Sempre foi Você
11 Um campo, um desabafo e muitos significados
“Eu e minha mania
De me apaixonar
Por lábios
Com gosto
De caos.”
— Victor H. Machado.
A claridade de um novo dia adentrava, pelas frestas da cortina, o quarto de Regina. Os raios solares, mesmo que ainda tímidos, reluziam nas faces serenas deles, iluminando-os como se estivessem sobre holofotes. As luzes que traspassavam a cortina pareciam acolher os corpos, ainda que aqueles dois seres que dividiam o espaço estivessem com as respirações tranquilas. Tudo que se ouvira naquele momento era o silêncio, a não ser por suas respirações que preenchiam o ambiente, fazendo com que o lugar não ficasse totalmente ausente de sons.
A noite anterior fora bastante agitada e, principalmente, regada de surpresas para ambos. Quem poderia imaginar que seriam amigos da mesma pessoa? E, encontrar-se-iam em sua festa de aniversário.
É, acho que o senhor destino não estava mesmo para brincadeiras.
Quando a claridade não pode ser mais evitada, o despertar da morena foi aos poucos ganhando vida. Seus olhos abriram-se em lentidão, tentando acostumar-se com a luz do novo dia. Assim que suas orbes castanhas fitaram o teto branco de seu quarto, uma pequena dor de cabeça não a deixava esquecer o quanto ela tinha extrapolado na noite anterior. Com as duas mãos massageou as têmporas, num ato falho de sessar aquele incômodo, fechando os olhos novamente, respirando fundo e abrindo-os em seguida.
Depois de alguns longos segundos de inércia, ela arrumou-se na cama, apoiando as costas e a cabeça na cabeceira do móvel. Respirou profundamente mais uma vez. Mais que diabos ela estava pensando para beber tanto assim? Talvez, não pensara na possível e, provável, dor de cabeça infernal que teria logo que acordasse.
Assim que notara as roupas diferentes da que estava usando na festa, flashs aleatórios invadiram sua mente. Um sorriso, quase que instantâneo, brotara em seus lábios ao lembrar-se da noite passada, de todo o cuidado que Robin tivera com ela e a maneira que ele deixara claro que tudo que queria era vê-la bem, feliz e livre. Ninguém a tratara daquela forma, com tanto carinho e zelo.
Bom, não sem segundas intenções. E tudo que a morena não viu refletidos em seus oceanos fora isso. Ela poderia muito bem ter impedido que ele fizesse tudo aquilo, afinal, não se coloca um estranho em sua casa estando bêbada, não é? Mas, tudo o que Robin não é, é um estranho para ela. Sentira-se protegida desde o primeiro dia que eles conheceram-se. Sentia-se protegida agora. E Zelena não deixaria que ele a trouxesse em casa se não confiasse cegamente nele.
A noite anterior só fizera reforçar o tanto de sentimento que existia dentro dela em relação ao loiro. O toque dele, o carinho, os afagos no cabelo até que ela pegasse no sono, a maneira que ele a protegia sempre, que se importava e que cuidava, só reforçavam o desejo mais íntimo dela, que ele continuasse exatamente onde estava e com o que estava fazendo.
Que ele ficasse.
Em um súbito, a morena voltou à realidade e mais um flash da noite passada viera em sua mente, ao qual ele dizia para ela com todas as letras e em um sussurro, que ficaria ali. Foi aí que, olhando para o lado esquerdo da cama, ela se dera conta de que ele não tinha dormido na sua cama e junto aquela constatação viera um aperto no peito.
Onde ele tinha dormido afinal? Será que ele tinha ido embora?
Seus olhos percorreram o ambiente, e quando chegou até a poltrona que ficava no canto do quarto, do mesmo lado da cama que ela se encontrava, uma aflição inundou seu corpo. A figura do loiro todo torto na cadeira se fez presente em seu campo de visão e constatou que, provavelmente, acordaria com dores pelo corpo. Mas, apesar disso, as benditas borboletas estavam fazendo festa em seu âmago, pelo simples fato de ainda tê-lo ali.
Apressou-se em sair das cobertas, afastando-as de onde ainda cobriam suas curvas. Quando seus pés foram de encontro com o piso frio, todo o seu corpo estremeceu, mas ela pouco importou-se.
Caminhou com passos cuidadosos até a poltrona, ficando de frente para a face do homem que a cada dia e a cada oportunidade que surgia, tomava um pouco mais de seu coração e seus pensamentos. Fitava-o com suas órbitas carregadas de uma infinidade de coisas naquele espaço cheio de mistério, olhava-o como quem quisera decorar cada traço presente em seu rosto, cada perfeição e imperfeição que o moldava. Ele era tão lindo. Talvez seus braços tenham ganhado vida própria ou, talvez, seu subconsciente os ordenara a se moverem, fazendo Regina levar sua mão até o rosto do rapaz, sem muito pensar, e com as pontas dos dedos percorreu toda a extensão da face de Lockesley.
Em um afago carinhoso e bastante cuidadoso, ela levava seus dedos pelos caminhos de sua pele. Afagou a barba por fazer que ela adorava. Poderia e queria decorar cada traço dele.
A morena estava tão envolvida naquilo, fora de seu mundo, que nem percebera que ele dava indícios de que logo acordaria. Ele sorriu ao senti-la, ainda de olhos fechados, suas mãos macias tocando-lhe. Tal ato fora notado apenas quando, ainda acariciando o rosto, as covinhas vieram à tona, o que fez com que Regina assustasse-se tirando a mão no mesmo minuto.
Robin abriu suas orbes cristalinas e pôde ver, como primeira imagem ao acordar, o rosto, ainda amassado de sono, de sua morena. Ele poderia facilmente acostumar-se com isso.
Ela ficava ainda mais linda assim.
— Desculpa te acordar. – falou desconcertada por ter sido pega, saindo de perto do loiro. – Só fiquei preocupada com você dormindo nessa poltrona desconfortável. – continuou a morena já há alguns centímetros afastada do loiro, fitando-o ainda sem graça.
