Sempre Ao Teu Lado
3 É o fim?
Notas iniciais
Passou-se a minha primeira semana em solo britânico. O Martim ainda não me tinha ligado desde que tinha ido até Portugal e eu ainda não tinha tido muito tempo para falar com ele.
O trabalho estava a correr bem; a dona da esplanada estava contente com a minha eficiência e achava-me muito bem-educada para aquele trabalho.
O trabalho, a casa e as visitas que fazia àquela cidade, não me deixavam tempo para ligar para Portugal.
Estava a fazer uma sandes e preparava-me para me sentar a ver televisão, (como qualquer adolescente normal quando está cansado) quando o meu telefone tocou.
Fiz uma cara feia, mas quando vi que era o Rodrigo atendi muito feliz.
-Olá! Tinha tantas saudades de falar comigo, mas como arranjei um emprego e cheguei à pouco tempo, não tenho tido muito tempo para mim… — Eu não me calava.
-Inês, Inês, pára! Preciso de falar contigo! Acalma-te, eu não me importo que não me tenhas falado desde que aí chegaste. Mas, por favor, senta-te porque não vais gostar de saber o que aconteceu.
Eu calei-me e o meu sorriso desapareceu da cara. Agora estava preocupada.
-O que é que se passou? Estás a deixar-me preocupada. Foi alguma coisa contigo? Com a Carolina? Com a minha família? – Eu não me calava. Outra vez.
-Inês!! Calma, ok? Eu estou bem, a tua família está bem. Calma.
-Então foi a Carolina, o que é que lhe aconteceu?
-Não foi o que é que lhe aconteceu, mas o que é que ela fez… Ela e o Martim.
-Rodrigo, conta tudo de uma vez! Queres que vá para o hospital com um ataque de nervos?!
-Ook.. Não vais gostar nada… Eu vi ela e o Martim a beijarem-se…
Fiquei em silêncio.
-Inês? Estás aí? Devia ter ficado calado, não era? – Ele estava preocupado.
-Estou bem. – Caiu-me uma lágrima. – Eles viram-te?
-Sim, viram. E pediram para não te contar nada. Obviamente que eu não ia ficar calado. Tinhas de saber. O que vais fazer agora?
-Agora? Vou ver televisão. Depois ligo ao Martim a pedir-lhe que venha buscar as malas que deixou aqui.
-Admiro a tua força, Inês. Vais ficar bem? Sim, porque eu sei que estás a chorar, embora não te oiça.
Sorri. Ele conhecia-me como ninguém.
-Vai demorar até eu conseguir ficar bem. Mas vou conseguir. Desde que nunca mais oiça o nome dele ou da Carolina, vou conseguir ultrapassar isto.
-Queria estar aí contigo, mãe… Tenho de desligar. Tu és forte e não vais abdicar desses três anos só porque o teu ex-namorado te traiu.
-Com a minha melhor amiga. – Conclui. – Mas não vou mesmo voltar para Portugal. Ainda para mais ter de os ver? Aqui posso estar sozinha, mas não vejo as duas pessoas que mais me desiludiram.
-Adoro-te – Disse-me ele.
-E eu a ti. – E desliguei.
Chorei sentada no chão, encostada ao sofá, e comecei a ouvir a única coisa que me acalmava neste mundo: a voz dos rapazes do One Direction.
Quando já não chorava, voltei a agarrar o telemóvel e marquei, pela última vez, o número que eu mais marcava: o do Martim.
Ele não atendeu, por isso fui dormir.
No dia seguinte, acordei com uma mensagem dele.
“Bom dia princesa. Desculpa ontem não ter atendido, mas já estava deitado. Amo-te miúda. Para sempre”
Como é que era possível ele ainda me conseguir dizer aquilo? Levantei-me e tomei um duche rápido. Depois liguei ao Martim.
-Olá princesa, viste a minha mensagem? Quarta-feira estou ao pé de ti outra vez.
-1º não sou a tua princesa, 2º não te quero aqui na quarta-feira, quero amanhã, 3º se não tivesse visto a tua mensagem, podes ter a certeza que não te ligava.
-Porque é que me estás a falar assim?
-Porque é que estás a fingir que não se passou nada? – Respondi-lhe.
-O que é que o Rodrigo te disse?
-A verdade. Vens amanhã buscar as tuas coisas. E não há lugar para discussões. – Desliguei-lhe o telefone na cara.
Vesti umas calças de ganga e uma camisola de alças e saí.
Fui até ao meu emprego. A dona viu que eu não estava bem e pôs-me à-vontade para desabafar com ela. Agradeci, mas andei todo o dia calada.
No final do dia, a minha patroa disse que eu amanhã estaria de folga, o que até me convinha, porque o Martim vinha cá buscar as malas.
Vagueei pela cidade. Às 02:30 cheguei a casa. Não me lembro o que fiz nessa noite, mas lembro-me de ter chegado a casa e de ter adormecido no sofá.
Acordei com a voz do Martim a cantar-me aos ouvidos. Levantei-me de repente e fui ao quarto buscar as malas dele.
-Agora quero-te fora da minha casa! JÁ!! – foi a única coisa que lhe disse.
-Tem calma Inês… Eu não volto mais, mas vamos falar como pessoas decentes. Acho que mereço isso.
-Tu achas o quê?! E quem és tu para falar em decência? Nem isso tiveste para me contares que andavas com a minha melhor amiga! Quero a tua chave de casa aqui. Já – estendi-lhe a mão, para ele colocar a chave.
Ele largou a chave em cima da mesa e sentou-se no sofá.
-Qual foi a parte do “QUERO-TE FORA DA MINHA CASA” que tu não percebeste? SAI! – Gritei-lhe eu.
-Inês, vamos só até ao café. Se não queres falar comigo aqui, falamos num sítio público. Por favor… — Ele estava a implorar-me.
-Não quero falar contigo nem aqui, nem em lado algum! Quero-te fora daqui! – Eu já me estava a passar. Mesmo a sério.
-Ok.. Então eu saio. – Dirigiu-se para mim com o intuito de me dar um beijo, para impedi-o, com um estalo na cara.
Depois, ele saiu, e eu fiquei sozinha, a chorar mais uma perda.
Notas finais
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