Sempre foi Você

17 Tem razão, ela não me beija assim


Talvez,

Essa primavera

Fora de época

Dentro de mim

Seja amor

E se for,

Vou deixar ficar.

@VHwiter

Tudo acontecera em questão de segundos, poucos segundos atrás ela estava sorrindo e sentindo a brisa gélida do vendo bater contra seu rosto, a sensação de liberdade invadir- lhe o âmago enquanto os patins deslizavam sobre o gelo. No segundo seguinte, a expressão de dor lhe consumia, não existia mais nenhum resquício de sorriso. Tão rápido quanto acontecera, o loiro partira em sua direção.

Robin patinou o mais rápido possível, porém com segurança, – não queria causar mais outro acidente – até onde a morena estava caída no chão de gelo da pista de patinação. Em seus orbes azuis, a preocupação de que ela pudesse ter se machucado podia ser vista. Regina tinha uma mão no tornozelo direito, e os olhos castanhos brilhavam com lágrimas acumuladas.

— Amor, você tá bem? — sem que percebesse as palavras já estavam ali, brincando com o vento gelado. Abaixou até ficar na mesma altura da morena, analisando-a com um ar de preocupação.

Aquela pequena palavra saindo da boca do loiro, causava burburinhos inimagináveis no âmago de Regina. Como ela queria poder sorrir ao escutar aquilo, mas a dor era a única que dominava suas expressões faciais, ao contrário de seu coração, que se pudesse sorrir, com certeza estaria fazendo isso agora mesmo.

— Acho que sim. — disse, saindo do transe que as palavras que o loiro proferira agora a pouco colocaram-na. — Só o meu tornozelo. — olhou em direção a fonte da dor, seus olhos pinicavam, tentava tomar ar, para quem sabe, diminui-la um pouco.

Locksley tocou o machucado, recebendo um gemido baixinho vindo dela.

— Precisamos sair daqui. Você consegue levantar? — perguntou, ficando de pé em seguida. Esticou as duas mãos em direção a ela. — Vem, eu ajudo você.

Regina encaixou suas duas mãos nas do loiro, mas quando fora apoiar-se no pé direito, a dor se fez mais forte, fazendo com que ela ficasse onde estava.

— Eu não consigo Robin. — sua voz saíra em uma mistura de dor com frustração. Eles estavam se divertindo, e ela não queria ser a responsável por estragar isso. — Está doendo muito.

— Tudo bem, eu vou te segurar. — disse, tentando tranquiliza-la. Apoiou bem os pés, para que não perdesse o equilíbrio quando o peso dela somasse ao seu e, logo em seguida, sustentou o peso da morena junto ao seu corpo.

Robin tinha uma mão segurando firme a cintura de Regina, e a outra segurava a mão dela que estava apoiada em seu ombro. Com todo cuidado eles foram em direção à saída da pista.

O loiro ergueu-a até que ela estivesse sentada no apoio da pista, tirou os patins que estava calçando, colocando seus sapatos, e guiou-os até um banco próximo.

— Vou tirar os patins com cuidado para ver o seu tornozelo, okay? — o loiro perguntou, recebendo apenas um meneio de cabeça em confirmação.

Locksley tirou os patins com todo o cuidado do pé machucado, e pode ver o quanto o tornozelo direito estava inchado. Seus dedos foram ao encontro da área afetada e a morena gemeu de dor mais uma vez, fazendo com que ele tirasse a mão de imediato.

— Acho melhor irmos ao médico. — disse, com a preocupação nítida em sua voz, olhando-a.

— Não precisa Robin. Apenas um pouco de gelo e vou ficar bem. — tentou argumentar. Regina odiava hospitais e fazia de tudo para não precisar ir a um.

— Claro que precisa Regina. – disse convicto, iria levá-la ao médico nem que fosse amarrada. — Precisamos que um médico dê uma olhada aqui, pode piorar se não tratarmos da melhor forma. — o loiro contra argumentou. Regina apenas respirou fundo, vendo que não tinha argumentos satisfatórios para não ir ao hospital.

Robin voltou ao quiosque com os dois pares de patins em mãos, devolvendo-os. Não demorou muito para que retornasse até onde Mills estava esperando-o.

— Venha, suba nas minhas costas. – pediu sem titubear. Regina arregalou os olhos, olhando em volta.