— Não tem problema. – iniciou, dando-lhe um sorriso de que “estava tudo maravilhosamente bem”. – E, por sinal, acordar dessa maneira é muito bom. – pontuou, dando-lhe um sorriso de canto, despertando um leve rubor em sua face. – Digamos que a poltrona não foi o lugar mais confortável que já dormi, mas também não é um dos piores. – ajeitou o corpo, realmente estava todo dolorido pela posição que dormira.
— Você poderia ter dormido na cama. – disse sem jeito, não queria que pensasse outra coisa. – Tinha espaço para nós dois.
— Não quis que acordasse e tivesse uma visão errada da situação. – Regina sorriu encantada. – Como se sente? – perguntou nitidamente preocupado.
Ele era real mesmo?
— Bom... Só um pouco de dor de cabeça, mas nada que um analgésico não resolva. – sorriu de lado.
— Então, acho que já esta na minha hora. – disse já levantando-se.
— Não... Espera! – disse em um tom um pouco mais alto que sua cabeça poderia suportar, colocando uma de suas mãos na têmpora, o que fez com que Robin fitasse-a. – Deixe-me pelo menos fazer um café para nós.
— Não precisa se incomodar, Regina!
— Não é nenhum incômodo, Robin! – pontuou. – E, é o mínimo que posso fazer por todo o cuidado que você teve comigo. Por favor! – pediu.
— Tudo bem, mas saiba que você não precisa retribuir nada. Eu fiz de todo coração e faria de novo se precisasse. – disse.
— Fico feliz! – com certeza ela estava rindo como uma idiota nesse momento. – Você não quer tomar um banho para relaxar o corpo? Acho que vai ser bom depois de uma noite nessa poltrona.
— Acho que vou aceitar. – espreguiçou-se a fim de livrar-se de algumas tensões pelo corpo.
— Bom... Você já sabe o caminho. Tem toalhas limpas no armário, fique a vontade. – disse a morena. Pegou seu robe e envolveu em seu corpo, saindo do quarto em seguida.
Seus passos foram guiados até a cozinha para fazer o café da manhã para eles. Abriu a geladeira, pegando todos os ingredientes que precisaria. Não sabia do que ele gostava, mas esperava que ele ficasse satisfeito. Alguns minutos passaram-se e ela já estava com quase tudo pronto quando o loiro entrou em seu campo de visão.
Robin estava encostado no batente da cozinha olhando-a, alguns pingos d’água percorriam seu rosto por conta dos fios loiros ainda estarem molhados, os braços cruzados evidenciavam ainda mais seus músculos... E que músculos. Por alguns segundos Regina esquecera de como se respirava, ele parecia mais uma obra em exposição, e ela sentia-se agraciada por ser a única ali para admirá-lo.
— Oi! – disse um tanto quanto sem graça, como quem acabara de ser pega por algo.
— Oi! – respondeu com um sorriso acolhedor e um olhar intenso.
Ele poderia não se dar conta, mas quando olhava-a daquela forma, o mundo da morena parava.
— Eu não sabia do que você gostava, então preparei essas coisas. – falou, apontando para a mesa posta. –Têm ovos mexidos, panqueca, suco e claro, café.
— Não precisava ter tido todo esse trabalho. – descruzou os braços, olhando tudo que ela tinha preparado.
— Não foi trabalho nenhum. Vem, senta! – ela terminou de colocar a mesa e chamou-o para sentar-se à mesa junto dela.
Eles comiam em silêncio, apenas trocando olhares. Nenhuma palavra era necessária ali, não quando seus olhos conversam entre si. Eles conheciam-se tão bem que já sabiam os caminhos a trilhar.
A voz de Regina quebrara o silêncio que ambos estavam submersos.
— Olha... Eu queria te pedir desculpa por ontem, eu não sei nem com que cara vou te olhar depois de tudo isso... – começou a falar e um leve rubor já poderia ser notado em suas maçãs.
Antes que pudesse continuar, Robin interrompeu-a. – Você não tem que pedir nada, senhorita. – colocou o garfo no prato, descansando as mãos sobre a mesa, dando-lhe toda atenção. — Eu te falei que gostaria que você se sentisse a vontade comigo, e se você confia em mim para cuidar de você, é isso que farei. – disse, colocando sua mão por cima da dela apertando de leve. Uma sensação gostosa invadia-os enquanto eles sentiam a mão um do outro. Ela sorriu. – E você pode me olhar com essa cara mesmo, não tem problema.
— Palhaço! – deu-lhe um tapa no braço. Robin reclamou e eles riram. –Eu confio. – disse por fim.
Terminaram o café em meio a conversas e brincadeiras. Robin fez questão em ajudá-la a lavar a louça, mesmo com ela alegando que não precisava.
— Acho que está na minha hora. – Regina meneou a cabeça em afirmação, levantando-se junto com ele.
Eles caminharam lado a lado até a porta.
— A gente se vê? – perguntou já do outro lado da porta.
— A gente se vê. – garantiu com um sorriso brincando em seus lábios.
A ausência de palavras perdurou por alguns segundos no qual nenhum dos dois fizera questão de saber. Por eles, poderiam ficar assim por muito mais tempo, apenas mergulhados na conexão que suas orbes estavam envolvidas. Era como se ela estivesse ficando ainda mais forte com o tempo. Tempo. Será que ele agiria certo?
Fora a morena que quebrara o silêncio novamente, chamando-o.
— Robin? – saíram do leve torpor que estavam submersos, mas seus olhos ainda continuavam conectados.
Seria sempre desse jeito.
— Hm? – esperou que ela continuasse.
— Obrigado por ontem. – disse. – Por todo o cuidado que você teve comigo.
— Não seria diferente, Regina. – seus dedos tocaram-lhe a maçã do rosto pálido, em um afago delicado e carinhoso. – Eu faço com todo prazer do mundo. – um sorriso nascera no rosto da morena, o que fizera com que o coração do loiro palpitasse. Ah, como ele amava vê-la sorrir. Ele só poderia sorrir junto.
