Sempre Existe Uma Réstia De Esperança
15 O primeiro beijo
Notas iniciais
As personagens de Bleach não me pertencem!
Era quarta-feira e a ruiva encontrava-se na escola de Karakura. Sentada em baixo de uma cerejeira, no momento pensava sobre um certo shinigami e a noite em que dormiram no mesmo quarto. Estava tão absorta nos seus pensamentos que não ouviu a sua melhor amiga aproximar-se e sentar-se ao seu lado.
− Oi! Orihime! Chamou. – Orihime! Tentou a segunda vez mas nada. – ORIHIME! Gritou mais alto trazendo a Inoue para a realidade.
− Hum? Foi a única resposta da morena. – O que estás aqui a fazer Tatsuki-chan? Passa-se alguma coisa?
− Passa-se! Tu estás doente dessa cabeça! Afirmou simplesmente deixando a ruiva confusa.
− O que queres dizer com isso?
− Olha Orihime, eu sei que decidiste fechar o teu coração, mas já reparaste que o amor bateu-te à porta e a única coisa que fazes é ignorar?
− O amor bateu-me à porta?! Sobre o quê é que estás a falar Tatsuki-chan?
− Do irmão da Rukia! Assim que ouviu este nome a Inoue desviou o olhar com a cara um pouco vermelha. – Vês? Até ficas corada só por ter falado nele! Eu não quero que fiques chateada comigo por eu dizer-te estas coisas mas já pensaste se o estás a magoar com as tuas ações? Depois daquele dia em que dormiram no mesmo quarto, tu passaste a evitá-lo e a falar só quando necessário. Foram três espetáculos assim. Agora que estás a fazer uma pausa de um mês, estás sempre pensativa e um pouco triste! Já alguma vez pensaste se ele retribui os mesmos sentimentos?
− Os mesmos sentimentos? Não sejas parva Tatsuki-chan, o Capitão Kuchiki nunca iria gostar de uma humana. Ele precisa de uma mulher forte e que seja respeitada por todas!
− És igual ao Ichigo! Uma idiota tapada. Só tu para não veres a maneira como ele te olha, a maneira como ele se preocupa contigo. Aliás, eu tenho aqui uma coisa bastante interessante para veres! Tirou o telemóvel e mostrou-lhe a fotografia que havia tirado quando os dois dormiam agarrados. A ruiva ficou completamente corada. – Vês como ele te agarra? Vês como ele sorri? Vocês são perfeitos um para o outro!
− De que vale a pena amar se não posso aproveitar esse amor?
− Estás enganada Hime-chan! Ele é um shinigami, por isso podes sim aproveitar este amor!
− Ele é de uma das quatro famílias reais. Depois da sua falecida esposa e do incidente com a Kuchiki-san, ele prometeu que nunca mais iria desobedecer a nenhuma regra! Para eu poder ficar com ele teria de ser uma princesa!
− Tu não sabes isso! Porque é que quando o voltares a ver não tentas falar com ele acerca disto? Discretamente claro! E para além disso devias pedir desculpas por o ignorares!
− Está bem! Mas… Não continuou, apenas abaixou a cabeça para a amiga não lhe ver as lágrimas. – Eu não vos quero ver sofrer!
− Hime, nós tivemos estes meses todos para nos preparar. No entanto, eu quero saber quanto tempo é que te resta?
− Menos de um ano! Falou sem olhar para a Tatsuki. Ela pensava que a amiga ficaria em choque depois de ouvir isso, mas surpreendeu-se quando ela a agarrou e disse que estava tudo bem. A Inoue simplesmente abraçou de volta e agradeceu à amiga pela compreensão.
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Haviam passado duas semanas desde a conversa com a Tatsuki. No momento a Inoue encontrava-se no aeroporto com o seu agente, o Ishida e o Sado. Desta vez a morena não podia ir já que tinha um torneio de karaté. O grupo estava à espera do membro que faltava, Kuchiki Byakuya. A ruiva encontrava-se nervosa e ansiosa para ver o shinigami. Durante a semana que passou, pensou bastante sobre a conversa que havia tido com a amiga. O mais difícil, ela já o fez. Aceitar os seus sentimentos. No entanto, teria de falar com ele por causa do seu comportamento. Esta era a razão de ela estar tão nervosa. Não sabia como começar a conversa e muito menos explicar-lhe a razão para o ter ignorado. Depressa o nervosismo aumentou quando o viu aproximar-se no seu gigai. Os seus olhos estavam colados aos dele e por alguma razão não conseguia desviar o olhar. O mais interessante é que o próprio Capitão também não desviava, olhava intensamente para a ruiva. A Inoue conseguia ver várias emoções naqueles olhos, mas a que a mais assustava era a fúria que eles continham. “Talvez ele esteja furioso comigo por o ter ignorado!” Pensou desviando o olhar com um certo vermelho nas bochechas.
