Sempre foi Você
16 Quando se compartilha bons momentos
Já estava para completar-se duas semanas depois daquele primeiro beijo que trocaram, no campo; sobre toda aquela imensidão de estrelas, que serviram como telespectadoras da cena na qual o loiro e a morena foram os protagonistas, onde compartilharam seus gostos pela primeira vez.
Há alguns dias decidiram deixar o tempo guiá-los. Aliás, ele sempre fez isso muito bem, não fez? Há alguns dias que passaram de amigos, para “o que o senhor tempo quisera que eles fossem”. E eles não poderiam estar melhores, era inegável a conexão que ambos tinham antes mesmo de se conhecerem, talvez, estivesse mesmo escrito. Talvez, o destino estivesse mesmo pregado essa peça nos dois. De juntá-los em uma manhã de outono. Um dia qualquer, sem muito significado, mas que, depois daquele momento ganhara todos os possíveis significados para os dois.
Duas semanas em que seus corações estavam descobrindo como era muito melhor baterem em um único ritmo; um ritmo ao qual só eles compartilhavam. Duas semanas que não queriam deixar de sentir suas bocas uma na outra, e, consequentemente, todo o sentimento que o ato trazia consigo. Duas semanas que sentiam-se completos. Duas semanas.
A estação do ano na qual eles conheceram-se, que tornaram-se amigos, e que descobriram que tudo que sentiam — quando seus orbes estavam em total conexão — ia muito além do que uma amizade, chegara ao fim. Agora o outono dava lugar ao inverno, as folhas secas e de cores alaranjadas, que acrescentava um toque de beleza a mais ao chão, dava lugar aos incontáveis grãos de neve. O laranja cedia lugar ao branco. E a aconchegante temperatura da época anterior, dava espaço para o frio constante. Mas, igualmente acontecera no outono, eles poderiam transformar o inverno em mais uma estação com significados, do jeito que só os dois entendiam. Do jeito que Regina e Robin sentiam.
Regina observava pelo vidro da janela de seu apartamento a pigmentação branca que tomava conta das ruas e árvores. Observava as pessoas tentando manterem-se aquecidas do frio que já estava presente, com seus casacos pesados e cachecóis quentinhos.
O inverno de Nova York era indescritivelmente lindo, mas igualmente frio. Seus olhos castanhos fitavam toda aquela multidão, que mais pareciam formigas caminhando, para lá e para cá, com a pressa de sempre. Seguia alheia a qualquer coisa que pudesse estar acontecendo, permanecia inerte com os pés descalços e uma caneca de chocolate quente fumegante em mãos, bebericando o líquido vagarosamente.
Ali, observando o fluxo de pessoas e carros, ela esperava o loiro chegar. Locksley ligara mais cedo dizendo que eles teriam um programa para mais tarde e, como sempre, quis manter segredo.
Ah Robin... Pensar no loiro de olhos azuis, e que aquecia seu coração mais que chocolate quente no inverno, só reforçava o quanto a decisão de entregar-se ao sentimento que acometera em relação a ele, fora a decisão mais acertada. Tudo parecia mais fácil ao seu lado, ele fazia com que ela se sentisse a mulher mais especial, mesmo com pouco tempo de uma relação a mais que amizade, aquela sensação ela pode sentir bem antes que estivessem envolvidos amorosamente. Na verdade, ele sempre a fizera sentir-se assim, sempre a tratara de forma especial e única. Perguntava-se o porquê de terem demorado consideráveis dias para se entregarem ao que estava tão óbvio desde o começo, aquilo que sentiam desde que seus orbes conectaram-se e foram capazes de assumir mais rapidamente que as palavras. Ela realmente não saberia dizer, talvez medo; sim, o medo fora um dos grandes culpados. O medo de que não fosse recíproco, o medo de que não fosse real, o medo de estar indo rápido demais... O medo.
Mas o que seria ir rápido demais, quando o próprio coração fizera um acordo com o tempo? Pois é, não existe marcação de tempo entre eles, entre o que sentem. Eles só sentem, e talvez, tenham demorado um pouco a perceber o que as íris refletiam.
Mas agora que se deram conta, nenhum deles estavam disposto a deixarem tempo algum escapar.
Mais um gole na xícara e o conteúdo já estava no fim. A campainha tocou, arrancando a morena de tais devaneios, trazendo-a rapidamente para a realidade na qual ela estava a espera do homem que fazia seu coração querer saltar da boca sempre que o via.
