Tinha acabado de chegar a casa. Já tinha o meu dinheiro, mas não tinha o meu emprego, não tinha o meu namorado, não tinha o meu melhor amigo comigo. Resumindo e concluindo: tinha mais razões para estar triste do que contente.

O que equilibrava as coisas era o facto de ter conhecido o Zayn. Assim tinha a mesma dose de felicidade e de tristeza.

Despi-me e vesti uns shorts e uma camisa larga. Odiava andar em casa apertada em calças de ganga apertadas e camisolas bonitas. Gostava ainda menos de andar calçada, fossem chinelos, ou outra coisa qualquer.

Fui buscar o meu telemóvel e vi que tinha uma mensagem. Era da minha mãe. Apaguei-a antes de ler.

Depois, mandei uma mensagem ao Rodrigo. Não me apetecia falar com ele durante muito tempo, por isso, uma mensagem era o suficiente. Dizia:

“Novidades. Perdi o emprego. Estou bem, antes que perguntes, porque conheci uma pessoa. Beijinhos e adoro-te.”

Ele percebeu que eu não queria falar e disse apenas:

“Novidades. O Martim foi de férias com a Carolina. Uma pessoa do sexo masculino, deduzo. Beijinho e adoro-te”

Sorri. Se eu não pude fazer o Martim feliz, ainda bem que alguém o fez por mim.

Não estava com a mínima vontade para fazer o jantar, por isso comi só uma torrada.

Fui para a janela e sentei-me no parapeito a ver as estrelas.

Bocejei. E fui para a cama.


“Já estás acordada? Visto que não trabalhas deves estar livre. Encontramo-nos junto ao rio daqui a 1 hora? Z.”

Acordei com a mensagem do Zayn. Sorri e fui a correr tomar um duche.

Aqueci o leite e bebi-o com uma fatia de pão.

Só no fim me fui vestir. Vesti umas calças de ganga e uma camisola larga. Calcei sandálias e atei o meu cabelo. Não me apetecia tê-lo solto.

Saí de casa e dirigi-me para o local onde o Zayn me tinha levado no dia anterior.

Quando lá cheguei, o Zayn estava a atirar pedrinhas para o rio.

Sentei-me ao lado dele sem dizer uma palavra.

-Olá. Pareces melhor hoje.

-Olá. Sim, estou melhor, de facto. – Queria dizer mais alguma coisa, mas não sabia o quê.

-Sabes? Sinto-me bem ao pé de ti. Não és como as outras fãs. É como se eu te conhecesse à anos…

-Também me sinto bem ao pé de ti… – Disse-lhe. – Passa-se alguma coisa que me queiras contar?

-Não. Só me apetecia sair um bocado da rotina e pensei que não te importasses de me aturar um bocado.

Sorri. Desde quando é que eu me iria importar de aturar aquele boneco?

-Não me importo, não. – E ficamos em silêncio.

Aquele silêncio era mesmo agradável. Levantei-me.

-Onde vais? – Zayn estava confuso.

-Não é onde vou, mas onde vamos. Anda. – Peguei-lhe na mão e ajudei-o a levantar-se.

-Então… Onde vamos? – Perguntou-me o Zayn.

-Ver Londres.

Levei-o até ao outro lado do rio.

-Não te entendo… Onde vamos? MESMO?

-Calma! Estamos quase a chegar.

Passamos pela Westminster Bridge e só quando chegamos ao outro lado, é que ele percebeu.

-Ah… Então queres ir andar no London Eye?

Sorri-lhe. – Quero ver Londres de uma só vez, durante 40 minutos. Vamos?

-Vamos lá.

Quando eu ia para pagar os nossos dois bilhetes, ele adiantou-se e não me deixou pagar.

Entramos numa cápsula. Íamos sozinhos.

Eu sentei-me no banco enquanto o Zayn ia em pé com as mãos nos bolsos. Depois olhou para mim e veio sentar-se ao pé de mim.

-Nunca te cheguei a agradecer o abraço que me deste no outro dia. Parecendo que não, ajudou-me muito. Obrigado. A sério. – Disse-lhe.

-Os amigos fazem dessas coisas. Ajudam-se. – Disse ele em tom de brincadeira.

Abracei-o e ele retribuiu o abraço.

Durante aquele tempo, contei-lhe da minha vida em Portugal, da minha relação com a minha família, que não era muito boa. Contei-lhe que a minha mãe me tinha deixado vir para ver se aprendíamos as duas a amarmo-nos se estivéssemos longe. Contei-lhe que a minha vida não fazia sentido em Portugal, por isso é que tinha ido para lá.

-Porquê Londres?

-Não sei… Tinha três cidades em mente: Londres, Paris e Roma. Decidi-me por Londres. – Respondi-lhe.

Ele falou-me da família, da banda, das suas tatuagens.

A vida dele corria bem. E isso deixava-me feliz.

Quando saímos, fomos almoçar. Comprei duas sandes e dois sumos e almoçamos enquanto andávamos a passear.

Fartámo-nos de rir, das coisas estúpidas que víamos ou que dizíamos. E conheci a faceta de amigo do Zayn.

-Bem, está a ficar tarde, é melhor eu ir andando. – Disse-lhe.

-Ok. Eu levo-te a casa. – Respondeu-me com um sorriso.

Quando chegamos à entrada, ele despediu-se.

-Espera. Fica para jantar. Depois do dia de hoje, é o mínimo que posso fazer para te agradecer. – Pedi-lhe.

Entramos os dois em casa e descalcei-me. Depois pus a comida a fazer.

-Põe-te à vontade. Vou só vestir outra roupa. Odeio andar assim por casa.

O Zayn descalçou-se também e sentou-se no sofá. Apareci na sala com o meu pijama e fui até à cozinha acabar o jantar.

Levei dois copos para a sala e uma garrafa de sumo. Depois apareci com dois pratos e dei-lhe um.

Sentei-me ao lado dele e vimos uma comédia enquanto comíamos.

-Já é tarde. Devia ir-me embora.

-Oh… Podes ficar cá. Não me importo. – Disse-lhe.

-Propostas indecentes? – Disse ele a rir.

-Parvo! – Disse-lhe com ar sério.

-Estava a brincar. Ok. Eu fico – disse-me com um beijo na bochecha.

Ele começou a deitar-se no sofá e eu mandei-o para a cama.

-Na cama ficas tu. Dorme bem. – Disse-me ele.

-Boa noite Zayn. Dorme bem.

E fui para a minha cama. Não podia acreditar que tinha na minha sala o Zayn Malik.

De manhã acordei com um telemóvel a tocar. Não era o meu, não tinha aquele toque. Só podia ser o telefone do Zayn.

-Acorda Zayn… Olha o telemóvel. – Apareci na sala ainda a dormir.

A resposta foi apenas um “hum…”.

Atendi o telemóvel.

-Sim? Bom dia.

-Hum… Olá. O Zayn está?

-Sim, está a dormir. Posso ajudar? – Perguntei-lhe.

-Diz-lhe que o Louis ligou-lhe e que ele tem 10 minutos para chegar ao estúdio. Obrigada. – E desligou.

Não acredito que tinha acabado de falar com o Louis.

-Hey, Zayn. Tens de acordar. Estás atrasado.

Ele acordou e perguntou-me o que se passava. Contei-lhe do telefonema e ele apressou-se. Dei-lhe uma taça de cereis que ele devorou em menos de nada.

-Obrigada Inês. Desculpa o incómodo.

-Oh.. Depois falamos. Vai lá.

Deu-me um abraço e um beijo na testa e saiu a correr.