Sempre foi Você

10 Vocês se conhecem?


Há tantos sorrisos nos teus olhos

Que o que vem dos lábios

Seria até desnecessário.

@da.arte ( instagram)

O aniversário de Zelena estava chegando, e ela não parava de falar sobre isso. Dizia-me que era para que eu não me esquecesse, mas teria como? De dez palavras que saiam de sua boca, onze eram sobre isso. E, claro, eu não esqueceria o aniversario da minha melhor amiga, não é?

Ela resolvera dar uma festa para todos os seus amigos.

Zel sem festa, não seria Zel.

Estávamos em seu apartamento decidindo os últimos detalhes da comemoração. Eu até gostava de ajudar com essas coisas, e sempre tínhamos risadas garantidas, já que a ruiva ficava mais agitada que de costume. Meneei a cabeça em negação, enquanto sorria, ela poderia ser facilmente comparada a um furacão naquele momento.

Estava sentada no sofá tomando uma taça de vinho, enquanto a ruiva tinha ido até a cozinha pegar algumas coisas para comermos. Não sei o por quê, mas meu subconsciente trouxe-me lembranças de Robin e eu não pude deixar de sorrir com aquilo.

Já estava beirando o ridículo o modo que estava agindo nessas ultimas semanas. Minha mente parecia querer-me pregar peças a todo instante. Os olhos intensos surgiam diante de mim como se estivesse assistindo a alguma gravação. Nossos últimos encontros não saiam da minha cabeça, na verdade Robin não saia dela. Inferno! Devo estar ficando louca! Mas... Mesmo se eu quisesse esquecê-lo, meu garotinho sapeca não tornaria essa tarefa tão fácil. De fato, ele tinha o encantado.

Um barulho estridente trouxe-me de volta a realidade, quando olhei em volta, a procura do barulho, vi que o celular de Zelena estava tocando a alguns centímetros de onde eu estava.

— Ruiva, seu celular está tocando! – gritei para que ela pudesse ouvir-me da cozinha, dando mais um gole da bebida em minha taça.

— Trás pra mim, Rê. Por favor! – gritou de volta.

Peguei o aparelho em cima da mesa de centro da sala e quase como um gesto involuntário, olhei para a tela. Um arrepio surgiu por minha espinha quando meus olhos captaram e com certa curiosidade analisaram o nome que sobressaltava sobre a tela. Estagnei por alguns segundos, meneei a cabeça afastando tamanha loucura, e por fim, deixei para lá. Talvez fosse coisa da minha cabeça, só poderia estar ficando realmente louca.

Caminhei até a cozinha, ainda com os pensamentos desordenados. Entreguei-lhe o celular, que sorriu em agradecimento. Sentei-me em um dos bancos do balcão de mármore, que ficavam distribuídos no centro da cozinha, debruçando-me sobre o mesmo com minha taça de vinho, enquanto ela falava ao telefone.

— Oi, finalmente você ligou! – a voz eufórica de minha amiga adentrava meus ouvidos. – Pensei que nunca mais iria. – uma risada alta preencheu o ambiente. – Você conhece-me e não é de hoje, querido. — Você vai, não vai? — -Acho ótimo, porque se não, você vai se ver comigo. — Eu te passo o endereço por mensagem. Beijos! Saudades!

Logo após a despedida, a ruiva desligou o celular e colocou-o em cima do balcão em que eu estava apoiada, voltando seus olhos claros para sua taça de vinho, dando um gole em seguida. E eu, naquele momento, estava curiosa para saber quem era.

— Quem era? Eu conheço? – perguntei, recebendo sua atenção.

Estava invadindo a privacidade dela? Provavelmente, mas precisava tirar essas caraminholas da cabeça.

— Nossa, que curiosidade. – falou, sentando-se em outro banco, tomando mais um gole considerável de vinho. – Era um amigo, você não conhece. – informou-me.

— Ahh! – um suspiro escapou por entre meus lábios, talvez, fosse apenas coincidência demais.

— Se você não estivesse toda derretida pelo cara do parque, eu até apostaria que vocês poderiam se dar bem. – disse, fitando-me com suas grandes orbes azuis.

— Eu não estou derretida por ninguém! – tentei defender-me, mas, claro, sem nenhum sucesso. A quem eu queria enganar?

— Até quando você vai ficar nessa de negar para si mesma? – perguntou-me. — Tá aí pra quem quiser ver.

— Okay! Temos muita coisa pra decidir. – falei, mudando de ideia rapidamente.

— Tá fugindo de novo. – afirmou com um sorrisinho de lado.

Joguei um pano em sua direção, a fim de que ela encerrasse o assunto.

