Sempre ao seu Lado

64 𝟐𝟓 𝐝𝐞 𝐃𝐞𝐳𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨 ➶


Sempre ao Seu Lado

Capítulo 60

parte 1

O movimento da caminhonete contra os cascalhos me fez erguer os olhos para a mansão de janelas enormes que desbravava entre as árvores altas e antigas da floresta.

Olhei para Cole com um leve sorriso no canto dos meus lábios, ele pareceu não reparar, estava manobrando o veículo entre a neblina espessa e baixa para estacionar. Olhei por cima do ombro as minhas meninas adormecidas atrás de nós, Hilary estava enroscada entre as fivelas de segurança com o rosto contra a lateral estofada da cadeirinha da Kay e Helena estava esparramada no estofado num sono profundo, mas sua mãozinha estava estendida na direção da irmã como se ela fosse precisar segurá-la a qualquer momento.

— Acho melhor eu pegar a Hilary. — Cole manifestou, seu olhar acompanhou o meu sobre minhas filhas — Ela talvez não se assuste com a mudança da temperatura.

— É, tem razão. — voltei meu olhar em sua direção — Pode ser que ela sequer acorde.

Descemos quase ao mesmo tempo de dentro do veículo; Cole me tolheu para que ele pudesse me ajudar a descer e assim cada um de nós abrimos uma porta traseira. Num movimento preciso ele enganchou os músculos nas alças da mochila para então desafivelar os cintos ao redor da minha filha e acomodá-la junto do seu cobertorzinho entre todo o calor de seus bíceps e peitoral, enquanto eu terminava de fechar o casaco da Helena antes de içá-la de encontro ao meu colo. Apalpei suas perninhas, me certificando de que ela estava bem acomodada no meu corpo, antes de fechar a porta do veículo e esperar que os movimentos de Cole me acompanhassem para entrarmos no conforto da mansão, e assim como eu, ele também parou por dois segundos para olhar a decoração incrível que abrilhantava tanto o esplendor dessa habitação.

Ao contrário do que eu imaginei, não topamos com ninguém pela casa, nem sequer com a Esme, que acreditei que estaria cuidando dos preparativos do café da manhã, já que a mesa se encontrava com uma decoração digna de filme e havia um som ambiente natalino por todo o lugar. Cole eu trocamos um olhar mútuo e seguimos adiante.

Nenhuma das duas acordou. Nem mesmo depois de eu conseguir polpá-las de tantos tecidos contendo seus movimentos, nem na troca de fralda e nem quando foi Cole a deitá-las em seus respectivos berços.

E ali estava Cole e eu, no corredor dos quartos temporários, um olhando para o rosto do outro, encostados em paredes paralelas respirando o leve mesclar do aroma do pinho que as guirlandas de Natal exalam.

Perdidos em nossos próprios pensamentos, mas atentos a presença um do outro.

Não foi um silêncio longo e intimidador, era uma atmosfera contemplativa de um dia recém-amanhecido.

Desencostei minhas mãos da parede, movendo meu corpo um pouco mais para frente, meus pés testando o equilíbrio da ação. Um, dois, três passos bastaram para que eu pudesse ser abraçada por ele e descansar minhas mãos em seus braços, apertando meus dedos contra seus músculos imaculados que transferem tanto calor. Cole me apertou contra si, deixando que meu corpo absorvesse as ondas quentes que emanam dele, o movimento foi involuntário, seu queixo descansou no alto da minha cabeça no momento em que meus lábios tocavam um ponto de pele bem próximo da tatuagem marcada em seu braço direito.

Ficamos mais um instante assim, eu no refúgio firme dos seus braços e ele sentindo o toque dos meus lábios, uma descoberta à parte.

Depois de algum tempo, senti o enlace de seus músculos se afrouxarem um pouco como se quisesse que eu tivesse mais liberdade em meus movimentos, assim como senti o peso de seu queixo se afastar da minha cabeça e quando o fez, ergui o rosto para olhar em sua direção.

— Por que nós estamos em silêncio mesmo? — perguntou no meio do meu movimento, o que me proporcionou a acompanhar como seus lábios se articulavam, na metade das palavras.

— Até que eu não sei?... — franzi minhas sobrancelhas, ainda que um sorriso já estivesse no meu rosto, assim como no dele. Procurei pelo seu olhar — Tá... — admiti, o sorriso aumentando — Minha mente quer ganhar um espacinho para pensar...

— Pensar em mais o quê?...

— Em você.

— Mas eu estou bem aqui, Lee. — me empurrou sutilmente contra si, juntando mais ainda meu corpo ao seu, as mãos espalmadas subindo e descendo pelas minhas costas. Me senti na liberdade de enlaçar meus braços sobre os montes musculosos de seus ombros, descansando todo o peso do meu corpo contra ele.

— Ainda bem! — forcei meus braços para baixo, puxando-o para perto. Perto o suficiente para que pudéssemos nos beijar.

Ele sequer hesitou.

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— Eu te aviso quando estiver saindo de lá. — Cole reforçava a promessa.

— Está bem. — assenti, afastando as minhas mãos da sensação da vibração do motor, ao desencostar da porta da caminhonete. Mas me inclinei minimamente em sua direção para acrescentar: — Não esquece de trazer a Kaylee. Se os pais dela deixar...

— Verei o que podemos fazer...

— A Rebecca e o Embry sabem que ela estará segura, aqui..., — tentei ser confiante — comigo? — sem muito sucesso, tudo em mim demostrou insegurança. Respirei fundo alinhando meus ombros discretamente.

— Eu te aviso se eu não puder trazer a minha afilhada. — me garantiu.

— Certo, obrigada... Ai..., eu deveria ter pensado nisso ontem, não é? — meu rosto expressou tudo o que minha voz podia conter, e passei a gesticular — Foi um pedido muito em cima da hora. Talvez a Rebecca nem a deixe passar o Natal distante da família desse jeito...

— Lee. — Cole alcançou a minha mão, interrompendo o movimento — Você faz parte da minha família.

Um misto de sensações inundou o meu corpo, quase como uma vertigem. Meus lábios ficaram entreabertos, deixando que o ar quente e condensado escapasse onde outrora eram apenas palavras. Demorei uns segundinhos a mais para me recuperar da sensação que me deixou surpreendida e deixar a expressão que entregava o quanto eu fiquei tocada e mexida por ele, se externar num sorriso largo em meus lábios. Retribuí a carga intensa do seu olhar esverdeado sem disfarçar o calor nas maçãs do rosto.

— É bom saber disso. — quase não reconheci a entonação da minha voz.

Como sua mão ainda continha a minha, não foi difícil dele me trazer para perto da porta mais uma vez e muito menos impossível de ter seus lábios selando como fogo nos meus, num movimento rápido.

— Você faz, Amberli. — decretou, o som da sua voz quase vibrando contra meus lábios o tom carregado daquela gravidade que sempre me desarma e faz minha pele arrepiar — Não vejo como uma má ideia começar a te lembrar disso todos os dias.

Não era como se eu quisesse recusar essa posição na sua vida e na família toda em si, eu já estava ciente da minha inclusão ao mundo dele, minhas bagagens já estavam adentrando nas suas raízes, um pouco de cada vez e sei que ele entende isso. Ainda há muitas etapas para desbravarmos juntos e sei que ele não é um homem impulsivo; muito menos no seu compromisso comigo.

— Não que eu fosse reclamar... — um sorriso lateral despontou no meu lábio fechado.

Meu olhar contemplou cada detalhe do seu rosto como se eu estivesse vendo-o pela primeira vez depois de muito tempo, meu coração batendo tão forte dentro do peito, que ele poderia perceber o retumbar pelo tecido da minha roupa. Meu olhar desceu pelo seu corpo acomodado no banco do motorista sem que eu pudesse evitar, o veículo ainda em ponto neutro só esperando. Engoli seco desviando meus olhos para o painel, pondo minha cabeça no lugar antes de retornar meus olhos com calma em direção aos seus.

Eu não sei se isso é possível, mas nesse momento, foi como se eu pudesse sentir as pupilas dos meus olhos dilatar quando vi correspondido nas suas írises claras o reflexo do meu desejo por ele e quase quis choramingar com uma vontade crua de dar a volta no veículo e tomar meu lugar no banco do passageiro ao seu lado.

Eu iria para qualquer lugar que ele estivesse disposto a me levar.

O ar da sua respiração tocando de leve no meu rosto foi o que fez meu corpo se encolher minimamente e recuperar a compostura. Pisquei meus olhos rápido, o corpo recuando, Cole afrouxou o aperto de sua mão, deixando-me livre para impor mais distância além da que a porta nos oferecia.

Ele estava sorrindo, se divertindo com a minha reação!

Um sorriso tão lindo e espontâneo que meu corpo reagiu instantaneamente de uma forma que me fez perder o fôlego por um segundo.

— Com certeza não reclamaria. — aclarei a garganta.

— Não vou me esquecer disso. — seus olhos brilharam na promessa que fazia, o sorriso ali, ainda me tentando.

— É o que eu espero. — a expectativa escapuliu de mim, uma reação ocasionada pela maneira afetada que me senti com a intensidade do seu olhar. Meu coração parecia eletrizado dentro do peito — Eu te amo, Cole.

— Eu também te amo, Lee.

Se naquele momento eu pudesse afirmar que as cores dos seus olhos tivessem se derretido em um novo tom avivado de veios castanhos entre a diversidade viva do verde, eu o faria, pois para mim foi assim que aconteceu. Sem que eu esperasse, ele debruçou-se pela janela da caminhonete e estendeu o braço em minha direção. Fiquei hipnotizada pela curva dos seus músculos, esculpidos e firmes sob a névoa, revelando aquela força contida que sempre me tirava o fôlego. Sua mão encontrou o contorno macio do meu pescoço com um domínio suave, e o contraste do seu toque contra a minha pele me fez arrepiar, um convite mudo ao qual eu jamais saberia resistir. Com um movimento lento e irresistível, ele guiou meu rosto até o seu e, ao encontrar sua boca na minha, não tivemos pressa. A firmeza com que ele segurava meu rosto dizia tudo o que suas palavras não conseguiam traduzir: ele podia ir embora, mas seu toque ficaria gravado na minha pele.

