Notas iniciais
Aqui fica mais um capítulo. Divirtam-se.

Tinha sido mais uma noite difícil. Até quando é que eu iria continuar assim? Acordei maldisposta, sem vontade de ir trabalhar, mas tinha de pôr um sorriso na cara se queria continuar a trabalhar.

Vesti uma roupa normal. Como sempre. Pus um sorriso na cara e saí.

-Bom dia! – Fui até aos vestiários e peguei no avental.

-Bom dia querida. Hoje estás com melhor aspecto. O dia de folga de ontem, fez-te bem? – a minha patroa estava preocupada comigo.

Sorri.

-Ajudou-me a pensar, a arrumar as ideias. – Suspirei e o meu sorriso desapareceu. Caiu-me uma lágrima.

-Oh querida… — Ela limpou-me a lágrima e abraçou-me. – A vida tem destas coisas. Mas tens de ser forte e sorrir para o futuro.

Respirei fundo e comecei a trabalhar. Abstraí-me de tudo e apenas me concentrei no meu emprego.

Quando eu me preparava para sair para a minha hora de almoço, a dona da esplanada chamou-me. Parecia abalada, mas pensei que continuasse preocupada comigo.

-Inês… Quando pus o anúncio para uma empregada, era até ao fim do verão. Depois disso a minha filha voltaria da Austrália e já me ajudaria aqui. Infelizmente, as coisas por lá complicaram-se e ela volta hoje.

Agora que a vida me estava a correr melhor, ia perder a única coisa que não me fazia pensar no Martim? Não podia ser!

-Desculpa, mas com a minha filha de volta não posso continuar a pagar um outro ordenado. Mas se precisares mesmo de um emprego, eu ajudo-te a encontrar outro.

-Não, não é preciso. Eu só arranjei este trabalho para me distrair…

Então agora vai almoçar. Depois aparece aqui para acertarmos contas. – Deu-me um beijo na cara e saiu.

Que mais me iria acontecer? Ao que parece a minha vida não estava destinada a correr minimamente bem.


-Queria uma sopa e uma água por favor. – Pedi à empregada do café onde tinha estado no dia anterior.

Observei o estabelecimento em silêncio. No dia anterior estava nervosa demais para ver o que quer que estivesse diante dos meus olhos.

-Aqui tem o seu pedido.

Agradeci com um sorriso e comecei a comer.

-Olá. A almoçar? – Mandei um salto quando ouvi a voz do Zayn por trás de mim.

-Olá. Pois, parece que sim. Senta-te.

Ele chamou a empregada e pediu-lhe uma sandes e um pacote de batatas fritas. Quando trouxe o que ele pediu, olhou para mim.

-Também ainda não tinha almoçado. Assim, faço-te companhia. – Deu uma dentada na sandes e sorriu-me.

Eu também sorri e comecei a comer a minha sopa.

-Então vou fazer-te aquela pergunta do costume: Está tudo bem?

-Gostava de dizer que sim, mas não. Esta noite consegui dormir sem acordar, mas era como se ele estivesse sempre ali, e isso incomodou-me. Para ajudar à festa, fui despedida.

-Foste despedida? Mas tu trabalhavas? – Ele estava confuso.

-Sim trabalhava. Mas não era pelo dinheiro. Só queria abstrair-me de tudo o que me tem acontecido. – Já não estava a comer. Brincava com a colher e com a sopa. – Agora vou ter de arranjar outra coisa para fazer, ou então ficar em casa, o dia todo, a ver filmes da Disney…

-Ahahaha! Já comeste? – Ele já tinha comido tudo.

Acenei que sim com a cabeça. Ele chamou a empregada e pediu a conta. Ele acabou de me pagar o almoço?!

-Anda, vem comigo. – Ele tocou-me no ombro e eu levantei-me.

Ele acabou de me pedir para ir com ele? Isto não estava a acontecer. Só podia ser um sonho. Eu belisquei-me sem ele reparar para ver se acordava, e descobri que aquilo era mesmo verdade.

Saímos e ele levou-me até ao rio. Sentou-se e eu fique a olhar para ele. Aquele silêncio era bom.

-Sempre que estou em baixo, gosto de vir para aqui. Consigo passar horas nisto, sei que aqui ninguém me chateia. – Ele foi o primeiro a quebrar o silêncio.

-Está-se aqui bem. – Foi a única coisa que consegui dizer.

Ele sorriu e olhou para mim. Agora eu já estava a olhar para o rio, aquela paisagem era linda!

-Já falaste com o teu ex-namorado?

-Ele foi lá ontem a casa buscar o resto das coisas e voltou para Portugal. Não o quero ver nunca mais… sei que se o voltar a ver, vou ficar muito magoada.

-Entendo-te muito bem…

-Sabes uma coisa? Gostei muito de estar aqui contigo, mas combinei com a minha ex-patroa que ia lá buscar o meu dinheiro.

-Também gostei de estar aqui contigo. Principalmente porque não foste histérica como a última pessoa que eu aqui trouxe e soubeste apreciar o momento.

Sorri.

-“O silêncio é o mais perfeito arauto da felicidade. Eu estaria pouco feliz se pudesse dizer o quanto.”

-William Shakespeare. – Dissemos os dois em uníssono.

Levantei-me e ele começou a dizer números.

-Hã? – Foi a única coisa que disse.

-É o meu número. – Ele sorriu. – Liga-me sempre que precisares de falar.

-Não tenho aqui nada para escrever. Fica tu com o meu.

Notas finais
O que acharam?