♡♡♡

Faltavam poucas horas para a festa de aniversário de Zelena. A ruiva não parava de ligar para Regina, com a desculpa de que era para que não se atrasasse. Era notável o quanto estava feliz por poder comemorar mais um aniversario com todos os seus amigos, e a morena estava feliz por ela na mesma intensidade.

Ela merecia aquilo, Zelena aproveitava a vida mais do que ninguém, nada mais justo que todos comemorarem por mais uma primavera da ruiva juntos dela. Zel era a alegria de todos os seus amigos, o furacão ruivo mais animado e divertido de toda Nova York.

Regina acabara de chegar do salão, onde fez cabelo e as unhas. Foi até a cozinha, pegando um copo d’água e em seguida foi até seu quarto. Tinha uma roupa em mente, mas queria ter certeza. Entrou no closet, passando os olhos por tudo que tinha ali, até encontrar o que queria.

Depois de pegar um conjunto de lingerie, foi até seu banheiro tomar um bom banho e começar a arrumar-se. Fez um coque frouxo no cabelo para que não estragasse e entrou no chuveiro. Deixou que a água quente molhasse todo o seu corpo, fechando os olhos e sentindo-se relaxar.

Saiu do box, enxugou-se e passou sua loção por todo o corpo, seguindo até seu quarto. Sua roupa já estava separada sobre a cama. Um vestido branco de mangas longas, justo por todo o corpo e com um decote v um pouco mais profundo, mas não tão exagerado. Pôs um sapato de salto e para complementar colocou um conjunto de brincos e colar que combinavam perfeitamente com a roupa. Fez uma maquiagem bem marcante nos olhos e nos lábios, encontrava-se o companheiro de sempre, o bom e velho batom vermelho. Com o perfume de maçãs dera o toque final. Olhou-se no espelho contente com o resultado que seus olhos captavam.

Pegou as chaves do apartamento, chaves do carro e o presente da ruiva, seguindo para o estacionamento.

A festa seria em um pub de um amigo de Zelena, bem aconchegante por sinal. Após estacionar o carro, ela seguiu até a entrada. Tudo estava maravilhosamente bem organizado e seus olhos corriam pelo ambiente a procura da ruiva.

Alguns minutos depois, a morena a vê caminhando em sua direção. Ela estava linda com um vestido verde até a altura de seus joelhos, que realçavam mais ainda seus olhos.

— Você não poderia ter vindo menos gata? – falou chegando perto da morena. –Hoje é meu dia, eu que tenho que ser o centro das atenções.

— Não exagera. Você está maravilhosa. – a morena revirou os olhos, arrancando uma gargalhada da amiga.

— É, eu sei! – piscou para ela.

— Feliz aniversário, sua convencida. – abraçaram-se de maneira apertada. –Amo você! – entregou-lhe o presente que trouxera.

— Obrigada, babe. Também amo você. Obrigada pelo presente. – Regina apenas sorriu. –Vem, vamos beber!

— Não precisa chamar duas vezes. – andavam de mãos dadas até o bar. No caminho Regina cumprimentava a todos que conhecia, e os que não, Zelena apresentava-a.

Na medida em que adentravam mais o pub, a ruiva vislumbrou algumas pessoas de onde trabalhava, todos seus amigos. A mulher de cabelos castanhos e levemente ondulados chamara a atenção das amigas.

— Hey, Belle! – a morena chamou.

— Regina! – elas cumprimentaram-se com um abraço apertado. – Você está maravilhosa! – Belle disse, já estava um pouco mais alta por conta da bebida.

— Eu te disse que não era pra ter vindo tão gata assim. – a voz da ruiva arrancara gargalhadas das duas. – Mas, fazer o que se até com um saco na cabeça você fica um arraso.

— Eu não sei o que faço com vocês. – Regina sorriu, meneando a cabeça em negação.

Ficaram ali por mais alguns minutos, colocando a conversa em dia. Logo depois, a ruiva disse a Belle que as duas iriam até o bar.

— Você veio de carro? – perguntou, olhando para ela, enquanto seguiam até o bar.

— Vim! – assentiu. – Mas, qualquer coisa eu deixo aqui e vou de táxi. Não posso deixar de aproveitar sua festa. – completou com um sorriso de divertimento brincando em seus lábios.

— Essa é minha garota. Você está mais solta esses últimos dias. – soltou-lhe um sorriso malicioso.

— Nem vem, Zelena! – cerrou os olhos em direção à ruiva.