Nada precisou ser dito, seus sorrisos, por agora, eram as respostas para eles. Mesmo que as coisas ainda estivessem turvas. Ou, talvez, tão clara que os assustasse.
Lá estavam eles, a caminho da despedida.
O corpo dela fora ao encontro dele, em um abraço repleto de carinho e significado. Era sempre algo novo quando eles tocavam-se e ao mesmo tempo já tão conhecido pelos dois. Eles tinham o encaixe tão perfeito, que pareciam serem feitos do mesmo molde. Os braços dela estavam envoltos no pescoço do loiro, que por sua vez, tinha os seus encaixados na cintura da morena. Suas respirações estavam pesadas, ficava difícil de respirar com eles assim tão próximos.
Robin descansou a cabeça no vão de seu pescoço, inalando o perfume de seus cabelos negros. Ele amava o cheiro dela. Ele amava Regina Mills por completa. Por um instante, eles estavam conectados ao ali, naquele contato e no sentimento que ambos carregavam. Permaneceram naquela troca por mais tempo que o necessário, pois quando não assume-se o que sente, aproveita-se todos os segundos que lhes são dados.
Separaram-se e olharam-se por uma última vez. Sorriam com os lábios, com os olhos e, principalmente, com a alma. O loiro deixou um beijo casto na fronte da morena, saindo rumo ao elevador, deixando uma Regina pensativa para trás.
♡♡♡
Já havia passado um mês desde o aniversário de Zelena. Trinta dias. Trinta maravilhosos dias para ambos. A aproximação entre Regina e Robin nesse tempo fora inevitável. Eles amavam a companhia um do outro, tinham construído uma relação de amizade e companheirismo em meio há esse tempo. Mas, claro, com um sentimento mais intenso envolvido. Eles sentiam, mas não externavam tudo aquilo com palavras. Eles estavam ali, entre atitudes e cuidados, trocas de olhares... E que olhares! O sentimento estava no toque, na preocupação que ele tinha com ela, na saudade que eles sentiam um do outro quando não se viam, nas desculpas para se falarem. Em tudo.
A sintonia deles era inexplicável e qualquer um poderia ver. O último mês trouxera ainda mais certezas, eles só precisavam encará-las de frente. Talvez eles estivessem apenas seguindo o fluxo do destino. Talvez... E, só talvez, ele tivesse o momento certo.
— Eu amei o filme, sério! – disse a morena, enquanto eles adentravam o apartamento do loiro, com uma Regina bem animada por conta do filme que acabaram de ver, enquanto ele fechava a porta e caminhava até onde ela estava.
— Eu também gostei bastante. – falou aproximando-se do sofá, tirando os sapatos e deixando-os no canto.
— Robin Lockesley amante de comedias românticas. – falou, tirando também os sapatos e depositando-os ali. – Ainda não acredito. – gargalhou com a expressão do loiro.
— O que eu não faço por você, babe. – usou um tom de brincadeira, revirando os olhos em seguida.
— Bom saber. – sentou-se no sofá. – Vou lembrar-me disso quando quiser um hambúrguer duplo. – sorriu.
— Não abusa! Quer beber alguma coisa? – ela faz que sim com a cabeça. – Vou lá pegar, fica a vontade.
Robin seguiu até a cozinha para pegar duas cervejas, enquanto Regina o esperava no sofá. De uns dias para cá, essas cenas estavam virando rotina, quando ambos tinham tempo na agenda, ele na casa dela ou ela na casa dele. Nenhum dos dois eram amantes de rotina, e isso é mais pura verdade, mas, quando estavam juntos, tudo era algo novo.
O barulho da campainha pôde ser ouvido por todo o apartamento, Robin gritou da cozinha pedindo para que a morena atendesse. Regina fora até a porta e logo uma ruiva adentrou seu campo de visão.
— Já tá atendendo a porta? Então já posso dar graças aos céus por um passo na relação? – Regina deu espaço para que ela entrasse. Ao escutar as palavras da ruiva, a morena revirou os olhos em negação.
— Para de ser chata! Não tem passo nenhum aqui. – bufa.
— Ai que zangadinha! – zombou da amiga. — Me ajuda com isso. – entrega umas sacolas pra ela. – Cadê o Robin?
— Cozinha, sua folgada. – virou-se rumo à sala.
— Regina, quem er... – Robin voltava da cozinha com as duas cervejas em mãos. – Oi, ruiva! – falou quando viu Zelena sentada no sofá.
— Oi, Robb. – sorriu ao ver o amigo. –Trouxe sorvete. – apontou para as sacolas que Regina segurava.
— Chocolate?! –Regina perguntou animada. Parecia até criança ganhando um sorvete do sabor favorito.
— Claro né. Ou você iria ficar no meu pé, “por que não trouxe do meu saber favorito?” – imantando a voz da morena, fazendo com que Robin sorrisse.
— É bem assim. – gargalhou com a imitação da amiga.
— Não é nada. – disse emburrada.
— Okay, crianças. – ele entrega uma garrafa para Zel. – Deixe-me guardar essas sacolas. –Pega os sorvetes da mão de Regina e lhe entrega a outra garrafa da bebida, saindo em seguida.
— Como sabia que estávamos aqui? – perguntou curiosa, dando um gole na bebida.
— Vocês não se desgrudam, e como o shopping fica aqui perto, só juntei os pontos. – falou da forma mais natural do mundo.
— Também não é para tanto Zelena. – revirou os olhos mais uma vez. -Gostamos da companhia um do outro, o que tem de mais?
— Não disse que tinha ué. – deu de ombros.
— Você fica insuportável com essas insinuações. – bufou, jogando seu corpo contra o estofado do sofá.
— Que insinuações? – Robin que voltava da cozinha com uma bebida, perguntara.
— Que você e a Regina... – voltou sua atenção para ele.
— Nada! – Regina a cortou. – Até parece que não conhece a amiga que tem.
