Sempre Ao Teu Lado
6 Vamos passear?
Tinha acabado de chegar a casa. Já tinha o meu dinheiro, mas não tinha o meu emprego, não tinha o meu namorado, não tinha o meu melhor amigo comigo. Resumindo e concluindo: tinha mais razões para estar triste do que contente.
O que equilibrava as coisas era o facto de ter conhecido o Zayn. Assim tinha a mesma dose de felicidade e de tristeza.
Despi-me e vesti uns shorts e uma camisa larga. Odiava andar em casa apertada em calças de ganga apertadas e camisolas bonitas. Gostava ainda menos de andar calçada, fossem chinelos, ou outra coisa qualquer.
Fui buscar o meu telemóvel e vi que tinha uma mensagem. Era da minha mãe. Apaguei-a antes de ler.
Depois, mandei uma mensagem ao Rodrigo. Não me apetecia falar com ele durante muito tempo, por isso, uma mensagem era o suficiente. Dizia:
“Novidades. Perdi o emprego. Estou bem, antes que perguntes, porque conheci uma pessoa. Beijinhos e adoro-te.”
Ele percebeu que eu não queria falar e disse apenas:
“Novidades. O Martim foi de férias com a Carolina. Uma pessoa do sexo masculino, deduzo. Beijinho e adoro-te”
Sorri. Se eu não pude fazer o Martim feliz, ainda bem que alguém o fez por mim.
Não estava com a mínima vontade para fazer o jantar, por isso comi só uma torrada.
Fui para a janela e sentei-me no parapeito a ver as estrelas.
Bocejei. E fui para a cama.
“Já estás acordada? Visto que não trabalhas deves estar livre. Encontramo-nos junto ao rio daqui a 1 hora? Z.”
Acordei com a mensagem do Zayn. Sorri e fui a correr tomar um duche.
Aqueci o leite e bebi-o com uma fatia de pão.
Só no fim me fui vestir. Vesti umas calças de ganga e uma camisola larga. Calcei sandálias e atei o meu cabelo. Não me apetecia tê-lo solto.
Saí de casa e dirigi-me para o local onde o Zayn me tinha levado no dia anterior.
Quando lá cheguei, o Zayn estava a atirar pedrinhas para o rio.
Sentei-me ao lado dele sem dizer uma palavra.
-Olá. Pareces melhor hoje.
-Olá. Sim, estou melhor, de facto. – Queria dizer mais alguma coisa, mas não sabia o quê.
-Sabes? Sinto-me bem ao pé de ti. Não és como as outras fãs. É como se eu te conhecesse à anos…
-Também me sinto bem ao pé de ti… – Disse-lhe. – Passa-se alguma coisa que me queiras contar?
-Não. Só me apetecia sair um bocado da rotina e pensei que não te importasses de me aturar um bocado.
Sorri. Desde quando é que eu me iria importar de aturar aquele boneco?
-Não me importo, não. – E ficamos em silêncio.
Aquele silêncio era mesmo agradável. Levantei-me.
-Onde vais? – Zayn estava confuso.
-Não é onde vou, mas onde vamos. Anda. – Peguei-lhe na mão e ajudei-o a levantar-se.
-Então… Onde vamos? – Perguntou-me o Zayn.
-Ver Londres.
Levei-o até ao outro lado do rio.
-Não te entendo… Onde vamos? MESMO?
-Calma! Estamos quase a chegar.
Passamos pela Westminster Bridge e só quando chegamos ao outro lado, é que ele percebeu.
-Ah… Então queres ir andar no London Eye?
Sorri-lhe. – Quero ver Londres de uma só vez, durante 40 minutos. Vamos?
-Vamos lá.
Quando eu ia para pagar os nossos dois bilhetes, ele adiantou-se e não me deixou pagar.
Entramos numa cápsula. Íamos sozinhos.
Eu sentei-me no banco enquanto o Zayn ia em pé com as mãos nos bolsos. Depois olhou para mim e veio sentar-se ao pé de mim.
-Nunca te cheguei a agradecer o abraço que me deste no outro dia. Parecendo que não, ajudou-me muito. Obrigado. A sério. – Disse-lhe.
-Os amigos fazem dessas coisas. Ajudam-se. – Disse ele em tom de brincadeira.
Abracei-o e ele retribuiu o abraço.
Durante aquele tempo, contei-lhe da minha vida em Portugal, da minha relação com a minha família, que não era muito boa. Contei-lhe que a minha mãe me tinha deixado vir para ver se aprendíamos as duas a amarmo-nos se estivéssemos longe. Contei-lhe que a minha vida não fazia sentido em Portugal, por isso é que tinha ido para lá.
-Porquê Londres?
-Não sei… Tinha três cidades em mente: Londres, Paris e Roma. Decidi-me por Londres. – Respondi-lhe.
Ele falou-me da família, da banda, das suas tatuagens.
A vida dele corria bem. E isso deixava-me feliz.
Quando saímos, fomos almoçar. Comprei duas sandes e dois sumos e almoçamos enquanto andávamos a passear.
Fartámo-nos de rir, das coisas estúpidas que víamos ou que dizíamos. E conheci a faceta de amigo do Zayn.
-Bem, está a ficar tarde, é melhor eu ir andando. – Disse-lhe.
-Ok. Eu levo-te a casa. – Respondeu-me com um sorriso.
Quando chegamos à entrada, ele despediu-se.
-Espera. Fica para jantar. Depois do dia de hoje, é o mínimo que posso fazer para te agradecer. – Pedi-lhe.
Entramos os dois em casa e descalcei-me. Depois pus a comida a fazer.
-Põe-te à vontade. Vou só vestir outra roupa. Odeio andar assim por casa.
O Zayn descalçou-se também e sentou-se no sofá. Apareci na sala com o meu pijama e fui até à cozinha acabar o jantar.
Levei dois copos para a sala e uma garrafa de sumo. Depois apareci com dois pratos e dei-lhe um.
Sentei-me ao lado dele e vimos uma comédia enquanto comíamos.
-Já é tarde. Devia ir-me embora.
-Oh… Podes ficar cá. Não me importo. – Disse-lhe.
-Propostas indecentes? – Disse ele a rir.
-Parvo! – Disse-lhe com ar sério.
-Estava a brincar. Ok. Eu fico – disse-me com um beijo na bochecha.
Ele começou a deitar-se no sofá e eu mandei-o para a cama.
-Na cama ficas tu. Dorme bem. – Disse-me ele.
-Boa noite Zayn. Dorme bem.
E fui para a minha cama. Não podia acreditar que tinha na minha sala o Zayn Malik.
De manhã acordei com um telemóvel a tocar. Não era o meu, não tinha aquele toque. Só podia ser o telefone do Zayn.
-Acorda Zayn… Olha o telemóvel. – Apareci na sala ainda a dormir.
A resposta foi apenas um “hum…”.
Atendi o telemóvel.
-Sim? Bom dia.
-Hum… Olá. O Zayn está?
-Sim, está a dormir. Posso ajudar? – Perguntei-lhe.
-Diz-lhe que o Louis ligou-lhe e que ele tem 10 minutos para chegar ao estúdio. Obrigada. – E desligou.
Não acredito que tinha acabado de falar com o Louis.
-Hey, Zayn. Tens de acordar. Estás atrasado.
Ele acordou e perguntou-me o que se passava. Contei-lhe do telefonema e ele apressou-se. Dei-lhe uma taça de cereis que ele devorou em menos de nada.
-Obrigada Inês. Desculpa o incómodo.
-Oh.. Depois falamos. Vai lá.
Deu-me um abraço e um beijo na testa e saiu a correr.
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