Sempre Abraça-me
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Era como se o tempo tivesse parado. Uns olhavam sem acreditar e outros sem entender. Cristina não sabia o que dizer, apesar de ter muitas perguntas revirando sua mente. Frederico sentia que era o fim, não podia crer que aquilo estava acontecendo; estava sem saída. Diego, por um longo minuto, encarou Cristina sem dizer nada, pois também era difícil, para ele, crer que aquilo não era um sonho, mas tinha que falar algo, sabia que ela necessitava uma explicação.
Diego: Cristina, meu amor! (muito emocionado avançou em direção a ela e a abraçou). Senti tanto a sua falta (falava com voz quebrantada).
Cristina, apesar de necessitar explicações, correspondeu ao seu abraço. Diego é o pai de sua filha, o homem que amou ou ama? Ela não conseguia refletir com claridade, não naquele momento.
Cris: Diego... (se afastou) onde esteve esse tempo todo? Por que me deixaste sozinha com uma filha nos braços? (disse sem pensar).
Maria do Carmo, Carlos Manuel e muitos outros, que desconheciam a verdade, ficaram surpresos ao saber que Cristina havia tido uma filha, e pior, de outro homem.
Diego: Perdoe-me, Cristina. Te juro que nunca desejei me afastar de você e de nossa filha...(derramou algumas lagrimas), mas a culpa é de Frederico Rivero (levantou a cabeça encarando Frederico com os olhos cheios de raiva).
Cris: Frederico? (perguntou secando as lágrimas que havia derramado pela emoção).
Frederico se manteve calado, pois não sabia o que dizer. Abaixou a cabeça quando sentiu que Cristina o olhava. Não tinha forças para encará-la.
Estela que assistia tudo de longe, deliciava-se com aquela cena, finalmente o fim de Frederico. Ao menos, era o que ela desejava.
Diego: No dia em que iamos fugir com a nossa filha, Frederico esteve em minha choupana querendo me obrigar a te deixar e eu me neguei, mas Frederico, descontrolado, começou a me agredir e eu revidei... (pausou) quando estava levando a melhor, ele me deu uma coronhada e apaguei no mesmo instante.
Cris: Não posso acreditar (chorava). Isso não pode ser verdade...(suspirou) Mas e depois? Por que nunca me procurou? Não venha me dizer que foi por medo de Frederico, porque não acreditarei.
Diego: Não! Não foi por isso. Jamais tive medo de Frederico, mas quando acordei já não estava mais no povoado (olhava nos olhos de Cristina). Eu estava em um veículo, amarrado, amordaçado e... depois disso fui deixado em uma fazenda ao norte do país para servir de escravo. Eu tentei de todas as formas fugir de lá, mas jamais consegui até uns dias atrás.
Cristina chorava cada vez mais forte à medida que ouvia aquelas palavras. Suplicava a Deus que tudo não passasse de um pesadelo.
Cris: Tudo isso é verdade, Frederico? (girou para olhá-lo).
Fred: Eu sempre te amei, Cristina e tudo que fiz foi em nome desse amor (estava sentindo-se mal com tudo aquilo). Perdoe-me!
Cristina não pode controlar a furia, pois havia sido enganada mais uma vez, e pior, sua vida havia sido destruída por causa de Frederico. Mesmo com o coração em pedaços ela não pode evitar de esbofetear Frederico na face. Ele não reagiu, pois sentia que merecia, mesmo sendo capaz de fazer tudo de novo desde que tivesse Cristina só para ele.
Cris: Como pode? Por que me fez tanto mal? Te odeio! Te odeio!
Fred: Entenda que te amo, Cristina (gritou).
Cris: Você não sabe o que é amor. Não conhece esse sentimento (chorava).
Diego: Cristina... (se aproximou para abraçá-la) e nossa filha? O que aconteceu com nossa Maria do Carmo?
Só após ouvir essas palavras que Cristina lembrou de onde estavam e do que havia falado. Olhou para o lado e viu Maria do Carmo com um olhar confuso. Já era chegada a hora de dizer toda a verdade.
Cris: Ali... ali está a nossa Maria do Carmo (disse emocionada olhando para sua filha).
Frederico, apesar de não ser homem de fugir, sentia que não podia mais suportar aquela situação. Já havia se humilhado de mais diante daquela gente e lhe doía ver que perdia Cristina.
Maria do Carmo ao ouvir isso, derramou algumas lágrimas e começou a entender muita coisa, mas a única reação que teve foi de correr, queria sumir dali. Carlos Manuel tentou seguí-la, mas foi impedido por Débora que segurou seu braço.
Deb: Nem pense em me deixar aqui sozinha para ir atrás dela (falou firme e baixo).
Cristina também tentou seguí-la, mas Consuelo não deixou.
Cons: Deixe-a ir, filha. Foram muitas informações. Ela precisa assimilar com calma (advertiu).
Cris: Mas mamãe eu...
