Notas iniciais
Boa Leitura!

Frederico chegou na Fazenda Bananal montado em seu cavalo. Miguel o esperava, ansioso, no pátio da grande casa Alvarez.

Mig: O papai chegou! (gritou).

Miguel correu de encontro a Frederico, que já havia descido do cavalo, e lhe deu um forte abraço. Frederico o ergueu para olhá-lo. A verdade era que tudo parecia um sonho e ele necessitava olhar para Miguel a todo instante para dar-se conta que era real. Miguel era fruto do amor dele e de Cristina, a única mulher que amou e amaria até o resto de sua existência

.Fred: Meu garoto! (gargalhando).

Cristina e todos que se encontravam na casa, saíram para saber o motivo da gritaria de Miguel. Quando descobriram, Cristina abriu um amplo sorriso e o recebeu com um beijo terno. Miguel fechou os olhos, ainda não estava acostumado com demonstrações de amor entre seus país.

Mig: Já acabaram? (ainda com suas pequenas mãos sobre os olhos).

Cris: Mas que engraçadinho você está se saindo, meu bebê! (disse apertando-lhe as bochechas).

Mig: Já disse que não sou nenhum bebê! Sou um macho como o meu pai! (disse sério).

Frederico sorria orgulhoso do seu pequeno. Encantava-lhe saber que seu filho queria ser como ele.

Fred: Mas é claro que você é um macho! (disse orgulhoso).

Cris: Mas para a mamãe você será sempre um bebê (sorriu docemente para o menino).

CM: Fico feliz que vocês tenham se entendido, finalmente. Mais feliz ainda em saber que tenho um novo irmãozinho (disse bagunçando o cabelo de Miguel).

Fred: Filho, não sabia que estava aqui (cumprimentando com tapinhas nas costas e um leve abraço).

CM: Esses dias encontrei com Maria do Carmo e depois fiquei de plantão direto que acabei esquecendo de avisar-lhe que Cristina estava de volta, mas, pelo que vejo, não fez muita diferença (sorriu).

Naquele momento, chegou uma visita inesperada e nenhum pouco desejada.

Deb: Ora... mas que comovente. Uma reunião familiar. Ah! Que cabeça a minha! (fingindo-se inocente). Esqueci que já não são mais uma família (sorrindo de forma irônica).

Mig: Quem é essa mulher, papai?

Deb: Pai? (sem entender)

Fred: Sim! Esse é Miguel, meu filho e de Cristina (disse levantando uma sombrancelha e com um sorriso triunfante).

Deb: Mas... Como? (surpresa).

Fred: Não quer que eu lhe conte os detalhes (gozando da situação).

Cristina, apesar de estar gostando de toda aquela cena, deu uma cotovelada em Frederico. Não podia permitir que ele falasse determinadas coisas na frente de seus filhos e de sua mãe, ou melhor, de todos presentes.

CM: O que faz aqui, Débora? (descontente).

Deb: Como, "o que eu faço aqui?" Vim atrás do meu noivo. Liguei para o hospital e sua secretária me disse que havia saído com uma moça (olhou Maria do Carmo de cima a baixo). Bom, e como sabia que Cristina e sua adorável filha haviam retornado, não foi difícil deduzir com quem estaria.

Casa de Estela

Andava de um lado para o outro em sua sala. Queria vingança! Queria fazer Frederico e Cristina sofrerem por tantas humilhações, que, segundo sua mente doentia, havia sofrido.

Est: Vocês não serão felizes e eu já sei o que farei. Chorarão lágrimas de sangue (gargalhou maléficamente pensando na idéia que teve).

Casa Alvarez

Estavam todos na sala conversando e aclarando tudo o que havia acontecido e o que aconteceria dali por diante.

Cons: Então, quer dizer que voltará a viver conosco (um tanto insatisfeita).

Fred: Assim será, minha sogra, mas dessa vez para o resto de minha vida, pois não pretendo me afastar de Cristina e de meu filho nunca mais (estava em pé abraçado com Cristina e deu-lhe um selinho).

Débora observava o jeito como Frederico tratava Cristina e tinha vontade de arrancá-la dos braços dele. Tinha que pensar em algo para separá-los o quanto antes.

MC: Seja bem-vindo, novamente, seu Frederico. Você e Carlos Manuel (sorriu forçadamente). Desculpem-me, mas vou para o meu quarto, não me sinto bem (retirou-se).

CM: Mas o que ela tem? (preocupado).

Cris: Não se preocupe! Minha filha acordou um pouco indisposta (mentiu).

CM: Que raro! Estava tão bem a algumas horas.

Cristina sabia que o motivo do mal estar de Maria do Carmo era Débora. Sua filha amava Carlos Manuel e sofria por conta desse sentimento.

Frederico enviou alguns empregados até Olho D' Água para que buscassem todas as suas coisas e as transferissem para a casa Alvarez. Ele não queria passar mais nem um dia longe de sua amada e de seu filho.

Era de tarde, quando Frederico e Cristina deram falta de Miguel. O menino havia saído há algumas horas dizendo que estaria brincando ao redor, mas, ao sair para procurarem, não o encontraram.

Cris: Frederico aonde estará o nosso filho? (angustiada).

Fred: Calma, Cristina. Já mandei todos os empregados o procurarem e certamente ele está escondido em algum canto, mas logo o encontraremos.

Cris: Não sei, Frederico. Estou com um mal pressentimento (começou a derramar algumas lágrimas).