De imediato um belo sorriso se fez presente em seu belo rosto. Saiu de perto da grande janela, e caminhou até a porta, depositando a caneca de porcelana sobre o móvel que ficava próximo à saída. Sua mão fora ao encontro da maçaneta de cor prateada, girando-a sem muito demorar.
Quando abrira a divisória de madeira que os separavam, dera de cara com o dono de seus pensamentos, com um sorriso de covinhas que parecia iluminá-lo ainda mais. Estava lindo e devidamente encasacado. Seu coração traiu-a, com batimentos desregulados. Regina retribuiu de imediato o sorriso, na mesma proporção e, meio segundo depois, o loiro colou seus lábios em um selinho de cumprimento.
— Oi morena! – disse, sorrindo para ela. Apertou-lhe contra o corpo, em um abraço demorado, que dava a Locksley a chance de sentir o cheiro de seus fios.
— Oi! – respondeu-o. Logo depois que seus corpos separaram-se por alguns centímetros, a morena buscou os lábios dele, para mais um beijo.
Um beijo mais intenso e demorado. Um beijo para matar um pouquinho a saudade que eles sentiam a cada badalar do relógio. Quando o ar se fez necessário, desfizeram o contato.
— Hm, gosto de chocolate! – Robin disse, referindo-se ao gosto que sentira da boca dela.
— Estava tomando chocolate quente agora a pouco. – confidenciou-lhe, sorrindo de canto. Presenteando-lhe com mais um selinho. – Posso te fazer um, se quiser.
— Não precisa incomodar-se, meu anjo, estou bem! – ela assentiu.
Regina dera passagem para que ele entrasse, fechando a porta em seguida. Robin tirou as roupas de frio, pendurando-as no ‘coloca casacos’ e os sapatos, deixando-os perto da porta, seguiram juntos até a sala de estar.
O loiro sentou-se no sofá e puxou a morena para perto de si, colando as costas dela em seu peito. Começou a fazer um carinho em seus fios escuros, logo ela encostou a cabeça no peito dele. Ficaram alguns minutos em silêncio, curtindo apenas o carinho e a companhia um do outro.
— Para onde nós vamos? – a voz da morena quebrara o silêncio que perdurava entre eles.
— O que você tem de linda, tem de curiosa. – disse, soltando uma risada curta, zombando de como ela não parava de perguntar qual seria o destino deles.
— E o que você tem de lindo, tem de chato! – disse, virando o rosto em sua direção, e roubando um selinho do loiro em seguida.
— Ah é? – Robin perguntara, fingindo uma falsa decepção.
Em um rompante o loiro virou-a, de forma que ficasse de frente para ele, e com um sorriso travesso, derrubou-a com cuidado no sofá, distribuindo varias cosquinhas por sua barriga. Uma gargalhada explodiu por entre os lábios da morena, e ele sorriu junto. Ela se contorcia por baixo dele, a fim de libertar-se do ato, o que fora em vão, afinal, Robin era muito mais forte que ela.
Regina já não aguentava mais, sua barriga doía de tantas risadas causadas pelo ataque de cócegas.
— Robin... Para! Por favor! – suplicou em meio às gargalhadas.
Parecendo compadecer-se do “sofrimento” da amada, o loiro sessou o movimento dos dedos, observando-a enquanto seu tórax subia e descia, a fim de tranquilizar a respiração acelerada. Seus pares de íris cristalinas fitavam cada traço daquele rosto que emoldurava constantemente seus sonhos. Por deus, ela era linda! Ele não cansaria nunca de repetir aquilo.
Não demorou mais que dois segundos e Locksley inclinou seu corpo sobre o dela, mas sem deixar que o peso do mesmo a machucasse. Uma de suas mãos estava na altura do rosto da morena, servindo de apoio para o loiro. Eles tinham seus orbes alinhadas, ambos com sorrisos sinceros tamborilando entre seus lábios.
Robin não pensou... Não quisera pensar. Diminuíra a distancia entre eles, de forma que se tornara quase inexistente. Colou seus lábios finos aos dela, em um beijo diferente do qual deram há minutos atrás; tinha urgência no contato. Beijou-a com intensidade, e ela de bom grado retribuiu, dando ainda mais passagem para que a língua quente e macia do loiro tirasse a sua para uma dança. Uma dança ensaiada e que só eles sabiam a coreografia. Suas bocas pareciam mais quebra-cabeças, completavam-se como se uma fosse o encaixe único da outra.