A música ressoava no ambiente de maneira alta e agitada, todos dançavam no ritmo da melodia. Chegaram ao bar e pediram ao barman duas margueritas, sentando-se nas banquetas que estavam dispostas ali. Logo que receberam seus drinks, sorviam o liquido de seus copos e se remexiam ao som da música. Conversavam animadas e Regina gargalhava das piadas feitas pela ruiva. Quando terminaram suas bebidas, elas seguiram até a pista de dança.

Dançavam no ritmo agitado da música. Seus corpos estavam leves, sorriam uma para outra a cada movimento. Alguns convidados que chegavam iam até elas para cumprimentar Zelena. Ficaram ali por mais algum tempo, até que decidiram voltar ao bar. Repetiram os pedidos de mais cedo e sentaram-se novamente.

Regina estava de costas para a pista concentrada em seu copo e no líquido transparente que continha nele. Quando Zelena virou-se, saindo feito um furacão do banco, a morena continuou na mesma posição que estava, apenas escutando a voz histérica da amiga cumprimentando a pessoa que havia chegado. Ela sorriu com o jeito avoado da ruiva, e naquela hora não poderia ser diferente, ela estava feliz e qualquer um poderia ser contagiado com sua felicidade. Essa era Zelena Leigh, um furacão ruivo feliz e contagiante.

— Meu deus! – gritou. — Eu nem acredito que estou te vendo. – Zelena falou, abraçando- o. – Você tá um gato. – analisava-o de cima a baixo. O loiro sorria largo ao constatar que ela não mudara nada.

— Eu disse que viria, furacão. – afirmou. Ambos ainda envolvidos em um abraço apertado. – Você não muda mesmo. – Zelena mostrou a língua para ele. Deixou um beijo em seus fios acobreados.

Desfizeram-se do abraço e a ruiva pegou em sua mão puxando-o em direção a Regina. – Vem! Quero te apresentar uma pessoa. – guiou até onde estava minutos atrás. -Como estão as coisas por aqui? Ah! Não pense que vai escapar de contar-me sobre a mulher que roubou seu coração. – falava em um tom mais alto.

Eles já estavam próximos ao bar quando o loiro respondeu no mesmo tom, por conta do barulho da música.

— Está tudo se encaixando aos poucos, ainda estou um pouco perdido, mas tudo vai resolvendo-se. – respondeu. — E não tem ninguém, já te disse.

Regina permanecia em seu lugar, de costas para a pista de dança, mas quando escutou aquela voz atrás de si, algo em seu âmago se revirou. Seriam as tais borboletas? Ela estava estagnada, não seria possível tanta coincidência assim, poderia? Ou definitivamente estava ficando louca e imaginando-o em qualquer lugar. Mas, ela reconheceria aquela voz rouca à quilômetros de distância, virou todo o líquido que restara de seu copo e pode escutar a ruiva repreendê-la.

— Hei! Vai com calma aí. Eu quero te apresentar a um amigo. – chamou à atenção da amiga, Zelena estava entre o loiro e onde Regina estava.

Quando a morena virou-se para frente, deu de cara com um par de olhos azuis tão confusos quanto ela estava no momento. Seus corações deram um salto quando suas orbes captaram a imagem um do outro, eles estavam completamente acelerados e, nenhum dos dois saberia dizer se conseguiriam controlá-los.

— Regina?!

— Robin?!

As palavras saíram de seus respectivos lábios na mesma hora. Encaravam-se com incredulidade, nem em seus melhores sonhos imaginariam que se encontrariam ali, em uma festa de aniversário de Zelena. Talvez, o silêncio entre eles tenha perdurado tempo demais, estavam alheios à tudo, sem nem de darem conta do fato. A música alta dava lugar ao som de seus corações batendo descompassadamente. O mundo entrara em uma espécie de mute para eles.

Robin não poderia deixar de contemplá-la, ele sentia-se inebriado com tanta beleza que ela exalava, não só fisicamente, mas eles já se conheciam há algum tempo para que ele admirasse todo o conjunto da morena. Ela era bela em todos os sentidos. E por deus, ela estava incrivelmente linda com aquele vestido. Ele olhava-a com tanta intensidade que ela sentia como estivesse com toda sua alma desnuda, ali, bem na sua frente.

Fora a voz da ruiva, um tanto quanto perdida, que trouxe-os de volta a realidade.

— Vocês se conhecem? – ela intercalava seus olhos claros entre eles, buscando entender o que estava acontecendo.

— Éer... Eu... A gente... – Regina estava em choque, suas orbes castanhas permaneciam vidradas na figura do loiro. Seu corpo estático denunciava toda a sua surpresa, tudo era inacreditável demais, até para os dois naquela altura.

Ao notar que nada de audível sairia dos lábios da morena, a voz de Robin fez-se presente, respondendo a pergunta feita.

