Notas iniciais
Peço perdão pelo super atraso, mas isto aqui em casa está pior que caótico. As minhas discussões com o meu pai são dia sim e dia sim. Está a ser dificil de ter um pouco de paz nesta casa de loucos. De qualquer forma, espero que gostem!

Havia chegado o fim-de-semana e o grupo estava há espera de uma pessoa para poderem partir para o Canadá. Local do próximo espetáculo.

− Onde será que aquele shinigami anda? Se não vier rápido iremos perder o avião! Falou irritado o Sr. Oswald.

− Não precisa de reclamar. Eu já cá estou! Um Kuchiki nunca chega atrasado! O Capitão apareceu com um gigai em vez da sua forma de shinigami. As duas raparigas olhavam intensamente para o Capitão. Era um dos homens mais bonitos que alguma vez viram. – O que vocês estão a olhar? Falou irritado para elas.

− Nada! É que o Capitão parece bastante diferente com um gigai! Explicou a ruiva, omitindo parte da verdade.

Depois do momento embaraçoso, entraram no avião calmamente e sentaram-se nos seus lugares aos pares. Tatsuki e Ishida. Sado e Sr. Oswald. Byakuya e Orihime. Depois de uma hora de viagem os passageiros estavam praticamente a dormir, exceto por uma rapariga ruiva e um homem de cara bonita e séria.

− Eu ainda não entendi a razão porque não contas ao Kurosaki Ichigo o fato de estares doente! Falou de rompante o líder Kuchiki.

− Não quero estragar a felicidade dele! Falou com um olhar triste. Ainda era difícil lembrar-se do dia do parque sem ficar angustiada. – A partir do momento em que eles se declararam um ao outro, eu não podia intrometer-me na promessa deles. Se eu contasse ao Kurosaki-kun, acabaria por contar os meus sentimentos e depois ele ficaria comigo por pena!

Como os dois estavam sentados de frente um para o outro, o Capitão pode ver bem a tristeza da rapariga e também a sua determinação para não deixar ninguém sofrer com o que lhe estava a acontecer. O homem deu por si a admirar a beleza da ruiva. Alguns raios de sol batiam na sua pele, dando vontade de lhe tocar para saber se era macia, saborear para saber se era doce. Depois de muito tempo, Kuchiki Byakuya desejou alguém após a morte da sua esposa, Hisana. “Estou a ficar louco. Nunca desejaria uma humana. Se bem que ela daqui a pouco tempo já não será mais!” Abanou a cabeça para afastar tais pensamentos. A Inoue olhava confusa para o Byakuya. Este estava a pensar e parecia olhá-la ao mesmo tempo. Depois que o viu a abanar a cabeça ficou preocupada.

− Está tudo bem?

− Hum? O Kuchiki não percebia a razão da pergunta.

− Perguntei se estava bem. Pareceu-me, de uma certa maneira, aflito? Perguntou incerta.

− Um Capitão nunca está aflito! Respondeu no seu monótono tom.

A ruiva não disse mais nada e limitou-se a observar a paisagem até chegarem ao seu destino. O Capitão simplesmente estava engolido nos seus pensamentos sobre a ruiva e o que acabara de acontecer. O Byakuya sentia-se estranho quando estava na companhia da Orihime. Emoções que há muito tempo não sentia surgiam de novo. Algo que o Capitão fez questão de suprimir para não se deixar cair outra vez na armadilha do amor. O que ele não sabia é que já não havia por onde escapar, e por mais que quisesse fugir ao amor, ele iria sempre ter com ele.