Quando o motor rugiu e os faróis cortaram a neblina da estrada de cascalho, ele lançou um último olhar pelo retrovisor. Eu sustentei aquele contato visual até que as luzes vermelhas sumissem entre os pinheiros, abracei meus braços cobertos pelo meu novo pijama, sentindo a maciez do tecido que mantinha meu corpo aquecido mesmo na baixa temperatura externa. E só assim que eu entrei na mansão.

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Era a terceira vez que eu ajeitava o gorro fofinho sob a aba das minhas orelhas enquanto passava vagarosamente pelo corredor dos nossos quartos, ansiosa para que uma das minhas filhas despertassem, ou necessariamente a Hilary, já que eu passei a perceber que em muitos momentos Helena esperava um manifestar da irmã para considerar as atividades de um novo dia; ela até pode já estar desperta, mas se não causou nenhum manifestar sonoro para ser percebida, não serei eu a causar.

Encarei o leve reflexo do meu rosto através do vidro de um dos quadros que dividem o espaço com uma das guirlandas, fiz uma careta para mim mesma e movi a cabeça para ver o pompom branco balançar, poderia ser uma simbologia patética, mas eu não duvido do quando isso alegrará as crianças.

Continuei a perambular por entre as portas semiabertas; apenas o suficiente para espiar.

Helena dormia profundamente, enrolada nas cobertas, com os cachos negros espalhados pelo travesseiro. Sua pele clara parecia ainda mais delicada naquela luz, e, por um instante, fiquei simplesmente observando minha menina dormir. Era impossível não pensar em tudo o que havia acontecido para que chegássemos até ali.

Fechei os olhos por um instante.

Não.

Nessa manhã, eu me recuso a pensar no que havia sido perdido. Não tenho mais motivo nenhum para me prender lá.

A passos silenciosos me afastei da porta e segui meu caminho, percorrendo o corredor por completo mais outra vez.

Um barulho me fez parar.

Não me vi tão surpreendida ao reconhecer um manifestar entusiasmado da minha filha bem no momento em que eu me convenci a descer de volta para a cozinha.

Num pulo eu já me encontrei dentro do quarto com um sorriso largo e uma animação natalina que há muitos anos eu não encontrava em mim, sendo correspondida com gargalhadas e muitas felicitações de “Feliz Natal, mamãe” a plenos pulmões.

Isso com certeza acordaria a Helena.

Ajustei o pijaminha sobre seus ombrinhos tentando desamassá-lo em alguns pontos. Ao contrário do que eu planejei, nós estávamos vestidas com eles desde ontem.

Ou pelo menos as meninas estavam com eles desde ontem. Renesmee magicamente apareceu com os pijamas dentro do chalé, então quando cheguei até lá, minhas filhas já dormiam com eles e o meu me aguardava na ponta do colchão.

Passei a ponta do meu dedo sobre o relevo do nome bordado no tecido do seu pijaminha e Hilary fez o mesmo no meu; a mãozinha um pouco mais brusca, mas fez.

— Calma. Calma. Ainda está cedo. — eu precisei rir baixinho para impedir que ela acordasse o restante da casa.

— Mas, o papai Noel veio?!

— Acho que você vai precisar descobrir.

Ela me olhou com uma expressão séria, como se estivesse tentando decidir se eu era uma fonte confiável daquela informação. Aos poucos os olhinhos foram brilhando e a boquinha se formou num “O”. Parecia encantada.

— Ma-mãe! Ele sabe onde eu durmo?

— Tenho certeza de que sabe. — assenti, sorrindo, o pompom do gorro balançando chamando sua atenção.

Isso pareceu satisfazê-la à níveis celestiais, o que a fez desatar a falar e chamar pela irmã e então a conduzi comigo pelo corredor alguns passos adiante, e quando abri a porta encontrei minha menina exatamente como eu esperava: muito bem acordada.

Num grito que chegou a arder, Hilary correu em direção ao berço da irmã, se enganchando entre os ferros retorcidos da contenção do berço, Helena se sentou tão depressa que eu quase ri. As duas passaram a falar no mesmo nível de agitação e volume de uma maneira incompreensível. Tirei Helena de dentro do berço e nem assim ela não deixou de falar com a Hilary por nem um segundo sequer, as duas engataram numa faladeira tão exclusiva que mesmo nos segundos em que eu me esforçava para entender, ficava ainda mais incompreensível, então deixei pra lá.

Elas estão felizes, é isso que mais importa.

— E então, mamãe?

Até assustei quando as palavras legíveis foram direcionadas a mim. Hilary olhou para mim, depois para a porta e, por fim, para Helena, que estava parada ao meu lado.

— O Papai Noel veio?

— Ainda não sabemos. — Helena respondeu antes de mim.

Hilary pareceu considerar aquilo uma informação muito importante.

— Então precisamos procuirar!

— Talvez depois do café da manhã, filha.

— Agora, mamãe!

Eu ri.

— Depois do café-da-manhã, Hilary. — peguei-a no colo e, com uma filha em cada braço, atravessei o corredor de volta ao meu quarto.

Foi somente quando fechei a porta atrás de nós que percebi o quanto aquela cena era diferente de qualquer manhã que eu havia imaginado para minha vida: minhas duas meninas juntas, descabeladas, vestindo pijamas natalinos presenteados pela família que havia aberto as portas daquela casa para nós. E eu ali, atenta, tentando memorizar cada segundo.

Deixei as meninas livres pelo quarto, indo até a poltrona, onde havia deixado dois pequenos gorros vermelhos na noite anterior. Peguei o primeiro e coloquei na cabeça de Hilary. O pompom branco caiu sobre sua testa e ela começou a rir.

— ...Mamãe!

— O quê? — olhei em seus olhinhos castanhos, tentando compreender o que havia falado.

— Está graaande!

— É porque você ainda é pequenininha.

— Eu não sou peque-ni-ni-nha.

— Não?

— Sou gande!

Helena imediatamente levantou a mão.

— Eu também sou grande!

— Ah, então estou cercada de meninas enormes.

As duas riram.

Coloquei o segundo gorro em Helena, ajeitando cuidadosamente os cachos que haviam ficado presos sob a borda vermelha, quando terminei, sentei-me na beirada da cama e as duas se acomodaram ao lado das minhas pernas.

Por alguns segundos, apenas as observei. Então comecei a cantar baixinho, chamando a atenção delas.

A melodia de Away in a Manger saiu dos meus lábios quase como um sussurro, suave o suficiente para pertencer somente àquele quarto. Eu não precisava cantar alto, não tinha afinação nenhuma para isso. As meninas estavam perto de mim, e o silêncio da mansão parecia acolher cada nota quebrada.

Helena encostou a cabeça no meu joelho. Hilary acompanhou a melodia do jeito que conseguia, inventando pequenas partes quando esquecia as palavras.

Sorri diante do momento imperfeito e, justamente por isso era lindo.

Quando terminei a canção infantil, com minha voz baixinha e desafinada no fim, minhas filhas permaneceram quietas por alguns segundos.

— Canta de novo, mamãe. — Hilary pediu.

— Depois eu canto mais. — me esquivei.

— Só mais uma. — insistiu.

— Depois do café-da-manhã, então.

— E aí, mais uma musiquinha.

— Você está negociando comigo? — franzi as sobrancelhas.

— Sim! — ela sorriu.

— Então temos uma negociadora nesta família. — ri e beijei sua testa.

Helena levantou a mão ao longo da minha perna, chamando minha atenção.

— Eu quero cantar também.

— Então vamos fazer assim: primeiro o café-da-manhã, depois vamos abrir todos os presentes, aí a Helena canta e, se vocês se comportarem...

— A mamãe canta de novo? — Hilary perguntou.

— Canto.

As duas concordaram imediatamente. Foi provavelmente o acordo mais fácil que eu já havia feito como mãe.

Descemos as escadas alguns minutos depois. Havia alguma coisa assando na cozinha, e o aroma doce se espalhava pela casa inteira como se o próprio Natal tivesse encontrado uma maneira de respirar. Quando entramos na cozinha, encontrei os Cullen reunidos ao redor da mesa. Bom, todos, menos Renesmee.

Hilary mal havia dado dois passos para explorar quando a baixinha apareceu ao seu lado.

— Feliz Natal, Florzinha! — ela felicitou com toda a alegria do mundo.

— Tia Lice! — minha filha abriu um sorriso enorme e correu para ela.

Alice a pegou no colo imediatamente com um sorrisão abrilhantando o rosto. Não havia como não sorrir.

Alice tinha desenvolvido uma afeição especial pela Hilary desde que ela chegara àquela casa, não foi difícil perceber, havia sempre alguma novidade para a minha filha: uma presilha nova, um brinquedo diferente, uma espuma de banho colorida antes de dormir, alguma delicadeza que Alice encontrava uma maneira de colocar nas mãos da minha filha.

Essa manhã, não seria diferente.

— Olhe o que eu encontrei para você! — disse ela, mostrando uma pequena presilha toda emperiquitada com coisinhas natalinas.

— É minha? — Hilary tocou no enfeite com a pontinha dos dedos.

— É claro.

— De verdade?

— Você acha que eu daria para outra pessoa? — Alice fingiu surpresa.

— Nãão. — Hilary balançou a cabeça, o pompom do gorro balançando.

— Então é sua. — ela deixou a presilha na palma da sua mãozinha.

— Muito obrigada, tia Lice!