— Só faltou você no cinema, ruiva. – sentou no mesmo lado do sofá que Regina estava, passando um braço por seus ombros, alisando seus cabelos.
— Eu que não ia segurar vela, ainda mais em filme meloso. – disse, mostrando a língua para eles.
Zelena sorriu ao ver como Robin estava com a amiga. Eles demonstravam até sem querer, e a ruiva ficava sem acreditar que seus amigos fossem tão tapados ao ponto de não se darem conta do que sentiam um pelo outro e que, sim, era tudo tão recíproco.
Robin gargalhou das palavras dela. – Não tinha nada que segurar vela. Você está ficando muito exagerada. – tomou um gole da cerveja.
— Viu! – a morena confirmou.
— Vocês só podem ser cegos. – revirou os olhos em negação.
Os três permaneceram numa conversa bem animada. Falavam do filme e a ruiva insistia em pontuar como isso era coisa de casal. Claro que Zelena falava isso mais para provocá-los. Enquanto terminavam suas bebidas, eles riam de tudo o que a ruiva falava.
Decidiram tomar o sorvete que ela trouxera mais cedo, então Robin foi até a cozinha para pegá-los. Regina, que ainda estava sentada no sofá, levantou-se em seguida.
— Vou lá ver se ele precisa de ajuda. – Zelena apenas acenou, voltando a atenção para o celular.
— Vim ver se você precisa de ajuda. — falou, já entrando na cozinha.
— Eu já estava acabando aqui. – falou, tentando equilibrar os três potes nas mãos. A morena sorriu, indo até ele para pegar o terceiro pote. –Obrigado, senhorita!
— Imagina senhor! – mostrou-lhe a língua e o loiro gargalhou.
Eles estavam sentados sobre o tapete da sala, degustando cada um seu sorvete. A conversa voltava a fluir. A ruiva contava-lhes sobre as últimas matérias produzidas para a revista.
Como quem fosse aprontar, Regina sorriu sapeca para o loiro, e ele até poderia dizer o que ela estava planejando. A morena pegou a sua colher e “roubou” um pouco do sorvete que estava no pote do loiro, é, ele já adivinhara que ela faria isso. Robin balançou a cabeça em negação sorrindo com o jeito dela.
— Está sujo aqui. – falou baixinho. Com o polegar, ele tirou o excesso de sorvete que estava no canto dos lábios dela. E lá estavam eles perdidos no olhar um do outro novamente.
— Vocês estão prestando atenção no que estou falando? – a voz de Zelena os afastou da bolha que estavam mergulhados, sempre acontecia a cada nova troca de olhar que davam. Robin recolheu a mão de onde estava.
— Claro! – responderam em uníssono.
O barulho da campainha alertara que alguém havia chegado. Robin levantou-se, indo até a porta, levando um susto ao ver quem era.
— Surpresa! – a mulher a sua frente disse animada, com um sorriso de covinhas idêntico ao seu.
— Mamãe?! – falou surpreso, abrindo um imenso sorriso em seguida.
— Claro que sou eu, filho. – sorriu para seu garoto.
— Oh, deus! Que surpresa. – envolveu-a em um abraço apertado. – Por que não me disse que viria? Iria te buscar no aeroporto. – afastou-se um pouco do abraço para olhá-la e depois abraçou-a mais uma vez. Ele sentira tanta saudade de sua mãe.
— Estava com saudades e resolvi fazer uma surpresa. – tinha suas duas mãos no rosto do loiro, acariciando com o polegar. – Como estão as coisas? Você esta se alimentando direitinho? – perguntou, analisando-o. Ele sorriu novamente, essa era sua mãe, o cuidado e a preocupação em pessoa.
— Venha, vamos entrar! Deixa eu te ajudar com a mala. – pegou a mala do chão, colocando para dentro do apartamento. – Está tudo em ordem. – fechou a porta e colocou a mala próxima à mesinha que tinha ali, logo após se dirigiam até a sala, abraçados.
Regina e Zelena continuavam nas mesmas posições de alguns minutos atrás. A morena ria da última pérola que a mais velha acabara de soltar. Quando notou que Robin estava voltando, e acompanhado, tratou logo de se recompor. A ruiva acompanhou o olhar da amiga e, imediatamente, um sorriso brotou em seus lábios, levantando-se em seguida.
— Tia Eliza, que surpresa! – falou, indo ao encontro dos braços da mais velha.
— Querida! – apertou-a ainda mais. Logo em seguida, afastaram-se alguns centímetros para olhá-la. – Como você esta linda, não mudou nada.
— Obrigada! A senhora também está uma gatona. – Eliza sorriu. Zelena não havia mudado nada mesmo.
Regina observava a cena e sorriu de canto com a loucura da amiga. Alguns segundos depois, as atenções estavam todas voltadas a ela.
— E quem é essa moça tão linda? – perguntara, referindo-se a morena. Ela não deixou de sorrir com o elogio.
— Mãe, essa é Regina. Regina, essa é minha mãe, Dona Eliza. – Robin tratou logo de apresenta-las. Em seu íntimo tinha um desejo que as duas se dessem bem.
— Prazer em conhecê-la, Dona Eliza. – disse. A mais velha acolheu-a em um abraço apertado, daqueles que só as mães sabem dar.
— O prazer é todo meu por conhecer uma jovem tão encantadora assim. – dera um sorriso em direção a Regina, ela tinha o mesmo sorriso que Robin, um sorriso de covinhas que desestabilizava todo seu mundo. Retribuiu com o mais genuíno dos risos. –Sem dona, só Eliza, querida!
— A senhora que é muito encantadora. – disse.
— Sem senhora também, por favor! – Regina meneou a cabeça em sinal de positivo. – Filho, você me ajuda com a mala? Preciso de um banho.
— Claro mãe! Vou te levar para o quarto de hóspedes. – pegou a mala de onde tinha deixado mais cedo e guiou a mãe para o quarto.
— Já volto garotas. – comunicou antes de sair.