Chegaram ao seu destino depois de algumas horas de viagem. Cansados de estarem sempre sentados, espreguiçaram-se assim que colocaram os pés na terra. Dirigiram-se para o hotel. Quatro estrelas. A ruiva questionou uma vez o Sr. Oswald o porquê de um hotel tão luxuoso. A sua única resposta foi, “O melhor para os melhores”. Depois disso ela nunca mais questionou mas sentia-se sempre um pouco apreensiva pelo luxo. No entanto, naquele momento apenas desejava a cama e deitar-se um pouco. Alugaram um andar só para eles, assim não tinham quem os chateasse. Assim que lá chegaram receberam as chaves dos seus quartos. A ruiva ficou surpresa quando viu que o seu quarto ficava mesmo ao lado do Capitão. Suspirando e dando meia volta pôs-se a caminho do seu quarto. O que não esperava é que uma súbita tontura tomasse conta do seu corpo. Antes que se pudesse agarrar na parede viu a escuridão assaltar-lhe os sentidos.

O Byakuya ao ver a oscilação na reiatsu da ruiva, apressou-se rapidamente para a apanhar. Se os outros da Soul Society vissem agora o Kuchiki, diriam tratar-se de outra pessoa, já que este raramente demonstra preocupação. E quando o faz é sempre em volta da sua irmã adotiva.

− Inoue Orihime! Chamou mas não teve resposta.

− Isto acontece por vezes! Falou a morena que se aproximava. – Pelo que ela me contou, quando a reiatsu dela está a ser consumida, o seu corpo desliga para poder reorganizar-se! Ultimamente têm sido mais frequentes! Olhou ternamente para a cara calma da amiga que parecia gostar bastante de estar no colo do Capitão. Já era a segunda vez que ela se aninhava no peito dele e o agarrava firmemente. Uma ideia passou pela sua cabeça. Mas preferiu falar sobre isso apenas com a ruiva. – Leve-a para o quarto e deite-a na cama. Em poucas horas ela está acordada.

Haviam-se passado algumas horas e a morena finalmente acordara. Decidiu ver se a amiga estava bem. Bateu na porta do quarto dela mas ninguém respondeu. Entrou com uma chave suplente, já que desde o início dos espetáculos ela tinha pedido uma só para o caso. Surpreendeu-se com o que viu. Até tirou uma foto com o telemóvel para depois. Quem diria que um dia viria o Byakuya a dormir agarrado à sua amiga e com um pequeno sorriso na cara. Aproximou-se devagar e furtivamente do casal.

− Oi! Abanou o homem. – Acorde! Abanou-o outra vez de maneira mais brusca.

− Hum? Abriu devagar os olhos e olhou confuso para a morena. – O que estás a fazer no meu quarto? Perguntou bastante sério e totalmente acordado.

− O seu quarto? Não me parece. Já reparou que tem algo agarrado a si? Perguntou ligeiramente irritada. O Capitão olhou para baixo e ficou um pouco vermelho ao ver a ruiva e mulher que assombra os seus sonhos, agarrada a si como se fosse a sua amada. Imagens do que acontecera na noite anterior vieram-lhe à cabeça.

− Ela agarrou-se a mim ontem à noite, e quando a coloquei na cama ela não queria largar a minha camisola. Não tive escolha a não ser dormir aqui também!

Calaram-se assim que viram a Inoue mexer-se um pouco. Olharam para ela e repararam que ela estava a chorar e agarrava com tanta força a camisola do Byakuya que as mãos tremiam e estavam brancas.

− Desculpem! Falou de maneira tão calma que nem parecia estar a chorar. – Parece que vos vou deixar mais cedo do que pensava! Finalmente abriu os olhos e olhou para a amiga. No entanto, fechou logo o olhar e aninhou-se mais uma vez no peito do Capitão quando viu o sofrimento que se estava a instalar no olhar da melhor amiga. O Capitão não sabia o que fazer e fez algo nunca antes visto, abraçou-a fortemente para a confortar. A Tatsuki sabia que aquele momento pertencia aos dois e por isso deixou o quarto sem eles perceberem.

− Como é que sabes que vais partir mais cedo? Perguntou curioso.

− Eu consigo dizer quanto tempo me resta através da minha reiatsu! Falou sem olhar para ele. – Eu não quero que eles sofram por minha causa. Já fizeram tanto por mim e no entanto eu apenas lhes causo sofrimento! Dizia a chorar e entre soluços.