– A gente se conheceu no Central Park, quando cheguei à Nova York. – respondeu, desviando seus olhos um instante até a figura da ruiva e logo retornando para sua mirada favorita.

Um sorriso contido formou-se em seus lábios finos, realmente ele poderia começar a agradecer ao destino.

— Vocês o que?! – a voz de Zelena subira algumas oitavas. Seria capaz até de competir com as batidas altas da música tocada no ambiente. Agora, quem tinha um olhar de incredulidade externando toda a surpresa era ela. Alternava a visão entre os dois ainda sem acreditar. – Pera, pera, pera! – os olhos da morena desprenderam-se de Robin e voltaram-se para a ruiva. Robin não entendia o porquê daquela reação, certo que eles serem amigos em comum é um tanto quanto louco demais, mas também não é para tanto. Mas é Zelena, não é? – Você é o cara do parque? – perguntou olhando para ele. – E você... Ai meu deus! Vocês se conhecem! – “não só se conhecem”. Pensou a ruiva.

— É, eu te disse que nós nos conhecemos no parque. – falou como se aquilo fosse o óbvio, com um leve sorriso de canto. – Você está bem, Regina? – sua atenção voltara para ela, sua expressão e sua falta de palavras estavam deixando-o preocupado.

— Sim... Estou sim. – foi o melhor que conseguiu soltar.

— Isso é muito inacreditável, quem imaginaria que esse tempo todo era você Robb. Se eu soubesse, tinha te arrastado de Londres há mais tempo. – Regina a fuzilou com suas orbes escurecidas, ela não iria começar a falar essas coisas, iria? Conhecendo Leigh como conhecemos, era uma pergunta já respondida. O loiro a olhava como se ela estivesse com um ponto de interrogação na testa. – Venham! Eu preciso saber mais sobre isso. – falou contente.

E realmente estava, de todas as pessoas que sua melhor amiga poderia relacionar-se, Robin de longe era a melhor delas. Não por ser seu melhor amigo, mas por conhecê-lo tão bem ao ponto de ver em seus olhos o que estava se passando. Ela sabia dos sentimentos da amiga, mas nem precisaria ouvir uma confissão em palavras dele, estava indiscutivelmente nítido que a morena não estava nessa sozinha.

Zelena puxou-os em direção a uma parte que continha mesas e cadeiras acolchoadas e onde o barulho da música era um pouco mais baixo. Eles olhavam-se discretamente e sorriam em reflexo. Aconchegaram-se à mesa e a ruiva pediu uma rodada de drinks para eles.

Começaram a conversar sobre toda aquela coincidência. Logo o garçom estava de volta trazendo as bebidas pedidas.

— Eu não acredito que você é o melhor amigo da minha melhor amiga. – Regina soltou, estava um pouco mais calma da surpresa que fora ver o loiro ali, mas ainda não conseguia acreditar.

— Nem eu! – deu um gole no líquido transparente de seu copo. –Isso é totalmente insano.

— Não fica com ciúmes por ter que dividir-me Rê, tem Zelena para os dois. – eles gargalharam diante das palavras da ruiva.

— Não é ciúme. – ela sorveu um gole de seu drink, erguendo a sobrancelha. -É só felicidade, porque agora você tem alguém a mais para irritar. – recebeu um tapa no braço e riu da cara dela.

— Pode ficar com ela todinha para você. – Robin devolveu, arrancando uma risada audível da morena.

— Okay! Vocês são dois chatos. – disse emburrada, cruzando os braços.

— Estou curiosa para saber como vocês se conheceram. – disse, olhando para ambos. Regina se acomodou melhor no assento.

— Essa deixa que eu conto! – a ruiva disse antes que o loiro pudesse dizer algo.

Robin apenas riu, ela sempre contaria essa história.

Flashback On

Era hora do intervalo, as crianças corriam pelo pátio gastando toda a energia que ainda lhes restavam. E os mais velhos permaneciam sentados, conversando em suas rodas de amizades. Enquanto um garoto franzino, loiro e de olhos azuis saia da biblioteca carregando mais livros que seus finos braços eram capazes de carregar.

O pré-adolescente andava pelos corredores a passos largos, querendo chegar rapidamente até seu armário e poder guardar tudo aquilo.

Quando vozes e risadas adentraram seus ouvidos.

— Hey Nerd! – um garoto de cabelos negros, e alguns centímetros mais altos, chamara sua atenção. –Você não cansa de estudar nem no intervalo?

Tratava-se de Etthan e seus amigos, garotos que viviam pegando no pé do loiro.