— De nada, florzinha. — seu sorriso era enorme quando recebeu o agradecimento, antes de se virar para Helena — E não pense que eu me esqueci de você! — tocou em uma mecha anelada — Ele só está muito bem embrulhado lá de baixo da árvore! Você vai gostar.

— Eu sei que você não deve ter se esquecido. — Helena engajou, deixando que Alice a pegasse no colo. Parecia uma criança segurando outra — Sua memória é bem boa. Assim como suas escolhas.

— Então você aprova minhas escolhas?! — Alice girou graciosamente com ela nos braços.

— Eu aprovo... É que eu ainda não vi ninguém fazer o contrário. — admitiu, recebendo uma gargalhada de Alice.

Eu desviei os olhos por um instante, é estranho como pequenos gestos conseguiam me atingir tão profundamente, meu olhar acabou se encontrando com os de outra pessoa, Carlisle me cumprimentou com um sorriso tranquilo.

— Feliz Natal, Amberli. — felicitou.

— Feliz Natal, Carlisle. — desejei de volta.

Esme veio até mim logo depois e tocou meu braço, me puxando para um abraço.

— Feliz Natal, querida!

— Obrigada, para você também, Esme. — correspondi o carinho olhando bem fundo nos olhos dela. Seu sorriso aumentou e seus olhos também sorriram. Nos abraçamos mais uma vez.

— E feliz Natal para vocês duas. — ela olhou com todo amor para as meninas.

Hilary correspondeu com entusiasmo mesmo que sequer tenha tirado sua atenção da presilha nova, já Helena escondeu metade do rosto atrás de mim.

— Feliz Natal. — murmurou, com um claro constrangimento incomum no tom da sua voz.

— Só isso?! — Emmett, sentado à mesa, ergueu uma sobrancelha — Depois de tudo que fizemos para preparar esta manhã?

— Emmett! — Rosalie ralhou com ele, morta de vergonha.

— O quê, Ursinha? Estou dizendo que merecemos reconhecimento.

— Você não fez quase nada.

— Isso é uma acusação grave e totalmente injusta, estou quase magoado.

Edward riu discretamente. Jasper apenas balançou a cabeça, mas se aproximou junto do restante da família para felicitar eu e as meninas.

A mesa estava impecavelmente arrumada com todas as pequenas porções de cada receita natalina que inventamos de cozinhar. Havia barras de Cranberry Bliss, pão Stollen, geleias, panquecas, waffles, biscoitos decorados, torrones, rabanadas, manteiga, mel e pequenas tigelas com frutas silvestres. Uma travessa de cinnamon rolls ocupava o centro, ainda soltando aquela fumacinha delicada de vapor.

Por um instante, fiquei parada admirando tudo o que foi preparado para a nossa manhã de Natal com muito orgulho e a sensação de dever cumprido.

Esme tinha posicionado todos os pequenos guardanapos que eu havia dobrado anteriormente ao lado de cada prato, são lindíssimos, com belos motivos natalinos. E de acordo com a maneira que nos organizamos, eu sabia que era Alice que havia espalhado alguns enfeites pela mesa, e eu reconheci imediatamente alguns deles como coisinhas que provavelmente comprara especialmente para as meninas.

Eu me sentei depois de arrumar as meninas nos cadeirotes amorosamente enfeitados por festões e laços brilhantes, e por alguns minutos o mundo pareceu ser mágico. Todos tomaram seu lugar à mesa, envolvidos em conversas saudáveis, no cheiro doce da maioria dos alimentos, o aroma aquecido das sidras preparadas no decorrer da semana; estava sendo um sonho realizado.

Num dado momento eu deixei de comer e beber para sentir as vozes, risadas..., deixei que meus olhos passeassem pelo momento descontraído entre cada um ao meu redor, vendo Rosalie ajudando Hilary com um pedaço de Julekake e Esme colocando rocambole decorado no prato da Helena.

Meus olhos se encontraram com os ensolarados de Carlisle, que também observava tudo com aquela expressão serena que parecia expressar o quanto estava realizado pela presença da sua família e eu com minhas filhas no primeiro Natal que realmente parecia ser nosso. Troquei um leve sorriso com Carlisle erguendo a minha xícara de chocolate quente num cumprimento de reciprocidade.

Verdadeiramente era o meu bom primeiro Natal, de muitos.

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Depois do farto café-da-manhã, enquanto eu ainda ajudava Hilary a devorar o último pedaço de muffin de marionberry, ouvi passos abafados vindos por trás de mim, então as portas da cozinha que davam para o deck se abriram e eu precisei conter uma gargalhada.

Rosalie estava vestida de Mamãe Noel! Num vestido vermelho temático impecável, branco nas mangas, botas pretas altíssimas, as bochechas num blush bem vermelho, um óculos de armação frágil sobre a ponte do nariz e um gorro cuidadosamente colocado sobre seus cabelos dourados.

Ao lado dela estava Emmett de Papai Noel e, naturalmente, ele havia decidido levar isso muito mais a sério do que qualquer pessoa razoável faria. Trazia consigo uma enorme barriga falsa por baixo do casaco vermelho, por debaixo do gorro seus cabelos cacheados estavam penteados para trás com algum produto que deixou seu cabelo branco, uma barba branca que parecia grande demais até para ele e um saco vermelho pendurado no ombro.

Helena arregalou os olhos e Hilary ficou completamente imóvel.

Emmett abriu os braços de uma maneira exagerada:

— HO! HO! HO!

Rosalie fechou os olhos por um instante, mas não deixou de sorrir.

— Emmett... — pude ouvi-la chamar.

— O quê?

— Você assustou as crianças. — ela repreendeu no sorriso, os lábios mal se mexendo, enquanto se aproximava. O barulho do salto agulha da sua bota tilintando na madeira.

— Isso faz parte do personagem. — pude ouvir o teor confuso das palavras do grandão.

— Não faz, não.

— Desculpem. Papai Noel está aprendendo. — ele se abaixou na direção das meninas.

Hilary começou a rir, parecia não acreditar no que estava bem na frente de seus olhos infantis. Helena também riu, mas eu sabia que ela os reconhecia mais facilmente do que a irmã. Suas risadas eram por motivos diferentes e ainda assim, encantadoras.

Então Emmett apontou para as duas.

— Venham cá, minhas pequenas ajudantes!

— Não precisa correr... — avisei. Tarde demais.

Ele já havia pegado Helena no colo, enquanto Rosalie levantava Hilary com uma facilidade que fez minha filha soltar uma gargalhada.

— Mamãe Noel! Olha mamãe, olha! O Papai Noeel! — Hilary gritava, totalmente maravilhada — Mamãe eles sabem mesmo onde eu moro!

Rosalie sorriu, e aquele sorriso... Eu já conhecia Rosalie o suficiente para perceber quando havia alguma coisa verdadeira por trás dele, ela olhou para Hilary como se estivesse segurando algo precioso.

Emmett passou por mim carregando Helena apoiada sobre a enorme barriga falsa, o saco ainda segurado por cima do ombro.

— Crianças, a distribuição oficial de presentes está prestes a começar!

— Emmett! — Edward chamou.

— Aqui quem manda é o Papai Noel! — ele corrigiu — E o Papai Noel está ocupado, Edward!

— Você está usando uma barba falsa. — Edward provocou.

— Sou um Papai Noel moderno! Me respeita.

— Eu vou junto! — Alice levantou-se imediatamente.

— Claro que vai, baixinha. — Emmett respondeu. Alice já estava atrás dele — Hilary é minha ajudante. — apontou com o dedo para a minha filha, que ainda estava grudada no colo da sua esposa.

— Eu não sei se você sabe, Papai Noel, mas eu sou a ajudante dela! — Alice anunciou.

— Tia Lice, vem. — Hilary estendeu os bracinhos para Alice, mas sem a pretensão de sair dos braços da Mamãe Noel.

— Viu? — Alice disse, satisfeita.

Rosalie soltou uma risada baixa e assim, entre risadas, gorros vermelhos, braços carregando crianças e a voz exageradamente grave de Emmett ecoando pela casa, todos começaram a seguir para a sala.

Com o coração em plena alegria eu fui atrás deles e antes que eu tivesse chegado na metade da escadaria, Emmett já tinha sido o primeiro a atravessar completamente a sala.

— Atenção! — o grandalhão anunciou com uma voz tão grave que Helena imediatamente apertou os braços ao redor de seu pescoço — Chegamos ao território oficial do Papai Noel!

— Você não mora aqui, Papai Noel. — Rosalie respondeu atrás dele.

— Hoje eu moro, querida Mamãe Noel.

— Não mora, nós moramos no Polo-...

— Mamãe Noel, por favor. Não destrua a magia diante das crianças.

Rosalie revirou os olhos, mas Hilary, que permanecia confortavelmente em seus braços frios, parecia mais interessada no gorro vermelho que ela usava do que na discussão, foi somente quando Emmett parou de perambular de um canto ao outro da sala que Hilary finalmente olhou para a árvore empanturrada de muitos presentes.

Eu parei atrás deles.

A árvore, que tão majestosamente ocupava uma das extremidades da sala, alta e iluminada, estava ainda mais bonita do que na noite anterior. As luzes dos piscas-piscas se espalhavam entre os galhos, refletindo nos enfeites, no vidro e nas fitas penduradas em alguns galhos. Havia presentes por toda parte, não apenas alguns, eram muitos mesmo, mais do que eu achava que seria possível, ainda mais agora que estavam enfileirados na frente da árvore para facilitar a entrega.

— Olha tuudo isso, mamãezinha! — Hilary me procurou com o olhar e apontou com entusiasmo.

Sorri.

— Ta vendo? São muitos, né?

— Olha Nena! — seus olhos castanhos se voltaram para a irmã, ambos os olhares brilhavam.

— Estou olhando, Hili.

— Tem um moonte de presentes!

— Tem sim, é muita gente, precisa de muitos presentes.

— Muitos presentes. — Hilary virou o rostinho de volta para mim, como se eu ainda não tivesse compreendido o esplendor da situação.

