Sempre te amei.
14 Capitulo 14: Família
Por João Lucas
É claro que eu não queria minha mãe morando aqui comigo, bem agora que estou começando uma vida a dois com a Eduarda, mas não posso deixar de estender a mão à ela, apesar de todas as brigas, Marta ainda é minha mãe.Por outro lado, Eduarda se recusou a aceitar sua sogra aqui. Sei que tenho que respeitar suas vontades, essa casa não é só minha, é nossa. Se começarmos uma vida assim, um passando em cima das vontades do outro, nunca teremos paz, mesmo que moremos sozinhos. Um de nós tem que ceder e dessa vez serei eu.JL: Mãe... Você ouviu a Du, eu sinto muito, mas não dá pra você ficar morando aqui... Eu posso pagar um hotel, ainda tenho um pouco de grana sobrando, não é muito mas dá pra um 3 estrelas! — Digo tentando faze-la sorrir.MM: Eu não acredito que você vai trocar sua mãe por essa caipora chique!JL: Não estou trocando mãe. Você tem que entender, essa casa não é só minha!Dona Marta, que até esse momento olhava com raiva para Eduarda, tira as armaduras e começa a chorar.JL: Mãe por favor... Não faz isso! — Olho para minha mãe e percebo que são lágrimas sinceras. Por um momento achei que aquele drama todo estava sendo encenado com o intuito de me fazer ceder e deixa la aqui. Mas não, ela está sofrendo realmente. Eduarda, quando vê o estado de minha mãe, vai até a cozinha e busca um copo d'água pra ela. Marta bebe sem pressa e ao se acalmar, se levanta e vai em direção a porta.JL: Espera mãe, não vou deixar você ir embora assim...MM: Se você não quer que eu more com vocês, também não devem querer minha presença. Podem ficar tranquilos, eu vou embora.Du: Não, espera! Fica mais um pouco... Queria conversar com você! — Olho para Eduarda e novamente me surpreendo com suas atitudes. Ao que parece, ela não consegue manter a raiva quando vê uma pessoa chorando.Minha mãe a olha surpreendida e talvez movida pela curiosidade, resolve ficar...Nós três nos sentamos a mesa e eu começo a dizer:JL: Você não estava chorando só porque não deixamos você morar aqui. Você não me ama tanto assim... — Disse tentando fazer graça.MM: Apesar de você duvidar de meus sentimentos por você meu filho, fique sabendo que eu te amo sim. E muito.Du: Eu acredito no seu amor pelo Lucas... Você tem um jeito bem estranho de amar, mas ama! — Diz encarando nós dois.JL: Pode até ser, mas mãe, você ainda não me disse. Porque a crise de choro?Dona Marta abaixa a cabeça e por alguns segundos tenho a impressão que ela irá chorar novamente.MM: A sua irmã Clara, ela irá trabalhar em outra cidade por enquanto... Du: Tava chorando daquele jeito só porque a Clara vai morar longe por uns dias? Virou sentimental assim desde quando?MM: Não é só por isso. Minha sobrinha voltou para Europa, Zé Pedro está morando na casa dele com a Danielle... Nenhum deles se ofereceu para me levar junto, para me dar abrigo! — Ela faz uma pausa para respirar e continua- O Comendador está morto, Silviano procurando um novo emprego... Eu não tenho mais ninguém! De todas as pessoas da minha família, nenhuma delas me quer por perto. Nem você! -Uma lágrima novamente cai de seu rosto e eu me sinto péssimo por ser, de certa forma, responsável por ela.Eu seu que minha mãe não é uma pessoa fácil, como eu mesmo já disse algumas vezes, Marta é um canhão de guerra. Mas mesmo os canhões precisam ter alguém por perto deles para funcionarem.JL: Eu entendo que você se sinta solitária, eu prometo que sempre que der irei te visitar... — Vou até minha mãe e lhe dou um abraço apertado. Quando volto meus olhos para Eduarda, ela está chorando.Du: Que droga, a gravides me deixou uma manteiga derretida. — diz enquanto enxuga suas lágrimas — Olha Marta, você pode ficar aqui morando com a gente, mas antes temos que nos entender...MM: Eu que não quero mais ficar aqui... Não preciso da pena de vocês!Du: Não é pena! Eu acho que nós duas temos que nos entender, quer maneira melhor do que essa? A gente vai resolver de vez nossos problemas. Ou seremos amigas ou nos odiaremos pro resto da vida... Tu é mãe do meu marido, minha sogra, vó dos meus filhos! Não quero que eles cresçam com nós duas nem se falando!JL: A Du tem razão mãe. Fica vai, vamos tentar ser uma família unida e feliz!MM: Se vocês insistem eu fico. Filho, vá buscar minhas malas no carro — Ela me entrega as chaves e percebo que só está me pedindo isso para que eu saia.Finjo que estou obedecendo suas ordens,pego as chaves e vou rumo a porta da sala, paro por alguns segundos e ao constatar que ninguém percebeu que não cheguei a sair, me escondo e fico ouvindo a conversa.MM: Então, qual serão suas condições pra me deixar aqui?Du: Já que você tocou no assunto, eu tenho duas! Primeiro: Não tente fazer nada pra me separar do Lucas, não vai adiantar!JL: Eu já percebi que meu filho gosta mesmo de você... Fique tranquila, não vou fazer nada para separar vocês. Já me conformei com a entrada de mais uma suburbana na família!Du: A segunda condição é você parar de me ofender... Eu quero tentar me dar bem com você! Tenta facilitar...
