Semideuses: A descoberta
11 Capítulo 11
A campina na verdade, era a continuidade da floresta. Era, pois uma área gigantesca estava completamente destruída para acomodar a comitiva que protegia a carruagem. Muitos monstros e soldados um tanto diferentes, apesar de aparência humana, estavam em blocos. Uns ao redor de fogueiras, outros perto de tendas. E é claro, um grupo, não muito pequeno, rodeando e protegendo a carruagem. Porém, a surpresa veio quando o grupo percebeu que não era uma carruagem, e sim três. Após todos analisarem o local, Mia fez sinal para que eles voltassem um pouco, a fim de acamparem também, e conversarem sobre o que haviam visto.
– Três carruagens? – Aaron soou surpreso.
– Pode ser que somente uma seja a verdadeira, ou que as três contenham partes do “tesouro”, e depois ele seja montado. – argumentou Ágata.
– De qualquer forma, eles vão separar essas carruagens em algum momento da viagem – disse Mia. – E nós vamos ter que nos separar. Mas a questão é, como vamos fazer isso?
Todos pararam para pensar em possibilidades, até que Blanca quebrou o silêncio e disse:
– Bom, é óbvio que eu, você e o Théo não poderemos ficar juntos – ela disse diretamente à Mikaela. – Eles três pretendem, em algum momento, seguir seus caminhos, e nós concordamos com isso. Sabíamos desde o início que tudo acabaria com nós três. E mesmo se não fosse por isso, nós três somos os mais velhos, e de certa forma os responsáveis por eles.
– Então tá. Eu vou com o Agis, o Théo vai com o Aaron e você vai com a Ágata, tudo bem?
– Nããããããããããão! – Théo, Blanca e Aaron reagiram ao mesmo tempo.
– Nossa, então tá bom... Porque não?
– Bom, porque... – os três começaram juntos, mas nenhum sabia terminar.
– Depois a gente decide isso – Ágata disse. – É melhor aproveitarmos para descansar agora.
– Ok – concordou Mia – Eu faço a primeira ronda. Théo, faz comigo?
Ele acenou afirmativamente com a cabeça. Todos arrumaram suas coisas e foram dormir. Mikaela se aproximou do acampamento inimigo, e Théo a seguiu. Ficaram em silêncio por algum tempo, até Mia dizer:
– Por que aquela reação sua? Quer dizer, da Blan e do Aaron eu entendo, mas você? Não dá pra gente ficar junto e você sabe disso, então não entendi.
– Porque assim como Blanca e Aaron querem ficar perto um do outro, eu quero você longe do Agis.
– Você quer? Tipo, como ordem?
– Não como ordem. Eu não posso mandar em você. Mas eu ia ficar muito preocupado e transtornado se você fosse com o Agis.
– E por que tudo isso?
– Até parece que você não repara. O jeito que ele te olha, a maneira como te trata e como ele me trata.
– E você acha que se eu ficar com ele quando nos separarmos vou me apaixonar por ele, esquecer você completamente, e eu e ele ficaremos juntos? – Ela o olhava com um olhar divertido, mas ao mesmo tempo zangado.
– Sim. Eu morro de medo de te perder. Ainda mais que o Agis é todo intelectual, e é até que bonito, e gosta de você.
– Nossa, você é um bobalhão mesmo. Eu não deixaria você fácil assim. Mas eu troco de dupla. Só que você vai ter que fazer a viagem com o Agis. Porque o Aaron vai ficar com a Blan, e eu vou ficar com a Ágata.
– Antes eu do que você com ele. Prefiro uma viagem de brigas do que uma viagem de desespero.
Mia se jogou em cima dele, a apertou-o bem forte. Théo derrubou-a e fez cócegas.
– Para, paraaaaaaaaa! Nós estamos perto demais deles, não podemos fazer barulho!
Théo parou, e ambos ficaram dando risadas silenciosas. Ouviram alguém se aproximando e ficaram em alerta.
– Calma, sou só eu. Não consigo dormir. – disse Blanca. – Só de pensar que teremos que nos separar... Isso me dá uma tristeza, e eu fiquei com insônia.
