Sempre Com Você
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Adorei escrever este capítulo yay
Ele ficou um pouco envergonhado o que acontecia sempre que ele se encontrava comigo. Não me encontrava habituada a ter esse tipo de poder nas pessoas. William passou a mão nos seus cabelos loiros e fixou o chão.
“Então…Por aqui?”, falou ele timidamente.
“Não sei se reparaste mas estamos em minha casa”, ainda há pouco Elizabeth tinha-me feito uma pergunta do género. Eles ainda não se tinham apercebido que eles é que eram convidados na minha casa e não o contrário? Will riu-se com o meu comentário e ficou mais à vontade.
“Sim, tens razão”, disse ele, “Podemos conversar?”
“William a sério nós já o estamos a fazer. O que é que me queres dizer?”
“Tu nunca me chegaste a dizer…”, ele parecia estar angustiado.
“Dizer o quê?”, questionei-o. Começava a ficar intrigada.
“Se eu tinha uma hipótese contigo”
“Will não é assim tão simples…”
“Apenas diz-me. Sim ou não”, o seu tom de voz transformou-se num tom duro.
“Eu-eu…”, não consegui terminar a frase. Eu não queria magoar William mas eu não sentia o mesmo que ele.
“Gostas de outra pessoa não gostas?”, ele começava a ficar mais distante. Eu sentia-o a escapar-me.
“Não é isso, Will tu sabes que eu…”, novamente não fui capaz de terminar o meu discurso mas daquela vez tinha sido porque William tinha-me agarrado e beijado. William estava a beijar-me. Por momentos voltei a esquecer-me de tudo o que me rodeava. Naquele momento era só eu e William. Os seus lábios pareciam-me de certo modo familiares. Era como se eu o tivesse beijado toda a vida. Empurrei-o para trás e quebrei o beijo. “William, que estás a fazer?”
“Se não gostas de outra pessoa então tens que nos dar uma hipótese Susan. Não me digas que não sentes nada por mim.”, ele parecia estar desesperado e eu não respondi. Não sabia o que dizer. Então ele investiu novamente sobre mim tomando os meus lábios com os deles. Desta vez ele aprofundou mais o beijo. Estivemos assim durante algum tempo até que um barulho num perto do corredor fez com que ele me largasse. Alguém saiu de um dos quartos. Eu estava ofegante. Eu nem estava a pensar direito.
“William eu gosto de outra pessoa, desculpa”, ele ficou a olhar para mim com os olhos esbugalhados, também com a respiração acelerada.
“Como assim?”, ele parecia não estar a acreditar naquilo que eu tinha acabado de dizer. “Quem é ele?”
Antes que eu pudesse falar, Edmund surgiu do quarto de Peter e aproximou-se de nós. Eu devia estar completamente vermelha, porque ele lançou-me um ar interrogativo, embora não tenha comentado. Eu achei que era boa ideia fixar o chão.
“Então, não vens Will?”, falou alegremente Edmund. “Estamos à tua espera para começar a jogar xadrez”, Eu aproveitei a oportunidade e escapei-me para o quarto de hóspedes. As três ficaram a olhar para mim porque eu deixei sair um suspiro de alívio mal fechei a porta.
Passamos a noite a conversar e a rir mas quando o sono tomou a melhor eu e Elizabeth regressamos ao meu quarto e passámos lá a noite.
No dia seguinte sempre almoçamos no nosso jardim porque o tempo estava maravilhoso. Len e Lucy almoçaram mais cedo que nós todos. Len espalhou duas enormes toalhas de picnic no meio da relva. Eu ajudei a trazer a comida da cozinha para o jardim. Quase que ia contra William quando eu tinha repousado nas mãos um prato cheio de croquetes. Eu não me atrevi a olhar para ele.
A refeição correu bem. Peter tinha-se sentado ao lado de Elizabeth e embora eles entrassem na conversa do grupo por vezes pareciam estar presos no mundo deles. Eu simplesmente não conseguia enfrentar William. Ele sabia que eu gostava de outra pessoa. Eu tinha-o recusado. Eu tinha-o magoado. Ele tinha-me beijado. Eu tinha quebrado o beijo. Beijar William era muito diferente de beijar Caspian. Com Caspian eu sentia que os nossos lábios tinham sido feitos para estar juntos. Com Will eu sentia familiaridade.
Durante essa tarde eu conjuntamente com as minhas convidadas decidimos dar uma volta pela cidade. Peter, Edmund e William também saíram, embora nenhuma de nós tivesse ideia de para onde eles tivessem ido. Percorremos muitas lojas, mas demoramos especialmente mais tempo numa das nossas favoritas, Penley’s. Claire e Elizabeth estiveram a admirar as fitas para o cabelo que elas tanto amavam. Eu tinha a certeza absoluta que Beth ia trazer muitas fitas enquanto que Claire, sendo mais consciente, traria uma, no máximo duas. Enquanto elas escolhiam os produtos que iriam comprar eu e Miriam dávamos uma volta pelo compartimento da loja, olhando para tecidos com desinteresse (na realidade nós só queríamos conversar).
“Eu sei que deve ser estranho para ti Su, mas eles ficam tão bem juntos. E Elizabeth está tão feliz”, sussurrou Miriam.
“Não acho estranho de todo. Considero Elizabeth um melhor para para Peter do que Margaret”, falei-lhe eu usando especial tom de nojo proferindo o nome da ex-namorada de Peter.
“Também não é difícil ser melhor que essa”, nós as duas começámo-nos a rir, ganhando os olhares dos outros clientes que se encontravam na loja, incluindo Elizabeth e Claire. Até o senhor Penley olhou para nós com ar curioso.
Depois de abandonarmos a loja (Elizabeth comprou cinco fitas verdes diferentes e Claire acabou por não comprar nenhuma) decidimos visitar uma loja que vendia roupa feita por medida. A montra estava adoravelmente decorada. Um vestido azul-bebé encontrava-se numa das manequins e a outra ao lado tinha um vestido pelos joelhos que tinha o padrão de uma toalha de picnic mas era amarelo. Miriam comprou um cachecol azul. Eu comprei umas luvas brancas. Sim, já estávamos a sair do Inverno mas mesmo assim, um par de luvas a mais nunca fez mal a ninguém.
Estávamos a explorar um corredor com pequenas lojas e entramos numa que era um estabelecimento que vendia todo o tipo de doces. Antes de entrar eu olhei em volta e achei que eu já tinha estado naquela rua. E foi aí que eu me apercebi. Olhei para o local ao lado da loja de doces e vi-a, imponente como sempre. A loja de Sirama. Lá estava ela. Quieta, vazia. Sossegada porque a dona não vinha lá há semanas. Era estranho Miriam não ter referido que aquela era a loja da sua tia. Mas provavelmente nem ela própria sabia, apenas tinha pedido à sua mãe o endereço e me ter entregue. Fui chamada e voltei à realidade. Era estranho eu nunca ter notado que mesmo ao lado da loja de Sirama se encontrava uma loja de doces. O interior cheirava a chocolate quente. Só de estar ali dentro fazia crescer água nas nossas bocas. Via chocolates de todas as formas e feitios em cima do balcão. Rebuçados do tamanho da palma da minha mão. Eu queria ficar ali dentro para sempre. Todas nós compramos um saco cheio da mais variada doçaria: rebuçados de caramelo, de café, bombons, e por aí fora.
Ao fim da tarde, ficamos na esplanada de um pequeno café a beber chá. Já não tinha um dia feliz assim há meses. Era bom estar afastada todos os meus problemas. Mesmo que fosse durante um curto período de tempo.
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