Notas iniciais
Boa Leitura!

Passaram-se um mês. Um mês, na qual, Frederico não deixou de buscar Cristina, mesmo que por telefone, mas todos os seus esforços foram em vão. Ligava a cada hora e, dificilmente lhe atendiam e quando lhe atendiam, diziam que Cristina não estava ou não queria falar.

Estava sentado em seu escritório com os cotovelos apoiados sobre a mesa e com o telefone em suas mãos, visivelmente abalado.

Fred: Por que faz isso comigo, Cristina? Por que? (questionava). Maldito Diego! (gritou tacando o telefone para longe).

Vicenta, ao ouvir o barulho, entrou no escritório assustada para saber o que havia acontecido.

Vice: Mas o que houve, seu Frederico? (perguntou vendo o telefone quebrado sobre o chão).

Fred: Não é da sua conta! Me deixe em paz! (gritou).

Casa de Estela

Apesar de haver descoberto a verdade, Maria do Carmo permaneceu morando com Estela, pois ainda estava magoada com Cristina e não queria procurá-la. Tinha raiva de Estela por tudo que tinha feito, mas não tinha aonde ficar e, por isso, permaneceu. No entanto, durante o mês que passou, Maria do Carmo refletiu sobre as palavras de José Maria e decidiu procurar Cristina, mas ainda estava criando coragem para fazer isso.

Deitada em sua cama, olhando para a janela, estava Maria do Carmo.

MC: Ela é minha mãe. Minha madrinha é a minha verdadeira mãe? (falava lentamente como se estivesse assimilando aos poucos).

Distante dali, estava Cristina em sua nova casa. Sentada no sofá da sala pensando em sua filha e... em Frederico. Onde estaria? O que estaria fazendo? E, com quem? Essas eram as perguntas que atormentavam Cristina, mas ela não queria pensar nele, pois estava decidida a não vê-lo nunca mais. Acreditava que Frederico não mudaria por ela e nem por ninguém e que tudo o que ela sofreu e sofre é por culpa dele. Desde que voltou, Diego a procurou todos os dias na tentativa de conquistá-la. Ele lhe havia proposto que vivessem juntos, ele, ela e Maria do Carmo, como uma verdadeira família. Disse também, que a ajudaria recuperar a filha de ambos, mas Cristina resistiu a todas essas propostas dizendo que primeiro queria se entender com sua filha e depois pensaria.

Cris: Sempre desejei formar uma família com Diego e, agora que tenho a chance, não sei o que fazer. Ajuda-me, Deus meu! (rogava forças).

Cons: Falando sozinha, filha? (disse entrando na sala).

Cris: Apenas pensando alto, mamãe! (sorriu).

Cons: Bom, a empregada disse que o almoço está servido. Por isso, vim lhe chamar.

Cris: Não quero comer. Estou me sentindo um tanto enjoada desde que acordei (fazia caretas evidenciando seu mal estar).

Cons: Cristina, faz semanas que vem sentindo-se mal. Melhor irmos ao médico.

Cris: Não mamãe. Ficarei bem!

Cons: Nada disso! Vamos agora mesmo. Depois eu almoço.

Chegaram em uma clínica e Cristina já havia feito os exames. Agora esperavam pelo resultado, na sala do doutor, que não demoraria em sair.

Alguns minutos depois, entrou na sala o médico.

Cons: Então, doutor, o que tem Cristina? (aflita)

Cris: Sim, o que eu tenho, doutor? (um tanto nervosa).

Doutor: Nada grave! Quero lhe dar os meus parabéns. Você està grávida, senhora Cristina!

Cris: Grávida! (surpresa)

Cons: Virgem Santíssima! (ficou com a boca aberta).

Doutor: Sim. Você está grávida e terá que vir novamente para fazer um ultrassonografia. Preciso saber de quantas semanas para fazer todo o acompanhamento.

Cris: Mas... (ainda não acreditava). Isso não pode ser verdade. Deve haver algum engano (estava nervosa).

Doutor: Não há nenhum engano. Aqui estão os resultados (a entregou).

Cons: Positivo! (sussurrou).

Cris: Mamãe, eu vou ter um filho (finalmente sorriu enquanto uma lágrima de emoção escorreu sobre o seu rosto).

Casa Alvarez — Vila Hermosa

Voltando para a casa com um enorme sorriso no rosto. Apesar do espanto, estava feliz. Um filho é sempre uma benção. Estava gerando em seu ventre um Alvarez de Rivero e não podia deixar de pensar em seu, ainda, marido. Estava descendo do taxi enquanto conversava com sua mãe.

Cris: Como a senhora acha que reagirá Frederico quando souber que teremos um filho?

Cons: Filha, esquece esse homem que tanto mal te fez.

Cris: Mas ele é o pai.

Cons: Por isso mesmo que digo. Ele pode muito bem usar essa criança para te ter de volta.

Cris: Crê que Frederico seja tão monstro a ponto de só querer usar o seu próprio filho?

Cons: Não me surpreenderia que partisse dele, algo do tipo.