Seguiram para o avião e foram em direção a Madrid. Nunca em toda a sua vida a Orihime sentiu-se tão desconfortável. Apetecia-lhe enterrar um buraco e enfiar-se lá dentro. Como normal ficou no lugar à frente do shinigami. Este nunca disse uma única palavra, simplesmente encarava-a. Quando o avião finalmente pousou, a ruiva suspirou aliviada.
− Estás bem? Perguntou o Ishida. Ele havia notado o comportamento do Capitão e da amiga. Depois de a Tatsuki lhe ter contado tudo o que se estava a passar, percebeu as suas ações. – A Tatsuki contou-me tudo! Ela tem razão. Não deves perder a oportunidade que te foi dada! E quanto ao teu tempo de vida… Nós compreendemos perfeitamente! Aliás, eu sei que nos virás visitar!
A ruiva parou no caminho enquanto olhava estupefacta o amigo de óculos afastar-se com um sorriso no rosto. Sem que ela tivesse percebido, algumas lágrimas começaram a cair e a marcar-lhe a pele. Os outros passageiros pensavam que era tristeza, mas era exatamente o oposto. Eram lágrimas de alegria. Agora sabia que podia partir sem ter de sentir culpa por deixar os seus amigos. A ruiva apenas percebeu a situação quando alguém lhe colocou uma mão no ombro e o apertou levemente.
− Não devias chorar no meio da rua. As pessoas vão pensar que aconteceu algo de mal! Falou o Capitão no seu tom frio e indiferente. Na verdade, a ruiva notou algo de diferente no seu tom. Parecia mais frio. Parecia alguém totalmente diferente de antes.
− Desculpe! Falou baixinho. Pedia desculpa não por ter parado no meio da rua, mas sim por o ter magoado. Nunca pensou que o Capitão pudesse falar assim para ela. – Eu prometo nunca mais fazer de novo!
− Vamos! Estão à nossa espera! O Byakuya sentia-se mal por falar tão friamente para a ruiva. Mas o comportamento dela nos últimos espetáculos, deixou-o bastante magoado. Ele entendia a razão de ela agir assim, no entanto magoava-o não puder conversar normalmente com ela. Nem admirá-la e nem mesmo tocá-la.
Seguiram para o hotel e como já estava a anoitecer, jantaram e depois seguiram para os seus respetivos quartos. A ruiva andava para trás e para a frente. Não sabia se devia ou não ir conversar com o shinigami. Depois de meia hora a pensar, decidiu-se e saiu do quarto para ir bater na porta do quarto ao lado.
− Quem é? Perguntou o Byakuya.
− Sou eu! A Orihime! O Kuchiki ficou surpreso. Nunca pensara que a ruiva pudesse ir bater à porta do seu quarto. E depois de tanto tempo a ignorá-lo, já tinha a certeza que nunca iria fazer algo como bater à sua porta. Mesmo hesitante abriu a porta e deu passagem para ela entrar.
− Precisas de alguma coisa?
− Desculpe! Sussurrou. Abraçou-se a si própria como se se estivesse a proteger de alguém. Mais precisamente da frieza e indiferença do homem que lhe falava. Lágrimas quentes e grossas caiam no tapete do quarto de hotel e pequenos soluços eram ouvidos pelo Capitão. – Eu não queria magoá-lo! Eu não queria ferir os seus sentimentos. Eu sei que o meu comportamento não foi o melhor, mas… Eu não sabia o que fazer! Sentou-se à borda da cama com a cabeça cabisbaixa.
− A culpa foi minha! Admitiu o Capitão sentindo-se bastante culpado. A coisa que mais detestava era ver a Inoue chorar.
− Não! Eu sou a culpada! Nunca na minha vida dormi com um homem na mesma cama e nunca nenhum me tocou daquela maneira! Tais palavras deixaram o Capitão orgulhoso. Ser o primeiro a tocar-lhe de maneira mais terna e carinhosa deixava-o com um desejo ainda maior por esta mulher. – Quando eu soube que tinha pouco tempo de vida, eu fechei o meu coração e passei a viver apenas para os meus amigos e sonhos. Eu fugi à possibilidade de ter alguém que me ame ao meu lado. Como é óbvio isso significa que fazia intenção de nunca deixar um homem me tocar de maneira mais íntima! Falou mais calma, sem o choro e os soluços, mas ainda não conseguia olhar para o Byakuya.