Não consegui evitar a risada.

— Muitos, filha.

Hilary inclinou-se nos braços de Rosalie para observar melhor, Helena discretamente fez o mesmo, seus olhos claros percorriam a sala com uma curiosidade silenciosa. Ao contrário de Hilary, ela não demonstrava sua surpresa explicitamente através de palavras ou movimentos exagerados. Apenas observava muito mais.

— Antes de começarmos a abrir os presentes, eu gostaria que todos viessem um pouquinho mais para perto — anunciou Esme, chamando a atenção de quem estava espalhado pela sala. — Há uma última coisa que precisamos fazer primeiro.

A maneira como ela falou fez Hilary erguer imediatamente a cabeça, enquanto Helena abandonava por alguns segundos o presente que estava observando para acompanhar Esme com os olhos. A matriarca caminhou até uma das mesas próximas e retirou de uma caixa cuidadosamente protegida duas enormes estrelas douradas. Eram maiores do que eu havia imaginado, feitas de uma estrutura leve que refletia as luzes da sala e parecia brilhar por conta própria. Cada uma tinha pequenos pontos luminosos espalhados pelas extremidades, fazendo com que parecessem ainda mais bonitas quando Esme as ergueu diante das meninas.

Só então percebi que as duas árvores de Natal da casa, apesar de completamente decoradas, ainda permaneciam sem nada no topo, tinham sido deixadas propositalmente incompletas.

— Eu guardei as estrelas para vocês. — explicou Esme, aproximando-se das meninas — Acho que elas estão esperando pelas pessoas certas para encontrar o lugar delas. — ela então ergueu uma das estrelas, fazendo-a refletir as luzes da árvore, e depois apontou para a outra — E como vocês são as nossas irmãzinhas favoritas, acho justo que sejam vocês a colocá-las lá em cima.

Helena abriu um sorriso imediatamente, enquanto Hilary olhou para o alto da árvore antes de voltar os olhos para Esme, como se estivesse calculando a distância. Eu mal tive tempo de perguntar como pretendíamos alcançar o topo das árvores antes de ouvir a risada de Emmett atrás de nós e o vi se aproximar, já entendi que ele seria o responsável por transformar aquela tarefa muito mais divertida para as meninas. Ele se abaixou diante de mim e abriu os braços para recebê-las, e eu ainda hesitei por um instante antes de entregar Hilary e depois Helena aos seus braços imensos, certificando-me de que as duas estivessem bem acomodadas antes de soltá-las. Eu confiava nele, mas a altura da escada que já começava a ser posicionada diante da árvore fez meu instinto de mãe permanecer atento. Emmett percebeu meu olhar e abriu aquele sorriso tranquilizador que, nele, quase sempre vinha acompanhado da covinha profunda em suas bochechas.

— Eu cuido delas, Amberlizinha.

Assenti, deixando que ele segurasse as duas com segurança enquanto Rosalie se aproximava para acompanhar a escada que Jasper havia posicionado diante da árvore e Esme entregava a estrela. Emmett subiu os degraus com uma facilidade que tornava toda aquela estrutura quase desnecessária, mas fez questão de agir como se estivesse realizando uma operação extremamente delicada. Hilary ria, encantada com a altura, enquanto Helena permanecia mais séria, segurando a estrela com as duas mãos e esperando a orientação de Esme. Quando chegaram ao topo, as duas levantaram os braços e encaixaram a estrela no lugar preparado para ela.

Emmett continuou com as meninas nos braços quando todos nós descemos para o hall e voltou a subir os degraus estreitos para permitir que as meninas fizessem as honras e dessa vez as meninas já pareciam compreender melhor o que estavam fazendo. O ambiente pareceu mudar quando as duas pontas douradas finalmente encontraram seus lugares, piscas-piscas refletiram sobre as estrelas e se espalharam pelos galhos mais altos, completando aquilo que, até então, eu sequer havia percebido que estava faltando.

Esme levou as mãos ao peito, satisfeita, e Alice imediatamente começou a tirar fotografias, enquanto eu observava minhas filhas lá de cima, cada uma ao seu modo, participando daquilo que parecia ser o início oficial do nosso Natal naquela casa. Eu não consegui fazer outra coisa além de sorrir.

Quando Emmett finalmente começou a descer com elas, eu já sabia que, dali em diante, ele não precisaria de mais nenhuma desculpa para transformar a manhã numa completa confusão pois os presentes ainda nem tinham começado.

Emmett mais que depressa voltou para a sala com as crianças, colocando Helena no chão.

— Certo. — iniciou, pensando em suas próximas palavras.

Helena permaneceu diante dele.

— Certo? — Hilary repetiu.

— Antes de qualquer presente, existem regras...

— Regras? — Rosalie franziu o cenho.

— Sim, Mamãe Noel.

— Desde quando Papai Noel tem regras para a entrega dos presentes? — arqueou a sobrancelha loira, olhando-o com ceticismo.

— Desde a época que eu descobri que crianças podem abrir presentes mais rápido do que Alice consegue escolher nossas roupas.

— Ai... Isso foi pessoal. — Alice colocou uma das mãos sobre o peito.

— Foi preciso. — ele comentou com um pouco de tédio enquanto acariciava a barriga falsa.

Hilary olhou de um para o outro.

— Já posso abrir, Papai Noel? — ela apontou com ansiedade para os presentes.

— Você ouviu alguma coisa que eu acabei de dizer? — Emmett se abaixou diante dela.

— Não. — ela gesticulou num movimento com a cabeça.

Foi difícil para qualquer um deixar de soltar nem que fosse uma risada baixa.

— Não incentive. — Emmett apontou para Edward.

— Posso abriiir? — Hilary voltou a olhar para os presentes.

— Essa menina vai ser uma negociadora profissional. — murmurei.

— Ela aprendeu com você. — Alice respondeu.

— Eu não sei se isso foi um elogio. — olhei para ela com estranheza.

— Nem eu. — ela ergueu os ombros.

E então quando Bella não conteve a rápida gargalhada e Rosalie deu um sorriso verdadeiro, desconsiderei qualquer desconforto que as palavras de Alice poderiam ter me causado, a loira não é alguém que distribui delicadeza apenas porque esperam isso dela. Quando demonstrava carinho, havia sempre alguma coisa profundamente sincera por trás.

Ela passou entre nós, tirou minha filha dos braços do marido e colocou Hilary ao lado da irmã, as duas ficaram juntas diante da árvore iluminada e deram as mãos. A cena diante dos meus olhos fez com que eu sentisse meu coração apertar: Hilary, com seu pequeno gorro vermelho caindo sobre uma das sobrancelhas e Helena, tentando manter o próprio gorro no lugar enquanto seus cachos escapavam por todos os lados, bem ali de mãozinhas dadas.

Minhas filhas. Isso parecia demais para o meu coração.

Alice se aproximou sorrateiramente com o celular em mãos e fotografou o momento. Num piscar de olhos ela já estava com a tela do aparelho diante dos meus olhos para que eu pudesse ver. Contemplar crianças de mãozinhas dadas diante de uma árvore de Natal é uma imagem tão tradicional que poderia pertencer a qualquer família, mas nessa fase da minha vida, nada é simplório, agora tudo me parece ter um peso que eu não sei explicar, talvez porque eu tivesse passado tempo demais acreditando que minha vida nunca seria assim e que em algum lugar dentro de mim, ainda existisse a mulher que havia aprendido a não esperar demais, que acreditava erroneamente que desejar e perder eram coisas que, para mim, tinham se tornado perigosamente próximas.

Senti alguém tocar meu ombro.

Olhei por cima do ombro, encontrando o olhar cheio de amor que transborda de Esme. Dei um leve sorriso, ela não disse uma palavra, apenas permaneceu ao meu lado.

Foi o suficiente.

— Muito bem! — Emmett anunciou novamente, esfregando as mãos — Papai Noel decidiu que vocês podem começar.

— Ebaa! Eu sabia que era agóia! — Hilary se balançou sobre os pés, quase uma tentativa de pulinhos.

— Você sabia?

— Sabia sim, Papai Noel.

— Impressionante.

— Vamos começar devagar. — Rosalie caminhou até a árvore.

— Devagar? — Emmett perguntou. — Isso é Natal, Ro-Mamãe Noel.

— Exatamente Papai Noel. E eu gostaria de sobreviver à manhã sem que você derrubasse a árvore.

Ele olhou para a árvore, depois para a esposa.

— Eu nunca derrubaria uma árvore de Natal. — cruzou os braços e empinou o nariz.

Jasper inclinou a cabeça como se não acreditasse no que estava ouvindo.

— Tecnicamente, você derrubou uma no ano passado.

— Aquilo foi diferente, irmão. — Emmett virou-se.

— Era uma árvore de Natal. — o loiro pontuou.

— Ela já estava caindo.

— Porque você tropeçou nela.

— Desse jeito eu vou ter que repensar o seu nome na minha lista, Jasper.

— Como é? — Jasper ergueu as sobrancelhas.

Rosalie apenas balançou a cabeça, e Alice sentou-se no chão ao lado de Hilary.

— Venha cá. — ela convidou minha filha a se aproximar.

Hilary imediatamente correu até ela, era impossível não perceber o quanto Alice havia se apegado à minha filha, que por sua vez, parecia ter aceitado aquilo como uma das certezas mais naturais do mundo.

Alice estava ali entre minhas filhas e os patriarcas Noel, participando tão ativa quanto eles e se alguém tentasse impedir, provavelmente enfrentaria a resistência de uma menininha de gorro vermelho e quase dois aninhos.

— Qual é o primeiro? — Hilary perguntou.

— Humm... — Alice analisou os presentes.

— Rápido tia Lice.

— Estou pensando.

— Aquele. — Hilary apontou para um pacote grande.

Emmett arregalou os olhos.

— Essa é a minha garota!

