Sempre te amei.

20 Capitulo 20: Quarto normal...


Por João Lucas

Dois dias se passaram desde que a Eduarda deu a luz. Nesse tempo, fiquei a maior parte do dia no hospital. Saia de lá a noite, para tomar banho e, voltava no dia seguinte pela manha.

Nesse momento estou em minha casa. Vim para descansar, tentar dormir... Porém, meu pensamento não sai do lado de Eduarda. "O que será que está fazendo agora?" Talvez dormindo... Me viro pro outro lado da cama e ao ver o relógio percebo que ainda é meia noite. O tempo demora a correr quando temos pressa.
Quero que o dia amanheça logo, estou louco para voltar pro hospital... Quem diria, o lugar mais odiado por todos, é hoje a morada dos 3 maiores amores da minha vida.
Me viro de barriga pra cima e fico observando o teto. Não consigo dormir sem Eduarda do meu lado...
Olho pro lugar onde Du deveria estar deitada e não há ninguém lá. Um vazio enorme se instala no meu peito. Queria estar com ela agora, poder olha-lá, mesmo que através de um vidro... Minha mãe insistiu para que eu viesse descansar que fiquei sem jeito de dizer não.
Descansar... Como se eu conseguisse fazer isso!
Pego o travesseiro de Eduarda e o abraço. Ele está impregnado com seu cheiro... Ainda abraçado com ele, me viro na cama e imagino que aquele amontoado de panos e algodão é minha esposa.
E é assim, pensando em Du, que adormeço.
No outro dia, acordo com o sol batendo em meu rosto. Esqueci de fechar as cortinas, se Eduarda estivesse aqui, com certeza iria reclamar...
Me levanto da cama e vou até o banheiro lavar o rosto. Olho pro relógio e percebo que dormi demais.
Já são quase meio dia. Eduarda deve estar almoçando.
Desço correndo as escadas, e pra não sair de barriga vazia pego uma maça, que como pelo caminho.
Meus filhos essa noite ficaram aos cuidados de minha mãe. Ela está se tornando uma avó muito dedicada...
Ligo para Maria Marta e ela já me atende dando bronca.
MM: Cadê você meu filho? Pensei que tinha fugido, que não vinha mais... Preciso ir pra casa daqui a pouco!
JL: Desculpa mãe! Ontem tive insônia e hoje acabei dormindo de mais! Já to chegando... Como estão os dois?
MM: Estão ótimos! Acabaram de comer... Aqui no hospital tem banco de leite materno, a enfermeira me ajudou e eu os dei de mamar...
JL: Que bom! E a Du? Você tem notícias dela?
MM: Ela passou a noite muito bem! Aliais meu filho, venha logo pra cá. Você terá uma surpresa! Beijos...
Não tive tempo de perguntar qual era a tal surpresa. Antes que eu pensasse em falar, ela desligou.
Pelo jeito que falou, com certeza era notícia boa... Mas o que seria?
Minha intuição masculina, se é que ela existe, diz que essa notícia tem a ver com a recuperação de Du.
Quando chego no hospital, estaciono meu carro e vou direto pra UTI. Todos já me conhecem aqui, por onde passo recebo um: "Bom dia senhor Lucas".
Chego até o centro de unidade intensiva e, ao me aproximar do vidro, feito para que os visitantes observem os pacientes, me deparo com a cama de Eduarda vazia.
Antes mesmo que eu pudesse perguntar a alguém o que havia acontecido, um enfermeiro me diz.
Enfermeiro: Senhor Lucas, sua mulher acabou de ser transferida pro quarto normal!
JL: O que? Se ta falando sério? — Digo quase transbordando de felicidade. Essa era a surpresa que minha mãe havia me dito... Melhor impossível — Você pode me levar até lá?
Enfermeiro: Claro. É só me seguir...
Ando atrás do enfermeiro, que se apresenta como Paulo, e ele me conta que todos do hospital estão espantados com a rápida recuperação de minha mulher. Segundo ele próprio: " É um milagre. Já vi gente em estado menos grave que o dela, ficar semanas na UTI."
Continuo o seguindo por vários corredores até que ele finalmente me indica uma porta.
Enfermeira: Ela está nesse quarto, você pode entra! Com licença — Diz se retirando.