Robin acomodou a mãe no quarto de hóspedes, deixando-a sozinha para que pudesse tomar um banho e relaxar. Voltou para a sala, continuando a conversa com as meninas.
Algum tempo depois, Eliza voltou para a sala, juntando-se aos três. Eles riam das historias que a mais velha contava sobre a infância de Robin, do que ele e a ruiva aprontavam juntos. Robin pontuava que era tudo por influência da amiga. Hora ou outra, Robin e Regina trocavam olhares e sorrisos, coisa que não passou despercebido pelos olhos cor de oceano da senhora, que eram exatamente iguais aos do filho.
Desde que chegara, Eliza notara algo a mais entre eles. Algo que, com todos esses anos de experiência, ela sabia exatamente o que significava. E vendo eles ali, trocando olhares e sorrisos entre eles, em um mundo em que só os dois existiam, ela poderia ter certeza dos sentimentos. Gostara de Regina de primeira, pelo simples fato do filho estar sorrindo da forma que estava. Aquilo, definitivamente, aquecia o coração de uma mãe. Ela só precisava de uma resposta, e sem cerimonias, a pergunta fora feita.
— Não quero ser indelicada, mas vocês dois são namorados? Não sei o que vocês jovens denominam hoje em dia. – soltou e viu o rosto da mais nova adquirir um tom avermelhado.
— Mãe! – Robin que estava deitado no colo da senhora, aproveitando para matar um pouco mais a saudade que sentira, levantou-se em um súbito, repreendendo a senhora. – Desculpa Regina! – suas palavras se dirigiam para a morena que se encontrava vermelha.
— Está tudo bem, Robin. – tentou não transparecer o quanto aquela pergunta a afetava. – Ela não falou por mal.
— Somos só amigos, mãe. – Robin falou, sem nenhuma convicção em direção à mãe.
— Amigos. – sorriu.
— Ainda! – claro que a ruiva não deixaria escapar. Regina deu uma cotovelada na ruiva, que reclamou de prontidão.
As horas foram passando-se e eles não perceberam, até que noite aproximasse-se.
— Hm... Acho que já está na minha hora. – Regina disse. Recebendo a atenção dos outros três que estavam ali.
— Então acho que vou com você. – elas já estavam levantando-se, quando a voz de Eliza fez-se presente.
— Ah, não! Fiquem para o jantar, não aceito um não como resposta. – disse convicta.
Robin riu, sabia que ela não aceitaria um não de forma alguma. – E ela não aceita mesmo. – pontuou.
— Tenho que concordar. – Zel soltou e todos riram.
— Então okay. – disse por fim.
— Ótimo! Deixe-me ver o que tem na cozinha para que eu possa preparar o jantar. – levantou. – Espero que você tenha passado no mercado querido.
Robin seguiu até a cozinha com a mãe para mostrar-lhe onde tudo ficava localizado, perguntara se precisaria de alguma ajuda, tendo em resposta a negação da senhora, que lhe aconselhara em aproveitar a companhia de suas amigas e em especial, uma certa morena. Riu das palavras da mãe, sabia que o “amigos” não tinha convencido-a nem um pouco.
Voltou para sala encontrando Regina sozinha, concentrada em alguma coisa no celular. Chegou por trás cobrindo os olhos dela, que sorriu com aquilo. Pegou as mãos dele, afastando-as de seu rosto e elevou seu rosto para que pudesse vê-lo. Robin beijou-a na testa e em seguida jogou-se no sofá. Regina arrumou a postura para que ele deitasse em seu colo.
— Cadê a Zel? – perguntou de olhos fechados, sentindo os dedos de Regina adentrarem seus fios loiros.
— Banheiro. – respondeu.
— Me desculpa mesmo, pelo que minha mãe falou. – começou a falar. –Não queria que se sentisse incomodada.
— Não me senti. – as palavras saíram por entre seus lábios antes mesmo que ela percebesse.
— Não? – abriu os olhos, querendo ver a expressão em seu rosto.
— Não. Só fiquei surpresa, mas tudo bem. – sorriu sem mostrar os dentes. – E não foi nada pior do que a Zel costuma falar. – eles riram concordando.
Logo a ruiva juntou-se a eles e engataram uma conversa qualquer, assunto entre eles não era um problema. Depois de algum tempo o jantar estava pronto e eles ajudaram a colocar a mesa.
Seguiam em um jantar bastante agradável.
— Então, Regina, me fale um pouco mais sobre você. – perguntou Eliza, voltando sua atenção para a figura da morena a sua frente. – Onde vocês três se conheceram?
— Bom, fiz faculdade de administração, e desde então administro algumas coisas da minha família, junto com meu irmão, Killian. – começou a falar, respondendo a pergunta da mais velha. — Conheci a Zel na faculdade, e o Robin... Bom, nos conhecemos no Central Park, acho que nos primeiros dias que ele chegou aqui. – olhou-o nos olhos, voltando a mirar Elisa.
— E de lá pra cá ela não para de me amar. – Zelena pontou, fazendo com que Robin e a mãe rissem.
— Cada dia que passa você fica mais convencida. – mostrou-lhe a língua.
— Fico feliz que eles tenham conhecido você, você parece-me a mais ajuizada. – sorriu para a ela.
— Tia, com certeza a mais centrada sou eu. – Zelena pontuou.
— Claro! Muito centrada. – o loiro falou debochando dela.
O jantar estava totalmente descontraído. Dona Eliza ria dos comentários e alfinetadas que Zelena soltava para os dois. Os três afirmaram o quanto todo o jantar estava delicioso, recebendo agradecimentos vindo da mais velha.
— Filho, a Rose me contou que o seu pai falou com ela sobre você. – as palavras saíram antes mesmo que a senhora se desse conta. Quando veio à tona o que dissera, Eliza odiou-se por isso, sabia o quanto esse assunto deixaria o filho incomodado.
— Sobre mim? – questionou. Seu semblante já tinha mudado com as palavras da mãe.