A outra mão dele fora ao encontro do rosto dela, acarinhando-o com o polegar. Os pulmões de ambos já suplicavam por ar, o problema é que eles pareciam não entender que tudo o que Robin e Regina queriam no momento era isso. Não queriam desgrudar seus lábios, desfazer aquele contanto tão bom e... Quente. A troca de gostos deles ficava cada vez mais viciosa.
Quando o ar se fizera mais que o necessário, eles finalizaram o beijo. Mas não de imediato, o loiro sessara o contato gradativamente dando-lhe selinhos molhados. Regina parecia mergulhada em um torpor, e a distância dos lábios dele fizera com que ela abrisse os olhos lentamente. O azul buscava o castanho, e este, como consequência, já estava a seu alcance.
Um sorriso brotou nos lábios dela, fazendo com que nascesse de imediato um no rosto do loiro.
— Pode retirar o que disse, — os olhos chocolates o analisaram por alguns segundos como quem quisera descobrir do que se tratava. — de que eu sou um chato? – completou, perguntando com uma falsa inocência refletida em sua face. – Isso magoa. – fez bico igual criança pequena.
E lá estava ela outra vez, a risada mais gostosa que ele tinha o privilégio de escutar, aquele som fazia com que seu coração se aquecesse de maneira inimaginável. Saber que ela sorria daquela forma e por ele, fazia com que seu coração batesse ainda mais fora do ritmo.
— Bobo! – Regina meneou a cabeça em negação, ainda com resquícios da risada em seu rosto.
— Só mais uma coisinha. – pediu, ainda na mesma posição de antes, inclinado contra o corpo dela e seus rostos rentes um ao outro. – Você me acha lindo, Mills? – perguntou com uma sorriso sedutor no rosto, e Regina poderia sentir suas pernas fracas se não estivesse deitada.
— Não posso negar, não é? – disse, dando de ombros, tentando controlar a risada com a cara que ele fizera. – O que?! Minha mãe me ensinou que é feio mentir. – ele arqueou a sobrancelha, fazendo com que rolasse os olhos. — Não comece a se achar, Locksley, se não retiro o que disse. – respondeu na mesma medida, entrando no jogo do britânico.
— Não disse nada, querida! – deixou um beijo em cada lado de suas bochechas. – Mas, eu, como seu observador mais que especial, tenho que te dizer que você supera qualquer concepção de beleza, não só exterior. – proferiu olhando nos fundos de suas íris castanhas. Regina sorriu boba. – Só não comece a se achar, Mills. – devolveu na mesma moeda, fazendo com que ela deixasse um tapa em seu ombro, que riu da atitude dela. – ele colou seus lábios em um selinho, logo depois ajudando-a a sentar-se novamente sobre o sofá.
— Você não vai me dizer mesmo para onde vamos? – Regina voltou a perguntar, dessa vez tinha uma voz manhosa. Estavam frente a frente, as pontas dos dedos acarinhava a barba dele. Robin balançou a cabeça e um sorriso brotara em seus lábios.
— Okay, Mills. Você venceu. – como uma criança ganhando o que mais se deseja, um sorriso vitorioso refletia no rosto da morena. – Pensei que nós poderíamos patinar, o que você acha? – perguntou com um pouco de receio, esperava que ela aceitasse.
— Patinar? – perguntou com uma voz um tanto quanto surpresa, mas logo tratou de colocar um sorriso nos lábios. – Eu acho incrível, aliás... Você é incrível. – deu-lhe um selinho, olhando-o com carinho, com as duas mãos presas em suas bochechas. – Eu amo patinar, e faz muito tempo que não faço isso. Acho que estou até enferrujada. – sorriu. Realmente era nítida a alegria dela, e isso fez com que o loiro soltasse a respiração da qual nem sabia que estava prendendo.
— Não se preocupe com isso, sou um ótimo patinador. Vou adorar ser seu professor. – Regina olhou-o incrédula. Ao perceber, Robin puxou-a contra si dando-lhe um abraço meio sem jeito por conta da posição em que estavam, soltando uma risada pela reação dela.
— Você tá me saindo um belo de um convencido, isso sim. Mas, talvez, só talvez, eu aceite que você seja meu professor. – desvencilhou-se um pouco do abraço para olhá-lo.
