Sempre Com Você
27 Amizades
Notas iniciais
Terminada a refeição encaminhei as minhas convidadas aos seus aposentos. Elas arrumaram as suas coisas e preparamos as camas para a noite. Decidimos ficar por minha casa. Saímos até ao jardim da parte de trás da casa de modo a apanharmos ar fresco. O tempo estava agradável e o sol encontrava-se imponente no meio do céu azul, apenas com uma ou outra nuvem à vista. No entanto uma pequena brisa passava pelo meio dos nossos cabelos o que sabia bem.
“Não sei,” suspirou Claire deitada no meio da relva. “Eu gosto dele, e sinto que ele também se importa comigo mas...”
“Mas o quê?”, cortou Elizabeth.
“Não sei,” admitiu ela, olhando para Elizabeth particularmente. “Parece que falta algo entre nós. Eu nunca gostei de nenhum rapaz por isso não sei bem o que é suposto eu sentir”
“Não olhes para mim, amiga. Sabes bem que em termos amorosos eu não sou a melhor para falar.”, falou Elizabeth. Ao ouvir isto Claire dirigiu o seu olhar para Miriam.
“Sinceramente Claire,” riu-se Miriam. “Bem, com Matthew eu simplesmente sabia. Não há muito a dizer. Quando tu gostas de alguém tu simplesmente sabes”
Com isto um silêncio confortável entre nós instalou-se, mas foi por pouco tempo pois logo a seguir Claire começou a falar de outro assunto. Aquilo que Miriam tinha dito tinha-me posto a pensar. Ela tinha razão. Quando uma pessoa gosta de alguém simplesmente sabe porque não consegue tirar essa pessoa da cabeça. Onde quer que eu fosse, onde quer que eu estivesse, via Caspian em todo lado. Num cabelo parecido com o dele, nuns olhos semelhantes aos dele… Tudo me lembrava dele e tudo isso me magoava. Desde que tinha ouvido a voz de Caspian ele não me saía da cabeça. Quer dizer, para ser sincera, desde o dia em que eu o conhecera ele nunca mais abandonou os meus pensamentos.
Suspirei. Estar com as minhas amigas era ótimo. Havia sempre assunto sobre o qual falar. Sentia-me sortuda por conhecer pessoas assim. Já era fim da tarde e nós ainda nos encontrávamos no jardim. Tínhamos lanchado ali e tudo. Estávamos a falar sobre a escola quando ouvimos barulho na sala que era virada para o jardim e que se encontrava com as portas e janelas totalmente abertas. Entre o barulho distingui algumas vozes conhecidas. Repentinamente saíram pessoas de lá a correr para onde nós estávamos.
“Boas tardes,” cumprimentou Edmund sorrindo. William apenas acenou e Peter baixou a cabeça como reconhecimento e sorriu-nos.
Eles afastaram-se um pouco de nós para jogarem à bola sem nos incomodarem, ficando frente ao bosque por onde eu tinha entrado para perseguir Aslan. Olhei para Elizabeth e vi que ela não conseguia tirar os olhos de Peter.
“Sê mais discreta Beth,” avisei eu em tom de brincadeira. Ela pareceu sair de uma espécie de transe e ficou super vermelha quando se apercebeu que eu, Claire e Miriam estávamos fixadas nela.
“Eu não…Eu não estava a fazer nada”, tentou ela desculpar-se.
“Claro Elizabeth, claro”, falou Claire rindo-se.
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Era hora de jantar e eu juntamente com as minhas amigas ajudamos a minha mãe a preparar o jantar. Ela estava completamente desorientada e confusa. Já não estava habituada a cozinhar para tanta gente, mas com a nossa ajuda acabamos por conseguir preparar uma refeição decente.
Eu e Len estávamos sentadas nas cabeceiras das mesas. Do meu lado direito encontrava-se Miriam e à minha esquerda sentou-se Edmund. Por coincidência, ou não, Peter e Elizabeth acabaram um ao lado do outro. De certeza que esta “coincidência” não tinha tido nada a ver com o facto de eu ter forçado todas as outras pessoas a sentarem-se nos lugares que eu queria até só sobrarem aqueles dois lugares e os únicos que ainda estarem de pé serem Elizabeth e Peter.
No início, o ambiente era estranho e nós só falávamos ocasionalmente. Mas com o decorrer da refeição Edmund, Lucy e Miriam começaram a falar sobre um assunto qualquer. Len e Claire embrenharam-se numa conversa sobre viagens e destinos exóticos. Para minha felicidade, Peter e Elizabeth começaram a dialogar sobre algo que eu não entendi o que era ao certo. Só sei que o que quer que fosse o tema da conversa deles, provocava uns risinhos em Elizabeth. Não consegui evitar e sorri. Peter parecia estar tão feliz.