Regina e Zelena apenas observavam os dois. A morena lembrava-se o quanto o assunto o tinha afetado na festa da ruiva e o quanto estava afetando-o agora.
— Esqueça o que eu disse, hm. Não tem importância. – quis convencê-lo a deixar o assunto para lá, mas o loiro queria saber.
— Mãe! Começou, agora termina. – sua voz saiu em um tom indecifrável.
— Ela me contou que ele a procurou para saber quando você voltaria para Londres e... – falou, sabia que isso machucaria o filho, e se odiava nesse exato momento por ter tocado nesse assunto. Soltou o ar que nem se dera conta que estava prendendo antes de continuar. – Que tudo isso tinha passado dos limites e que você voltaria implorando.
Em um rompante, Robin levantou-se da mesa, caminhando a passos largos para a saída. Regina que acompanhava toda a conversa tratou logo que ficar de pé.
— Filho... – chamou-o.
— Pode deixar, Don... Eliza. Vou atrás dele. – falou rapidamente. – Obrigada pelo jantar. – a morena saiu com pressa atrás dele.
Quando a mais velha fez menção de ir atrás, a voz de Zelena preencheu o ambiente. –Acho que é melhor deixar que ela vá atrás dele, Tia. – aconselhou-a.
— Eles se gostam, não é? – perguntou, mesmo já sabendo da resposta.
— Só são cegos demais para perceber o que está escrito na testa de cada um. – suspirou.
— Alguma coisa me diz que não esta longe de acontecer. – comentou.
Regina corria para alcançá-lo, mas parecia que o loiro tinha algum tipo de poder para andar tão rápido como naquele momento. Até que viu-o quase saindo do prédio.
— Robin! – gritou para que ele a ouvisse. Quando viu que ele havia parado, apressou ainda mais os passos. – Robin, quase não te alcanço. Você está bem? – ele tinha uma feição distante.
— Bem não é a melhor palavra. – respondeu com um fio de voz.
— Você quer conversar? – desde que o conhecera, Robin sempre tinha um sorriso estampado no rosto, vê-lo daquele jeito cortava o coração da morena.
— Acho que aqui não é um bom lugar. – olhou-a. — Eu só queria poder respirar, sabe.
— Eu sei exatamente um lugar. – virou a palma da sua mão no ar e olhou em sua direção. – Vamos fugir desse mundo, nem que seja por algumas horas?
Ele nada disse, mas, palavras não eram necessárias quando tinham seus olhares como resposta. Robin cobriu a mão dela com a sua e com aquele ato, seu coração sentiu um pouco mais de paz diante da agonia de minutos atrás.
Regina guiou-o até o carro dele, pegou as chaves e seguiram rumo ao lugar que a morena escolhera.
Eles estavam em silêncio, Robin olhava para a janela, admirando o caminho que eles seguiam. Mills não quis invadir seu momento, achou melhor dar o espaço que ele precisava. Focava na estrada, torcendo para que o lugar tivesse o mesmo poder sobre ele como tinha sobre ela.
Depois de algum tempo de estrada, eles chegaram a um campo afastado de toda loucura da cidade. A sensação de paz fora imediata. O lugar era perfeito, um vasto campo verde e coberto de todos os tipos de flores, onde o aroma delas poderia ser sentido de longe. Tinha algumas árvores grandes e majestosas mais afastadas. Ali, o ar parecia ser mais puro e as estrelas mais brilhantes. O céu negro parecia até uma pintura, tamanho eram os pontos brilhantes diante de toda aquela imensidão. Era magnifico. A luz da lua dava um toque de magia a mais. Um lugar perfeito para quem buscava fugir um pouco do mundo.
♪♫ Heaven – Boyce Avenue ♫♪
Os olhos azuis contrastavam com a luz da lua. Robin olhava tudo ao redor e mesmo que tenham chegado há pouco, sentia como se ali fosse um mundo particular em que nenhum problema os atingiria. Trancaram o carro e, de mãos dadas, seguiram para o descampado.
O vento brincava com os fios negros de Regina, como se em uma dança estivessem. Ele a observava de soslaio, e sentia-se agradecido por ser ela ali.
— Como descobriu esse lugar? – as palavras dele cortaram o silêncio do lugar.
— Eu queria achar um lugar que eu pudesse respirar e contemplar as estrelas, e acabei aqui. – eles olharam-se e sorriram cúmplices. – Vem, podemos deitar aqui.
Eles deitaram sobre o gramado verde, um ao lado do outro, e por alguns minutos ficaram apenas observando as estrelas. Talvez elas tivessem algo para dizer-lhes.
— Esse lugar tem uma coisa especial. – disse e ela sorriu. Eles permaneciam nas mesmas posições.
— Tem sim, é quase mágico. – disse. – Ou apenas seja porque estamos conectados intensamente com a natureza.
O silêncio preencheu o lugar por mais alguns segundos até que a voz dele fora ouvida.
— Você deve estar me achando um louco que foge de jantares do nada. – soltou.
— Claro que não! Você certamente deve ter um bom motivo para isso. – sua voz era suave. – E, tudo bem se não quiser me contar. Te trouxe aqui, porque aqui me sinto segura, queria que você se sentisse também, independente dos problemas. – deixou que as palavras escapassem por entre seus lábios.
— Eu quero... – respirou fundo. Iria por para fora toda a angustia que sentia diante das cobranças feitas pelo pai. Regina ficou em silêncio, esperando que ele falasse o que tinha deixado-o daquele jeito. – Minha relação com meu pai é péssima, desde que eu me entendo por gente ele sempre dava um jeito de que as coisas seguissem o rumo que ele queria... – a voz dele estava afetada e em súbito, Regina juntou sua mão a dele, dando conforto para que continuasse. – Para ele eu teria que ser perfeito em tudo que me propusesse a fazer, porque eu era um Locksley. Nada do que eu faça será suficiente para Jonh.
— Eu sinto muito. – suas palavras saíram como um sussurro.