Regina perdeu-se naqueles olhos azuis profundos, o qual ela amava ser observada. Pensava em tudo o que Robin fazia para deixá-la feliz, para deixá-la o mais confortável possível, com grandes ou pequenos gestos, antes mesmo que a relação deles tenha ganhando outro patamar. Ele era incrível com ela, e a morena sentia-se sortuda por tê-lo.
— O que foi? – perguntou um pouco sem jeito, percebera o jeito ao qual ela olhava-o. A voz do loiro trouxe-a de volta a realidade. Ele tinha um brilho nos olhos e um sorriso de canto em seus lábios.
— Hm, nada. – ela poderia jurar que suas bochechas tinham ganhando um leve rubor, devido ao olhar bobo que o loiro tinha sobre ela. – Vou me trocar para irmos. Já volto. – disse, levantando-se do sofá e caminhando corredor a fora.
Robin observou-a por todo o trajeto até que seu corpo sumisse pelo corredor. Suas mãos foram ao encontro dos fios loiros, bagunçando-os. Descansou a cabeça no encosto do sofá, fechando os olhos e, deixando que sua mente vagasse e lhe desse o privilégio de, mais uma vez, pensar no motivo que fazia com que seu coração batesse irregularmente, sem controle algum.
O sorriso cativante da morena invadiu os pensamentos de Locksley sem nem ao menos pedir permissão, mas tudo que tivesse relação com Regina Mills era assim, não precisava de permissão alguma para que invadisse o subconsciente do loiro, e muito menos seu coração. Principalmente ele, o mais afetado pela presença inigualável daquela mulher. Ao qual, nesse ultimo mês, batia insensatamente e exclusivamente por ela. Ele tinha uma necessidade de fazê-la sorrir, de fazê-la feliz, e faria tudo que estivesse ao seu alcance para tal. A felicidade se apossava de seu ser simplesmente por vê-la tão leve.
Talvez os ponteiros tenham passado depressa demais, visto que, fora a voz de Mills que o fez sair de seus devaneios.
— Estou pronta. – disse, entrando no ambiente e indo até o sofá, onde o loiro parecia concentrado demais. –Tudo bem? – perguntou, fitando-o com toda curiosidade que existia dentro de si.
— Tudo ótimo. – olhou-a dos pés a cabeça, e de imediato um sorriso brotara em seus lábios. Ele não tinha mais controle nem de suas reações. Perdido, essa era a melhor palavra para ele. Ele estava completamente perdido e abobado por aquela mulher. – Você está linda! – segredou, olhando-a.
— Só você para dizer que estou linda vestida assim. – apontou para o próprio corpo, dando-lhe um sorriso brincalhão. – Obrigada! – dera dois passos, parando mais próximo de onde ele estava sentando, curvando o tronco um pouco até alcançar os lábios do amado.
— Eu acho você linda de qualquer jeito. – proferiu as palavras com sinceridade, após o beijo que compartilharam. – Vamos? – recebeu um menear de cabeça como resposta. Robin levantou-se do sofá e os dois caminharam juntos até a porta, onde o loiro vestiu suas roupas de frio.
Os dois seguiram até o carro de Locksley, que estava estacionado na frente do prédio da morena. O caminho até ele fora feito com algumas risadas e troca de carinho entre os dois. Entraram no carro, afivelaram os cintos de segurança e o loiro dera partida até o local escolhido para patinarem.
Depois de trinta minutos, devido ao transito que tinha no começo do inverno, Robin estacionou o carro em uma vaga no Central Park. Diferente de antes, ele não tinha as cores alaranjadas das folhas caídas no chão, o branco da neve reinava na visão de todos os presentes. Desceram do veículo, e puderem sentir o frio da estação se fazer presente, mesmo com todas as roupas que usavam.
Regina tinha um sorriso aberto no rosto, e vê-la assim aquecia o coração do loiro. Eles adentraram o parque de mãos dadas. Os olhos cor âmbar da morena vasculhava o ambiente, mais um sorriso brincava em seus lábios cheios, mas diferente do anterior, esse era tímido.