Senti-me observada e olhei na direção de William, vendo que ele me estava a fixar. Corei, olhando para o meu prato que subitamente se tinha tornado muito interessante e continuei a comer tentando agir de forma natural. Era estranho William não estar a conversar com ninguém. Normalmente ele era falador e muito descontraído. Mas durante aquele jantar tudo o que ele fez foi ficar a olhar para mim.
No fim da refeição, eu e as minhas amigas desculpamo-nos e saímos da mesa. Queríamos preparar tudo para a noite. Eu ajudei Miriam e Claire a fazer a cama delas.
“Que colar giro!”, exclamou Elizabeth. Eu tinha vestido a minha camisa de noite e estava a retirar o colar que Caspian me tinha oferecido. “Onde é que o arranjaste?”
“Foi uma prenda…” , eu tentei ser o mais abrangente possível de modo a não levantar suspeitas que pudessem conduzir a perguntas incómodas.
“Posso pegar?”, Elizabeth parecia uma criança na manhã de Natal. Eu concordei e ela tomou o colar entre as suas mãos, analisando-o cuidadosamente com os seus dedos. “É lindo”, comentou. “O C e o S que aqui estão querem dizer o quê?”. Fiquei completamente sem palavras. Eu não lhe queria mentir mas também não lhe podia dizer a verdade.
“Esse colar já está na nossa família há muitas gerações. Veio do lado do meu pai. Quando o recebi já se encontrava assim, por isso suponho que para o dono original esse C e esse S tivessem algum significado especial”, sorri e tentei ser o mais credível possível mas eu era completamente péssima a mentir.
Eu e Elizabeth fomos para o quarto das visitas onde Miriam e Claire se encontravam. Estávamos todas a falar alegremente quando Elizabeth disse que ia à cozinha buscar comida para nós.
“Traz chá para mim Beth”, falou Claire.
“Para mim também. E quero um pão com manteiga”, acrescentou Miriam.
“Bem, a minha mãe fez chá de tarde por isso ainda há muito na chaleira, apenas tens que o aquecer.”, expliquei eu a Elizabeth.
Ela desceu e foi para a cozinha. Passado algum tempo eu lembrei-me que me tinha esquecido de lhe pedir para me trazer umas bolachas de mel que eu adorava. Decidi ir também à cozinha. Desci as escadas, atravessei a sala mas parei quando ouvi vozes na cozinha. Aproximei-me da porta silenciosamente para ver quem é que estava lá. Uma das vozes pertencia a Elizabeth e a outra…A outra era a de Peter. Peter e Elizabeth estavam a conversar na cozinha! Tentei aproximar-me mais um pouco de modo a perceber o que eles diziam.
“Não, eu não sou grande fã de ar livre”, explicou Elizabeth. Eu notava o seu sorriso na sua voz.
“Devias ser. Amanhã vamos almoçar no jardim se estiver bom tempo por isso vais ter que te tornar fã do exterior”, ele soltou uma gargalhada.
“Rezo para que amanhã chova”, disse Elizabeth em tom de brincadeira.
“Mas diz-me lá, por que é que gostas tanto de ficar dentro de casa?”, pediu Peter, parecendo estar genuinamente interessado.
“Não sei bem…Dentro de casa tenho o meu piano, e os meus livros. Ao ar livre tenho insetos, vento e frio.”, ela riu-de depois de dizer isto.
“Tu tocas piano?”, perguntou ele um pouco surpreendido.
“Sim. Desde os meus seis anos.”
“Amanhã vais tocar para nós ouvirmos.”
“Não…Eu não gosto de tocar para muitas pessoas. E além do mais não sou assim tão boa”, Elizabeth estava com as maçãs do rosto vermelhas e ela encontrava-se a fixar o chão. Ela estava a ser modesta porque quem já a tinha ouvido a tocar piano dizia que ela era uma natural e que tinha um talento fantástico.
“Aposto que és maravilhosa a tocar. Amanhã espero que toques piano. Nem que seja só para mim”, com isto Peter piscou-lhe o olho e saiu da cozinha pela outra porta que ia dar à outra sala, deixando Elizabeth completamente vermelha e atrapalhada.
Esperei algum tempo até entrar, o que fez com que Elizabeth se assustasse.
“S-susan, o que é que estás aqui a fazer?”
“Bem, esta é a minha casa e vim buscar bolachas”, falei provocando o aparecimento de um sorriso na cara de Elizabeth.
Ela voltou para o quarto primeiro que eu pois fiquei a lavar a caneca que eu tinha utilizado nessa manhã. Quando finalmente estava a caminho do quarto de hóspedes encontrei-o no hall.
“Susan…”, cumprimentou-me ele sorrindo.
“Olá William…”
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