Robin olhava-os com suas íris azuis em tons mais escuros de raiva. Sentia raiva deles, por não deixarem-no em paz; sentia raiva de seu pai, por sempre aplicar o discurso de que você tem sempre que buscar a perfeição, mas, principalmente, sentia raiva de si mesmo por não revidar. Seria uma péssima coisa se ele chegasse em casa com uma anotação ou uma advertência na caderneta. Para Jonh Locksley isso significaria o desvio no caminho da tão sonhada perfeição que ele pregava.

O garoto riu quando nenhum som fora reproduzido pelos lábios de Locksley e com um gesto rápido de suas mãos, derrubou os livros da mão do loiro. Arrancando uma risada em conjunto de todos que estavam ali. Do outro lado do corredor, uma garota com o cabelo cor de fogo e olhos claros raivosos observava a cena. Como um furacão, ela atravessou todo o corredor e pôs-se ao lado do garoto que estava abaixado pegando os livros.

Tudo o que ela não tinha de tamanho, tinha de bravura. Intercalou seus olhos azuis entre os dois garotos e voltou-se para o que estava em sua frente, e com o dedo indicador apontado para ele, começou a proferir suas palavras em um tom totalmente zangado.

— Você se acha o valentão, não é mesmo? Eu não tenho problemas em ir parar na direção sabia? – seu tom era um pouco mais alto, tamanha era sua raiva. – E eu sei lutar judô. – a garota empurrou-o. Robin mirou seus olhos na figura da garota destemida ao seu lado.

Os garotos entreolharam-se e viraram-se na direção contrária seguindo o corredor.

— Seus babacas! – ela disse por fim, já se abaixando para ajudá-lo com os livros caídos. – Deixe-me ajudar-te. – disse, ajudando-o a recolher todos os exemplares.

— Obrigado pela ajuda... – disse, já de pé.

— Zelena, meu nome é Zelena. E o seu?- perguntara.

— Meu nome é Robin, prazer! – apertaram as mãos.

— Porque você não falou nada? – a ruiva o questionou.

— Meu pai diz que não devo criar problemas e ir para a direção. – disse, soltando um suspiro de descontentamento.

— Seu pai não sabe de nada. E, tecnicamente, eles que começaram. – ela deu um sorriso sem mostrar os dentes.

— É, talvez não saiba. – começaram a andar pelo corredor. – Você luta mesmo judô? – questionou.

— Claro que não! – sua gargalhada preencheu a ausência de som. – Eu precisava dizer alguma coisa, não é?

Robin apenas acenou positivamente com a cabeça, sorrindo pela maluquice da garota. Ela tinha o ajudado mesmo que nem se conhecessem ainda e Robin saberia ser grato por isso.

Quem sabe não seria o início de uma grande amizade entre eles?!

Flashback Off

— Eu não acredito que você disse que lutava judô! – Regina gargalhava de tudo aquilo que acabara de escutar. – Eu não sei o por quê de estar duvidando, essa é você. – meneou a cabeça em negação.

— Ela disse sim, até pensei que fosse verdade. – Robin sorria.

— Você deveria agradecer-me por ter te ajudado e você não ter que sair do seu “caminho da perfeição”. – fez aspas com os dedos. Zelena olhou-o na mesma hora, xingando-se internamente por ter falado tamanha besteira, sabia o quanto aquilo era delicado. Maldita bebida que já estava afetando seu filtro. Ela nem saberia dizer se em algum dia tivera um. –Desculpa Robb, foi sem querer.

Regina fitava os dois em silêncio. Achou estranho que um simples comentário afetasse-o daquela forma, mas preferiu não dizer nada.

— Tudo bem, Zel. Sem problemas! – forçou um sorriso. – Vou buscar mais bebidas, já volto! – saiu da mesa, seguindo até o balcão.

— O que foi isso? – Regina virou-se para ela tentando entender o que tinha acabado de acontecer ali.

— História longa. – suspirou. — Provavelmente ele vai te contar e se ele o fizer, saiba que ele confia muito em você. – ela falou um pouco mais séria.

— Tudo bem! – acenou, voltando seus olhos para o bar.

— Agora vem cá, eu não acredito que o cara do parque seja o Robin. – deixou que seus lábios fossem preenchidos por um sorriso. — Tantos caras em Nova Iorque e você escolheu um londrino. – constatou.

— Eu ainda não acredito que ele seja seu amigo, loucura demais não é? – voltou à atenção para a amiga.

— A história de vocês já começou louca, babe. Um pouquinho de loucura a mais não vai fazer muita diferença. – pontuou. Ambas levaram seus copos aos lábios.

— É verdade. – sorriu.

