Sempre te amei.

13 Capitulo 13: Sogra


Por Eduarda

Depois de um dia particularmente difícil, finalmente consigo colocar meus pés em casa.

João Lucas abre a porta pra mim e eu faço questão de entrar com o pé direito. Nosso apartamento não é muito grande: dois quartos, banheiro, sala, e cozinha. É o suficiente pra nós dois.

Lucas entra e se senta no sofá, olha pra mim e faz sinal pra que eu me sente ao seu lado.
Du: A não amor, eu vou fazer um lanche agora...
JL: Senta aqui logo vai!
Du: Pra que? — digo indo até ele e me sentando ao seu lado.
JL: Pra mim poder ficar te namorando no sofá de casa... Esqueceu que eu sou moço de família? — Ele beija meu pescoço e logo em seguida fico com o corpo todo arrepiado.
Du: Mas se é pra isso, o lanche pode esperar... — Digo o beijando logo em seguida.

Nosso beijo fica cada vez mais intenso e quente, só paramos por alguns segundos para poder recuperar o folego. Sua boca percorre meu pescoço e sua mão todo meu corpo. A cada toque seu, o desejo de te-lo em mim aumenta.

Lucas tira minha blusa e eu tiro a dele. A única coisa que queremos agora é nos livrar de qualquer pedaço de pano que impeça que nossos corpos se encontrem.

Lucas continua a beijar meu pescoço e eu sussurro em seu ouvido:
Du: Vamos pra cama...
JL: Pra que? Só ta nós dois aqui mesmo! — Ele beija minha boca e, rapidamente se livra do resto de roupa que ainda nos separava.

Nos amamos ali mesmo, na sala, no sofá.

Nada me importava, a única coisa que queria era seu toque, seu beijo, seu corpo.

Quando paramos, estávamos cansados, suados, ofegantes... Mas muito felizes.

Eu, ainda deitada sobre seu corpo nu, digo:
Du: Nunca pensei que pudesse ser tão feliz assim...
JL: Nem eu Eduarda, nem eu.. — diz indo de encontro com sua boca na minha.

Ficamos ali abraçados por mais alguns minutos até que finalmente levando e lhe faço um convite:
Du: Estou toda suada, vamos tomar um banho?
JL: Não precisa nem falar duas vezes...

Vamos para o banheiro e tomamos uma ducha juntos. Enquanto Lucas me beijava de baixo do chuveiro, eu imaginava que aquela água vinha do céu e que estávamos no meio da chuva.

Sempre achei beijo de baixo de chuva muito romântico.... E por esses dias, ando assim, uma romântica incorrigível!

Apesar de tudo, resolvemos não demorar muito no nosso banho... E não foi a crise hídrica no Brasil que nos motivou a isso e sim a fome que nós dois sentíamos.

Enquanto eu ainda me vestia, Lucas vai até a cozinha e me grita de lá:
JL: A gente esqueceu de fazer compras, quer que eu vá no mercado?
Du: Você esqueceu de fazer compras, eu lembrei sim! — Digo pegando umas sacolas dentro do armário — Comprei ontem...
JL: A cada dia que passa eu me surpreendo com o quanto você é perfeita!
Du: Eu não sou perfeita, você só acha isso porque me ama...
JL: Eu podia falar que você tá se achando, porém é a mais pura verdade! — diz me abraçando- Eu te amo mesmo, e não é pouco não!
Du: Aé? Sabe outra coisa que não é pouca aqui? A minha fome! — digo saindo se seu abraço — Vamos logo fazer alguma coisa pra comer que eu e os nossos filhos, estamos morrendo de fome!!
JL: Du, só uma pergunta. Você sabe cozinhar?
Du: Assim, saber, saber... Eu não sei! Mas não deve ser tão difícil...
JL: Só quero ver — diz sorrindo.
Abro minha sacola e vejo os itens que comprei: Carne + Creme de Leite+ catchup= Estrogonofe.
Du: Tu gosta de estrogonofe de carne?
JL: Me amarro!
Du: Então eu vou fazer pro meu noivinho...

João Lucas corta a carne enquanto eu pego os outros ingredientes. Felizmente estrogonofe não é um prato demorado, em pouco tempo nossa comida fica pronta.

Olho pro que fiz e fico orgulhosa, parece muito apetitoso. Pego dois pratos e faço questão de servir Lucas.

Quando ele prova, faz cara de quem não gostou e logo em seguida corre pra cozinha para pegar um copo d'água.
Du: Que foi Lucas, tá ruim?
JL: Ta horrível Du, ta muito salgado...
Du: Sério? — pego um pouco de minha comida e experimento. Realmente, parece que joguei todo o sal do oceano aqui dentro- Que droga, tá vendo? Não sou a mulher perfeita que você disse...
JL: Não fica assim não Du — Diz ele se sentando ao meu lado na mesa — Não ficou tão ruim a sim, ó eu como tá?
Tiro os pratos da mesa e lhe digo:
Du: Não precisa! Não quero que você morra de pressão alta! To muito nova pra ser viúva e os lekinhos ainda nem nasceram pra ser órfãos...
JL: Ainda to morrendo de fome, o que a gente faz? Peço uma pizza?
Du: Pede... Tem duas maças aqui, a gente come elas pra aguentar até a pizza chegar.

Lucas procura na internet uma pizzaria próxima e telefona pra lá. Em poucos minutos nossa pizza chega.