Cristina ficou pensando nas palavras de sua mãe. No fundo, não queria crer que Frederico fosse tão desumano a ponto de usar o próprio filho, mas quando lembrava de todas as suas maldades, não duvidava mais.

Ao entrar na casa, a felicidade de Cristina multiplicou-se. Estava ali, frente a ela, sua filha, sua Maria do Carmo. Depois de um mês inteiro de rejeição sua filha a procurou.

Cris: Filha! (correu e direção à Maria do Carmo e a abraçou). Que alegria te ver aqui.

MC: Precisava falar com você (disse retribuindo o abraço). Sinto sua falta (chorou).

Cris: Eu também, meu amor. Minha filha! (emocionada).

MC: Quero ficar aqui contigo. Perdoa-me, perdoa-me... mamãe (chorou mais forte).

Cristina sentiu uma enorme alegria, pois sua filha lhe havia chamado de mamãe.

Cris: Não tenho o que te perdoar, filha. Você é que tem que me perdoar por nunca ter tido coragem de dizer a verdade. Por ter sido covarde esses anos todos (chorava).

Consuelo também estava emocionada. Finalmente tudo estava esclarecido.

Depois de toda aquela emoção, as três mulheres almoçaram juntas e conversaram até que alguém chegou.

Diego: Então quer de dizer que planejaram uma reunião familiar e nem me convidaram (disse rindo).

Cris: Não planejamos, mas entre. Sente-se conosco.

Cons: Agora sim a família está completa. Só faltou o meu velho Severiano, mas tenho certeza que, de onde estiver, está muito feliz com essa cena.

Diego: Finalmente, depois de tantos anos (olhou para Maria do Carmo). Filha, que bom ver que já perdoou sua mãe (sorriu olhando para Cristina).

MC: A verdade é que sempre sonhei em ter uma família e... (suspirou) agora que Deus me abençoou com uma, não poderia por tudo a perder. Ainda é muito difícil me acostumar com tudo isso, mas farei um esforço (sorriu emocionada).

Os quatro permaneceram na sala, jogando, rindo, brincando. Quem os visse, diria que formavam uma família feliz. E, assim aconteceu. Uma visita, inesperada, os surpreendeu.

Fred: Ora, ora, ora... Então é por isso que você me rejeita (disse olhando para Cristina cheio de raiva). Não imaginava que você fosse como uma qualquer que um dia está com um e ao seguinte com outro.

Cristina não pode conter-se, avançou em sua direção e o esbofeteou.

Cris: Nunca mais ouse me ofender! (disse com raiva).

Diego: Saia daqui, Frederico. Você não é bem vindo na minha família.

Frederico sentiu como lhe fervia o sangue ao escutar tais palavras daquele homem. Cristina era sua mulher e de ninguém mais. Como um selvagem, Frederico avançou em direção de Diego dando-lhe um soco bem forte. As mulheres se desesperaram.

Cris: Pare, Frederico! (gritou enquanto se colocava na frente de Frederico para impedí-lo de prosseguir agredindo Diego).

Fred: Todavia defende esse homem! (disse irritado). Por que, Cristina? Ainda o ama? ( a segurava com força pelos braços balançando-a).

Cris: Solta-me! (gritava fazendo força para soltar-se).

Todo esse tempo, Diego estava um pouco tonto nos braços de Maria do Carmo por conta do golpe que levou.

Fred: Não te soltarei enquanto você não me responder. O ama? (gritou ainda a sacudindo com fúria).

Não era a intenção de Frederico machucar Cristina, mas estava nervoso e morrendo de ciúmes. Não conseguia controlar sua raiva.

Cris: Está me machucando, Frederico (gritava segurando o choro).

Cons: Solte-a, Frederico ou ela irá perder o bebê! (gritou).

Frederico, no mesmo instante, congelou. Cristina estava grávida! Era o que sua mente repetia a todo o tempo e, aos poucos, sem dizer nenhuma palavra, Frederico a soltou.

Diego estava levantando com a ajuda de Maria do Carmo. Também, muito surpreso.

Fred: Grávida? (a olhou)

Cris: Sim...

Frederico estava começando a sorrir, pois, obiviamente, o filho era dele. Até que...

Cris: Estou grávida de Diego! (mentiu).

Fred: O que? (o sorriso imediatamente sumiu).

Os demais que presenciavam ficaram com cara de espanto, mas não disseram nada. Diego espantou-se com a mentira de Cristina, mas gostou do fato dela dizer que o filho era dele.

Cris: O que você ouviu. Estou esperando um filho de Diego! (disse olhando para o lado com lágrimas nos olhos).

Frederico não disse mais nada. Queria matar a todos, mas preferiu retirar-se, pois não daria o gosto que lhe vissem chorando. Saiu como uma tormenta batendo a porta.

Cristina fechou os olhos e jogou-se no sofá chorando descontroladamente. Estava decidida a tirar Frederico Rivero de sua vida, mas não sabia que lhe doeria tanto. O amava, mas seu orgulho de mulher, de mãe, não a deixava voltar atrás.

Notas finais
Quantos conflitos! Cristina mentiu! E agora? Obrigada pelos seus comentários. Até o próximo capítulo.