— Você só pode estar brincando. — buscou seus oceanos azuis. — Eu posso ir andando sem problemas, Robin. Não precisa me carregar. — Regina tentou levantar-se do banco para mostrar ao loiro que estava apta a andar sozinha, mas falhou no mesmo instante. A dor não a deixaria nem sonhar em colocar o pé no chão, quem dirá andar até onde o carro estava estacionado.

— Não estou brincando, senhorita teimosa. Além do mais, você sair andando só vai piorar mais ainda seu pé. — disse. — Prometo não deixar você cair, o que acha? — sorriu para ela.

— Já que você prometeu, não tenho como recusar, certo? — ele meneou a cabeça.

Robin virou para que ela subisse em suas costas, e ela cruzou as pernas em sua cintura. Ele apoiou seus braços por baixo das penas dela, assim tendo mais apoio, e partiram rumo a saída do parque.

Algumas pessoas que ainda estavam por ali viam a cena e sorriam, eles pareciam um casal de apaixonados que saíram de um filme de romance. Talvez eles fossem, não é?

— Está todo mundo olhando, Robin. — ela sussurrou contra o ouvido dele. Se ela soubesse o efeito que tinha sobre ele... -Vou morrer de vergonha. — Robin poderia jurar que as bochechas da morena ganharam um leve rubor.

— Com certeza estão me achando bem charmoso. — disse com um tom brincalhão, arrancando uma gargalhada de Regina. — O que foi, você não acha? – tentou descontrair, para que ela não pensasse em seu pé e, consequentemente, na dor.

— O que eu acho é que você é bem convencido. – respondeu com um sorrisinho no rosto.

— Não foi isso que você me disse mais cedo. – falou, recebendo um tapa no ombro. – Ai! – resmungou. — Eu já estou cansado. – parou de andar, fingindo tomar folego.

— O que você quer dizer com isso, Locksley? — Regina perguntou, buscando a face do loiro, semicerrando os olhos. — Está dizendo que estou acima do peso?

— Claro que não querida. São só os casacos. — disse, dando uma gargalhada logo depois. Regina deu-lhe mais um tapa no braço, que protestou. — Estou brincando! Você tem uma mão muito pesada para um rostinho tão angelical.

— Engraçadinho.

Regina escondeu o rosto no vão do pescoço do loiro, ainda com vergonha dos olhares das pessoas sobre eles, Robin voltou a caminhar, e seguiram em silêncio até onde o carro estava estacionado. O loiro ajudou-a a entrar no carro, deu a volta no veículo, dando partida em seguida.

Regina tinha uma expressão de dor refletida em seu rosto, coisa que não passou despercebida pelo loiro. Vez ou outra ele tirava a atenção do caminho e a olhava de soslaio.

— Eu não queria ter estragado o nosso passeio. — disse a morena voltando seu rosto para o loiro, que virou-se para ela por alguns segundos.

— Você não estragou nada, Regina. São coisas que não temos controle e, se eu soubesse que você iria se machucar não teria sugerido isso. — desabafou. — Podemos terminar nosso passeio no hospital, super-romântico não acha? — sorriu para ela, tentando passar algum tipo de conforto.

— Então quer dizer que o senhor Locksley é adepto ao romantismo? — arqueou as sobrancelhas, encarando-o com uma expressão divertida.

— Eu não era. – “até você aparecer” pensou, mas as palavras morreram em seus pensamentos.

Antes que a morena pudesse falar mais alguma coisa, Robin estacionou o carro indicando que eles já tinham chegado ao local. O loiro saiu rapidamente do carro, indo até a porta do passageiro, abrindo-a e ajudou-a sair, com todo cuidado. Ele a pegou no colo, mesmo a morena insistindo de que não precisava, e que ela poderia ir andando, porém ele fizera questão, já que não queria que o machucado piorasse.

Logo um enfermeiro veio com uma cadeira de rodas, e eles explicaram todo o ocorrido. Robin tinha preocupação refletida em seus olhos, talvez se ele não tivesse a levado para patinar ela não estaria em um hospital agora, não é? Esses pensamentos martelavam em sua cabeça, e um suspiro longo saiu por entre seus lábios, coisa que não passou despercebido por Regina. Eles estavam aguardando a chegada do médico para que o tornozelo fosse examinado.