− Eles sabem que mais cedo ou mais tarde irás deixá-los! No entanto, isso não é tão mau quanto parece. Podes sempre tornar-te uma shinigami e vir aqui visitá-los!

Ao ouvir isto levantou a cabeça e encarou finalmente o Capitão. Pela primeira vez viu um sorriso, mesmo que pequeno, na cara do Kuchiki. A ruiva ficou encantada com a beleza do seu sorriso. Se antes ele era bonito, agora era simplesmente lindo, maravilhosos, de arrasar.

− Devia sorrir mais vezes! Fica mais bonito com um sorriso! Falou antes que pudesse pensar nas suas palavras. O Capitão removeu logo o sorriso e levantou-se logo da cama, ou pelo menos tentou. – Porque é que está aqui no meu quarto, e porque razão eu estou agarrada a si? Perguntou confusa já que não se lembrava de nada a não ser escuridão.

− Ontem quando desmaias-te eu trouxe-te para o quarto. No entanto quando ia para te deixar na cama tu não querias largar a minha camisola. Não tive outra escolha a não ser dormir aqui também! Voltou ao seu tom normal de Capitão frio e indiferente. A ruiva largou logo a camisola com um pouco de vermelho na cara pelo fato de ter dormido com um homem na mesma cama. Mesmo que não tivessem feito nada, ainda se sentia embaraçada com isso.

− Desculpe Capitão Kuchiki! Não foi de propósito!

O Capitão não disse nada. Apenas se virou e dirigiu-se para a saída do quarto. O que a ruiva não via era o sorriso dele quando ficou de costas para ela. Um sorriso de contentamento e orgulho. Contentamento pelo fato de conseguir fazer a ruiva sair do seu estado depressivo e orgulhoso por fazer algo tão belo corar.


Algumas horas depois


Estava quase na hora do show quando a Inoue saiu do camarote. Havia decidido mudar de fantasia para variar. Por onde ela passava, não havia ninguém que não olhasse. Tanto homens como mulheres paravam o que estavam a fazer para a observar. Quando a ruiva finalmente chegou até aos amigos, estes simplesmente estavam sem palavras.

− Estás linda Orihime! Um verdadeiro anjo! A ruiva escolheu uma fantasia angelical. Vestido branco com a parte de cima justa e a partir da cintura para baixo mais solto por causa dos movimentos. Um par de asas que pareciam bastante reais. Uma máscara branca e o cabelo completamente solto.

− Obrigada! Olhou para os rapazes e ficou preocupada já que estes não falavam nada. – Estão bem?

− Sim! Apenas ficámos surpreendidos pela escolha de fantasia! Falou o Ishida.

− Fechem a boca se não entra moscas! Gozou a Tatsuki. Esta apenas se ria com a cara de bobos que eles tinham. Até o Sr. Oswald e o Capitão Kuchiki estavam sem palavras. – Está na hora do teu espetáculo Hime!

A ruiva dirigiu-se ao palco e colocou-se em posição. Quando foi anunciada, as luzes do teatro apagaram-se, abriram as cortinas e iluminaram apenas a Inoue. Os espetadores também ficaram maravilhados. Para eles não era uma pessoa, mas sim um anjo a sério que ali estava. Quando começou a música, Paradise-Coldplay, ficaram ainda mais encantados. Nos bastidores, havia um homem que se encontrava igualmente encantado pela jovem. O Capitão já não sabia se havia de fugir ou não aos seus sentimentos. Por alguma razão, esta jovem humana foi capaz de arrebatar o seu coração apenas com um olhar. Um ato gentil e carinhoso. Por mais que quisesse fugir desse sentimento, estaria sempre a pensar nela. E depois de ter dormido ao lado dela por uma noite mais difícil seria suprimir as suas emoções. Ao vê-la ali a dançar, decidiu esperar para ter a certeza do que o seu coração quer. E quanto à ruiva iria tentar conhecê-la melhor.

Notas finais
Um beijo para todas as minhas leitoras!