Sempre Ao Teu Lado
2 Telefonemas
Notas iniciais
Quando aterramos em Londres, eu e o Martim fomos procurar um hotel para ficar uns dias. Tínhamos de alugar uma casa, não íamos ficar a viver num hotel durante 3 anos.
Em Portugal, o ano lectivo tinha acabado, e nós (eu e o Martim) tínhamos passado com sucesso. Agora, tínhamos de nos inscrever numa escola inglesa, começar uma vida de novo.
Chegando ao hotel, deixamos as malas, e fomos procurar uma casa barata que desse para nós dois. Demoramos quase toda a tarde, mas encontramos uma casa pequena que dava para os nossos pais pagarem a renda mensal. Depois disso, fomos até à nossa nova escola, fazer a matrícula para o próximo ano.
-Estou cansada, Martim… Vamos para o hotel, sim?
-Claro princesa. – Respondeu-me o Martim e deu-me um beijo na testa. – Vamos lá.
Quando chegamos ao hotel, descalcei aquelas malditas sandálias. Vesti o meu pijama e deitei-me ao lado do Martim. Adorava quando ele me mexia no cabelo quando eu ia dormir.
Adormeci e acordei com o sol a entrar pelos cortinados. Deixei o Martim a dormir e vesti uma roupa prática. Apetecia-me correr.
Atei o cabelo, vesti uma T-shirt cinzenta simples e vesti uns calções pretos. Dentro da minha mala encontrei uma fotografia em que eu estava com o Rodrigo e com a Carolina. Sorri para ela e dei-lhe um beijo. Peguei no meu telemóvel e saí.
O Rodrigo atendeu ao primeiro toque.
-Mãe… Que saudades! Ainda nem acredito que foste embora…
-Oh Rodrigo… Também tenho tantas saudades tuas… Vais-me sempre dizendo o que é que está a acontecer por aí, ok? Toma conta da Carolina. E come, por favor!
Quase o ouvi a sorrir do outro lado.
-Não te preocupes comigo. Tu é que estás aí sozinha, só com o Martim… — ele ficou triste.
-Mas sei que estás sempre a pensar em mim! Tenho de desligar. Um grande beijo para ti!! Adoro-te tanto! – Disse-lhe.
-Adoro-te. – Foi só o que ouvi do lado de lá.
Tentei ligar à Carolina, mas sem sucesso. Ela não me atendeu o telefone. Provavelmente estava com os pais e não podia falar.
Fui correr até ao Hyde Park. Parei para beber café e mandei uma mensagem ao Martim.
“Bom dia príncipe! Vim correr. Liga aos teus pais e manda-lhes um beijo meu”
Já ia a voltar para o hotel, quando me detive em frente a um anúncio para empregada de mesa. Precisava de alguma coisa para fazer nas férias, já que o Martim ia até Portugal duas semanas.
-Demoraste. Vamos levar as nossas malas até à nossa nova casa?
Confirmei com um aceno de cabeça e saímos do hotel.
A nossa casa era acolhedora.
-Bem, só te vim cá trazer. Vou até Portugal. Vou despedir-me da minha vida lá. Tens a certeza que não queres vir?
-Não posso… Arranjei um emprego para o verão. Mas quero que dês uma coisa minha ao Rodrigo e à Carolina.
Entreguei-lhe uma pulseira que tinha comprado naquela manhã a dizer Miss You para o Rodrigo. Para a Carolina, mandei-lhe um fio meu, que ela sempre adorara.
O Martim deu-me um beijo e saiu.
O meu telefone tocou e vi que era a minha mãe. Não atendi.
Mas ela não desistiu até que eu atendesse.
-Filha, está tudo bem? Como correu a viagem? – A minha mãe estava preocupada?
-Olá mãe. Sim, correu tudo bem. O Martim vai aí passar duas semanas. As últimas.
-Tu não vens? – Ela parecia desiludida.
-Não, mãe. Arranjei um trabalho para as férias. Bem, tenho de desligar. Beijinhos.
-Adoro-te filha. A sério. – E desligou.
-Também te adoro mãe. – Disse para um telemóvel desligado.
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