— Robin... – ela chamou-o baixinho, e logo teve sua atenção. – Está tudo bem?

— Eu que deveria te fazer essa pergunta, não? – tentou desconversar, seu tom era suave e brincalhão. Mas quem ele queria enganar? Era Regina Mills ali, sua Regina. E ela o conhecia bem demais. A morena arqueou as sobrancelhas como quem dissera que não ia cair naquilo tão fácil. – É... Só estou me sentindo culpado, se eu não tivesse te levado para patinar, você não estaria aqui agora. – deixou que seus pensamentos fossem externados em palavras.

— Hey... – ela pegou a mão dele. – Você não tem culpa do que aconteceu, Robin. Foi apenas uma fatalidade, e fui eu quem disparei com os patins. – sorriu arteira. — Eu amei nosso passeio, e repetiria ele se quer saber, mas sem a parte da queda. – fez um beicinho e uma careta engraçada para ele, que soltou uma pequena gargalhada.

— Você me deixa mais tranquilo. E sem quedas da próxima. – sorriu para ela, que apenas meneou a cabeça em confirmação, buscando os lábios dele para um selinho rápido.

Demorou alguns minutos para que a médica viesse atender Regina. A mulher tinha um sorriso reconfortante nos lábios, o cabelo preto até a altura dos ombros e parecia bem feliz por poder consertar alguns ossos. Mas era o trabalho dela, certo? Ou talvez, ela estava apenas sendo simpática. Robin tratou de levantar assim que viu a mulher vindo na direção dos dois.

— Boa noite, Doutora... – olhou seu nome escrito em seu jaleco branco e pronunciou. – Torres. Sou Robin, Robin Locksley. – apertou a mão dela em um cumprimento. Era visível para ela o quanto ele estava nervoso.

— Boa noite, Robin! – sorriu simpática. Voltou seus olhos para Regina que estava na cadeira esperando sua vez de cumprimenta-la. – O que aconteceu com essa bela moça?

— Meu nome é Regina, prazer em conhecê-la, Doutora Torres! – as duas cumprimentaram-se da mesma forma, com um aperto de mãos. A morena tinha um pequeno rubor em suas maçãs por conta do comentário anterior. Já estavam na sala de atendimento, e Robin fizera questão de entrar com ela para dar-lhe todo o suporte necessário.

— Érr.. foi apenas uma queda, não precisava ter vindo a um hospital, mas Robin insistiu. – revirou os olhos depois de sua fala.

— Estávamos patinando e ela levou um tombo, machucou o pé. – enfatizou a última parte. — Não conseguiu levantar, e eu achei melhor trazê-la para que o pior não acontecesse. – explicou seu ponto de vista.

— Mas era só pôr um gelo e ficaria tudo bem. – ela realmente não gostava de hospitais, e ter que ir em um, por uma bobagem – assim pensava ela – não era necessário.

— Ela é muito teimosa. – revirou os olhos com as palavras de Mills.

— Seu namorado tem razão, Regina. – a simples menção daquela palavra fez com que um burburinho fosse criado no âmago da morena, e suas – já amigas – borboletas, dessem o ar da grassa. Com Robin não era muito diferente.

— Ele não... Nós... — Seus olhos se encontraram com os dele por alguns segundos, e o indecifrável estava ali. Eles estavam juntos e sem nenhum tipo de rótulo, não é mesmo? Ela nunca achava necessário aquilo, até agora. A simples conexão de seus orbes trouxe uma série de afirmações, e a principal delas, eles não precisavam de nenhuma palavra descrevendo o que eles eram um para o outro. Eles eram suficientes.

Callie percebeu a tensão que pairou sobre eles e resolveu voltar ao assunto. – Bom, Robin está certo em querer ver se não há algo mais grave com seu pé. Às vezes podemos pensar que, por mais simples que seja a queda, não precisa de cuidados. Mas, pode agravar o quadro se não tratado da melhor forma. – explicou.

— Tudo bem, vocês me convenceram. – disse por fim.

Doutora Torres encaminhou Regina para a sala de Raio-X, para ter noção da lesão em seu tornozelo direito. Robin ficou esperando na sala em que estavam há poucos minutos. O loiro repassava todas as palavras ditas, e as não ditas, de mais cedo. Eles ainda não conversaram sobre esse assunto, mas no momento, o que importava para ambos era o que eles sentiam e estavam vivendo.