MM: Eu vou tentar... Sabe, no fundo, mas bem no fundo, eu até gosto de você! As vezes eu sinto um pouco de ciúmes da relação que você tem com meu filho, acho que por esse motivo que implico tanto contigo!Du: Como assim ciúmes?MM: Você sempre foi amiga do Lucas, ele confia em você, te conta sobre os sentimentos e medos dele... Nunca consegui ter esse tipo de relação com ele. Nunca fui amiga do meu filho!Du: Nossa.. Eu nem sei o que dizer!MM: Eu quero te pedir uma coisa Eduarda. Me ajuda a ser amiga do Lucas?Du: Ajudo... E você, me ajuda a ser sua amiga? MM: Eu posso tentar!Elas param de falar por um minuto e tenho a impressão de que estão se abraçando. É bom ver que elas estão tentando se intender, é bom saber que minha mãe me quer por perto. Ao que parece, tudo está caminhando pros trilhos certos.Finalmente desso e busco as malas de minha mãe, quando volto as duas ainda estão conversando. Sentamos nós 3 na sala e ficamos batendo papo. Agora estamos parecendo uma família de verdade.Eduarda ajuda minha mãe a se instalar no quarto de hóspedes e a noite, quando finalmente ficamos sós novamente, lhe digo.JL: Ouvi a conversa entre você e minha mãe...Du: Que isso Leki, deu de ouvir atrás da porta? JL: Costume dos Medeiros! — Du sorri e logo em seguida diz.Du: Acho bonito ela querer ficar perto de você... A Marta briga, implica com a gente e tal, mas tudo isso é porque te ama.JL: Eu sei... Ela tem esse jeito estranho de amar! Du: Pois é — Du se deita em nossa cama e eu deito ao seu lado. — Sabe que sua mãe aqui em casa me fez lembrar da minha...JL: Tu já contou pra ela que tá grávida?Du: Não! Ainda não contei pra ninguém da minha família... Sei lá Lucas, eles não se importam comigo. Você sabe!JL: Eu sei Du, mas temos que contar né? Olha, amanha a gente vai na sua casa pra dar a notícia ok?Du: Sei não Lucas, se sabe que meus pais te detestam!JL: Você não ta tentando se dar bem com minha mãe? Então, eu também vou tentar me dar bem com seus pais...Dou um beijo na testa da Eduarda e logo em seguida adormecemos.No outro dia, sou o primeiro a acordar. Vou até a padaria e compro pão quentinho para o café da manha. Quando retorno, minha mãe e Eduarda já estão acordadas.Por incrível que pareça elas estavam sorrindo e conversando calmamente. Nem pareciam as mesmas pessoas que se odiavam. Eduarda ao me ver, se levanta e me dá um beijo de bom dia.Du: Que bom que você comprou pão, to morrendo de fome.MM: Mas também, dois bebes pra alimentar!Sentamos os 3 na mesa e tomamos nosso café tranquilamente. Quando acabamos minha mãe informa que irá para a Império hoje, vai resolver os últimos detalhes para colocar a empresa na ativa novamente.MM: Você vem trabalhar comigo Lucas? JL: Não vai dar — digo olhando para Eduarda — Tenho que resolver uma coisa antes.Ela concorda e desse rumo a empresa. Novamente estamos só nós dois em casa.Du: Lucas, eu tava pensando... Deixa esse negócio pra lá, não quero ver minha família hoje não!JL: A gente não pode ficar adiando Du, daqui a pouco tu só vai querer contar quando os bebes já tiverem nascido!Du: Não é uma má ideia!JL: Para vái. Se arruma que daqui a pouco a gente vai sair. Du: Mas ta cedo ainda...JL: Antes eu quero te levar em um lugar! Du: Que lugar? — Me pergunta curiosa.JL: Só vai saber quando chegar lá!Du sorri pra mim e ao acabar seu café corre para se arrumar. Em menos de uma horas estamos prontos, dessemos até nosso carro e faço Du dirigir rumo a praia.Du: A surpresa é essa? A gente tomar um bronze antes de conversar com meus pais?JL: Só dirigi Du... Quando chegar lá eu conto a surpresa!Quando finalmente chegamos, Eduarda já impaciente me diz:Du: Tá, já pode começar a falar.A pego pela mão e a levo até perto da água.JL: Ta vendo o tamanho desse mar Du? Ele nem se compara com o tanto que eu te amo! — Olho pra baixo e apontando pra areia continuo — Se conseguissem contar os grãos de areia dessa praia, o número não seria nem próximo do tanto que eu te amo!Du: Qual foi Lucas? Pra que isso tudo? — diz sem entender nada.JL: Eu deveria pedir isso aos seus pais primeiro, mas sei que eles diriam não então... — Tiro uma caixinha do bolso da calça, e ao abri-la digo — Du, tu aceita casar comigo?Eduarda já chorando, faz sinal para que eu me levante e logo em seguida me dá um