Sempre com você
8 Cap 8
O lugar era realmente bonito. Uma Vila no meio do nada, cercada pelo gelo e campos verdes. Foram recebidos por Alfonso e Adela, o casal que acolheu Miguel quando ele perdeu a memória depois do acidente.
Uma mesa cheia de comida já estava posta.
– Ao nosso Miguel, por ter achado sua cabeça que andava perdida!! – disse Alfonso levantando um brinde.
– Se você visse o estado que esse homem apareceu aqui. Coitadinho...não sabia onde estava... Nem seu nome sabia.
Lígia prestava atenção comovida ao relato de Adela.
– Mas sabia pescar e também manejar o barco. – emendou Alfonso.
– Sua sopa me salvou Adela. – agradeceu Miguel sorrindo.
– Pois então vamos matar saudade do ‘caldillo de congrio’ da Adela. Vamos, pode servir!
– Vou servir agora!
– Vamos, vamos comer! – disse Miguel passando as mãos nas costas de Lígia e sorrindo pra ela.
– Parece vinho... mas tem sabor de outra fruta – observou Lígia enquanto provava da bebida.
– O seu marido sabe a receita... aprendeu com a gente. Nós fizemos muitos garrafões de chicha juntos, para a festa da igreja. Este é de maça fermentada.
Lígia sorriu para Miguel, orgulhosa e provou mais um pouco da bebida.
– Mais uma de suas proezas culinárias... essa você ainda não tinha me mostrado... – ela comentou baixinho com Miguel.
– Leva um pouco de “aguardente”.
Ao ouvir aquilo, Lígia largou o copo disfarçadamente sobre a mesa. Não queria mais nada alcoólico depois do mal estar da noite passada.
– Ruanito, sabe o que é isso? – mostrou Miguel para o garoto, filho do casal, enquanto mostrava o embrulho.
– Não.
– Não? Ah.... – e Miguel tirou uma bola e deu para o garoto como presente.
– Agradeça ao Miguel, Ruanito.
– Obrigado!
– Eu trouxe também uns livros sobre navegação, estão em espanhol, você pode deixar lá na escola.
– A escola fecha as 5 Miguel... Melhor ir amanhã...
– Tudo bem.
A conversa prosseguiu animada e Miguel gostava de ouvir as novidades sobre aquela família e aquela Vila que tanto fizeram por ele.
Enquanto distraíam-se tocando uma canção, Joaquim levantou da mesa e saiu correndo curioso para explorar o lugar. Lígia pediu licença e foi atrás. Ela seguiu Joaquim que corria dando a volta na casa.
– Filho, não corra! Espera.
Joaquim finalmente parou de correr e Lígia conseguiu alcança-lo. Agarrou ele por trás, envolvendo em seus braços. – Ahá!! Peguei você! – ela parou de repente, surpresa, dando de cara com uma moça e um garotinho um pouco mais novo que Joaquim.
– Oi.
A moça não disse nada, mas Lígia notou algo estranho... ela parecia estar observando tudo de longe.
– Lígia?! – Miguel apareceu e quando a moça o viu, saiu correndo com o filho pelas mãos.
– Quem é ela? Cê conhece?
– Eu... Eu não vi direito... Não sei. Porque?
– Nada... estranho. Ela parecia tá observando a gente.
– Ah! Normal... somos novidade aqui.
– É. Você não é.
Miguel deu de ombros e transpassou o braço em volta da cintura dela.
– Vamos! Ainda tem muita coisa que quero mostrar pra vocês.
...
Já era noite. Lígia e Miguel namoravam do lado de fora. Estavam cobertos com o mesmo cobertor, sentados lado a lado na soleira da varanda.
– Gostou daqui? – Miguel perguntou olhando para ela.
– Muito. – ela sorriu e envolveu os braços em volta de si, massageando rapidamente com as mãos, numa tentativa de se aquecer do frio que fazia.
Ele notou e intensificou o abraço ao redor dela.
– Se eu soubesse que ter sua companhia deixava todas as viagens mais agradáveis...
– O que? – ela questionou sorridente.
– Teria levado você comigo em todas elas.
– Não quero pensar nas viagens que perdi... Só nas que teremos daqui pra frente.
– Eu também. – ele sorriu e a trouxe pra junto de si para um beijo.
O beijo se estendeu para algumas carícias arrancando risadas de Lígia.
– Ó... Cuidado, heim... Não faz isso... – ela brincou enquanto ele metia uma mão por baixo da blusa dela.
– Que mão gelada! – ela brincou.
– Que corpo quente. – ele revidou.
Ela riu, envolvida no clima romântico. Mas de repente um barulho lhe chamou atenção. Ela virou para o lado e viu aquela mesma mulher os observando.
– Hey! – Lígia gritou se levantando.
A mulher virou as costas e saiu rapidamente, não dando a chance para nenhum contato.
– O que foi? – perguntou Miguel levantando também.
– Eu não sei. Essa garota estava observando a gente desde hoje cedo quando chegamos. Lembra? Eu te perguntei se você a conhecia... Você não viu?!
– Não.
Lígia mostrava sinais claros de desconforto, parecia saber que havia algo estranho.
– Não sei não Miguel...
– Vem... vamos entrar. Aqui tá muito frio. Eu quero me aquecer com você. – ele abraçou ela, beijou-lhe no vão entre seu ombro, cheirou seu cabelo e sorriu. Ela sorriu de volta e juntos entraram em casa, mas Lígia não tirou da cabeça aquela história e no dia seguinte verificaria.
...
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