Depois de realizar todos os exames necessários, Doutora Callie explicou que ela precisaria usar uma bota ortopédica para imobilizar o tornozelo e, dessa forma, não piorar a lesão. Claro que ela não fora muito a favor da ideia, Regina serelepe que só ela, mas não tinha outra opção.

— Você vai ficar de uma a duas semanas com a bota, para assegurar uma boa recuperação, certo? — Callie prescrevia alguns remédios para dor que ela precisaria tomar, e a olhava enquanto falava. – Se você fizer tudo direitinho seu tornozelo irá ficar bom logo, logo.

— Duas semanas? Eu não posso ficar com isso duas semanas! – ela se sentia frustrada.

— Pode deixar Doutora, vou me certificar que ela irá cumprir todas as recomendações, e se for preciso a carregarei para todos os lados nos braços. – Robin assegurou.

Regina o olhou meneando a cabeça em negação, soltando um sorriso por entre os lábios. Ela poderia beijá-lo ali mesmo.

— Fico mais tranquila então. – Torres deu-lhes um sorriso. Levantou-se da cadeira e estendeu a mão para cumprimentar ambos, entregando a receita para Locksley. –Cuide bem da minha paciente, Robin!

— Pode deixar Doutora! – assegurou-lhe. – Cuidarei com muita dedicação. – por Deus, ele a deixava com cara de boba sempre.

— Obrigada Doutora Torres! – agradeceu em seguida.

Robin apanhou a cadeira de rodas e guiou a morena até a saída. Resolveram as últimas coisas no hospital, e foram até o carro.

Eles gargalhavam no caminho até o estacionamento. Robin guiava a cadeira como se estivesse com um carrinho de supermercado.

— Eu vou acabar caindo e machucando o outro pé. – disse em meio às gargalhadas. – Você vai ter que me carregar de qualquer jeito.

— Nem fale uma coisa dessas. Eu acho que não conseguiria te carregar. – disse, recebendo um tapa em seu braço.

— Engraçadinho! – mostrou-lhe língua.

Robin parou a cadeira ao lado da porta de trás, ajudando-a a se acomodar no carro, para que ela se sentisse mais confortável e pudesse esticar um pouco a perna. Logo depois, deu a volta no veiculo e entrou, dando partida em direção ao prédio da morena.

— Robin, pode ligar o som, por favor? – ela pediu, chamando sua atenção de imediato. Ele meneou a cabeça em confirmação, e ligou o som, sintonizando em uma programação qualquer.

♫♩ All of Me – John Legend ♩♫

A música se fazia presente naquele espaço, “All off Me” era escutada por ambos, e acolhida por seus corações. Eles permaneceram em silêncio, o loiro prestava atenção na estrada, mas quando o sinal ficou vermelho ele a olhou pelo retrovisor do carro, seus olhos azuis intensos, tão intensos como cada letra daquela musica, tiveram o privilégio de admirá-la.

A morena tinha seus olhos fechados, movimentava os lábios de acordo com a canção, não saia som, apenas os movimentos de seus lábios cheios. Robin acompanhava cada movimento que era feito por ela, e o seu coração palpitava sem ritmo nenhum. Segundos depois, Regina abriu os olhos e percebeu que estava sendo observada. A novidade seria se ela não estivesse sendo. Sorriu. Eles trocavam olhares intensos, olhares que pareciam decifrar a alma de cada um.

“Give your all to me, I’ll give my all to me...” “Me dê tudo de você, Eu darei tudo de mim a você...” — Robin deixou que os versos da música saíssem por entre seus lábios, também sem som, mas com o que mais importava ali, amor.

O loiro poderia jurar que nunca tinha visto sorriso mais lindo que aquele, ela sorria com os lábios, com os olhos... Sorria com cada célula daquele corpo, e fora impossível ele não sorrir junto. Seu desejo era largar aquele volante e ir até o encontro dela e tomá-la em um beijo demorado.

