alegria desce por meu rosto. — Queria tanto ver eles, mas não posso ir até lá e eles não podem ser trazidos até aqui!
Lucas tira o celular do bolso, enquanto procura algo no telefone me diz:
JL: Tirei um monte de fotos deles, vou te mostrar... — Diz virando o celular para mim.
Du: Não! — Digo fechando meus olhos. — Não quero ver eles por foto... Eu queria pega-los, colocar os dois aqui no meu colo, sentir o cheirinho de cada um deles, abraçar...
JL: Tudo bem Du — Diz guardando o celular- Sabe que eu te entendo?! Olhar eles e não poder pegar deve ser pior do que não vê los né? — Diz se abaixando e beijando minha boca. — Não fica triste, daqui a pouco você recebe alta e vamos estar os quatro em casa!
Tudo parece mais fácil do que realmente é do lado de Lucas! Olhos para seus olhos e sinto a necessidade de dizer:
Du: Eu te amo!
JL: Eu também te amo! Muito! Obrigada por ter me dado os maiores presentes da minha vida. O médico me contou que você pediu para salvarem eles ao invés de você... Tu é muito corajosa...
Antes dele acabar a frase, eu o interrompo.
Du: Não foi coragem Lucas, foi medo. Não podia imaginar minha vida sem eles, não suportaria viver sem meus filhos...
JL: Eu não suportaria viver sem vocês três! Ontem, ao mesmo tempo que foi o melhor dia da minha vida, também foi o pior. Só de imaginar que você poderia não ter sobrevivido... — Ele para de falar e lágrimas transbordam de seus olhos.
Du: Tá tudo bem Lucas... Eu já estou fora de perigo, como você mesmo disse, daqui a pouco estamos indo os 4 pra casa!
JL: Imagina a gente trocando fraudas? — Diz rindo.
Du: E você lá sabe fazer isso?
JL: Claro que sei! Assisti no youtube um tutorial de 20 minutos explicando como cuidar de bebes!
Du: Nossa mas que pai mais dedicado! — Ao dizer isso, o puxo pra baixo para lhe dar um beijo.
Enfermeira: Vocês não deviam se beijar aqui — Nem havia visto a enfermeira entrar no quarto — Ela ainda está muito fraca, o senhor pode passar alguma coisa pra ela...
JL: Credo! Eu em? É só um beijinho...
Enfermeira: Você tem noção da quantidade de bactérias que devem estar na sua boca nesse instante?
JL: Desculpa, eu só...
Du: Fui eu que pedi o beijo! — Digo o interrompendo — Estava com saudades...
Enfermeira: Tudo bem, mas agora é hora do seu marido se retirar. Já ficou muito tempo aqui, você tem que descansar!
Du: Mas eu já to ótima. Nem estou com tonturas mais, a visita dele me fez bem!
Enfermeira: Fico feliz pela sua melhora, mas mesmo assim ele tem que sair.
Lucas aproveita um rápida distração da enfermeira e me dá um selinho de despedida.
JL: Que perigo em? — Diz me fazendo rir- Amanha eu volto tá? Vou lá com nossos bebes...
Du: Me faz um favor?
JL: Claro Du, pede ai!
Peço para que Lucas pegue seu celular e coloque para gravar. Digo algumas coisas e ao salvar a gravação me despeço dele.
Depois de me dar alguns medicamentos, a enfermeira sai do quarto.
Estou sozinha novamente, eu e meus pensamentos. Deveria dormir, tentar descansar pra acordar melhor amanha.
Fecho meus olhos e espero o sono chegar.
Ele nunca vem. A minha mente não para um momento. Não consigo deixar de pensar em meus filhos.
Não sei quase nada sobre meus bebes, a única certeza que tenho é que estão bem.
A essa hora Lucas já deve estar ao lado deles. Fecho meus olhos e tendo imaginar a situação. Os três em silêncio ouvindo minha gravação...
" Oi Marta. Oi Alfredo. Mamãe queria estar ai, mas infelizmente ainda está dodói. O papai vai cuidar de vocês durante esse tempinho, prometo que assim que sair desse quarto vou ir ai pegar, abraçar e cheirar muito vocês! Eu ainda não posso conhece-los, mas queria que vocês ouvissem pelo menos a minha voz... Um beijo da mamãe!"

É pensando nisso que adormeço.
Meu sonho dessa vez é bom. Nele estou ao lado de Lucas em um grande campo de flores. Cada um de nós segura uma criança. Ele uma menina, eu um menino. Olho a nossa volta e tudo é florido e calmo. Só existia nós quatro, o resto do mundo não importava....
Quando finalmente desperto, já é outro dia.
Ao perceber que aquilo tudo foi um sonho, não fico triste.
Posso sentir que tudo o que vi se realizará em breve.
Que logo terei os 3 aqui, juntinho de mim, na vida real. E desse sonho, felizmente, não é possível despertar.