Sempre Abraça-me
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Miguel chegou em casa ofegante. Havia corrido muito e sem olhar para atrás. Ele não estava acostumado com pessoas como Frederico Rivero, pois sua mãe sempre lhe super protegeu de tudo e de todos.
Cristina estava sentada na sala lendo um livro quando Miguel chegou agitado.
Cris: Mas o que aconteceu, meu amor? Por que está assim? (preocupada).
Miguel lembrou que ela havia lhe dito para não falar com estranhos e, por medo de ser castigado, mentiu.
Mig: Estava apenas brincando, mamãe (sorriu para disfarçar o medo).
Cris: Posso perceber que sim. Está todo suado e sujo (disse olhando-o dos pés à cabeça). Anda, vai tomar um banho para jantar e depois dormir.
Longe dali, na cachoeira, encontrava-se Maria do Carmo. Era toda uma mulher e nem rastro daquela menina que havia partido. Havia se banhado e agora repousava às margens da cachoeira quando alguém se aproximou.
CM: Maria do Carmo! (disse incrédulo).
Maria do Carmo, reconhecendo a voz, levantou rapidamente e, olhando-o, sorriu amplamente.
MC: Carlos Manuel! (o abraçou).
Permaneceram conversando durante horas. Carlos Manuel lhe disse que ainda era noivo de Débora, mas que não sabia se a amava de verdade. Isso surpreendeu Maria do Carmo, pois acreditava que, pelo tempo, já estivessem casados. Ficou feliz, pois a vida estava lhe dando uma nova chance de conquistá-lo.
Fazenda Olho D'água
Anoiteceu e Frederico ainda não sabia do regresso de Cristina. Desde que ela partiu, ele se tornou um homem mais difícil de se relacionar. Falava apenas o necessário com os demais, na maioria da vezes, apenas ordenava utilizando de seu modo grosseiro. A única pessoa no qual ele mantinha algum tipo de diálogo era com Estela, pois essa se sujeitou a ser sua empregada; e amante quando Frederico se cansava das outras. Agora ele estava em seu quarto, deitado e pensando:
"Fred: O que faz aí? Estava me espionando? (disse bravo).
Mig: Não senhor. Apenas passava por aqui e o vi, mas minha mãe disse que não devo falar com estranhos e por isso me escondi (chorava)."
Frederico sorriu sem perceber enquanto lembrava do menino.
Fred: Mas que besteira! (sorriu). Por que estou pensando naquele fedelho? (questionava-se). Ah! (suspirou). Não posso negar que havia algo nele muito familiar...(pensava). Mas o que seria? Nunca vi menino mais medroso! (gargalhou).
Fazenda Bananal
Cristina colocou Miguel para dormir e agora era ela que estava deitada, mas não conseguia conciliar o sono, pois não parava de pensar em Frederico. A proximidade estava pertubando-a. No fundo de seu ser, desejava que ele fosse atrás dela na Bananal, mas, para a sua decepção, isso não ocorreu.
Cris: Pare de pensar nele, Cristina! Já passou o momento de vocês (recriminava-se).
Dia Seguinte
Miguel saiu para brincar pelas redondezas, mas claro, longe da casa do tal Frederico Rivero. Encontrou alguns menininhos da região, se divertindo e tentou socializar-se com eles.
Mig: Oi! (disse se aproximando). Sou Miguel. Posso brincar com vocês? (com sorriso inocente).
Os menininhos pararam, imediatamente, o que faziam. Quando olharam para aquele menino de olhos verdes, cabelos escuros, bem vestido e calçado não gostaram nenhum pouco. Acharam que era mais um metidinho da cidade. Resolveram ignorar Miguel.
Menino1: Nosso grupo já está completo.
Miguel não pode evitar ficar triste e seus olhos encheram de lágrimas.
Menino2: Vai para casa chorar para mamãe.
Os meninos começaram a rir e zombarem de Miguel, porém o que não esperavam era que alguém estivesse os observando faz tempo.
Fred: O que está acontecendo aqui? (disse montado em seu cavalo).
Todos os meninos se assustaram, principalmente Miguel.
Menino1: Nada, senhor Rivero! (disse com a voz e cabeça baixa).
Fred: Nada mesmo? (insistiu esperando que Miguel falasse algo).
Menino2: Não senhor!
Fred: Então, sumam da minha frente todos vocês! (sério).
Mig: Mas não estamos em sua fazenda? (respondeu por impulso e se arrependeu).
Fred: O que disse? Está respondendo a um Rivero? Anda, saiam!
E todos começaram a correr, mas Miguel foi impedido.