O fim da música aproximava-se, e com ele, outro som invadiu a percepção do loiro, o trazendo de volta daquele transe. O farol abriu e os carros buzinavam com tamanha demora. Não sabiam eles que, se fosse por ele, continuaria preso naquele momento, naquela música e naquela troca de olhares que ambos estavam compenetrados. Ele sacudiu a cabeça e seguiu o rumo. Ela sorriu com aquilo, voltou a fechar os olhos, e agora ela teria a imagem do loiro declamando aquelas frases para ela. Nada naquele momento parecia mais certo que aquilo.

Antes de chegarem ao apartamento de Regina, Robin parou em uma farmácia, comprando tudo o que fora receitado e o que ela poderia precisar.

Locksley estacionou o carro na garagem dela e com cuidado ajudou ela a sair do veículo. Como não tinha uma cadeira ali, e ele não queria que ela forçasse o tornozelo, agora, envolvido pela bota, Robin passou os braços por trás dela, erguendo-a em seus braços. Regina soltou um gritinho com a surpresa e ele sorriu, sabia que ela iria falar.

— Você não precisa me carregar sempre. – ela disse depois que o susto passou. Envolveu seus braços no pescoço dele. – Vou ficar mal acostumada.

— Só estou fazendo o que prometi a Doutora, querida. – deu-lhe um sorriso. – E por mim não tem problema algum se acostumar, será uma honra carregá-la, majestade!

Regina gargalhou com o novo apelido. Chegando perto do elevador ela pressionou o botão do seu andar.

Robin a colocou com delicadeza sobre o sofá, quando entraram no apartamento, arrumando algumas almofadas para que o pé dela ficasse o mais confortável possível.

— Está bom assim? – perguntou. Ela meneou a cabeça em confirmação.

— Senta aqui. – pediu, batendo no sofá. Robin sentou-se atrás dela e trouxe o corpo da morena para mais perto de si. Envolveu a cintura dela com uma de suas mãos, e a outra fazia um afago gostoso nos fios negros dela. Regina fechou os olhos e aconchegou a cabeça no peitoral do loiro. Ficaram assim por algum tempo, apenas curtindo a companhia um do outro.

♡♡♡

O esbarrão de mais cedo fez algo surgir em Zelena. Chris fora bastante simpático e ela queria o conhecer mais. Conhecer não tira pedaço, não é? Além de ele ser um colírio para os olhos de qualquer um, convenhamos.

Estava estirada na cama, apenas de roupão, decidindo o que faria naquela noite. O toque de seu celular chamou sua atenção, e um número desconhecido preencheu a tela de seu aparelho. Demorou alguns segundos decidindo se atenderia ou não, e por fim, resolveu atender.

Ligação On

“Alô”

“Oi, sou eu, Chris. Nós esbarramos na Glamour, lembra-se de mim?”

“Oi, Chris! É claro que me lembro, tenho uma memória ruim, mas não é pra tanto.” A gargalhada da ruiva se fez presente. “E mesmo que eu quisesse, não poderia esquecer.”

“Isso é bom”

“Você me deve um jantar, tenho que lembrar, não é mesmo?”

“Ah, claro! Te liguei justamente por isso, não gosto muito de ficar devendo uma promessa, então, pensei em te chamar para jantar, já tem algum compromisso para essa noite?”

“Estou livre” mordeu o lábio inferior.

“Ótimo! Qual restaurante você prefere?”

“Hum, me surpreenda!”

“Te passo o endereço por mensagem, pode ser? Daqui à uma hora?”

“Perfeito!” “Até daqui a pouco, Chris”

“Até, Zelena”

Ligação Off

Um sorriso brincava nos lábios da ruiva, ela não sabia no que aquilo iria dar, mas com certeza iria aproveitar ao máximo. Ela era assim, sempre aproveitava todas as oportunidades de ser feliz que a vida lhe dava. E aquela estava sendo uma bela – e acompanhada de olhos maravilhosos – oportunidade para tal.

Foi até seu closet, passando os olhos por todos os seus vestidos. Escolhendo um vestido verde escuro que delineava bem seu corpo e saltos pretos. Fez uma maquiagem leve e por fim colocou seu perfume preferido. Pegou o celular que estava sobre a cama e abriu a aba de mensagens com Regina.

Zelena Leigh (19:34): Eu espero que esse seu sumiço signifique que esteja aproveitando esse frio de uma forma bem quente.