Talvez, todas as memórias que eles compartilharam juntos daquele lugar a tenha atingido. Afinal, fora ali que eles se conheceram. Fora a partir dali que tudo começara. O que começara, ela não saberia dar uma definição concreta, é verdade. Mas, no momento não se fazia necessário. Um sentimento de nostalgia apossara-se de ambos, um sentimento de poder reviver o começo deles. Um começo que seguia-se a passos vagarosos, mas que em contrapartida, os sentimentos estavam ainda mais concretos.
Seus orbes desprenderam-se por alguns instantes do ambiente incrivelmente branco, coberto pela neve, e foram ao encontro do belo rosto do rapaz loiro que estava andando ao seu lado. Os pensamentos de mais cedo estavam ali outra vez, ela sentia-se feliz só por compartilhar de sua presença.
— Tá tudo bem? – agora era Robin quem a perguntara, seus olhos azuis analisavam as feições da morena ao seu lado. E um leve rubor pode ser visto em sua face, e ninguém saberia dizer se seria pelo frio ou pela vergonha de ter sido pega.
— Tá sim. – sorriu sem jeito. Logo em seguida, concentrou o olhar no caminho outra vez. – Estava apenas pensando, coisa boba.
— Será que Regina Mills dar-me-ia à honra de saber sobre seus pensamentos? – perguntou-a, deixando um afago no dorso de sua mão, a qual estava coberta pela luva de frio que a mesma usava.
— É sempre um prazer compartilhá-los com você, Robin Locksley! – eles amavam essas brincadeiras de referirem-se um ao outro pelo nome completo. – Mas como eu disse, são bobos demais. – as maçãs dela erubesceram. “Ela estava com vergonha?” Pensou ele.
— Não me diga que está com vergonha de mim? – ela o fitou semicerrando os olhos, arrancando uma gargalhada curta dele. – Por deus, Regina, você sabe que não precisa ter vergonha de mim, não sabe? – ela meneou a cabeça em confirmação. – Então? – pediu.
— É que eu estava pensando no dia que nos vimos aqui. – cessaram os passos, Robin ficando de frente para ela, ainda com suas mãos entrelaçadas. – E em tudo o que aconteceu depois, toda a felicidade, enfim... Essas coisas. – disse por fim, tentando controlar seu acanhamento por estar externando seus sentimentos, fazendo com que o coração loiro errasse algumas batidas, e um enorme sorriso brotasse em seus lábios.
— Você quer saber um segredo? – perguntou, deixando Regina sem entender, mas logo ela meneou a cabeça em uma afirmação. O loiro apertou mais uma das mãos dela. – Aquele dia está entre os melhores para mim. – diminuiu a distância entre seus corpos. Levando sua mão, coberta pela luva de couro, até o rosto de sua morena, acarinhando-a com toda adoração.
Eles estavam parados no meio do parque, alheios a todos os outros corpos que passavam por eles. Extasiados demais com as poucas palavras que suas cordas vocais proferiram, mas que para eles, era de um significado gigantesco.
Robin tomou os lábios carnudos dela, em um beijo tão carinhoso e acolhedor, que a mulher poderia sentir todo o seu corpo ser aquecido. Ambas as orbitas fechadas, sentindo apenas o sentimento deles sendo compartilhados por meio daquele ato. Regina tinha seus braços envoltos no pescoço do homem, aproveitando cada segundo que suas bocas estariam juntas uma na outra. Findaram tal ato com alguns selinhos estalados.
— Obrigado! – sussurrou contra a boca dela, os narizes tocando-se e as respirações ainda descompassadas. Ela nada disse, nada precisava ser dito, na verdade.
Após alguns minutos inertes, voltaram a caminhar a passos lentos, aproveitando cada segundo, até a área destinada a patinação. Regina estava animada, pois desde criança adorava sentir-se livre sobre os patins, apesar de fazer alguns bons anos que ela não praticava. E o loiro, por sua vez, partilhava da mesma felicidade da morena. O parque em si estava mais vazio que o habitual, talvez pela baixa temperatura que fazia naquele dia. Por outro lado, a pista de patinação estava com um bom número de pessoas.
Eles andaram até o sul do Central Park, onde a Wollman Rink – uma grande pista de gelo pública – ficava localizada. Antes de entrarem na pista, dirigiram-se a um quiosque para alugar os patins. Robin fez os pedidos e não demorou muito para que ele estivesse ajudando a morena a calçar os seus. Quando estavam devidamente calçados andaram até a entrada da pista.
— Você segura no meu braço, tudo bem? – o loiro proferiu a pergunta, não queria que ela se machucasse.