— Eu nem precisei apresentar vocês e você tá toda derretida por ele. – gargalhou. Regina olhava-a com os olhos cerrados. — Meu deus! Isso é muito legal, os deuses juntando minhas duas pessoas preferidas.

— Eu não estou derretida por ninguém, para de ser louca. – cruzou os braços.

— Vou fingir que acredito. – gargalhou. – O Robin... – antes que terminasse a frase, a voz do loiro fez-se presente, fazendo com que um arrepio surgisse na morena.

— Eu o que? – perguntou, trazendo os três drinks nas mãos.

— Nada! –Regina foi rápida na resposta.

— Eu disse que você estava derretido, igual à Regina, de calor, claro. – dera outra gargalhada.

— Acho que o álcool está te afetando furacão, porque não estou sentindo calor não. – disse divertido.

— É furacão, acho que o álcool te afetou. – enfatizou as últimas palavras.

— Me dá isso aqui. – pegou a bebida da mão de Robin, levantando-se. –Vou dar uma volta, vocês se merecem! – falou, saindo de perto dos amigos.

— Acho que você irritou alguém. – pegou a bebida que ele trouxe.

— Depois passa. Até parece que não conhece sua amiga. – sorriu pela milésima vez na noite, e acreditava não ser o último sorriso, já que sempre ficava bobo ao lado dela.

Regina apenas balançou a cabeça em afirmação, tomando o líquido do copo. Ficaram alguns minutos em silêncio, até que ela voltou a falar.

— Quando pensaríamos que nós dois fôssemos amigos da mesma pessoa? – divagou.

— Nem nos meus melhores sonhos. – fitou-a e um arrepio percorreu a espinha da morena.

A festa estava bastante agitada. Eles não se desgrudaram por um minuto, assunto era o que não faltava entre eles. E, mesmo que o silêncio predominasse, não seria problema, seus olhares conversavam entre si.

Regina apresentava-o a todos os seus amigos em comum com a ruiva. Zelena aparecia para arrastá-los até a pista, repetindo o caminho algumas vezes. Ela já estava um pouco mais alegre que o normal.

— Olha só vocês. – falou sentando entre eles, recendo a atenção para si. – Meus melhores amigos juntos. – passou um de seus braços no pescoço de Regina e o outro no pescoço de Robin, em um segundo de distração de ambos ela puxou-os em um abraço aproximando seus rostos. Próximo demais. Eles olharam-se e perderam-se. A verdade é que sempre se perderiam. Ela mergulhava em seus oceanos, ele flutuava em suas órbitas. – Vocês formam um belo casal, quero ser madrinha dos filhos de vocês.

— Você já esta bem alegre. – Robin disse, respirando com dificuldade depois das palavras dela. Mesmo que não quisessem, eles afastaram-se quando a ruiva afrouxou o abraço.

— Não mais que ela, não deu-me um tapa ainda. – Zelena apontou para a morena que a olhava. A proximidade com o loiro tinha afetado-a demais, fazendo-a respirar com dificuldade.

— Ninguém precisa saber disso. – mostrou-lhe a língua. – Vem, Robin. Vamos dançar. – chamou-o, levantando em seguida. O garçom passava ali e ela pegou mais um drink, provando do líquido cor de rosa.

— Hei, vai com calma morena. – ele já estava ao seu lado.

— Qualquer coisa você cuida de mim. – piscou. Suas palavras tinham saído em tom de brincadeira, mas ao ouvir a resposta, não poderia ficar mais feliz.

— Não pense o contrário. – garantiu. As mãos estavam encaixadas perfeitamente.

Regina guiou-os até o centro da pista, ainda de mãos dadas. Talvez a bebida cor de rosa tenha caído rápido demais, e o loiro segurava firme em suas mãos. Chegaram ao centro e uma música eletrônica invadiu seus tímpanos, e logo, estavam envolvidos pela batida.

A morena estava leve, talvez pela bebida, talvez, por estarem juntos. Ele amava vê-la assim. Dançavam no ritmo da música, seus corpos esbarravam-se à medida que ela remexia-se. Em algum momento eles fecharam seus olhos, sentindo tudo que tinham para sentir. Estavam mais uma vez alheios a qualquer coisa, só importavam-se com o ali... Com o contato de seus corpos, tão próximos, tão deles.

Robin matinha suas mãos ao redor dela, para mantê-la em equilíbrio. Regina dera alguns pisões em seu pé, já estava um pouco alterada, mas ele não importava-se menos com isso, poderia usar até para brincar com ela em algum momento.

Tudo o que ele queria era curtir o momento com a morena e também que ela curtisse o momento sem nenhum tipo de restrições. Livre... Que ela pudesse sentir-se livre.