Cons: Fique calma, minha filha. Tenho certeza que a Virgenzinha o protegerá de qualquer mal.

Fazenda Bananal

Caminhavam por entre os bananais rindo e brincando. Estela era muito esperta e convenceu ao pequeno Miguel que a acompanhasse.

Mig: Tem certeza que meu pai deixou eu nadar na cachoeira? (questionava um pouco intrigado).

Est: Mas é claro que sim! Esqueceu que sou sua criada. Então, apenas estou cumprindo ordens (atuava de forma doce).

Mig: Eu tenho o melhor pai do mundo (contente). Ele sabe que eu adorei a cachoeira, por isso ele deve ter deixado.

Est: Sim, deve ter sido por isso, mas vamos andar mais rápido antes que escureça e nem dê para você se banhar.

Mig: Vamos apostar corrida. Quem chegar por ultimo é mulher do padre (correu).

Est: Volte aqui, menino. Espere por mim (gritava enquanto corria atrás dele).

Casa Alvarez

As mulheres oravam rogando a Deus que fosse apenas uma travessura de criança. Carlos Manuel já havia retornado ao trabalho, mas antes deixou Débora em casa. Portanto, só havia Frederico e as mulheres na residência Alvarez quando o capataz Ernesto entrou.

Ern: Patrão! (chegou agitado).

Fred: O que foi, Ernesto? O que aconteceu? (nervoso com medo da resposta).

Cris: Onde está meu filho? (desesperada).

Ern: Procuramos ao redor, mas não o encontramos, mas um morador disse ter visto Estela passar com um menino em direção à cachoeira.

Cris: Não, meu Deus! (aflita).

Fred: Prepare o meu cavalo! (ordenou enquanto pegava sua espingarda).

Cris: Vou com você!

Fred: Cristina...

Cris: Não tente me impedir, porque irei com ou sem você (disse firme).

Fred: Está bem! Vamos!

Frederico montou, rapidamente, em seu cavalo com Cristina na garupa. Saíram como loucos em direção à cachoeira. Os peões os seguiram para caso precisassem de ajuda.

Cachoeira

Mig: Não sei se posso entrar na água. Está muito agitada. Estou com medo, da ultima vez não estava assim.

Est: Mas o que é isso? Você é um Rivero e um Rivero não tem medo de nada, além disso, eu estou aqui com você (sorriu falsamente).

Mig: Você acha que meu pai ficará orgulhoso de mim se eu mergulhar sozinho?

Est: Claro! Agora vai, mergulha.

O menino, apesar de estar com medo, se achava na obrigação de fazer, acreditando que isso orgulharia o seu pai. Miguel entrou, lentamente, na água.

Est: Vai mais para o meio! (incentivava).

E assim o menino o fez, mas começou a desesperar-se, pois não sentia mais o solo e não tinha mais controle quanto aos movimentos.

Mig: Socorro... (engolia água). Me ajuda (voltava a engolir a água). Socorro... (rogava como podia).

Estela apenas gargalhava enquanto o menino se debatia.

Est: Morra seu bastardo! (dizia com ódio).

Nesse momento, Frederico chegou com Cristina e seus peões. Não exergou nada além de seu filho que estava se afogando. Pulou do cavalo e se jogou na água o mais rápido que pode. Cristina sentiu uma grande dor no coração e desespero, temia pela vida de seu filho e, por isso, ajoelhou-se à beira da cachoeira chorando e gritando pela vida de Miguel. Os peões se encarregaram de segurar Estela quando perceberam que iria fugir.

Frederico conseguiu alcançar Miguel, mas o mesmo já estava desacordado. Saiu com ele nos braços e o deitou no solo fazendo-lhe massagens cardíacas e respiração boca-a-boca.

Fred: Por favor, reage filho! (pedia).

Cris: Virgenzinha, não me desampare! (soluçava em meio ao choro).

Fred: Vamos campeão, reage! (seguia massageando) Reage, reage! (gritava desesperado).

Era uma imagem dolorosa. Frederico e Cristina desesperados e inconsoláveis em torno de Miguel que não reacionava. Estela, apesar de saber que não sairia livre, se deliciava com aquela cena. Era tudo o que desejava, ver ambos sofrendo. Enfim, sua vigança estava cumprida. Acreditava ter tirado de Cristina e Frederico o que eles mais amavam, o fruto do amor deles.

Cris: Nãooooo... (gritava) Deus, não me tire o meu filho! (chorava). Eu imploro, te suplico. Não leve o meu menino.

Frederico insistia nos procedimentos de primeiros socorros. Não sabia muito, mas estava sendo guiado pelo seu amor de pai. Nunca havia sentido tanto medo em sua vida. Era como se estivesse perdendo uma parte dele.

Fred: Por favor, meu Deus, nunca lhe pedi nada, mas agora te imploro: salve o meu filho, por favor (chorava rendido). Salve-o! (chorou).

Ninguém nunca tinha visto Frederico Rivero chorar, mas naquele momento era um pai que chorava e clamava pela vida de seu filho e o que menos lhe importava era a opinião dos demais. Só queria o seu filho vivo.

Fred: Por favor! (abaixou a cabeça)

Ouviram uma sequencia de tosse e, para a surpresa e alegria de todos, Miguel reacionava.

Filho!

Frederico e Cristina gritaram emocionados e o abraçaram como podiam, ou melhor, se abraçaram entre sorrisos e choros.

Notas finais
Obrigada por acompanharem e participarem deixando os seus comentários. Até o próximo capítulo!