— Tudo bem, Robin! – disse, tentando de alguma maneira tranquiliza-lo. – Mas, só até que eu consiga voltar a patinar sozinha. – sorriu travessa.
— Só não quero que você se machuque. – pontuou, Regina poderia ver uma pontada de preocupação entonada na voz do loiro e refletida em seus olhos.
— Eu vou ficar bem. E você disse que seria meu professor, não disse? – tentou descontrair. Ele meneou a cabeça em confirmação.
Com a ajuda de Robin, Regina fora ficando seus patins na pista, um pé após o outro, os braços dele estavam estendidos para que servisse de apoio. Quando finalmente seus patins foram ao encontro da camada fina de gelo, o corpo da morena perdera um pouco de estabilidade. É, definitivamente ela estava enferrujada. Locksley segurou-a um pouco mais firme na cintura, mas tomando todo o cuidado para não machucá-la, apenas para que conseguisse firmeza novamente. Assim que Mills conseguiu ganhar equilíbrio, o loiro começou a guiá-los para o centro da pista. Havia uma grande quantidade de pessoas ali, mas para os dois era como se ambos estivessem em uma bolha, da qual nenhum outro ser humano fazia parte.
— Eu não poderia imaginar a saudade que estava de patinar até esse momento. – contou para o loiro, com um sentimento nostálgico. Eles começaram a deslizar um pouco mais contidos, afinal, ninguém queria levar um tombo a essa altura. – Que sensação maravilhosa! – sorriu, por uns instantes permitiu-se fechar os olhos, para assim, poder sentir o vento acarinhar-lhe a face.
— E por que você parou? – perguntou curioso. O loiro estava de frente pra ela, com as duas mãos estendidas para que Regina pudesse se apoiar, observava atentamente o rosto sereno e seus orbes fechadas. Amava uma Regina Mills livre.
— Acho que depois que assumi as coisas da família, deixei de lado muitas coisas que amava fazer. – o confidenciou. – O lado chato de se tornar um adulto. – tombou a cabeça de lado.
— Então vamos mudar isso. – Robin disse, arrancando um sorriso de Regina. Seu maior desejo era que ela vivesse uma felicidade plena, que fizesse tudo que seu coração gostaria. Que ela sorrisse daquele jeito sempre.
Locksley aproximou um pouco mais seus corpos, diminuindo consideravelmente a distância, dando-lhe um selinho casto e repleto de sentimento. Quando ele iria afastar-se, Regina segurou em seus braços, roubando-lhe um beijo calmo. Quando se separaram suas respirações quentes faziam contraste com o vento gelado.
— Vamos patinar, chega de distrações. – Robin proferiu em um tom divertido, arrancando uma audível gargalhada de Mills.
— Sem distrações, Locksley. – falou em meio à gargalhada. –Afinal, tenho que voltar a ser melhor do que você. – piscou na direção dele.
— Agora a senhorita quem está um pouco convencida, não acha? – perguntou, voltando a patinar, semicerrando os olhos na direção dela.
— Eu só falo a verdade, querido. – deu de ombros.
Vez ou outra Regina perdia o equilíbrio, e mais gargalhadas deles poderiam ser ouvidas por todos que estavam ali. Ambos estavam se divertindo mais do que qualquer pessoa.
♡♡♡
Mesmo que fosse final de semana, e, tecnicamente as coisas deveriam ser mais calmas, hoje não era um dia assim. Pelo menos, não para a ruiva.
Desde que chegou Zelena, estava mergulhada em pilhas e mais pilhas de papéis para serem assinados e revisados. Afinal, para ela, seu trabalho deveria sair o mais livre de imperfeições possível. Não era a toa que a ruiva era uma das editoras mais importantes da revista.
A mulher estava sentada em sua cadeira, alheia a qualquer coisa, quando um barulho na porta a fez retornar para a realidade. “Entre” ela disse, ainda com seus orbes verdes voltadas para os papéis e suas incontáveis letras.
— Com licença, Zelena. — uma jovem de olhos intensamente azuis, cabelos castanhos até a altura das costas falou com a cabeça entre o limite da porta e a sala da ruiva.
— Entre, Belle! — Zelena pediu, tirando os óculos de leitura e os colocando sobre os papéis. Levando o olhar até a figura da mulher que estava a sua frente. -Posso te ajudar em algo? — perguntou.