— Obrigado. – virou o rosto na direção da morena, observando-a. Logo depois, tinha a face voltada para as estrelas. – Pode parecer besteira, mas crescer sem a aprovação de seu pai em qualquer coisa que você faça é frustrante. Sabe, ele só me via como seu sucessor na empresa, jogava suas cobranças e nem sequer importava-se com o quanto aquilo me afetava. – ao ouvir aquelas palavras, a morena apertara ainda mais sua mão na dele, incentivando-o a continuar e tirar todo aquele peso que carregava consigo. –Ele vivia repetindo que para que eu fosse o melhor, eu teria que ser o primeiro em tudo. Perfeito. E eu me esforçava para isso, Regina. Juro que me esforçava. – sua voz já saia um pouco mais embargada.
— Eu sei disso, meu bem. – afagou com o polegar as costas da mão dele.
Ele continuou. – Enfim... Ele me cobrava em absolutamente tudo que você imaginar e eu sempre tentava correspondê-lo. Não queria desapontá-lo, sabe. As brigas entre meus pais sempre tinham isso como razão, minha mãe dizia que ele pegava pesado demais comigo e ele dizia que ela me protegia demais.
— Sua mãe é um amor. – concluiu com um sorriso de lado.
— Sim, ela é. – sorriu ao lembrar do quanto Dona Eliza apoiava-o. -Ela sempre tentava suprir o apoio que não recebia dele. Me senti culpado quando o casamento deles acabou.
— Mas a culpa não foi sua. As mães sempre protegem seus filhos, eu ainda não sou, mas é exatamente assim que acontece. Você não tinha como prever que o casamento de seus pais não daria certo. – deixou que tudo que estava pensando saísse. – A escolha fora exclusivamente deles.
— Você tem razão. – pensou em tudo o que ela acabara de falar. Ele não tivera culpa na separação dos pais, isso foi uma decisão deles. Somente deles. – Então depois de muito aguentar, resolvi que era hora de andar com minhas próprias pernas. Eu não queria mais ser fantoche das decisões do meu pai ou que ele estivesse envolvido diretamente em tudo o que eu fizesse. Pode parecer ingratidão de minha parte, mas eu não suportava mais o peso de suas cobranças e o quanto eu não era a perfeição de pessoa que ele queria. Decidi largar tudo e vir para Nova York, e foi a melhor decisão que tomei. – ele sabia que tinha sido, fora pelo trabalho e, por um motivo ainda mais especial, ele a tinha ali, com os dedos entrelaçados aos seus, não poderia querer estar em qualquer outro lugar que não ali.
— Eu imagino o quanto deve ser difícil quando temos tantas responsabilidades jogadas em nossas costas assim. Mas, você deu o primeiro passo que foi ser o adulto que você é, andar com suas pernas e não deixar que seu pai tivesse mais controle por você.
Ele escutava todas as palavras dela atentamente. O vento estava mais frio, e maldita hora que ela saíra apenas de camiseta. Robin percebeu, e sem nem pensar duas vezes, envolveu seu corpo em um abraço. Trouxera a morena para mais próximo de si, eles agora estavam envolvidos pelo calor um do outro. Regina tinha a cabeça apoiada em seu peito, e ele tinha uma de suas mãos nas costas dela, alisando por cima do pano da camiseta branca.
“Baby, you're all that I want
When you're lying here in my arms
I'm finding it hard to believe
We're in heaven...”
“Meu bem, você é tudo o que eu quero
Quando você está aqui deitada em meus braços
Eu acho isso difícil de acreditar
Estamos no paraíso...”
— Eu tenho medo. – sua voz saiu tão baixa que se não fosse o silêncio em que estavam mergulhados, a morena não conseguiria ouvi-lo.
— Medo? – perguntou-o confusa.
— De não conseguir ser um bom pai. Por só ter recebido cobranças do meu e com isso eu não conseguir ser um bom pai para meu filho, não ser tudo aquilo que uma criança merece...
— Você vai ser um pai maravilhoso. – ela cortou-o.
— Como você pode ter tanta certeza disso? – olhou-a.
— Você é o cara mais incrível que eu conheço. – parou de falar por alguns segundos. Seu coração começava a bater mais forte. – E eu vi o jeito como você tratou Henry. Você nem o conhecia e ele ficou completamente apaixonado por você. Então, Locksley, eu tenho certeza que você vai ser o melhor pai de todos.
— Você também vai ser uma mãe maravilhosa. Sorte da pessoa que você escolher para construir sua família. – ele poderia dizer que se candidataria para isso, que gostaria de ser o homem que ela amasse, que gostaria de ser o pai de todos os filhos que ela tivesse. Mas nada disse.
— Obrigada. – sorriu contra o peito dele, e ele poderia imaginar seu sorriso naquele momento.
— Obrigado por ter me trazido aqui. – continuava a alisar suas costas. Enquanto ela brincava com o botão de sua camisa. – Foi muito importante para mim essa conversa.
— Eu fico feliz que você tenha confiado em mim para contar sobre isso. – ela lembrara-se das palavras de Zelena no aniversario da ruiva. Regina estava feliz em saber que o loiro confiava nela e com toda certeza esse sentimento de confiança era reciproco.
— Eu sempre vou confiar.
“Yeah, nothing could change what you mean to me
Oh, there's lots that I could say
But just hold me now
'Cause our love will light the way...”
“É, nada pode mudar o que você significa pra mim
Oh, tem muitas coisas que eu poderia dizer
Mas só me abrace agora
Porque o nosso amor vai iluminar o caminho...”
Quando ela iria responder, uma luz fora vista rasgando a escuridão do céu negro e como se estivesse vendo a coisa mais maravilhosa do mundo, Regina se pôs de pé rapidamente.
— Olha, Robin! Uma estrela cadente. – apontou para o céu. — Faz um pedido! – pediu animada. O loiro já estava de pé ao seu lado e o sorriso brotava imediatamente por ver a animação dela. Eles estavam um de frente ao outro, sorriam. – O que você pediu? – perguntou ela.