− Quando a minha falecida esposa morreu eu fiz a mesma coisa! Fechei por completo o meu coração. Só que eu não contava que aos poucos o abrisse outra vez! Sentou-se ao lado da Inoue e colocou-lhe uma mão no queixo para lhe levantar a cabeça e poder ver os seus olhos. Tal ação deixou a ruiva um pouco corada, pois o Capitão tinha um toque bastante carinhoso e meigo. – Também nunca pensei que fosse uma jovem humana que fosse ser responsável por tal ato! Tu és como um anjo. Tu atrais as pessoas, shinigamis, e almas até, com a tua aura radiante de paz e luz! Tirou a mão do queixo dela e desviou o olhar para outro lado, bastante pensativo.
− Como eu adorava ser uma princesa da Soul Society! As palavras saíram sem que ela as pudesse parar. O Kuchiki olhou confuso para ela.
− Uma princesa? Porquê?
− Se eu fizesse parte de uma das quatro famílias, eu poderia ter alguém ao meu lado!
Mesmo discretamente, a mensagem estava lá. O Capitão, pela primeira vez, sentia vontade de gritar ao mundo o quanto feliz ele estava. A mulher que o seu coração proclamara como sua, havia dito os seus sentimentos, ainda que discretamente. Tudo aquilo que ele queria ouvir desde que aceitara os seus sentimentos por ela, era a sua confissão positiva. Óbvio que ninguém conseguia ver isso, já que ele controlava-se muito bem para não deixar ninguém ver os seus verdadeiros sentimentos. No entanto, essa alegria logo se dissipou quando percebeu a segunda mensagem escondida na frase. Ela não fazia parte de nenhuma das quatro famílias e por isso não poderia ter uma relação romântica com o líder do clã Kuchiki. Voltou à realidade quando viu a ruiva levantar-se e fazer uma reverência para ele.
− Eu devo ir para o meu quarto, está a ficar tarde! Tenha uma boa noite Capitão! Graciosamente e elegantemente dirigiu-se para a porta. Quando estava prestes a abri-la, uma mão impediu-a. – Passa-se alguma coisa? Perguntou confusa pelo comportamento do homem, corada por causa do calor da mão que tocava a sua e do corpo que estava praticamente colado ao seu, nervosa por causa do olhar de pura determinação na face bonita do Capitão.
Estiveram alguns momentos sem falar nada, simplesmente encaravam-se. Quando o Byakuya se lembrou do que queria fazer ao início, colocou uma mão numa das bochechas rosadas da ruiva e acariciou-a suavemente, deixando-a rendida ao seu toque experiente e carinhoso. Quando viu o shinigami aproximar a sua face da dela e com os olhos direcionados para os seus lábios, o cérebro da Inoue simplesmente desligou do mundo real e o seu coração batia a mil à hora. O Byakuya há muito que desejava aqueles lábios carnudos e rosados. Um fogo crescia no seu corpo por saber que iria poder prova-los finalmente. Fechando o espaço entre eles, selou os lábios da Orihime num beijo calmo, carinhoso e terno. Os corpos totalmente colados, encaixavam-se perfeitamente um no outro. Apesar de ser o primeiro beijo da ruiva, esta queria mais daquilo que o Byakuya lhe estava a oferecer. Colocando os braços à volta do seu pescoço e acariciando o seu cabelo, aprofundou o beijo. Ele ao perceber as intenções da Inoue, pediu passagem com a língua para explorar por completo a sua boca e colocou os braços à volta da sua fina cintura. No momento não confiava nas suas mãos se estas estivessem noutro sítio. Pequenos gemidos eram ouvidos da ruiva, o que deixou o Capitão ainda mais excitado. Tiveram de interromper o beijo por falta de ar. A Orihime nem olhava para o Capitão e estava completamente vermelha. O Byakuya simplesmente queria mais, mas sabia que não devia pressionar. Levantando o queixo dela para ver de novo os seus olhos cinzentos preferidos, plantou um sorriso brilhante na sua cara por a ver tão corada e rendida a si.
− Acho que está na altura de te ires deitar! Amanhã tens um espetáculo e precisas de todas as energias! Simplesmente viu a ruiva acenar com a cabeça e sair, ainda que relutantemente. Voltou a sentar-se na beira da cama com o pensamento no beijo de há poucos segundos atrás. “Ela vale a pena. Eu disse que nunca mais iria desobedecer às regras do meu clã, mas ela vale a pena! Ela merece muito mais do que isso.”
Notas finais
-Lila-chan;
-Klotus-chan;
-Naai-chan;
-MIss-chan;
-Hime-chan;
Outros dois também para:
-Jessy-chan, que algum tempo não tem aparecido;
- Biaah-chan, que também parece andar desaparecida em combate;
Mais dois beijinhos para as minhas duas leitoras desconhecidas!
KISS
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