Zelena Leigh (19:34): Tenho novidades. Espero que minha noite seja tão agradável quanto a sua, e estou ficando com um pouco de ciúmes.

Zelena Leigh (19:34): Meeh!

O som de mensagem preencheu o quarto, agora, o número, já salvo, de Chris aparecera no visor do aparelho passando o endereço do restaurante. Ela se olhou mais uma vez no espelho e saiu do quarto. Pegou sua bolsa, chaves do carro e saiu.

O restaurante não ficava tão distante de onde ela morava. Meia hora depois e ela estacionou o carro em um local vago. Se dirigiu até a entrada do lugar e logo viu o homem sentando de costas em uma mesa mais afastada.

— Te fiz esperar muito? – perguntou, Chris teve um pequeno susto ao ouvir a voz da ruiva e logo tratou de levantar-se para cumprimentá-la.

— Não, acabei de chegar. – disse, cumprimentando com um beijo de cada lado de seu rosto. –Você está maravilhosa, Zelena! – sorriu.

— Obrigada! – agradeceu, colocando alguns fios acobreados por trás da orelha.

Ele foi até a cadeira que ela iria sentar-se e a afastou. Zelena o agradeceu pelo gesto com um sorriso, sentando logo depois.

— Fico feliz que tenha aceitado meu convite, Zelena. Espero que não me ache invasivo demais. – sorriu um pouco sem graça.

— Fica tranquilo! Seu convite veio em uma boa hora. – respondeu cordial.

O garçom aproximou-se da mesa deles, anotando os pedidos. Chris escolheu um vinho tinto para acompanha-los aquela noite, e segundo a ruiva, ele fizera uma boa escolha.

A conversa entre eles seguia animada, ela não podia negar que ele era uma boa companhia, e seus comentários arrancavam várias gargalhadas dela.

— Como não nos esbarramos antes pela revista? – ela perguntou, dando um gole em seu vinho em seguida.

— Faz pouco tempo que fui chamado para um trabalho, na verdade, eu estava trabalhando em outra até um tempo atrás.

— Entendi. E o que está achando?

— É muito bom para minha carreira trabalhar em uma revista tão bem conceituada quanto a Glamuor, e posso dizer que estou tendo a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas.

Zel mordeu um pouco os lábios e deixou um pequeno sorriso escapar, voltando a atenção para seu prato.

O jantar seguiu por mais algum tempo, a interação dos dois era notável. Ambos riam das piadas que cada um contava, ou por algum comentário que a ruiva fazia. Eles estavam confortáveis na companhia um do outro. Chris pediu a conta e a ruiva ofereceu para ajudá-lo a pagar, mas o rapaz insistira que ele quem a convidou, então ele pagaria dessa vez.

— Então terá uma próxima? – ela perguntou já saindo do restaurante, ele tinha uma mão na base de suas costas, guiando-a.

— Se você quiser, é claro que terá uma próxima. – disse sem rodeios. Eles trocaram olhares e a ruiva voltou seus olhos para frente novamente. Sentiu-se incomodada com aquilo, os olhos azuis dele pareciam penetrá-la, e bem, ela não sabia lidar muito com isso. Era a favor de seguir o momento, de deixar que as ações a guiassem.

— Claro, afinal, o próximo será por minha conta. – deixou um sorriso de lado escapar.

— Estou vendo que com você não tem acordo, não é? – perguntou divertido.

— Claro que tem, deixei que você pagasse essa, nada mais justo que eu contribua no próximo. – disse da forma mais natural do mundo.

Chegaram até o carro de Zelena, e ele estava um pouco inseguro do próximo passo que daria. Não queria invadir o espaço dela, mas também não queria deixar aquela chance passar.

— É, podemos dar uma volta se você quiser. – tinha as mãos no bolso do sobretudo e a fitava apreensivo. Ela nada disse, apenas meneou a cabeça em confirmação, e logo eles voltaram a caminhar pelas calçadas da cidade que nunca dorme.

Seus passos eram lentos, estavam leves. Eles conversavam sobre coisas aleatórias, assunto não era o problema para eles. Chegaram até uma mureta e ficaram escorados nela. Estavam de frente um para o outro, o vento frio banhavam lhes o rosto. Os fios acobreados de Zelena escaparam e estavam na frente de seu rosto, em um movimento involuntário Chris levou suas mãos até eles, colocando-os atrás da orelha da ruiva. Seus dedos tocaram a pele dela, e os dois pares de orbes cristalinas voltaram a encarar-se.