Depois de muitas danças e alguns pisões, eles retornaram a mesa. A conversa seguia animada, ele ria das palhaçadas dela. A festa já seguia pelo começo da madrugada e algumas pessoas já despediam-se.

Eles estavam sentados juntos, e quando Robin deu por si, Regina estava com o rosto em seu ombro. Talvez fosse pela bebida, talvez pelo sono ou talvez, pelos dois juntos. Ele aconchegou-a em seus braços, passando um braço por suas costas para que ela ficasse mais confortável. Ele fitava-a, observando todos os seus traços... Todos os seus detalhes, como quem quisera decorar sem esquecer-se de nada. Olhava-a com a mesma paixão de alguém que estivesse admirando sua obra de arte preferida. Ah, como ela despertada sensações nele. Seu rosto era tão sereno, seu peito apertou, ela ficara ainda mais encantadora.

Com as pontas dos dedos ele delineava toda a extensão de seu rosto, desde a testa até o queixo. Passando os olhos pela cicatriz que tanto amava observar. Ela respirava com tranquilidade. Robin beijou-a nos cabelos, fechando os olhos. Ele sentia uma necessidade absurda em seu âmago de cuidar dela e com toda certeza era o que ele faria se ela deixasse. Não saberia dizer de onde vinha... Só sentia.

— É ela, não é? – a voz da ruiva o desperta daquele momento. Diferente das outras vezes, ela estava seria. Ele sabia a o que ela estava referindo-se, a ruiva perguntava-lhe quem era desde a primeira vez que falaram-se ao telefone, quando ele chegou à cidade. E ela estava o tempo todo ao seu lado.

Ele apenas fez que sim com a cabeça, um sorriso tímido delineava seus lábios finos.

— Eu fico feliz, de verdade. – um sorriso genuíno nascera em seus lábios, seus dedos passaram pelos fios negros dela. Robin a observou mais uma vez, deixando um suspiro audível escapar.

— Somos só amigos. – ele queria poder mudar as palavras.

— Vocês são iguaizinhos. – revirou os olhos, talvez, a bebida tenha dado um toque de sinceridade a mais, não que ela precisasse. – Acho que vou levá-la para casa.

— Pode deixar, eu levo-a. – prontificou-se.

— Tem certeza?

— Sim! Não vou deixar você dirigir nesse estado. Quer que eu te leve embora também? – ele sempre cuidaria dela, da mesma forma que ela cuidara dele há muitos anos, quando eles ainda eram duas crianças.

— Não precisa. Já que você vai levá-la, vou aproveitar mais um pouco, aniversário só se faz uma vez, não é? – a ruiva começou a juntar as coisas da morena para que Robin levasse. – Ela está com o carro.

— Regina? – chamou-a com delicadeza.

— Hmm. – ela fora abrindo os olhos aos poucos.

— Eu vou te levar para casa, tudo bem? – ela apenas fez que sim com a cabeça.

O loiro ajudou-a levantar-se, pegou suas coisas, despediu-se da amiga e quando já estava virando-se para ir embora escutara a voz de Zelena chamando-o.

— Robb? – chamou-o.

— Hm. – tinha sua atenção nela novamente.

— Cuida dela. – duas palavras. Simples. Mas, que representavam mais que isso. Ele sabia... Sentia.

— Não será diferente. Pode deixar. – garantiu. – Se cuida também.

Regina estava apoiada sobre ele, talvez, ela não lembraria dessas palavras mais tarde. Tudo que queria era dormir.

Ela aproximou-se deles, dando um beijo em cada um e sussurrou um “Eu amo vocês” para eles, recebendo outro em resposta.

Robin seguiu com Regina até o carro, acomodando-a com cuidado e colocando seu sinto. Ela foi o caminho todo dormindo. Durante o percurso Robin voltava sua atenção para ela, à respiração calma e o rosto sereno.

Chegaram ao prédio e Robin acordou-a mais uma vez para que eles pudessem seguir até o apartamento. Ela já estava um pouco melhor, mas mesmo assim ele a ajudaria.

— Eu vou te levar para o quarto, tudo bem? – sua voz fez eco no silêncio do apartamento. Ela apenas sinalizou com a cabeça um sinal positivo. – Só me mostra o caminho. – Regina apontou onde ficava seu quarto.

Robin abriu a primeira porta do corredor, e um quarto espaçoso e uma cama grande ao centro adentrou seu campo de visão. Só poderia ser o quarto dela, tinha seu cheiro.

Caminhou a passos lentos até o centro do quarto, onde depositou-a sobre a cama, tirou seus saltos e olhou a sua volta para ver se achava alguma coisa. Enquanto ela já estava se aninhando na cama para dormir.