— Não. Na verdade só queria saber se você ainda vai precisar de mim. — Belle perguntou, sentando na cadeira branca a sua frente.
— Não, querida. — deu um pequeno sorriso em direção à menina. — Estou quase acabando aqui, daqui a pouco vou embora também. Afinal hoje é sábado. — a secretaria soltou uma gargalhada, meneando a cabeça diante das palavras da chefe, e também sua amiga.
— Você não tem jeito mesmo. – proferiu com um sorriso no rosto.
— Você tá falando que nem a Regininha. — revirou os olhos. — A vida tem que ser aproveitada, babe. — falou enquanto arrumava os papéis a fim de deixá-los arrumados.
— Por falar nela, como ela está? — perguntou, referindo-se a Regina.
— Muito bem, obrigada! Com um par de olhos azuis magníficos babando por ela. — sorriu, lembrando-se de como os amigos estavam mais felizes nessas ultimas semanas.
— Não acredito! — colocou as duas mãos na boca. — Eu conheço? – perguntou. – Ele estava na festa?
— Deixa só ela ver você reagindo assim para ver o que te acontece. – gargalhou, sendo seguida pela mais nova. – Por mais que o mundo ultimamente tenha me mostrando o quanto ele é pequeno, creio que não. Bom, só se você o viu por lá, ou se por algum instante apresentei vocês. Digamos que não estava totalmente sã. É o meu melhor amigo, morava em Londres. — proferiu a ruiva.
— Acho que não fomos apresentados. E, realmente babe, você não estava nada sã. – Zelena jogou uma caneta na direção de Belle. — Não está mais aqui quem falou. – levantou as mãos em sinal de rendição. – Bom, precisamos marcar alguma coisa nós três, para vocês me contarem essa história direito. Mas agora eu realmente preciso ir, já que você não precisa de mim. – proferiu, levantando-se da cadeira acolchoada. – Beijos, Zel! E se cuida.
— Precisamos mesmo. Eu sempre me cuido, Belle. – sorriu, mandando um beijo no ar para a amiga.
A garota retribuiu o gesto e logo depois saiu da sala. Zelena colocou novamente os óculos de leitura e começou a analisar os papéis que faltavam. Quando deu por si, o final da tarde já estava ali. Arrumou tudo que precisa para terminar de revisar os papeis em casa e colocou-os em sua bolsa, caminhando até a saída.
A redação já estava quase vazia, a ruiva andava distraída checando as mensagens de seu celular. Sorriu ao ver uma mensagem de Regina, onde dizia que ela e Robin iriam patinar e perguntando-a como estava.
Zelena estava respondendo-a, andando de cabeça baixa e alheia a tudo, mas um esbarrão contra seu corpo fizera com que ela voltasse a realidade, para no segundo seguinte sentir um líquido quente molhar sua blusa de cor verde.
Seus orbes claras foram ao encontro da grande mancha marrom que estava em sua blusa sem nenhuma reação, quando uma voz despertou-a fazendo com que ela olhasse em sua direção.
— Me desculpa. Não vi você. – um rapaz alto, de cabelos castanhos e olhos incrivelmente azuis falou. A ruiva não sabia se estava paralisada pela situação que acabou de acontecer, ou por conta daqueles olhos. – Tá tudo bem com você? – a pergunta fez com que ela percebesse que o olhava sem nenhum decoro.
— Tirando essa mancha enorme na minha blusa. – apontou para o estrago que o pequeno acidente causou. – Tá tudo bem. – sorriu de lado.
— Eu realmente sinto muito. – disse sem graça. – Eu posso comprar outra blusa pra você, só me falar seu número.
— Não precisa, mesmo. Eu que estava distraída. – proferiu, tentando quebrar o clima constrangedor entre os dois. – Já que pulamos a fase do café... – se referiu ao pequeno acidente. – Vamos nos apresentar oficialmente, não é? Meu nome é Zelena Leigh, prazer...
— Christopher Trevor, mas todos me chamam de Chris. E o prazer é todo meu, senhorita Zelena. – depositou um beijo no dorso da mão da ruiva.
— Sem formalidades, por favor, Chris! – pediu.
— Tudo bem, Zelena! – deu ênfase em seu nome. – O que posso fazer para me redimir dessa pequena tragédia? – sorriu charmoso.
— Talvez se convidar-me para jantar, quem sabe? – sugeriu.