Fred: Ei, você fica! (ordenou).
Em sua imaginação fértil, Miguel achou que ia morrer, mas obedeceu, porque sabia que não adiantaria correr.
Fred: Vem! (deu a mão para o menino subir em seu cavalo).
Mig: Por favor, deixe eu ir embora! (rogava-lhe).
Fred: Calma, para quê tanto medo? Não vou te comer! (gargalhou).
Mig: Mas então, o que quer? (perguntou).
Fred: Não sei. Gostei de você, moleque! (confessou).
Miguel sorriu e se sentiu mais aliviado, pois não iria morrer.
Fred: Mas nem pense em falar sobre isso para alguém! (disse sério). Não quero que mencione o meu nome para ninguém! Me entendeu? (disse com voz grave).
Mig: Sim, senhor! (obedeceu).
A verdade era que Frederico temia perder o respeito de todo o povoado quando soubessem que ele anda se relacionando com uma criança. Ele tinha que manter sua imagem de homem sem piedade e sem sentimentos, mas, ao mesmo tempo, sentia uma necessidade que não compreendia de conhecer mais sobre aquele menino.
Estavam cavalgando. Miguel estava sentado à frente, quando Frederico resolveu dar-lhe as rédias do cavalo.
Mig: Mas eu não sei cavalgar!
Fred: Como não? Seu pai nunca te ensinou a calvagar, menino?
Mig: Não. Eu não conheci o meu pai (disse triste). Só sei que se chama Frederico, assim como você. (sorriu levantando a cabeça para olhar Frederico).
Fred: Pois, então, eu te ensinarei muitas coisas ou você não durará muito tempo nessa região com esse teu jeito de... Deixa para lá (gargalhou).
Miguel também gargalhou, pois estava gostando de estar ali com aquele homem.
Fred: Mas que cabeça a minha, não perguntei o seu nome, nem sua idade...
Mig: Me chamo Miguel e tenho 6 anos (sorriu).
Fazenda Bananal
Consuelo estava na cozinha junto com as empregadas, preparando doces típicos da região e aproveitando para colocarem as fofocas em dia. Sentia muita falta dessa vida no campo. Cristina entrou na cozinha juntando-se a elas.
Cris: Mamãe, Miguel já voltou?
Cons: Não, filha. Desde que saiu para brincar ainda não voltou (disse normalmente).
Cris: Será aconteceu alguma coisa? (preocupada).
Cons: Cristina, deixa o menino correr, brincar, fazer amigos. Ele precisa se soltar mais.
Vice: Dona Consuelo tem razão, menina.
Cris: Mas tenho medo que ele encontre com Frederico e diga que é meu filho.
Cand: Menina, sabe que não poderá seguir escondendo isso por muito tempo. Afinal, o menino precisa conhecer o pai mesmo sendo quem é.
Cris: Que a Virgenzinha me dê forças para enfrentar Frederico Rivero.
Fazenda Olho D'água
Fred: Vamos, entre! (disse abrindo a porta de sua casa para o menino).
Miguel entrou e sentou-se no sofá como um cavalheiro que era. Frederico, vendo aquela cena, percebeu que o caso era mais grave do que pensava.
Fred: Não, não, não... Isso não está bem! (disse sério).
O menino, ouvindo aquilo, levantou assustado.
Mig: Perdão, senhor. Eu fiz algo de errado? (começava a chorar).
Fred: Em primeiro lugar: homens não choram, já lhe disse; isso; em segundo lugar: vista-se como um macho; terceiro: sente-se como um homem de verdade.
Após dizer isso, Frederico agachou e tirou a camisa do menino de dentro da calça; penteou o cabelo do menino da mesma forma que o seu; pegou um chapéu preto, que não usava, e colocou no menino. E, por ultimo, não menos importante, ensinou o menino a sentar como ele, de pernas cruzadas ou com as pernas sobre a mesa. O resultado foi um produto de Rivero.
Agora estavam sentados na sala, enquanto Frederico lhe ensinava alguns truques que sabia. Estela, quando entrou na sala, ficou petrificada com a cena.
Est: O que estâ acontecendo aqui, Frederico? Quem é esse fedelho e o que faz aqui? (indignada).
Fred: Esse é o Miguel. É novo na região e acostume-se, pois ele virá com mais frequência!
Mig: É sua esposa?
Fred: Não! É apenas uma criada!
Mig: Estou com sede, pode trazer uma água, por favor (pediu para Estela).
Fred: Não foi assim que eu te ensinei (disse para o garoto). Fale como um macho!