— Nada disso, você precisa de um banho. – falou, chegando mais perto.

— Ah não, Robin! – reclamou manhosa, com a voz abafada por conta do travesseiro.

— Não adianta fazer manha, Regina. Vem, vai te deixar melhor. – ergueu-a, colocando-a sentada novamente.

Ela bufou e ele sorriu, ela ficava linda irritada.

— Okay! Agora onde você guarda os lenços demaquilantes? – ela olhou-o como se ele tivesse mais outra cabeça em seu pescoço. – Minha irmã sempre fala que não é bom dormir de maquiagem. – deu de ombros.

— Ali. – mostrou-lhe onde estava os lenços para retirar a maquiagem.

Robin começou a tirar toda sua maquiagem, sem colocar muita força para não machucá-la. Passou o lenço por toda a extensão de seu rosto, indo para sua boca carnuda ainda com resquícios do batom vermelho que ela usara.

Regina olhava-o com tanta intensidade que seria capaz de virá-lo do avesso. Seus dedos percorriam toda a extensão dos lábios da morena, como se ele estivesse dedicando-se para aprender braile. Tratou logo de espantar qualquer tipo de pensamento, não seria certo, não com ela no estado que estava.

— Pronto!

— Obrigada! – ela falou em um sussurro, e que se não estivesse só os dois ali não daria para ouvir. Ele apenas sorriu.

— Agora vem, vou te ajudar a tomar um banho. – ajudou-a sair da cama, colocando-a de pé.

Regina não estava ajudando nem um pouco olhando-o daquele jeito, mas ele prometeu para si mesmo que cuidaria dela com o mesmo carinho e proteção que cuidava de Rose. Sem qualquer tipo de maldade ou segundas intenções. Guiou-a até o banheiro. – Você consegue sozinha?

— Sim... Só me ajuda a tirar essa roupa, por favor! – ela pediu.

Robin levou uma de suas mãos até o fecho do vestido branco que ficava na parte de trás e foi descendo ate a base de suas costas. Pegou uma toalha branca que estava pendurada no gancho e entregou-a.

— Toma, coloca na sua frente para eu poder tirar o resto. – ele estava totalmente sem jeito. Qualquer um riria de sua cara boba nesse momento.

Regina colocou a toalha sobre os seios, e Robin continuou a despi-la. Tirou seus braços do vestido e por fim, abriu o fecho de seu sutiã. Retirou o vestido e pôs em cima da pia. Ele saiu para pegar uma muda de roupas e peças íntimas, para que ela pudesse vestir depois do banho.

— Aqui estão algumas roupas, foi o melhor que consegui fazer. – colocou sobre a pia. – Vou deixar a porta encostada, tá bem? Qualquer coisa você me chama. – ela apenas meneou a cabeça.

Saiu e deixou a porta entreaberta. Resolveu ir até a cozinha para preparar um café.

Regina estava parada embaixo do chuveiro, a água lavava seu corpo e aos poucos, trazia consigo um pouco mais de percepção. Sentia-se segura e um sorriso brotava em meio aos pingos d’água.

Quando Robin voltou ao quarto, ela já encontrava-se na cama, escorada na cabeceira, com os cabelos molhados e um olhar um tanto quando enigmático.

— Fiz para você, vai te ajudar. – falou aproximando-se da cama, com uma xícara de café fumegante em mãos. – Cuidado, está quente. – entregou-a.

O loiro foi até o banheiro e retornou com uma toalha em mãos. Começou a secar os cabelos da morena, enquanto ela bebericava o líquido escuro em sua xícara branca.

— Tá sem açúcar, Robin! – reclamou. O alto teor de álcool em seu paladar deixava a bebida ainda mais amarga.

— Para você ficar bem logo.

Terminou de secar os cabelos, pegou a xícara e colocou sobre o criado-mudo.

Ela aconchegou-se para dentro das cobertas, virando-se de lado na direção do loiro. Ele sentou-se na beirada da cama na altura de sua cabeça e começou a alisar seus fios. Suas pálpebras pesavam e o sono estava ganhando a partida.

— Você vai ficar? – fora uma pergunta, mas poderia muito bem ser um pedido. Sua voz saiu em um sussurro, entregando que ela já estava adormecendo.

— Não se preocupe... – foi à resposta dele, antes que ela adormecesse. –Eu sempre ficarei. – disse por fim.

Deixou um beijo em seus cabelos, ajeitou suas cobertas e seguiu até uma poltrona do lado da cama e aconchegou-se. Certamente ele ficaria com dores por todo corpo no dia seguinte, mas não importava-se nem um pouco.

Disse que cuidaria dela, e faria jus a sua palavra.