— Considere-se convidada então. – ele revidou.
— Mas agora preciso livrar-me dessa blusa. – Chris apenas meneou a cabeça em sinal de afirmação. Zelena abriu a bolsa, tirando de lá um cartão para contato. – Aqui está meu numero, Chris.
— E esse aqui é o meu cartão. – tirou um cartão da carteira, entregando-a. Ela fitou o cartão que ele a entregou, enquanto ela fazia o mesmo com o dela. – Foi um prazer novamente, Zelena! Vou te ligar para marcarmos nosso jantar.
— Vou esperar! – se despediram com dois beijos na bochecha, e a ruiva saiu rumo ao elevador.
♡♡♡
Quem os visse de longe poderia afirmar com convicção toda a aura de felicidade que os envolvia naquele momento. Era notável que eles habitavam em um mundo paralelo quando estavam juntos, em um mundo só deles. Sabe aqueles adolescentes descobrindo a paixão? Com toda certeza eles estavam parecendo um casal bobo e apaixonado.
Robin continuava guiando-a por toda a pista até que ela se sentisse realmente segura para patinar sozinha. Eles começaram a rodar um em volta do outro, arrancando mais uma vez risos dos dois. Um clique fora escutado, chamando a atenção dos dois para onde fora ouvido o pequeno barulho.
Um rapaz com uma máquina instantânea em mãos explicou-os que precisava retratar o momento e por isso tirara a foto, assim que a imagem foi revelada, o moço entregou-os. Declamaram uma dúzia de obrigados pela foto, e um pedido incessante para que ela fosse paga, mas que não fora aceito pelo rapaz de cabelos escuros.
Regina pegou a foto em mãos admirando-a. Retratado pela foto aqueles sorrisos, parecendo ainda mais real e palpável toda a felicidade que os acometia.
— Ficou linda! – ela disse. Tirando a visão da foto e olhando nos orbes azuis de Robin, com um sorriso enorme no rosto.
— Com esse seu sorriso, impossível não ficar. – o loiro externou o que estava em seus pensamentos, beijando-lhe os lábios. Assim que se separaram, Robin guardou a foto no bolso do casaco.
— O seu também não fica atrás, senhor Locksley. – comentou. Selou seus lábios com os do loiro em um selinho rápido. – Agora vamos voltar a patinar. Acho que podemos ir para a segunda etapa da aula.
— Tem certeza que se sente segura? Não importo-me em guiar você pelo resto da noite. – perguntou, nitidamente preocupado.
— Eu quero tentar, afinal, eu não vou quebrar por isso. – deu de ombros, sorrindo igual criança pequena.
— Okay! – disse.
Regina soltou-o, afastando-se alguns consideráveis centímetros, o suficiente para que, se alguma coisa desse errado, o loiro pudesse pegá-la. A morena logo conseguiu o equilíbrio para manter-se de pé.
— Viu?! – levantou as mãos para o alto, mostrando que conseguira estabilidade. – Eu te disse que conseguiria. – soltou, o coração do loiro aqueceu-se por vê-la tão feliz. E fizera uma promessa silenciosa para si mesmo, iria fazer Regina Mills feliz a todo custo, e em consequência, ter aquele sorriso maravilhoso bem a seu alcance.
— Nunca duvidei disso. – garantiu. Eles agora patinavam num ritmo calmo, sentindo o vento gélido do fim de tarde ir ao encontro de seus rostos.
O tempo foi passando, e aos poucos a pista fora ficando mais vazia. A morena queria patinar como nos velhos tempos, e fora aumentando o ritmo. Sentir o vendo batendo em seu rosto a uma velocidade considerável, era uma definição de liberdade. Eles estavam em silêncio, apreciando o momento.
Em um ímpeto, Regina colocou um pouco mais de velocidade em seus patins. Mas, de repente, quando ela tentou parar, seu corpo foi ao encontro do chão frio. Foi tudo muito rápido, a morena não conseguira evitar a queda. Pouco menos que dois segundos depois, Robin partira em sua direção.
— Amor, você tá bem? – as palavras saíram com uma facilidade inexplicável, em seus olhos refletiam uma preocupação absurda.
As palavras proferidas pelo loiro a tiraram de órbita, era a primeira vez que ele a chamara assim, e se não fosse a dor incessante que sentira no tornozelo, aquele seria, com certeza, o melhor momento do dia para ela.
Fale com o autor