— Ainda não. — Rosalie olhou para ele.

— Mas é um excelente presente. — ele insistiu.

— Pode até ser, mas não será o primeiro.

Ele pareceu pensar por alguns segundos, apesar de toda a encenação, Hilary estava se divertindo mais com eles do que com os presentes e isso que tornava tudo tão especial pois ela não precisava compreender a tradição por completo, ainda é muito pequena, não precisava saber de onde vinha e nem entender por que Papai Noel era, na verdade, o Emmett com uma barrigona falsa e barba falsa tão grande que mal deixava seu rosto aparecer. Para ela, bastava que nós estivéssemos aqui e, naquele momento, praticamente todos estamos. Carlisle e Esme permaneciam próximos um do outro; Edward estava encostado no consolo da lareira com as mãos seguras na cintura da Bella, que respondia com carinho algum questionamento de Helena; Jasper permanecia alguns passos atrás de mim, com os olhos atentos em Alice, com a expressão tranquila que me dava a sensação de que ele parecia sempre perceber algo mais do que dizia; Rosalie estava lindamente ao lado das minhas meninas e Emmett... Bem... Emmett estava claramente aproveitando a oportunidade de ser o centro das nossas atenções.

— ...Certo, — Rosalie decidiu — vamos começar pelos presentes delas.

— Da Hiwawy? — Hilary olhou imediatamente para ela.

— Sim, amor. — Rosalie assentiu, tocando no pompom do seu gorro — Mas vamos abrir um de cada vez.

— Um! — ela ergueu um dedinho para o alto.

— Isso mesmo. — sua voz soou muito amorosa — Um de cada vez.

— Depois mais outro? — minha pequena fez uma expressão concentrada tão fofinha que aqueceu meu coração.

— Depois outro. — Rose assentiu.

— Viu, mamãe? — Hilary vibrou — Depois outro!

Ri.

— Sim filha, um de cada vez.

— Eu também, tia... Mamãe Noel? — Helena aproximou-se da loira.

— Você também, meu amor.

Os olhos dela se iluminaram. Foi então que Rosalie pegou um presente entre tantos enfileirados ao redor da árvore.

— Este é para a Helena. — a loira anunciou; Helena ficou parada, Rosalie caminhou até ela e se abaixou — Feliz Natal, Estrelinha.

Helena olhou para o pacote, depois para Rosalie.

— Mas é meu?

— É seu. — Rosalie assentiu com um sorriso.

— Posso pegar?

— Claro. — Rose estendeu o pacote.

Helena recebeu o presente com cuidado enquanto agradecia, segurou-o entre as mãos pequenas como se aquilo fosse algo muito mais delicado do que papel e fita. Hilary imediatamente se aproximou.

— Abre Nena!

— Hilary. — eu disse, interceptando-a.

— Eu estou ajudando, mamãe.

— Então você pode ajudá-la devagar. — Alice colocou a mão sobre o ombrinho dela.

Minha filha pareceu satisfeita com a nova missão, as duas se sentaram no tapete e Helena puxou uma ponta da fita enquanto Hilary foi instruída a puxar a outra e, em menos de três segundos, ambas estavam tentando abrir o mesmo presente.

— Devagar. — Rosalie instruiu com carinho.

— Elas são crianças. — Emmett comentou — Devagar não existe na natureza de uma criança.

— Você também não é um bom exemplo. — Jasper comentou.

— Eu sou um excelente exemplo. — Emmett deu-lhe um olhar ofendido.

— De quê? — Jasper ergueu uma sobrancelha.

Emmett abriu a boca, pensou e então apontou para Hilary.

— De entusiasmo.

Ninguém pôde discordar.

Minha atenção se voltou para as minhas filhas quando o papel finalmente começou a se rasgar, vi quando Helena abriu um sorriso, aquele pequeno sorriso que começava com o brilho nos olhos, o que me fez não resistir de me sentar mais perto das duas para amontoar os pedacinhos arruinado do papel do presente, felizes, cercadas por pessoas que tinham escolhido amá-las sem obrigação alguma.

— HO! HO! HO! — Emmett gritou novamente.

Hilary colocou as mãos sobre os ouvidos, com os olhinhos arregalados de susto.

— Papai Noel!

— Desculpe, Florzinha. — ele respondeu, abaixando imediatamente o tom. — Papai Noel se empolgou.

— Finalmente alguma coisa em que concordamos. — Rosalie lançou-lhe um olhar.

E, enquanto todos riam, Helena puxou o último pedaço de papel do presente. Agora eu poderia considerar que a nossa manhã de Natal havia começado de verdade, preenchendo a mansão com o som do fundo musical natalino que tocava desde madrugada, o de papéis rasgados, gargalhadas e a sensação inconfundível de que aquele era o nosso lugar.

Ao meu redor todos se aproximavam com animação, Alice passou a andar de um lado para o outro com uma câmera além do celular, Rosalie estava ajoelhada ao lado de Hilary, Helena ainda tinha um pequeno pedaço do papel de embrulho preso entre os dedos quando olhou para o presente aberto sobre seu colo, inclinei-me um pouco para enxergar melhor: era uma pequena caixa de madeira clara, delicadamente trabalhada com seu nome lindamente gravado na tampa. Não havia nada excessivamente sofisticado nela apesar de ser de qualidade era simples, bonita e, de algum modo, parecia ter sido feita para durar por muitos anos. Helena passou a ponta dos dedos pelas letras.

— É o meu nome. — sua voz soou convicta.

— Sim. — a voz masculina a respondeu, era Carlisle, que estava alguns passos atrás de mim, sorrindo para ela.

— Você quem escreveu? — Helena ergueu os olhos para ele.

— Não fui eu quem fez, mas escolhemos para você.

Esme aproximou-se e sentou-se ao meu lado no tapete.

— É para guardar coisas importantes, já deixamos algumas aí para você.

— Que coisas? — Helena voltou a olhar para a caixa, os pézinhos se balançando.

— Isso você vai ter que descobrir. — Esme sorriu.

A resposta pareceu deixá-la ainda mais curiosa, Helena destravou as dobradiças douradas e levantou a tampa com cuidado, dentro havia pequenas lembrancinhas escolhidas especialmente para ela: um livrinho de histórias ilustradas, uma pulseira delicada de ouro rosa com elos retorcidos para quando pudesse usar algo diferente da que já trazia consigo e um enfeite de Natal em forma de estrela, pequeno o suficiente para caber em suas mãos.

Ela pegou a estrela primeiro, parecia ser de vidro.

— É muito bonita.

— É sua para sempre. — Esme respondeu.

Helena segurou o enfeite contra o peito e seu gesto me fez precisar desviar os olhos por um segundo, não porque estivesse triste, na verdade, era justamente o contrário. Ainda me é difícil receber felicidade sem sentir que precisava imediatamente procurar por alguma coisa que pudesse tirá-la de mim.

Pisquei os olhos para afastar tanto o ardor do acúmulo de lágrimas quanto os maus pensamentos, hoje não havia nada para procurar, apenas minhas filhas e as pessoas que se importavam comigo e com elas juntamente da bela árvore cheia de presentes.

— Muito bem! — Emmett declarou — Uma criança oficialmente presenteada. Quem é a próxima?

— Ai Emm-Papai Noel. — Rosalie disse.

— O quê foi, querida? — ele acariciou a barrigona.

— Você não está comandando uma cerimônia diplomática.

Ele olhou para ela.

— Eu sou Papai Noel.

— Exatamente.

— Não entendi.

— Eu entendi. — Jasper respondeu.

Emmett apontou para ele.

— Claro que entendeu. Você sempre entende o lado dela.

— É porque ela costuma estar certa.

— Isso é uma conspiração.

Hilary, que havia acompanhado toda a conversa enquanto esperava, finalmente levantou a mão.

— Eu! Eu!

Emmett parou, voltando toda sua atenção para ela.

— Você?

— Meu presentee.

— Ahh. — ele colocou uma mão sobre o peito — A paciência desta geração.

— Meu presente. — Hilary não pareceu se importar com a crítica.

Alice riu, Hilary virou-se imediatamente para ela.

— Você sabe qual é, tia Lice?

— Talvez. — Alice fingiu pensar.

— Sabe, tia Lice?

— Talvez eu saiba.

— Tia Liice. — a maneira como ela disse o nome fez todos na sala sorrirem, era uma mistura de exigência e confiança absoluta.

Alice olhou para mim por um instante, depois para Hilary.

— Eu acho que tenho uma ideia.

Hilary levantou-se tão depressa que quase perdeu o gorro, Alice se levantou e caminhou até a árvore, eu observei enquanto ela procurava entre os presentes, percebi isso quase imediatamente que ela não precisava procurar de verdade, Alice sabia exatamente onde estava o pacote. Ela puxou um presente de tamanho médio, Hilary arregalou os olhos.

— É meu?! — minha filha guinchou em entusiasmo.

— É seu sim. — Alice se abaixou.

Hilary deu olha olhada para mim e depois para a baixinha com o pacote a sua frente.

— Posso? — ela estendeu as mãozinhas.

— Pode.

Hilary pegou o presente e correu de volta para o tapete, Alice sentou-se do lado dela, não havia pressa em seu rosto e aquilo me chamou atenção já que Alice é, por natureza, uma garota que parece sempre existir alguns passos à frente de todos nós. Pensava rápido. Movia-se rápido. Decidia rápido.

Mas com a Hilary ela demonstra ter aprendido outra velocidade, esperava, deixava que minha filha fizesse as coisas sozinha mesmo quando seria muito mais fácil simplesmente abrirmos o pacote por ela, mas eu não faria isso e Alice tinha consciência de não fazer o mesmo.