Nos sentamos no chão da sala, cada um com sua maça na mão, e começamos um papo sobre o futuro.
Du: A gente nem falou pra sua família que serão gêmeos...
JL: Com todos esses problemas eu nem me lembrei! Aliais, falando em lembrar, eu acabei de perceber que você ta me enrolando!
Du: Eu enrolando você? Como assim... — disse mordendo minha maça.
JL: Enrolando sim. E a data do nosso casamento? Você ainda não me disse que dia é bom pra você!
Du: Lucas, se você quiser, eu me caso amanha mesmo!
JL: Olha que eu aceito em... Mas falando sério, não quero casar depois que os bebes nascerem. Quero logo, pra ontem. Não vejo a hora de poder te chamar de MINHA ESPOSA.
Du: Eu também não vejo a hora de te chamar de MEU MARIDO...
JL: Se é assim, por que adiar mais?
Du: Quer saber? Você tem razão... Mas ó, eu quero uma coisa bem simples, só a família e os amigos mais íntimos!
JL: Eu topo o que você quiser Eduarda... Mas então, daqui um mês?
Du: Não sei... Tenho que ver se consigo um espaço pra casar na minha agenda! — Lucas ri do que lhe digo e vem me dar um abraço. Nos deitamos no chão do apartamento e ficamos ali, abraçados...
JL: Falta um mês pra nossa felicidade ser quase completa...
Du: Quase por que?
JL: Porque só vai ser completa quando nossos filhos nascerem né...
Du: Lucas, se ainda tá com a ideia de colocar os nomes em homenagem ao seus pais?
JL: To por que?
Du: Por nada, só queria me preparar emocionalmente pra, talvez, ter que chamar um dos bebes de "Marta"
JL: Você e minha mãe tem que se intender... Apesar de tudo eu amo minha velha!
Du: Eu sei Lucas, mas você mais do que ninguém sabe que ela é complicada. Acho que dona Marta não ta querendo me ver nem pintada de ouro. Ainda mais depois da nossa última conversa, ou melhor, nossa última briga.

Nossa campainha toca e Lucas se levanta pra atender:
JL: Deve ser a pizza... Mas que estranho, o porteiro nem avisou!

Me levanto logo em seguida e vou até a cozinha com intenção de colocar os pratos na mesa quando escuto uma voz familiar: Maria Marta.
Me viro em direção a porta e sim, é ela.
Du: Nossa, a gente tava falando de você agorinha mesmo!
MM: Espero que falando bem!
Du: De uma certa forma sim...
MM: Como? Ah não importa, não vim aqui para falar com você! Meu papo é com o Lucas.
Du: Fica a vontade...
MM: Meio difícil ficar a vontade nessa caixinha de fósforo né?
JL: Você diz isso porque não viu os outros apartamentos que a gente visitou... Mas enfim, o que você quer comigo mãe?
MM: Conversar. Só que a sós... — diz me encarando
JL: Eu não tenho segredos com a Eduarda mãe!
MM: Mas eu tenho. Anda logo... — ao dizer isso, Maria Marta vai em direção ao meu quarto e faz sinal para que João Lucas a acompanhe. Pelo jeito já está se sentindo em casa.

A Campainha toca novamente e enquanto vou abrir a porta, faço uma nota mental de ir reclamar do porteiro para o sindico.
Dessa vez é a nossa pizza.

Coloco 3 pratos na mesa e penso em esperar a conversa dos dois acabar para comermos juntos.

Infelizmente sou vencida pela fome e começo a comer sozinha. Quando Lucas e Marta finalmente saem, já estava no terceiro pedaço.
Du: Eu ia esperar vocês só que tava morrendo de fome... Foi mal!
JL: Você fez bem em comer, a gente demorou, você não pode ficar com fome, tem bebes pra alimentar né.
MM: O Lucas já me contou dos gêmeos... Não brinca em serviço em? Parabéns pelo golpe do baú super bem sucedido!

Resolvo nem responder. É só hoje, logo ela vai em bora e a paz voltará a reinar nessa casa.

Marta e Lucas se sentam à mesa. Nós três comemos em silêncio e quando finalmente acabamos nossa pizza tamanho família, Lucas me diz:
JL: Du, eu preciso te pedir uma coisa...
Du: O que Lucas?
JL: A empresa voltou pras mãos da nossa família, porém os caixas estão todos vazios! Minha mãe vendeu as jóias dela e a casa de Petrópolis pra pagar as dividas da empresa...
Du: Tá e dai?
JL: Du, ela não tem grana pra manter a mansão. Meus irmão já estão morando em outros lugares e nem um deles tem como a recebe la agora!
Du: Como assim Lucas? Eu não to entendendo onde você que chegar!
JL: Eduarda, você aceita que minha mãe fique aqui por uns dias? Até a empresa voltar a dar lucros...

Não, ele não pode estar falando sério! Depois de tudo que ele me disse sobre paz, sobre finalmente ser nós dois. Porque isso agora? Pra que Marta quer vir morar com a gente? O Zé Pedro não é seu favorito? Ela que vá morar com ele.

Pra mim só existe uma explicação, ela quer vir pra cá para nos separar. Ela nunca foi com minha cara, nunca aceitou o amor de Lucas por mim.

Está decidido, não vou deixar ninguém se intrometer entre nós dois, ninguém vai nos separar, nem mesmo a mãe dele.

Encaro Marta depois olho pra João Lucas e digo:
Du: Não. Nem pensar!

Não sei qual será as suas reações, a única coisa que percebo, pelos olhos de Marta, é que ela não deixará barato a minha recusa.