Em um segundo, suas orbes estavam conectadas como em incontáveis vezes estiveram. Mas, tinha algo de diferente. O azul flutuava nas orbes castanhas dela, procuravam decifrar toda a imensidão de suas galáxias. O âmbar mergulhava em seus oceanos. Oceano esse que se fazia cais, que de tão denso não deixava que ela afundasse. Eles estavam mais uma vez, em todo esse tempo, mergulhados um na alma do outro. Em uma guerra na qual não haveria ganhador. Eles gritavam para que ambos pudessem escutar, para que eles seguissem o que seus corações estavam ansiando desde o primeiro dia.
Robin levou uma mão até o rosto pálido dela, acariciando sua bochecha. Quando sentiu o toque em sua face, Regina fechou os olhos. Um vapor denso saia entre seus lábios, tamanho era o frio que se fazia no momento. Suas respirações já encontravam-se descompassadas. Sem que percebessem, seus corpos já estavam mais próximos que antes, a mão livre dele fora de encontro com a cintura dela e aquele ato fizera com que todo o corpo da morena estremecesse ainda mais, mas aquilo não era pela temperatura externa.
— Qual foi o seu desejo? – ele sussurrou. O hálito quente fora sentindo contra sua pele. Mills abriu os olhos lentamente, conectando novamente suas miradas, como um imã atraído por um metal.
— Desejei que você cumprisse o seu. – disse, totalmente mergulhada na tensão que seus corpos estavam externando naquele momento, no que os olhos do loiro gritavam para os seus, nas malditas borboletas que pareciam mais ferozes que o normal, apostando corrida em seu âmago.
A intensidade com que o loiro a olhava era surreal, era como se ele estivesse lendo sua alma, alcançando seus mais profundos desejos.
Ele a tirava dos eixos.
Robin seguia tão ansioso quanto ela, uma sensação inconfundível que ele só sentira quando estava na companhia da morena, que invadia seu interior sem cerimônia alguma.
— Eu sempre cumpro. – disse, com um sorriso de lado brincando em seus finos lábios.
Tudo era tão intenso, penetrante... O ar parecia esvair-se de seus pulmões. O medo ainda estava ali, mas eles não podiam e nem queriam mais ignorar todo aquele desejo de descobrirem-se.
Não havia mais o que esperar, nenhuma palavra a ser dita. Seus olhos respondiam a todo e qualquer questionamento, e eles teriam que decifrá-los. Os olhos dele escureceram e os dela gritavam para que fizessem aquilo.
Em súbito, Robin aproximou ainda mais os corpos, pressionando um pouco mais a cintura dela. Eles estavam tão próximos que poderiam sentir o descompassar de seus corações e suas respirações totalmente desreguladas. Agora eles queimavam com tanta proximidade e seus corpos vibravam com tamanha expectativa.
Olhou-a mais uma vez.
Talvez o senhor destino tenha preparado o momento deles desde o princípio.
Sem esperar mais um segundo, o loiro colou seus lábios finos nos lábios de Regina, e puderam sentir cada célula de seus corpos tremerem com o ato. O beijo começara calmo, tímido, apenas descobrindo o caminho a se trilhar, desvendando cada centímetro um do outro. Um beijo que acalmavam ambos os corações ou simplesmente, incendiara tudo de uma vez. Um beijo que externava todo o sentimento que existia entre eles. Um sentimento que estava ali, apenas a espera de que eles pudessem enxergá-los.
Robin pedira passagem com a língua e sem pensar muito, Regina dera. Seus dedos emaranharam-se nos fios negros dela, tentando diminuir ainda mais a distância que eles estavam. Eles queriam aprofundar ainda mais aquele contato, como se quisessem fundir seus corpos. A morena tinha suas duas mãos sobre os braços dele, deixando uma certa pressão a medida que o beijo intensificava-se. Suas línguas lutavam numa batalha por dominância, na qual eles sabiam que não existiria vencedores.
Seus pulmões imploravam por ar e quando este fizera-se totalmente necessário, os lábios desgrudaram-se, findando o beijo com alguns selinhos castos.
Era nítido que nenhum dos dois queria terminar com aquilo.
Ainda de olhos fechados e as testas coladas, ambos tentavam normalizar as respirações, mas em vão.
Aos poucos eles abriram suas orbes, que conectaram-se pela primeira vez depois do beijo. Ambas brilhavam com a luz da lua. Eles sorriram. Algo novo surgira dentre deles, algo bom... Algo muito bom. Locksley delineou os lábios carnudos dela com o polegar, como quem não acreditava que os seus acabaram de tocá-los.
— Eu quis fazer isso desde a primeira vez que te vi. – a voz dele saiu descompassada.
— Você pode fazer de novo, se quiser. – sorriu sem jeito.
Não precisou pensar muito, em segundos, seus lábios estavam grudados outra vez. Diferente do primeiro, esse tinha mais urgência. Era um beijo carregado de tudo que não tinha sido dito em palavras. Um beijo que ambos queriam ter dado desde o primeiro contato que tiveram, só não tinham coragem de externar em palavras. Um beijo intenso, como tudo o que eles sentiam. Como eles eram.
Regina envolveu o pescoço do loiro com seus braços, que por sua vez envolveu a morena nos seus.
Findaram o contato por alguns instantes, quando o ar novamente estava escasso em seus pulmões.
— Eu também quis isso desde a primeira vez que vi você me olhando. – agora era ela quem tinha a voz descompassada.
O loiro sorriu tão abertamente para ela que suas covinhas poderiam ser vistas. Ele inundava seu coração com tantos sentimentos bons. Regina puxou-o pela gola da camisa, colando suas bocas mais uma vez.
Aquele campo, denominado de paraíso particular da morena fora o palco perfeito para que reproduzissem seu próprio e tão aguardado espetáculo.
E agora, com toda certeza, ali seria um lugar especial para o loiro também.
“...You're all that I want
You're all that I need”
“...Você é tudo o que quero
Você é tudo o que preciso”
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