Agora, a única coisa que separa Eduarda de mim é uma porta.
Pego na maçaneta e abro rapidamente. Quando entro no quarto, Eduarda está sentada em cima da cama parecendo me esperar.
Du: Lucas! Que demora! Estava com nossos bebes? Por que não trouxe eles? — Diz me mostrando toda sua ansiedade.
JL: Calma mamãe... — Digo indo até ela e lhe dando um beijo na boca — O bom desse quarto é que a gente pode dar beijo né?
Eduarda ri do que lhe digo e me diz.
Du: Eu tava morrendo de vontade de te beijar... Mas agora chega, vai lá buscar meu filhos!
Nesse instante a porta se abre e Maria Marta entra dizendo:
MM: Nem se incomode meu filho... — Olho nos braços dela e vejo que carrega a pequena Marta, atrás dela vem uma enfermeira segurando José Alfredo. — Eu os trouxe pra vocês
Olho para Eduarda e ela já está emocionada. A felicidade é nítida em seus olhos.
Du: Me dêem eles aqui! — Diz com a voz toda embargada.
Os gêmeos são colocados em seu colo, um em cada braço, e Eduarda começa a chorar.
Du: Eles são tão lindos Lucas...
JL: A gente tem uma genética ótima. — Digo a fazendo rir
Du: Você mostrou minha gravação pra eles? Será que eles reconhecem minha voz...
JL: É claro que eu mostrei! E quer saber? Acho que sim, olha como eles ficam quietinhos no seu colo... Parecem querer escutar você!
MM: Está tudo muito lindo, muito emocionante, mas eu tenho que ir. Eduarda e Lucas, cuidem bem desses bebes.
Minha mãe se despede e vai embora pra casa.
Eduarda segura os bebes com muita emoção e uma certa curiosidade no olhar.
Ela os olha o tempo todo, como se precisasse gravar cada detalhe de seus pequenos rostinhos...
Pego uma cadeira e coloco perto da cama de Du. Fico os observando silenciosamente até que minha esposa me diz.
Du: Será que eles estão com fome?
JL: Acho que não Du... Eles acabaram de comer, minha mãe deu de mamá!
Du: Queria amamenta-los... — Diz fazendo cara de triste.
JL: Para Du, faz essa cara não — Digo me levantando e dando um beijo em sua testa — Esses dois aqui são uns esfomeados, rapidinho vão estar com fome de novo.
Du: Sabe Lucas, eu nunca pensei que era possível amar alguém tanto assim... Eu não me canso de olha-los, de senti-los... É inexplicável!
JL: Eu sei meu amor! Também to me sentindo assim! Eu fico horas olhando pra eles e não me canso nunca...
Du: Eu mal posso esperar pra voltar pra casa, ficar com vocês o dia inteiro!
JL: Nem me fale Du! Ainda tenho 3 meses de férias mas só em pensar em voltar a trabalhar já me dá um desanimo. Não quero sair de perto de vocês nunca mais... Acho que não vou trabalhar mais não em? A gente pede uma mesada pra minha mãe — Digo fazendo graça.
Du: Ah nem vem, eu que não quero marido preguiçoso. — Diz retribuindo meu humor.
JL: Falando sério, quando eu voltar pra Império vou ficar morrendo de saudades de vocês três...
Du: A gente também vai...
Eduarda fica com nossos filhos nos braços por quase uma hora até que finalmente me diz:
Du: Lucas, pega a Marta aqui pra mim?
Assim que pego minha filha nos braços, Eduarda se levanta com Alfredo no colo e o coloca em uma espécie de berço, olha pra mim e pede para que eu faça o mesmo com Marta.
JL: Que bom que os bebes podem ficar dormindo no quarto junto com você!
Du: Verdade... Mas você sabe porque eu os coloquei aqui?
JL: Pra eles poderem dormir tranquilos sem ter ninguém babando em cima? — Falo sorrindo
Du: Não foi bem por isso... — Diz indo de volta pra cama. — Ainda fico um pouco tonta quando estou de pé! — Eduarda faz sinal para que eu chegue mas perto e eu lhe obedeço — Lembra o que você me disse hoje mais cedo?
JL: O que?
Du: Você disse que esse quarto era bom porque podia beijar... — Diz me puxando até perto de sua boca. — To com saudades dos seus beijos!
JL: Eu também meu amor! — Dico me aproximando mais.
Beijo Eduarda delicadamente. O mundo nesses instantes parece desaparecer. Como senti falta da sua boca na minha!
Saímos do beijo e ficamos nos olhando. É incrível como conheço cada traço de seu rosto, e como todos eles são lindos....
JL: Obrigada!
Du: Pelo beijo? — Pergunta sorrindo.
JL: Não... Por dar um sentido pra minha vida, por ser essa mulher incrível, por tudo Du...
Du: Para que assim eu vou chorar de novo...
Estamos quase nos beijando novamente quando somos interrompidos por um choro de bebe.
É José Alfredo quem abriu o berreiro... Me levanto até nosso filho e o pego no colo. Logo em seguida, Marta também começa a chorar.
Du: E agora o que a gente faz?
JL: Acho que eles estão com fome, sei lá!
Ao entregar nosso filho para Eduarda, vou até o berço, pego Marta e também a entrego a Du.
Ela coloca os dois em seu colo e lhes oferece o peito.
Ao observar a cena, é impossível não se emocionar. Parecia que ela já tinha feito aquilo outras mil vezes... Deve ser o tão famoso instinto materno.
Os olhos de Eduarda encontram os meus e posso ver que ela está tão tocada com a cena quanto eu... Ou até mais!
Du: Eu me sinto a pessoa mais feliz do mundo!
JL: Eu também — Digo deixando que as lágrimas caiam
Du: Nós dois estamos muito chorões!
JL: Sim, mas é de alegria! Chorar de felicidade é permitido e é sempre bem vindo...
Me sento novamente em uma cadeira e continuo a observar os três... Poderia fazer isso por mil anos que nunca me cansaria.
Sei que nossa vida em família só está começando, que nem todos os dias serão tão felizes como este. Sei que muitos problemas ainda vão aparecer, eles são inevitáveis... Tenho consciência de que nem sempre estarei tão feliz assim, porém, também sei que não importa o que aconteça, tudo ficará mais fácil se eles estiverem comigo.
Olho em volta do quarto e percebo que não é um comodo tão grande.... É incrível pensar que minha vida inteira cabe aqui!