— Eu estou com muita vontade de fazer uma coisa. – ele disse para ela.

— E o que está esperando? – perguntou direta.

Um passo fora dado para mais próximo, e ninguém saberia dizer quem o dera primeiro. Seus rostos estavam próximos, eles podiam sentir a respiração quente um do outro.

Os lábios dele envolveram os dela em um beijo lento. Uma de suas mãos adentrou as madeixas ruivas, e a outra estava posta na cintura dela, que tinhas as suas segurando seus braços. O beijo passou a ser mais intenso, agora, suas línguas pediam passagem para explorar os caminhos desconhecidos de ambos. Quando o ar se fizera necessário, eles finalizaram com alguns selinhos.

A noite estava agradável, e eles não se importariam de repetir mais daquilo.

♡♡♡

Robin tinha ido até a cozinha preparar algo para que ela comesse. Por ele não sairia de onde estava a pouco; ficar junto à ela, mesmo que mergulhados apenas no silêncio, era maravilhoso. Mas ele sabia também que ela precisava se alimentar e faria qualquer coisa para que a morena ficasse bem logo. Mesmo que ela tenha deixado claro que ele não tivera culpa, ele ainda sentia-se culpado.

Além do mais, ele sempre cuidaria dela. Independente se estivesse doente ou não. Locksley não sabia o porquê daquilo, só sabia que algo dentro dele pedia e queria cuidar dela a todo instante, e o loiro faria de tudo para isso, mesmo que fossem apenas amigos.

Terminou de preparar a sopa e levou até a sala, onde ela estava deitada no sofá com a cabeça sobre o braço do mesmo, tinha seus olhos fechados e quando o loiro fora entrando no espaço escutou um suspiro audível.

— Regina? – chamou-a com a voz suave, não queria assustá-la caso estivesse dormindo. Ela abriu os olhos, encarando os seus. – Está sentindo dor? Eu pego seus remédios se quiser.

Ela meneou a cabeça em negação, deixando que sua voz preenchesse o ambiente em seguida. – Não se preocupe, está tudo bem.

— Não me preocupar com você não é uma opção, babe. O que houve? – voltou a perguntar, estava nitidamente preocupado, mas logo recuou, não queria invadir o espaço dela.

— Só estava pensando, nada demais. – respondeu. Ele apenas assentiu.

— Vem, deixe-me te ajudar. – colocou a bandeja com a comida sobre a mesa de centro e fora até ela, ajudando-a sentar-se. – Come tudo, certo?

— Você está parecendo minha mãe, Robin! – ela sorriu. Ele negou.

— Sua mãe não te dá beijos assim. – se aproximou mais de seu rosto, com cuidado para não derrubar a sopa quente sobre ela, colando seus lábios aos dela, em um beijo carregado de carinho, mas igualmente profundo. Suas bocas seguiam o sincronismo de uma dança incansavelmente ensaiada. A língua quente dele tocou-lhe a sua, chamando-a para bailar. A mão dele fora ao encontro de nuca, segurando-a com posse. Eles aprofundaram mais o contato até que o ar se fez necessário. Robin afastou-se com um sorriso travesso nos lábios, vendo o quanto ela estava afetada. O mesmo que ele, com certeza.

— Tem razão, ela não me beija assim. – falou com a respiração descompassada, sorrindo aberto.

— E espero que mais ninguém. – proferiu de uma vez só, sentando junto a ela no sofá.

— Ciúmes Locksley? – perguntou, erguendo as sobrancelhas, fitando-o.

— Hum... Talvez. – deixou um beijo em sua cabeça.

Ela começou a comer a sopa, e eles conversavam animados. Regina dava algumas colheradas na boca dele, já que ele também não tinha comido nada desde que eles estavam no parque. As horas foram passando e eles nem se deram conta.

O ponteiro corria e ambos seguiam alheios a ele.

— Já esta tarde, acho melhor você dormir. O dia foi cheio para você. – ele disse, arrancando um selinho dela.