Hilary puxou o laço com a sua força. Não conseguiu. Tentou outra vez com movimentos mais enérgicos. Alice permaneceu quieta do outro lado. Hilary, em seu pijaminha lutava energeticamente contra um laço de fita vermelha, gargalhando alto a cada tentativa frustrada de desembrulhar seu presente. Meu sorriso se abria cada vez mais quando a ouvia rir, era o meu som favorito no mundo. Então Hilary puxou a última parte do embrulho e ficou olhando para o presente, eu não consegui identificar imediatamente o que era até que Alice o colocou sobre o chão: era uma pequena maleta infantil.

Hilary franziu a testa.

— Ajuda, tia Lice.

— Quer ajuda para abrir? — Alice perguntou.

— Sim.

Alice abriu a maleta para ela e então Hilary soltou um som tão agudo de surpresa que Emmett levou as duas mãos aos ouvidos.

— Ah, não. Agora ela está aprendendo com você. — ele acusou para a irmã.

— Eu não faço sons assim! — Alice respondeu.

— Faz. — ele retrucou.

— Não faço. — ela balançou a cabeça, os fios espetados dançaram de um lado para o outro.

— Faz sim. — ele insistiu, rindo na cara dela.

— Emmett! — Alice cruzou os braços como uma garotinha zangada.

— Estou apenas contribuindo para a verdade histórica da família.

Eu me aproximei um pouco mais deixando-os em segundo plano, dentro da maleta havia uma coleção de pequenos acessórios infantis. Escova, pentes, mais presilhas, fitas e pequenos itens coloridos para brincar de arrumar os cabelos. Hilary levou imediatamente as duas mãos à boca e com os olhinhos arregalados ela olhou para Alice.

— Meu?

— Mas Florzinha!... — Alice pareceu ofendida — Você acha que eu daria uma coisa dessas para outra pessoa?

Hilary abriu um sorriso enorme.

— É para o cabeilo! Meu cabeilo?

— Sim para o seu cabelo e se a sua irmã tiver coragem, para o dela também.

— Mamãezinha! — ela olhou para mim com os olhinhos brilhantes.

— Eu vi, é muito legal, né? Você pode fazer penteados no cabelo da mamãe.

— Tá bom! — ela assentiu com alegria — Tia Lice vai fazer.

— Ah, claro. — Alice arregalou os olhos.

— Agóia tia Lice! — Hilary pegou uma das presilhas.

— Agora?

— Siim! — ela gritou.

Bella e Rosalie soltaram uma risada.

— É evidente. — Emmett disse — Alice criou um monstro.

— Não fale assim da minha filha Emmett. — as palavras saíram de mim antes que eu pudesse pensar, olhei de Hilary para Emmett, ele me encarava com a boca escancarada por baixo da barbar ridícula.

Eu pisquei, então comecei a rir.

— Quer dizer, Papai Noel...

— Não, não. — Emmett interrompeu, colocando a mão sobre o coração — Já foi dito. E como Papai Noel, eu digo: Alice, parabéns pela maternidade.

— Ah, obrigada. — Alice abriu um sorriso tão grande que eu soube imediatamente que aquilo só pioraria — Hilary é praticamente minha.

— Eu sou a bebê da mamãe. — Hilary olhou para nós.

— Claro que é. — Alice imediatamente assentiu, depois inclinou-se e beijou a cabeça dela — E minha amiguinha também.

Aquela resposta me fez sorrir, ela nunca tentava ocupar um lugar que não lhe pertencia.

— Faaz. — Hilary se aproximou dela novamente estendendo os acessórios coloridos.

Alice olhou para mim, como se me pedisse ajuda, Helena, que permanecia sentada diante de sua caixa, observava tudo de repente, aproximou-se de mim.

— Mamãe.

— Oi, amor.

— Eu também quero mexer nos seus cabelos. — Ela apontou para Hilary.

Alice parou, Hilary virou o rosto.

— Não! — ela abraçou os itens contra o tórax.

— Hilary! — a repreendi.

— É meu, mamãe.

Helena franziu a testa, eu precisei esconder um sorriso. Ali estava o verdadeiro caos do Natal. Não havia como evitar duas irmãs, uma querendo participar pacificamente e a outra descobrindo, pela primeira vez, o significado de ter algo que não queria dividir.

— É o presente dela, Helena e depois vocês usarão juntas. — expliquei — Mas tenho certeza de que você vai receber mais coisas que serão suas.

— E, — acrescentou Alice — temos a manhã toda cheia de presentes!

Hilary, finalmente satisfeita com o cabelo, levantou-se e ficou de frente para mim.

— Olha! — ela girou o rostinho uma vez. A presilha havia ficado ligeiramente torta na ponta da mecha, o gorro vermelho ainda ameaçava cair e seu sorriso ocupava praticamente o rosto inteiro.

Eu a trouxe para o meu colo.

— Está linda.

— Feliz Natal, mamãe. — Ela segurou meu rosto com as duas mãos.

Aquelas três palavras quase me desmontaram. Apertei-a contra mim.

— Feliz Natal, meu amorzinho.

Ela me abraçou pelo pescoço e, durante alguns segundos, não ouvi mais ninguém. Não ouvi Emmett e sua falação interminável; não ouvi Rosalie, Esme, nem mesmo Bella. Não ouvi os risos. Apenas senti o peso de minha filha nos meus braços, o leve calor dela, o cheirinho de seu cabelo e a voz ainda infantil dizendo palavras que ela provavelmente não compreendia completamente. Mas eu compreendia, mais do que ela poderia imaginar.

Fechei os olhos.

— Feliz Natal, Hilary.

Quando a coloquei novamente no chão, Helena aproximou-se de mim e segurou minha mão. Olhei para ela.

— Feliz Natal, mamãe.

— Feliz Natal, minha estrelinha. — meu sorriso se refez em alguma coisa mais profunda, inclinei-me diante dela. Beijei sua testa quente.

Por um instante, minhas duas filhas ficaram diante de mim. Uma com uma presilha vermelha competindo a atenção com o gorro na cabeça, a outra segurando uma pequena estrela de vidro e eu soube que nunca conseguiria guardar aquela imagem em fotografia alguma, não importava quantas Alice tirasse hoje, porque algumas lembranças não precisavam ser vistas novamente para permanecerem vivas.

Elas simplesmente ficavam.

— Vamos continuar! — Emmett anunciou mais uma vez, com palmas que arderam nos meus ouvidos.

— Ai, Emmett. — eu fechei os olhos, reclamando.

— Não fui eu quem começou a ficar emotivo.

— Nem pense em estragar o momento. — repliquei.

— Eu não vou estragar. — ele pegou um presente grande debaixo da árvore, olhou para a etiqueta e seu olhar encontrou os de Rosalie — Agora vem a parte boa.

— Eu espero que você saiba o que está fazendo. — Rosalie cruzou os braços.

— Eu sou o Papai Noel e tenho minhas ajudantes.

— Isso não responde à muita coisa, querido.

— Hilary Scott! — Emmett colocou o pacote no chão.

— Aqui! — minha filha se agitou em meu colo, a ajudei a ficar em pé e ela correu na direção dele.

— Helena Adhara!

— Aqui!

— Excelente. — Emmett abriu os braços — Minhas assistentes estão presentes.

— O que é isso? — Rosalie aproximou-se dele ajustando a saia do vestido.

— O próximo presente.

— De quem?

— Nosso. — ele sorriu. Aquele sorriso que sempre significava problema.

Olhei para Rosalie, ela não pareceu surpresa, mas havia alguma coisa diferente em sua expressão, uma expectativa que eu não consegui interpretar imediatamente.

Emmett sentou-se no chão, Rosalie ficou ao lado dele e minhas duas meninas se aproximaram.

— Este, — Rosalie disse, olhando para Hilary e Helena — é para vocês abrirem juntas.

Hilary olhou para a irmã, Helena olhou para Hilary.

— Juntas? — Hilary perguntou.

— Juntas. — Rosalie afirmou.

Ela pareceu pensar sobre aquilo, depois estendeu uma mão que Helena segurou. Meu coração apertou outra vez, dessa vez não tentei disfarçar a boa emoção. As meninas puxaram o papel ao mesmo tempo, Emmett começou a cantarolar uma versão completamente desafinada de uma música natalina. Rosalie colocou a mão sobre o rosto.

— Você não pode simplesmente ficar em silêncio por dois minutos? — ela reclamou para o marido.

— Posso. — ele continuou cantando.

— Emmett. — Rosalie olhou para ele, se fosse possível sair raios dos olhos dela...

— Eu tentei. — ele suspirou alto, como se lamentasse a situação.

E então, entre papéis rasgados, as mãos pequenas das minhas filhas e as risadas que começavam a preencher novamente a sala, o papel continuou se abrindo entre as mãos das duas. Eu não conseguia enxergar o que era de onde estava, via apenas pequenos pedaços surgindo entre o embrulho rasgado e os corpos inclinados de Hilary e Helena. As duas haviam se aproximado tanto uma da outra que seus ombros se tocavam, e por alguns segundos não existiu disputa ou pressa, nem qualquer preocupação sobre quem conseguiria puxar o papel primeiro, apenas curiosidade e eu me peguei observando aquilo mais do que o presente.

Hilary tinha uma das perninhas dobradas sob o corpo, concentrada na tarefa de rasgar e arrancar uma fita que já havia se soltado quase completamente. Helena, ao seu lado, puxava o papel com mais cuidado, olhando para o que aparecia como se tivesse medo de estragar alguma coisa.

Eram tão diferentes que às vezes, eu ainda me surpreendia com a facilidade com que conseguia perceber isso e, apesar de tudo, hoje as duas estavam fazendo exatamente a mesma coisa: abrindo um presente. Juntas.

— Mais aqui, Nena. — Hilary disse, apontando para uma das laterais.

— Eu sei, Hili. — Helena olhou.

— Então abre.

— Eu estou abrindo.

— Mais rápido. — Hilary franziu a testa.

— Hilary. — minha voz foi suficiente para silenciá-la.

— O que foi, mamãezinha? — ela olhou para mim.