abraço. Du: Você sabe que sim, eu já aceitei! Eu te amo!JL: Só queria oficializar! — Pego sua mão direita e enquanto coloco o anel em seu dedo digo: Mal posso esperar pra colocar esse anel na outra mão!Eduarda pula em meus braços e eu, ao me desequilibrar, caio com ela na areia.JL: Desculpa Du, você se machucou?Du: Eu estou ótima! — ela beija a minha boca e logo em seguida se deita do meu lado da praia. — Só não precisava me trazer aqui pra fazer o pedido né...JL: Queria ser romântico! Mas eae, vamos pra casa dos seus pais?Du: O dia está sendo tão perfeito, não vamos estragar ele não! Por favor!Nesse momento me levanto da areia e encarando Eduarda dizendo.JL: Nem começa Eduarda, agora a gente é oficialmente noivos, não tem nada que seus pais possam fazer que vai prejudicar a gente. Ficamos na praia por mais alguns minutos até que finalmente vamos rumo a casa da minha sogra. Como sempre, é Du quem dirige. No caminho percebo que ela não está confortável. Pelo jeito, fazer esse trajeto, não é uma lembrança agradável pra ela!JL: Olha Du, eu sei que to te pressionando pra fazer isso, mas é inevitável. A gente tem que falar com eles!Du: Eu sei Lucas, só to com medo!JL: Eu to aqui tá... — Digo lhe lançando um olhar de carinho.Chegamos rapidamente até a antiga casa de Du. Tivemos sorte, não pegamos muito transito.Desso do carro e lembro a primeira vez que vim aqui, a mãe dela praticamente me expulsou. Pego na mão de Eduarda e vamos juntos tocar a campainha.Em poucos minutos uma mulher aparece na Porta. É Shirlei, mãe da Eduarda.S: Tão fazendo o que aqui? Saíram agora de uma balada e resolveram me atazanar é?Du: Também tava com saudades mãe... — Diz irônica.Olho pra Eduarda e peço para que se contenha. Não é hora de brigas, temos que conversar.Shirlei faz sinal para que entremos e lá dentro encontro Fábio, pai de Du.F: O que esse marginal ta fazendo ta minha casa? — Diz se levantando do sofá pronto pra me expulsar.JL: Calma, eu vim conversar com o Senhor... Na verdade,eu quero conversar com os dois!Ele, mais movido pela curiosidade do que pela educação, se acalma e faz sinal para que eu me sente.Du: Eu vim aqui contar uma coisas pra vocês!S: Fala logo que daqui a pouco eu tenho que sair...Du: Qual é mãe? Eu não venho aqui a meses e você nem se preocupa, não diz nada!S: Eu sabia que se tava bem, se tivesse acontecido alguma coisa eu ia saber, noticia ruim chega rápido! Mas fala ai que eu to curiosa, o que vocês querem aqui?JL: Primeiro eu queria dizer que vou me casar com a filha de vocês!Nesse momento os pais de Du se olham e começam a rir, ou melhor, gargalhar:S: Se tá bebádo é?JL: Não eu estou ótimo... Aliais, já faz mais de 2 meses que eu não bebo!Du: Conta logo a outra parte Lucas... F: Tem mais novidade é? JL: Tem sim, eu e sua filha, nós dois... — digo pegando a mão de Du — Nós iremos ter um filho.. Quer dizer, dois filhos! São gêmeos!O silêncio reina na casa por alguns segundos, só escuto a respiração de Du.De repente, Shirlei começa a bater palmas e diz.S: Parabéns Eduarda! Du surpresa com a reação da mãe agradece, mas logo em seguida ela continua.S: Você tanto fez que finalmente conseguiu fisgar o playboy em? E que belo golpe da barriga! Dois de uma vez... Tiro o chapéu!Du: Não foi golpe nenhum, eu amo o Lucas, para de falar besteira!S: Tanto faz, se era só isso que vocês tinham pra dizer já podem ir embora!Ela nos arrasta até a saída e fecha a porta em nossa cara.Não me lembrava que os pais de Du eram tão detestáveis assim!Quando olho pra Eduarda ela está chorando.Du: Viu porque não queria vir aqui? Minha família não ta nem ai pra mim...Eu a abraço e levo até o carro. Estou me sentindo um pouco culpado, sabia que os pais de Du não eram o que chamamos de amáveis, mas pensei que a vinda de um netinho ia os amolecer.Já dentro do carro, enxugo as lágrimas que insistem em cair dos olhos de Du. Dou um beijo em sua boca e digo:JL: A sua família sou eu tá? Eu e nossos filhos! Não importa os seus pais, eles são uns idiotas!
Abraço Du novamente e ficamos ali juntinhos por um bom tempo.Percebo que não é só eu que tem problemas com a família, Du também tem com a dela. E assim como a Du me ajuda a segurar a barra, eu também a ajudarei a segurar a dela!
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