— Eu preciso tomar um banho. Me ajuda? – deu-lhe um sorriso um pouco mais tímido, lembrando-se de quando ele ajudara a tomar banho da outra vez, agora as circunstâncias eram outras.

— Claro! – disse prontamente.

Robin saiu de trás dela, e a tomou nos braços, indo até o quarto. O caminho já era familiar para ele. Entrou no quarto e caminhou até a cama, sentando-a sobre a mesma. Foi até o closet dela, separou uma roupa para que ela dormisse confortável e uma calcinha. Seu coração acelerou. Foco Locksley, foco!

Voltou ao quarto e ela pôde ver o quanto ele ficou desconfortável, ela deu uma gargalhada achando fofo aquilo. “Será que aquele homem era real mesmo?”

— Está tudo bem, Robin. – disse, recuperando-se da gargalhada.

— Eu peguei a primeira que eu vi, não olhei, juro!

Ele a levou até o banheiro, tirando a bota ortopédica dela e deixando em um canto em cima da pia para que não molhasse. Ela sentiu um desconforto, mas nada que preocupasse tanto. Ele estava atento a todas as reações dela. Ajudou em seguida a tirar sua calça, fazia aquilo com todo o respeito que tinha por ela. E por deus, ele tinha que ter muito auto controle ali. Depois que a ajudou a tirar as peças, separou uma toalha a deixando sobre o balcão.

— Vou ficar ali fora, qualquer coisa você grita, okay? E não se apoie no pé machucado. – disse.

— Sim senhor! – ela ainda estava de lingerie e uma toalha a cobria o corpo.

Robin saiu para que ela pudesse tomar seu banho à vontade. Regina foi até o box com bastante cuidado para não escorregar. A água quente confortava todo o corpo nu da morena, estava exausta. Ela estava ali, mas seus pensamentos iam até o loiro que estava nesse exato momento a esperando do lado de fora.

O modo como ela sentia-se cuidada e protegida ao lado dele, aquecia seu coração de uma forma que não saberia explicar e, talvez nem quisesse. Deixou que a água levasse todos os seus questionamentos e medos.

Saiu do box em meio a pulos e conseguiu colocar sua roupa, um short e uma blusa de alcinha, ambos de cetim.

— Robin! – chamou por ele.

— Oi. – falou ainda atrás da porta. – Aconteceu alguma coisa? Precisa de ajuda?

— Preciso de ajuda com a bota. – ela estava apoiada na pia, o peso de seu corpo estava todo na perna esquerda. Quando ela viu que ele ainda não tinha entrado, tratou logo de falar. – Pode entrar, estou vestida. – riu.

Não demorou mais que meio segundo e ele abriu a porta. Ela estava linda, com os cabelos molhados e com um pijama de cetim salmão, fazendo um contraste perfeito com sua pele dourada. Respirou fundo e foi até ela, guiando-a até a cama novamente. Ajudou-a com a bota e ela ajeitou-se sobre as cobertas.

— Você precisa descansar agora. – tirou alguns fios que estavam sobre o rosto dela.

— E você? Também deve estar cansado e querendo dormir. – ela o olhava.

— Eu não queria ter que deixá-la sozinha. – falou, deixando um carinho na lateral do rosto dela, sentado ao seu lado na cama.

— Não se preocupe, vou ficar bem! Tem uma chave reserva em um pote que fica na mesa de canto, pode levar.

— Certo! Mas qualquer coisa você me liga e eu volto. – ele ia levantar-se, mas ela chamou-o com uma voz manhosa.

— Robin! – disse baixinho.

— Hum? – ele perguntou, voltou a sentar onde estava há segundos.

— Você fica comigo até que eu durma? – pediu, e claro que ele não negaria.

— Claro, meu anjo! – sorriu com carinho.

Ela afastou um pouco o tronco, dando espaço para que ele se aconchegasse na cama junto a ela. Ele a trouxe um pouco mais pra si, envolvendo a cintura dela e apoiando cabeça da morena em seu peitoral. Eles trocaram um beijo apaixonado e ela logo voltou a deitar-se novamente. O cansaço estava vencendo-a. Robin alisava seus fios em um afago gostoso.

Ficaria ali até que ela dormisse.

Mas, se ela deixasse e pedisse, ficaria ao lado dela por muito mais tempo ou por todo o tempo que eles tivessem juntos.