— Deixe sua irmã abrir também.

— Eu deixo. — ela olhou para o monte de papel ao redor.

— Não está deixando não, Hili. — Helena inclinou a cabeça.

Ouvi algumas risadas atrás de mim, a expressão infantil da Hilary me pareceu ofendida com as palavras da irmã.

— Deixo sim.

— Não deixa. — Helena negou.

— Deixo! — Hilary já queria gritar.

— Meninas. — repreendi novamente.

As duas ficaram quietas por aproximadamente dois segundos.

— Abre comigo, Nena. — Hilary disse então.

Helena olhou para ela e assentiu.

Foi um gesto delicado e carinhoso, algo tão simples e pequeno que talvez ninguém além de mim tivesse prestado atenção, mas senti o meu amor por elas como uma sensação quente se espalhar dentro do peito. Hilary ainda estava aprendendo, assim como Helena também, mesmo com as diferenças que existem entre suas naturezas e eu sei que haverá muitos outros momentos em que precisariam aprender a dividir a atenção; os brinquedos; o colo; o tempo; talvez até partes de mim que, por enquanto, nenhuma das duas compreendia que poderiam ser disputadas, mas não nessa manhã, hoje há espaço suficiente.

Quando o último pedaço de papel caiu no tapete, as duas ficaram em silêncio. Inclinei-me um pouco para frente, o presente era maior do que eu imaginava e bonito.

E imediatamente reconheci a presença da Rosalie ali, havia cuidado em cada detalhe e ao mesmo tempo, não precisei pensar muito para encontrar Emmett, ele estava na escolha que fez as duas meninas arregalarem os olhos. Hilary soltou um grito de alegria e Helena levou as mãos à boca escondendo um sorriso largo e, antes que eu pudesse entender completamente o que havia acontecido, as duas começaram a falar alto ao mesmo tempo.

Sorri sem conseguir acompanhar o que diziam, a felicidade delas era clara. Hilary tocava cada parte do presente com uma urgência quase desesperada, como se tivesse medo de que aquilo desaparecesse caso demorasse demais. Helena fazia o oposto, observando primeiro para tocar depois.

E Rosalie estava olhando para elas de uma maneira que prendeu minha atenção. Ela permanecia sentada no chão, próxima o bastante para ajudá-las, mas sem interferir. Seu rosto continuava tranquilo, quase contido, porém eu começava a reconhecê-la o suficiente para enxergar aquilo que ela não dizia. Havia felicidade.

Olhei para Emmett.

Ele, como sempre, parecia não ter qualquer cautela. Estava sorrindo como se tivesse acabado de realizar a maior façanha de sua existência.

— Eu sabia! — ele comemorou.

— Sabia o quê? — Rosalie virou o rosto.

— Que elas iam gostar. — estava todo animado com a reação das minhas filhas.

— Você perguntou umas vinte vezes se elas eram muito pequenas para ter isso... — Rosalie cruzou os braços — se o presente poderia ser usado como um veículo.

— Ainda acho que pode. — ele olhou para mim — Amberli, diga a ela que-

— Não. — o vetei.

— Mas você nem sabe o que eu ia dizer.

Ele ficou extremamente sentido, mas não deixei que isso me afetasse e ele fizesse alguma bobagem.

— Conheço você o suficiente para não precisar saber. — pontuei.

— Finalmente. — Bella riu.

— Vocês estão todos contra mim nesta manhã. — resmungou.

— É Natal. — Bella respondeu sendo apoiada por Rosalie — Um dia de milagres.

Emmett colocou a mão sobre o peito.

— Eu me casei com um anjo, linda, sexy e só um pouco cruel.

— E você continua muito feliz, bem aqui. — Rosalie sequer olhou para ele.

— Porque sou um homem corajoso, é claro.

— Papai Noel é corajoso? — Hilary ergueu o rosto.

A pergunta fez Emmett olhar para ela e, para minha surpresa, pareceu pensar seriamente antes de responder.

— É. O Papai Noel é muito corajoso sim.

— Por quê?

— Porque ele entra em bilhõões de casas pela chaminé da lareira. — ele estufou o peito e a barrigona para dizer.

Hilary olhou para a lareira por um momento antes de voltar seu olhar castanho para Emmett.

— Mas o Papai Noel entrou pela porta...

O silêncio durou um instante antes do riso de Carlisle soar abertamente no cômodo, se misturando entre a cacofonia de risos, vozes e sentimentos que colidiam dentro das paredes e dos vidros ao nosso redor e mais uma vez a sala se reorganizou ao redor delas juntamente comigo. Minha mente priorizou cada palavrinha das vozes infantis de tal modo que todos ficaram em segundo plano mesmo eu sabendo que todos estavam ali, ciente de quando alguém ria; quando Emmett dizia alguma bobagem que nos fazia rir; quando Rosalie respondia, tentando ser mais gentil do que de costume; quando Alice chamava Hilary; quando Esme se aproximava para ajudá-las; e ainda assim, tudo parecia se mover ao redor das minhas filhas como se, eu finalmente tivesse permissão e calmaria para simplesmente observá-las crescer.

Jasper apenas observava, como fazia com quase tudo, esperando o momento certo e talvez por isso Hilary já estivesse começando a se dispersar entre os embrulhos abertos ao redor da árvore quando ele se abaixou diante dela.

Quando Hilary abriu a caixa de papelão, Jasper a ajudou a retirar um belo cavalinho de balanço de madeira feito especialmente para ela, a madeira tinha um acabamento impecável, suave e brilhante, com pequenas partes que acredito que sejam entalhadas à mão, uma sela de couro macio e uma crina que parecia tão cuidadosamente feita quanto todo o restante da peça. Na lateral esquerda da tabua de gangorra havia uma plaquinha com o nome dela gravado, e por alguns segundos Hilary apenas passou a mão sobre a crina do cavalinho, antes de finalmente entender que aquilo também era um brinquedo, com o riso nos lábios eu acompanhei o instante em que ela tentou subir imediatamente, sem esperar que alguém sequer terminasse de afastar os papéis do caminho, e Emmett precisou segurá-la pela cintura para impedir que a primeira experiência com o cavalo terminasse em um tombo feio.

Eu ria, observando Jasper acompanhar a cena com aquela expressão tranquila que não mudava muito, embora eu já começasse a reconhecer que, quando se tratava das minhas filhas, havia sempre uma atenção silenciosa por trás dela.

Outro presente foi entregue, depois outro e então mais um.

A árvore, pouco a pouco, começou a perder os espaços coloridos que eu tinha visto quando entramos na sala. Papéis de embrulho passaram a se espalhar aos montes pelo tapete, laços apareceram por todos os cantos, Hilary em determinado momento, decidiu que uma das fitas era tão importante quanto qualquer presente e começou a carregá-la consigo.

— Isso é seu agora? — perguntei entre um riso.

— Meu. — ela assentiu toda animada com uma bengalinha doce grudando na sua mão.

— Entendi. — eu me acomodei melhor no sofá olhando a bagunça entre nós.

Já não sabia exatamente quando havia deixado de tentar organizar tudo, talvez tenha sido alguns minutos antes quando Emmett tinha começado a falar como se realmente fosse o Papai Noel outra vez, ou será que havia sido quando Hilary havia se sentado no chão ao lado de Bella e Alice como se ali fosse o seu lugar mais favorito do mundo?

Já não tinha a mínima devida importância. Não quando eu podia me divertir com as minhas pequenas crianças mesmo que Helena nunca tivesse sido apenas uma criança comum. O pensamento passou pela minha cabeça e desapareceu antes que pudesse se transformar em outra coisa. Não. Eu não queria olhar para Helena como algo que precisava ser explicado.

Ela era minha filha. E estava sentada no chão com o cabelo cheio de cachos desalinhados, tentando entender por que a Hilary acreditava que uma fita vermelha precisava ser guardada como um tesouro. Outro presente foi festejado, dessa vez, ouvi Emmett ler o nome de Edward com exagerada solenidade, mas não prestei atenção ao pacote, mantive minha atenção em minhas filhas, no modo como Hilary imediatamente levantava o rosto sempre que ouvia um nome, no modo como Helena esperava para ver o que estava por trás do belo embrulho e no instante em que ambas percebiam que o presente pertencia a uma das duas. Era muito meigo guardar esses detalhes no meu coração, rir com toda a alegria pulsando de dentro para fora, sem nada maligno escorrendo de dentro dos meus pensamentos.

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Em determinado momento, Hilary recebeu alguma coisa pequena e levou imediatamente até mim.

— Guarda.

— Quer que eu guarde para você? — envolvi o item da sua mãozinha para a minha.

Ela assentiu.

— Não perde tá.

— Não vou perder.

Ela ficou olhando para mim por mais alguns segundos.

— Promete, mamãezinha? — a maneira inocente como me perguntou me fez dar-lhe um sorriso tranquilo enquanto eu sentia meu peito apertar.

— Prometo meu bem. — segurei seu presente com mais cuidado.

Ela pareceu satisfeita e voltou para o tapete. Fiquei olhando para o objeto em minhas mãos, o considerando importante porque ela tinha confiado a mim, porque dentro de seu pequeno mundo, eu era o lugar onde as coisas podiam ser deixadas sem desaparecer.

Helena surgiu ao meu lado, sem dificuldades subiu no sofá, ajoelhou-se sobre o estofado e se inclinou sobre mim.

— Mamãe.

— Sim?

— Você está feliz? — ela aproximou o rostinho do meu.

A pergunta me pegou desprevenida, o que me fez olhar dentro dos olhos dela, esses olhos claros que pareciam sempre procurar mais do que as pessoas diziam. Permaneci em silêncio por um instante, mesmo tendo ciência de que eu poderia ter respondido imediatamente que sim.

Mas minha mente preferiu degustar da minha própria honestidade.

— Estou sim, filha.

Ela continuou me observando, os olhos brilhando como se fossem protegidos por um cristal.