Cons: Mas nada. Vamos sair daqui, pois estamos atrapalhando a festa e aqui não é lugar. Creio que você e Diego ainda tem muito o que conversar.
Cristina apenas assintiu. Todos os envolvidos no escândalo se retiraram deixando a festa prosseguir, mas o que prosseguiu foram as fofocas entre os habitantes.
Cachoeira
Estava sentada à beira da cachoeira com os joelhos dobrados e o rosto encaixado entre os mesmos, chorava ainda assimilando tudo o que havia ocorrido.
JM: Maria do Carmo! (gritou).
MC: Me deixe, José Maria. Quero ficar sozinha (disse permanecendo na mesma posição).
JM: Imagino o que esteja sentindo e...
MC: Não, você não imagina! (gritou) Não foi você que acabou de descobrir que sua madrinha, na verdade, é sua mãe e que o seu pai nunca esteve morto, que seu pai é um desconhecido que apareceu do nada (desabafava) e que o culpado de tudo é o seu patrão.
JM: Sim, você tem razão. Eu não imagino, porque minha mãe morreu quando eu nasci, meu pai eu não sei nem quem é ou se ainda existe. Mas você...(a olhou) você acabou de descobrir que é filha da mulher mais bondosa da região, a mulher que te deu de tudo, mas que principalmente te amou e te ama. Quanto ao seu pai, bom, ele pode até ser um completo desconhecido para você, mas voltou e por você (finalizou).
MC: José Maria, perdoe-me. Não queria te magoar (disse arrependida).
Um pouco distante dali, na antiga choupana de Diego, estavam ele e Cristina esclarecendo o que havia ocorrido. Cristina lhe contou tudo o que lhe aconteceu e até que havia dado uma oportunidade para Frederico. Diego também explicou com mais detalhes o que havia lhe passado.
Diego: Eu ainda não consigo crer que você está aqui comigo (tentou uma aproximação).
Cris: Também ainda não posso acreditar (disse sem emoção).
Diego: Lembra de quando nos amavamos? (tentou acariciá-la).
Cris: Diego, creio que preciso descansar, preciso pensar sobre tudo o que está acontecendo (disse enquanto se afastava dele).
Diego: Te endendo, mas Cristina (suspirou) preciso que saiba que ainda te amo como há 15 anos atrás.
Cris: Até mais, Diego!
Cristina não soube o que responder, não podia dizer que também o amava. Sim, era certo que revê-lo havia mexido muito com os seus sentimentos, mas isso só significava que estava confundida.
Bar do Juancho
Sempre que não podia controlar suas emoções, Frederico recorria à bebida, pois era o seu único consolo em horas como essas. Sabia que não era o correto e que aquilo, tão pouco, aliviaria a dor. Por isso, decidiu encarar a realidade indo para a casa.
Casa Alvarez-Rivero
Estava no quarto e, enquanto fazia as malas, chorava descontroladamente, olhando cada detalhe daquele quarto, lembrando das noites de amor que viveu ao lado de Frederico. Aquela havia sido a felicidade mais curta que tinha vivido, mas também a mais intensa.
Entrando no quarto
Cons: Tem certeza do que está fazendo, Cristina?
Cris: Absoluta certeza, mamãe! (disse enquanto seguia fazendo as malas sem olhar para Consuelo).
Cons: Mas essa é a nossa casa. Não podemos deixar tudo para aquele bandido do Frederico!
Cris: É só por pouco tempo. Preciso refrescar minha mente. Depois eu resolvo esses detalhes. Por hora, viveremos em Vila Hermosa na casa que temos lá.
Cons: Bom, se já decidiu eu irei fazer minha malas (disse um tanto inconformada).
Poucos minutos após Consuelo haver se retirado, Frederico entrou no quarto e não pode acreditar no que via. Cristina estava fazendo as malas.
Fred: Cristina... (a olhava)
Cris: Deixe-me em paz, Frederico. Não quero vê-lo nunca mais! Somente para assinar os papéis do divórcio (o olhou com ódio).
Fred: Não diga isso, porque eu jamais lhe darei o divórcio! (alterado).
Cris: Você não está em condições de escolher (disse fria).
Fred: Cristina, por favor, não faça isso. Te amo! (suplicava).
Cris: Amor? Tudo não passou de mentiras. Você me enganou e eu como uma boba, acreditei.
Fred: Eu sei que errei, mas te amo e não minto, Cristina. Acredite. (rogava-lhe).
Cris: Não gaste suas palavras, porque eu jamais voltarei a crer em ti.
E fechando as malas, Cristina as pegou e virou as costas, mesmo sentindo que morria por dentro e que uma parte dela ficaria ali com ele. Se foi.
Fred: Cristina...Cristina! (gritou, mas já era tarde).
Frederico sentou-se na cama e, como poucas vezes fazia, chorou. A amava e a havia perdido. Pegou o travesseiro de Cristina e aspirou o seu cheiro enquanto seu rosto era banhado por lágrimas.
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