Mig: Me traz uma água, criada! (gargalhou tentando imitar Frederico).
Est: Mas era só o que me faltava (disse indignada). Se esse menino não fosse novo na região, eu juraria que era o teu filho, pois é você em miniatura (saiu balançando as cadeiras e resmungando).
Frederico e Miguel só sabiam rir e trocar olhares cúplices.
Fazenda Bananal
Era final de tarde quando Miguel retornou para casa. Cristina estava andando de um lado para o outro na sala. Estava aflita! Miguel entrou na sala ainda caracterizado de Frederico Rivero, pois decidiu que queria ser como ele. O menino entrou sem dizer nada e sentou-se no sofá da mesma maneira que Frederico lhe ensinou. Cristina e as demais mulheres da casa ficaram paralizadas com o que viam e sem palavras, até que Cristina reacionou.
Cris: Posso saber o que aconteceu com você? Por que está vestido assim e de quem é esse chapéu? (questionava).
Mig: Mãe... é...
Miguel não sabia o que dizer, não podia falar sobre Frederico, era segredo de homens. Tinha que pensar em algo.
Mig: Estava com meus novos amigos e o pai de um deles me deu esse chapéu. Não é bonito? (amostrando o chapéu).
Cris: É bonito, filho, mas que caracterização é essa? Nem parece o meu bebê (sorriu olhando-o).
Mig: Eu não sou bebê! Sou um homem! (respondeu indignado).
Cristina, Consuelo, Vicenta, Candelária e Maria do Carmo não conteram a risada e isso enfureceu o menino que botou o chapéu e subiu irritado.
MC: Mas o que deu nele? Agora está parecendo com o pai até no comportamento (falava baixo).
Cris: Nem me fale, filha. Por um momento pensei estar vendo Frederico Rivero quando ele entrou e sentou-se como o pai.
Anoiteceu e todos jantaram em harmonia. Miguel era o único homem da casa e isso o entediava. Não via a hora de que chegasse o dia seguinte para poder rever Frederico. Era a única figura masculina no qual ele se relacionava.
Dia Seguinte
Em meio aos bananais, montado em seu cavalo e vestido de negro dos pés à cabeça, estava Frederico esperando por Miguel. Havia prometido ao menino que o ensinaria a nadar na cachoeira. E, lá estava ele, surgindo tão pequeno por entre as folhas.
Mig: Cheguei! (disse contente).
Fred: Vem! Sobe! (deu-lhe a mão para que ele subisse).
Chegaram à cachoeira e ficaram vestidos apenas com a cueca. Frederico entrou na água com ele e lhe segurava enquanto o ensinava a nadar.
Mig: Olha. Eu tô nadando, estou nadando (repetia feliz por ter conseguido).
Fred: Eu lhe disse que não era difícil.
Eles permaneceram banhando-se por mais algumas horas. Brincaram, riram, conversaram.
Agora, com a roupa já posta, caminhavam, ou melhor, Frederico caminhava com ele sentado em seus ombros. Estavam distraídos cantando o que lhes vinham na mente. Frederico via em Miguel o filho que Cristina perdeu assim que se casaram, e Miguel encontrava nele o pai que sempre lhe fez falta.
Mig: Queria tanto que você fosse o meu pai (disse com toda inocência de uma criança).
Frederico não era um homem de demonstrar afeto, mas aquele menino mexia com os seus sentimentos. Despertava algo bom dentro dele.
Fred: Me encataria ser seu pai (pensou alto).
Miguel! Onde você está? Miguel! (chamavam).
Frederico reconheceu aquela voz, mas não precisava adivinhar, por que era ela que surgia à sua frente, entre os bananais, naquele momento. Era a sua Cristina.
Mig: Mamãe! (gritou o menino quando a viu).
Cristina perdeu o chão quando se deparou com aquela imagem. Era seu filho com o pai. Não podia ser, mas era. Ficou assustada e, olhando nos olhos de Frederico, pode ver que ele havia entendido tudo. Já não havia mais saída.
Fred: Mamãe... Cristina é a sua mãe...(pensava alto).
Foi então que Frederico começou a juntar as peças daquele quebra-cabeça. O menino era novo na cidade; não conhecia o pai e só sabia que se chamava Frederico; Estela havia dito que o menino era idêntico a ele; Cristina era a mãe do menino e ele tinha seis anos. Seis anos? (quationava-se) Há quase sete anos atrás, Cristina lhe disse que esperava um filho de Diego, então... Não! Não podia ser (negava para si mesmo). Cristina mentiu! Miguel era seu filho.
Fale com o autor