– Calma garota, não é tudo tão terrível assim. Nós ficaremos pouco tempo separados. Vamos nos juntar logo. Se descobrirmos qual é a carruagem falsa, matamos a charada. – Mia disse, tentando tranquiliza-la.
– Sem querer ser chato e estragar sua tentativa de acalmar a Blanca, mas a gente vai estar sem comunicação. Mesmo que a gente descubra que a carruagem que estamos seguindo é falsa, não saberemos o caminho que a certa está seguindo, e não teremos como simplesmente ligar e perguntar.
Théo estava certo, é claro, mas Mia tinha uma ideia. Remexeu na sua bolsa e pensou: “Por favor, seja quem for você, que me envia essas coisas, seja meu pai ou não, não me deixe no escuro. Por favor, me mande alguma coisa que permita que eu me comunique com meus amigos, mas que ninguém possa detectar, rastrear ou grampear”.
E assim aconteceu. Ela pegou 3 objetos. Pareciam celulares. Aliás, eram celulares. “Tomara que isso seja indetectável mesmo” disse Mia enquanto entregava pros amigos.
– Eu pedi algo que não desse para rastrear nem grampear ou coisa do tipo, e enviaram isso. Tomara que seja bom.
– Nosso turno acabou Mia. E Blanca ficou com sono de novo, graças à essa coisa. Vamos acordar o Agis e a Ágata pro segundo turno, e o casalzinho fica pro terceiro.
– Engraçadinho você, não é Théo? Mia, espere. Tem um bilhete que caiu... O que será?
Mikaela abriu e leu:
– Para que não chame a atenção, apertem um botão que aparece uma nota musical cortada. Assim, quando um chamar pelo outro, não fará barulho algum. P.S.: Sempre que precisar estarei aqui filha. Você pode me achar desatencioso, mas eu te amo. P.P.S.: Estão todos torcendo por vocês, e os pais de seus amigos estão mandando abraços e falando que amam-nos também.
O trio fez o que o bilhete mandava, e foram dormir, com sorrisos estampados no rosto. Afinal, era o primeiro contato de verdade entre pais e filhos.
▪▪▪
Mikaela estava sonhando. Sonhando que encontrava seu pai e sua mãe, e sonhando que todos estavam lá: Philip, Théo, Blanca, Agis, Aaron, Ágata. E os pais de cada um deles. Todos estavam comemorando, felizes. Mas ela sentiu alguém a cutucando. Procurou, mas não viu nada. Todos estavam sorrindo, e ninguém a tocava. Mas a cutucavam. Ela acordou, assustada. Era Agis.
– Mia, as carruagens estão partindo.
– Juntas ou separadas?
– Separadas.
– Acorde os outros, temos que nos aprontar.
– Está tudo pronto, e todos acordados. Théo disse as novas duplas. Já está cada um na direção em que sua carruagem segue. Demoramos para te acordar, porque você estava cansada. Foi a que menos dormiu.
– Muito obrigado, Agis. – disse Mia, enquanto se caminhavam.
Todos estavam reunidos, cada um observando a carruagem escolhida. Ágata estava sozinha. Mia ficou ao lado dela, e disse:
– Bom, então é isso. Nós vamos nos separar. Não sei se vou encontrar vocês depois, mas sei que vocês ajudaram muito – ela estava se dirigindo à Ágata, Agis e Aaron. – Obrigado por virem com a gente, e espero que dê tudo certo. Adeus.
Todos se despediram, se abraçaram e beijaram-se no rosto. Quando Agis abraçou Mia, ele sussurrou:
– É uma pena não termos ficado junto, eu ia realmente adorar passar um tempo sozinho com você.
– É... Uma pena... – disse Mia, consternada.
Théo abraçou-a bem forte, apertando-a. Levantou-a do chão, girou-a e finalmente, beijou-a. Um beijo longo e apaixonado. Quando seu lábio se descolou do dela, ela viu que todos os olhavam felizes. Todos, menos Agis.
– Adeus Mia, nos vemos logo. Eu amo você.
– Eu também amo você, Théo. Adeus. – disse ela, totalmente vermelha de vergonha.
E as duplas se separaram, cada um seguindo seu caminho. Agis, Aaron e Ágata ansiando por suas aventuras, por estarem cada vez mais perto de realizar seus desejos. E o trio, ansiando para se juntarem novamente.
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