— Muito?

— Muito. Muito de verdade. — garanti, dando um sorriso que eu esperei que refletisse minha verdade.

Helena se aproximou ainda mais, os pézinhos afundando de leve no tecido do sofá e encostou a cabeça em meu ombro.

— Eu também, mamãe.

Passei os dedos pelos cachos dela e, por alguns segundos, ficamos unidas assim, sentindo uma à outra, observando Hilary no chão falando e soltando gritinhos animados sem parar e ouvindo a família ao nosso redor.

Foi então que sentindo um olhar, percebi que Esme estava olhando para mim. Encontrei seu olhar dourado, não havia pena em sua expressão e isso me tranquilizava pois eu não queria que aquela manhã fosse bonita porque todos se lembravam do que eu havia sofrido, queria que fosse bonita porque estávamos felizes; porque minhas filhas estavam recebendo presentes; porque Emmett estava fazendo mais algazarra que o comum e Rosalie fingia irritação enquanto disfarçava com um olhar doce para as meninas; porque Bella, em algum momento, tinha conseguido fazer Hilary prometer que não tentaria abrir todos os presentes sozinha. Eu sorri para Esme, ela sorriu de volta e logo depois, outro pacote foi retirado debaixo da árvore, Hilary recebeu mais um embrulho e, antes de abri-lo, olhou para a irmã, as duas se entreolharam e, dessa vez, foram Hilary e Helena que sorriram uma para a outra.

— Juntas. — Helena disse.

Hilary assentiu.

— Juntas. Eba!

Meu coração apertou de novo, eu queria guardar a maneira como minhas filhas olhavam para mim, suas feições de bebês crescidas, os sorrisos molhados, as vozes em constante aprendizado. Enquanto minha mente focava em seus detalhes preciosos, meus olhos acompanhavam Helena e Hilary a correr de volta para o tapete.

— Mamãe? — Helena levantou o rosto.

— Sim, meu amor? — olhei para ela, observando ela arrumando um cachinho.

— Ainda nem chegamos na metade da distribuição dos presentes, tem muitos. — ela apontou para a árvore.

Olhei na mesma direção, vendo o quanto de pacotes embrulhados que ainda havia, ainda esperando por mim. E, um pensamento surtiu como um alívio: depois muito tempo, a ideia de ainda haver alguma coisa esperando por mim não me causou nem um pingo de medo. A constatação fez-me sorrir.

— Por isso ocupamos a manhã toda com a troca de presente, filha. Sabe, tem pessoas..., famílias que gostam de falar das coisas boas sobre aquela pessoa que receberá o seu presente.

— Como uma declaração? — seus olhinhos expressavam a pergunta.

— Sim, como uma declaração. — assenti, surpresa pela maneira assertiva dela expor a referência — É um momento bem bonito também.

— Um-hum... — seus pensamentos pareciam distantes — Eu quero fazer uma declaração quando a minha vez de presentear chegar. Eu posso, mamãe?

— Claro que sim, Helena. — apoiei sua decisão com um orgulho aquecendo dentro do peito — Que lindo, filha. Tenho certeza de que a pessoa que receber suas palavras já irá considerá-las como um presente à parte.

— Que legal! — ela sorriu, sua afeição etérea me tirando o fôlego — Eu quero ver aquele dali! — ela escapuliu para ver o novo presente que era desembrulhado por Bella.

— Ai, ai... — Alice se esparramou ao meu lado — Essa é a minha parte favorita do ano. — sussurrou para mim, com os olhos brilhando de puro encanto enquanto entregava a Hilary sua pelúcia de alce.

Minha filha deu um gritinho de alegria, abraçando o brinquedo com força e enfiando o rosto macio no alce, arrancando uma risada suave de Edward, que observava a cena encostado na emenda da sala. Logo ao lado Rosalie, impecável em seu traje de Mamãe Noel, entregava a Helena um pacote cuidadosamente embalado em papel aveludado. A pequena pegou o presente com a graciosidade silenciosa que lhe era própria, sem a pressa típica das crianças humanas, Helena deslizou os dedos pequeninos pelas dobras do papel antes de abrir. Quando a caixa se revelou, seus olhinhos atentos se fixaram em uma caixinha de música entalhada em madeira nobre, mais outro presente de Carlisle. Minha filha foi instruída a girar a manivela por um momento até que uma melodia clássica e cristalina preencheu a sala, e Helena sorriu encantada com a precisão das engrenagens.

De repente, como uma leve brisa fria, Renesmee surgiu na sala trazendo consigo a aura calorosa que sempre a acompanhava, passados alguns segundos da sua presença, entrou Jacob. Nessie sorria abertamente ao ver o cenário: Emmett fazendo palhaçadas para fazer Hilary gargalhar e Rosalie ajeitando com todo o cuidado o gorro na cabeça de Helena.

— Cheguei a tempo do caos? — brincou Renesmee, aproximando-se de mim e me dando um abraço apertado antes de circular o campo minado de papéis de presente para se abaixar pra cumprimentar as meninas.

— Papai Noel precisa de uma ajudante para o presente principal! — anunciou Emmett, sua voz grave ressoando pela sala enquanto ele fazia um floreio dramático, arrancando mais uma risada gostosa de Hilary.

Ele puxou de um canto da árvore duas caixas gigantescas, embrulhadas em um papel que refletia as luzes coloridas do pisca-pisca. Rosalie se aproximou imediatamente, ajudando Helena a se posicionar no chão perto da irmã para que ambas pudessem abrir juntas.

Alice, claro, já estava com a câmera pronta, posicionada no melhor ângulo.

— Eu ajudei a escolher, mas a ideia foi da Rosalie. — confidenciou Alice, dando uma piscadela para mim enquanto se ajoelhava ao lado da Hilary para ajudá-la a rasgar o papel resistente.

Quando o embrulho cedeu, o rosto das duas meninas se iluminou.

Eram duas casas de bonecas de madeira nobre, feitas à mão, uma obra-prima de arquitetura miniaturizada que claramente tinha o dedo refinado de Carlisle e a dedicação obsessiva dos Cullen.

A casa de Hilary era pintada em tons pastéis, repleta de pequenos móveis coloridos e bonequinhos de pano macios. A de Helena, por sua vez, tinha tons vibrantes e detalhes esculpidos com uma precisão cirúrgica, pequenos livros com páginas de verdade e miniaturas de instrumentos musicais que funcionavam ao toque.

— Olhe só, meus amores. — murmurei com doçura, me abaixando ao lado delas, apaixonada pelo que via.

Hilary imediatamente começou a mudar os moveizinhos de lugar com uma empolgação estrambelhada, fazendo ruídos de alegria e tentando colocar o alce dentro da minicozinha.

Alice cobria a boca para abafar a risada, encantada com a energia caótica da minha menininha.

Fiz com que Hilary evitasse de quebrar o brinquedo no mesmo dia percebendo que Helena, por outro lado, tocava as cordas de um violino em miniatura dentro da casinha, escutando o sonzinho agudo e límpido com uma expressão de fascinada contemplação, pisquei desacreditada da perfeição dos brinquedos.

Renesmee se sentou no chão ao lado dela cochichando uma conversa só entre elas, admirando com calma os detalhes que havia ali.

— Elas são perfeitinhas, Amberli! — disse Nessie de forma suave, encostando o ombro no meu — É incrível de ver.

Jacob, que até então apenas observava com um sorriso de canto, e balançou os braços ainda ocupados.

— O Papai Noel de mentira ali esqueceu de entregar os presentes da reserva. — provocou ele, piscando para Emmett, que respondeu com uma careta cômica com a barba enorme atrapalhando, agitando a mão num floreio exagerado.

Jacob se aproximou logo em seguida, cumprimentando cada um pelo caminho com as mãos ocupadas. Concedi espaço para seu corpo grande se adequar e ele se juntou a Nessie diante das minhas filhas entregando as caixas de presente uma para cada.

Elas rasgaram os papéis e de dentro cada uma tirou dois saquinhos de couro trançado. Helena ajudou a irmã a abrir, mostrando seus presentes: um amuleto entalhado em madeira de cedro.

Jacob se agachou diante delas esclarecendo que era um dos símbolos de proteção da tribo Quileute, feito para pendurar no quarto, de preferência, na cabeceira da cama.

Ao meu redor, a sala da mansão era um verdadeiro mosaico de pacotes rasgados, laços coloridos, vida e criações para a eternidade. Esme e Carlisle observavam a cena da poltrona, abraçados e com olhares transbordando um orgulho avô-coruja. Edward estava mais distante, tocava baixinho algumas notas natalinas no piano ao fundo, criando uma trilha sonora suave para o falatório e a bagunça de papéis e fitas pelo chão.

Meus olhos passeavam de um canto para o outro filtrando para dentro de mim, todo o carinho protetor de cada membro da família Cullen, senti uma quentura profunda no peito. Entre o som acelerado da Hilary brincando e a calma serena de Helena fascinada pela música do seu mais novo presente.

Puxei Hilary para o meu colo por um segundo, sentindo seu corpo quentinho e o bater do seu coração contra o meu peito, enquanto estendia o outro braço para trazer Helena para perto. Helena encostou a bochecha quente no meu pescoço, calma e atenta.

Olhei para Rosalie e Emmett, que ainda sorriam com uma satisfação genuína por estarem proporcionado uma manhã inesquecível.

À medida que a euforia inicial das meninas assentava um pouco e elas se entretinham com as casas de boneca no chão, a montanha de papéis coloridos pelo chão aumentava, o ritmo agitado da sala cedeu espaço para um momento mais sereno e a atenção do clã Cullen se voltou para Helena. Foi bem singelo, mas percebi que a maneira de se expressarem se tornou um pouco mais limpa, como se já não estivessem conversando apenas com outra criança junto da Hilary, eu não soube muito bem como identificar, mas houve um leve amadurecimento.


CONTINUA